Uma das responsabilidades do CCZ/SP – Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo - é o monitoramento e controle dos criadouros de mosquitos em certos pontos do Rio Pinheiros, um rio poluído que atravessa parcialmente a cidade de São Paulo e deságua no também poluído Rio Tietê. Próximo a esse deságue o Rio Pinheiros executa uma curva que torna suas águas naturalmente mais lentas; essa condição somada a outras bem peculiares, faz com que ali se mantenham criadouros permanentes de mosquitos, notadamente o Culex quinquefasciatus, causando sérios transtornos aos moradores da região. Há anos o combate químico vem sendo executado pelo CCZ com resultados variáveis. Neste ano os técnicos do CCZ planejaram experimentar uma nova técnica de combate: aspersão aérea de Bacillus sphoericus em formulação granulada sobre os conhecidos focos naquele Rio (vide post anterior sobre esse assunto). Questões técnicas ligadas à permissão do vôo do helicóptero que aplicaria o produto retardaram a operação, mas ela acabou, finalmente, acontecendo. O biólogo Carlos Madeira que lidera a equipe responsável por esse ensaio, nos conta que inicialmente estava previsto o tratamento de uma área de 11,4 ha, mas por razões de segurança do vôo (a referida área fica relativamente próxima ao aeroporto de Congonhas, é rota de pouso de aviões e há pontes cruzando o rio com trânsito intenso de autos), a área teste foi diminuída para 8,6 há. Para garantir a segurança dos veículos passantes nas pontes, um trecho delimitado em 100 m antes de depois de cada ponte não foi tratado. Pontos de monitoramento foram previamente escolhidos, para leituras antes e depois do tratamento. C onta-nos Carlos Madeira que no dia 17/6 testes de calibração do equipamento aplicador apontaram a dosagem de 40 kg/ha, com lançamento de 18,1 kg por minuto, enquanto o helicóptero voava a 30 m do solo a uma velocidade de 80 km/h. Com esses parâmetros, foram aplicados na área teste aproximadamente 400 kg do B.S. granulado.
Pode ser que o leitor menos avisado ache que esse tratamento seja algo simples e que já é de conhecimento e uso corriqueiro em outros países, pois às vezes essa prática é até divulgada em noticiários televisivos. Pois não é não! Todo um planejamento técnico minucioso precede à aplicação propriamente dita e as variáveis envolvidas são por demais complexas para que o teste tenha valor científico. Afinal, o que se pretende nesse tratamento em massa, é uma avaliação final sobre os resultados obtidos, servindo de base para a decisão de adotar ou não o método da aspersão aérea em um centro urbano densamente povoado como a metrópole São Paulo. Quem trabalha em um órgão público de controle de zoonoses e de certas pragas transmissoras, entende o valor que o ensaio tem. Esperamos que a equipe responsável nos informe sobre os resultados obtidos assim que possível, para que possamos divulgar aos leitores deste blog.
A foto acima mostra a área do ensaio demarcada e em vermelho, os pontos não aplicados. Parabéns pelo excelente trabalho moçada!
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terça-feira, 28 de junho de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
ASPERSÃO AÉREA DE BACILOS CONTRA O CULEX EM SÃO PAULO/SP


Exatamente dentro de quatro dias (em 07/05/2011) estará em teste no canal do Rio Pinheiros, um rio problemático que atravessa parte da cidade de São Paulo desaguando no Rio Tietê, a técnica de aplicação por helicóptero com uso de Sling Bucket empregando o Bacillus sphoericus granulado para controle larvário de mosquitos Culex quinquefasciatus. Como é sabido, especialmente pelos paulistanos, o Rio Pinheiros é, talvez, o maior foco criatório de mosquitos Culex devido sua carga poluidora altíssima e sua sinuosidade em determinados pontos onde a água praticamente fica estagnada. O teste está a cargo da Gerência Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura local, conforme nos informa o biólogo Carlos Alberto Madeira, assíduo colaborador deste blog, que nos fez a gentileza de enviar a ficha técnica do teste com esse equipamento. Olha só:
Altura de vôo do helicóptero durante a aplicação:30 metros.
Velocidade do helicóptero durante o tratamento: 30 Km/h
ESTAÇÃO RETIRO USINA DA TRAIÇÃO
9,72 km - (faixa de aplicação: 3 m)
*USINA TRAIÇÃO PONTE TRANSAMERICA
7,61 km - (faixa de aplicação: 3 m)
*RIO PINHEIROS CANAL GUARAPIRANGA
1,61 km - (faixa de aplicação: 3 m)
TOTAL: 38 km (aplicação nas duas margens)
38 km = 38.000 m
38.000 x 3 m(faixa de aplicação) = 114.000 m2
114.000/10.000 = 11,4 ha
1 ha = 10.000 m2
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