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terça-feira, 20 de setembro de 2011
ÓRA ESSA! BARATAS PREFEREM DOBRAR À DIREITA!
Tem cada coisa sendo descoberta todos os dias! Um grupo de pesquisadores (todos muito sérios) da Universidade do Texas decidiu estudar a lateralização do cérebro de... baratas de esgoto (Periplaneta americana). Queriam saber se as baratas têm predominância de lado em seus cérebros, como os humanos. A lateralização é bastante estudada em vertebrados, mas poucos estudos existem em insetos. Os pesquisadores decidiram estudar o comportamento das baratas americanas em seu processo de decidir para que lado ir quando lhes é dada a opção de escolha. As baratas eram colocadas em um tubo de vidro em forma de Y e tinham que decidir para que lado ir, esquerda ou direita. Nas extremidades do tubo era colocado baunilha e etanol ao acaso, para atrair as baratas e as posições dessas substâncias eram constantemente trocadas de posição. Em seguida, uma das antenas das baratas (de forma alternada) era parcialmente amputada para verificar se isso influiria na decisão de caminhar para a esquerda ou para a direita (como sabemos, as antenas das baratas são responsáveis pelos sentidos do olfato e do tato). Uma simples análise estatística do ensaio mostrou que o etanol e a baunilha não interferiram significativamente na escolha de para qual lado a barata caminharia. O dano a uma das antenas de fato influiu na decisão da barata, mas quando ambas as antenas eram parcial e igualmente amputadas, houve uma clara tendência de optar por dobrar à direita. A conclusão que os pesquisadores chegaram é que a barata P. americana têm uma dominância à direita quando se trata de olfato e tato.
E o que é que isso nos ajuda, aos controladores de pragas. Sei lá, mas fico imaginando que se dispusermos iscas ou armadilhas colantes sempre no lado direito das quinas, quem sabe não aumenta nossa margem de sucesso em combater baratas de esgoto?
(post baseado e adaptado da revista Journal of Insect Behavior – Vol 24, Número 3, 175-185)
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
REVISÃO TÉCNICA: BARATAS - PARTE II
Retomando nossa sumária revisão do tema Baratas (para os leitores que estão acessando o blog pela primeira vez, a Parte I deste tema está logo aí abaixo; sugiro sua leitura antes de ler este post), das mais de 4.000 espécies distintas de baratas já descritas cientificamente (e provavelmente outro tanto jamais observadas), como dissemos anteriormente, apenas umas poucas se aproximaram do convívio com o homem nos núcleos e centros urbanos. No Brasil, não mais de três ou quatro espécies percorreram esse caminho, a começar pela notória barata alemanzinha (Blatella germanica), também chamada de francesinha ou mesmo paulistinha, devido à alternância de bandas escuras e claras longitudinais no seu pronoto (o escudo protetor da nuca, sob o qual a cabeça está fletida), lembrando as listras da bandeira francesa ou paulista, como queiram; também é chamada de germânica, obviamente devido ao seu nome científico. Na verdade são apenas duas faixas escuras sobre um fundo mais claro. As baratas alemanzinhas adultas não medem mais que 1,5cm de comprimento; cor marrom em diferentes tons, mas os machos são mais claros que as fêmeas e as ninfas são bem escuras; produzem proles o ano inteiro, o que é favorecido por ambientes úmidos e com temperatura ambiente acima de 21°C (ex; cozinhas); a fêmea carrega consigo a ooteca (estojo de ovos) durante todo o tempo de maturação das pequenas ninfas em seu primeiro estádio e só a deixa quando a ooteca está pronta para eclodir liberando em torno de 30 a 40 ninfas, podendo chegar a 48 ou 50. Cada fêmea pode produzir cerca de 4 a 5 ootecas ao longo de sua vida que dura em torno de 200 dias. Preste atenção nessa fantástica capacidade de reprodução e o leitor vai descobrir por que controlá-las não é tarefa fácil. Todas as baratas são insetos de desenvolvimento por metamorfose incompleta (ovo-ninfas-adulto) e, segundo Noland (1949), a barata alemanzinha pode ir de ovo à adulta em cerca de 36 dias (temperatura ambiente de 30°C); contudo, a média em condições normais (27°C com 40% de umidade relativa do ar), oscila em torno de 50 a 60 dias. A B.germanica não aprecia viver a céu aberto, mas sob certas circunstâncias pode ser encontrada no peridomicílio. Em 1982, o conhecido especialista Frishman, o americano que algumas vezes já esteve no Brasil encantando-nos com suas animadas palestras sobre baratas, relatou haver encontrado uma pesada infestação de baratas germânicas no interior de um grande e velho aparelho de rádio no vestíbulo de um dos andares de um hospital, onde não havia qualquer fonte de água em um raio de 18m; depois de muito investigar, descobriu, conversando com o pessoal do hospital, que as baratas aproveitavam a noite para matar a sede na urina produzida por pacientes que não podiam conter a micção! Grande Frishman esse, muito criativo... alem de ótimo palestrante!
As baratas alemanzinhas são, como as demais baratas, de hábitos noturnos e evitam grandes movimentos durante o dia; costumam esconder-se em grandes grupos em lugares sempre próximos à fonte de alimento e umidade, o que faz da cozinha seu habitat predileto. Seus alimentos preferenciais são fermentados e resíduos de bebidas que fermentem (leite e cerveja). Baratas adultas podem viver até um mês sem alimentos, desde que não falte água, mas morrem em duas semanas sem ela. Qualquer rachadura nas paredes, vãos entre azulejos mal rejuntados, azulejos quebrados, buracos, fendas, gretas em cozinhas residenciais, comerciais ou industriais, são pontos de eleição para seus abrigos.
A segunda espécie sinantrópica de importância em nosso país, é a barata americana (Periplaneta americana) também chamada de barata dos esgotos (já perceberam, não!), cujos fósseis mais antigos datam de 6 ou 7 milhões de anos atrás, encontrados em cavernas ao lado de utensílios domésticos ancestrais. Essas danadas têm o péssimo hábito de voar e o fazem muito bem e alto (podem entrar por janelas abertas em prédios de 10 ou 12 andares), daí ganhando também o nome de baratas voadoras. Quem já escutou uma barata americana em pleno vôo, não se esquece jamais, pois parece um minihelicóptero; além do que, ela quase sempre termina seu vôo nos cabelos ou nos braços de alguma pessoa! É ruim, hem! É a maior das espécies domésticas podendo atingir até 5cm de comprimento; os machos são um pouco menores. De cor marrom-pinhão, têm uma característica banda amarela circundando o escudo protetor da cabeça e têm quatro asas, duas pesadas de proteção e sob estas, duas bem mais finas para vôo. Ao contrário das alemanzinhas, logo que forma a ooteca (estojo de ovos), a barata americana a deixa em algum ponto protegido e colada à superfície através de uma substância pegajosa produzida pela mãe. Depois de aproximadamente 38 a 49 dias (dependendo das condições ambientais de temperatura e umidade) a ooteca eclode liberando de 6 a 16 ninfas (média de 9); a barata americana pode produzir cerca de 90 ootecas durante sua vida que pode chegar a 2,5 anos. Preferem habitar lugares quentes, úmidos e escuros (ex: rede de esgotos, porões, caixas de gordura, fossas, ralos e drenos, embaixo das pias e ao redor de canos de água, armários de cozinha, etc. Foi considerada o inseto mais rápido da Natureza. São fascinadas por líquidos fermentados (dica: pão com cerveja é uma isca irresistível!). Os escorpiões fizeram dessa barata, seu alimento preferencial nas cidades.
A terceira espécie sinantrópica mais prevalente em nosso país é a barata oriental (Blatta orientalis) que não consegue voar porque suas asas são muito curtas; nas fêmeas são tão curtas que o terço distal do abdômen fica exposto, o que nos permite identificar essa espécie facilmente. Das espécies domésticas, é mais vagarosa e menos cautelosa, expondo-se com freqüência. Vive em grandes grupos misturados entre adultas e ninfas e são muito encontradas em monturos de lixo e esgotos. Têm cor marrom bem escuro e medem cerca de 3cm de comprimento. A fêmea carrega sua ooteca por cerca de 30 horas para depois depositá-la em lugar quente e protegido, sempre próximo a uma fonte de água. No interior da ooteca, 16 ovos se desenvolvem por um período aproximado de 42 a 81 dias, dependendo das condições ambientais. A fêmea pode produzir cerca de 18 ootecas ao longo da vida que termina em torno dos seis meses. Essa espécie é a que causa mais repulsa porque seu contato corporal com a pele das pessoas é total (as fêmeas encostam seu corpo inteiro na superfície onde param) e seus movimentos são lentos. Quem já passou por essa experiência, não se esquece!
Há ainda mais uma espécie a citar, a Pycnoscellus surinamensis, a barata do Suriname, uma espécie não autóctone que está entrando em alguns pontos de nosso país. Alimenta-se principalmente de raízes (atenção aos vasos ornamentais no interior das residências!).
OK, agora podemos pensar em abordar a questão do controle das baratas domésticas. Só pensar, porque comentar fica para um próximo post! Não perca neste mesmo batblog!
As baratas alemanzinhas são, como as demais baratas, de hábitos noturnos e evitam grandes movimentos durante o dia; costumam esconder-se em grandes grupos em lugares sempre próximos à fonte de alimento e umidade, o que faz da cozinha seu habitat predileto. Seus alimentos preferenciais são fermentados e resíduos de bebidas que fermentem (leite e cerveja). Baratas adultas podem viver até um mês sem alimentos, desde que não falte água, mas morrem em duas semanas sem ela. Qualquer rachadura nas paredes, vãos entre azulejos mal rejuntados, azulejos quebrados, buracos, fendas, gretas em cozinhas residenciais, comerciais ou industriais, são pontos de eleição para seus abrigos.
A segunda espécie sinantrópica de importância em nosso país, é a barata americana (Periplaneta americana) também chamada de barata dos esgotos (já perceberam, não!), cujos fósseis mais antigos datam de 6 ou 7 milhões de anos atrás, encontrados em cavernas ao lado de utensílios domésticos ancestrais. Essas danadas têm o péssimo hábito de voar e o fazem muito bem e alto (podem entrar por janelas abertas em prédios de 10 ou 12 andares), daí ganhando também o nome de baratas voadoras. Quem já escutou uma barata americana em pleno vôo, não se esquece jamais, pois parece um minihelicóptero; além do que, ela quase sempre termina seu vôo nos cabelos ou nos braços de alguma pessoa! É ruim, hem! É a maior das espécies domésticas podendo atingir até 5cm de comprimento; os machos são um pouco menores. De cor marrom-pinhão, têm uma característica banda amarela circundando o escudo protetor da cabeça e têm quatro asas, duas pesadas de proteção e sob estas, duas bem mais finas para vôo. Ao contrário das alemanzinhas, logo que forma a ooteca (estojo de ovos), a barata americana a deixa em algum ponto protegido e colada à superfície através de uma substância pegajosa produzida pela mãe. Depois de aproximadamente 38 a 49 dias (dependendo das condições ambientais de temperatura e umidade) a ooteca eclode liberando de 6 a 16 ninfas (média de 9); a barata americana pode produzir cerca de 90 ootecas durante sua vida que pode chegar a 2,5 anos. Preferem habitar lugares quentes, úmidos e escuros (ex: rede de esgotos, porões, caixas de gordura, fossas, ralos e drenos, embaixo das pias e ao redor de canos de água, armários de cozinha, etc. Foi considerada o inseto mais rápido da Natureza. São fascinadas por líquidos fermentados (dica: pão com cerveja é uma isca irresistível!). Os escorpiões fizeram dessa barata, seu alimento preferencial nas cidades.
A terceira espécie sinantrópica mais prevalente em nosso país é a barata oriental (Blatta orientalis) que não consegue voar porque suas asas são muito curtas; nas fêmeas são tão curtas que o terço distal do abdômen fica exposto, o que nos permite identificar essa espécie facilmente. Das espécies domésticas, é mais vagarosa e menos cautelosa, expondo-se com freqüência. Vive em grandes grupos misturados entre adultas e ninfas e são muito encontradas em monturos de lixo e esgotos. Têm cor marrom bem escuro e medem cerca de 3cm de comprimento. A fêmea carrega sua ooteca por cerca de 30 horas para depois depositá-la em lugar quente e protegido, sempre próximo a uma fonte de água. No interior da ooteca, 16 ovos se desenvolvem por um período aproximado de 42 a 81 dias, dependendo das condições ambientais. A fêmea pode produzir cerca de 18 ootecas ao longo da vida que termina em torno dos seis meses. Essa espécie é a que causa mais repulsa porque seu contato corporal com a pele das pessoas é total (as fêmeas encostam seu corpo inteiro na superfície onde param) e seus movimentos são lentos. Quem já passou por essa experiência, não se esquece!
Há ainda mais uma espécie a citar, a Pycnoscellus surinamensis, a barata do Suriname, uma espécie não autóctone que está entrando em alguns pontos de nosso país. Alimenta-se principalmente de raízes (atenção aos vasos ornamentais no interior das residências!).
OK, agora podemos pensar em abordar a questão do controle das baratas domésticas. Só pensar, porque comentar fica para um próximo post! Não perca neste mesmo batblog!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
SOBRE O USO DO ÓLEO DE NIM NO CONTROLE DE PRAGAS
Ivone, uma colega e leitora deste blog, postou um comentário na matéria do feijão cru como raticida (vide abaixo) citando o pretenso uso do óleo de nim como inseticida por parte de empresas de controle de pragas. Como eu já havia recebido uma outra consulta sobre esse tema, resolvi transformar minha tréplica em um breve sumário desse tema, para conhecimento de leitores que ainda não ouviram falar do óleo de nim, que aqui segue.
Na Índia, possível local de sua origem, existe uma árvore frondosa que vive em média 200 anos que é um espanto: dela tudo se aproveita: frutos, sementes, folhas e caule. Naturalmente, o maior produtor de nim no mundo é a Índia, onde é conhecida há mais de 5.000 anos, mas o Brasil vai muito bem obrigado no cultivo do nim, introduzido em 1990, contando hoje com mais de 6 milhões de árvores plantadas. O nim tem propriedades notáveis em diversos tipos de uso que hoje dela se faz. Chama-se cientificamente de Azadirachta indica e é internacionalmente conhecida como árvore neen, aportuguesado para nim. A principal substância extraída do nim, é a azadiractina que nos interessa nesta abordagem como inseticida. Essa proteína vegetal tem sido amplamente estudada no mundo todo e a cada dia descobre-se um novo uso para proveito humano. Por exemplo, ela é usada até em cosméticos como shampoos (tônico capilar), sabonetes (sarnicida, antimicótico e outras afecções dermatológicas), pasta de dente (bactericida), etc. Na agricultura, a azadiractina é amplamente utilizada no combate e controle de uma grande variedade de insetos e outras pragas comuns (mais de 400 pragas). Na pecuária, tem sido utilizada com sucesso como carrapaticida e no controle da mosca dos chifres (o gado recebe folhas trituradas misturadas ao sal e o ingrediente ativo passa a circular no sangue do animal, de onde é sugado por certos ácaros e insetos hematófagos, onde vai atuar). Portanto, a azadiractina é extremamente versátil. Mas, vamos ao que nos interessa no momento.
A azadiractina, muito empregada na forma de óleo (conhecido como óleo de nim), é um inseticida botânico do grupo dos tetranortriterpenóides (da classe liminóide) extraído da árvore Azadirachta indica e é compatível com muitos inseticidas (onde atua como sinergista) e fungicidas. Aliás, esse estudo de compostos botânicos como adjuvantes e sinergistas para inseticidas, tem produzido inúmeras substâncias muito interessantes como a salanina, a gedunina, o azadirone, a nimbina, a nimbidina e o nimbirol, para citar apenas algumas. Desde o antigo e muito empregado butóxido de piperonila, muita coisa nova surgiu efetivamente!
A azadiractina já foi registrada nos Estados Unidos como inseticida geral com classificação toxicológica de grau IV (relativamente não tóxico). Portanto, é falsa a afirmação de seja “atóxico”, fazendo então companhia ao feijão cru! Essa substância é similar a um hormônio natural dos insetos chamado de ecdisona, o hormônio responsável pela mudança de estágio durante seu desenvolvimento. Quando chega o momento da larva (ou ninfa) mudar de estadio juvenil, o nível do hormônio ecdisona sobe provocando inibição dos hormônios juvenis e assim ocorre a mudança de fase. A cada novo estadio o fenômeno se repete até que finalmente chega a forma adulta do inseto. Pois, a azadiractina bloqueia a síntese da ecdisona que não é produzido mais no organismo do inseto depois da ingestão da azadiractina, resultando uma severa interferência no seu desenvolvimento, levando-o à morte por inviabilidade biológica. A azadiractina tem uma atividade inseticida bastante curta de 7 a 10 dias, mas pode se prolongar dependendo da concentração em que foi utilizada e do inseto alvo. Sua DL50 (toxicidade) está entre 3.540 e 5.000 mg/kg e é preciso que o inseto ingira a azadiractina para que ocorra o efeito adverso; não há registro de absorção através da cutícula e, portanto, não tem efeito de contato. Dessa forma, aranhas, por exemplo, não são afetadas por esse inseticida. Aliás, a maioria esmagadora dos estudos de controle de pragas com o óleo de nim, aborda pragas agrícolas e não domésticas. Há um estudo sobre baratas americanas (Periplaneta americana) onde foi demonstrado seu efeito como redutor de desenvolvimento e diminuição dos ovos férteis. Em pulgas retarda o desenvolvimento, tem efeito repelente e provoca a produção de ovos inférteis. Em certas moscas, retarda o desenvolvimento e é tóxico para larvas. Ah, sim, não é fitotóxico (não afeta plantas).
Então, com tal perfil, por que não usamos mais o óleo de nim no controle de pragas aqui no Brasil? Poderia, mas seu custo ainda é alto e não há muitos estudos mais profundos sobre seu efeito prático em insetos domésticos. Algumas empresas desinfestadoras estão adicionando o óleo de nim a seus inseticidas como sinergista, mas ainda de forma um pouco empírica. Outras estão tentando utilizá-lo substituindo inseticidas químicos, em uma abordagem de menor risco ambiental. E há, infelizmente, outras que dizem empregá-lo (embora não o façam) como mero apelo de marketing, Tradução = propaganda enganosa!
Na Índia, possível local de sua origem, existe uma árvore frondosa que vive em média 200 anos que é um espanto: dela tudo se aproveita: frutos, sementes, folhas e caule. Naturalmente, o maior produtor de nim no mundo é a Índia, onde é conhecida há mais de 5.000 anos, mas o Brasil vai muito bem obrigado no cultivo do nim, introduzido em 1990, contando hoje com mais de 6 milhões de árvores plantadas. O nim tem propriedades notáveis em diversos tipos de uso que hoje dela se faz. Chama-se cientificamente de Azadirachta indica e é internacionalmente conhecida como árvore neen, aportuguesado para nim. A principal substância extraída do nim, é a azadiractina que nos interessa nesta abordagem como inseticida. Essa proteína vegetal tem sido amplamente estudada no mundo todo e a cada dia descobre-se um novo uso para proveito humano. Por exemplo, ela é usada até em cosméticos como shampoos (tônico capilar), sabonetes (sarnicida, antimicótico e outras afecções dermatológicas), pasta de dente (bactericida), etc. Na agricultura, a azadiractina é amplamente utilizada no combate e controle de uma grande variedade de insetos e outras pragas comuns (mais de 400 pragas). Na pecuária, tem sido utilizada com sucesso como carrapaticida e no controle da mosca dos chifres (o gado recebe folhas trituradas misturadas ao sal e o ingrediente ativo passa a circular no sangue do animal, de onde é sugado por certos ácaros e insetos hematófagos, onde vai atuar). Portanto, a azadiractina é extremamente versátil. Mas, vamos ao que nos interessa no momento.
A azadiractina, muito empregada na forma de óleo (conhecido como óleo de nim), é um inseticida botânico do grupo dos tetranortriterpenóides (da classe liminóide) extraído da árvore Azadirachta indica e é compatível com muitos inseticidas (onde atua como sinergista) e fungicidas. Aliás, esse estudo de compostos botânicos como adjuvantes e sinergistas para inseticidas, tem produzido inúmeras substâncias muito interessantes como a salanina, a gedunina, o azadirone, a nimbina, a nimbidina e o nimbirol, para citar apenas algumas. Desde o antigo e muito empregado butóxido de piperonila, muita coisa nova surgiu efetivamente!
A azadiractina já foi registrada nos Estados Unidos como inseticida geral com classificação toxicológica de grau IV (relativamente não tóxico). Portanto, é falsa a afirmação de seja “atóxico”, fazendo então companhia ao feijão cru! Essa substância é similar a um hormônio natural dos insetos chamado de ecdisona, o hormônio responsável pela mudança de estágio durante seu desenvolvimento. Quando chega o momento da larva (ou ninfa) mudar de estadio juvenil, o nível do hormônio ecdisona sobe provocando inibição dos hormônios juvenis e assim ocorre a mudança de fase. A cada novo estadio o fenômeno se repete até que finalmente chega a forma adulta do inseto. Pois, a azadiractina bloqueia a síntese da ecdisona que não é produzido mais no organismo do inseto depois da ingestão da azadiractina, resultando uma severa interferência no seu desenvolvimento, levando-o à morte por inviabilidade biológica. A azadiractina tem uma atividade inseticida bastante curta de 7 a 10 dias, mas pode se prolongar dependendo da concentração em que foi utilizada e do inseto alvo. Sua DL50 (toxicidade) está entre 3.540 e 5.000 mg/kg e é preciso que o inseto ingira a azadiractina para que ocorra o efeito adverso; não há registro de absorção através da cutícula e, portanto, não tem efeito de contato. Dessa forma, aranhas, por exemplo, não são afetadas por esse inseticida. Aliás, a maioria esmagadora dos estudos de controle de pragas com o óleo de nim, aborda pragas agrícolas e não domésticas. Há um estudo sobre baratas americanas (Periplaneta americana) onde foi demonstrado seu efeito como redutor de desenvolvimento e diminuição dos ovos férteis. Em pulgas retarda o desenvolvimento, tem efeito repelente e provoca a produção de ovos inférteis. Em certas moscas, retarda o desenvolvimento e é tóxico para larvas. Ah, sim, não é fitotóxico (não afeta plantas).
Então, com tal perfil, por que não usamos mais o óleo de nim no controle de pragas aqui no Brasil? Poderia, mas seu custo ainda é alto e não há muitos estudos mais profundos sobre seu efeito prático em insetos domésticos. Algumas empresas desinfestadoras estão adicionando o óleo de nim a seus inseticidas como sinergista, mas ainda de forma um pouco empírica. Outras estão tentando utilizá-lo substituindo inseticidas químicos, em uma abordagem de menor risco ambiental. E há, infelizmente, outras que dizem empregá-lo (embora não o façam) como mero apelo de marketing, Tradução = propaganda enganosa!
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Blatafobia = medo de baratas
Já vi muito marmanjo pular da poltrona onde estava refestelado ao simples surgimento de uma insólita barata no cenário. Já vi muito machão disfarçar quando a mulher grita: "- Uma baraaaata!". Já vi muito barbado enfrentar uma barata casual armado de uma vassoura de cabo o mais longo possível e cansei de rir quando, após uma valente vassourada, daquelas de quebrar espinha de gato, o valente ficar com dois pedaços da vassoura nas mãos. Afinal, por que tanta gente tem tanto medo de baratas? E será que todas as espécies domésticas de baratas provocam a mesma reação de repulsa e de asco?Tentando responder, ao que parece, a reação da espécie humana ante a visão de uma solerte barata é diretamente proporcional ao tamanho da dita cuja, quer dizer, quanto maior for a barata, maior será o medo do cidadão. As pequenas baratas alemãzinhas tão comuns nas cozinhas (Blatella germanica) não dão muito susto na moçada, mas uma barata de esgoto(Periplaneta americana), já taludinha, é capaz de provocar reações nada dignificantes em muitos espécimes humanos do sexo masculino. Cruz credo!
Está bem, eu também não gosto de baratas e olhe que não estou depondo como profissional do ramo. Acho até que ninguém gosta. Essa sensação de aversão que sentimos pelas abjetas baratas tem muito a ver com nossos tempos lá nas cavernas ou nos tempos em que morávamos em casebres feitos de barro e cobertos de palha, quando ainda não tinhamos mínimos conceitos de asseio corporal e higiene ambiental. As baratas estiveram entre os primeiros animais que logo perceberam as enormes vantagens de viver onde o homem vivia. Pouca limpeza, restos de alimentos por toda parte, migalhas, lixo não recolhido, faziam de nossas habitações verdadeiros paraisos para baratas de diferentes espécies. Contudo, vamos e venhamos, o contato físico de nossa pele nua com as pernas ásperas de uma barata, está bem longe de ser uma sensação agradável! Acordar no meio da noite com uma baratona raspando o canto de nossa boca onde uma gota de leite havia ressecado, deve nos ter gerado uma enorme aversão, bem anterior ao momento em que reconhecemos nas baratas o papel de disseminadoras de bactérias potencialmente perigosas.
Deve ser por isso!
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