sexta-feira, 22 de julho de 2016

ÉTICA E MORAL

Vivemos tempos difíceis. Sem entrarmos nos aspectos econômicos, nosso planeta atravessa tempos rubicundos com crescentes dificuldades até no simples ato de sobrevivermos, de produzirmos alimentos suficientes para todos. Isso para não falarmos da saúde, da moradia, dos meios ambientes terrivelmente danificados, das confusões sociais, das convulsões, das guerras e por aí vai. Parece que ninguém se entende. As correntes de pensamento surgem do nada, crescem, ganham seguidores que acabam por entrechocar-se com maiores ou menores danos e consequências. Morremos aos milhares e por qualquer coisa, todos os dias. Os códigos que regem cada país, cada povo, cada nação, cada etnia, cada agrupamento humano são diferentes entre si e dos mais diversos. Passamos do caos... ao caos, na breve história das civilizações cujos registros não datam muito além de 20 ou 30.000 anos, se tanto. Mas, se chegamos até aqui, não foi por mero acaso. Séculos e séculos se passaram enquanto a humanidade buscava civilizar-se, buscava evoluir, buscava o auto conhecimento dos princípios filosóficos que hoje norteiam os rumos da mais bem sucedida das espécies animais, o Homo sapiens. Ou, pelo menos deveriam nortear. Regras de conduta individuais e coletivas foram concebidas para ajudar a humanidade a dar pequenos passos avante e que permitissem um entendimento mínimo entre os povos. A enorme necessidade sentida pelos mais antigos povos de entender o mundo que os cercavam e, mais além, de compreender a si mesmos, suas próprias comunidades e até mesmo os indivíduos, levou o homem a criar um código de conduta que tentava colocar a casa em ordem. Claro que cada povo criava seu próprio código de acordo com sua época, seus costumes e seu entendimento. Surgiram então tantos códigos de regras de conduta quanto eram povos dos continentes, alguns mais rígidos e outros mais brandos. Surgiu então o conceito de Moral. Esta reflete os costumes, as regras, os tabus e convenções estabelecidas para cada sociedade. A ética, no contexto filosófico, está associada ao estudo fundamentado dos valores morais que orientam o comportamento humano em sociedade. Embora de significado parelho, os termos possuem origem etimológica distinta. A palavra “ética” vem do grego “ethos” que significa “modo de ser” ou “caráter”. Já a palavra “moral” tem origem no termo latino “morales” que significa “relativo aos costumes”. Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional, fundamentada, científica e teórica. É uma reflexão sobre a moral. Moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por cada cidadão. Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau. No sentido prático, a finalidade da ética e da moral é muito semelhante. São ambas responsáveis por construir as bases que vão guiar a conduta do homem, determinando o seu caráter, altruísmo e virtudes, e por ensinar a melhor forma de agir e de se comportar em sociedade. Não existe (ou não deveria existir) éticas e moral individuais, já que nosso comportamento social é regido pela ética e moral do povo a que pertenço. Não posso e não devo ter ações ditadas por mim mesmo. Isso é outra coisa, é livre arbítrio. Se meu código de ética diz que não devo matar outra pessoa, então não devo puxar o gatilho só porque quero. Serei punido na forma da lei. É assim para os tão temidos terroristas que cometem barbáries? Não, mas cometem seus atos atrozes porque são regidos e orientados por suas próprias regras. A moral para eles tem outros valores, com base em tudo que acreditam. Dessa maneira, logo se percebe que cada grupo humano tem sua ética e sua moral. Esta publicação não pretende ir além em sua análise. Seu intuito é meramente de manifestar algumas opiniões pessoais do autor sobre ética e moral de um pequeníssimo (e importante) segmento da sociedade contemporânea, o dos controladores profissionais de pragas urbanas. Recentemente, convidado que fui, passei voluntariamente a participar de um grupo virtual, desses que a rede (Internet) está repleta. Cada grupo é composto por pessoas que têm alguma coisa em comum e na rede se comunicam, emitem suas opiniões pessoais, se manifestam contra ou a favor, trocam informações e partilham conhecimentos. No caso deste Editor, o grupo é um foro de debates sobre pragas urbanas sinantrópicas, como o são todos os seus membros. Assuntos dos mais variados surgem à discussão todos os dias. Como toda comunidade, há indivíduos muito diferentes entre si; uns mais preparados que outros, uns iniciantes e outros mais experientes e assim por diante. Qual o código de ética que rege esse grupo? Quais são seus conceitos de moral que os levou a formar um grupo social? Não são regras escritas, lamento informar. Os conceitos morais de nossa própria sociedade é que ditam o comportamento do grupo e dos indivíduos que o compõe. A ética nos diz o que podemos ou não fazer, que condutas tomar. A busca da coexistência pacífica e da harmonia das relações deve ser um dos objetivos do grupo. Podemos querelar, sem nos agredirmos. Podemos ter opiniões diferentes e divergir sem ofender. Devemos ser parcos nos adjetivos e pródigos nos argumentos. Se tem conceitos morais na argumentação, a ética estará sendo preservada e isso... queremos todos!

domingo, 15 de maio de 2016

EM TEMPOS DE CRISE

Nosso país está atravessando a pior crise econômica e social desde a proclamação da República. São incontáveis indústrias de todos os portes que fecham suas portas inflingindo milhares e milhares de cidadãos à condição de desempregados que ficam sem ter como alimentar suas famílias; fala-se em vinte milhões de cidadãos que perderam seus empregos. São outros milhares de pequenas empresas baixando suas portas. São indicadores econômicos que despencam ou que sobem, conforme a leitura. Essa enorme crise afeta todos os setores produtivos do país, incluindo, e por que não, o ramo dos prestadores de serviços, dentre os quais, as empresas controladoras de pragas. Com a forte diminuição da procura desses serviços técnicos especializados, muitas empresas desse ramo ou já desistiram, já mudaram de ramo ou, no mínimo tiveram que repensar em planos de recuperação ainda que dentro de um mercado podre. O que fazer? Muitos empresários enxugam seus quadros (essa sempre é a primeira opção). Esses apostam no negativismo e acham que não haverá recuperação do mercado tão cedo. Outros empresários, no entanto, apostam que serão capazes de vencer os tempos difíceis; apostam que o mercado vai reaquecer a médio e longo prazo. Estes são os empresários progressistas, capazes de operar verdadeiros milagres em seus negócios. Em nosso ramo, os negativistas começam por dispensar parte de seus funcionários (administrativos e, aí está um grande erro, os operacionais), esquecendo que com isso vai comprometer toda a estrutura da empresa que, convenhamos, deu uma trabalheira para treinar. O resultado é um só: direto e reto para o abismo. A segunda opção do empresário negativista é cortar custos supérfluos (e nisso ele está certo) e tentar diminuir os custos dos insumos (equipamentos e produtos). Exatamente aí reside o grande erro! As prateleiras dos distribuidores estão repletas de diferentes marcas de biocidas e seus respectivos princípios ativos. Felizmente chegamos a um ponto de nossos serviços onde oferta e variedade já não representa mais um problema. Os preços aparentes cobrados ao empresário controlador de pragas, às vezes chega a ser exorbitante e disso se aproveitam pequenos fabricantes que produzem produtos aparentemente “genéricos”. Seja como for e felizmente, já há produtos de segunda linha, mas de qualidade a preços razoáveis. Mas, não tentem substituir bons produtos (ainda que com preços aparentemente mais caros) por produtos de má qualidade, só porque eles são mais baratos; esse erro pode sair muito caro para a empresa que não só terá que executar repasses, como perderá inevitavelmente a clientela. Corte no pessoal e corte nos insumos só vai levar a empresa prestadora de serviços, a um buraco negro. O que fazer então? Mudança de atitude! Começando por uma (ou mais quando necessário) visita técnica comercial bem feita. Se o cliente (que ainda não é) chamou a empresa é porque ele necessita dos serviços. Como, quando e onde ele será atendido, é um assunto que deve acaba surgindo necessariamente durante a entrevista inicial. Essa visita define tudo e por isso é tão importante. É a chance que a empresa tem de expor seus conhecimentos, descobrir e definir exatamente o que quer o cliente e, principalmente, negociar o valor dos serviços. Aliás, esse ponto torna-se secundário se os serviços forem bem expostos. Muito bem, a empresa conquistou o futuro cliente. E daí? Supondo que os serviços deram os resultados esperados, vem outra parte muito importante: o pós serviço. Quer dizer, esse cliente tem que receber toda a atenção da empresa através de visitas frequentes onde os resultados obtidos serão rediscutidos e oferecidos serviços suplementares. Poderíamos ficar horas discutindo só esses dois pontos: atenção ao chamado e pós visitas frequentes. Isso pode gerar fidelidade e novos clientes. É só tentar!

sexta-feira, 8 de abril de 2016

MOSCAS EM ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS

De repente, bato os olhos no blog e encontro uma promessa não cumprida de falar um pouco sobre o combate às moscas comuns (Musca domestica) em estabelecimentos comerciais, subentendendo restaurantes, padarias, lanchonetes, açougues, botecos, supermercados e qualquer outro ponto comercial que manipule alimentos para onde as moscas adultas são atraídas. Vamos recapitular um pouco: as moscas comuns (e vamos falar só delas devido sua importância nos centros urbanos) têm quatro fases de seu desenvolvimento: ovo – larvas (três estadios) – pupa e adulto. Sobre as fases chamadas de jovens, já falamos aqui mesmo neste blog (basta procurar as postagens onde o tema é abordado logo aí na coluna da esquerda). Mas, é a última fase, a de adulto, é que se torna problema para o profissional controlador de pragas. Como resolver esse problema e atender seu cliente? Antes de tudo, lembremos que as moscas domésticas não são “vetoras” de doenças, mas, ao frequentar e buscar alimentos em dejetos humanos ou animais, em matéria orgânica em decomposição e putrefação, colhem em suas patas bactérias potencialmente perigosas e quando pousam no alimento humano, ali deixam boa parte das bactérias que transportam em seus corpos. Além de serem muito incômodas, o que transmitem é sempre uma imagem de sujeira e falta de higiene ambiental, coisas importantes quando e onde estamos consumindo nossas refeições. Seja como for, uma empresa controladora de pragas entra em cena nesse momento, chamada para “resolver” esse problema. “- Essa vai ser fácil!” pensa o profissional menos preparado ou desatento. Ledo engano! Primeiro: você vai ter que se envolver com a pior parte do problema das moscas, a fase de adultos alados que após saírem de seus criadouros, se espalham pela redondeza em busca de alimento e para acasalar-se. Por exemplo: 1.000 larvas de moscas juntas concentradas em um único ponto do criadouro, é facílimo controlar, pois, resumindo, aplicar um pouco de larvicida nesse ponto já se elimina tal quantidade de larvas; todavia, depois de adultas, essas mesmas 1.000 moscas se espalham e não há como eliminar todas. O bom senso já me diz que não devo aplicar um tratamento geral por termonebulização, porque esse método não é seletivo e, portanto, afetará toda a fauna ambiental, coisa que todo profissional controlador deve evitar. Além do que, ninguém manda no vento e ele soprará em qualquer direção espalhando a nuvem inseticida (até que nosso governo encontre um método de engarrafar o vento, como preconizou a presidente). Então o que devo fazer para combater essas mesmas 1.000 moscas depois que se tornaram adultas aladas? Posso obter essa concentração de moscas se conseguir atraí-las a pontos tratados com adulticidas. Voltando ao tema central da conversa, o combate às moscas infestantes de um restaurante começa por uma boa inspeção... do lado de fora do estabelecimento. Temos que nos certificarmos de que não exista ali nesse entorno nenhum foco criadouro de moscas; atenção à chamada “rota do lixo”. Se houver a existência de qualquer monturo de lixo esquecido em algum canto, ele deve ser rigorosamente removido e o local higienizado. Se percebermos que as moscas estão vindo do perímetro externo do estabelecimento, devemos, dentro do perímetro interno do terreno e suas instalações estabelecer uma primeira linha de combate às moscas adentrantes. Como posso fazer isso? Com o auxílio de algum produto mosquicida adulticida (existem ótimos no mercado capazes de atrair e imediatamente eliminar a mosca que ingira o produto, geralmente com isca de açúcar), o qual será diluído e aplicado a pincel nos principais pontos onde as moscas costumam pousar, tais como corpos cilíndricos, fios, pontas de objetos. Se eu não encontrar onde aplicar, posso fazer uso de barbante de algodão embebido em uma calda feita com o mosquicida e estender esses barbantes um pouco acima da cabeça de um homem. Se houver chance, posso criar os chamados “painéis papa moscas” que nada mais são que superfícies verticais de qualquer largura pintadas em amarelo com listas diagonais vermelhas (combinação de cores muito atrativas para as moscas), onde se aplica um bom mosquicida adulticida. Quanto mais, melhor! Só com essas ações de combate já eliminaremos grande parte das moscas que estiverem chegando. Contudo, algumas moscas podem adentrar ao estabelecimento e ali causarem problemas. Em superfícies planas, sempre longe das vistas das pessoas (geralmente acima do campo de visão de um homem adulto), podemos estabelecer outra linha de combate usando mosquicida em isca (também encontrado no mercado) cuja isca são grânulos de açúcar cristal coloridos em amarelo e vermelho, impregnados com o mosquicida adulticida (na praça, há algumas iscas que contém feromônio -substância de cheiro - melhorando bastante o poder de atração para as moscas). Os melhores mosquicidas são à base de imidaclopride ou thiametoxan com hormônio azametifós. Parapeitos e batentes das janelas são os melhores pontos para usar essas iscas. E, por fim, podemos também fazer uso das tais armadilhas que atrairão (lâmpada ultravioleta) e eliminarão moscas passantes (as melhores são as colantes, cujos cartões com cola devem ser trocados com certa frequência). Pronto, cumpri o prometido!

terça-feira, 15 de março de 2016

NOVA AMEAÇA NO BRASIL: FEBRE DE MAYARO

Vem chegando mais uma ameaça à saúde pública brasileira e desta vez, adivinhem quem pode ser o vilão: acertou quem disse Aedes aegypti. Pois é. O Aedes, já responsabilizado cientificamente pelo dengue, pelo chicungunia e pela zika, poderá se transformar rapidamente em transmissor da febre de Mayaro (ou poliartrite epidêmica). Por enquanto, o vírus da mayaro é transmitido por um mosquito encontrado na região amazônica, nas copas das árvores das matas, o Haemagogus (o mesmo mosquito transmissor da febre amarela), que pica durante o dia (certos primatas como micos e saguis). Por ali fica, mas já há provas que ele está se aproximando do homem nas zonas rurais e semi rurais, onde entra em contato direto com a espécie humana. A doença causa uma febre com dores musculares e principalmente articulares (parecida com a dengue), dura de 3 a 5 dias e melhora mesmo sem tratamento. O vírus da mayaro é da família Togaviridae e gênero Alphavirus (uma espécie de primo do vírus chicungunia). O período de incubação (entre a picada do mosquito e o aparecimento dos sintomas), é de 3 a 11 dias e não foi registrado até hoje transmissão entre humanos. Embora somente agora é que se começa a falar do mayaro (identificado em 1954), na verdade sua presença foi oficialmente registrada em nosso país em 1950 e em 1987, Goiás teve um surto; desde 2008 a mayaro já foi encontrada em sete Estados. Quer dizer, ela vem vindo! Traduzindo melhor, o perfil da doença vem se modificando à medida que o mosquito Haemagogus se aproxima dos centros mais urbanizados, onde o Aedes já se encontra instalado; aliás, técnicos da Fundação Oswaldo Cruz e do Instituto Evandro Chagas têm estudos que comprovam a fácil adaptação da doença ao Aedes. Os pesquisadores do Instituto Adolpho Lutz afirmam que o Aedes tem todas as características que o torna possível futuro transmissor da febre mayaro. Atualmente, 34 amostras aguardam análise do Instituto para a confirmação da infecção em Ananindeua (PA). O material partiu de Goiás, Mato Grosso, Roraima e Pará e poucos laboratórios dispõem de tecnologia para dar um diagnóstico fiel baseado em exames sorológicos e moleculares. Mas, de onde veio esse novo vírus? Do sudeste de Trinidad e Tobago, por onde correm as lindíssimas águas azuis (bioluminescência das algas) do rio Ortoire. Dali para as florestas tropicais das Américas, foi só um pulo. Para especialistas, o mayaro avança para ser o próximo vírus da floresta a se urbanizar e causar epidemias. O vírus da mayaro é um dos vírus chamados de emergentes (como o da zika e da chicungunia). O ambiente deles muda com a entrada do homem nas florestas e eles começam a se adaptar buscando novos hospedeiros e meios de transmissão. Na era dos homens, o Antropoceno, as doenças são compreendidas como um desequilíbrio ecológico. À medida que destruímos as florestas e invadimos as casas dos vírus, eles se mudam. E eles se mudam mesmo... para nossas casas. Vírus e insetos silvestres se tornam urbanos, como as da zika e do dengue, surgiram em florestas. Para pesquisadores, erradicar completamente essas doenças é algo impossível. Sempre surgirão outros vírus e mosquitos. O segredo está em manter o equilíbrio das florestas e das cidades, dizem. E nunca negligenciar a vigilância, para que surtos possam ser contidos logo no início. Em relação ao mayaro, parece que aqui ainda não há impedimentos para sua propagação. O clima, a urbanização dos insetos transmissores e a falta de combate ao focos conspiram a favor do vírus.

quinta-feira, 10 de março de 2016

E A MALÁRIA? NINGUÉM SE LEMBRA MAIS?

Zika, dengue, febre do Nilo, chikungúnia, dengue... e tome doença transmitida por mosquitos. Algumas delas em condições já epidêmicas em nosso país. Ninguém (exceto os especialistas de institutos de pesquisa ou de área afetadas intensamente) se lembra da tristemente célebre, que pode se reurbanizar a qualquer momento, malária. Causada por um protozoário parasita microscópico (no Brasil, principalmente pelo Plasmodium falciparum) e transmitida pelo mosquito Anopheles (diferentes espécies), estima-se que seja responsável pela morte de 1,2 milhões de pessoas ainda hoje. O parasita penetra na próxima vítima pela picada de um mosquito anofelino já parasitado e no sangue da vítima destrói as hemácias (células vermelhas) que se não for prontamente tratado, leva o paciente à morte. Em Roma, sob o império de Appius Claudius (325 AC), a malária provocou uma enorme mortalidade entre os escravos e demais obreiros que construíam a Via Appia em terrenos pantanosos; percebendo que ali estava o grande criadouro dos anofelinos, os romanos drenaram o terreno pantanoso. Vários imperadores subsequentes continuaram esse trabalho de drenagem porque se acreditava que ali o ar era insalubre e mesmo envenenado. O nome malária significa “mau ar”. O advento do DDT e seu uso contra mosquitos (principalmente na fase alada), surgiu como um alento nessa luta homem x mosquito. Associado a algumas medidas corretiva do meio ambiente, os resultados foram bons e a malária foi contida em seu avanço. Vez ou outra, aqui ou ali, ela ressurge com força e cobra sua taxa em mortalidade humana. Os cientistas, contudo, pensam que a mosquito anofelino trazem dentro de si, a chave para seu próprio controle e talvez até a erradicação. Boas novas! Pesquisadores do Colégio Imperial de Londres têm tentado uma nova técnica de injetar mosquitos com um gen que faz com que 95% de suas proles sejam constituídas somente de machos. Uma vez que somente as fêmeas picam os humanos, essa nova técnica pode suprimir ou eliminar a malária. A técnica funciona pela supressão do cromossoma X paterno evitando seja transmitido à próxima geração dos mosquitos. Ao contrário de técnicas anteriores, essa nova técnica é hereditária (passando de geração a geração). Os pesquisadores estão muito otimistas, embora cautelosos com os resultados a campo. Há países, principalmente do terceiro mundo (áreas tropicais e subtropicais), onde cerca de 40% da população teve ou tem malária; crianças de pouca idade e mulheres grávidas são particularmente suscetíveis à malária. Nas áreas endêmicas e epidêmicas os melhores métodos de combate a essa doença são o uso de inseticidas e redes anti mosquitos nas camas. Tomara que dê certo!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

SOBRE A MODERNIZAÇÃO DAS EMPRESAS CONTROLADORAS DE PRAGAS

Bem recentemente, tive uma discussão, uma divergência de opiniões, com um proprietário de uma empresa controladora de pragas daquelas mais antigas, mais conservadoras e avessas a certos avanços especialmente conceituais que hoje fazem parte de nosso cotidiano. Não estou me referindo a avanços técnicos com equipamentos e produtos. Refiro-me às mentalidades retrógradas, petrificadas e solidificadas de certos proprietários de empresas controladoras. Melhor explico: há no mercado nacional, diversas empresas que disputam a preferência dos clientes em potencial (pessoas físicas e jurídicas) e essas empresas diferem muito entre si a começar por seu tamanho, por sua estrutura, por sua organização, por sua gerência e, por que não, por sua missão e filosofia de conduta. Há proprietários de certas empresas que se recusam a aceitar novas ideias e novos conceitos achando que aquilo que aprenderam há décadas atrás deve continuar a ser praticado, como se os tempos fossem os mesmos. Recado para esses proprietários: os tempos realmente mudaram, senhores. Por exemplo: a abordagem mais moderna para o controle de pragas chama-se Manejo Integrado de Pragas (MIP); seu conhecimento representou um passo extraordinário nesse ramo profissional. O MIP, que já foi chamado de Controle Integrado de Pragas, figura no portfolio de algumas empresas com o nome de Gerenciamento Integrado de Pragas, mas é apenas questão de nomenclatura ou de abordagem de marketing. Sou um defensor confesso e público dessa metodologia mais recente porque ela abrange e preconiza a combinação de medidas preventivas (aquelas que buscam prevenir a entrada de novas pragas infestantes), com medidas corretivas (aquelas que procuram evitar as condições físicas do imóvel que estejam facilitando a sobrevivência das pragas) e as medidas de eliminação das pragas já ali existentes. Essa abordagem é quase infalível quando empregada adequadamente de forma combinada, sem tentar suprimir nenhum apoio desse tripé. Evitar medidas preventivas, ou medidas impeditivas e corretivas ou as ações de controle, deverá conduzir ao fracasso dos objetivos. Mais particularmente, o receio de alguns proprietários mais vetustos de empresas controladoras de fazer uso de saneantes domissanitários, sob qualquer alegação, é uma incongruência. A própria profissão do controlador de pragas pressupõe o uso correto de produtos saneantes na forma da lei; a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde) examina os dossiês e aprova (ou não) aqueles produtos que considera capazes de controlar pragas, liberando-os para venda, desde que seguidas certas disposições estabelecidas em seus respectivos rótulos. Por isso existem inseticidas de uso doméstico, aos quais qualquer cidadão pode ter acesso e inseticidas de uso profissional exclusivo que só as empresas controladoras podem adquirir e usar. Portanto, não há razões que as empresas não o façam. A menos que não saibam, desconheçam a melhor forma de empregá-los ou tenham teorias próprias para tanto. Mas daí ter que ouvir o proprietário de uma empresa controladora chamar os domissanitários profissionais de “venenos” e afirmar que seu uso pode por em risco os usuários do ambiente tratado, vai uma enorme distância! Mas, nosso ramo de negócios está cheio de profissionais, uns mais progressistas, outros não e outros ainda que fingem ser. Que fazer? Em todas as atividades profissionais os encontramos.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

DIA DO BIÓLOGO

Hoje é um dia importante no controle profissional das pragas: o dia do Biólogo. Nesse campo profissional, mais e mais biólogos se juntam e trazem novos conhecimentos. Outros, mais avançam na especialização. São profissionais que se atualizam constantemente através de cursos de diferentes tamanhos realizados em Universidades, em Simpósios, Seminários e afins. São profissionais necessários. Parabéns!

sábado, 8 de agosto de 2015

A EVOLUÇÃO NO CONTROLE DAS BARATAS

As baratas são, universalmente, as pragas urbanas mais encontradiças. Áreas urbanas, especialmente aquelas com populações concentradas, são perfeitos criadouros graças à enorme disponibilidade de alimento para elas. As baratas são associadas a locais de sujeira, falta de limpeza e higiene e nunca a locais limpos como hotéis e restaurantes, onde ninguém espera encontrar esses insetos abjetos. Neles, a visualização de baratas provoca, em menor ou maior escala, a perda de clientes e, consequentemente, de lucros. Nas residências infestadas o efeito não é tão devastador, mas existe de acordo com a aversão e sensação de nojo sentidos pelos moradores. A fumigação espacial e a pulverização de superfícies do passado, em determinados locais mostrou-se não somente perigosa, mas agressiva ao meio ambiente também. Hoje, o controle de baratas mudou-se dos super entusiasmados tratamentos de pulverização para entrar numa abordagem integrada que é muito menos arriscada para ambos, seres humanos e o próprio ambiente. Há um foco crescente na prevenção que começa na informação e educação do público sobre a melhor maneira de se atingir o controle das baratas, nas residências e nos estabelecimentos comerciais. Somente aí a eliminação é recomendada. O controle efetivo das baratas baseia-se em dominar o conhecimento. Com o objetivo de livrar-se uma residência ou um estabelecimento de baratas, o profissional precisa saber um pouco sobre elas primeiramente. Como se diz, a prevenção é melhor que a cura e isso deve perfeitamente ser aplicado às baratas. Higiene ambiental, limpeza correta e manutenção adequada do sistema hidráulico representam o eixo central de um efetivo controle das infestações de baratas. Muitas pessoas não sabem que a água, como um vazamento de canalizações ou um entupimento parcial de um dreno, é tão atrativo para as baratas quanto o próprio alimento. A supressão desses vazamentos, removerá as fontes de água que são vitais para esses insetos e outras pragas domésticas. As pessoas comuns têm conhecimento limitado sobre as baratas e seu controle, o que perfeitamente natural. Portanto, os serviços de uma empresa especializada no controle de pragas que esteja tecnicamente habilitada a realizar esse controle é indispensável. Contudo, as baratas são seres extremamente adaptados a sobreviver sob condições das mais adversas e mesmo em ambientes razoavelmente limpos, conseguem se instalar e proliferar, ainda que em infestações não muito pesadas. Diante desse cenário, cabe ao profissional controlador de pragas adotar o melhor programa que integre todas as situações e resulte em controle das baratas num dado ambiente. O profissional deve reunir os conhecimentos necessários para escolher e indicar as abordagens que melhor escolham os caminhos para um controle integrado. Não se trata mais de sair por aí pulverizando ou fumigando o mundo com produtos químicos arriscados. Não que os baraticidas encontrados no mercado profissional já não sejam efetivos. São, mas devem ser utilizados de forma correta e adequada seguindo técnicas de aplicação que garantam a integridade do meio ambiente e seus usuários. Interessantes técnicas levam ao uso de iscas géis e hoje logram atingir ótimos resultados. Tais escolhas técnicas levam em conta informações precisas sobre a biologia desses insetos, o que conduz o profissional controlador a efetuar uma rigorosa inspeção do ambiente considerado. Isso é feito com o objetivo de identificar os criadouros e os pontos de alimentação e hidratação (geralmente localizados um distante do outro). Claro que não só isso. O mais importante para se obter bons resultados no controle das baratas, é que o profissional desenvolva uma verdadeira visão de conjunto da situação. Tão importante quanto a barata naquele ambiente, é saber por que ela ali está. Quais são as condições do ambiente que estejam favorecendo a infestação. Água, alimento, abrigo e acesso constituem o ciclo vital que permitirá a presença de baratas. Cabe ao profissional identificar os elos dessa cadeia e ver o ambiente como um todo. Só então o resultado final de controle será plenamente atingido.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

ESTATÍSTICO SUGERE QUE NOVA YORK TENHA MENOS RATOS DO QUE SE IMAGINA

A Times Square, em Nova York (EUA), é o ponto turístico mais visitado do mundo e recebe, por ano, aproximadamente 35 milhões de turistas Por alguns anos, as estatísticas sugeriram que a cidade de Nova York estava ficando mais segura, limpa e mais cara. Agora, os dados sugerem que a cidade pode não abrigar tantos ratos quanto os novaiorquinos imaginavam - ou gostavam de se vangloriar para os visitantes. Jonathan Auerbach, um estatístico de 26 anos e doutorando da Universidade de Columbia, ganhou recentemente uma competição patrocinada pela Royal Statistical Society of London, instituição de 180 anos de existência. Auerbach conquistou o prêmio com um artigo em que defendeu que há menos ratos na cidade do que quase todo mundo acreditava. Cerca de 6 milhões a menos. Pelos cálculos de Auerbach, a população de ratos é de meros 2 milhões de ratos, com uma margem de erro de 150 mil para mais ou para menos. Ao chegar a este total, ele derrubou a ideia há muito perpetuada de que havia um rato para cada habitante da cidade. A população de Nova York chegou a 8.405.837 em julho de 2013, de acordo com o Departamento de Planejamento. Mas no artigo publicado na revista de estatística Significance sob o título "A cidade de Nova York de fato tem tantos ratos quanto pessoas?" - ele chamou a ideia de um rato por pessoa de um "mito urbano". É o bastante para que nos perguntemos o que virá em seguida. A abordagem do Departamento de Saúde Pública e Mental para contar os roedores envolve o uso do que ele chama de "indexamento de ratos" para inspecionar várias propriedades nas áreas onde eles se concentram. A agência aconselha os donos dos imóveis a contratarem controladores de pragas quando seus inspetores encontram evidências da existência de ratos nos imóveis, e pode emitir advertências se as inspeções seguintes indicarem que não houve adequação às normas. Ela também realiza cursos de capacitação para superintendentes de prédios, administradores de condomínios, proprietários de imóveis e até inquilinos interessados. O departamento de saúde diz que seus esforços tiveram efeito. "Nós vimos uma redução total no número dos vestígios de ratos em toda cidade de Nova York", disse Levi Fishman, porta-voz do departamento, em um e-mail. De quanto foi essa redução? Fishman disse que "não há métodos científicos para contar de forma precisa o número de ratos em Nova York ou em qualquer cidade grande." Da mesma forma, Kevin Ortiz, porta-voz da Autoridade de Transporte Metropolitano, que está imerso na batalha contra os roedores, disse que nunca quantificou a população de ratos que vive no metrô. Auerbach, que foi analista fiscal do Conselho Municipal e do Serviço de Informação sobre o Mercado de Trabalho da prefeitura de Nova York na Universidade da Cidade de Nova York antes de se matricular na Columbia, reconheceu em seu artigo que fazer um censo da população de ratos coloca desafios significativos para um estatístico. "Os animais são péssimos em responder pesquisas", observou, lacônico. Ele enfrentou outros problemas metodológicos. Ele não pôde capturar um grande número de ratos, marcá-los para identificação, soltá-los, capturar outro tanto e contar o número de ratos marcados naquele grupo. Infelizmente, ele escreveu, o departamento de saúde não deve aprovar um experimento de grande escala de soltura de ratos (por motivos óbvios. Em vez disso, Auerbach se fiou em informações sobre queixas de ratos reunidas em 311 registros, disponíveis ao público no portal de dados da prefeitura. Ele relacionou a localização de cada observação positiva no terreno correspondente e concluiu que havia 40.500 terrenos habitados por ratos em Nova York, ou cerca de 4,75% dos 842 mil terrenos da cidade. "Sabemos que uma colônia típica tem cerca de 40 a 50 ratos", ele escreveu, embora não tivesse citado a fonte dessa informação. Assumindo - "com generosidade" - que o parâmetro maior seja razoável, ele estabeleceu a população de ratos em 2,02 milhões. A ideia de que a população de ratos é menor do que 8 milhões não é novidade, de acordo com Robert Sullivan, que escreveu um livro sobre ratos. O título era "Ratos: Observações sobre a história e o habitat dos moradores mais indesejados da cidade. "Qualquer um que saiba alguma coisa sobre ratos, sabe que não existem 8 milhões de ratos", disse Sullivan em uma entrevista na quarta-feira. "Mas qualquer um que saiba alguma coisa sobre ratos também sabe que todos amam a ideia de 8 milhões de ratos. O cenário de um rato por pessoa é bem improvável." Mesmo assim, ele diz que a teoria foi contestada depois da 2ª Guerra Mundial pelo estudioso de comportamento animal David E. Davis, que prendeu ratos em apartamentos no East Harlem e estimou que a cidade abrigava na época um rato para cada 36 pessoas. O artigo de Auerbach foi um dos três finalistas julgados por um painel de estatísticos profissionais. Ele foi convidado a falar na conferência anual da sociedade em Sheffield, Inglaterra, ocorrida em setembro último. O público "tinha muitas perguntas sobre as minhas hipóteses - se elas se sustentam diante do conjunto de dados", disse ele."No final, deixei um desafio: 'vamos ver se alguém faz melhor”. Eu não tentei divulgar o trabalho como um biólogo, entendendo a espécie. Divulguei como contribuinte que paga pelos serviços públicos. O governo está divulgando dados e o que nos interessa é como podemos usar esses dados para envolver as agências públicas e falar sobre os serviços que elas fornecem?"Tradutor: Eloise De Vylder (com adaptações do Higiene Atual).

quarta-feira, 4 de março de 2015

UMA NOVA ARMADILHA PARA ROEDORES

Especialistas da Nova Zelândia ficaram impressionados com os resultados obtidos com uma nova armadilha acionada à CO2, conhecida como A24, que lembrou os drásticos resultados contra roedores quando se empregava 1080 (monofluoracetato de sódio), hoje banido no Brasil. O Departamento de Conservação – DOC da NZ descreveu a A24 como um passo significativo na direção de melhores armadilhas contra roedores e pássaros danosos (ex: próximo às pistas dos aeroportos). A A24 rearma-se sozinha e aniquilou as populações de roedores na região noroeste de Napier (testes conduzidos pelo DOC nos Condados de Onepu in Te Urewera e Boundary Stream). Esses resultados surpreendentes contrastaram com os obtidos nas cercanias onde populações de roedores continuaram sobrevivendo. Stu Barr, um especialista da companhia baseada em Wellington que desenvolveu a nova armadilha, disse que a meta era atingir zero infestaçÃO, como se conseguia usando o 1080, correndo todos os riscos. Impulsionada por cilindros de CO2 (vide foto), essas armadilhas se rearmam automaticamente após o acionamento e podem matar até 24 roedores até que seus cilindros precisem ser recarregados ou trocados. Kevin O´Connor, diretor do Grupo de Serviços do Departamento de Conservação afirma que esses ensaios são muito promissores. Ele diz: “É um passo significante para que tenhamos uma opção melhor e mais efetiva no controle de certas pragas de porte”. Stu Barrer, comparando os resultados obtidos com o banido 1080 e a armadilha A24, afirma que este dispositivo pode ser empregado em grandes áreas sem os enormes riscos do 1080. Afirma que a A24 pode proteger habitats sob risco e previne o reagrupamento de populações de roedores. Afirma ainda que a A24 pode ser capaz de proteger espécies de aves nativas sob ameaça. Como funciona a A24? Os roedores são atraídos à armadilha impregnada por um potente feromônio de longa vida (e aí está o “pulo do gato”); assim que o roedor passa o focinho pela área do gatilho ultra sensível, a armadilha é acionada; Um pistão atinge a cabeça do roedor matando-o instantaneamente, voltando à sua posição de origem; o cadáver cai ao solo e a A24 rearma-se automaticamente pronta para capturar o próximo roedor. Fonte: NZ Herald. Nota do Higiene Atual: há mais de três décadas existe no comércio especializado norte americano, uma armadilha automática movida à eletricidade de modelo muito próximo à A24, denominada Trap-a-rat, fabricada, se não me falha a memória, em Portland, Oregon.

domingo, 23 de novembro de 2014

BOAS PRÁTICAS OPERACIONAIS NO USO DE RATOEIRAS

Há certas situações onde o emprego de armadilhas e ratoeiras acaba sendo a opção mais adequada para combater uma infestação por roedores. Método ultrapassado? Nem de longe! É uma abordagem sensata quando corretamente utilizada. Por exemplo, o que faria o profissional controlador de pragas na área de produção de uma indústria alimentícia onde o emprego de raticidas não é viável (e nem permitido pela Vigilância Sanitária)? Para tais situações existem os métodos de combate através de meios mecânicos (armadilhas, ratoeiras, placas colantes e outros dispositivos). Gostaria de abordar esse tema, até para reforçar certos aspectos das boas práticas operacionais. Esses dispositivos podem, a grosso modo, serem divididos em cruentos (quando podem causar agonia antes da morte do roedor capturado) e incruentos (quando capturam ou eliminam sem causar agonia). Seja qual for o tipo de ratoeira (vamos generalizar aqui neste artigo, todos os dispositivos mecânicos sob esse título), devemos ter em mente algumas práticas para que maximizemos os resultados. O que se sabe como “cenário”? Ratos (R. norvegicus e R.rattus são bastante desconfiados de objetos novos colocados em seu território e nem sempre conseguimos capturar algum logo nos primeiros dias após a colocação do artefato. Já os camundongos (M. musculus) apresentam grande curiosidade com objetos novos em seus territórios e, assim, logramos capturá-los logo nos primeiros dias. Com isso em mente, podemos relembrar algumas boas práticas no uso de ratoeiras e outros artefatos similares. Por exemplo, devemos armazenar as ratoeiras, quando não em uso, em locais secos (sem umidade que possa favorecer o surgimento de fungos), livre de odores de inseticidas (que podem impregnar as ratoeiras, especialmente se forem de madeira) e desarmadas (para aliviar a tensão da mola); placas colantes devem permanecer em local fresco e longe de fontes de calor. Seu transporte até o local onde serão usadas deve ser em caixas, evitando o manuseio excessivo. Cada ratoeira deve ser inspecionada e testada antes de seu uso; se necessário, as partes móveis deverão ser lubrificadas com óleo mineral ou outro óleo inorgânico. As iscas de atração devem ser preparadas previamente, de acordo com a espécie a ser combatida e, é especialmente indicado o uso de iscas constituídas por alimentos que já estão sendo consumidos pelos roedores na área alvo. Aliás, uma boa tática é dispor a mesma isca nas proximidades da ratoeira assim iscada, o que poderá “conduzir” os roedores até o artefato (quando isso for possível). Boas iscas: balas de goma, presunto, bolinhas de aveia, nozes, uva passa, goiabada dura, etc. O tamanho certo da ratoeira deverá ser selecionado pela espécie alvo. As ratoeiras comuns do tipo “quebra costas” são muito eficazes contra camundongos. As de modelo gaiola podem produzir algum resultado contra os ratos. As placas colantes podem ser empregadas contra qualquer espécie; basta saber onde colocá-las. As ratoeiras devem ser dispostas nos pontos onde visivelmente percebemos que são os frequentados pelos roedores infestantes (presença de fezes e pegadas ajuda a localizá-los). Camundongos se dispersam mais, mas ratos costumam caminhar sempre junto às paredes ou objetos encostados. É nesses pontos que deveremos dispor nossas ratoeiras ou placas devidamente iscadas; evite colocá-las à vista de passantes e usuários da área. Para ajudar no direcionamento dos roedores, devemos dispor objetos que impeçam o trajeto normal induzindo os roedores a criar trilhas alternativas, onde disporemos uma ou mais ratoeira ou placa. As ratoeiras devem ser colocadas firmemente para evitar qualquer dano às mesmas e evitar sejam deslocadas pelo simples esbarrar de algum roedor. Para camundongos armar ratoeiras distanciadas de 30 cm entre si. Para ratos, a cada 60 cm. Se tivermos a impressão que os ratos já estão pulando a ratoeira, dispor três ou mais em paralelo. Cuidado com o acesso de crianças às ratoeiras. Não colocar ratoeiras acima de alimentos ou produtos que possam eventualmente entrar em contato. O número de ratoeiras colocadas na área alvo, deverá ser anotado e, sempre que possível, produzir um mapa dessas localizações para facilitar a reposição de iscas e monitoramento do trabalho. O uso de ratoeiras exige frequentes visitas (uma a cada dois dias, no máximo) para remoção de cadáveres de roedores e reiscagem. Observar a disposição final dessas carcaças que podem conter ectoparasitas (o ideal é enterrá-las). Os operadores a cargo desse trabalho devem trabalhar devidamente protegidos com luvas de borracha, aventais de plástico ou borracha e botas afim de evitar as pulgas dos roedores mortos. As ratoeiras ou placas que se mostrarem negativas, devem permanecer por um mínimo de cinco dias nos locais originais antes de serem removidas para outros pontos da área. Levando tudo isso em consideração, uma campanha contra roedores infestantes de uma dada área alvo empregando ratoeiras, armadilhas ou placas colantes, pode ser bem sucedida.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

DIAS DO BIÓLOGO E DO MÉDICO VETERINÁRIO

06 e 09 de setembro, respectivamente. E por que não abrimos espaço aqui para outras profissões? Por que somente assinalamos essas duas profissões? Simples: porque na atividade laboral do controle profissional de pragas urbanas, a maioria dos Responsáveis Técnicos adequadamente preparados e de sócios proprietários é constituída por biólogos e veterinários. Com todo o respeito que outras profissões merecem, como químicos, farmacêuticos, médicos e outros de nível técnico. De fato, com o decorrer do tempo, as empresas controladoras de pragas foram se tornando mais e mais tecnificadas, exigindo um domínio crescente de conhecimentos específicos, já que nossa sociedade tem exigido melhores resultados e, ao mesmo tempo, mais qualidade com respeito ao ambiente em que vivemos. Na formação profissional do biólogo e do veterinário, constam obrigatoriamente estudo e conhecimento de muitíssimas espécies animais, dentre as quais aquelas que consideramos pragas. Não se trata de conhecer o corpo humano, ou das reações químicas e/ou biológicas in vitro que ocorrem dentro de laboratórios ou das propriedades farmacológicas dos compostos. Falo do conhecimento (em detalhes) dos seres urbanos ditos pragas, de suas anatomias, de suas fisiologias, de suas reações frente à compostos que os combatem; falo, com ênfase, do conhecimento dos diferentes meios ambientes onde essas pragas vivem, como neles adentram, que papeis desempenham, como se adaptam e procriam. Falo também das relações que as pragas urbanas estabeleceram com os seres humanos com os quais compartilham esse mesmo meio ambiente, falo dos conhecimentos de toxicologia dos compostos utilizados para controlar essas pragas urbanas. Falo, enfim, de uma vasta gama de conhecimentos. O biólogo e o veterinário, ao receberem seus respectivos diplomas, trazem consigo essa massa de conhecimentos. Se vão utilizá-los profissionalmente, o tempo dirá. Mas, estão preparados para tanto. Por isso, junto-me às comemorações dos dias dessas duas profissões, das quais orgulhosamente faço parte!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

UM REPELENTE A MOSQUITOS DA DENGUE E OUTROS, EM JORNAL COMUM DE SRI LANKA

O principal objetivo de um jornal impresso é disseminar informações em benefício da sociedade a baixo custo, razão pela qual é um veículo de mídia muito procurado, principalmente em países não desenvolvidos ou em desenvolvimento. Não que não seja lido em países chamados do primeiro mundo; por exemplo: todo executivo que se preze em Nova Iorque leva sob o braço, um exemplar diário do Finantial Times, um jornal que traz as últimas do mundo financeiro. O poder da mídia impressa é incalculável, não importa onde seja. Ainda assim, o velho jornalzinho nosso de cada dia atrai a atenção de todas as classes sociais em todo o mundo. Feito para veicular e divulgar notícias recentes, parece que há uma novidade vinda do longínquo Sri Lanka, segundo nos conta o jornalista Vignesh Raamanda, onde as estatísticas da Organização Mundial da Saúde demonstram uma preocupante e crescente incidência da Dengue. No começo deste ano, uma forte agência de propaganda local, a Leo Burnett, começou uma parceria com o jornal Mawbima, editado no dialeto Sinhala, o mais falado do país, para participar da campanha de combate à Dengue: juntos, eles criaram o que pode ser o primeiro jornal repelente a mosquitos do mundo. O vírus da Dengue, como sabemos, é transmitido por picadas de certas espécies de mosquitos como o Aedes aegypti, que causa uma virose semelhante a um resfriado comum em humanos, mas que dependendo de certas circunstâncias, pode levar o indivíduo à morte. A Dengue ainda não tem vacina preventiva. A OMS estima que exista de 50 a 100 milhões de casos de Dengue a cada ano em todo o globo, com predominância nos países tropicais ou semi tropicais. Então, em Sri Lanka, a citada agência de propaganda e o jornal Mawbima descobriram as horas principais do dia onde os mosquitos atacavam mais (cedo pela manhã e mais no fim da tarde) e que nessas horas as pessoas liam mais os jornais. Em Sri Lanka as pessoas compram seus jornais e os leem enquanto aguardam a condução nas filas e pontos dos ônibus. Nesse período de permanência são frequentemente picadas por mosquitos. Juntando essas informações, tiveram uma ideia extremamente criativa: infundir a tinta de impressão do jornal em essência de citronela que, como sabemos, é um ótimo repelente a mosquitos e outros insetos. Dessa forma, enquanto as pessoas vão se inteirando das notícias, o odor da citronela exalado pelo jornal mantém os mosquitos afastados. O sucesso comercial da ideia foi imediato. A “novidade” foi lançada no Dia Mundial da Saúde – 7 de abril - alavancou as vendas do jornal em 30% e o número de leitores subiu em mais de 300.000. Isso significou que mais pessoas estavam sendo informadas enquanto eram protegidas da Dengue. O jornal Mawbima passou a divulgar artigos e textos sobre a Dengue. Outra ideia igualmente foi gerada através do sucesso dessa campanha: afixar posters de propaganda nos pontos de ônibus, impressos no mesmo tipo repelente de papel. Claro que, como todas as ideias novas, é preciso testá-las na prática e há ainda que estudar bem a questão do custo/benefício. Nessa ideia do jornal repelente a mosquitos, o papel utilizado teria que ser reembebido na citronela com certa frequência, pois a citronela deixa de exalar odor em poucos dias. Contudo, são problemas aparentemente que podem ser resolvidos com algum estudo técnico. E viva a criatividade!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

140.000 VISITANTES NO BLOG HIGIENE ATUAL

Vou repetir, porque nem eu estava acreditando: 140.000 pessoas visitaram nosso blog desde seu surgimento. É ou não é uma marca respeitável para um blog técnico? Tentando encontrar algumas explicações do porquê de tanto sucesso, chegamos a algumas hipóteses: talvez a necessidade de informação técnica seja muito grande sobre pragas e seus controles, bem maior do que imaginávamos. Talvez porque a facilidade de acessar aos temas seja atraente. Talvez a escolha dos temas postados satisfaça o leitor do blog. Talvez a forma e o conteúdo do blog é que seja o principal motivo para atrair essa verdadeira multidão de leitores. Talvez porque não seja um blog pretencioso ou arrogante, ou metido à cientista. Talvez porque a linguagem do blog seja simples, direta e sem muita firula. Ou, talvez, porque o blog é bom mesmo e a gente fica procurando chifre na cabeça de cavalo tentando explicar! Seja pelo que for, só podemos agradecer e muito a nossos leitores que fizeram deste blog seu principal porto de parada quando navegam pela Internet em busca de informação, o que posicionou nosso blog em absoluto primeiro lugar na lista do Google.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

MOSCAS EM BARES, RESTAURANTES, LANCHONETES E ASSEMELHADOS

Agora é inverno e não faz tanto frio assim, exceto no Sul como sempre. No resto do país, ao que tudo indica, teremos um “invernozinho meia boca”, se tanto. Mesmo assim, as moscas, se já não estão presentes, preparam um exército de moscas novas para reinvadir suas áreas alvos principais nos centros urbanos: restaurantes, refeitórios, bares, padarias, lanchonetes, quiosques de alimentação, cafeterias, docerias e assemelhados, para não falarmos de indústrias alimentícias, depósitos de alimentos, supermercados, caminhões de transporte, feiras livres, aterros sanitários e lixões a céu aberto. Territórios a serem invadidos não faltam, especialmente considerando aqueles onde as condições higiênicas são precárias, na maioria das vezes por inépcia ou incompetência de seus gestores ou ocupantes/usuários. Então, as moscas e muitos outros insetos urbanos, apenas sentam e aguardam. Mal entra a primavera e lá estarão elas zumbindo e voando por toda parte em uma brusca frenética por alimento e gerando milhões e milhões de novas moscas, incomodando muito as pessoas e espalhando bactérias diretamente nos alimentos, até mesmo quando já estão em nossos pratos. Como pode proceder uma empresa ou profissional controlador de pragas ao ser chamado para resolver um problema de infestação de moscas em um bar, uma confeitaria ou outro tipo similar de estabelecimento alimentício? Antes de tudo, vamos racionalizar o problema lembrando que as formas jovens das moscas domésticas (ovo, larvas e pupa) são encontradas em locais muito específicos onde haja um substrato orgânico semipastoso; ali, os ovos liberam a primeira larva que, se alimentando do próprio substrato, transforma-se na segunda larva e esta, crescendo de tamanho, transforma-se na larva III, para só então formar um casulo, onde a mosca pré adulta vai ser preparada. Essa fase de pupa é que se afasta da parte semipastosa do criadouro e vai liberar uma nova mosca adulta completamente formada, pronta para voar. No auge do verão, isso tudo acontece em até sete dias ou talvez um pouco mais. Nos centros urbanos, há milhares de pontos onde o acúmulo de detritos e dejetos orgânicos podem se tornar criadouros de moscas domésticas. Dessa forma, mesmo que um estabelecimento alimentício não propicie as condições para ter um criadouro de moscas em seu perímetro, poderá ser infestado por moscas originadas em criadouros das redondezas, o que dá no mesmo: clientes reclamando cheios de razão, denúncias aos serviços sanitários, perda de clientela, prejuízos. Em necessidade, finalmente o gestor daquele estabelecimento resolve chamar uma empresa controladora de pragas. Uma empresa bem estruturada é capaz de perceber que ótima oportunidade está se apresentando para engrossar seu portfolio de clientes; hoje é mosca, quem sabe amanhã podem ser baratas ou ratos. Então, uma empresa é chamada e comparece para efetuar o diagnóstico, montar uma proposta orçamentária e executar o serviço. A primeira coisa a fazer é determinar se existe dentro do perímetro do estabelecimento algum ponto onde as moscas infestantes possam estar se criando. Em caso afirmativo, esses criadouros devem ser sumariamente eliminados e condições mais higiênicas devem ser tecnicamente discutidas com o contratante. Todavia, na maioria das vezes, não há criadouros dentro do perímetro do cliente; as moscas infestantes quase sempre estão adentrando à área, vindas de algum criadouro em um raio de 500m do local. O controlador deve então buscar e certificar-se da existência ou não de pontos internos do estabelecimento onde moscas poderiam estar sendo originadas. O controlador deve procurar por pontos úmidos com substrato orgânico: sob as pias especialmente com vazamentos, nos pisos abaixo de geladeiras o de outros equipamentos produtores de frio (onde a água de condensação pode empoçar), junto às bombas de refrigerar e servir chopps e outros pontos semelhantes. Em cada ponto assim encontrado, o controlador deve examinar o substrato em busca de larvas e pupas de moscas. Em caso positivo, esses pequenos criadouros devem ser eliminados e os problemas geradores dos focos, corrigidos. A aplicação de inseticidas de largo efeito ajudará a evitar a formação de novo foco naquele ponto. Mas, na verdade, a encrenca está na presença em maior ou menor grau de moscas adultas (aladas) e foi por isso que o contratante chamou a empresa controladora. O fogo deve ser dirigido contra as moscas adultas para que os resultados sejam visíveis e perceptíveis ao cliente. Só que isso é outra história e vai ficar para outra vez. Prometo voltar a discutir esse assunto. Não esmoreça!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

RATOS MORDEM O BRAÇO DE CADÁVER EM HOSPITAL PÚBLICO NORTEAMERICANO

É quase inacreditável, mas é verdade. O sistema público de hospitais nos Estados Unidos da América do Norte também não é nenhuma perfeição, assim como o nosso onde os pacientes ainda vivos padecem nos corredores lotados por falta de recursos humanos e materiais. Lá é comum um manejo inadequado dos mortos nos necrotérios. Pelo menos é o que nos conta a notícia vinda de Chennai. Houve um clamor geral na comunidade quando parentes de um homem morto denunciaram que ratos haviam mordido o cadáver no necrotério do hospital. Yusuf H, 42 anos, um residente em Pulianthope, em uma noite de quarta feira, durante um acesso de raiva, quebrou um espelho com um soco, ferindo gravemente sua mão direita. Yusuf foi imediatamente levado ao hospital geral (público) da cidade. Contudo, o paciente ainda extremamente nervoso, recusou o atendimento médico de emergência e morreu em duas horas devido à hemorragia excessiva. Um boletim de ocorrência policial foi aberto e os médicos informaram à família que o corpo somente poderia ser liberado após a necrópsia que seria realizada no dia seguinte. Na tarde desse dia, Jaffer, cunhado de Yusuf, ao retirar o corpo, observou no braço esquerdo do cadáver uma clara marca que parecia ter sido provocada pela mordedura de rato. Na Administração do hospital, Jaffer foi informado que as instalações do hospital estavam infestadas por roedores. Um funcionário do setor sanitário do hospital admitiu que os ratos infestantes representavam uma ameaça e que havia recebido 10 armadilhas colantes, as quais foram distribuídas em cada setor que acusara a presença de roedores. Informou ainda, justificando o bom resultado obtido (na opinião dele), que, todos os dias, cada armadilha capturava de dois a três ratos em média. Outros funcionários disseram que restos de alimentos deixados por toda a parte por usuários e visitantes era a principal razão do problema com os ratos. A proximidade de uma estação férrea também contribuía para aumentar o problema, pois os ratos invadiam as áreas do hospital usando o sistema de drenagem e de esgotos. Resumo dessa ópera bufa: lá, como cá, cada qual com seus problemas!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

MORCEGOS (DVD)

Continuando minha saga de cinéfilo caçador de baciadas, estava eu campeando eventuais pérolas numa baciada de ofertas de DVDs encalhados a baixo custo em um supermercado, quando me cai nas mãos um DVD intitulado MORCEGOS (Bats, em seu título original norte americano). Custou somente R$ 6,90 e por esse preço não poderia deixar de leva-lo, não fossem outros meus motivos para tanto. Estrelando, o conhecido Lou Diamond Phillips que já foi índio, esquimó, cowboy, policial navajo, chicano e cantor entre tantos papéis que já desempenhou. Neste DVD é um Xerife de uma pequena e pacata cidade do Texas. A mocinha é a bonita lourinha Dina Meyer, uma zoóloga especialista em morcegos. Contrapõe o ator negro Leon Carlos Jacott que, aliás, se sai muito bem como um auxiliar gaiato da doutora. Trata-se de um filme de suspense e terror figurando os inimigos morcegos raposa que fugiram de uma laboratório secreto do exército onde foram geneticamente manipulados e receberam um vírus que os torna seres pensantes, muito fortes e onívoros, adorando carne humana. Após uma série de ataques mortais a seres humanos e outras peripécias, invadem a cidade e o trio principal vai combatê-los numa velha mina abandonada, quartel general da morcegada (aos milhões). A gente fica sempre na expectativa para saber qual o final que o filme dá ao problema. Entre as sugestões de combate urgente, discutiu-se sobre o uso de clorofacinona, hipótese abandonada por ser “demasiadamente arriscado a seres humanos”. Não entendi direito o escorregão, pois eles só tinham 48 horas para liquidar o problema e a clorofacinona é um anticoagulante de dose múltipla; mas, enfim, em Hollywood tudo pode. Meus R$ 6,90 valeram afinal!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

MENSURANDO RESULTADOS NO COMBATE A BARATAS

Continuando essa série de posts que temos publicado sobre o tema mensuração de resultados, vamos conversar um pouco sobre o combate a baratas. É bem mais simples do que mensurar roedores, pois já existem no comércio especializado, e até em supermercados, as placas colantes anti baratas. Esses dispositivos não passam de placas contendo uma fina camada de cola que leva certo tempo para endurecer, prolongando assim a vida útil dessas armadilhas. É só armar a armadilha fechando a parte superior de proteção, deixando livres os espaços laterais para que as baratas possam adentrar ao dispositivo. Geralmente essas placas colantes vêm acompanhadas de uma isca para atrair as baratas passantes; na maioria das vezes a isca é uma mistura de açúcar refinado e pó de canela, embora já haja no mercado placas com outros tipos de isca. Como funciona essa armadilha? Colocada em locais corretos (próximo a pontos infestados), supostamente as baratas que caminharem nas proximidades serão atraídas pelo odor da isca e entrarão na armadilha onde serão aprisionadas pela cola. Diferentemente do comportamento dos roedores, as baratas não se apercebem do perigo e continuarão entrando e sendo capturadas. Certa vez, em um local com pesada infestação mista de baratas, tanto da barata de esgoto (Periplaneta americana) quanto da barata alemãzinha (Blatella germanica), sob uma pia ao lado de um fogão em um desses botecos sujinhos onde fazíamos o ensaio de uma nova combinação de biocidas, no pré censo, empregando cerca de 25 armadilhas distribuídas na área, uma armadilha colante capturou nada menos que 62 baratas de ambas as espécies. Naquele ensaio, o protocolo determinava que as armadilhas fossem recolhidas em 24 horas, mas acredito que se elas fossem deixadas por mais tempo, o número de capturas poderia ainda aumentar, tal o grau da infestação que ali havia. Sim, então essas armadilhas servem para os dois tipos mais comuns de baratas? Servem, se corretamente colocadas próximas aos pontos focais. E qual o procedimento para mensurarmos os resultados no combate às baratas utilizando essas armadilhas colantes? Como sempre, duas fases, dois censos. No primeiro dia dispomos certo número de armadilhas na área infestada; o número de armadilhas vai depender da extensão dessa área e suas características, o profissional decide. É importante fazermos um desenho (croquis) aproximado da área, assinalando os pontos onde cada armadilha foi colocada. No dia seguinte recolhemos essas armadilhas, abrimos e contamos as baratas capturadas, identificando as espécies. Em seguida praticamos a aplicação do método de controle que escolhemos (seja por géis ou pastas baraticidas, seja por pulverização), deixando que atue por uma semana. No oitavo dia voltamos e novas armadilhas exatamente nos mesmos pontos de onde retiramos as armadilhas no primeiro dia. Novamente no dia seguinte repetiremos a contagem, agora para compararmos números. Exemplo: no primeiro censo contamos, digamos, 25 baratas em uma determinada armadilha; no segundo censo, a armadilha colocada no mesmo ponto focal mostrou duas capturas. Portanto (regra de três simples) 2 x 100 dividido por 25 = 8 ou seja, obtivemos 92% de sucesso. Cappice?

sábado, 19 de abril de 2014

MENSURAÇÃO DE RESULTADOS – Rattus norvegicus – PARTE II

Retomando esse tema, vimos como proceder a uma avaliação quantitativa de resultados em uma desratização a céu aberto. Contudo, há inúmeras situações (impossível prever todas) onde por qualquer razão, não conseguimos localizar as ninheiras das ratazanas infestantes para praticar o método do fechamento de tocas. Nesses casos, podemos lançar mão de um método alternativo bastante confiável, o da avaliação por pegadas. Como proceder? OK, não localizei as ninheiras, mas percebo as trilhas de passagem. Apanho vários retalhos pequenos de taboas, com um metro de comprimento e 30 cm de largura; pode ser desse madeirame que sempre sobram nas construções. Disponho esses retalhos aqui ou ali ao longo das trilhas e sobre eles polvilho talco comum. No dia seguinte volto ao local e observo os retalhos que dispuz. Se o retalho tiver sido disposto nos locais corretos e se houver infestação local, verei claramente as pegadas impressas no talco. Anoto quantos retalhos mostraram-se positivos. Aplico o método que escolhi para desratizar a área e cerca de uma semana depois, volto e refaço a aplicação de talco nos retalhos. Novamente no dia seguinte volto para nova leitura e considero ainda positivos os retalhos que contiverem novas pegadas. Tudo anotado, pratico novo tratamento e uma semana depois repito tudo. Se o tratamento estiver surtindo resultado, o número de retalhos positivos vai declinando progressivamente até, talvez, zerar. A comparação dos positivos obtidos com o primeiro, vai nos dar quantitativamente uma porcentagem de sucesso. Observe que esse método é, possivelmente, o melhor método de avaliação dos resultados para ratos pretos também (Rattus rattus). Certo? Alguns profissionais gostam de polvilhar raticida pó de contato sobre os retalhos, pois alegam que os roedores infestantes que passarem sobre as taboas, já vão sendo afetados.

domingo, 2 de março de 2014

AVALIANDO RESULTADOS NO COMBATE A ROEDORES - Rattus norvegicus

Então, há pouco tempo atrás, falávamos da importância de conduzirmos uma avaliação quantitativa (a que pode ser transformada em números) dos trabalhos que uma empresa controladora de pragas executa. Dizíamos que o método do “achismo” qualitativo expressa apenas uma opinião e não tem como se sustentar. O que não pode ser medido, não pode ser avaliado. Também dissemos que os métodos e artifícios destinados a coletar dados da infestação antes e depois do tratamento, variam conforme o ambiente e principalmente a praga considerada. Dessa forma vou necessitar de dados numéricos obtidos antes e depois do tratamento para saber se o que fizemos alcançou ou não o resultado desejado. No caso de ratos e camundongos há alguns métodos práticos que podem nos dar a informação que precisamos e tais métodos são diferentes segundo a espécie considerada. Então vamos tratar do assunto de forma separada por espécie, começando pela ratazana (R.norvegicus). O que preciso lembrar? Ratazanas são fossoriais (escavam tocas e túneis subterrâneos interligados) ao que chamamos “ninheiras”; dali saem todas as noites para buscar alimentos e se espalham pelo território; ficar tentando contá-las depois que se espalham, vai dar um trabalho danado, além de produzir dados não muito confiáveis. A melhor alternativa é executar uma forma de contagem, de censo, nas ninheiras onde a colônia inteira está agrupada. Tenho duas situações básicas: uma quando as ninheiras se encontram a céu aberto e podemos localizá-las; outra quando não conseguimos localizar as ninheiras. Via de regra, as ninheiras a céu aberto nos permitem praticar um censo muito apurado, ainda que indireto. Como procedo? Localizo a(s) ninheira(s) pelas tocas já abertas; ao lado de cada uma delas espeto uma pequena estaca de madeira (eu gosto de pintá-las de branco para facilitar a visualização e gosto de numerá-las para meu controle) fincadas no solo ao lado de cada toca. Em seguida tampono as tocas com bolotas de jornal. No dia seguinte volto ao local e verifico quantas e quais tocas encontro abertas; significa que estão ativas, que contêm ratos em seu interior. As tocas que ainda estão tamponadas com jornal, fecho com um pouco de terra e recolho as respectivas estaquinhas, pois são tocas inativas que não são utilizadas pelos ratos residentes. Nesse mesmo dia executo o tratamento com os raticidas de dose única escolhidos colocando-os dentro das tocas abertas para aumentar as chances de serem consumidos. Tudo isso tem que ser devidamente anotado. Sete dias depois, retorno e novamente tampono com bolotas de jornal todas as tocas da ninheira. No dia seguinte retorno e faço nova leitura observando e anotando as tocas reabertas, onde pratico nova colocação de raticidas. Agora já posso fazer cálculos muito precisos sobre os resultados obtidos nesse primeiro tratamento. Digamos que na primeira leitura encontrei 50 tocas ativas (as que os ratos reabriram empurrando a bolota de jornal para fora) e digamos que, uma semana depois apenas 8 foram reabertas. Quer dizer, das 50 iniciais, sobraram 8 ainda com ratos dentro. Faço o seguinte cálculo: 8 dividido por 50 multiplicado por 100. Vou obter um resultado expresso em porcentagem. 8/50x100= 16% de tocas reabertas, ou seja, 84% de tocas fechadas (tocas que não têm mais roedores dentro). Esse é meu primeiro resultado: 84% de sucesso! Pronto, agora sim tenho uma perfeita avaliação quantitativa de meu trabalho. Na semana seguinte volto (lembram-se? Eu pratiquei no dia da leitura anterior, um novo tratamento) e novamente verifico quantas tocas ainda reabriram; digamos que foram duas. Faço o novo cálculo: somo os dois resultados de tocas reabertas (8+2=10:100= 0,1%); quer dizer 99,9% de tocas não reabertas, expressando minha porcentagem de sucesso. Não é tão difícil assim, é? Divido o número de tocas reabertas pelo número de tocas anteriormente fechadas e multiplico o resultado por cem. Esse tipo de censo (por reabertura de tocas) é o melhor que conheço para ninheiras de ratazanas a céu aberto. Ah, sim! Em certos países do primeiro mundo, é comum fazer censo por células fotoelétricas, mas isso é lá! Cá, vamos com os dois pés no chão, com muita calma nessa hora! Bem, e se não conseguimos localizar as ninheiras ou elas estão localizadas em pontos inacessíveis ou onde nosso método simples de censo por reabertura de tocas não seja aplicável? Poderemos empregar outra abordagem igualmente simples e barata. Mas, vamos deixar esse assunto para um outro post, porque hoje já é carnaval e ninguém é de ferro, certo!