terça-feira, 17 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO

Quantas vezes, nesta época do ano, ouvimos essa frase bombardeada em comerciais de Rádio, TV e mídia impressa! Nem mais prestamos atenção e o possível efeito da frase se perde no excesso. Precisamos urgentemente criar uma nova frase de felicitações pelas Festas de fim de ano capaz de ainda despertar nossa atenção, mas, até que isso aconteça, vamos desejando – FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO. Nessa vida corrida e sem tempo, na nossa superficialidade de viver, o calendário voa e só nos damos conta que mais um ano se foi quando os Papais Noéis & Cia voltam, de alguma forma, à cena do nosso cotidiano. Poucos param para pensar sobre o real significado do Natal e as festas que o acompanham. Foi a Igreja católica que, logo após de seu surgimento de forma estruturada, necessitando de festas populares que substituíssem as festas pagãs fortemente arraigadas na consciência das pessoas, criou uma festa para comemorar o nascimento de Cristo, seu ídolo máximo. Inicialmente era uma comemoração austera realizada nas igrejas e que continuava nas casas dos cristãos onde uma mesa mais farta e alegre aguardava os fiéis. Nem troca de presentes havia, costume que veio muito depois especialmente incentivado pelos comerciantes. Hoje, essa festa mudou completamente de figura e, na maioria das casas de cristãos, praticamente resume-se a uma troca frenética de mimos e presentes após uma lauta ceia composta de diferentes pratos, acepipes e doces, além de bebida alcoólica. Uma enquete rápida feita há uma ou duas décadas atrás por uma revista norte americana, demonstrou que apenas duas pessoas em cada família cristã que havia comemorado o Natal, pensou ou proferiu a palavra Jesus. Praticamente nenhuma família fez uma oração ou algo assemelhado. Embora católico (por opção), não sou “carola”; ao contrário, tenho reservadas críticas à minha igreja quanto a certas doutrinas, dogmas e comportamentos. Mas, sou católico e em tal condição, vejo a necessidade de voltarmos um pouco na história e recuperarmos o verdadeiro espírito da cristandade nessa época onde comemoramos, com alegria, o aniversário de nascimento de Jesus Cristo. Acho que seriamos apoiado fortemente por Budah, Shiva e Maomé, cada qual a seu jeito! Ah, sim! Outra forma de desejarmos boas festas seria abrindo os dedos em dois grupos da mão espalmada estendida à frente, dizendo: “- LIVE LONG AND PROSPER” (Vida longa e próspera), como fazia o Sr. Spok, aquele orelhudo da inesquecível série de TV (e filmes) Jornada nas Estrelas (Star Trek). É só uma sugestão, tá!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O ”CAUSO” DAS ARANHAS MALDITAS

Já confessei aqui minha aversão por aranhas. Cobra, sapo, escorpião, rato, lacraias, marimbondos e vespas, nada disso me causa qualquer reação que mereça ser digna de nota. Mas, aranhas... Por isso vou lhes contar um “causo” verídico de minha vida profissional, pois envolve justamente aranhas. Aranhas das boas, daquelas cabeludas e enormes que, de tão grandes, receberam o nome popular de caranguejeras, quer dizer, do tamanho de caranguejos! Pois bem, esse causo serviu para mostrar que não sou eu o único fariseu a temer as malditas aranhas. Tá bom, vai, reconheço o importantíssimo papel que as aranhas desempenham na Natureza, que são exímias e necessárias caçadoras de insetos, etc, etc, etc. Mas, há aranhas e aranhas. Há as pititicas chamadas de papa-moscas e que nos ajudam a combater pequenos insetos dentro de casa; há outras que habitam nossos jardins e fazem suas teias nos beirais das casas; há uma infinidade de outras aranhas, mas todas estão por aí nas matas e em qualquer outro tipo de ambiente no mundo inteiro. OK, mas acontece que tem as danadas caranguejeras que só servem para surgir nos nossos pesadelos quando menos se espera! E também para figurar em filmes de terror, com destaque! Certa vez, minha empresa controladora de pragas (abri, curti e fechei em um espaço de 20 anos) foi chamada para resolver uma situação, para mim, arrepiante: uma infestação de caranguejeras em uma casa de campo que era utilizada de tempos em tempos por seus proprietários. Atendi pessoalmente esse caso (aliás, como de praxe) e marquei com o proprietário uma visita de inspeção à casa infestada. Eu precisava avaliar onde, como e o grau de infestação antes de qualquer ação de controle; peguei meu operador mais safo e lá fui eu entre preocupado e intrigado. O dono da casa estava nos esperando conforme o combinado e nas perguntas iniciais já percebi algumas coisas: de fato a casa deveria estar bem infestada, nos últimos dois anos a família só veio à casa duas vezes e na derradeira foram embora no meio da noite porque a filha mais velha foi fazer uma visitinha à geladeira e, bem no meio da cozinha, uma caranguejera estava à caça; a filha gritou (sabe aquele grito de terror que usam nos filmes do mesmo gênero? Pois foi em altíssimos decibéis que a garota anunciou seu aterrorizante achado). Disse o proprietário que a menina pulou para cima do sofá na sala e apanhou uma almofada para se proteger; junto, veio outra caranguejera! Oh, dia; oh, mês... (como há muito tempo atrás se queixava Hardy Har Har, a hiena amiga da tartaruga Touché – já não se faz desenhos animados tão bons como aqueles!). 15 minutos depois, se tanto, a família (sem esquecer o Totó, o cãozinho poodle mais covarde daquele grupo social) já estava dentro do carro e foi dormir em uma pousada próxima. O bravo pai transferiu as férias para outras paragens e foi providenciar a solução para o aterrorizante problema, chamando uma empresa controladora de pragas que, nos contou o proprietário, não deu nada certo. Isso posto, lá fomos nós, o proprietário, o caseiro, meu operador safo e este temente a Deus que vos tecla, em busca das origens da questão. Onde estariam as caranguejeras e por que ali estavam! Procura daqui, procura dali e nada. Explicável: era de dia e elas, as malditas, não estavam caçando. Insistimos e finalmente meu esperto operador encontrou um exemplar entocado numa pilha de lenha cortada de forma bem comportada ao lado da lareira aguardando o próximo inverno. O Proprietário nem disfarçou: rapidamente tomou o último lugar na fila, enquanto explicava que tinha aversão a aranhas, torcendo as mãos. Com ares de entendido (assim esperavam todos) fui espiar a bandida. Meus amigos... deveria ser a mãe de todas as caranguejeras, pois nunca vi uma que fosse tão grande e tão cabeluda! Eu olhava para ela e ela olhava para mim com seus “trocentos” olhos negros, suas quelíceras ameaçadoras. Por aí já percebi que eu estava em desvantagem. Em um movimento de defesa, ergueu a parte dianteira do corpo e estendeu seu primeiro par de patas para o alto em posição de ataque. E eu na frente do grupo! Que situação. A essa altura não vi mais o dono da casa que rapidamente sumiu sem dar satisfações. Covardão! Eu, pelo menos, não tinha arrepiado carreira e aguentei firme a provação. Puseram a pérfida dentro de um jarro de maionese vazio e continuamos a procurar. Deveria haver muitas mais e precisávamos descobrir se haveria um local de concentração ou talvez um ou mais ninhos, já que as caranguejeras não tecem teias elaboradas. Nada encontrando por ali, resolvemos inspecionar o sótão. Essas casas de campo quando rústicas, frequentemente têm sótão onde as famílias guardam tranqueiras em geral, daí nossas suspeitas. Em uma maldita fila indiana (única maneira de se entrar em um sótão) subimos a estreita escada e, sem outra alternativa, abri o alçapão e corajosamente (mas com a boca completamente seca, me lembro) adentrei ao terrificante sótão, apenas armado com uma potente lanterna de meu uso pessoal (uma possante MagLite de seis pilhas). Entrei e aguardei a entrada da brigada ligeira, porque não sou bobo, nem nada. O ambiente era mais ou menos o que eu esperava: muita tranqueira, muito traste, uma grossa camada de pó e incontáveis pontos onde as malditas pudessem estar aninhadas. Sim, a essa altura o proprietário que sempre discretamente se posicionava atrás da fila, estava suando em bicas e estava ofegante, com um lanternão enorme na mão, manejado nervosamente; comentava que a primeira coisa que iria providenciar naquele sótão era instalar iluminação e fazer a maior fogueira que a vizinhança já tinha visto, com toda aquela tranqueira ali acumulada por décadas. Confessou ele que nunca havia subido ao sótão desde que compara a casa havia cerca de dez ou quinze anos atrás. Por azar, por “caipora” como se diz no interior, por acidente, por acaso de destino, pela célebre Lei de Murphy ou por qualquer outra razão, de repente ocorreu um fato muito estranho. A tranqueira era tanta que para caminharmos, tínhamos que remover de nossa frente, aqui ou ali, certos trastes que bloqueavam nosso caminho. Pois não é que o dono ao remover um velho almofadão empoeirado, se deparou com uma colônia de caranguejeras de diferentes tamanhos que, instintivamente se pôs em posição de defesa. Não cheguei a vê-las claramente e nem esperei por ângulos mais fotogênicos, mas enquanto eu numa fração de segundo buscava com os olhos o caminho mais reto e curto para sair dali, o proprietário da casa soltou um valente berro que deve ter assustado até as aranhas, pois elas ficaram imóveis (claro, os conhecimentos sobre a biologia das aranhas explicam tudo isso que falo, mas, naquele momento... vocês me desculpem!). Pois o proprietário atravessou o espaço que ia dar na claraboia em um piscar de olhos, antes que o eco do berro que ele havia dado terminasse. Literalmente jogou-se pela estreita escada abaixo, saiu correndo da sala onde a claraboia ficava, espaventou-se da casa e foi para uns 30 ou 40 metros de distância no jardim. Desci a escada e dali comecei a dar instruções ao meu esperto operador de como faríamos para tentar remover o maior número possível de aranhas daquele sótão. De que essas caranguejeras estava se alimentando no sótão? A casa, construída em estilo rústico, tinha um forro (laje) e um telhado imitando palha, vazado, por onde o ar circulava. Morcegos e pássaros também ali faziam seus ninhos. Um banquete permanente para as pérfidas caranguejeras! Fingindo que eu nem havia observado a estratégica retirada do proprietário da casa, fui procurá-lo para as necessárias explicações técnicas, etc. Enquanto eu raciocinava maneiras de abordar e resolver o problema, calculando mentalmente os parâmetros dos valores para o serviço, fiquei de ouvidos moucos escutando as repetitivas explicações e justificativas para sua retirada galopante. Afinal, minha empresa foi contratada e fizemos um ótimo trabalho solucionando o problema de nosso cliente; nas vizinhanças, grande número de casas tinham infestações de morcegos. Acabei ganhando um bom dinheirinho por ali! Coisas e “causos” da vida!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

CONTROLE DE POMBOS: COMO ENCONTRAR CLIENTES E VENDER SERVIÇOS

Novamente, e a pedidos, vamos voltar a falar um pouco mais sobre o controle de pombos e a possível atuação do profissional controlador de pragas. Aleatoriamente, posso enumerar alguns pontos que merecem nossa atenção: • Apresente ao cliente potencial, uma proposta profissional. Muitos controladores ainda acham que simplesmente escrever o preço no verso de uma cartão de visitas, já será suficiente para interessar ao possível cliente e assim, vender seus serviços. Já há bastante tempo o cliente (seja comercial, seja industrial ou mesmo uma dona de casa) exige um pouco mais que isso para ser convencido. Ele quer uma proposta técnica-comercial clara, ainda que simples, se possível com fotos explicativas e que contenha as soluções propostas pela empresa. • Torne-se um “expert” no assunto. Quando você estiver vendendo algo que você entenda e acredita, você perceberá que você não está vendendo apenas explicações de como são as coisas e como funcionam. Isso é para os generalistas. Torne-se, se o problema for pombos, um especialista, ainda que isso necessariamente exija estudar muito bem o tema. Portanto, procure cursos e textos sobre o controle profissional de pombos (aqui mesmo neste blog já pode ser um começo) e comece fazendo pequenos serviços para treinar sua equipe e a você mesmo. • Ao ter uma proposta aceita para o controle de pombos, esteja atento porque possivelmente existam outras pragas nesse mesmo cliente que possam ser abordadas profissionalmente. Mesmo sem que o cliente peça, prepare e apresente outras propostas de controle de outras pragas. Quem sabe você não consegue mais serviços ali mesmo? • Anuncie sua nova especialidade de controlar pombos; não são muitas as empresas que entendem desse assunto e, portanto, não anunciam. Há inúmeras maneiras de você anunciar em uma grande variedade de multimeios, desde simples volantes de distribuição restrita, a jornais de bairro; de figurações em revistas de bairro, à grandes magazines (com ou sem distribuição a fatias específicas de leitores); de rádios a canais regionais de TV. Enfim, uma grande variedade, mas anuncie! • Associe-se a comunidades e Associações que possam gerar negócios de se interesse. Associações locais de hotéis, de supermercados, de comércio, de clubes de serviços (Rotary ou Lions, por exemplo). Você deve comparecer às reuniões dessas entidades e conhecer os demais membros. Isso pode gerar excelentes negócios. • Olhe em torno quando você estiver caminhando nas redondezas de seu escritório. Pombos (e outros pássaros) são claramente visíveis e quando em concentrações maiores, sugerem que aquelas instalações infestadas possam ter necessidade dos serviços de uma empresa especialista. • Faça contato com empresas de limpeza e conservação. Elas certamente poderão lhe indicar aos clientes que tenham problemas com pombos. É um trabalho de relações públicas que pode render bons contratos. • Conte à sua rede social (pessoalmente ou via Internet) sua nova especialidade. Caso alguém lhe indique um cliente potencial que tenha problemas com pombos, não custa nada convidar essa pessoa para um almoço de agradecimento. Isso é marketing, meu caro, puro marketing!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A VOLTA DAS PULGAS - Parte V (final)

Estávamos começando a falar sobre os modernos IDIs (Inibidores do Desenvolvimento de Insetos) e seus ótimos resultados no controle das infestações de pulgas, quando dissemos que já há dois grupos desses compostos: os hormonais e os não hormonais, cada grupo com seus mecanismos diferentes de ação. Os hormonais imitam hormônios naturais dos insetos (vamos explicar isso direitinho mais à frente) e os compostos não hormonais agem sobre a formação da quitina dos insetos (a proteína que forma o exoesqueleto, a casca externa de seus corpos). Comecemos pelos hormonais. Quando qualquer inseto muda de uma fase larval para a seguinte, o principal hormônio que regula essa transformação é o chamado JH (hormônio juvenil), ou neotenina. Nesse momento (e nas demais mudanças de fases) o nível circulante no corpo do inseto do JH sobe, o que impede que ele continue se transformando para qualquer outra fase. Dessa forma, a larva permanece naquele estágio larval durante certo tempo, até que nova queda de JH provoque uma nova mudança para o estágio seguinte. No derradeiro estágio larval daquele inseto, os níveis de JH caem dramaticamente, permitindo assim que a pupagem se inicie. Pois bem, os compostos sintéticos (IDIs) ao entrarem em contato com o inseto ainda nas formas jovens, vão simular a presença de altos níveis de JH e isso confundirá o processo de desenvolvimento do organismo do inseto afetado o qual interpretará que ainda não está na hora de proceder a muda e assim, vai determinar que o inseto continue na forma em que foi atingido pelo composto. Consequentemente, o inseto não chegará à forma adulta. Nessas condições anormais, o inseto acabará morrendo por se tornar inviável biologicamente. Fantástico, não é? São exemplos desses compostos já disponíveis no mercado brasileiro: metoprene e fenoxicarb. O outro grupo dos IDIs são os compostos não hormonais cujo alvo principal pode ser a síntese (a fabricação) da quitina, a proteína necessária que forma o esqueleto do inseto que é externo, ou impedem que o exoesqueleto enrijeça. Os primeiros pertencem ao grupo químico das benzofenilureias e sua ação se dá durante a fase de polimerização da quitina que acaba não se formando ou se formando com erros e problemas (ex: fluazuron, triflumuron, exaflumuron e lufenuron). Em não ocorrendo o reforço da quitina, por sua vez a cutícula (uma das partes que compõem a base da carapaça do inseto) não pode se formar corretamente; na verdade o que ocorre é que não haverá a formação da rede de sustentação semi rígida dessa estrutura, característica vital do exoesqueleto dos insetos. Eis então que as formas jovens tornam-se inviáveis, pois sua carapaça fica sempre mole e assim não logram transmudar-se na forma seguinte, morrendo como tal. Esperto, não? Já os compostos enrijecedores da cutícula, as diaminotriazinas, provocam um endurecimento exagerado das proteínas do exoesqueleto, a tal ponto que a forma jovem não logra rompê-lo para crescer e transformar-se na fase seguinte. Os IDIs não atuam, portanto, sobre os adultos e sim sobre as forma imaturas impedindo seu desenvolvimento normal. A resultante é a interrupção do desenvolvimento da pulga (e outros insetos) e sua morte por se tornar biologicamente inviável. Praticamente atóxicos para mamíferos (já que estes não possuem quitina), alguns IDIs já estão sendo administrados a cães e gatos na forma de comprimidos. As pulgas que sugarem o sangue desses animais tratados vão receber os compostos via oral, terão seus descendentes afetados, pois não conseguirão se desenvolver. É muita evolução, não é?

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A VOLTA DAS PULGAS - Parte IV

Então, o proprietário (na prática, geralmente é a proprietária) ou o inquilino(a), o diretor(a) da empresa infestada ou mesmo alguém mais incomodado, chama uma empresa controladora de pragas para resolver o problema. Vocês pensam que é só sair aplicando um inseticida qualquer e o problema estará resolvido? Ledo engano! Vai quebrar a cara! É Preciso um maior envolvimento nesse problema e examiná-lo como um todo: as pulgas, mas também o entorno (o ambiente, o tipo de uso que dele é feito, a presença de hospedeiros, geralmente um cão ou um gato, as formas de limpeza ali praticadas e alguns etcs). Só depois de compreender o quadro todo é que o profissional pode planejar o combate às pulgas infestantes. As medidas de combate e eliminação podem, grosso modo, serem divididas em dois grandes grupos (a rigor, ambos devem ser necessariamente praticados): o controle mecânico e o controle químico. Tudo começa na citada inspeção do ambiente problema, quando o controlador vai observar os pontos onde os animais de estimação costumam ficar, o que lhes serve de cama, o grau de insolação direta e indireta desse ambiente e outras coisas que possam chamar a tenção como pontos que possam dar abrigo aos ovos, às larvas, os casulos e às pulgas adultas. A cama dos animais, bem como sofás, cadeiras estofadas, cortinas, carpetes e tapetes devem ser observados e cuidados. Os panos da cama dos animais devem ser fervidos (encrenca: quando os animais de estimação são admitidos nos quartos de seus donos e principalmente têm acesso à própria cama desses donos, o procedimento deve ser igual pois as roupas de cama podem, e provavelmente estarão, infestadas por larvas casulos ou mesmo pulgas já adultas). É também preciso proceder à uma rigorosa aspiração de pó nos ambientes infestados, mas com um aspirador profissional de preferência; antes, deve-se colocar um pouco de inseticida em pó no interior dos saco de coletar o pó desse equipamento, para que os ovos, larvas, pupas e pulgas adultas ao serem sugadas, já vão sendo afetadas à medida que o trabalho prossegue. Aspirar com atenção o carpete, o lado de cima, mas também o de baixo dos tapetes, sofás e cadeiras estofados com tecidos, cantos e frestas das tábuas do assoalho ou dos tacos, rodapés, a banda de 30 cm das cortinas que tocam o chão e outras áreas suspeitas. Como medida de precaução a mais, ao retirar o saco coletor de papel do aspirador, deve-se queimá-lo; portanto, não use saco coletor de pano. Enquanto o tratamento do local vai sendo executado, é muito necessário, é preciso, que o hospedeiro das pulgas ali existente, seja levado à uma clínica veterinária para receber um bom banho anti pulgas, pois temos que interromper o ciclo biológico desses insetos e é o hospedeiro que garante a alimentação das pulgas infestantes. A infestação de pulgas de uma residência ou escritório comercial (mais difícil, porque deve sempre existir a presença de um hospedeiro como um cão ou um gato) pode ser eficazmente controlada com o uso de um inseticida (pulicida) que tenha um bom poder residual, não obstante já existam outras abordagens, das quais comentaremos algumas neste post. Se a escolha do profissional controlador recair sobre resolver o problema dentro dessa linha, vamos lembrar que certos organofosforados e carbamatos de maior efeito residual podem ser empregados, bem como os piretróides de segunda geração (fotoestáveis). Contudo, seja qual for o biocida desses grupos, os resultados no controle de pulgas sempre foram duvidosos e irregulares. A razão é muito simples: protegidas dentro de seus casulos, as pulgas adultas pré emergentes simplesmente se recusam a sair para o ambiente que tornou-se agora agressivo pela aplicação de algum biocida daqueles grupos. Como a pulga pré adulta pode literalmente estender sua permanência no interior do casulo sem se alimentar por longos períodos de tempo (quase um ano), ela espera passar completamente o efeito do produto e, só então, rompe o casulo e sai para o meio exterior, reinfestando a área. Dessa forma, os inseticidas comuns só afetam as adultas e larvas que estejam no ambiente tratado, poupando os ovos e, principalmente, as pupas. Com o advento das formulações microencapsuladas, bons níveis de controle foram atingidos, posto que os pré adultos não conseguem perceber a presença de um agente agressor (encerrado nas microcápsulas) e assim eclodem de seus casulos sendo então afetados. Paralelamente, na década de 70, surgiram os primeiros biocidas inibidores do desenvolvimento de insetos (conhecidos internacionalmente com a sigla IDI – Insect Development Inibitors), que se mostraram extremamente úteis e eficazes no controle de pulgas. Este novo grupo é composto por moléculas capazes de inibir o desenvolvimento normal de insetos, de forma que impedem o fechamento de seus ciclos biológicos, quebrando a cadeia vital. São classificados em hormonais e não hormonais e vale à pena conhecermos um pouco mais sobre eles, ao mesmo tempo em que nos atualizamos. Mas, para isso, vou precisar de um novo post que publicaremos logo, logo!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A VOLTA DAS PULGAS - Parte III

Dizia eu que só faltava mais um nível a ser cumprido para completar o ciclo biológico da pulga e que a pulga adulta, completamente formada, encontrava-se mais que protegida no interior de seu casulo. Milhões de anos de evolução desse animal permitiram que a pulga aguarde o melhor momento para sair de seu casulo e aventurar-se no mundo em que a cerca. Não pensem que ela vai sair saindo simplesmente! Nada disso. Quieta e sem se mover ela analisa o meio exterior em busca de sinais da presença de um hospedeiro (para ela, o sangue vital). Qualquer sinal, qualquer indício da entrada de um hospedeiro no ambiente, e ela ferroa o casulo com um pequeno dentículo que possui na parte dianteira de sua cabeça, rasgando-o e assim saindo de seu envólucro de proteção. A eclosão da pulga adulta a partir do casulo depende então de uma série de estímulos e condições, aí residindo um dos principais fatores de sobrevivência das pulgas. Dentro do casulo o pré adulto está protegido e é uma forma de resistência da pulga contra os eventuais fatores adversos que possam existir naquele ambiente, incluindo a ação de inseticidas eventualmente aplicados no ambiente. Ali protegida, a pulga pode sobreviver até 140 dias sem tomar nenhuma forma de alimento ou de água; há citações na literatura científica que falam de quase um ano de permanência. Atenta, o casulo da pulga pré adulta é subitamente pressionado talvez pelas patas de um cão ou gato circulando pelo ambiente, talvez os pés de um ser humano. A pulga pré adulta imediatamente eclode de seu casulo e começa a dar saltos (até 30 cm de altura) desordenadamente, na esperança de alcançar as pernas de seu hospedeiro onde ficaria presa por seus tarsos aos pelos do animal, logrando assim seu primeiro e vital objetivo. Mas, e se o casulo não for pisado? Não tem importância, a pulga adulta eclodirá da mesma forma! É que, dentro de seu casulo, a pulga, incrivelmente, tem a capacidade de detectar o dióxido de carbono exalado pela respiração dos mamíferos e assim rompe o casulo. E se nada disso acontecer? Não importa, a mais leve alta da temperatura ambiente provocada pela presença de um mamífero já é suficiente para ocasionar a eclosão do casulo. E assim se explica por que o repentino aparecimento de verdadeiras hordas de pulgas famintas assim que uma residência fechada há bastante tempo é reaberta e ali adentram geralmente seres humanos muitas vezes acompanhados por seus animais de estimação. Grande azar. Para as pulgas, grande sorte! Dependendo das condições ambientais (temperatura e umidade), o ciclo biológico da pulga pode completar-se em apenas 12 ou 14 dias, ou pode ser estendido até 174 dias. Nas condições usuais de uma moradia, no entanto, a pulga dos gatos normalmente completa seu ciclo entre duas e quatro semanas. Aí entra o profissional controlador de pragas (ou então, não entra). O que ele deve fazer para resolver essa infestação? No próximo post vocês vão saber o que pode (e deve) ser feito. Aguarde

26 DE SETEMBRO: DIA DO PROFISSIONAL CONTROLADOR DE PRAGAS

Após uma pane geral de meu PC, volto a batucar minhas teclas e por mais que defasado esteja, não vou deixar passar em branco o dia anual do profissional controlador de pragas, um dos ramos profissionais mais expostos a críticas e não menos essencial no cotidiano da vida moderna. Conviver com pragas no entorno, por que? Abjetas baratas, repugnantes moscas, intermináveis formigas, ávidos pernilongos, assustadoras aranhas, asquerosos roedores e outros bichos menos votados e também indesejados. Por que? A vida moderna e atual nos permite tranquilamente termos uma qualidade de vida bastante alta, no que diz respeito às pragas sinantrópicas, as que teimam em querer dividir conosco nosso espaço vital, seja em casa ou no trabalho. Poucas profissões evoluíram tanto nas décadas mais recentes como a do profissional controlador de pragas (OK, a turma das profissões cibernéticas também!). Novos e notáveis produtos biocidas, novas abordagens, novas técnicas e novos equipamentos, tudo isso tem permitido a esses profissionais atingirem níveis jamais alcançados anteriormente em seus objetivos. Razão pela qual a vida contemporânea prescinde e muito de seu trabalho. Ousaria dizer que, hoje, não existe uma única situação de infestação de pragas que não possa ser resolvida. Nesse dia, então, quero fazer coro para parabenizar o profissional controlador de pragas. Bom trabalho!

domingo, 22 de setembro de 2013

VOLTAM AS PULGAS - Parte II

Em post anterior comecei a falar das pulgas e seu retorno nesse inverno que vai terminando aos poucos (tempo louco!). Embora haja pequenas variações segundo certos gêneros, o ciclo biológico da pulga é bastante conhecido. Inseto cujo desenvolvimento se dá por metamorfose completa, a pulga apresenta as quatro fases clássicas: ovo, larvas, pupa e adulta. O pesquisador Dryden fez em 1993, um completo levantamento em vários e díspares países e os resultados foram muito próximos, revelando que acima de 93% das pulgas infestantes de cães e gatos eram do gênero Ctenocephalides com total predominância da C. felis. Quanto ao sexo dessas pulgas, não ocorreu muita diferença, com ligeira predominância de pulgas fêmeas. As fêmeas depositam seus ovos sobre o corpo dos hospedeiros após ter obtido um repasto sanguíneo (proteína) que permitirá a maturação de seus ovos. Esses ovos são ovais com extremidades arredondadas medindo cerca de 0,5mm e de cor perolizada. Como não têm cola, os ovos vão caindo ao solo com a movimentação do animal hospedeiro e durante o ato de coçar. Entre um e 10 dias (dependendo das condições ambientais de temperatura e umidade) o ovo eclode e liberta a primeira larva (larva I) que tem o corpo segmentado medindo cerca de 2mm; não possui nem pernas e nem apêndices locomotores, movendo-se através de movimentos de encolher e esticar o corpo. Essas larvas (ou ínstares) são de vida livre e alimentam-se de pequenas partículas orgânicas encontradas no ambiente, mas buscam principalmente as fezes de pulgas adultas, ricas em sangue semidigerido, essencial ao seu desenvolvimento. Ao se alimentarem dessas fezes, as larvas vão adquirindo uma tonalidade mais escura. Evitando a luz e buscando aprofundar-se no solo, as larvas penetram nos tapetes e forrações, nas frestas do assoalho e protegem-se sob ciscos e poeiras. A larva I sofre ainda mais duas mudas de pele originando sucessivamente a larva II e a larva III, tudo em período médio de 5 a 11 dias (quanto mais alta for a temperatura ambiente, mais rápido será seu desenvolvimento). Necessitando de altos teores de umidade ambiental (morrem com teores abaixo de 50%), as larvas só conseguem se desenvolver em ambientes sombreados e protegidos da luz solar direta. A larva III busca então pontos mais secos no ambiente onde haja ciscos e poeira; ali, libera uma substância pegajosa semelhante à seda e com ela tece um casulo no interior do qual essa larva vai pupar pelos próximos sete dias. Esses casulos podem ser localizados no solo, na vegetação, nos carpetes e sob tapetes, na cama dos animais (e na cama de seus donos quando têm o mau hábito de deixar seus pets ali dormirem), nos vãos das tábuas do assoalho ou dos tacos de madeira, junto aos rodapés, etc. Dentro do casulo, a larva III passa por grandes mudanças transformando-se em um pré adulto e, finalmente, após 5 a 8 dias, a pupa transforma-se em uma pulga adulta. Todavia, essa pulga adulta somente sairá de seu casulo segundo certas condições ambientais muito favoráveis. Querem saber o que? Não perca o próximo post desta sequência!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

9 DE SETEMBRO - DIA DO MÉDICO VETERINÁRIO

Como eu dizia, em post logo anterior, tem dia para tudo quanto é profissão e outros babados. Tem alguns dias verdadeiramente hilariantes, mas não vou citar nenhum para não me comprometer. Nada disso interessa; o fato é que dia 9 passado comemoramos o Dia do Médico Veterinário, digna profissão à qual pertenço com muito orgulho. Confúcio disse: “Escolhe um trabalho que ames e não terás que trabalhar um único dia em tua vida”. Mesmo sem saber disso, um dia lá pelos idos da década de 60, escolhi essa profissão. Não me arrependi um só dia desde então. Gosto do que faço profissionalmente, principalmente porque a carreira do Médico Veterinário é eclética e extremamente variada, um leque aberto de diferentes opções. Dentre elas, o controle de pragas tem atraído a atenção de um número cada vez maior de Veterinários, pois sua formação profissional inclui todos os conhecimentos básicos necessários para o pleno exercício dessa atividade com êxito. A especialização e o desenvolvimento vêm depois nos cursos complementares disponíveis a cada época no mercado. Então, hoje, vamos registrar aquela data e vamos cumprimentar os colegas dessa profissão comemorando o Dia do Médico Veterinário. Em minha comemoração particular, preparei um Gigot d´agneu com um Savoyard de batatas, regado ao vinho Malvazia Nera, meu preferido. Salut!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

DIA DO BIÓLOGO

Ainda bem que existe esse calendário paralelo que nos ajuda a lembrar de certas profissões e atividades. É dia as mães, dia dos pais, dia do avôs, dia do borracheiro, do gari, da amizade, do Contador, é dia disso e dia daquilo. Mas, hoje é o dia do Biólogo. Tenho muitos amigos e amigas que são biólogos por profissão, alguns a exercem de forma permanente e outros apenas guardam seus diplomas em alguma gaveta esquecida e nem por isso são menos biólogos que os primeiros. Hoje é dia de lembrar, ainda que "en passant", desses profissionais tão importantes na sociedade contemporânea. Charles Darwin, aquele da teoria evolucionista, era médico, mas não ficou famoso pelas curas que pode ter executado ou pelas cirurgias que deve ter feito. Ficou famoso porque tinha uma mente inquisitiva e acima de tudo, investigativa, além de saber registrar com brilhantismo todas suas observações sobre os seres vivos que encontrou pela frente em suas viagens. Seu legado, pode-se dizer, constituiu a base de toda a ciência do conhecimento que hoje temos sobre os seres vivos. Foi um brilhante... biólogo! Então, senhores biólogos, parabéns por seu dia!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

VOLTAM AS PULGAS

Ouvi de um colega recentemente que, neste inverno, as queixas sobre pulgas aumentaram significativamente. Pode ser. Afinal, quando o frio aumenta, os animais de estimação como cães e gatos procuram permanecer mais tempo dentro das habitações e assim, quando infestados, levam consigo as pulgas. Pensando nisso, resolvi dar um novo passeio no assunto pulgas e me lembrei que lá pelos idos de 1999, o Professor Francisco Mariconi (in memoriam) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz publicou um livro técnico (Insetos e outros invasores de residências) do qual foi o coordenador. O livro reunia uma coletânea de capítulos, cada qual escrito por um autor diferente e nos coube a honrosa tarefa de escrever o capítulo que tratava das pulgas. Desse capítulo extrai alguns tópicos principais ou interessantes para voltar a abordar o tema pulgas neste blog. Aí vai. Insetos altamente especializados, frutos de uma evolução caprichosa de alguns milhões de anos, as pulgas conquistaram seu espaço em todos os continentes por todo o planeta (exceto na Antártida), distribuídas em cerca de 2.200 diferentes espécies e subespécies, parasitando uma enorme variedade de animais de sangue quente ou mesmo frio. Artrópodos que se desenvolvem por meio da metamorfose completa (ovo, larva, pupa e adulto), as pulgas são insetos (três pares de pernas, lembram-se?) que possuem caracteristicamente vida longa. Suas larvas (também chamadas de instares) podem retardar seu desenvolvimento se faltar alimento e os pré adultos podem permanecer dentro de seus casulos enquanto não houver um hospedeiro adequado no ambiente. A maioria das espécies de pulgas abandona seu hospedeiro de tempos em tempos e eventualmente vai parasitar outros hospedeiros, o que facilita a transmissão de certos agentes patogênicos (causadores de doenças) como vírus, bactérias e riquétsias. As pulgas parasitam mamíferos de todos os tipos e tamanhos, incluindo elefantes, marsupiais e morcegos; a maioria parasita roedores e lagomorfos (coelhos e lebres). Um grupo de pulgas tornou-se importante por atacar a espécie humana, a quem causa uma série de problemas. Uma dúzia delas, que atacam roedores comensais e maior ou menor grau, tornaram-se, ou estão em processo de tornar-se, cosmopolitas (moradores de cidades), associando-se ao homem, a seus animais de estimação ou de produção; já são ou vão ser sinantrópicas (que vivem em torno da espécie humana). Entre essas, rapidamente podemos enumerar: a Xenopsylla cheopis muito encontradas em roedores urbanos, sendo a principal transmissora da peste e do tifo murino; a Xenopsylla brasiliensis, transmissora potencial da peste e muito encontrada na Índia (de onde provavelmente se originou) e no Brasil; a Pulex irritans que pode parasitar igualmente humanos, suínos, caprinos, raposas, coiotes, texugos, cães, gatos e aves; a Ctenocephalides felis, a conhecida pulga do gato que se tornou completamente sinantrópicas, pois experimentou uma adaptação notável ao cão doméstico, tendo sido também isolada em roedores, cabras, bovinos, raposas e mangustos, entre outros mamíferos; a Ctenocephalides canis, a verdadeira pulga do cão é igualmente cosmopolita e parasita outros canídeos, sendo outra transmissora da peste; a Tunga penetrans, conhecida no Brasil com o nome popular de “bicho do pé” que pode se tornar um sério problema de saúde pública. Há outras espécies de pulgas que frequentam as estatísticas, mas para efeito deste post já está bom. Gostaria de comentar um pouco sobre as zoonoses (doenças transmitidas ao homem pelos animais) e outras doenças transmitidas pelas pulgas, para que possamos situar esses insetos no contexto ambiental onde vivem (e vivemos nós). Têm sido observadas em seres humanos, e frequentemente em animais, severas dermatites (inflamações da pele) e outras reações cutâneas de caráter alérgico provocadas pelas pulgas, especialmente quando as infestações são maciças. A presença de uma proteína de baixo peso molecular existente na secreção oral da pulga, absorvida a partir do ponto de inoculação, desenvolve um hipersensibilização do hospedeiro às picadas posteriores; dessa forma, após esse período de latência (o período que vai da picada da pulga até que o corpo do hospedeiro reconheça essa proteína e passe a produzir anticorpos contra ela), uma nova picada desenvolve localmente uma pequena área de inflamação cercada de vermelhidão e coceira; muitas picadas, muitas áreas dessa reação cutânea com extremo desconforto do hospedeiro. Contudo, a verdadeira importância das pulgas reside na transmissão de zoonoses, algumas de curso até mortal. Citando apenas as mais sérias e principais, começaria pela Peste (bubônica, pneumônica e septicêmica), um zoonose de curso mortal causada pela bactéria Yersinia pestis cujo hospedeiro principal são certas espécies de roedores. Nessa doença, dentro da cadeia de transmissão, morre o roedor infectado, morre o homem que foi infectado pela picada da pulga infestada e morre a pulga que fez todo esse estrago. Vou lembrar também do tifo murino causado pela Rickettsia mooseri; é uma infecção de roedores comensais principalmente do gênero Rattus. A tularemia é uma zoonose transmitida principalmente por carrapatos e certas moscas, mas pode ser transmitida também por algumas espécies de pulgas. A Tripanossomiase murina pode ser transmitida tanto pelos piolho dos ratos (Polyplax spinulosa) como pela pulga N. fasciatus e outras pulgas de lebres, roedores e coelhos. Quem não ouviu falar das salmonelose? É uma doença intestinal de roedores, especialmente os sinantrópicos, causada pelas Salmonella enteritides e S. typhimurium, ambas bactérias transmitidas por pulgas, tanto pelas fezes desses insetos como pelo material regurgitado. E lembro ainda da mixomatose, da microfilaríase canina, da dipilidiose e, para terminar, da tungíase (bicho do pé), onde a pulga Tunga penetrans (infesta roedores, suínos, cães, gatos, bovinos e os humanos) aloja-se completamente na derme do hospedeiro, deixando apenas um diminuto orifício para respirar e para a saída de seus excretas, ovos e até larvas I já eclodidas. Problema sério, muito sério em saúde pública, nas regiões onde ocorre. Para não cansar demais nosso leitor, vou deixar um pouco mais desse tema das pulgas para um próximo post. Não perca!

sábado, 13 de julho de 2013

SENHORAS E SENHORES. RESPEITÁVEL PÚBLICO. CHEGAMOS À NOTÁVEL MARCA DAS 100.000 VISITAS!

Uma meta fantástica para qualquer blog técnico. Ficamos muito orgulhosos desse feito e queremos agradecer as visitas de todos nossos leitores. Vocês muito nos honram cada vez que abrem as portas do Higiene Atual. Felizes, queremos agradecer a todos os que nos auxiliam a construir o blog, seja internamente, seja nos apoiando, seja nos dando sugestões para novas matérias, seja comentando os posts. Seguiremos em frente buscando mais temas de interesse dos profissionais controladores de pragas, contando algum caso pitoresco de nossa vida profissional, brincando com a série “cultura inútil” que nos diverte e outros temas. Nosso objetivo é disseminar conhecimento técnico e sério em textos divertidos e leves. Nunca tivemos a pretensão de escrever textos eruditos e plenos de citações científicas; para isso existem outras mídias mais apropriadas (livros, revistas técnicas, sites científicos, etc). Queremos apenas nos comunicar com o leitor e/ou interessado e essa fórmula aparentemente tem dado certo, pois não é a toa que o Google coloca o blog do Higiene Atual no topo da lista de indicações (em língua portuguesa) quando se procura informações sobre pragas e correlatos. Também não é a toa que somos visitados por diversos interessados de outros países lusofônicos ou mesmo de interessados de outros países e que dominem nosso idioma. Por isso, muito obrigado. Mesmo! O Editor

SOBRE OS PIOLHOS DE POMBOS

Uma das leitoras deste blog nos indaga sobre um problema que tem em sua casa: piolhos de pombos. Achei que seria interessante abordar esse assunto. Os piolhos são insetos; basta contar o número de pares de patas e veremos que são três. Existem duas Ordens de piolhos: os Anoplura que só são ectoparasitas (parasitas externos ao corpo do hospedeiro) dos mamíferos, incluindo o homem, e as Mallophaga que vivem em aves e certos mamíferos (exceto o homem). Sobre esta última é que vamos abordar nesta oportunidade e por quê? Porque, sob certas condições, as malófagas podem se tornar uma praga no interior de residências ou escritórios e vão requerer a atenção de empresas especializadas em controle de pragas para resolver a situação. As malófagas, também são conhecidas como piolhos mastigadores de pelos e penas, são insetos pequenos, com 1 a 11 mm, não têm asas e têm corpo achatado piloso com aparelho bucal mastigador bem forte. O nome da Ordem vem do grego mallos (pelos) e phagos (comedor), devido aos hábitos alimentares das ninfas e adultos (cerca de 3.000 espécies no mundo). O corpo é oval ou alongado com mandíbulas dotadas de grandes dentes; as antenas são curtas (expostas e, às vezes, ocultas) e os olhos são muito reduzidos. Pernas curtas e robustas (as anteriores são mais curtas que as outras). Desenvolvem-se por metamorfose incompleta (ovo – ninfa – adulto) e os ovos são deixados sobre o corpo do hospedeiro, colados aos pelos ou penas. Dos ovos nascem as ninfas que já têm um aspecto semelhante aos adultos (4 a 7 dias na fase de ovo, 15 a 20 na fase de ninfa e, depois, torna-se adulto (após duas trocas de casca – ecdises). Como regra, desde que nascem permanecem num só hospedeiro; no entanto, quando dois animais ficam em contato entre si, podem passar de um para o outro. Alimentam-se de pelos (espécies pilívoras) e de escamas da pele. As espécies penívoras ingerem produtos retirados das penas. Algumas espécies podem ingerir sangue que aflora na pele ferida do hospedeiro. As malófagas dos pombos são as que mais nos preocupam nos centros urbanos e são duas espécies mais encontradas parasitando essas aves: a Mallophaga columbicola e a Columbicola columbae. As malófagas não atacam o ser humano e nem transmitem doenças aos animais; contudo, quando a infestação nos pombos (por exemplo, com ninhos nos forros das casas, especialmente se houver frestas), for muito grande, o prurido que causam em seus hospedeiros é exasperante e eles se coçam sem parar, provocando queda desses insetos de seu corpo. Dessa forma é comum encontrarmos esses insetos aos milhares naquele ambiente e que podem cair desse forro nos recintos abaixo. Quando isso acontece, essas malófagas rapidamente procuram se abrigar entre dobras de tecidos que possam existir nesse recinto (imaginem o que vai acontecer se elas caírem em um quarto de dormir ou mesmo em uma sala onde haja sofás e quetais). Quando bate a hora da fome, essas malófagas procuram o que comer e talvez subam pelo corpo de alguma pessoa (especialmente se ela estiver dormindo) e vão tentar mordê-lo em busca de alimento. Obviamente não encontram o que procuram, mas daí o mal e o incômodo já está feito. Principalmente se esse hospedeiro errático for alérgico à picadas e mordidas de insetos. Aí entra em cena o profissional controlador de pragas que foi chamado para resolver a questão. Está mais que evidente que para resolver o problema das malófagas incomodando os residentes, o trabalho começará pelo controle e exclusão das pombas que são a origem de todo o problema. Sem pombas, sem malófagas, óbvio! Portanto, é necessário excluir as pombas já infestantes da residência, remover seus ninhos, passar um bom aspirador de pó no forro para remover fezes secas, penas, poeira e outros detritos. Em seguida é preciso vedar as entradas desses pombos no forro, usando espuma expansível (aquela que se solidifica ao entrar em contato com o ar) ou qualquer outro meio com o mesmo fim. Daí, poderemos tratar das malófagas propriamente ditas. No forro, pode-se usar com bastante sucesso um inseticida em pó aplicado através de polvilhadeira. Na residência, pode-se tratar com qualquer método (pulverizado de preferência) que costumamos empregar para tratar insetos rasteiros, não nos esquecendo de tratar os locais onde roupas e outros tecidos são guardados. Não custa dar uma boa olhada no papagaio da casa, e outras aves presentes; se percebermos neles a presença de malófagas, a indicação é levá-las a um Médico Veterinário para desinfestação. Pronto, serviço feito e bem feito!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

LEMBRANDO DO HANTAVÍRUS

Bati os olhos em uma notícia veiculada no site do Food Safety and Pest Management Solutions e achei que valeria à pena abordar o meio esquecido tema do hantavírus, uma das zoonoses transmitidas por certas espécies de roedores (no Brasil principalmente pelo “pixuna”, um roedor que se alimenta especialmente das sementes do capim braquiária). Diz a notícia que em junho do ano passado, a senhora Cathy Carrillo, juntamente com seu marido e filho frequentaram um acampamento no Parque Nacional Yosemite da California – EUA, o Yosemite´s Curry Village, um conjunto de bases de tendas de camping a serem armadas nas imediações da Glacier Point e do monte Half Dome; há igualmente tendas pré fabricadas disponíveis para alugar. Três semanas depois, a Sra.Carrillo mostrou sintomas semelhantes a um resfriado e acabou sendo hospitalizada por várias semanas em condições críticas. “- Os médicos do hospital disseram que meu caso foi um milagre, pois eles não sabiam se eu iria sobreviver”, ela disse em entrevista ao ABC News. Aconteceu que a Sra. Carrillo foi uma das 10 vítimas de um surto de hantavirose que ocorreu nesse Parque Nacional Yosemite no último verão, três das quais foram a óbito, vítimas dessa doença viral mortal. O jornal Dailly Mail relata que um ano após ter contraído a doença, a Sra. Carrillo ainda é incapaz de respirar normalmente e tem problemas de comunicação. Ela agora deu entrada a um Processo Judicial contra a empresa administradora do Parque pelos danos físicos sofridos com a doença, no valor superior a três milhões de dólares. Seu advogado alega que a Administradora tratou do risco com negligência, posto que sabia da existência de casos anteriores de hantavirose (supostamente as vítimas contraíram a hantavirose ao entrar em contato com fezes, urina ou saliva de roedores dentro das cabines de banho e WC do acampamento. Prevista para o dia 23 de julho próximo, haverá uma audiência na corte distrital de Fresno. Dona Carrillo deve estar ansiosa e a empresa administradora do acampamento, tremendo nas bases. É... os roedores nem imaginam o tamanho da encrenca em que se meteram. Aguardemos mais notícias. A Administração do Camping alega já ter tomado uma série de medidas para evitar a repetição dos fatos, tais como: destruição das cabines e bases de tendas onde o surto ocorreu e construção de novas instalações com várias modificações preventivas contra a infestação de roedores, base do piso mais alta para permitir inspeções sob ela, escada vazada para impedir que pequenos roedores ali façam seus ninhos, telagem de orifícios por onde passam cabos de eletricidade e canos de água, adoção de um programa permanente de controle de roedores, etc Nota: a hantavirose é causada por um grupo de vírus transmitidos pela urina, fezes ou materiais dos ninhos de certas espécies roedoras silvestres. A infecção humana é relativamente rara e os sintomas surgem em media de uma a cinco semanas após a exposição. Os sintomas iniciais incluem febre, dores musculares severas e fadiga com sérias dificuldades respiratórias. Algumas vítimas sofrem dores de cabeça, tonturas, calafrios, náuseas, vômitos, diarreia e dores de estômago.

sábado, 8 de junho de 2013

O MANEJO DE PRAGAS EM ESTABELECIMENTOS ALIMENTÍCIOS

Na armazenagem após a colheita ou depois do abate, na industrialização, no comércio distribuidor atacadista e varejista, nos estabelecimentos de manipulação e consumo e nas residências do consumidor, os alimentos representam um polo permanente de atração para um incontável exército de diferentes pragas que apenas buscam sua sobrevivência, nada mais que isso. O problema é que esse exército e nós, os seres humanos, buscam os mesmos alimentos e então entre elas, as pragas, e nós, não há acordo sobre certas questões. Esse formidável exército é composto pelas mais diferentes espécies animais (e até vegetais, se considerarmos fungos e liquens) que insistem há milênios em compartir de nossa mesa, assaltar nossas despensas e até roubar nossas migalhas. Aparelhada com a capacidade de inteligência e criatividade, a espécie humana estuda, aprende e planeja novas técnicas, novos instrumentos de combate, novas estratégias para controlar as pragas. Estas, respondem com adaptações às adversidades que lhes são impostas e até lançam mão de mutações genéticas que as tornam resistentes aos ataques. Essa luta é antiga, bem antiga! Entre uns e outros, situa-se o pobre do profissional controlador de pragas limitado por leis, regulamentos e regras nem sempre adequadamente fundamentadas e a notável capacidade adaptativa de insetos, roedores e outras pragas às quais deve controlar. Ah, sim, não podemos nos esquecer das entidades, ONGs e outros grupos pretensamente ambientalistas. Nada é fácil! Muitas são as oportunidades que as pragas têm obter seu sustento (quer dizer, parte do nosso!) desde que o alimento foi colhido, ou abatido, até chegar à nossa mesa. A guerra entre nós e elas começa logo depois, na primeira armazenagem (silos, armazéns, depósitos, câmaras frias ou frigorificadas, etc). E já começa a atividade do profissional controlador de pragas que, para obter resultados consistentes, deve cumprir certas etapas como: inspeção das áreas e suas instalações de armazenagem, identificação das pragas infestantes e aplicação de técnicas de manejo integrado (bom nível de limpeza e asseio, medidas que excluam as pragas, medidas não químicas, controle químico, monitoramento, estabelecimento de um programa e de responsabilidades, avaliação periódica dos procedimentos, produção de relatórios e muita comunicação com o contratante). Grande parte dos alimentos não é destinada ao consumo “in natura”, mas deve passar por um processo industrial antes de ser consumido. Nessa etapa as pragas atacam rijo! Roedores comensais dos três tipos, baratas pequenas e grandes, moscas de boas famílias milenares, formigas furtivas e incansáveis e outras pragas menos votadas como aranhas, mariposas, besouros, mosquitos, cupins, morcegos e até pombos sujões, sem falar em animais invasores ocasionais. É um prato cheio! Um agravante: na indústria, as regras e leis são exigentes e, consequentemente, o contratante também o é. Uma perna de barata ou uma asa de mosca dentro de uma lata de leite condensado pode gerar um problemão para a indústria produtora e uma inesquecível encrenca para a empresa desinfestadora contratada! Por isso, o profissional controlador de pragas tem que atentar para alguns pontos fundamentais antes de aceitar a responsabilidade em uma indústria alimentícia, tais como: identificar todos os fatores que estão favorecendo a entrada das pragas nas instalações (isso inclui verificar as rotas dos insumos e do lixo, sistemas de drenagem e descargas de águas servidas, as docas, os depósitos de alimentos e não alimentos, emissão de calores e pontos de luzes, as aberturas como portas e janelas, etc). Estafante, mas necessário. Depois vêm os fatores que estão facilitando a permanência e sobrevivência das pragas nessa indústria (limpeza, instalações de funcionários, presença de rachaduras, gretas, reentrâncias, danos estruturais, etc). A lista é longa, pois então vêm os fatores que ajudam as pragas a se distribuir dentro da indústria e some-se os fatores que dificultam o controle das pragas infestantes e por aí vai. Muito bem, mas os alimentos saem da indústria e vêm para o comércio distribuidor (atacadistas e varejistas) onde nova armazenagem ocorre e com ela, outra grande oportunidade para as pragas, as mesma diga-se de passagem! Do ponto de vista delas existe alguma diferença entre um enorme hipermercado e uma vendinha de bairro? Não, é só uma questão de tamanho. Mas, para o profissional controlador de pragas o trabalho de controlá-las difere substancialmente quanto ao planejamento, a logística e a metodologia. Nessa etapa do percurso dos alimentos, outros fatores intervêm para dificultar o trabalho de controle das pragas onde o asseio e limpeza desempenham papel preponderante. O manejo dado às mercadorias é vital, lembrando que existe uma enorme área de acesso restrito ao público comprador, onde os alimentos são estocados e manejados de diferentes formas antes de irem para as gôndolas expositoras. Poderíamos ficar aqui falando ainda sobre o que acontece com os alimentos depois que a dona de casa os compra, ou sobre o intenso trabalho de planejamento que o profissional controlador de pragas tem que se dedicar para aceitar a responsabilidade de controlar as pragas em qualquer das etapas que os alimentos devem cumprir antes de serem consumidos, mas vamos fechar o assunto lembrando que essa profissão exige necessariamente permanente reciclagem de conhecimentos, atualização e muita dedicação. Ou é isso, ou recomendo uma mudança de vida: experimente o ramo de pipoqueiro na frente de estádio de futebol. Talvez seja mais fácil!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

FINALMENTE NO BRASIL, CURSOS SOBRE CONTROLE DE PRAGAS À DISTÂNCIA

Custou, mas eis que chegaram ao nosso país (e para os países lusofônicos), os cursos técnicos sobre controle de pragas, uma lacuna a ser preenchida. No mundo todo, a tendência educativa são os cursos virtuais onde os interessados podem aprender através da Internet, tomando as aulas à medida de suas disponibilidades de tempo e conveniência. Essa moderna forma de aprendizado propagou-se com notória velocidade e hoje, até cursos de formação universitária e pós graduação estão disponíveis em quase todas as línguas, incluindo o português. Faltavam no Brasil, no entanto, cursos técnicos especializados no controle de pragas. Eu disse faltavam, porque agora já temos mais essa ferramenta disponível na Web para tender este nosso país de dimensões continentais. O site Pragas On Line está disponibilizando os quatro primeiros cursos virtuais de ensino à distância que, certamente, vão facilitar bastante o crescimento técnico dos profissionais do setor. São eles: Curso livre de formação de Operadores de Controle de Pragas (com este blogueiro), Curso de Controle de Borrachudos, Curso de gerenciamento de ratos em unidades armazenadoras (ambos com o Dr. Ricardo S. Matias) e Curso de roedores – biologia e controle (com Dr. Antonio Queiroz). Como funcionam esses cursos? O interessado acessa o site (www.cursospragas.com.br), escolhe o curso que mais lhe agrada, preenche um formulário de inscrição, efetua o pagamento conforme indicado e o curso escolhido lhe será liberado para início quando quiser. Os cursos mais extensos são divididos em módulos, de forma que o cursante poderá tomar as aulas quando quiser, podendo interromper e retomá-las quando possível. Nos cursos há sempre um ou mais testes do conhecimento adquirido para que o próprio cursante avalie seu crescimento. Portanto, não perca essa alternativa de dar um “up grade” em seus conhecimentos. Acesse www.cursospragas.com.br

quinta-feira, 23 de maio de 2013

RESISTÊNCIA, RETORNO A ESSE TEMA

“- Por então, que mesmo após o tratamento que vocês fizeram na minha casa, as pulgas voltaram? “- Deve ser um problema de resistência, dona. As pulgas não morrem mais com os inseticidas que aplicamos. Vamos refazer o tratamento, usando coisa bem mais forte!” Esse diálogo imaginário (mas, muito comum na realidade) mostra que boa parte de nossos profissionais controladores de pragas está bem desinformada sobre o fenômeno biológico da resistência ou mostra um enorme desconhecimento desse assunto. Como recentemente ouvi em uma empresa comercial que visitei que, a razão do fracasso no tratamento executado por uma desinsetizadora tinha sido a “resistência”, resolvi voltar a falar um pouco desse tema, tentando esclarecer e talvez tirar dúvidas. Resistência, em biologia, é o desenvolvimento, em uma determinada linhagem de pragas (insetos, roedores, artrópodes, etc), da capacidade de suportar doses de agentes tóxicos que seriam normalmente letais para a maioria dos indivíduos numa população da mesma espécie. Resistência é um fenômeno com base genética e é hereditário (é transmitida de geração para geração), o que a torna diferente de tolerância que é um fenômeno individual e que não se transmite de pai para filho. A tolerância aparece sempre na presença de um determinado biocida, enquanto a resistência surge espontaneamente mesmo sem a presença do biocida contra o qual o animal demonstra ser resistente. Fala-se em resistência múltipla quando uma linhagem de insetos (ou outras pragas) é capaz de resistir a vários e diferentes compostos, às vezes de grupos químicos diferentes e com modos de ação também diferentes. Fala-se em resistência cruzada quando ocorre seu surgimento em uma população induzida por um determinado biocida, mas que deflagra a resistência também a outros biocidas de outros grupos. Neste caso, o que se sabe é que o elo comum é um mesmo sítio de atuação dos biocidas envolvidos. Por exemplo: resistência cruzada entre piretróides e organoclorados onde ambos agem nos canalículos de sódio presentes nas membranas celulares dos neurônios (as células responsáveis pela transmissão dos estímulos nervosos); ou entre organofosforados e carbamatos, pois ambos agem na inibição da colinesterase, o enzima essencial para a transmissão do estímulo nervoso de um neurônio para outro. Interessante notar que pode existir a chamada resistência comportamental: uma população aprende a evitar os pontos e áreas onde o biocida foi aplicado e assim vai levando a vida espertamente. As pragas podem se tornar realmente resistentes através de diferentes mecanismos. Tipicamente em roedores (mas não só neles) através de modificações celulares hepáticas e tissulares, o individuo consegue continuar a fabricar a vitamina K1 mesmo na presença dos anticoagulantes (ingredientes ativos dos raticidas hidroxicumarínicos ou indadiônicos) e assim, não é eliminado pelas doses usuais empregadas. Outro mecanismo é uma maior produção de enzimas degradativas, como oxidases, esterases, hidrolases e transferase que eliminam mais rapidamente certos agentes tóxicos que penetraram nos indivíduos. Às vezes, esses enzimas nem sempre são produzidos em maior quantidade, mas podem se tornar mais eficientes devido a pequenas modificações estruturais nas células do indivíduo. De qualquer sorte, a base da resistência é sempre genética; lá nos gens do indivíduo ocorre uma mudança ou o surgimento do gen da resistência. Vocês pensam que é fácil surgir resistência em uma determinada linhagem de uma praga? Não é, não! Uma enorme cadeia de eventos biológicos em sucessão precisa acontecer para que a verdadeira resistência se instale. Portanto, não fique pronunciando o santo nome da resistência em vão, porque, além de demonstrar pouca familiaridade com os fenômenos biológicos (especialmente se você estiver dialogando com algum individuo que tenha formação biológica), provavelmente você vai para o inferno ou, no mínimo para o purgatório, tamanho o pecado cometido!

domingo, 5 de maio de 2013

A VEZ DAS LACRAIAS (ESCOLOPENDRAS)

Há alguns meses atrás, Lourenço, um profissional controlador de pragas do Rio de Janeiro, nos escreveu anexando uma foto e perguntando se o animal em questão era uma lacraia ou simplesmente um gôngolo (ou piolho de cobra, vide post já publicado). No caso, era mesmo uma lacraia. Desde então estou para escrever um post sobre esses artrópodes peçonhentos e agora chegou a vez deles. Para começar, as lacraias (também chamadas de escolopendras) são animais peçonhentos, ou seja, fabricam um veneno e têm equipamento para injetá-lo, ao contrário dos sapos que produzem veneno, mas não possuem equipamento para injetá-lo, sendo, portanto, apenas animais venenosos). Assim sendo, onde encontradas, as lacraias podem se tornar uma ameaça a pessoas e animais, ainda que sua peçonha não seja lá muito potente. As lacraias têm um corpo anelado e alongado (15 a 17 cm em média de comprimento quando adultas, mas há espécies que podem ter até 23 cm) com 21 segmentos, cada qual com uma placa quitinizada dorsal e outra ventral; dos dois lados a quitina (que forma o exoesqueleto do animal) é bem menos espessa onde se encaixa um par de pernas por segmento, terminadas por tarsos muito ponteagudos destinados à locomoção. Mas, o vigésimo primeiro par de pernas é mais longo e dotado de espinhos e servem para agarrar a presa (as lacraias são caçadoras e se alimentam de outros artrópodes como aranhas, de lagartixas, de pequenos pássaros e até mesmo camundongos). Mas, as lacraias desenvolveram um verdadeiro arsenal de armas para capturar e matar suas presas, além desse último par de pernas. Em cada perna, no fim do segundo tarso (um antes do tarso terminal) existe uma garra terminal em mais duas garrinhas bem pequenas; cerdas sensoriais enervadas dão às lacraias a capacidade de pressentir a proximidade de uma presa que é então firmemente agarrada, num giro vigoroso e de impressionante rapidez; dobra ela o corpo e injeta sua peçonha mortal através de dois dardos possantes e volumosos situados dos dois lados da cabeça. Muitas espécies de escolopendras podem ser encontradas no Brasil, Chile, Colômbia, Venezuela, México e outros países da América Central. Em nosso país, são muito comuns na região amazônica, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; são menos frequentes no sul e sudeste. A maior de todas as lacraias é a Scolopendra gigantea que pode ter até 26 cm de comprimento. As lacraias são animais estritamente noturnos e evitam a luz do dia; vivem em galerias pluviais, canalizações subterrâneas, em áreas verdes onde haja troncos em decomposição onde avidamente procuram larvas de besouros e de outros artrópodes. Vivem solitárias, como sói ser a regra dos animais de rapinagem, caçadores. Ferozes, caçam suas presas vivas, imobilizam-nas com as últimas pernas e os 20 pares de garras e as matam perfurando sua carne com as pinças em forma de foice, injetando seu veneno. Têm vida longa e existe separação de sexos; as fêmeas ou botam ovos ou algumas espécies são ovovivíparas. Com tudo isso, entretanto, o veneno das lacraias não é potente o suficiente para causar danos ao ser humano, nem mesmo à crianças de pouca idade. Razão pela qual não existe um soro antilacraia já desenvolvido. Em áreas onde as lacraias podem causar impacto e/ou incômodo às pessoas, o combate pode ser feito através da pulverização de algum biocida pó molhável ou pó solúvel nos possíveis pontos de esconderijo das escolopendras, geralmente ao ar livre nos jardins e matas adjacentes; eventualmente as lacraias podem se alojar nos porões de residências, garagens e depósitos de pouca ou nenhuma luz natural.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

DE VOLTA DAS FÉRIAS E COM CULTURA INÚTIL

Pois é, baterias carregadas, férias bem aproveitadas e pronto para alguns posts nesse nosso gostoso blog. Vamos começar devagar, aquecendo os motores com mais um pouco de cultura inútil antes de retomarmos os assuntos técnicos. Caiu em minhas mãos, ou em minha tela, um punhado de informações envolvendo animais, as quais não têm a menor utilidade prática, assim preenchendo todos os requisitos da cultura inútil (especialmente com meus comentários pessoais em itálico após cada informação). Aí vão: • Um crocodilo não pode por sua língua para fora. (por isso não podem lamber os beiços depois de um belo repasto) • É fisicamente impossível aos porcos olharem para o céu. (por isso não existe constelação chamada “do porco”; tem da ursa, do leão, do escorpião, do touro etc, mas do porco não tem não. De que adiantaria homenageá-los!) • Um caracol pode dormir (hibernar) por até três anos. (que monotonia! A vida deles já é lenta mesmo sem hibernar!) • Todos os ursos polares são canhotos. (essa é boa! Quem será o desocupado mental que descobriu isso?) • As borboletas e as moscas sentem o gosto pelas patas. (não é exatamente uma novidade para quem é do ramo) • Usar fones de ouvido por apenas uma hora, daqueles de introduzir no canal auditivo, aumenta o número de bactérias nesse canal em 700 vezes. (êta ouvidinho sujo!) • Os elefantes são os únicos animais que não podem pular. (hahaha... disseram os gafanhotos) • A formiga, quando intoxicada, cai sempre para seu lado direito. (essa deve também ter vindo daquele cara que observou os ursos polares!) • Nos últimos 4.000 anos nenhum novo animal foi domesticado. (alguém poderia tentar alguma coisa com os tatus por exemplo, ou com as ostras, quem sabe com os bichos preguiça!) • Em média, as pessoas têm mais medo de aranhas do que da morte! (se as aranhas soubessem disso...!) E chega de tanta bobagem.

segunda-feira, 18 de março de 2013

RÁPIDO INTERVALO E JÁ VOLTAMOS

Ansiosamente esperadas (por mim, é claro!), chegaram minhas férias. Nem celular vou levar! Férias retardadas por dois anos e que agora serão bem aproveitadas. Nas próximas três semanas, estarei recarregando baterias e faremos um pequeno intervalo nos posts deste blog. Calma! Depois voltaremos com tudo. Um abraço.

sexta-feira, 15 de março de 2013

SOBRE AS ARANHAS – PARTE IV

As caranguejeiras também merecem que a gente fale um pouco sobre elas. Diferentemente dos quatro gêneros anteriores, as chamadas aranhas caranguejeiras têm vários gêneros e numerosas espécies (só no Brasil já foram catalogadas mais de 400 espécies diferentes), mas geralmente são aranhas grandes e peludas, razão pela qual causam muito medo na espécie humana. Contudo, são tão mansas que com frequência encontramos pessoas que as domesticaram a ponto de tornarem-se “pets” (bichos de estimação). Vivem uma enormidade (há exemplares que, em cativeiro onde a vida é fácil, chegam a ter 15 anos de idade) e é fácil alimentar-se, pois aceitam camundongos albinos, desses de laboratório (jovens ou mesmo adultos), filhotes de passarinhos ainda sem penas, gafanhotos, baratas, pequenas rãs ou mesmo pedaços de carne bovina diretamente dos açougues (mas, aí, temos que colocar o naco bem debaixo de suas quelíceras para que elas aceitem), lagartixas, aranhas menores, escorpiões. Com toda essa facilidade, podem jejuar até 13 meses, desde que tenha água com fartura. Aliás, em cativeiro, tomam banho mergulhando em um pote com água, diariamente. Algumas caranguejeiras são relativamente pequenas, mas algumas espécies são enormes como as gigantescas Grammostolas do Sul do Brasil ou as temidas Aviculárias da região amazônica (muito exploradas em filmes de terror, porque são assustadoras, mas muito mansas); estas podem pesar até 50g e sua pernas atingem de 16 a 20 cm de extensão, quer dizer, é uma baita aranha! Seus ferrões negros são poderosos (1 cm de comprimento e 3 cm de largura). Entretanto, não há até hoje registro médico de alguma pessoa que tivesse sido morta pelo veneno de uma caranguejeira. O veneno não provoca dor e os animais caçados por elas morrem em letargia por parada respiratória. Por essa razão, não se fabrica soro anti caranguejeiras. Não tecem teias organizadas e como seus ninhos geralmente se situam no chão, cavam buracos e forram com um tapete bem tecido onde apoiam confortavelmente seu corpo. As caranguejeiras são noturnas (ou crepusculares); passam a maior parte da vida, isoladas; são intrépidas caçadoras, a maioria tem oito olhos e as fêmeas é que deveriam ser chamadas de “viúvas negras” (embora não sejam tão negras assim), posto que matam o macho depois da cópula. Nas residências e outras construções, buscam abrigo sob entulhos, gramados irregulares, acúmulos de materiais de construção, folhas mortas, pequenos arbustos, etc. Assim completamos nosso rápidos passeio sobre as aranhas mais perigosas em nosso país e agora precisamos comentar sobre a metodologia de combatê-las. Dentro do conceito do MIP (Manejo Integrado de Pragas), o melhor combate passa pelas ações corretivas e as preventivas, antes de pensarmos em eliminá-las. Localizar e destruir as teias impede que as aranhas em geral proliferem sem freio. Buscar, identificar as presas (insetos e artrópodes, etc) que as estão alimentando e eliminá-las, já cria dificuldades para que as aranhas se instalem confortavelmente. OK, mas porque é tão difícil controlarmos aranhas domésticas em geral? A razão é bem simples: a maioria das aranhas tem o corpo muito leve e, portanto, elas não precisam apoiá-lo no solo ou qualquer outra superfície para descansar; dessa forma, as aranhas caminham sobre as patas que terminam em “unhas” (a ponta de seus tarsos). Consequentemente, uma porção muito diminuta de seu corpo toca o solo ou mesmo suas teias. Óra, o que fazemos é aplicar biocidas nas paredes ou outras superfícies por onde as aranhas foram vistas, achando que vamos afetá-las tanto quanto os insetos rasteiros. Ledo engano! Caminhando na pontinha de suas patas, as aranhas praticamente não se expõem aos biocidas aplicados e, portanto, não serão afetadas. Fazem exceção as caranguejeiras que em algum momento acabam apoiando seu corpo em alguma superfície tratada. A solução está em utilizarmos algum biocida microencapsulado. Caminhando sobre uma superfície assim tratada, mesmo que apoiando apenas a pontas dos seus oito tarsos, a aranha vai colher um número suficiente de microcápsulas, suficiente para intoxicá-la e pouco tempo. Problema resolvido. A tecnologia dos biocidas evoluiu tanto que ousaríamos dizer que não há situação que não possa ser equacionada e competentemente resolvida, bastando entender as características de cada situação. Para isso, a palavra chave continua sendo: INFORMAÇÃO! Afinal, saber nunca ocupou espaço!

segunda-feira, 11 de março de 2013

INVASÃO MORTAL

Aqui mesmo neste blog já confessei que sou o rei das baciadas de supermercados onde campeio DVDs interessantes para minha cinemateca. Uns são épicos, outros são trash (adoro), outros mais são cult e há ainda certas pérolas raras geralmente envolvendo pragas. Estes últimos são absolutamente fantásticos! Já encontrei alguns DVDs hilariantes, observando como profissional controlador de pragas. Esta semana, garimpando em uma baciada a R$ 6,99 pulou para meu colo um DVD imperdível intitulado Invasão Mortal (título original: They Hatch) onde acontece uma terrível invasão de... baratas carnívoras! É uma produção americana feita em 2000 (92 min) com muitos efeitos computorizados (claro!). Mocinho e mocinha (muito bonita) desconhecidos, mas com a participação de John Savage (Deer Hunter) e do notório Dean Stockwell (o Wilson que era o amigão do House da série de TV), em chamada de maior estrela do filme, embora morra antes do fim. Daí, enredo bem previsível com o aparecimento de baratas mutantes que se tornaram carnívoras, comendo tudo que é bicho (incluindo a espécie humana) em seu caminho. Foram mortas ao final com explosão e fogo. Última cena (mais que óbvia): uma dessas baratonas encarapitada sobre um toco boiando nas águas do rio Hudson, com Nova Iorque ao fundo, sugerindo uma possível continuação do filme caso fizesse sucesso. Não fez!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

SOBRE AS ARANHAS – PARTE III

Ficou faltando falarmos um pouco sobre as perigosas aranhas viúvas negras e as temidas aranhas marrons. As viúvas negras são as do gênero Latrodectus spp (“ladrão escondido”, em bom latim) conhecidíssimas no mundo todo; cita-se o espantoso número de 10.000 vítimas por ano no mundo inteiro com algumas dezenas de mortes. Quem já viu uma viúva negra (refiro-me à aranha, ora pois pois!) não esquece, porque ela tem pernas fininhas, um corpo arredondado de cor negra e uma característica mancha vermelha em forma de ampulheta situada no ventre. Medem cerca de 8 a 1,5 cm de corpo e outro tanto de pernas; portanto são relativamente pequenas. Movimentam-se lentamente e são tímidas, sempre abrigadas sob uma folha ou algum detrito vegetal; têm notada preferência para habitar as regiões litorâneas, especialmente na vegetação da orla das praias. Constroem teias irregulares sob as plantas das praias ou qualquer outro local escuro, onde não sopre o vento. Os machos são bem menores que as fêmeas e se alimentam de restos de insetos capturados pelas teias construídas pelas fêmeas. A viúva negra recebeu esse nome, porque logo após o coito, as pontas dos “êmbolos”, os apêndices (2) sexuais dos machos, quebram-se e eles morrem ficando seu cadáver preso à teia, razão pela qual se pensava que eram as fêmeas que os matavam. Injustiçadas! O veneno das Latrodectus é potente e afeta tanto o sistema nervoso periférico (dor), como o central, fazendo efeito sobre a musculatura lisa que reveste alguns importantes órgãos internos (ex: coração). No local da picada quase não há alterações, mas quando o veneno começa a se espalhar pelo corpo, a vítima chega a gritar de dor; calafrios, tremores, cãibras principalmente nas pernas, pés e dedos do pé que se encurvam. Palpitações cardíacas, suores frios, retenção de urina, alucinações mentais, fadiga e outras encrencas mais dependendo do peso da vítima e da quantidade de veneno injetado. O soro antilatrodectus reverte esse quadro quando secundado por terapêutica de suporte (medicamentos contra a dor, tônicos cardíacos, calmantes, etc). É muita encrenca para uma aranha tão pequena! Encrenca? Encrenca é o que causa nossa próxima aranha: a aranha marrom! Nome científico: Loxosceles spp. Em certas regiões do Paraná, por exemplo, é o problema número 1 em saúde pública. Seis olhos brilhantes como pérolas, corpo de cor cinza esverdeada (lembrando uma azeitona) e pernas, hábitos estritamente noturnos, vida sedentária em sua teia, corpo entre 8 e 15 mm apenas e pernas longas (até 23 mm) e dotadas de um veneno potentíssimo. São encontradas sempre em lugares escuros, buracos, fendas, nos entulhos e materiais de construção, sob cascas de árvores e folhas mortas, nas adegas, garagens, alpendres, quartos de despejo, etc. Constroem uma teiazinha irregular onde ficam imóveis, são pacíficas, não picam e parecem não prejudicar ninguém até que sejam tocadas inadvertidamente. Nesse instante, essa aranha anteriormente mansa reage rapidamente, ferroando a vítima, quando inocula uma pequena quantidade de seu veneno; a partir daí, o mal está feito. Sua toxina é necrosante (provoca gangrena em torno do ponto da picada) e boa parte da pele, musculatura e outros tecidos locais entram em necrose, resultando a perda de todo esse conjunto, às vezes deformando seriamente a vítima. Tô fora! Já não gosto de aranha mesmo, o que dizer dessa aí! Antes que vocês perguntem, vamos sim falar das caranguejeiras e depois do combate às aranhas. Aguarde nosso post a respeito e que será o derradeiro sobre esse tema, prometo. Não perca!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

SOBRE AS ARANHAS – PARTE II

Eu dizia que sendo as aranhas tão úteis ao eliminarem insetos e outros artrópodes que podem devastar nossas lavouras, por que tanta gente sente grande aversão e mesmo medo ao se depararem com uma aranha? A resposta está nos tempos longínquos, nos primórdios da civilização quando cohabitávamos, os humanoides e certas aranhas, nas cavernas onde buscávamos abrigo das intempéries. Lá, aprendemos a evitá-las, pois a dor, o sofrimento e até mesmo a morte podia ocorrer com uma simples picada. Isso ficou gravado de forma atávica em nossos cérebros e nossa tendência natural é evitarmos o contato ou mesmo a simples presença de aranhas em nossos lares (leia “cavernas”). Esse temor não é sem razão, pois existem, em nosso país, algumas espécies perigosas, tais como: as aranhas marrons, as viúvas negras, as armadeiras e as tarântulas. Vamos falar um pouquinho de cada grupo. A “aranha armadeira” (Phoneutria spp) é a aranha mais perigosa do mundo! O povo deu esse nome porque quando ameaçada, costuma armar-se para o bote, isto é, colocando-se rapidamente em pé, encolhe os dois últimos pares de pernas como dois feixes de mola enrolados, eleva seu corpo quase em posição vertical, ergue ameaçadoramente o par dianteiro de pernas e distende suas presas de veneno. Prepara-se e segue os movimentos do inimigo. Se um incauto ou distraído chegar a cerca de 20 ou 30 cm de distância, ela salta rapidamente e crava na vítima seus “punhais” veneníferos. A aranha armadeira vive solitária, não faz teia, é irrascível e feroz, não tolerando nem a presença de outra aranha de sua própria espécie. Em certas épocas do ano adentram às residências passando geralmente por baixo da porta e com frequência escondem-se dentro dos sapatos. Seu corpo mede cerca de três e suas pernas cinco centímetros; tem pelos cinzentos curtos e oito olhos dispostos na frente do que popularmente chamamos de cabeça (cefalotórax), por isso têm excelente visão inclusive à noite. Caçam geralmente ao final do dia e à noite e buscam grilos e gafanhotos, vagalumes e besouros, baratas e outras aranhas menores. Em busca de presas, invadem jardins, lavanderias, garagens. Durante o dia, buscam esconder-se sob móveis, atrás de cortinas, nos armários de roupas que não estejam fechados e, principalmente, dentro de sapatos. A dor de sua picada é extremamente forte, se instala em minutos e perdura por horas a fio. Pulso rápido, suores principalmente na nuca, dificuldades respiratórias, vertigem, queda das pálpebras, dificuldades na visão e, em casos gravíssimos, morte por sufocação. Com o próprio veneno dessas aranhas, perigosa, mas habilmente retirado em laboratório, cavalos são injetados e seu soro sanguíneo conterá anticorpos anti aranha armadeira que tantas vidas têm salvado. Quero ainda falar um pouco sobre as temidas tarântulas, as Lycosas. Vocês já ouviram palavras como atarantado (estonteado, aturdido) ou o verbo atarantar (estontear, confundir, perturbar)? Ou quem sabe a palavra tarantela (um ritmo de dança popular napolitana)? Pois todas essas palavras remetem às aranhas tarântulas que infestavam sem controle desde os tempos dos romanos a cidade de Trento, ou Tarento, no sul da Itália. Os acidentes com humanos eram tantos que já na Idade Média reconhecia-se uma doença chamada de tarantismo ou tarantulismo. Intensa agitação nervosa, perda momentânea do controle de movimentos voluntários, violentas crises dolorosas, convulsões, risos histéricos e choros em altos brados, eram alguns dos sintomas manifestados pelas pessoas picadas por tarântulas. Muitos acidentados dançavam freneticamente até ficarem banhados de suor e caírem de cansaço. No dia seguinte estavam sãos e não se lembravam de nada que haviam feito. Quando então muitas pessoas eram picadas ao mesmo tempo, uma verdadeira multidão dançava freneticamente, gritava e suava. Ao som de um violino e tamborim, com ritmo em compasso de seis por oito, nascia assim a tarantela! Uma vez falei que eu adoro cultura inútil! E como esses ataques coletivos de tarantismo ocorriam em determinadas épocas de ano (época da maior procriação das tarântulas, hoje se sabe), principalmente em torno do dia de São Guido, as procissões seguiam a “dança de São Guido”, coletiva e divertida, dois passos para a frente e um para trás. De minha infância lembro-me os comentários dos mais velhos diante de alguma criança energizada que não parava de se movimentar: “- Está com a dança de São Guido”. Cientificamente, as tarântulas foram denominadas Lycosas e só no Brasil já foram identificadas cerca de 120 espécies. Corpo com um pouco menos de três centímetros e pernas de quatro, pelos de cor cinzenta, mas com listras brancas no dorso; covardes, evitam o confronto e procuram fugir quando descobertas. Não fazem teias e vivem em pequenos buracos no solo onde tenha proteção de vegetais (como a grama dos jardins). Nas residências procuram a proximidade de piscinas; as fêmeas carregam uma bola de ovos presa à extremidade de seu corpo. Para o tratamento da picada das tarântulas, usa-se o soro antilicósico produzido pelo Instituto Vital Brasil. Falta ainda falar das viúvas negras e das temíveis aranhas marrons, o que faremos na terceira parte deste palpitante post!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

ESTAMOS DE LUTO, COM TODO O BRASIL

Não consigo segurar minha revolta! Tenho filhas que gostam de divertir-se em festas e baladas como essa onde mais de duzentos jovens foram assassinados e fico literalmente sem ar só de imaginar uma delas envolvida num espantoso e absurdo incêndio criminoso como esse de Santa Maria/RS. Por que criminoso? Porque uma bandinha mequetrefe quiz usar fogos de artifício que eles viam nos mega shows norteamericanos, e decidiram acender alguns sinalizadores tupiniquins EM UM RECINTO FECHADO! Porque não comunicaram a ninguém, não pediram autorização ao Corpo de Bombeiros e nunca pensaram nos riscos envolvidos. Porque a direção da casa não tomou conhecimento se isso seria ou não adequado e/ou permitido. Porque a casa não tinha Alvará de Funcionamento em dia, estando atrasado mais de 6 meses, SEM QUE FOSSEM FISCALIZADOS. Porque os extintores de incêndio estavam vencidos. Porque algumas portas de emergência estavam trancadas. Porque a casa, desrespeitando as disposições obrigatórias por lei, não tinha brigada de incêndio. Porque os advogados dos proprietários da maldita boate já adiantaram sua tese de defesa: FOI UMA FATALIDADE! Lembram-se do fatídico naufrágio (por superlotação)do tal Bateau Mouche na Baia da Guanabara há cerca de uma década atrás na noite de Reveillon, onde dezenas de mortes ocorreram? Alguém foi responsabilizado? Alguém foi punido? Que país é este? ESTE É O PAÍS DA IMPUNIDADE! O exemplo vem de cima, mas isso já é outra história.

sábado, 26 de janeiro de 2013

SOBRE AS ARANHAS – PARTE I

Preparando uma aula sobre aranhas e escorpiões, reli alguns trabalhos sobre os aracnídeos, especialmente um livro publicado em 1972, de autoria de Wolfgang Bücherl, hoje já falecido, emérito pesquisador do Instituto Butantan e que dedicou sua vida a estudar animais peçonhentos, tais como cobras (serpentes), aranhas, escorpiões, escolopendras (lacraias), abelhas, vespas e outros mais. Afinal, tem gosto para tudo! Nossa memória não retém tudo o que ouvimos ou lemos (ainda bem!) e foi um grande prazer reler parte dos estudos científicos, sua documentação e conclusões a que aquele estudioso chegou e nos ensinou. Por exemplo, ele cita fósseis de aranhas que datam de mais de quatrocentos milhões de anos, lá no período Siluriano de nosso planeta e que durante a formação do período Carbonífero, começou a diversificação em espécies. De lá para cá as aranhas tiveram muito tempo para evoluir, havendo hoje pesquisadores que calculam o número atual de espécies em cerca de 50.000. Muitas dessas espécies são tão férteis que chegam a produzir algo entre mil e dois mil ovos por ano, dos quais nascem praticamente todos os filhotes. Quer dizer, se todos vingassem, o que está longe de acontecer, teríamos em poucos anos uma camada de aranhas de algumas dezenas de metros de espessura, o suficiente para sepultar literalmente toda a Terra! O freio biológico que impede tal fato é a seleção natural onde só os mais aptos sobrevivem e, naturalmente, um pouco de sorte os seleciona. As aranhas vivem em toda parte, sobre a vegetação e abaixo dela, dentro de fendas e gretas, em túneis, buracos e ocos de árvores, no campo, nas florestas e, naturalmente, nas cidades ou qualquer conglomerado humano. A maioria das aranhas são completamente inofensivas, mas algumas espécies são bastante venenosas e picam. A imensa maioria delas passa a vida completamente despercebida, ainda que todas sejam carnívoras; preferem caçar suas presas de uma forma ou de outra. Caçam, matam e as ingerem sugando-lhes os fluidos vitais. As aranhas arbóreas e as domésticas alimentam-se de insetos em geral como moscas e outros voadores, baratas, percevejos, grilos ou qualquer um que caia em suas teias de captura ou armadilhas. As aranhas de maior porte, como as caranguejeiras, caçam filhotes de lagartixas ou de pássaros, minhocas, e até camundongos recém nascidos. Podem comer seu próprio peso em alimento de uma só vez, mas são capazes de ficar até um ano sem se alimentar ou mesmo um pouco mais. Para caçar sua presa, há dois métodos bem diferentes: o primeiro consiste em detectar a presença da caça, aproximar-se (ou atraí-la) dar o um bote e cravar suas pinças veneníferas injetando a peçonha e assim matá-la. As aranhas que usam tal método confiam em sua visão, o bote é muito rápido, não constroem teias, são errantes e costumam andar sozinhas. Nesse grupo estão as caranguejeiras, as tarântulas, as fonêutrias (perdoem-me o aportuguesamento do termo), todas potencialmente perigosas para o ser humano, e o imenso grupo das salticidas, ou papamoscas que costumam caçar pelas janelas de nossas casas e nos são completamente inofensivas. O segundo método de caça é o da construção de uma teia sedosa e colante para capturar insetos alados mais desavisados que passem por ali. As teias têm uma série infindável de formas, algumas são verdadeiras obras de engenharia e precisão. A fábrica de fios está instalada dentro de seu abdome, geralmente com um par de glândulas excretoras situado na porção anterior do abdome. Na verdade, um fio dessa seda é constituído de centenas de fios individuais, é cerca de 80 vezes mais resistente do que um fio de aço da mesma espessura e é capaz de ceder cerca de 20% de seu comprimento antes de romper-se. Lembrem-se que ela viveram milhões de anos aperfeiçoando-se! Tudo isso para capturar insetos. Se considerarmos que existem trilhões de aranhas sobre a Terra e que todas são carnívoras, veremos que diariamente elas destroem bilhões e bilhões de insetos nocivos às nossas plantações e colheitas. Alguns aracnólogos (estudiosos das aranhas) dizem que “sem a colaboração delas, o homem morreria de forme!” Então, por que a maioria das pessoas tem profunda aversão e medo (como eu, confesso) das aranhas? A resposta a essa palpitante pergunta será respondida em nosso próximo post. Não perca!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

COMEÇAMOS BEM 2013: 82.000 VISITAS!

Saúde boa, novos contratos no plano profissional, em família tudo vai muito bem, amigos conservados, pseudoamigos descartados, novas e boas perspectivas em todos os sentidos e... nada menos que 82.000 visitas em nosso blog! É isso mesmo! Voltamos a todo vapor e caminhando. Agradecer, outra vez? Claro que sim! Este blog só dispara porque são os leitores que o frequentam que fazem movê-lo, sempre com dinamismo, qualidade e de forma bem leve, sem grandes erudições (tal e qual foi concebido). Por isso, obrigado amigos leitores.

VAMOS FALAR UM POUCO SOBRE AS FORMIGAS DOCEIRAS

Depois e uma curta, mas merecidas, férias, voltamos a batucar as sofridas teclas do meu PC atacando outra vez o tema das formigas doceiras, atendendo à solicitação de nosso leitor Edvaldo do Paraná. Já falei sobre isso em tempos atrás (veja aí na coluna da esquerda onde há uma lista de temas já abordados), mas posso resumir a história. Começando pelo começo, formigas são insetos. Como eu sei disso? Porque têm três pares de pernas, ora essa! Pertencem à numerosa família Formicidae e só no Brasil já foram registradas aproximadamente 2.000 espécies diferentes de formigas, das quais pelo menos duas dúzias delas consideradas como pragas; todavia, não mais de seis são chamadas em seu conjunto de formigas doceiras (ou domésticas) porque invadem nossas moradias, sem nenhuma cerimônia. Dizem por aí que as formigas doceiras podem ser consideradas a praga do século: quem ainda não teve, vai ter uma infestação de formigas em sua cozinha principalmente. Os fósseis mais antigos de formigas datam de cerca de 100 milhões de anos, quer dizer, se nossos antepassados simiescos estão na Terra há pouco mais de 13 milhões de anos, as formigas aqui já estavam há muito mais tempo que a gente. Um fato já comprovado é que desde os tempos primórdios da espécie humana, as formigas já moravam em nossas cavernas e já espoliavam nossos alimentos. Com todo esse tempo de existência, as formigas tiveram tempo de sobra para se organizarem em sociedade e hoje são conhecidos como animais sociais; sua estrutura social é muito organizada e sabemos que cada formigueiro tem sua rainha (a única formiga que é fértil, produz e põe ovos). Na verdade, o formigueiro todo vive em função dessa rainha; tudo o que as formigas fazem é cuidar e proteger a rainha, recolher seus ovos e tratar de seu desenvolvimento até que produzam novas formigas adultas. Dentro de sua estrutura social, as formigas diferenciam-se em “castas”, ou seja, em classes sociais distintas, cada qual voltada para um tipo de trabalho: operárias (a maioria), soldados, aguadeiras, amas da rainha, lavradoras, etc. Muito interessante essa organização. Sendo um inseto que se desenvolve por metamorfose completa (ovo, larva, pupa e adulta), há muito trabalho dentro do formigueiro para que tudo aconteça como tem que ser. Nas espécies mais avançadas, encontramos diferentes “panelas” dentro do formigueiro, destinadas a diferentes propósitos: há a panela onde as obreiras trazem e armazenam partículas de alimentos (de qualquer tipo ou só de vegetais), onde outras obreiras tratam de semear e cuidar de certos fungos, os quais vão ser o verdadeiro alimento das formigas; há panelas de lixo (restos inservíveis, formigas mortas, etc); há panelas (sempre próxima às entradas do formigueiro) onde os soldados permanecem alertas e prontos para defender o formigueiro); há uma panela que é a câmara real, onde a rainha é mantida e cuidada (aliás, a rainha não consegue se mover sozinha tamanha a dimensão de seu abdome) e assim por diante. Contudo em certas espécies, entre elas algumas das doceiras, a estrutura social e do próprio formigueiro pode ser bem mais simples e pode estar alojado atrás de um batente de porta ou janela, atrás de algum azulejo quebrado um mal rejuntado, em fendas e gretas, dentro de tomadas eléricas e conduítes, atrás de rodapés e, com frequência, dentro de eletrodomésticos ou aparelhos eletrônicos, etc. Essas formigas doceiras a que nos referimos são, na maioria, residentes na própria cozinha que infestam e são bastante conhecidas por seus nomes populares como: a conhecida formiga louca (Paratrichina longicornis) que recebe esse nome porque nunca para (exceto quando encontra uma partícula de alimento), andando de um lado para outro, feito louca; a pequeníssima formiga fantasma (Tapinoma melanocephalum) que a gente mal enxerga; a formiga lavapés (Solenopsis spp); a formiga acrobática (Crematogaster spp); a formiga faraó (Monomorium pharaonis); a formiga carpinteira (Camponotus spp); a formiga argentina (Lenepithema humile) que chegou ao Brasil mais recentemente que as outras, e mais duas ou três espécies mais. Todas essas espécies são “residentes”, ou seja, moram dentro de nossas casas, de nossas instalações; uma ou outra pode ter seu formigueiro do lado de fora da casa. Nas residências, as formigas doceiras são incômodas porque atacam qualquer partícula alimentar que encontrem. E são milhares formando carreiros na escuridão da noite indo e voltando de seus ninhos ou formigueiros. Não se pode deixar nada exposto sobre a pia, sobre os balcões e mesmo dentro dos armários porque elas localizam o alimentam e vão se banquetear. Para combatê-las é preciso descobrir onde se localizam seus ninhos, onde vamos aplicar o biocida escolhido. Se colocarmos um pouquinho de açúcar em algum ponto sabidamente frequentado pelas formigas e apagarmos a luz da cozinha, depois de quinze minutos a meia hora poderemos observar as formigas em torno do açúcar e uma fila indiana até o ponto de entrada de seus ninhos. Ali podemos aplicar o formicida escolhido: gel, pasta, pó ou pulverizado. Já testei com ótimos resultados, um ou outro gel específico para formigas e achei que os melhores têm fipronil como ingrediente ativo, mas minha sugestão é a aplicação de algum inseticida microencapsulado, pois é tiro certo e definitivo!