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sexta-feira, 8 de abril de 2016

MOSCAS EM ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS

De repente, bato os olhos no blog e encontro uma promessa não cumprida de falar um pouco sobre o combate às moscas comuns (Musca domestica) em estabelecimentos comerciais, subentendendo restaurantes, padarias, lanchonetes, açougues, botecos, supermercados e qualquer outro ponto comercial que manipule alimentos para onde as moscas adultas são atraídas. Vamos recapitular um pouco: as moscas comuns (e vamos falar só delas devido sua importância nos centros urbanos) têm quatro fases de seu desenvolvimento: ovo – larvas (três estadios) – pupa e adulto. Sobre as fases chamadas de jovens, já falamos aqui mesmo neste blog (basta procurar as postagens onde o tema é abordado logo aí na coluna da esquerda). Mas, é a última fase, a de adulto, é que se torna problema para o profissional controlador de pragas. Como resolver esse problema e atender seu cliente? Antes de tudo, lembremos que as moscas domésticas não são “vetoras” de doenças, mas, ao frequentar e buscar alimentos em dejetos humanos ou animais, em matéria orgânica em decomposição e putrefação, colhem em suas patas bactérias potencialmente perigosas e quando pousam no alimento humano, ali deixam boa parte das bactérias que transportam em seus corpos. Além de serem muito incômodas, o que transmitem é sempre uma imagem de sujeira e falta de higiene ambiental, coisas importantes quando e onde estamos consumindo nossas refeições. Seja como for, uma empresa controladora de pragas entra em cena nesse momento, chamada para “resolver” esse problema. “- Essa vai ser fácil!” pensa o profissional menos preparado ou desatento. Ledo engano! Primeiro: você vai ter que se envolver com a pior parte do problema das moscas, a fase de adultos alados que após saírem de seus criadouros, se espalham pela redondeza em busca de alimento e para acasalar-se. Por exemplo: 1.000 larvas de moscas juntas concentradas em um único ponto do criadouro, é facílimo controlar, pois, resumindo, aplicar um pouco de larvicida nesse ponto já se elimina tal quantidade de larvas; todavia, depois de adultas, essas mesmas 1.000 moscas se espalham e não há como eliminar todas. O bom senso já me diz que não devo aplicar um tratamento geral por termonebulização, porque esse método não é seletivo e, portanto, afetará toda a fauna ambiental, coisa que todo profissional controlador deve evitar. Além do que, ninguém manda no vento e ele soprará em qualquer direção espalhando a nuvem inseticida (até que nosso governo encontre um método de engarrafar o vento, como preconizou a presidente). Então o que devo fazer para combater essas mesmas 1.000 moscas depois que se tornaram adultas aladas? Posso obter essa concentração de moscas se conseguir atraí-las a pontos tratados com adulticidas. Voltando ao tema central da conversa, o combate às moscas infestantes de um restaurante começa por uma boa inspeção... do lado de fora do estabelecimento. Temos que nos certificarmos de que não exista ali nesse entorno nenhum foco criadouro de moscas; atenção à chamada “rota do lixo”. Se houver a existência de qualquer monturo de lixo esquecido em algum canto, ele deve ser rigorosamente removido e o local higienizado. Se percebermos que as moscas estão vindo do perímetro externo do estabelecimento, devemos, dentro do perímetro interno do terreno e suas instalações estabelecer uma primeira linha de combate às moscas adentrantes. Como posso fazer isso? Com o auxílio de algum produto mosquicida adulticida (existem ótimos no mercado capazes de atrair e imediatamente eliminar a mosca que ingira o produto, geralmente com isca de açúcar), o qual será diluído e aplicado a pincel nos principais pontos onde as moscas costumam pousar, tais como corpos cilíndricos, fios, pontas de objetos. Se eu não encontrar onde aplicar, posso fazer uso de barbante de algodão embebido em uma calda feita com o mosquicida e estender esses barbantes um pouco acima da cabeça de um homem. Se houver chance, posso criar os chamados “painéis papa moscas” que nada mais são que superfícies verticais de qualquer largura pintadas em amarelo com listas diagonais vermelhas (combinação de cores muito atrativas para as moscas), onde se aplica um bom mosquicida adulticida. Quanto mais, melhor! Só com essas ações de combate já eliminaremos grande parte das moscas que estiverem chegando. Contudo, algumas moscas podem adentrar ao estabelecimento e ali causarem problemas. Em superfícies planas, sempre longe das vistas das pessoas (geralmente acima do campo de visão de um homem adulto), podemos estabelecer outra linha de combate usando mosquicida em isca (também encontrado no mercado) cuja isca são grânulos de açúcar cristal coloridos em amarelo e vermelho, impregnados com o mosquicida adulticida (na praça, há algumas iscas que contém feromônio -substância de cheiro - melhorando bastante o poder de atração para as moscas). Os melhores mosquicidas são à base de imidaclopride ou thiametoxan com hormônio azametifós. Parapeitos e batentes das janelas são os melhores pontos para usar essas iscas. E, por fim, podemos também fazer uso das tais armadilhas que atrairão (lâmpada ultravioleta) e eliminarão moscas passantes (as melhores são as colantes, cujos cartões com cola devem ser trocados com certa frequência). Pronto, cumpri o prometido!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

MOSCAS EM BARES, RESTAURANTES, LANCHONETES E ASSEMELHADOS

Agora é inverno e não faz tanto frio assim, exceto no Sul como sempre. No resto do país, ao que tudo indica, teremos um “invernozinho meia boca”, se tanto. Mesmo assim, as moscas, se já não estão presentes, preparam um exército de moscas novas para reinvadir suas áreas alvos principais nos centros urbanos: restaurantes, refeitórios, bares, padarias, lanchonetes, quiosques de alimentação, cafeterias, docerias e assemelhados, para não falarmos de indústrias alimentícias, depósitos de alimentos, supermercados, caminhões de transporte, feiras livres, aterros sanitários e lixões a céu aberto. Territórios a serem invadidos não faltam, especialmente considerando aqueles onde as condições higiênicas são precárias, na maioria das vezes por inépcia ou incompetência de seus gestores ou ocupantes/usuários. Então, as moscas e muitos outros insetos urbanos, apenas sentam e aguardam. Mal entra a primavera e lá estarão elas zumbindo e voando por toda parte em uma brusca frenética por alimento e gerando milhões e milhões de novas moscas, incomodando muito as pessoas e espalhando bactérias diretamente nos alimentos, até mesmo quando já estão em nossos pratos. Como pode proceder uma empresa ou profissional controlador de pragas ao ser chamado para resolver um problema de infestação de moscas em um bar, uma confeitaria ou outro tipo similar de estabelecimento alimentício? Antes de tudo, vamos racionalizar o problema lembrando que as formas jovens das moscas domésticas (ovo, larvas e pupa) são encontradas em locais muito específicos onde haja um substrato orgânico semipastoso; ali, os ovos liberam a primeira larva que, se alimentando do próprio substrato, transforma-se na segunda larva e esta, crescendo de tamanho, transforma-se na larva III, para só então formar um casulo, onde a mosca pré adulta vai ser preparada. Essa fase de pupa é que se afasta da parte semipastosa do criadouro e vai liberar uma nova mosca adulta completamente formada, pronta para voar. No auge do verão, isso tudo acontece em até sete dias ou talvez um pouco mais. Nos centros urbanos, há milhares de pontos onde o acúmulo de detritos e dejetos orgânicos podem se tornar criadouros de moscas domésticas. Dessa forma, mesmo que um estabelecimento alimentício não propicie as condições para ter um criadouro de moscas em seu perímetro, poderá ser infestado por moscas originadas em criadouros das redondezas, o que dá no mesmo: clientes reclamando cheios de razão, denúncias aos serviços sanitários, perda de clientela, prejuízos. Em necessidade, finalmente o gestor daquele estabelecimento resolve chamar uma empresa controladora de pragas. Uma empresa bem estruturada é capaz de perceber que ótima oportunidade está se apresentando para engrossar seu portfolio de clientes; hoje é mosca, quem sabe amanhã podem ser baratas ou ratos. Então, uma empresa é chamada e comparece para efetuar o diagnóstico, montar uma proposta orçamentária e executar o serviço. A primeira coisa a fazer é determinar se existe dentro do perímetro do estabelecimento algum ponto onde as moscas infestantes possam estar se criando. Em caso afirmativo, esses criadouros devem ser sumariamente eliminados e condições mais higiênicas devem ser tecnicamente discutidas com o contratante. Todavia, na maioria das vezes, não há criadouros dentro do perímetro do cliente; as moscas infestantes quase sempre estão adentrando à área, vindas de algum criadouro em um raio de 500m do local. O controlador deve então buscar e certificar-se da existência ou não de pontos internos do estabelecimento onde moscas poderiam estar sendo originadas. O controlador deve procurar por pontos úmidos com substrato orgânico: sob as pias especialmente com vazamentos, nos pisos abaixo de geladeiras o de outros equipamentos produtores de frio (onde a água de condensação pode empoçar), junto às bombas de refrigerar e servir chopps e outros pontos semelhantes. Em cada ponto assim encontrado, o controlador deve examinar o substrato em busca de larvas e pupas de moscas. Em caso positivo, esses pequenos criadouros devem ser eliminados e os problemas geradores dos focos, corrigidos. A aplicação de inseticidas de largo efeito ajudará a evitar a formação de novo foco naquele ponto. Mas, na verdade, a encrenca está na presença em maior ou menor grau de moscas adultas (aladas) e foi por isso que o contratante chamou a empresa controladora. O fogo deve ser dirigido contra as moscas adultas para que os resultados sejam visíveis e perceptíveis ao cliente. Só que isso é outra história e vai ficar para outra vez. Prometo voltar a discutir esse assunto. Não esmoreça!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SOBRE AS ARMADILHAS LUMINOSAS PARA MOSCAS

A maioria das moscas (mais de 110.000 espécies de moscas já catalogadas em todo o mundo) demonstra atração pela luz, o que significa que basicamente são insetos diurnos. As moscas domésticas (Musca domestica), por exemplo, respondem positivamente a determinados comprimentos de onda do espectro da luz. É só observar as janelas com vidros fechados que você verá algumas moscas tentando “atravessar” o vidro para sair da instalação. Pois bem, essa atração natural pode muito bem ser aproveitada nos programas de controle de moscas. As armadilhas luminosas de captura de moscas (e outros insetos voadores) foram inventadas e desenhadas exatamente para capturar esses insetos voadores dentro de instalações, onde são muito eficazes se corretamente empregadas. Além da captura propriamente dita, essas armadilhas servem também para que o profissional identifique as espécies de insetos voadores que foram capturados e tirar conclusões sobre de onde as infestações estão se originando, auxiliando o plano de combate. Muitas empresas controladoras de pragas ainda não perceberam os benefícios das armadilhas luminosas e falham em aproveitar a utilidade desses equipamentos na completa satisfação de seu cliente que deseja uma abordagem mais ampla no manejo das pragas dentro de suas instalações. Mais no fundo, muitas empresas controladoras deixam de oferecer serviços de controle de moscas, esquecendo-se que todo estabelecimento alimentício (produção, armazenamento, preparo ou consumo) frequentemente experimenta o problema de infestações de moscas, em maior ou menor grau. As armadilhas luminosas não devem ser consideradas a resposta a todos os problemas com insetos voadores. Muitos desses insetos não são atraídos pelo espectro de cor emitido pela lâmpada utilizada na armadilha. Insetos voadores noturnos, por outro lado, são bastante atraídos pela armadilha e são capturados com facilidade. Insetos voadores diurnos demonstram atração periódica pela armadilha dotada de lâmpada ultravioleta. A mosca comum (M.domestica), por exemplo, pode voar durante horas dentro do recinto, até que sua atenção seja atraída pela lâmpada ultravioleta da armadilha; armadilhas luminosas bem dispostas no recinto podem ter sua eficiência bastante aumentada. As armadilhas luminosas devem fazer parte de um programa de controle de moscas, onde diversas ações de combate realizadas no exterior da instalação comporão a primeira linha de combate. Existem numerosos tipos e tamanhos de armadilhas luminosas disponíveis no mercado e quase todas dispõem de uma ou mais lâmpadas ultravioleta. Muito se tem discutido sobre qual lâmpada a armadilha deve empregar, mas o consenso é de que a luz ultravioleta (também chamada de luz negra) seja a mais indicada. As primeiras armadilhas luminosas eram do tipo eletrocutadora: havia uma grade eletrificada que instantaneamente eletrocutava os insetos que a tocassem. Muito eficazes, porém apresentavam um problema: com frequência o inseto ao tocar a grade, explodia (devido a rigidez de seu exoesqueleto), além de produzir um som característico, e várias partes do seu corpo se espalhavam ao redor do ponto onde a armadilha estava instalada, razão pela qual em boa parte dos estabelecimentos alimentícios, esse tipo de armadilha passou a ser contraindicada (imagine essa armadilha numa sala de restaurante, por exemplo). Mesmo porque, a Vigilância Sanitária não permite o uso desse tipo em determinados estabelecimentos. Todavia, em armazéns e outros recintos amplos, esse tipo de armadilha pode perfeitamente ser utilizada. Sua variante é a armadilha colante, a qual não eletrocuta o inseto, mas gruda-o ao tocar um painel colante disposto junto à luz atrativa. Esse tipo apresenta o inconveniente da necessidade de trocar com certa frequência o painel colante, por razões estéticas principalmente. Dessas, a armadilha própria para ser colocada em cantos, demonstra melhores resultados, porque podem ser vistas pela mosca de qualquer pondo do recinto. Muito do sucesso do emprego de armadilhas luminosas reside na maneira correta e adequada de dispô-las em um determinado ambiente. Algumas dicas podem ser citadas com a finalidade de aumentar a captura: • As moscas comuns são mais ativas na faixa compreendida até 1,80m do solo; obviamente as armadilhas devem ser montadas dentro dessa faixa, mas se por razões estéticas isso não for possível, monte-as no extrato superior, onde a vista humana não seja capaz de ver a placa colante com insetos capturados. Muitas pessoas não gostam de ver essa cena. • A colocação de uma armadilha junto do coletor de lixo pode ser bastante eficaz. • Evite colocar a armadilha em pontos que podem ser vistos do exterior da instalação, pois a lâmpada poderá atrair voadores que estava somente de passagem. • A armadilha deve ser instalada, sempre que possível, o mais longe de outra fonte luminosa para evitar a competição em atratividade. Evite proximidade de janelas ou focos de luz. • Não coloque a armadilha a menos de quatro o cinco metros da entrada ou saída de um recinto. Os voadores que entrarem, vão fazê-lo em alta velocidade e nem terão tempo de perceberem a luz que os atrairia. • Não instale a armadilha próximo a fontes de calor ou em áreas onde a corrente de vento seja particularmente forte. Hoje, muitas empresas controladoras de pragas já instalam, elas mesmas, armadilhas luminosas nos recintos de seus clientes. Algumas empresas cobram pelas armadilhas, outras, espertamente, oferecem esse serviço com um diferencial e assim cativam o cliente. A qual grupo você pertence? Ou ainda nunca se interessou por esse assunto?

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

ESTUDO DE CASO 1: MOSCAS SARCÓFAGAS EM UM SUPERMERCADO

Nas minhas apresentações em palestras, com frequência tenho sido instado a falar sobre diferentes casos interessantes que ocorreram em minha vida profissional. Recentemente, um dos leitores deste blog pediu-me a mesma coisa e eu julguei que seria interessante aqui relatar certos casos e situações que encontrei por aí nesses mais de 40 anos perambulando como controlador de pragas. Portanto, aqui vai o primeiro estudo de caso que, sem nenhum critério, fui buscar no baú das memórias profissionais. Entre as mais de 110.000 diferentes espécies de moscas já catalogadas e estudadas em todo o mundo, uma que nos centros urbanos causa repulsa, é a mosca sarcofagídea que põem seus ovos em cadáveres (animais ou humanos). A simples presença de uma ou mais moscas sarcófagas voando em um recinto fechado, significa que ali estará alguma carcaça em putrefação. Não é muito difícil identificar essa mosca a olho nu: ela é maior e mais pesada que a mosca doméstica e tem uma espécie de xadrez desenhado na parte de cima de seu abdômen. Eu mesmo já as utilizei algumas vezes moscas sarcófagas com o objetivo de localizar cadáveres de roedores que não estavam à vista: capturava, com um puçá de filó, uma ou mais moscas sarcófagas, dispondo a céu aberto uma carcaça de rato e tocaiando essa “isca”. Em questão de minutos apareciam essas moscas pousando sobre a carcaça e eu rapidamente as capturava; verdade seja dita, quase nunca na primeira tentativa. Transferia duas ou três moscas para uma caixinha de fósforos (vazia, naturalmente) e as levava para o recinto onde o odor nauseabundo denunciava a presença de algum cadáver de rato, embora ninguém houvesse conseguido localizar para que fosse removido. Aliás, o cliente me havia solicitado que resolvesse essa situação, de certa forma causada pela minha equipe que havia sido muito bem sucedida, diga-se de passagem, ao eliminar os roedores ali infestantes. Nesse recinto, com janelas fechadas, eu soltava as moscas sarcófagas e as observamos voando por todo o recinto por alguns poucos minutos e convergindo, todas elas, para um mesmo ponto. Dito e feito, ali se encontrava escondido das vistas, o cadáver do rato, o qual era rapidamente removido para o gáudio de todos os envolvidos (incluindo o finado rato que finalmente teria um descanso eterno em paz!). Mas, voltando ao caso que eu queria relatar, uma vez um supermercado cliente nosso nos chamou porque estavam aparecendo muitas moscas sarcófagas na área externa junto a um depósito. A própria aglomeração dessas moscas já nos indicou o ponto onde deveríamos procurar alguma carcaça de animal (o conhecimento faz uma enorme diferença! O que era para o cliente um problema, foi facilmente solucionado pelo simples fato de que conhecíamos um pouco sobre a biologia e o comportamento das moscas sarcofagídeas). No caso, era um cadáver de um pardal em adiantado estado de putrefação, eivado de larvas de moscas sarcófagas, que estava escondido atrás de um anteparo localizado no beiral do depósito. Como sempre tenho dito: saber não ocupa espaço!

quinta-feira, 29 de março de 2012

ESTRATÉGIAS PARA IMPLANTAR UM BOM PROGRAMA DE CONTROLE DE MOSCAS Parte III


Estávamos examinando um programa de controle de moscas urbanas que seja eficiente e eficaz. Vimos vários aspectos de um MIP (Manejo Integrado de Pragas) voltado para moscas e chegamos a iniciar as considerações sobre a eliminação física das moscas já infestantes, começando por sugestões (importantes) do que fazer externamente às instalações a serem protegidas. Precisamos agora examinar o que pode ser feito para eliminá-las dentro das instalações.
Como dissemos, apesar de todas as medidas que podem (e devem) ser tomadas do lado de fora contra as moscas, algumas podem adentrar nas instalações onde desejamos que não estejam. Será preciso, então, combatê-las e eliminá-las ali mesmo. Posso começar pela instalação de armadilhas antimoscas luminosas. Algumas considerações:
• Disponha quantas armadilhas você desejar, não há limites. Quanto maior for o número dessas armadilhas, maior será nossa chance de capturar as moscas invasoras.
• Coloque-as de preferência um pouco acima da cabeça das pessoas para evitar a desagradável visão de muitas moscas capturadas na armadilha e também porque as moscas, principalmente as domésticas, voam em uma altura de cruzeiro da cabeça de uma pessoa (em pé, estenda um braço esticado para o alto; essa será a altura média de voo da mosca comum e de muitas outras moscas urbanas).
• Evite fazer uso das armadilhas “fritadoras” de moscas, aquelas que têm uma luz para atração e uma grade eletrificada onde as moscas são eletrocutadas instantaneamente se a tocam. Ao fazê-lo, a carapaça quitinosa do inseto explodirá e dezenas de pedaços da moscas podem se espalhar ao redor da armadilha, com efeitos indesejáveis. Opte pela armadilha dotada de luz atrativa (ultravioleta ou “luz negra”) e papel colante, o qual deverá ser trocado com bastante frequência.
O que mais posso fazer? Claro, nem vamos comentar aqui sobre as questões da limpeza e higiene do ambiente, pois desnecessário seria. Mas, posso fazer combate químico? Resposta correta: depende! Há locais onde posso aplicar mosquicidas nas paredes, sem problemas. Mas, há outros onde o emprego de inseticidas pode ser conflitante com as regras de manejo do ambiente (proteção ambiental) e os fins a que se destina o ambiente a ser protegido contra moscas. Por exemplo: na área de produção de uma indústria alimentícia, não será possível pulverizarmos mosquicidas nas paredes e maquinários. Pois bem, aí entra o que a gente comenta sempre que pode: o conhecimento humano sobre a biologia da praga a ser combatida e como podemos tirar proveito desse conhecimento. No caso das moscas domésticas, sabemos que a mosca ao adentrar a um novo ambiente, voa em círculos para ambientar-se e localizar o alimento que a atraiu. Isso feito, localisa o alimento ou opta por algum dentre várias opções possíveis e vai se alimentar. Depois, de estômago já cheio, a mosca busca uma saída para o ambiente externo onde vai pousar para digerir o alimento ingerido. Óra, seu instinto a dirige à luz natural de alguma janela. Mosca não entende vidro, ou seja, ela voa para uma janela onde supostamente seria o caminho mais curto para sair do ambiente fechado onde se alimentou. Porém, o vidro da janela se interpõe e ela não consegue entender por que não está conseguindo ultrapassar aquele ponto. Fica então se debatendo contra o vidro, na vã tentativa de sair. Debate-se, cansa e pousa por alguns momentos no beiral da janela; volta a se debater, e repousa, sucessivamente. Excelente local para aplicarmos nossa isca mosquicida! Alguns grânulos em sucessivos e diferentes pontos desse beiral de janela e teremos enormes chances que a mosca perceba a isca e a ingira em seguida, indo a óbito. Como eu já havia comentado, já temos em nosso país iscas mosquicidas à base de azametifós, de imidacloprid e de thiametoxan excelentes!
Eu faria assim. Aliás, já fiz e nunca tive um só programa fracassado!
Há também os papéis pegamoscas que podem nos ajudar bastante a controlar moscas em um ambiente fechado.
Boa sorte amigo!

terça-feira, 20 de março de 2012

ESTRATÉGIAS PARA IMPLANTAR UM BOM PROGRAMA DE CONTROLE DE MOSCAS - Parte II


No post anterior falamos dos princípios que devem nortear um programa eficaz de controle de moscas em uma dada instalação urbana. O combate a moscas é um ótimo exemplo do MIP – Manejo Integrado de Pragas, pois passa por ações curativas (corrigir tudo o que esteja facilitando a existência de moscas em um ambiente), ações preventivas (instalar barreiras e/ou modificar estruturas que estejam facilitando a entrada de moscas) e ações de eliminação (o combate direto propriamente dito). Falta comentarmos algo sobre como eliminar as moscas já infestantes. Vamos lá.
Externamente: para eliminarmos moscas infestantes, temos que começar pelo lado de fora da instalação a qual queremos proteger. Temos duas situações possíveis: uma, onde o criadouro das moscas alvos situa-se dentro do perímetro da propriedade e outra quando as moscas estão sendo geradas em propriedades alheias circunvizinhas. No primeiro caso, basta que localizemos o criadouro e o eliminemos. Lembram-se de nosso comentário que as moscas proliferam em matéria orgânica em decomposição? No caso de moscas domésticas (Musca domestica) nos centros urbanos, existe uma marcada preferência por lixo onde restos orgânicos vão garantir sua procriação (uma profusão de alimentos e outra de substrato para ovipor). Só quem já visitou um depósito de lixo urbano a céu aberto pode avaliar a íntima relação das moscas domésticas e o lixo. São, literalmente, milhões e milhões de moscas adultas voando em todas as direções para se alimentar, para acasalar e para pôr seus ovos; são trilhões de larvas em diferentes fases de desenvolvimento até puparem. A maioria das adultas permanece nas cercanias, pois não há razão que as tirem desse lugar tão confortável (na verdade, a maioria das moscas domésticas adultas passa a vida dentro de um raio de 500m em torno de seu criadouro). Nos meus trabalhos onde frequentava tais lixões, cansei de ver os caminhões de coleta pública de lixo, despejando sua carga e voltando para a cidade... levando consigo algumas centenas de moscas nele pousadas, pegando uma carona. Mas, não é só nesses lixões que as moscas proliferam. Dentro do perímetro das propriedades, erros no manejo do lixo orgânico produzido podem criar as condições ideais para que as moscas domésticas procriem. Um exemplo: hotéis são obrigados por regras de higiene e boas práticas (fiscalizados pela Vigilância Sanitária), a coletar seu lixo em pontos situados fora das instalações principais, chamados de “botafora”, onde o lixo deve ser separado em matéria orgânica e materiais não orgânicos; a primeira deve ser acumulada em câmara fria especialmente construída para esse fim e mantidas com porta fechada, exatamente para evitar a proliferação de moscas (e outras razões higiênicas). Na prática, nem sempre isso acontece. Sistema de resfriamento dessa câmara desligado (por “economia”, acreditem se quiserem), porta quase sempre aberta (frequentemente porque a maçaneta quebrou e ninguém se preocupou em consertar), por inépcia, falta de supervisão, preguiça de funcionários ou falta de treinamento adequado. O fato é que um manejo ruim do lixo orgânico acaba propiciando as melhores condições para que as moscas domésticas se aproveitem e façam desses botaforas um excelente criadouro. Estive certa vez em um hotel quatro ou cinco estrelas, não me lembro, para estudar um sério problema de moscas em suas instalações e, dentre vários erros de manejo do lixo que encontrei, pude observar larvas de moscas (creio que eram de segundo ou terceiro estádio) dentro dos containers plásticos onde o lixo diário era depositado aguardando remoção para o botafora. Surpreso, indagando sobre o manejo, fui informado que o container era lavado uma vez por semana... mais ou menos! O exemplo do hotel é apenas um; nas indústrias, nos supermercados e congêneres, mesmo nos estabelecimentos de preparo e consumo de alimentos, podemos encontrar criadouros de moscas. Seja como for, encontrou criadouro (há que procurar, amigo), elimine-o ou você vai morrer seco com formiga na boca e não vai controlar as moscas desse cliente. Mas, há o caso onde as moscas infestantes vem de algum criadouro não situado dentro do perímetro da propriedade. Quer dizer, não temos as formas jovens presentes (ovos, larvas e pupas), mas temos as moscas adultas infestando a área.
Moscas são insetos voadores pesados para suas asas e não executam voos demasiadamente longos, a menos que encontrem um vento favorável. Precisam pousar aqui ou ali para descansar e assim, através de voos curtos, vão se encaminhando a pontos que lhes interessem, geralmente de alimentação. Se pousam, temos uma ótima chance de eliminar as moscas antes que adentrem às instalações. O avanço da tecnologia em mosquicidas foi bem grande na última década e meia e, hoje, dispomos de produtos capazes de atrair e eliminar as moscas domésticas até com relativa facilidade, bastando saber como usar tais produtos corretamente. Entre os organofosforados, o azametifós, um OP de última geração, mostrou-se de grande utilidade e eficácia quando formulado como isca e adicionado a um feromônio sintético, o Z-9 tricozene, de atração sexual. Em nosso país já há algumas marcas desse tipo de mosquicida e quase todas mostram excelentes resultados. Basta dispor os grânulos espalhando-os no solo e nos pontos onde as moscas frequentam e o resultado se dá em alguns minutos. Alguns desses produtos têm seus grânulos coloridos em amarelo ou em amarelo e vermelho, cores muito atrativas visualmente para as moscas, aumentando seu poder de atração.
E chegamos aos poderosos “painéis papamoscas”. Para criá-los, partimos do princípio, estudado e conhecido, de que essas cores citadas, amarelo e vermelho, são visualizadas à distância pelas moscas domésticas. Na Natureza, essas são as cores que observamos nas feridas dos animais: o vermelho do sangue e músculo eventualmente exposto, e o amarelo da linfa exsudada; não há mosca que resista a tais encantos! Pois bem, tirando proveito desse conhecimento, que tal se pintássemos uma placa qualquer, uma superfície de qualquer dimensão, usando o amarelo e o vermelho separadamente, mas juntos(vide foto acima)? Será que atrairíamos moscas domésticas? A resposta foi afirmativa e assim criamos os tais painéis papamoscas. Estudos anteriores demonstraram que se alternássemos faixas amarelas e faixas vermelhas sucessivamente, as moscas visualizariam o painel a grandes distâncias e seriam atraídas. Seriam mais atraídas ainda se essas faixas fossem pintadas no sentido diagonal do painel (por razões ainda não esclarecidas). Atraímos as moscas e daí ? Entram em cena os seguros mosquicidas neonicotinóides (imidacloprid e thiametoxan) já encontrados em nosso país, um avanço no combate às moscas e a muitos outros insetos. Daí eu aplico com pincel (eu prefiro usar um daqueles rolinhos de pintura) ou pulverizado, uma calda feita com um desses ingredientes ativos na superfície pintada do painel e o exponho na vertical. Vai funcionar como ponto de forte atração para as moscas que adentrarem ao perímetro da propriedade e elas serão eliminadas antes que adentrem às instalações. Uma mosca morta de lado de fora, é uma mosca a menos do lado de dentro! Renove a aplicação do produto no painel de 15 a 30 dias após, dependendo da ocorrência de chuvas.
Sim, mas muitas moscas poderão ainda adentrar às instalações. Serão muito menos dos que as que chegaram ao perímetro da propriedade, mas podem entrar, posto que voam! E daí?
Daí, vamos examinar o que fazer em próximo post, tá?

terça-feira, 13 de março de 2012

ESTRATÉGIAS PARA IMPLANTAR UM BOM PROGRAMA DE CONTROLE DE MOSCAS


Há não menos de 110.000 espécies diferentes de moscas em todo o mundo, já estudadas e catalogadas. As moscas representam, com sobras, o gênero de insetos mais bem sucedido na Natureza. A maioria dessas espécies não é urbana (felizmente), mas algumas delas encontraram seu melhor nicho junto ao homem e há até as espécies que repartem conosco nosso habitat há milhões de anos. Incomodam, transmitem doenças, causam asco e em nenhum lugar são bem recebidas. Contudo, se olharmos melhor, as moscas desempenham papéis vitais na Natureza pois executam certas funções importantes. Antes de tudo, representam uma fonte de alimento para uma enorme variedade de animais e até de certas plantas (as carnívoras, por exemplo). Muitas espécies se criam nas fezes de animais, ajudando a reciclar nutrientes de volta ao solo. Outras são decompositoras de carcassas de animais. Infelizmente, certas espécies adaptaram-se muito bem a viver nas instalações humanas e suas redondezas e daí geram os conflitos entre elas e nós. A essas espécies denominamos pragas e exatamente aí é que entra no cenário, a galante figura do profissional controlador de pragas, o “salvador da pátria” quando a coisa fica realmente feia. Lembro-me de uma oportunidade quando fomos chamados a intervir em uma certa cidade do interior de Alagoas onde o problema das moscas (Musca domestica) era tamanho que estava inviabilizando o viver naquela cidade. O Promotor de Justiça local havia dado o prazo máximo de 45 dias para a Prefeitura resolver o problema, sem o que a Promotoria mandaria fechar bares, restaurantes, lanchonetes e outros estabelecimentos de alimentos, em nome da saúde pública. Um enorme programa de combate às moscas foi então iniciado envolvendo todas as forças da comunidade e o problema foi minimizado em pouco tempo.
Não tenho conhecimento se existe alguma cidade, vila ou mesmo uma aglomeração humana que não tenha a omnipresente mosca doméstica incomodando as pessoas e animais domésticos. Sem falar nas outras espécies comuns como as varejeiras de brilhos metálicos, as mutucas que picam doído, as pegajosas moscas dos estábulos, as incômodas moscas dos esgotos, as pequeninas moscas das frutas e outras menos votadas. Daí a importância de identificarmos qual, ou quais, as espécies infestantes de um dado local. Sabendo quem é a nossa mosca alvo, fica bem mais fácil determinarmos quando, onde e como combatê-la.
Falando em combate às moscas, pode parecer anacrônico, obsoleto e ultrapassado o conhecido método de pulverizar com algum inseticida as paredes de uma instalação infestada por moscas, como única forma de combater moscas. Pode parecer, não... é! Um programa consistente, estruturado, moderno e eficaz de controle das moscas domésticas é bem mais que isso!
O manejo das moscas dentro e nas cercanias de uma dada instalação pode parecer, às vezes, uma questão difícil de resolver para determinados profissionais controladores de pragas. Na verdade, a estes, falta a informação, o conhecimento pleno e mais profundo do assunto, conhecimento esse total e completamente disponível em livros técnicos ou de inumeráveis sites da Internet. Sem desculpas, portanto. Uma situação de pesada infestação de moscas deveria ser vista pelo profissional como um interessante desafio a ser vencido, pois os conhecimentos técnicos sobre o assunto já são muitíssimo avançados.
Embora cada caso seja um caso, há alguns pontos comuns a todas as infestações e que, se contemplados, vão conduzir a níveis de controle com certeza. Limpeza, higiene, remoção de criadouros e exclusão, são alguns desses pontos. Vamos examinar, ainda que superficialmente, alguns aspectos capitais de um programa de controle de moscas em um dado local:
• Identificação da espécie infestante: é necessário e vital. Moscas domésticas criam-se em determinados criadouros, enquanto outra espécie, como por exemplo, a mosca dos estábulos, cria-se em outro. Cada espécie tem sua biologia própria e se identificarmos a mosca problema, aumentaremos em muito nossa chance de combatê-la com pleno sucesso.
• Limpeza e higiene: é a chave para avançar o programa de controle. Áreas e dependências limpas, não sustentam moscas que vão procurar outra freguesia mais sujinha para frequentar. Moscas se criam em matéria orgânica em decomposição; portanto, um bom esquema de limpeza regular evita acúmulos de detritos capazes de manter o ciclo vital das moscas. As moscas têm o metabolismo muito acelerado e, portanto, necessitam de muito alimento que lhes propicie energia. Lugar limpo não tem alimento para as moscas. Pense nisso.
• Exclusão: mesmo que as redondezas da instalação onde não queremos moscas estejam com boa limpeza, moscas voam e assim podem penetrar nessas instalações se encontrarem vias de acesso fáceis. Portas e janelas abertas, telas de nylon rompidas ou fendas arquitetônicas são um convite permanente à entrada de moscas em busca de alimentos. Portas e janelas devem ter telas de nylon instaladas (e sempre em boas condições), caso tenham que ficar abertas. Se não, a instalação de molas que as mantenham fechadas vai ser a solução. Simples e barato. Em determinadas edificações, a instalação de cortinas de vento pode evitar a penetração das moscas, quando adequadamente instaladas e mantidas. A iluminação interna de uma determinada instalação pode, sob certas circunstâncias, atrair moscas, ainda que sejam elas insetos diurnos. As lâmpadas internas não deveriam poder ser vistas do lado de fora da instalação.
• Eliminação de criadouros: muitas vezes o criadouro das moscas infestantes está situado dentro do perímetro da propriedade a ser protegida. É preciso inspecionar toda a área em busca de possíveis criadouros (lembrem-se: matéria orgânica em decomposição; ex: lixo) e eliminá-los sob risco de jamais atingir-se níveis de controle desejados.
E o combate propriamente dito? Bem, isso já é outro assunto que fica para um próximo post, mesmo porque este aqui já está ficando longo demais. Não perca.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

CONTROLANDO MOSCAS NAS INSTALAÇÕES – PARTE III








Nesta terceira parte do tema, podemos conversar um pouco sobre a eliminação profissional das moscas. Moscas (larvas e adultas) não são muito complicadas para eliminarmos, ainda que existam muitas linhagens que apresentam resistência a determinados grupos de inseticidas. Por falar nisso, vocês sabiam que as moscas estão entre os insetos que mais rapidamente desenvolvem resistência? Isso se deve à velocidade com que as sucessivas gerações surgem. Mas, de uma maneira geral, moscas adultas e larvas, como eu dizia, sucumbem rapidamente à aplicação de mosquicidas (caso não se trate de linhagens já resistentes). Além de alguns organofosforados e piretróides de última geração (Ex: azametifós, lambdacialotrina, bifentrina, etc) que, se aspergidos diretamente sobre as moscas (adultas ou larvas), podem ser eficientes, eis que finalmente surgiram os IDIs (Inibidores do Desenvolvimento de Insetos) e os IGRs (Inibidores do Crescimento de Insetos) e a maré mudou, para o nosso lado! Hoje, combatemos as formas jovens da mosca doméstica pulverizando um desses biocidas biorracionais no criadouro e somente as larvas das moscas são afetadas; seus inimigos naturais, não. Fantástico! Mais que isso, em granjas avícolas, por exemplo, há um desses compostos (ciromazina) que é misturado à ração das aves e o larvicida sai junto com as fezes das aves; quando a larva da mosca ingere essas fezes tratadas, não consegue mais se desenvolver e é eliminada.
A outra abordagem é o combate às moscas adultas. Mas, onde aplicar os mosquicidas que possam eliminá-las, já que estão espalhadas em toda parte? Então, temos que atraí-las de alguma forma para que se concentrem e possam ser eliminadas de forma significativa, a ponto de baixar sua população. Por sorte, há disponível no Brasil tanto bons mosquicidas iscas, à base de azametifós potencializado pela adição de um feromônio de atração sexual das moscas - Z9 tricosene, como de modernos neonicotinóides (thiametoxan e imidacloprid)que fazem um belo trabalho no controle de moscas adultas. Em forma de grânulos (maiores para iscas e menores para diluição em água), são fortemente atrativos para as moscas adultas. A formulação SG (Soluble Granules - grânulos solúveis)dissolvida em água e aplicados a pincel (ou pulverizados) sobre superfícies planas onde as moscas usualmente pousam, atraem (contêm açúcar) induzindo-as a lamber a calda, eliminando-as rapidamente. Molhando um barbante nessa calda e estendendo-o em uma área infestada por moscas, vai atrair e eliminar uma porção enorme delas.
Por falar nisso, há não muito tempo atrás, foi descoberto (depois de muitos estudos, naturalmente) que faixas vermelhas e amarelas pintadas alternada e diagonalmente sobre uma superfície plana, exercem uma forte atração em moscas adultas que para ali voam e se concentram. Daí, basta aplicar thiametoxan ou imidacloprid nessa superfície e vamos obter um grande e rápido efeito mosquicida. Aos painéis assim preparados, demos, há alguns anos atrás, o nome de “painéis papa-moscas” que foram amplamente testados em diferentes situações e mais que aprovados (granjas de aves e de suínos, haras, usinas de álcool e açúcar e lixões a céu aberto). Para que o leitor tenha uma melhor idéia do que estou falando, anexei uma foto de um desses painéis. Aliás, qualquer superfície plana ou cilíndrica, horizontal ou vertical, de qualquer tamanho, pintada dessa forma, vai funcionar como painel papa-mosca. Os painéis papa-moscas não estão disponíveis no mercado; portanto, quem quiser fazer uso desses excelentes artefatos para atrair moscas e eliminá-las, terá que produzí-los. Qualquer tamanho servirá (quanto maior, mais distante atuará como ponto de atração visual para as moscas). Estudos demonstraram que o maior poder de atração se verifica quando o painel é pintado em faixas diagonais (mais do que faixas horizontais ou verticais). O material desses painéis pode ser madeira compensada, taboas, PVC, lona, canos e conduítes de PVC, etc; evite usar placas metálicas porque ao sol se aquecem demasiado e as moscas evitam ali pousar. Simplesmente pintar paredes como painel papa-mosca, também funciona muito bem! Devem ser pendurados ou fixados na altura do vôo das moscas (normalmente entre 01 e 1,90m. Devem estar apoiados a paredes ou armações para evitar que balancem (as moscas não pousarão). Painéis de grandes dimensões (ex: uma placa inteira de compensado – 1,20 x 2,80m) devem receber orifícios esparsos para evitar que ventos mais fortes os derrubem.
É ver para crer!

sábado, 16 de outubro de 2010

CONTROLANDO MOSCAS NAS INSTALAÇÕES – PARTE II


Em post anterior, começamos a falar sobre a mosca comum (Musca domestica) e seu controle, iniciando por comentar sobre o interessante controle não químico. Hoje, quero comentar algo sobre o controle químico (uso de mosquicidas) e especialmente sobre o controle biorracional (emprego de inibidores).
Então, começaremos pelo começo: a mosca (seja qual for a espécie) cresce pelo processo que chamamos de “metamorfose completa”, ou seja, ovo – larvas – pupa e adulto. As chamadas formas jovens (ovo, larvas e pupa) permanecem no substrato original onde os ovos foram colocados; a forma adulta, alada, espalha-se e pode ser encontrada onde houver alimento disponível. E de que a mosca doméstica se alimenta? A grosso modo, de qualquer coisa, embora tenha certas preferências.
Dito isso, vamos lembrar que o combate às moscas pode ser dividido em duas abordagens: o combate às formas jovens e o combate às moscas adultas. Nada a ver uma coisa com a outra, embora uma e outra possam conduzir a uma situação de controle. Melhores resultados: use as duas coisas, quando possível.
As formas jovens são combatidas nos próprios criadouros: matéria orgânica em decomposição onde haja liberação de amônia, como acontece com fezes (de aves, de suínos, de bovinos e equinos ou mesmo humanas) e lixo. A mosca fêmea adulta, depois de copular com um macho da espécie, matura seus ovos e no momento certo, os deposita em algum ponto mais úmido (pastoso) do substrato do criadouro. Em torno de 8 horas depois, os ovos já eclodem e liberam a primeira forma larval (há mais duas em sucessão, enquanto crescem e se desenvolvem). Para isso as larvas alimentam-se vorazmente da matéria orgânica do próprio substrato e vão transformando esse substrato em uma sopa grossa (ingerem sólido e defecam líquido), onde vão alojar-se e evitam inimigos naturais seus como certas aves, insetos e outros artrópodes predadores, muito comuns principalmente na zona rural. Poucos dias depois (3,5 dias em média), a larva III sai do substrato, procura um ponto seco do solo e transforma-se em pupa (uma espécie de barril fechado); nessa fase, não se alimenta mais. Outros dias mais (3 a 5dias), a pupa se abre liberando uma mosca adulta completamente formada e já com asas. Entre 16 e 30 horas após a saída dessa mosca adulta de seu pupário, ela estará pronta para acasalar e dar início a novo ciclo.
Portanto, é nesse substrato, nesse criadouro, que devemos combater as formas jovens quando ainda estão concentradas. Mais fácil do que combatê-las depois de adultas. Até não muito tempo atrás, coisa de uma ou duas décadas, o que se fazia era pulverizar inseticidas superficialmente nesse substrato. Matava as larvas e tudo o mais, incluindo os preciosos besouros (Carcinops troglodites) tão comuns na zona rural, que se alimentam de ovos de moscas (estamos falando de controle biológico, moçada), as espalângias (Spalangia spp), uma vespinha que destrói as pupas e um diminuto ácaro (Macrocheles muscadomesticae), ávido comedor de ovos de mosca (20 por dia). Resultado: nada de controle! Larvas mortas, inimigos naturais mortos, moscas adultas ovipondo, rápido crescimento populacional e nada para controlá-las. Não ia dar certo, como de fato não deu. A infestação decrescia, mas não resolvia. Estudos prosseguiram, o conhecimento avançou e o homem chegou finalmente à conclusão de que os inimigos naturais das moscas domésticas são indispensáveis no controle, coisa que a Natureza já havia percebido há milhões de anos atrás! Importantíssimos e devem ser preservados a qualquer custo se pretendermos efetivamente controlar as infestações das moscas comuns. Contudo, a evolução da civilização criou novas e notórias oportunidades para as moscas que passaram a se reproduzir em números absolutamente incontáveis. No campo, as granjas de criação intensiva de animais de produção econômica (suínos, aves, coelhos, gado confinado, etc) colocou-os em galpões aos milhares. A presença de ração proteinada somada à grande produção de fezes não adequadamente manejadas, deu às moscas tudo o que elas queriam. Nas cidades, o descaso do certos cidadãos com as questões elementares de higiene e asseio e mesmo a falta do conceito de cidadania, o manejo incorreto do lixo doméstico, comercial e industrial proveu às moscas, o alimento e o criadouro de que necessitavam. O desastre estava delineado: conforme o local, infestações muito pesadas de moscas domésticas (para não falar de outras espécies) são frequentemente encontradas e as medidas caseiras são incapazes de controlá-las eficazmente. Resta o controle profissional.
Cabe às empresas controladoras de pragas, a tarefa de indicar a seus contratantes, as medidas cabíveis preventivas e corretivas na área capazes de ajudar (e muito) para evitar os problemas causados pelas moscas infestantes. Cabe também, decidir qual, ou quais, as técnicas e os métodos químicos que empregarão nesse combate. Mas, aí reside o problema. Muitas empresas, e profissionais controladores de pragas, ainda acreditam que controlar moscas é como controlar baratas, por exemplo. Saem aspergindo inseticidas pelas paredes, pelos cantos, pelas frestas, etc. Sim, certo número de moscas mortas aparecerá, mas isso longe está do nível de controle. Aplicando um inseticida de contato em uma parede, por exemplo, nossa chance de abater uma mosca dependerá do acaso; só a eliminaremos se ela vier pousar na superfície tratada e ali permanecer por certo período de tempo (o suficiente para que moléculas do produto aplicado possam penetrar no corpo da mosca). Para um controle profissional, é pouco. A dica do combate eficaz às moscas adultas está na sua concentração. Temos que atraí-las e concentrá-las para que as possamos eliminar. Para nossa sorte, já existem biocidas que fazem exatamente isso: são formulações capazes de atrair e abater as moscas.
Mas isso será abordado na próximo bat-post, aqui mesmo neste bat-blog! Não perca!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CONTROLANDO MOSCAS NAS INSTALAÇÕES – PARTE I


Como prometi aí da coluna de Perguntas&Respostas para os leitores Edson Correia e Rodrigo Leal, vamos comentar alguma coisa sobre o controle de moscas domésticas. O assunto é realmente vasto porque, se existe um inseto muito estudado, ao lado das baratas, é a mosca comum (Musca domestica). Sempre gostei desse tema e no laboratório produtor de biocidas em que trabalhei por 23 anos, me envolvi tecnicamente no estudo das moscas e dos produtos destinados ao seu controle. Aliás, como fiz com escorpiões e roedores, dois outros temas muito interessantes para mim. Sob o patrocínio daquele laboratório, tive até a oportunidade de escrever e publicar três manuais sobre essas pragas e que tiveram ótima aceitação na época. Eu disse que o assunto moscas é vasto e seria impossível em um blog discutir todos os aspectos do tema, razão pela qual vou apenas partir das perguntas que o Edson e o Rodrigo fizeram e comentar alguma coisa pertinente.
Combate químico ou combate mecânico? Os dois! Armadilhas mecânicas ou elétricas, redes, cortinas de vento, globos pega moscas, armadilhas colantes, todos têm seu lugar no combate a moscas. São dispositivos que se corretamente utilizados, podem fazer grande diferença para diminuir o número de moscas adultas infestantes no interior de uma instalação. Vamos ver alguns pontos desfavoráveis em cada uma delas, só como exercício. Aquelas armadilhas luminosas que fritam sumariamente as moscas, muito comuns em padarias da esquina, açougues do bairro, botecos e restaurantes, e mesmo em indústrias alimentícias, apresentam o inconveniente de literalmente explodir os insetos que tocam na grade eletrificada e partes de seus corpos caem aleatoriamente ao derredor; muito cuidado, portanto, aonde dispor tais aparatos. Por outro lado, nem sempre a tal da lâmpada ultravioleta, anunciada por alguns fabricantes como fator de atração para as moscas, são atrativas, pois podem ser simples lâmpadas pintadas de cor azul-violeta e não atraem porcaria nenhuma, puro engodo; só alguma mosquinha ainda jovem e sem experiência cai nessa! Melhor é empregar a armadilha colante que é bem parecida com a anterior, só que não eletrocuta nada e ninguém. Há uma série diversificada de fitas e fios colantes pega moscas que podem ser úteis, mas obrigatoriamente devem ser colocados expostos às moscas, mas à vista humana também, na maioria das vezes. Nem sempre um cordão repleto de moscas grudadas impressiona bem! As telas de nylon ou metálicas são formidáveis para impedir a entrada de moscas em portas e janelas, mas rompem-se com freqüência especialmente junto às estruturas de sustentação; essas rupturas podem passar despercebidas. Não pelas moscas. As cortinas de vento dispostas sobre o vão das portas são muito eficientes para impedir a passagem de moscas e outros voadores. Contudo precisam ser constantemente inspecionadas e reguladas para que nenhum ponto da passagem não esteja coberto pelo vento produzido pelo aparelho, pois será exatamente por ali que o desfile das moscas vai passar. Os notórios globos semirrepletos de moscas mortas e maceradas que atraem pelo forte odor de feromônios exalados dos cadáveres, têm o (grave) inconveniente de produzir um odor incrivelmente nauseabundo, fétido, horroroso que deve ser irresistível para as moscas. Afinal, tem gosto para tudo. Não podem por isso ser empregados em instalações (nem perto). Há ainda os “painéis papamoscas”, estes sim de grande eficácia, mas que vamos abordar no post seqüencial deste.
E tem o combate químico. Falo disso em um próximo post, porque este aqui já está virando uma epístola.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Problema de moscas na Usina de Álcool e Açúcar


Aproveito para responder pelo Blog essa questão postada por N.F.F. de Piracicaba/SP. Amigo Nei, esse surto que vem ocorrendo na Usina onde você trabalha, pela descrição do problema e pelos detalhes que você nos passou, não é de moscas comuns (Musca domestica) e portanto não vai adiantar muito ficar tratando as valas e lagoas de vinhaça. O que você descreveu aponta para um surto de outra mosca, a Stomoxys calcitrans, também conhecida como mosca dos estábulos. Os produtores pecuaristas da região de sua Usina têm toda razão em reclamar, pois essa mosca, uma espécie picadora que se alimenta de sangue dos animais, os irrita continuamente e a queda da produção leiteira é o primeiro sintoma do problema. Confirme em uma visita à área agrícola da Usina onde exista palha resultante do último corte, confirme que ali foi adubado com vinhaça, revolva a palha e busque as formas larvárias e pupas dessa mosca, visite uma propriedade produtora de gado que tenha se queixado do problema e observe o alto grau de infestação por moscas adultas, e você terá o quadro completo do problema. Solução: combater as formas jovens na palha e a forma adulta no gado. Muito trabalho, amigo, muito trabalho!