quinta-feira, 13 de maio de 2010

REVISÃO TÉCNICA: BARATAS - PARTE I

A julgar pelo volume de solicitações que recebemos após a postagem da Revisão Técnica Pulgas, parece que a forma (e/ou o conteúdo) agradou a nossos leitores. Então, para que não se diga que não falei de flores, aqui vai outra revisão, agora sobre as baratas. É resumo, mas mesmo assim vamos ter que dividir em partes e ir postando aos poucos, porque o assunto é vasto, grande mesmo!
Sabem qual a idade das baratas em nosso planetinha? Apenas 350 milhões de anos. Os hominídeos mais antigos datam em torno de 13 milhões de anos, mais ou menos (sabemos disso pela datação dos fósseis já estudados); quer dizer, as baratas já estavam na Terra muito tempo antes do surgimento da espécie humana, tal como a conhecemos. Eu diria que estão bem mais evoluídas que nós! São mais de 4.000 espécies de baratas que já foram cientificamente descritas em todo o globo, embora apenas uma meia dúzia acabou se sinantropizando (vivendo em torno do homem) e nos causando muitos problemas. Até hoje os estudiosos discutem onde seria a origem das baratas, mas a voz corrente é que provavelmente se originaram em regiões tropicais onde predominam o calor e altos teores de umidade ambiental. Eles também concordam ao dizer que a época onde as baratas mais se disseminaram em toda a Terra, foi na época das grandes navegações e descobrimentos, quando as espécies asiáticas e européias passaram a ser transportadas pelas caravelas, naus, bergantins, chalupas e assemelhados. Onde houvesse uma carga em um porão, as baratas também se acomodavam folgadamente. Porões fétidos, sem circulação de ar, úmidos por natureza, com alimentos mal armazenados para a marujada que ali mesmo fazia suas refeições, pratos e utensílios mal lavados, restos e migalhas por toda parte, um verdadeiro paraíso para as baratas. Sem inimigos naturais a bordo, proliferavam livremente aos montões. Desembarcavam nos portos no interior das caixas mal rejuntadas da carga, desciam ativamente pelos cabos de amarração das embarcações e encontravam um novo mundo pronto para ser infestado. Em terra firme, um porto imundo na maioria das vezes, casas e galpões insalubres, taperas comprometidas e esburacadas, esgotos a céu aberto (geralmente uma vala contínua no centro dos arruamentos), lixo doméstico por toda parte e pouca ou nenhuma noção e comprometimento com a limpeza por parte dos cidadãos da época. Foi provavelmente a época de ouro na história das baratas! Como se sabe hoje, as baratas são caçadoras vorazes de percevejos, principalmente os sugadores de sangue que teimam em se esconder em nossos colchões (hoje, esses percevejos –bedbugs- estão assumindo papel cada vez mais preocupante especialmente em países de clima mais frio). Em seu interessante livro Viagem (1885), E.Foster nos conta que ele e todos os demais passageiros a bordo de um navio passaram noites terríveis sendo sugados por verdadeiras hordas desses percevejos (Cimex lectularis), até que aportaram na Ilha de Santa Helena (aquela mesma que serviu de prisão exílio para Napoleão). Ali, junto com uma determinada carga, subiu a bordo um grande número de baratas americanas (Periplaneta americana) que, pouco tempo depois, havia crescido enormemente em número. A partir disso, o número de percevejos foi declinando até desaparecerem. Em 1969, Mallis confirmou em estudos laboratoriais que as baratas americanas eram violentas predadoras de percevejos, atacando-os e devorando-os, o que explicou o fato relatado por Foster quase um século antes. Bem, a barata não é tão boazinha como pode parecer. Na verdade ela está envolvida diretamente na disseminação de inúmeras bactérias, fungos e vírus, alguns patogênicos (causam doenças) ao homem e aos animais, embora até hoje não se tenha descoberto nenhuma doença onde a barata atue como vetor biológico. Centenas de estudos já ligaram as baratas a certas doenças como conjuntivites, gastroenterites, infecções urinárias, toxinfecções alimentares, gangrenas gasosas, infecções de ferimentos, pneumonias, alergias, certas verminoses, micoses, hepatites, amebíases, giardíases e a poliomielite, porque dentro ou fora de seus corpos já foram encontrados os agentes causais dessas doenças. Chega ou querem mais?
São onívoras (comem qualquer tipo de alimento), mas preferem alimentos amiláceos como os cereais em todas as suas formas, alimentos adocicados ou açucarados e derivados do leite. Na sua dieta, figuram queijos, cerveja, couro (como o dos sapatos, roupas, cintos e móveis), cabelos, papel de parede, papéis em geral, selos postais, cola de caixas de papelão e qualquer matéria orgânica em decomposição (isso inclui cadáveres, naturalmente); gostam de frutas, especialmente as carnudas como as bananas, mangas, mamões, abacaxis e morangos. Todavia, não se contentam em nos roubar alimentos. Elas tem o péssimo hábito de anunciar sua chegada e passagem através de um odor execrável e nauseabundo, alem de deixar uma grande quantidade de fezes atrás de si. Esse odor repugnante para a maioria das pessoas, é resultante da combinação de seus excrementos com um fluido secretado por suas glândulas abdominais de cheiro, mais um outro fluido escuro regurgitado quando estão se alimentando. Quanta porcaria junta, não?
No mundo atual, as baratas acabaram encontrando novas maneiras de nos aborrecerem. Esses fluidos corporais a que nos referimos, atacam e oxidam rapidamente circuitos impressos, cabeças de leitura ótica e fios de diferentes aparelhos eletro-eletrônicos. Equipamentos de som e computadores são suas vítimas cotidianas.
Bem, o tamanho da encrenca já está mais ou menos delineado. Os leitores já tem bastante munição para explicar a seus clientes o perigo potencial das baratas. Podemos ver agora as espécies sinantrópicas predominantes em nosso país. Agora não, porque este post já está grande demais. Em alguns dias continuamos, certo? Não percam a Parte II.

sábado, 8 de maio de 2010

FIQUEI INJURIADO!

Estava fora de minha residência em São Paulo para onde voltei recentemente a fim de tratar de assuntos particulares. Chego no prédio onde resido e, afixado no porta avisos dentro do elevador, uma cópia de um certificado de controle de pragas emitido por uma certa empresa paulistana salta aos meus olhos. Havia sido executada uma operação de desratização nas áreas condominiais e o tal certificado, dentro das regras, fornecia alguns dados pertinentes. Li e fiquei injuriado, irritado mesmo!
O que eu li, mais uma vez me dava conta de como certas empresas controladoras estão despreparadas para executar adequadamente sua atividade laboral. Assinava o certificado um responsável técnico (nem vou lhes contar a que profissão pertence nosso coleguinha), mas não pude deixar de imaginar que esse profissional deveria ser chamado de “irresponsável técnico”.
Começando pela garantia dada pela empresa: seis meses! Vou repetir: seis meses! Claro, é uma garantia meramente comercial, sem nenhuma base técnica e os riscos envolvidos nessa garantia são de responsabilidade da empresa. Fui informado que a empresa executou apenas uma operação e não a repetiu como tecnicamente seria correto e indicado, embora tivesse se comprometido, de boca, a fazê-lo; disseram que voltariam em alguns dias “para ver como estavam as coisas”! Ainda que tenha executado o serviço empregando raticidas de dose única, certamente deveria voltar dentro de uma semana, talvez até uma terceira operação em mais sete dias, porque é certo que é impossível sabermos antecipadamente, quantos roedores estão infestando a área; e se alguns não conseguiram localizar e ingerir as iscas? Vão sobreviver ao tratamento único, certo? Bem, parece que a tal empresa ainda não sabe.
Olhei as informações dadas sobre os raticidas empregados. O que vi foi um amontoado de dados claramente destinados a leigos, pura “embromation”! Dizia que usaram três raticidas diferentes: isca (Klerat), bloco (Rodilon) e pó de contato (Racumin). Só que ao detalhar os produtos informaram que eram raticidas de três grupos químicos diferentes a saber: brodifacoum – classificado como cumarina; outro brodifacoum – agora classificado como benzotiopiranona e cumatetralil – classificado como hidroxicumarina. É ou não é “embromation”? Caramba, os três pertencem ao mesmo grupo químico: 4-hidroxicumarinas e ponto final! Acho que a empresa queria impressionar exibindo uma diversidade de “grupos químicos” para mostrar tecnologia, conhecimento científico ou qualquer outra presunção parecida. Sim, o certificado apontava como antídotos a vitamina K para dois deles e a vitamina K1 para o outro. Dá para comentar?
Foi pena que eu não estivesse antecipadamente presente, pois essa propostinha não passaria. Jamais! Tanta empresa boa, confiável, de bom nível técnico em São Paulo e meu condomínio foi escolher justamente uma que deixou muito a desejar. Azar meu, condômino, que paguei por esse “serviço”!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

SOBRE A RELAÇÃO DONOS DA CASA X EMPRESA CONTROLADORA DE PRAGAS – Parte III

Seguindo o raciocínio desse tema, resta-nos examinar o que pode acontecer na relação donos da casa e a empresa que ali executou o serviço de desinfestação. Vamos começar discutindo a participação e o envolvimento dos proprietários na obtenção dos desejados resultados de completo controle de pragas no domicílio. Para isso, sabemos, não basta que uma empresa venha borrifar biocidas na residência e estará tudo resolvido. Não é assim! Esse ambiente deverá ser modificado se pretendemos que permaneça refratário à instalação e sobrevivência de certas pragas. Medidas de correção do ambiente e outras de prevenção estarão a cargo dos donos da casa e não do profissional controlador de pragas que ali está apenas para eliminar as pragas já existentes naquele dado ambiente. Medidas como a melhoria geral das condições de asseio e higiene da residência, detalhes do armazenamento de alimentos e a manutenção adequada das instalações são medidas tipicamente a cargo dos proprietários e/ou ocupantes. Contudo, é obrigação do bom e preparado profissional controlador de pragas apontar a seus contratantes, o que está errado, o que está facilitando a entrada e sobrevivência das pragas dentro da residência, o que deve ser feito para evitá-las e principalmente o que pode ocorrer caso essas medidas não sejam adotadas. Por exemplo, se o proprietário não reparar uma ou outra goteira no telhado ou não remover obstáculos nas calhas condutoras de águas pluviais, poderemos ter umedecimento do madeirame de sustentação desses telhados, o que pode atrair a instalação dos chamados cupins de alvenaria (ou de madeira molhada); se os tapetes da casa não forem regularmente aspirados e o cão não for tratado, as pulgas continuarão presentes, independentemente do serviço antipulgas de uma empresa especializada. Muitos desses deveres dos donos da casa podem não ser tão óbvios e evidentes e a empresa controladora pode estabelecer relações permanentes com esses donos ao prover tais informações. Tais informações podem constar de algum folheto explicativo produzido pela empresa e entregue ao usuário da casa no momento da execução do serviço. Esses folhetos se prestam também a deixar claro que o controle de pragas não é uma questão apenas de aplicar algum produto milagroso. Na verdade, quanto mais o proprietário acreditar em curas milagrosas, mais aumenta a probabilidade de que venha a se decepcionar e assim comprometer a imagem que ele possa ter da empresa que realizou a desinfestação da residência. Falsas expectativas são a principal causa de chamados de queixas. Alguns clientes se queixam porque não foram avisados do odor dos inseticidas utilizados, outros se queixam porque sua casa ficou cheia de baratas mortas depois do serviço (de alguma forma eles achavam que os insetos iriam simplesmente desaparecer); outros ainda se queixam porque pulgas surgiram semanas após o tratamento. Todas essas coisas não gerariam queixas, caso os proprietários tivessem sido previamente esclarecidos pela empresa. Ao lado dessas necessárias informações, há uma lista de ações que devem preceder o tratamento da residência, tais como: esvaziar e limpar armários de cozinha, dos banheiros e de roupas de cama; remover alimentos e utensílios de cozinha colocando-os sobre mesas e cobri-los com lençol ou plástico, caso a técnica adotada no tratamento vá ser por pulverização, cobrir e vedar aquários, remover do ambiente os animais de estimação e assim por diante (um dia a gente detalha essa etapa). No pós tratamento é muito importante um chamado telefônico cerca de dois ou três dias depois, para saber como foram as coisas, se tudo correu bem, se apareceram pragas mortas e em que pontos da casa, etc. Essa pesquisa de satisfação pode dar à empresa uma série de informações muito úteis para novas abordagens nesse mesmo cliente e mesmo em outros clientes. O resto, os contatos posteriores e as formas de fazê-lo, fica por conta de cada empresa e seu nível de profissionalismo. É isso!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

SOBRE A RELAÇÃO DONOS DA CASA X EMPRESA CONTROLADORA – Parte II

Estávamos examinando as relações que se estabelecem entre os donos de uma residência e a empresa controladora de pragas chamada para resolver algum problema nessa casa. Dizíamos que essa relação pode ser observada em três momentos diferentes: antes, durante e depois. Já vimos a importância do pré atendimento e mais, a vistoria prévia, oportuna para coletar os dados essenciais à boa execução do tratamento. E durante o serviço na residência? O que pode ocorrer entre contratantes e contratados?
Nesse momento, há vários pontos importantes que merecem nosso reparo, pois o objetivo final da empresa controladora de pragas é obter bons resultados, ganhar assim a confiança dos contratantes e fidelizá-los de forma que a empresa receba um futuro chamado seu e talvez outros decorrentes dessa fidelização. Antes de mais nada, vamos já definir QUEM é a empresa controladora de pragas ? Essa figura virtual é representada por todas as pessoas que ali trabalham, da faxineira ao proprietário, especialmente aqueles que têm contato direto com o público, com a clientela. São esses funcionários a verdadeira “cara” da empresa. Portanto, o técnico que foi vistoriar a residência e os operadores da equipe que vai executar o serviço, são todos a “cara” da empresa. Assim sendo, é preciso prestar enorme atenção à “cara” que vamos exibir, certo? Uma equipe (chefe e operadores) bem apresentada (limpamente uniformizados, de barba feita,) certamente causará uma boa impressão inicial, especialmente descendo de um carro limpo e com boa aparência. Adequadamente treinados, evitarão palavrórios desnecessários e principalmente expressões de baixo calão. O chefe da equipe falará pelos operadores e dará todas as explicações solicitadas pelo cliente. O trabalho deverá causar o menor impacto possível ao ambiente e deve ser executado de forma tão limpa como possível. A equipe não deve fumar durante o trabalho, até por razões de segurança dos operadores. O chefe da equipe deverá dar as informações pertinentes ao serviço antes que ele comece a ser executado; o cliente gostará de ser devidamente esclarecido e informado sobre o que vai acontecer em sua casa. Como também vai gostar de saber os procedimentos que deve tomar após a execução do trabalho. Como conseguir que tudo isso venha a ocorrer? Uma só resposta: treinamento! Treinamento técnico e treinamento comportamental. Isso é tão importante quanto a obtenção dos resultados desejados. Acredite!
Mas, temos ainda que comentar o pós serviço, ou vocês achavam que tinha acabado? Assim que der, finalizo esse nosso passeio, OK?

terça-feira, 27 de abril de 2010

SOBRE A RELAÇÃO DONOS DA CASA X EMPRESA CONTROLADORA

Quando uma empresa controladora de pragas vai executar seu trabalho em uma residência, estabelece-se uma relação entre os donos da casa e a empresa, que pode ir de excelente à desastrosa, Pode gerar satisfação plena com o trabalho e os resultados alcançados, levando o cliente até a recomendar os serviços da empresa a seus amigos em seu círculo social e até estendê-los à empresa onde o cliente trabalha. Mas, também pode gerar incômodo, antipatia e insatisfação, o que geralmente leva a inevitáveis repasses, bem como os comentários negativos sobre a empresa dentro do círculo social dos donos da casa. Um ou outro resultado (e as graduações entre eles) vai depender, e muito, do comportamento da empresa antes, durante e depois da execução do serviço. O tempo do “Se não tem tu, vai tu mesmo” já passou e vai longe. Hoje, a concorrência no ramo do controle de pragas é acirrada e o cidadão que pretende usar esse serviço tem uma gama absolutamente ilimitada de opções para fazer sua escolha. Não me refiro à concorrência do “Zé Bombinha”, porque isso é uma praga dentro da praga! Este é, e será, inevitável por mais que sejam criadas regras e leis para coibi-los. Refiro-me à concorrência entre empresas controladoras estruturadas e capazes de dar ao cliente o que ele necessita. Há sempre muitas empresas desse nível, todas desejando ampliar o leque de seus clientes e fidelizá-los. Por isso, nunca será demais prestarmos muita atenção à relação que se estabelece com os donos de uma residência que chamou nossa empresa para efetuar um trabalho de controlar alguma praga que os estejam incomodando ou causando problemas maiores. O tema é vasto e o espaço de um blog é pequeno demais para que possamos explorá-lo adequadamente. Quem sabe um dia a gente escreve um GTO – Guia Técnico Operacional – para abordar somente essas relações comerciais entre cliente e empresa controladora, nos moldes dos GTOs anteriores. Enquanto isso não acontece, vamos dar um rápido passeio sobre o assunto, OK? Eu dizia que a relação empresa x cliente tem três fases distintas: antes, durante e depois da execução do serviço, as três igualmente importantes.
1) O Antes: tudo começa por um telefonema do cliente buscando a empresa. Atenção, o drama já está se desenrolando no palco desde o primeiro “Alô” da atendente na empresa. Falou -“Alô”- já falou errado! Não pode! Ninguém tem tempo a perder hoje em dia! Um simples e inocente “alô” já pode causar uma impressão errada da empresa na cabeça do cliente em potencial, pode já irritá-lo ou ele pode pensar que está falando com uma empresinha familiar onde a dona da casa tem mais essa missão, a de atender ao telefone e anotar recados para passar ao marido. Se na empresa atenderem com um alô, inicia-se um palavrório sem nenhum sentido: “-Alô”; “-De onde falam?”; “-É da Dedetizadora Zás-Trás”; “-Vocês atendem residências?”; “- Quem está falando?” blá, blá, blá... Quer dizer, um atendimento nada profissional e que pode ser desastroso, pois o possível cliente, já pondo os inevitáveis rótulos prévios, pode simplesmente encerrar rapidamente o contato iniciado. É preciso treinar os atendentes antes de tudo, para que dêem um atendimento telefônico profissional e correto desde a primeira palavra: o nome da empresa, um cumprimento, o nome do atendente e a pergunta sobre como pode ajudar o cliente. Pois bem, depois do atendimento inicial vem o encaminhamento do assunto e isso vai depender muito da estrutura montada para o atendimento em cada empresa. Perguntas detalhadas podem ajudar bastante a orientar a visita técnica que deve se seguir em data e horário devidamente marcado com o cliente. Falando nisso, em uma palestra que dei recentemente sobre esse tema, dois ou três proprietários de empresas controladoras manifestaram sua estranheza, alegando que seria impraticável uma visita técnica prévia ao serviço em uma residência, dado aos custos que isso acarretaria, diminuindo a margem de lucro. Antes que eu respondesse, na mesma plateia outros dois ou três empresários se manifestaram contrapondo-se, argumentando que era preferível aumentar o custo e garantir mais um cliente possivelmente fidelizado por ter sido bem atendido desde o princípio, do que arriscar perdê-lo ao passar uma impressão de descaso, aparecendo na residência já pronto para executar o serviço. Deixei a discussão que se estabeleceu rolar solta, para depois abordar os prós e contras de cada posicionamento.
Voltando ao tema “antes do serviço”, preciso comentar a enorme importância que tem o atendimento com data e hora marcada! Eu sei perfeitamente, que é difícil cumprir rigorosamente um horário que foi marcado, porque a equipe pode se atrasar em um serviço anterior, o que acontece com enorme freqüência. Mas, já existe um aparelhinho chamado “telefone celular” e outro chamado “rádio” pelos quais a equipe devidamente treinada deve comunicar à empresa a impossibilidade de cumprir o horário pré estabelecido, a fim de que o cliente possa ser devidamente notificado do atraso e para que lhe seja dada a opção de reagendar o serviço. Isso sim, é profissionalismo! Vejam, o cliente nem foi atendido e possivelmente já esteja satisfeito com o atendimento recebido até então.
Caramba! Isso já está ficando longo novamente! Retomo o tema neste ponto em alguns dias, OK?

sábado, 24 de abril de 2010

REVISÃO TÉCNICA: PULGAS – PARTE III (e última, acreditem!)

E vamos nós! Deram uma lida nas Partes I e II dessa revisão? Então, podemos ir em frente. Já vimos algumas das fantásticas capacidades e habilidades desenvolvidas pelas pulgas domésticas... por que? Há pulgas não domésticas? Claro! Há centenas de diferentes espécies de pulgas que não são propriamente domésticas (de dentro das residências), como por exemplo, a Tunga penetrans, popularmente conhecida como “bicho do pé” que é uma pulga geralmente de suínos e cães e que é um sério problema de saúde pública afetando severamente os seres humanos onde ocorre.
Posso continuar?
Bom, eu ia começar a falar sobre controle, mas lembrei-me que não custa comentar que 95% das pulgas existentes em uma residência encontram-se no ambiente e apenas 5% estão sobre o animal hospedeiro. Mas, é claro que existem muito mais ovos, larvas e pupas do que pulgas adultas na casa. Na verdade essa distribuição é mais ou menos assim: 5% pulgas adultas que estão no animal e, no ambiente, estão 50% de representados pelos ovos, 35% de larvas (em três estádios) e 10% na forma de pupas. Quer dizer, já deu para sentir que temos que atacar as infestações pulgas tanto no ambiente, quanto nos animais hospedeiros, certo? Primeiro vamos falar do controle sobre os animais. Não, não espero que o profissional controlador de pragas seja obrigado a abrir um departamento de “banho e tosa” na empresa para resolver essa parte do problema de seus clientes. Mas, vamos examinar essa parte porque o bom profissional, tecnicamente preparado, tem que informar seu cliente de tudo isso e alertá-lo que, se as pulgas adultas já infestantes do animal não forem completamente eliminadas, o problema da infestação na casa não será resolvido! Simples.
Como livrar o animal hospedeiro de suas incômodas e espoliantes pulgas? A primeira coisa que geralmente ocorre é um bom banho antipulga em uma loja especializada ou a aplicação de inseticidas sobre o animal, a opção é do proprietário. Contudo, aproveitando que sou veterinário, vou dar minha opinião: banhos antipulgas só em casas especializadas mesmo, capazes de eliminar 100% das pulgas que se encontravam sobre o animal naquele momento, mas nada de empregar algum inseticida durante o banho; muito arriscado. Por outro lado, a aplicação de algum inseticida tópico diretamente sobre o animal, é procedimento de risco pois, algumas raças tanto de cães, como de gatos, podem ser muito sensíveis a determinados ingredientes ativos de certos produtos e podem desenvolver reações alérgicas de diferentes graus. Confio em produtos à base de fipronil, mas não em todas as marcas existentes no mercado. Felizmente, o controle de pulgas sobre o animal evoluiu bastante nos últimos tempos e já existem certos produtos que na forma de comprimidos ou gotas, tem extraordinário efeito sobre as pulgas que estão sobre o animal. Caem mortas em 15 ou 20 minutos depois, pois o ingrediente ativo permanece por um certo tempo (relativamente curto) misturado ao sangue do animal, não o prejudicando, e sendo altamente letal para as pulgas quando ingerirem o sangue de seu hospedeiro, o que fazem com muita freqüência durante o dia. Para um tratamento duradouro, e a longo prazo, há outros compostos administrados igualmente sob a forma de comprimidos que, de forma sui generis, deixam as pulgas fêmeas completamente estéreis (deixam de gerar ovos férteis) e assim, a população de pulgas vai declinando ao longo do tempo até se extinguir totalmente. É um controle que demanda um certo tempo. De qualquer sorte, cabe ao profissional controlador de pragas orientar seu cliente para que busque a orientação especializada de um veterinário para conduzir esse programa, pois as dosagens dependem do peso do animal e de outros fatores como estado de saúde, idade, raça, etc.
OK, mas o que fazer para controlar as pulgas (as formas jovens) no ambiente da residência infestada? Que métodos pode o profissional controlador de pragas lançar mão para resolver o problema? Vamos por tópicos para facilitar a compreensão:
· Não se esqueça: o controle das pulgas que estão sobre o animal hospedeiro e as que estão no ambiente, deve necessariamente ser executado ao mesmo tempo, no mesmo dia, OK?
· Começar usando... um bom aspirador de pó! É isso mesmo! Deixe de lado seus inseticidas e equipamentos de aplicação e maneje um aspirador de pó, e dos bons. Não serve esses pequenos aspiradores bem intencionados mas de pouca potência. Tem que ser um profissional (ou semiprofissional) capaz de aspirar para valer a poeira e os ciscos de todos esses pontos onde se acumulam numa casa. Claro, é lá que estarão cerca de 95% das formas de pulgas infestantes da residência. Olhe, tenho um amigo dono de uma empresa controladora que, tendo adquirido um aspirador de pó possante, começava o trabalho por uma respeitável aspirada geral no ambiente antes de aplicar qualquer coisa; fez nome no controle de pulgas! E ganhou (ganha) um bom dinheiro com isso. Tornou-se a empresa mais chamada para resolver o assunto, atuando fortemente em condomínios de luxo, onde várias outras empresas haviam fracassado. Outra dica: antes de começar a aspirar, coloque dentro do saco coletor do aspirador, um envelope de algum inseticida em forma de pó; dessa forma, você vai aspirando e as larvas, pupas e pulgas adultas recém eclodidas e colhidas, já vão sendo eliminadas. Você vai me agradecer por essa dica quando abrir o saco coletor no momento de remover seu conteúdo.
· Peça à dona da casa que, imediatamente, coloque os panos e trapos que constituem a cama do cachorro ou gato, em fervura por 10 minutos. Todas as pulgas ali existentes serão eliminadas sem riscos intoxicativos posteriores para o animal hospedeiro.
· Prepare uma calda inseticida com seus produtos de preferência nas concentrações de rótulo e aplique pulverizando, por cobertura, os pisos. Não deixe faixas sem aplicação; treine seus operadores a aplicar por “overlapping” nessa técnica (a faixa seguinte superpõe um pouquinho a faixa anterior).
· Pulverize 100% dos pisos (atenção especial nos pontos onde os animais costumam ficar mais tempo) e também os primeiros 30cm das paredes na junção com piso. Atenção para os rodapés. Aplique também nos primeiros 30cm das cortinas junto ao chão e nos babados das poltronas e sofás, se houverem.
· Para esse trabalho, eu gosto bastante das formulações microencapsuladas, as quais concedem largo efeito residual. Cuidado na escolha de seu produto: há certos microencapsulados de baixa tecnologia que permitem o rompimento das microcápsulas já durante a manipulação preparatória (caracterizado por um forte odor inseticida quando abrimos o frasco). Só essa dica já fez valer todo o texto, não é?
Feito isso, amigo, é só correr para o abraço! Boa caçada e bons negócios!

terça-feira, 20 de abril de 2010

COMO SE CHAMA A BARATA?

Neste país da resposta pronta, imediatamente alguém diria: - “Não as chamamos... elas vêm por conta própria”. Piadas à parte, apenas como curiosidade, relacionamos os nomes locais que as baratas recebem em diferentes países. Vejam só:
- em português: barata
- em espanhol: cucaracha
- em inglês: cockroach (ou simplesmente roach)
- em francês: caffard
- em japonês: gokiguri (ou aburamushi)
- em chinês: catchá
- em italiano: scarafaccio
- em holandês: kakkerlak
- em alemão: schabe (ou kakerlake)
- em russo: tarakani
Aceitamos contribuições, caso você saiba o nome da barata em outra língua, além dessas aí citadas, OK?

sábado, 17 de abril de 2010

REVISÃO TÉCNICA: PULGAS – PARTE II

Na Parte I desta rápida revisão, vimos alguns pontos fundamentais da biologia e comportamento das pulgas domésticas, os quais servirão de base para abordarmos a questão de seu controle. Caso o leitor esteja acessando o blog pela primeira vez e se interesse por este tema, sugiro a leitura da Parte I (logo abaixo) antes da leitura desta Parte II.
Retomando, qual o melhor método para controlar pulgas, digamos, em uma residência?
Tradicionalmente, o combate às pulgas domésticas tem sido feito aplicando-se inseticidas no ambiente infestado, embora nem sempre os resultados sejam os melhores. Hoje já se sabe algumas razões que impedem o pleno sucesso. Na verdade, o conhecimento do controle das pulgas em residências avançou bastante, exatamente pelo aprofundamento dos conhecimentos da biologia da pulga e de lá foram tirados os fundamentos do controle. Por exemplo, a pulga pré-adulta quando está dentro de seu casulo protetor (fase de pupa) é capaz de detectar a presença de inseticidas no ambiente (para elas, um agente agressor) e assim, simplesmente não eclode e fica quietinha dentro desse casulo aguardando melhores tempos, isto é, que os inseticidas aplicados tenham perdido seu efeito, o que certamente ocorrerá em algumas semanas. Lembram-se que eu havia comentado que as pulgas podem ficar dentro de seus casulos até um ano sem se alimentar? E não é só isso! Para sair do casulo, a pulga doméstica detecta a presença de um certo teor de CO2 (dióxido de carbono) no ar ambiente que é, exatamente, o resultado da respiração dos mamíferos. A presença desse gás no ar do ambiente infestado, significa para a pulga a presença segura de uma fonte de alimento (sangue), um cão, um gato ou mesmo um ser humano. Quando ela percebe isso, imediatamente irrompe do casulo uma pulga adulta, literalmente esfomeada, buscando sua primeira vítima. Outro fator que pode provocar a eclosão dos casulos, são as vibrações que as pisadas dessa vítima provocam quando caminham nesse ambiente. As pulgas, um ser predador que teve milhões de anos para evoluir junto de suas presas (nós e nossos animais domesticados), desenvolveu essa capacidade de “ler e interpretar” o ambiente onde se encontra ainda dentro de seus casulos; combina a presença do CO2 atmosférico em taxas razoáveis com as vibrações das pisadas e sai do casulo. Mas, ela não fica imóvel depois que sai do casulo, esperando passivamente que sua vítima passe por perto. Na verdade, a pulga fica saltando o tempo todo. Descobriu-se que na base de suas desenvolvidas pernas posteriores (como todo inseto, a pulga tem três pares de pernas) existe uma proteína chamada resilina, que forma uma espécie de almofada de borracha elástica (usei essa comparação somente para melhor esclarecer, OK?) e que permite à pulga dar grandes saltos (até 30cm de altura) sem parar e sem se cansar, pois quase não há nenhum dispêndio de energia, graças à resilina. Pois é o que ela faz: saiu do casulo, começa a saltar feito uma louca. Qual é o objetivo desses saltos incessantes? É que nas pernas da pulga, existem umas espécies de farpas, ou ganchos de quitina (a proteína que forma seu esqueleto) e, se um gato ou cão por ali passar, talvez em um desses saltos ela apanhe o animal passante, se prendendo aos pelos da vítima com esses ganchos. Pronto, a pulga recém eclodida está salva! Caminha rapidamente por entre os pelos da vítima, busca preferentemente uma área do corpo do animal onde ele não consiga atingir com a língua (geralmente o dorso ou a parte posterior da cabeça e pescoço), e faz confortavelmente sua primeira refeição. Por outro lado, milhões de anos de estreita convivência entre cães ou gatos e seus principais ectoparasitas, as pulgas, deu às vítimas algumas armas de combate como, por exemplo, línguas ásperas (especialmente nos gatos) destinadas a remover pulgas dentro da pelagem. A Natureza é perfeita, não acham?
Isso tudo explica porque quando alguém entra em uma casa onde havia um animal de estimação presente e que tenha ficado fechada por meses (por exemplo, à espera de um locatário), mal dá alguns passos e suas pernas podem ficar lotadas de pulgas agarradas às calças do infeliz. São elas esperando pacientemente uma vítima salvadora. Quer dizer, se não tem tu (cão ou gato), vai tu mesmo (um ser humano)! Elas precisam desesperadamente de alimento e, embora não apreciem o sangue humano, na hora da necessidade ingerem o que tem. Mais tarde, se houver um cão ou um gato presente no ambiente, abandonam o ser humano e ficam por lá novamente pulando adoidadas aguardando que sua vítima de eleição passe por perto despreocupada.
O que mais? E tem mais ainda? Tem... tem um monte de coisas sobre as pulgas que já sabemos e, pode não parecer, mas isto aqui é apenas um resumo. Uma coisa só a mais: as larvas das pulgas buscam pontos do piso onde se juntem cisco e poeira, pois vão precisar desses materiais para formar seus casulos protetores quando chegar a hora de mudar de fase. E também é nesses pontos que vão existir fezes de pulgas adultas em maior quantidade, alimento necessários às larvas. As fezes caem livremente do corpo do cão ou gato em qualquer ponto da casa, basta que o animal se sacuda (as fezes de pulgas são aqueles pontinhos pretos que a gente observa junto à pele, quando abrimos o pelame do animal). Sim, tanto esses ciscos, como as fezes das pulgas, são depositados nesses pontos (junção de tacos ou das tábuas do assoalho, junções das lajotas de piso frio, tapetes, por exemplo), através das varreduras superficiais quando a casa está sendo limpa.
Caramba... este post já está ficando comprido demais e ainda não falamos do combate! Ta bom, então vamos interromper aqui e voltaremos a falar na Parte III que, prometo, não vai demorar muito, OK?Isso aqui já está parecendo o crime da mala, sô!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

REVISÃO TÉCNICA: PULGAS - PARTE I

Claro que um tema técnico dessa abrangência, não é assunto para um simples blog, eu concordo. Mas, começaram a me solicitar resumos de certas pragas urbanas para rememorar pontos importantes que poderiam estar presentes nas conversações dos profissionais controladores de pragas com seus clientes e mesmo certos pontos que pudessem ser expostos nas propostas de serviços. Dessa forma, vamos dar um rápido passeio sobre a pulga e suas implicações, sem esquecer o tratamento.
Como isto é apenas um resumo, embora dividido em duas partes, vamos por tópicos:
· As pulgas adultas são hóspedes permanentes dos animais, quer dizer, não ficam paradonas no ambiente esperando um cachorro ou gato passar. Na verdade, se tudo der certo, depois que conseguiram uma carona na sua vítima, procuram dela não mais sair Ali alimentam-se, acasalam, põem seus ovos e morrem (de velhice, se nada for feito contra elas ou se o animal não as removê-las com a língua)
· As pulgas não abandonam o animal para depositar seus ovos.
· Os ovos das pulgas não são pegajosos (como os dos piolhos ) e assim podem cair do animal em qualquer ponto da casa.
· A maioria das pulgas encontradas sobre um cão ou gato, originou-se na própria casa a partir de uma pulga fêmea que já estava maturando seus ovos quando passou um animal por perto durante um passeio externo.
· Poucas pulgas são coletadas pelo animal fora de casa. Portanto, o problema está no interior das residências e não lá fora.
· O alimento das pulgas adultas é sangue, exclusivamente sangue e nada mais.
· As diferentes espécies de pulgas acabaram se especializando na preferência pelo sangue de determinadas espécies de animais. Dessa forma, a chamada pulga do gato (Ctenocephalides felis) tem preferência pelo sangue de felinos, embora possa infestar um cão. Já a pulga do cão (Ctenocephalides canis), prefere o sangue de canídeos, mas se não tiver cão...
· A pulga é um inseto que se desenvolve por metamorfose completa: ovos – larvas (são 3 estadios) – pupas – adultos. Nas fases larvárias, se alimentam de bactérias, mofo e fezes das pulgas adultas onde há grande porcentagem de sangue mal digerido. Na fase de pupa, a pulga não se alimenta e na fase adulta, sangue.
· Na derradeira fase larvária, esta procura um ponto onde haja ciscos e poeira que ela vai utilizar para formar o casulo da pupa.
· Dentro da pupa, protegido, o préadulto pode aguardar as melhores condições ambientais (incluindo a presença de um animal de sangue quente – pode ser uma pessoa) por até um ano sem se alimentar, em estado de dormência.
· Nos países e regiões de clima mais quente ou tropical, o ciclo completo da pulga (de ovo a ovo) pode ocorrer em apenas duas semanas.
· Uma vez encontrado um hospedeiro, a pulga vai procurar infestá-lo permanentemente, onde se alimenta, copula, põe ovos.
· Se a pulga adulta não encontrar um hospedeiro dentro de 12 dias após ter saído do casulo, morre. E sobre o animal, também não vai muito longe (cerca de 7 ou 10 dias), pois a habilidade que os cães e especialmente os gatos em removê-las enquanto penteia seu próprio pelame através de vigorosas e repetidas lambidas, é notória.
· As pulgas podem provocar vários problemas aos animais que infestam. Transmitem tênias aos cães e gatos (Dipylidium caninum), produzem dermatites à vezes severas, podem causar anemia sobretudo em animais jovens. Ao ser humano, a pulga dos ratos (Xenopsylla cheopis) pode transmitir a peste bubônica e o tifo murino.
Quais o melhores métodos para combater as pulgas domésticas? Como este post já está ficando comprido demais, vamos examinar isso numa futura postagem, certo? Não demora, não!

A Arca (para matar a saudade)

Já que falamos em Arca de Noé, vale a pena recordar um de nossos cartoons do Higiene Atual impresso.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

FORMIGAS DOCEIRAS: ONDE NÃO TEM?

Lá vão elas! Em fila quase indiana para cá e para lá. São incansáveis, são trabalhadoras, são rápidas e estão em quase todas as residências, casas comerciais, indústrias, estabelecimentos alimentícios, hospitais e outros estabelecimentos de saúde, até em escritórios. Quando se encontram na trilha, se tocam rapidamente e “conversam”, na linguagem das formigas, obviamente (toques de antenas com diferentes intensidades, feromônios, odores). São numerosas e seus formigueiros quase sempre são muito simples, destituídos de estruturas complexas como os das formigas de jardim ou do campo. Saem detrás de batentes de portas e janelas, das placas de interruptores nas paredes, de rejuntes de azulejos quebrados, de rachaduras e gretas nas paredes, do interior de eletrodomésticos, de pequenos vãos, etc. À noite, saem aos montões e de dia, também saem, mas em menor número. Quando encontram um alimento, por mínimo que seja, se juntam para forragear ali mesmo ou para transportar pedaços ao formigueiro. Sua estrutura social é também simples quando comparada às espécies externas: uma rainha fértil (pode haver mais de uma) e operárias inférteis que realizam todas as tarefas necessárias à manutenção do formigueiro; machos só parecem nas épocas das revoadas nupciais quando os futuros reis e rainhas ganham asas. Uma característica interessante nas revoadas: as asas se desprendem alguns minutos depois que esses machos e fêmeas alados tocam o solo.
Existem numerosas espécies de formigas urbanas, mas há um pequeno grupo de cerca de seis ou sete espécies, chamadas no seu conjunto de formigas doceiras, que insistem em fazer em nossas casas seu habitat. As mais comuns são: a formiga fantasma (Tapinoma melanocephalum) que ganhou esse nome porque a cabeça e tórax são escuros, mas o abdome e pernas são bem claras, quase brancas; a formiga carpinteira (Camponotus spp) que são um pouco maiores que a fantasma e que usam falhas nas estruturas de madeira para abrigar seus formigueiros (atenção: não se alimentam de celulose); a formiga louca (Paratrechina longicornis) que anda em círculos em seu deslocamento, daí advindo seu nome; a formiga faraó (Monomorium faraonis) que é agressiva e domina as outras espécies onde chega; a formiga lavapés (Solenopsis spp) que prefere construir seus formigueiros no exterior da residência, fazendo monturos de terra bem aparentes; a formiga acrobática (Crematogaster spp) que pode ser reconhecidas pelo tórax (gaster) em forma de coração quando visto de cima; a formiga pixixica (Wasmannia auropunctata), fácil de ser encontrada nas roupas de cama e que ferroa de forma muito dolorosa; a formiga cabeçuda (Pheidole spp) assim chamada por motivos óbvios; a formiga argentina (Leniphitema humile) que não tem nada de humilde, aliás... Há ainda outras espécies doceiras que variam de região para região. Atrás desse inocente nome de "doceiras" reside uma grande perigo, pois as formigas caseiras podem levar em suas patas uma série de bactérias, algumas patogênicas (causadoras de doenças), um enorme risco, por exemplo, em hospitais e assemelhados.
Não são todos e nem qualquer inseticida que conseguem de fato controlar infestações dessas formigas. Algumas espécies, sentindo a presença de um inseticida aplicado em seu território, simplesmente se recolhem a seus formigueiros e ali ficam até que o efeito do produto passe ou o inseticida seja removido. Quer uma sugestão? Use um bom inseticida microencapsulado (elas não percebem!), mas que seja de boa qualidade e não deixe odor onde aplicado, se não...

terça-feira, 30 de março de 2010

NOSSA ARCA DE NOÉ É MAIS COMPLICADA

No bairro do Morumbi, em São Paulo, uma senhora toma um enorme susto com uma cobra que passeava pelo seu jardim. Em Belo Horizonte, uma menina de pouca idade é ferroada por um escorpião amarelo ao colocar o tênis assim que acordou. Passa mal, é internada e falece. No Rio de Janeiro e em Salvador, as autoridades sanitárias declaram-se incapazes de evitar um pico epidêmico de dengue hemorrágico que ocorre no verão e cuja taxa de mortalidade chega a 2%; a razão é uma infestação urbana descontrolada do mosquito Aedes, o transmissor dessa temida enfermidade. O Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura de são Paulo prevê um grande número de casos humanos de leptospirose, se voltarem a ocorrer inundações na cidade em decorrência das fortes chuvas de verão; a leptospirose é uma doença transmitida pela urina de ratos que habitam os esgotos da cidade. As autoridades sanitárias federais estão realizando sucessivos levantamentos em berçários de diversas maternidades no Brasil, devido ao expressivo número de óbitos em bebês prematuros que vêm sendo registrados; os resultados iniciais desses estudos demonstram que as bactérias causadoras das mortes dos bebês possivelmente estejam sendo disseminadas por baratas ou até mesmo formigas doceiras.
Seja como for, gostemos ou não, dividimos nosso meio ambiente urbano com uma enorme série de diferentes espécies animais que, em conjunto, sobrepassam-nos em número muitíssimas vezes. Muitos desses animais, infelizmente, são importantes transmissores de algumas doenças à espécie humana (zoonoses), por isso com eles nos preocupamos. Todo mundo sabe que cães e gatos podem transmitir a raiva e por isso necessitam ser vacinados todos os anos. Mas, quantos sabem que os inocentes camundongos podem transmitir a leptospirose de curso mortal em 11% dos casos? Que os lerdos escorpiões provocam cerca de 1% de óbitos entre as pessoas que foram ferroadas? Que as aparentemente indefesas e pequenas aranhas marrons causam a necrose de grandes porções de pele e músculo no ponto da picada, deformando as vítimas? Que uma simples picada da pulga de um rato pode nos transmitir a temida peste bubônica em algumas regiões do Brasil? Que um ridículo mosquito pode literalmente arrasar nossa saúde e nos por em risco de vida?
E quem é que cuida de tudo isso? Quem está fazendo alguma coisa para por um pouco de ordem nessa grande arca de Noé em que vivemos?
Bem, há uma porção de gente boa envolvida nos esforços permanentes e incansáveis de lidar com todas essas questões. Tem o pessoal dos órgãos públicos sanitários nas esferas federal, estaduais e municipais assoberbados com enormes problemas de saúde pública. Tem os pesquisadores e professores dos institutos de pesquisa e de ensino técnico especializado, que diuturnamente buscam novas abordagens de controle das pragas urbanas. Tem o pessoal das indústrias produtoras de insumos que permitem alcançar níveis de controle ou até mesmo erradicação. E tem os profissionais controladores de pragas, último recurso do cidadão comum para defender-se dos agravos de saúde trazidos por certas pragas. É muita gente envolvida nesse tema, todos os dias! Axé, minha gente, muito axé!

sábado, 27 de março de 2010

O MISTÉRIO DO FRANGORRATO – PARTE II

OK, vamos continuar a contar o mistério do Frangorrato. Dêem uma olhada logo aí abaixo para relembrar como a coisa começou e até que ponto havíamos chegado. Eu dizia que um acordo fechou a discussão e os queixosos saíram felizes (bem felizes!). O frigorífico também ficou feliz, por que não, já que conseguiram impedir que o caso fosse levado à mídia, o que contentou bastante o supermercado. Bem, o frigorífico não estava super feliz porque agora se preocupava em saber como aquele rato havia entrado no frango. Primeiramente, fotografaram exaustivamente o réu e enviaram-no para uma Universidade para melhores exames. O laudo (simples) apenas confirmou que o rato dividia seu espaço na carcaça com os pés, a moela, a cabeça e o fígado do galinhão, como era de se esperar. O intruso foi identificado como sendo uma ratazana (R.norvegicus) macho adulto (mais de 200g de peso). E nada mais. Sim a embalagem original não havia sido violada! O pessoal do frigorífico até que se esforçou bastante para tentar entender o que havia ocorrido, mas as hipóteses levantadas não satisfaziam. Então, nem me lembro como, fui chamado para tentar descobrir a trama. Lógico, no primeiro contato, uma reunião com o pessoal do frigorífico serviu para algumas respostas importantes. Antes de mais nada, eles mantinham sob contrato, uma empresa local controladora de pragas há cerca de 5 anos e nunca haviam registrado problemas com roedores no perímetro de suas instalações. Fui conhecer a linha de produção que mais ou menos era a seguinte: os frangos eram abatidos mecanicamente por corte do pescoço, as carcaças recebiam um banho com água ferventes já dependuradas em um sistema que se movia o tempo todo (como uma linha de montagem de uma fábrica de automóveis), passavam por uma despenadeira, eram evisceradas logo adiante, a cabeça, pés, moela e fígado eram separados e caiam em uma esteira rolante. A carcaça continuava e era depositada em uma mesa para preparo final, onde operárias colocavam as vísceras no interior de cada uma; a carcaça era então depositada sobre uma bandeja de isopor e envelopada por uma máquina. Dentro do processo, cada carcaça era manipulada e verificada no mínimo por três pessoas. Quer dizer, para que alguma operária dessa linha pudesse enfiar um rato morto dentro de uma carcaça, teria que haver um conluio entre elas, o que era altamente improvável, para não dizer impossível. Não encontrei sequer uma cíbala (fezes) de roedores no frigorífico. Examinei a canaleta de drenagem de águas utilizadas na linha de manipulação: limpa, higienizada e gradeada. Nada encontrei de suspeito na câmara frigorífica onde as carcaças eram estocadas até seu despacho para o comércio. Revisei meus conhecimentos e não encontrei uma única teoria que pudesse minimamente juntar o quebra-cabeças. Fui embora assoviando para disfarçar e até hoje me questiono, sem sucesso! Por via das dúvidas, anotei bem a marca do frango!
O mistério do frangorrato... continua um mistério!

quinta-feira, 25 de março de 2010

SOBRE O ÓLEO DE CITRONELA NA REPELÊNCIA A INSETOS

Recebo em meu e-mail uma consulta sobre a eficiência do óleo de citronela como repelente a insetos. Minha primeira impressão é que os profissionais controladores de pragas estão cada vez mais interessados nesses diferentes óleos essenciais vegetais para uso contra certas pragas. Outro dia falei sobre o Óleo de Nim (vide abaixo) e hoje vou comentar um pouco sobre o Óleo de Citronela, a pedido.
A citronela é uma espécie de capim aromático (lembra o napier usado para arraçoar gado bovino) originária do Pacífico e existem duas espécies (com diferentes teores de citronelal e geraniol, os princípios ativos responsáveis pela ação repelente). Uma é a citronela de Java (Cymbopogon winterianus) que possui maior teor repelente e a segunda é a citronela do Ceilão (Cymbopogon nardus). O conhecimento da ação repelente da citronela sobre insetos, especialmente alados, é milenar e há registros antigos de seu uso em diferentes situações. Na verdade, há vários outros usos interessantes para a citronela como nas dores, reumatismos, LER e inflamações articulares em massagens e fricções. O óleo essencial da citronela tem também sido empregado em coleiras de cães para evitar os ataques de moscas sugadoras e mutucas e até carrapatos e pulgas. Algumas gotas em dois litros de água produzem um ótimo desinfetante tanto para superfícies (pias, mesas, tábuas de carne, etc), como para verduras e legumes. Usado em velas, cremes e loções, o óleo de citronela demonstra uma notável capacidade de repelir insetos e proteger pessoas em áreas de borrachudos, mosquitos e outros voadores picadores.
Com essa capacidade em mente, usar o óleo de citronela combinado com inseticidas pode ser um contrassenso. Se queremos que o inseto entre em contato direto com a superfície onde aplicamos um inseticida, não devemos associar citronela, não é isso? Mas para o profissional controlador de pragas, o óleo de citronela pode ser uma interessante ferramenta para afastar (proteger) um determinado ponto de uma instalação do acesso de pragas, principalmente voadoras. E a planta, pode repelir? A resposta também é afirmativa, obviamente se forem plantadas em pontos aproveitando a direção dos ventos predominantes. Uma vez, recomendei numa granja de aves, que se plantasse pés de citronela intervalados por 1,5m formando uma linha de proteção em torno do galpão das galinhas. Funcionou muito bem! Ajudou bastante a reduzir o problema de moscas. O resto do controle foi químico e manejo adequado.

sábado, 20 de março de 2010

O MISTÉRIO DO FRANGORRATO

Minhas andanças como profissional controlador de pragas nestes últimos 40 anos, me levaram para as mais diferentes regiões do país e sempre tive novas oportunidades de me deparar com problemas verdadeiramente intrigantes e desafiadores. Toda a base teórica do conhecimento desse ramo de especialidade, muito valeu para a busca de solução de cada caso e raramente uma situação ficou sem explicação. Vou lhes contar um “causo” sem final feliz, onde a verdade nunca apareceu. Chamei esse “causo” de - O Mistério do Frangorrato. Vamos lá!
Fui chamado até uma cidade de Sta.Catarina para tentar resolver um incidente no mínimo intrigante. Uma dona de casa foi ao supermercado onde habitualmente se abastecia e adquiriu um frango inteiro frigorificado. O frango congelado adquirido estava devidamente lacrado em sua embalagem original e assim foi levado para a casa dessa senhora que havia planejado um solerte frango com farofa para o almoço dominical da família. Aliás, ela, na verdade, havia comprado dois frangos da mesma marca, ambos de porte avantajado, já que a irmã, o cunhado e dois sobrinhos também estariam presentes no ágape dominical. No dia previsto, a senhora mentalizou o que faria com os frangões (não consegui saber qual a receita que seria usada) e logo cedo os retirou para descongelar. Algumas horas depois, carcaças já descongeladas, essa senhora rompeu a embalagem de um dos frangos, removeu cabeça, pés, fígado e moela que muitos frigoríficos produtores inserem dentro da carcaça, e lavou as peças deixando-as reservadas. Pegou o segundo frangão e já ia proceder da mesma forma quando notou um apêndice estranho apontando do interior da carcaça. Era algo um pouco comprido, cilíndrico, da grossura de um dedo mindinho e com certos anéis em sucessão. Já meio horrorizada, ela aproximou a vista e notou que esse apêndice tinha alguns pelos hirsutos como se fosse uma cauda de algum animal desprovido de penas. Lembrem-se, o filme plástico transparente da embalagem original não havia ainda sido rompido. Parecia uma cauda... e era! Ela, com um grito de espanto e horror, identificou uma cauda de rato! Como? Uma cauda de rato? Que espécie de frango seria aquela que teria uma cauda parecida com a de um rato? Confusão na cozinha, ela chama a empregada e o marido como testemunhas. Pânico geral, por via das dúvidas o frangão retorna rapidamente à geladeira até segunda ordem e a família sai para comer pizza no almoço. Obviamente na segunda feira essa senhora e seu indignado marido iriam ao supermercado para exigir satisfações, levando o frangorrato embaixo do braço. O gerente examinou o réu com muito cuidado e sentenciou que, se a embalagem original estava intacta, como de fato estava, o supermercado não poderia ter culpa no cartório e assim a queixa deveria ser levada ao frigorífico que produziu o frangorrato. Mais ainda, o gerente afirmou que o estabelecimento sentia-se igualmente lesado e que iria pedir ao departamento jurídico um acompanhamento pessoal ao assunto. Dois dias depois desaba no frigorífico que, por sinal, localizava-se na mesma cidade da queixosa, uma verdadeira comissão de injuriados constituída pela vítima principal, seu solerte marido, seu advogado adrede nomeado, o cunhado que queria porque queria servir de testemunha ocular (ou talvez antecipando uma parcela do butim), o Gerente Geral do Supermercado e seu advogado e, obviamente, o frangorrato meio congelado. Recebidos formalmente pelo Gerente de controle de qualidade e dois de seus assistentes, devido à gravidade da situação, e foi realizada uma solene reunião de discussão do assunto. De um lado, o Frigorífico achando, a uma primeira análise, que era "armação" e que a Dona Maria estava querendo dar um golpe; de outro, as vítimas já achando que tinham tirado a sorte grande, e para completar a turma do supermercado querendo ficar de fora nesse "embroglio"! Conversa vai, conversa vem ficou claro diante da prova corporal que o caso do frangorrato era digno de crédito e merecia maiores cuidados. Foi feito um acordo inicial entre as partes, pelo qual o corpo de delito deveria ser submetido a provas e testes laboratoriais e periciais, envolvendo muma polpuda soma em dinheiro que passou rapidamente às mãos da queixosa, de seu marido e, por que não dizer, do cunhado. Sim, o advogado dela também levou uma fatia. Pois bem, agora o frigorífico conseguiu recuperar o frangorrato incriminador e foi à luta. Como e por que esse rato abelhudo havia se introduzido na carcaça do frango?
E foi aí que eu entrei na história, mas que deixarei para contar numa próxima postagem. Não percam!

quinta-feira, 11 de março de 2010

COMBATE A ESCORPIÕES: UMA DISCUSSÃO ANTIGA

Um colega mineiro me escreveu solicitando informações sobre o combate químico aos escorpiões, pois sua empresa tem sido consultada com frequência crescente sobre o problema. Ao mesmo tempo, cita que não pode ficar dizendo a seus clientes que não há nada a fazer, exceto medidas ambientais de prevenção. Contou que ficou numa “saia justa” quando ele deu essa orientação a um cliente que replicou: “- E o que eu faço com as dezenas de escorpiões que já invadiram o perímetro de minha casa e estão em toda parte?”
Para esse colega e para os leitores interessarem, comento:
1) Nas décadas de 50 e 60, os escorpiões eram combatidos (com certo sucesso) através da aplicação de organoclorados como o DDT, o BHC, o Lindane e o Clordane. Biocidas pesados e de amplo espectro, eram na época utilizados contra a maioria dos insetos e aracnídeos, tanto na lavoura quanto nas cidades.
2) Todavia, os organoclorados tiveram seu uso progressivamente limitado até que acabaram proscritos na década de 70. Isso se deveu ao seu persistente poder residual que mantinha esses biocidas por muitos anos no ambiente onde eram aplicados.
3) Por que os organoclorados eram eficazes contra escorpiões, já que esses artrópodes podiam perceber (através de suas organelas quimiorreceptoras situadas nos palpos e no peito) a presença de agentes agressivos no ambiente e assim permaneciam protegidos em seus esconderijos, sem se exporem por até um ano e sem se alimentarem? Porque a persistência no ambiente dos organoclorados era bem maior que apenas um ano e quando, finalmente, por uma questão até de sobrevivência, os escorpiões, vencidos pela fome, se expunham fora de seus abrigos, eram afetados pelos organoclorados ali aplicados e sucumbiam.
4) Depois de proibidos os organoclorados, como combatê-los? Foram tempos difíceis, porque os demais grupos de biocidas existentes na época (organofosforados, piretróides, carbamatos e outros de menor relevância), simplesmente não eram capazes de controlar uma infestação de escorpiões de qualquer espécie.
5) Por que isso acontecia? Os escorpiões eram imunes a esses compostos? De jeito nenhum! Se você pulverizasse diretamente um escorpião com a calda de qualquer inseticida, ele morria. Quer dizer, os escorpiões nunca foram imunes a tais grupos químicos.
6) O que acontece na prática é que os escorpiões nunca estão expostos, dando sopa, a espera que venham lhes borrifar com um biocida qualquer. Estão é muito bem protegidos em seus esconderijos. E esses grupos químicos têm uma meia vida pós aplicados muito menor que os organoclorados. Na verdade, seus efeitos residuais duram apenas algumas semanas. Ora, o que fazem os escorpiões? Simplesmente esperam que o efeito residual acabe e só então saem de seus abrigos para caçar. Por isso é que ficamos algumas décadas sem armas químicas eficazes contra escorpiões.
7) Nesse período, tanto os serviços públicos quanto os controladores particulares só podiam ensinar medidas preventivas - higiene ambiental, não acumulem entulhos que possam servir de abrigo, matem as baratas (principal fonte de alimentação urbana dos escorpiões), cuidado ao vestir roupas em áreas infestadas, etc.
8) Porém, na década de 90, uma nova formulação foi desenvolvida e passou a ser comercializada também no Brasil: os microencapsulados que alteraram radicalmente o combate químico aos escorpiões. Nessa formulação o ingrediente ativo do produto está encerrado dentro de diminutas microcápsulas de um polímero semelhante ao nylon. Dessa maneira, quando aplicamos um microencapsulado, o i.a. não está exposto e assim os escorpiões, incapazes de percebê-lo no meio ambiente, se expõem e deambulam em áreas que foram tratadas. As microcápsulas aderem ao corpo do escorpião e terminam por intoxicá-lo.
9) Portanto, novamente voltamos a ter uma arma eficaz de combate químico ao escorpião e centenas e centenas de casos de infestação de escorpiões foram resolvidos sem mais delongas.
10) Um alerta: pelo menos um dos microencapsulados existentes no mercado tem fraco efeito no controle de escorpiões, porque suas microcápsulas se rompem com facilidade já durante a manipulação do produto e, portanto, quando aplicado no ambiente, alerta os escorpiões os quais, então, não se expõem.
11) Sucede que nem tudo são flores no caminho do controlador de pragas. A instituição máxima da Saúde Pública em nosso país, a ANVISA, no que tange à saúde ambiental, sem ter realizado testes de campo e sem acompanhar a evolução natural do conhecimento, até hoje não recomenda o controle químico contra escorpiões limitando-se às velhas recomendações preventivas. Se fizeram testes, não publicaram os resultados para conhecimento dos técnicos. Apenas se posicionaram contra. Lamentável!
12) Há disponíveis no comércio especializado, pelo menos três produtos que a própria Anvisa concedeu registro como eficientes contra escorpiões. No entanto, a Anvisa não prestou atenção nesse detalhe e desrecomenda o combate químico aos escorpiões. Puro contrassenso.
Em minha opinião como técnico especializado e por ter estudado bastante o combate químico aos escorpiões (tendo inclusive publicado trabalho científico a respeito em co-autoria com o Eng.Agr. Clóvis Yassuda), os escorpiões de qualquer espécie podem ser combatidos e eliminados com a aplicação correta e adequada de certos biocidas microencapsulados de uso profissional exclusivo disponíveis no mercado nacional.
Qualquer coisa em contrário, vão ter que me convencer! Omessa!

terça-feira, 9 de março de 2010

REPELENTE PARA MOSQUITOS (AEDES E CULEX)

Recebi um e-mail interessante sobre um tal repelente para mosquitos feito em casa que gostaria de partilhar com meus leitores. Aviso antecipadamente que não o testei ainda; produzi, mas não tive a oportunidade de testá-lo. O criador, Sr.Ioshiko Nobukuni (nobukuniste@gmail.com) que se autodenominou um sobrevivente da dengue hemorrágica, afirma que os resultados são infalíveis. E denominou o repelente de “Repelente dos Pescadores”. Aí vai (apenas copiei e colei):

FAÇA O REPELENTE DOS PESCADORES EM CASA:
1/2 litro de álcool;- 1 pacote de cravo da Índia (10 gr);- 1 vidro de óleo de nenê (100ml)
Deixe o cravo curtindo no álcool uns 4 dias agitando, cedo e de tarde;
Depois coloque o óleo corporal (pode ser de amêndoas, camomila, erva-doce, aloe vera).
Passe só uma gota no braço e pernas e o mosquito foge do cômodo. O cravo espanta formigas da cozinha e dos eletrônicos, espanta as pulgas dos animais.
O repelente evita que o mosquito sugue o sangue, assim, ele não consegue maturar os ovos e atrapalha a postura, vai diminuindo a proliferação. A comunidade toda tem de usar, como num mutirão. Não forneça sangue para o Aedes aegypti!

Como eu disse, não testei. Será que algum leitor gostaria de “servir de cobaia” e depois nos contar se funcionou mesmo? A comunidade agradece!

domingo, 7 de março de 2010

CRENÇAS E CRENDICES Parte III

- As três espécies de roedores urbanos (sinantrópicas) nunca são encontradas no mesmo ambiente, porque os ratos pretos (R.rattus) eliminam os camundongos (M.musculus) e as ratazanas (R.norvegicus) eliminam os ratos pretos, certo? Errado! Embora não tão freqüente, podemos sim encontrar as três espécies comensais compartilhando o mesmo ambiente, bastando que cada espécie ocupe um nicho diferente e haja alimento à vontade para sustentar todas as diferentes colônias. De fato, a ratazana por ser de maior porte e mais agressiva, prevalece sobre ratos pretos e camundongos e os elimina em confrontos diretos. Sucede que esses confrontos raramente acontecem, primeiro porque as duas espécies menores, ao perceberem que seu território foi invadido por ratazanas, procuram imediatamente fugir e saem em busca de outro local onde possam estar mais seguras. E segundo, porque cada espécie tem seu nicho próprio: as ratazanas procuram o subsolo para fazer suas tocas e ninhos, os ratos pretos buscam permanecer longe do solo e os camundongos procuram aninhar-se em desvãos diminutos. Vi dois tipos de situações onde as três espécies conviviam. Uma foi em um Supermercado onde alimento não era problema para nenhuma das espécies infestantes; ratos pretos no forro de onde desciam somente para se alimentar, ratazanas em tocas escavadas nas junções de paredes e piso da área de serviço, entrando e saindo na área comercial e camundongos alojados em motores de balcões e gôndolas frigorificadas. A outra situação foi em granjas (avícolas e suinícolas) onde a ração dos animais provia todo o alimento que os roedores infestantes necessitavam: ratazanas esburacando o solo, ratos pretos alojados nas estruturas de sustentação dos telhados dos galpões de criação e camundongos aninhados nas pilhas de sacos de ração e de outros materiais. Portanto, ao inspecionar alguma instalação em busca de sinais que lhe permitam identificar a espécie infestante, admita a possibilidade de existir outras espécies presentes e procure as evidências. Lembre-se: as técnicas de combate são diferentes para cada espécie comensal.

- “As baratas têm os olhos tão desenvolvidos que conseguem enxergar em plena escuridão”. Não mesmo! Sendo um inseto noturno, as baratas não se orientam pela visão quando em plena escuridão. Para começar, as baratas tornaram-se ativas durante a noite e escondem-se durante a luz do dia, para terem mais chances de escapar de seus predadores que são incontáveis. Afinal, devido ao alto teor protéico das baratas, são elas alvos permanentes de uma série de predadores naturais: qualquer ave aprecia uma barata no almoço com destaque para as galinhas, incansáveis ciscadeiras, gatos brincalhões adoram treinar suas patadas em fugazes baratas que se expõem indevidamente, até ratos podem se aproveitar de um momento de descuido e mastigar uma barata mais lerda. Durante a noite, as baratas, tão permanentemente em risco durante o dia, podem relaxar e sair em busca de alimentos e água. Mas, isso se não houver algum voraz escorpião por perto, um aracnídeo também noturno. Como a escuridão impede a boa visão (exceto para os caçadores noturnos que desenvolveram a chamada “visão noturna” como os felinos, jacarés, corujas e cobras), a opção evolutiva das baratas foi desenvolverem outros sentidos e, quando na escuridão, orientam-se através do tato e do olfato (ambos situados em suas antenas). Seus olhos são relativamente pequenos e situados na cabeça que fica sempre fletida para baixo, abrigada por um escudo protetor. Portanto, baratas não enxergam bem no escuro.
Aliás, aí vai uma pitada de Cultura Inútil: os romanos dos primeiros tempos de sua civilização, chamaram as baratas de “lucífugas” (as que fogem da luz) e só mais tarde é que mudaram o nome para “blatta”.

quarta-feira, 3 de março de 2010

EXTRA, EXTRA: A RDC 52 VAI SER ALTERADA!

Acabo de saber que o item 9 da Seção III da RDC 52, o item mais crítico da Portaria, vai ser alterado. A Feprag e outras Associações de controladores de pragas estiveram em Brasília em contato direto com a Anvisa e conseguiram convencer as autoridades que a redação dada a esse item é bastante prejudicial aos interesses das empresas. Na verdade, tornou o negócio inexeqüível comercialmente (veja referência anterior neste mesmo blog postada em 17/02/2010).
A redação atual proíbe a instalação de empresa desinfestadora em prédio ou edificação de uso coletivo, seja residencial ou comercial, e em áreas adjacentes a residências ou locais de alimentação, creches, escolas e hospitais...
A nova redação, ao que parece, vai apenas proibir a instalação no mesmo prédio em que funciona estabelecimento de uso coletivo. Todavia, devemos esperar que a modificação seja publicada no Diário Oficial da União para que tenha valor legal e possamos comemorar dignamente.

PARA CONTROLAR BARATAS, INSETICIDA GEL/PASTA OU CALDA ?

Há uns 15 anos atrás mais ou menos, chegaram no Brasil os baraticidas em forma de pasta ou gel. Antecipados pelas notícias de sucesso no mercado norteamericano, essas então novas formulações foram bem aceitas por nossos profissionais desinfestadores. Afinal, era a grande novidade do mercado e como tal foi bem recebida por alguns (os progressistas) e nem tanto por outros (os conservadores). Lembro-me do esforço que o velho amigo Cenise (da Sol, distribuidora) teve que fazer para difundir e popularizar o Siege, então da Cyanamid e hoje da Basf, a primeira marca comercial lançada em nosso mercado. Foram dezenas e dezenas de reuniões, palestras técnicas e lançamentos comerciais em diferentes cidades brasileiras. Era preciso literalmente ensinar o novo conceito de substituir as costumeiras pulverizações por aplicação de pontinhos de pasta ou gel. O Siege (palavra inglesa de origem francesa que significa “cerco”) vinha até com um coldre e uma pistola dosadora remetendo à imagem de um sherife do velho oeste americano, obviamente apoiado em um plano de marketing que não havia sido adaptado à nossa cultura. Pouco tempo depois surgiram outros produtos similares e essas formulações acabaram por demonstrar sua eficiência e eficácia, umas mais e outras menos. A discussão inicial se aquela nova proposta para controlar baratas era melhor ou pior do que a pulverização de caldas inseticidas, perdura até hoje em certos núcleos de profissionais desinfestadores. O que se sabe, ao certo, é que ambas as técnicas podem ser eficientes, na dependência das condições ambientais onde o combate será travado, do grau de infestação, do manejo dado ao ambiente, do grau de treinamento dos operadores, da qualidade dos biocidas selecionados, da urgência na obtenção de resultados e outros fatores mais. Há vantagens para cada método e desvantagens também. Certamente, a pulverização de uma calda inseticida diretamente nas frestas, nichos, gretas e reentrâncias produzirá um resultado mais rápido e abrangente, porém o emprego de baraticidas gel ou pastas provocará bem menos distúrbio no ambiente tratado, contaminando-o significativamente menos e não tem necessidade de período de interdição. Cabe ao profissional avaliar os prós e contras de cada metodologia em função do ambiente a ser tratado para tomar sua decisão. Pense bem, não raro, a adoção das duas abordagens em tempos diferentes pode ser a chave do sucesso. Hoje já se fala até na aplicação de dois produtos em gel, aproveitando os melhores benefícios de cada (vide revista Vetores&Pragas Ano XII n°.23, pgs 22 -24). Quem decide é o leitor, afinal.

Contudo, cabe uma última discussão sobre essa formulação sólida; gel ou pasta? São diferentes e apresentam resultados diferentes? Vamos lembrar que pasta é uma formulação de base aquosa, enquanto o gel é uma formulação à base de derivados de petróleo. Os géis não desidratam e nem escorrem em ambientes quentes como cozinhas comerciais ou industriais. As pastas são mais úmidas, sofrem fermentação e por isso atraem mais as baratas. Mais uma vez chamo a atenção dos leitores: como em todos os ramos, há bons e maus produtos. No nosso ramo contudo, os resultados obtidos são fortemente influenciados pela qualidade do biocida empregado. Portanto, avalie bem a questão custo-benefício antes de decidir-se por este ou aquele produto. Para isso mesmo que você é um profissional desinfestador, afinal!