quinta-feira, 17 de junho de 2010

ARANHAS – PARTE II


Na primeira parte deste post falamos um pouco sobre as aranhas e as espécies brasileira mais perigosas. Vamos comentar agora sobre controle, que é que todos querem saber. Tenho boas e más notícias, mais más que boas! A má: controlar aranhas é bem complicado. A boa: mas dá para controlar!
Por que controlo baratas e outros insetos rasteiros com facilidade e não consigo bons resultados com as aranhas? Uma pergunta simples de resposta complexa. Em primeiro lugar, porque a maioria dos insetos rasteiros, quando parados, encosta boa parte de seu corpo sobre a superfície onde se encontra e, se essa superfície tiver sido tratada, o inseto vai ser afetado. Com as aranhas, isso não acontece. As aranhas não encostam o abdome no chão, nem as pesadas tarântulas. Elas se apóiam em suas pernas que terminam em ponteagudos tarsos, como se fossem pontas de alfinete. Quer dizer, a área que toca a superfície tratada é mínima e assim, a aranha não será afetada pelos produtos aplicados. Não é que as aranhas seja imunes ou resistentes aos biocidas empregados; o problema é que esses biocidas não são colhidos pelo corpo das aranhas em quantidade suficiente para afetá-las. Cappice? Se o operador pulverizar um biocida diretamente sobre uma aranha, provavelmente vai eliminá-la.
Vamos examinar outro ângulo da questão: o que come uma aranha? Inseto vivo. Ora, se conseguirmos eliminar a maioria dos insetos infestantes de uma certa área problema, já vamos interferir severamente na vida das aranhas ali existentes, tirando-lhes o alimento preferencial. Muito possivelmente, muitas delas vão buscar outros ambientes mais favoráveis.
Sim, mas a maior parte das aranhas caseiras se alimentam de insetos voadores capturados em suas teias! Correto, mas as aranhas que tecem teias de espera, permanecem nessas teias aguardando suas presas e se assim é, conseguiremos eliminá-las pulverizando diretamente a teia (e a aranha) com algum biocida!
E as aranhas de jardim (entre elas algumas bem perigosas) que se alojam em pequenos buracos na terra protegidos pela vegetação? Tratemos o jardim, pois! Podemos aplicar algum produto de formulação WP ou PM (pó molhável) apropriado para áreas abertas e que não seja fitotóxico (não afete plantas). Devemos pulverizar a calda (veja rótulo) tratando uniformemente toda a vegetação rasteira do jardim e aguardar alguns dias. As aranhas que ali vivem sairão de suas tocas para caçar durante a noite e vão tocar com seus corpos a vegetação assim tratada. O resultado acaba sendo sua eliminação pelo efeito do biocida empregado.
Outra coisa: aquelas minúsculas aranhas freqüentemente encontradas no interior das residências, geralmente escondidas atrás de móveis ou armários, conhecidas como “papa-moscas”, não têm nenhum risco significativo. Desaparecem quando a casa é desinfestada. E aquelas de corpo bem pequeno e pernas longuíssimas que fazem suas teias nos cantos e quinas junto ao teto, tampouco representam problema. Assustam, amedrontam um ou outro, mas são pacíficas e não atacam nem pessoas e nem animais (exceto suas presas representadas por moscas, pernilongos, mariposas e outros alados).
Os biocidas microencapsulados que produzem resultados tão bons no combate a escorpiões, pelos motivos expostos acima, não são tão efetivos contra aranhas.
Aí está uma panorâmica rápida e resumida do assunto aranhas. Espero ter ajudado de alguma forma.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

JOHN BERKENHOUT, O ESQUECIDO


Foi outro naturalista importante e eclético em sua época, também médico e militar. Dedicou boa parte de sua vida a descrever cientificamente muitas espécies animais, entre elas o Rattus norvegicus que a partir de então ganhou a paternidade de sua descrição: Rattus norvegicus (Berkenhout). Comentei em post anterior que depois do nome científico de ser vivo (animal ou planta) vai entre parênteses o nome do pesquisador que primeiro o descreveu; colocar esse nome não é obrigatório. Na época que Berkenhout descreveu a ratazana (1769), só havia 350 animais descritos. E bastou isso para deixar escrito para sempre seu nome nas citações científicas. Frequentemente erram, colocando o nome de Lineu após o nome Rattus norvegicus. Escreveu diversos importantes livros de história natural.
Não há muito na biografia conhecida de Berkenhout. É sabido que ele nasceu em Yorkshire, Inglaterra, em 1726 e morreu em 1791 e ainda jovem serviu primeiro no exército prussiano (poderoso na época) e depois no exército inglês. Em seguida estudou medicina e já começava suas atividades paralelas como naturalista. Durante a revolução da independência norteamericana, John Berkenhout Junior serviu como agente britânico. Será que foi por isso que se tornou um tanto esquecido na História?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

UM POUCO SOBRE ARANHAS

Tenho sido, com certa freqüência, perguntado sobre o tema aranhas em seus mais diferentes aspectos. Quais os riscos, que espécies são perigosas, como controlar, etc. Então, achei que seria interessante fazermos uma revisão superficial sobre esse tema, dividindo em duas partes, OK?
As estatísticas dizem que 50% das mulheres e 10% dos homens sofrem de aracnofobia (medo de aranhas). Pois é! Pode ser uma resposta instintiva ao risco de ser ferroado, herdado de nossos antepassados. Quem são elas, as aranhas? Já foram cientificamente identificadas mais de 40.000 espécies diferentes de aranhas em todo o mundo. São artrópodes peçonhentos (produzem e têm ferrões injetores de veneno), quatro pares de pernas, os segmentos do corpo (cabeça, tórax e abdome) fundidos em dois: cefalotórax e abdome, geralmente quatro pares de olhos, não possuem antenas e são produtoras de seda (glândulas localizadas no interior do abdome). Os fósseis de aracnídeos mais encontrados e estudados, datam do período Devoniano, ou seja, cerca de 386 milhões de anos atrás! Contudo, existe um exemplar de aracnídeo (Palaeotarbus jerami) que data do periodo Siluriano, com 420 milhões de anos e que já possuía uma forma bastante parecida com a forma das aranhas atuais! Vejam como as aranhas são evoluídas.
Praticamente todas as espécies de aranhas são carnívoras e caçadoras (algumas poucas são herbívoras), se alimentando geralmente de insetos, mas as de maior porte como as caranguejeiras, podem capturar filhotes recém nascidos de roedores e aves; não se alimentam de cadáveres. Na verdade, as aranhas só podem se alimentar de alimentos pastosos ou liquefeitos; algumas injetam na vítima enzimas que predigerem os órgãos internos e depois sugam esse conteúdo; outras rompem o tegumento da vítima e ingerem a hemolinfa (o que seria o sangue do inseto).
De uma maneira geral as aranhas vivem isoladas e só se agrupam nas épocas do acasalamento; em muitas espécies esse é um ato terminal, com a fêmea devorando o macho após o coito! Algumas espécies demonstram comportamento social formando colônias, o que é bastante útil quando se trata da defesa da prole. Algumas espécies tecem teias dos mais diferentes modelos, outras produzem tufos de seda apenas para forrar seu ninho. As fêmeas, segundo sua espécie, pode produzir de 1.000 a 2.000 ovos que geralmente ficam protegidos dentro de uma bolsa de seda até o momento da eclosão, quando saem as primeiras ninfas já dotadas de ferrão e glândulas de veneno.
Determinadas espécies são potencialmente perigosas devido à potência de seu veneno. Apenas alguns venenos de aranhas já foram estudados em detalhes. Esses venenos já estudados mostraram uma estrutura molecular complexa e contêm enzimas (e outras proteínas) que causam, no ser humano ferroado, diferentes sintomas e com diversos graus de severidade. Podemos citar dentre as aranhas mais perigosas em nosso país: a armadeira, a marrom, a viúva negra e as caranguejeiras.
Phoneutria (várias espécies): chamada de aranha armadeira, aranha saltadeira, aranha da bananeira. As armadeiras são de hábitos noturnos e não constroem teias, fazendo seu ninho em pequenas escavações e buracos na terra. Locais mais freqüentados: cantos escuros e isolados, escondidas em galhos secos caídos ao solo, pilhas de taboas de madeira, folhagens, em cachos de bananas, restos de materiais de construção. São bastante sensíveis à variação de temperaturas e, quando isto ocorre, buscam refúgio em ambientes mais quentes como, por exemplo, o interior das casas onde, com freqüência, se escondem dentro de sapatos. Quando ameaçadas, tornam-se agressivas e levantam e esticam verticalmente as patas anteriores preparando-se para dar o bote e ferroar. Os sintomas na pessoa picada se caracterizam por dor intensa no local da picada, náuseas, salivação abundante, suores frios e tremores no corpo todo. É preciso tratar com soroterapia em unidade hospitalar especializada.
Loxoceles (oito espécies no Brasil): conhecida como aranha marrom, com cerca de 5cm de tamanho incluindo as pernas, representa um dos maiores problemas de saúde pública no sul do país. Não é uma aranha agressiva (imagine se fosse!), mas seu veneno é muito potente e tem um efeito necrosante (produz deformações) na musculatura do ponto da picada. Eu vi pessoalmente uma menina que havia sido picada na coxa há algumas semanas por uma aranha marrom; coisa feia! Faltava um grande pedaço que havia necrosado e teve que ser extirpado cirurgicamente. No momento da picada, a dor parece à da queimadura de cigarro, o local começa a inchar e algumas horas depois o tecido em volta começa a necrosar. Pode produzir sintomas gerais como náuseas, febre, mal estar e urina de cor achocolatada. O tratamento exige soro antiloxoceles.
Latrodectus (três espécies no Brasil): chamada de viúva negra, essa pequena aranha (até 1 cm de circunferência), costuma habitar o solo em teias bem simples, principalmente onde haja vegetação rasteira, muito comum no litoral. De corpo escuro quase negro, tem uma característica marca vermelha em forma de ampulheta em seu ventre. Não dá para errar. Seu veneno não é muito potente e provoca sintomas moderados, como sudorese, mal estar, agitação e contrações musculares involuntárias.
Lycosa (várias espécies): são as conhecidas e temidas tarântulas (ou caranguejeiras) que, ao contrário do que se pensa, têm um veneno pouco potente. Figurante indispensável nos filmes de terror, a tarântula pode atingir grandes dimensões chegando a um palmo ou mais de diâmetro incluindo as pernas com muitos pelos. A maior aranha do mundo é uma tarântula que ocorre na região amazônica da Venezuela e do Brasil; é a Theraphosa blondi que chega a pesar 150g e ocupa uma área de 30cm de diâmetro incluindo as patas. É um bicharoco de meter medo. Quem quiser conhecê-la, ao vivo e a cores, basta visitar o Instituto Butantan de São Paulo. Lá tem cada uma! A bicha vive sozinha em buracos que escava na terra, forrados com sua seda. Algumas espécies constroem uma armadilha tipo alçapão capaz de capturar insetos que nela pisem (na armadilha, não na aranha, meu!). Alimentam-se de insetos, mas têm clara preferência por pequenos lagartos, filhotes de roedores e de pássaros. As tarântulas, defendem-se girando a traseira de seu corpo para o inimigo e com as pernas traseiras, executam rápidos movimentos de raspagem do terço final das costas, atirando seus pelos contra o animal ou a pessoa que a ameaça; esse pelos são urticantes e alergênicos. Se não conseguir espantar a ameaça, então prepara-se para defender-se com os ferrões, levantando suas patas dianteiras na vertical e preparando um bote, que é curto, diga-se de passagem. Nesse momento, ela dobra de tamanho! Lá mesmo no Butantan, quando ainda era estudante, fui observar mais de perto uma tarântula das cabeludas, devidamente encerrada dentro de um frasco de vidro grosso, o que me pôs mais à vontade. Essa aranha tinha nada menos que 8 olhos, dois dos quais bem grandes e eu podia jurar que ela também me observava, olhos no olho! Girei meu corpo um pouco à esquerda e ela voltou a cabeça para aquele lado; na dúvida, girei para o outro lado e a danada também girou o corpo, continuando a me encarar de frente. Dei a volta no frasco e ela também me acompanhou dando um giro completo. Quer dizer, tive a sensação que ela estava me avaliando como uma refeição em potencial! Tá bom, confesso, eu estou naqueles 10% dos homens que têm aracnofobia. Isso me fez lembrar uma cena do filme “Aracnofobia” (nome muito sugestivo) que fez um certo sucesso há uns 10 anos atrás. Havia um personagem, um Zé Bombinha americano (lá nos Estados Unidos também tem disso, ora se tem!) que levava duas pistolas em coldres na cinta, ligadas a dois pequenos tanques portados às suas costas e ele saia atirando nas aranhas, possivelmente um ácido porque as aranhas atingidas explodiam! Uma pândega, vale à pena ver buscar esse filme (quem ainda encontrar nas videotecas, um comércio em extinção). Pois é, esse coleguinha quando conhecia alguém, logo disparava a pergunta: “- Rato, cobra ou aranha?” A pessoa não entendia e ele explicava: “- Você tem medo do que?” Não é que o carinha tinha razão! Anos mais tarde, trabalhei com um técnico de laboratório na Seção de Vigilância Sanitária da Prefeitura de São Caetano do Sul; bom cara, competente e trabalhador, oriundo do Instituto Biológico, apelidado de Barba por motivos óbvios. Lá pelas tantas, horrorizado, descobri que ele mantinha escondida numa de suas gavetas, uma enorme tarântula como bichinho de estimação e que ela era alimentada com filhotes de camundongos albinos que eram criados no nosso biotério para serem usados no diagnóstico biológico da Raiva. Aproveitando minha condição de chefe, dei um ultimato: ou ele levava a monstrenga embora ou eu mandaria desinfestar o local. Um dia, ainda me informaram que as tarântulas têm vida longa, mais de 10 ou 15 anos! Quer dizer, a tarântula de estimação do Barba deve estar viva até hoje! Gorda, bem tratada! No Livro Guinness de recordes há o registro de uma tarântula que viveu 49 anos! Tô fora! A verdade é que há muita gente que cria as dóceis tarântulas como bichinho de estimação (já vi à venda em PetShops). Mas, tem cada uma!
De novo isso já ficou longo demais. Continuo outro dia.


terça-feira, 8 de junho de 2010

CARLOS LINEU, O PAI DA CLASSIFICAÇÃO SISTEMÁTICA


Prometi, vou cumprir. Vamos conhecer um pouco sobre CAROLUS LINNAEUS (Carl von Linné, em sueco, depois que recebeu o título nobiliárquico; Carl Linnaeus em inglês ou Carlos Lineu em português), talvez o maior cientista da áreas de ciências naturais de todos os tempos. Nascido em 23/5/1707 na cidade de Räshult na Suécia, faleceu a 10/1/1778 em Uppsala também na Suécia. Durante seus 71 anos de vida, a maior parte dedicada aos estudos e à produção de extensa obra, Lineu notabilizou-se pela criação da nomenclatura binomial dos seres vivos, a base da classificação sistemática atual, a que me referi no post anterior a este, o sistema que permitiu dar nomes científicos aos seres vivos. Em sua época, muitos cientistas tinham múltiplas habilidades e se dedicavam a várias áreas ao mesmo tempo. Da Vinci é um ótimo exemplo dessa multicapacidade inventiva. Lineu foi outro. Foi literato, poeta, naturalista, médico e botânico de sucesso; escreveu mais de setenta livros e 300 artigos científicos. De caráter irriquieto, Lineu dedicou muitos anos a viagens de estudo, primeiro pelos países eslavos e depois pela Europa. Ia estudando os vegetais e dando forma à sua obra máxima “Systema Naturae”, onde ele propôs a nomenclatura universalmente aceita e adotada de dois nomes (em latim) para definir o ser vivo (animal ou vegetal). Assim, uma planta que anteriormente se chamava “physalis amno ramosissime ramis angulosis glabris foliis dentoserratis” passou a se chamar simplesmente Physalis angulata (gênero e espécie). Grande Lineu, esse! Mas, como ele era inquieto, lá pelas tantas estudou e resolveu simplesmente inverter a escala termométrica Celsius (criada por Anders Celsius) que passou então a ter o zero como ponto de fusão do gelo e o 100°C como ponto de ebulição da água, redesenhando o termômetro. Cada vez que vocês olharem para um termômetro para saber a temperatura, agradeçam a Lineu por ter facilitado nossa vida! Grande Lineu, grande mesmo!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

NOME CIENTÍFICO: O QUE É ISSO?

Todos os seres vivos (animais ou plantas) têm dois tipos de nome: um, é o nome comum, popular, que todos conhecem, podendo variar de região para região dentro de um mesmo país. O outro, é o nome científico que nem todos sabem (pessoas comuns e até mesmo profissionais controladores de pragas) que é criado por estudiosos especializados que usam os conhecimentos da chamada Classificação Sistemática. Os nomes comuns são aqueles que escutamos e falamos corriqueiramente como barata, rato, escorpião, muriçoca, etc. Complica um pouco quando o mesmo animal (ou planta) é conhecido por mais de um nome comum; por exemplo: a ratazana que também é conhecida como rato de esgoto, rato pardo, rato cinzento, gabiru ou guabiru. Quem sabe dizer que animal é o “rato de botica”? Essa pergunta não vale para os maranhenses porque é de lá que vem esse curioso nome para o solerte camundongo, ou catita para os nordestinos. Pois é exatamente para evitar essa confusão é que existe o nome científico que tem caráter universal, sem regionalismos ou pátrias. Esse nome deve necessariamente ser do conhecimento dos profissionais controladores de pragas.
O nome científico é um nome composto por duas palavras (excepcionalmente três) e é sempre escrito em latim, pois assim determina a convenção internacional, ex: Rattus rattus. Deve ser escrito sempre sublinhado, mas modernamente se aceita que seja escrito em letras itálicas. A primeira inicial é grafada em letra maiúscula e a segunda inicial em letra minúscula. Você pode pensar no nome científico como se fosse o nome e o sobrenome do animal (ou planta). O primeiro nome é o gênero ao qual o individuo pertence, ou seja um grande grupo de seres meio aparentados que tenham muitos traços em comum, mas sejam diferentes entre si. Por exemplo, o gênero Rattus. O segundo nome é o da espécie, o qual define exatamente o indivíduo, não permitindo confusões. Ex: Blatella germanica. Às vezes pode surgir um terceiro nome que definiria a variedade, mas há hoje uma forte tendência entre os estudiosos de eliminar esse terceiro nome, considerando que se trata apenas de linhagens do mesmo animal. Por exemplo, o rato preto era chamado de Rattus rattus alexandrinus, mas passou apenas a Rattus rattus por que o alexandrinus (aliás, caracterizado por uma pelagem bi ou tricolor), foi considerado não mais uma subespécie, e sim apenas uma variedade do mesmo animal, considerando que as diferentes chamadas subespécies são análogas e geneticamente compatíveis. A bactéria causadora da peste bubônica, já foi nomeada e renomeada sucessivas vezes; até alguns anos atrás recebia o nome científico de Yersinia pseudotuberculosis variedade pestis. No entanto, seu nome atual ficou apenas Yersinia pestis.
Pode surgir em alguns escritos, um terceiro nome grafado entre parênteses, logo depois do nome científico. Ex: Rattus rattus (Lineu). Não se complique, isso é apenas o nome do pesquisador que, pela primeira vez, descreveu cientificamente o animal (ou planta); no caso exemplificado, foi o célebre Linneus que registrou a primeira descrição científica do nosso conhecido rato de telhado. Por falar nisso, um dia desses escrevo alguma coisa sobre esse tal de Lineu, só para vocês verem o trabalho desse pesquisador. Fantástico!
Pronto, agora vocês já sabem o que é e para que serve o tal nome científico dos animais (se é que ainda não sabiam, lógico!). Por exemplo, se um colega japonês se referir ao “yanenezumi” você pode não saber que ele esteja falando da nossa popular ratazana, mas se ele falar em Rattus norvegicus (não sei bem como soaria falado por um oriental), certamente você pelo menos entenderá o assunto! O nome científico tem lugar e hora para ser utilizado; não vá sair por aí dizendo para dona da casa que ela está infestada por Blatella germanica na cozinha e Periplaneta americana nos ralos e esgotos. A pobre senhora pode achar que está sendo invadida por E.Ts e não pelas conhecidas baratas alemanzinhas e americanas!

terça-feira, 1 de junho de 2010

TRIMILÉSIMO VISITANTE! HURRA!

Todos aqui da Redação do blog do Higiene Atual estamos comemorando a visita de número 3.000 - redatores, ilustradores, corretores, pautistas, jornalistas, linotipistas, estagiários, gráficos, conselho editorial, aspones, assemelhados, todos enfim comemoram efusivamente. Já bebemos juntos uma caixa inteira de champagne Veuve Glicot rosé! Tô brincando, lógico. Na redação deste blog, tem eu e mais eu carregando o piano. Ah, sem esquecer o David que também se diverte ilustrando certas matérias... quando ele acorda de bom humor. Ele ressuscitou a velha dupla David & Golias que publicava tiras cômicas no Higiene Atual quando era impresso.
3.033 visitantes até minutos atrás é uma marca nada desprezível para um blog altamente especializado em controle de pragas como é este aqui. Sabe por que? Porque são mais de 3.000 clicks de profissionais controladores de pragas que já nos visitaram desde novembro último quando o blog foi lançado. É ou não é para se orgulhar? Quer dizer, tirando as de minha mãe e minhas filhas que nos querem prestigiar ainda que os temas sejam áridos para elas, o resto é visita de gente interessada, além de especializada. E vamos em frente, porque atrás vem gente!
A nossos leitores, um solene e sincero muito obrigado, do Davi e do Golias!

UM MUNDO SEM DEFENSIVOS...

...seria, no mínimo, um mundo diferente daquele em que vivemos. De acordo com o Dr. Norman Boulaug, um dos cientistas já laureados com o prêmio Nobel, o banimento dos defensivos químicos no atual estágio do desenvolvimento humano, levaria inevitavelmente a uma dramática alta dos custos dos alimentos e uma queda fatal na sua produção. Recrudesceriam as doenças transmitidas por insetos e roedores com acontecimentos imprevisíveis e pondo em risco toda a espécie humana.
Os alimentos que consumimos hoje apresentam-se sem vermes, larvas e ovos, não devido à tecnologia em sua manufatura prévenda ao consumidor, mas sim devido às medidas de controle de pragas empregadas na lavoura, na pecuária, nas fazendas, nas granjas produtoras, nos silos e armazéns de estocagem, nas fábricas processadoras e nos estabelecimentos comerciais onde são vendidos ou consumidos. Em países mais desenvolvidos, como resultado de modernos programas de controle de pragas, as perdas de alimentos situam-se em torno de 10% do produzido, comparados aos 30, 40 e 50% de certos países terceiromundistas. É o triste ciclo negativo da produção alimentar!
Doenças transmitidas por insetos como a malária, o dengue, as encefalites, a peste bubônica, a febre tifóide, o calazar, para citar apenas algumas, estão hoje sob relativo controle no nosso e em outros países de ocorrência endêmica, muito em função de enormes esforços governamentais, da empresa privada e dos próprios cidadãos, fazendo uso de bases químicas transformadas em inseticidas tanto de uso profissional, como de uso doméstico, tentando recuperar o meio ambiente deteriorado e desequilibrado pela ação do próprio homem.
As discussões de fundo ecológico, tão em moda nos dias de hoje, freqüentemente são levadas ao radicalismo preservacionista, tão prejudicial quanto a febre desenvolvimentista a qualquer preço. Nessas discussões, não raro, os biocidas são colocados como vilões a serem denunciados, execrados e banidos. Sem eles, no entanto, as moscas seriam tantas que literalmente nos impediriam de abrirmos a boca, os pernilongos sugariam nosso sangue até a última gota e tornariam nossa vida insuportável disseminando zoonoses em níveis epidêmicos com conseqüências imprevisíveis, as baratas comeriam nossos alimentos deixando-nos à míngua e os roedores devorariam o que sobrasse. É claro que esse quadro pintado com cores intencionalmente fortes dificilmente ocorreria na prática, pois o bom senso nos diz que ainda não podemos abolir o uso de produtos químicos sem causarmos um enorme problema à própria humanidade. Mas, serve de incentivo à busca de soluções alternativas e mais avançadas para que possamos equacionar tal problema através de abordagens menos deletérias ao meio ambiente. Os sinais aí estão demonstrando que estamos no caminho certo; o surgimento já em fase comercial de defensivos biorracionais (controle biológico e bioquímico), alguns altamente específicos contras seus alvos, indica o caminho. Quanto tempo mais? 15 anos, 30? Mas, vai acontecer, tenho a certeza.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

21 RECOMENDAÇÕES AO OPERADOR PARA FAZER A EMPRESA PERDER UM CLIENTE



1. O operador (se possível todos os operadores de uma equipe) deve apresentar-se ao cliente com os sapatos muito velhos e desgastados ou tênis sujos.
2. Se seus sapatos estiverem com as solas sujas, não se preocupe em limpá-las antes de entrar na casa do cliente.
3. Use um uniforme manchado ou vá com uma camisa desabotoada no peito.
4. Não se barbeie por um ou dois dias.
5. Atrase-se no compromisso marcado e não telefone avisando que vai se atrasar.
6. Não se desculpe por ter atrasado.
7. Tente chegar justamente no horário de refeição da família.
8. Deixe seu veículo destrancado, principalmente se houver crianças por perto.
9. Bloqueie com seu veículo a garagem do cliente.
10. Caminhe diretamente sobre a grama do jardim para chegar à porta do cliente.
11. Toque de maneira repetida a campainha, demoradamente.
12. Chegue à porta com um cigarro dependurado nos lábios.
13. Não cumprimente o cliente, apenas grunha.
14. Vá executar o serviço com um pulverizador todo amassado, enferrujado ou sujo.
15. Pareça aborrecido quando estiver trabalhando.
16. Não percorra previamente a área a ser trabalhada junto com o cliente, apenas comece a executar o serviço.
17. Não explique nada ao cliente sobre o que está fazendo e porquê; nada fale sobre as precauções que devem ser tomadas.
18. Encha seu pulverizador na banheira do cliente e saia respingando tudo e também deixe o bico babando o tempo todo.
19. Descanse seu pulverizador bem no meio da sala sobre o carpete ou, de preferência, sobre um tapete de valor.
20. Não se dirija ao cliente pelo nome e aja como se não soubesse como ele se chama. Use chamativos como: minha querida, meu caro, minha amiga ou qualquer outro epiteto íntimo.
21. E, finalmente, se você tiver que falar, comente como é desagradável seu trabalho, como seu patrão é miserável, como você ganha pouco, etc. Ah! Não se esqueça de usar alguns palavrões aqui ou ali no meio da fala. Especialmente se houver mulheres presentes!

(Esse artigo foi publicado no periódico impresso Higiene Atual em abril de 1993)

terça-feira, 25 de maio de 2010

REVISTA DA ABCVP 24


Saiu a edição no. 24 da revista da ABCVP – Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas, uma revista especializada voltada para temas de interesse dos profissionais controladores de pragas. Nesse número, abriram um espaço para este blogueiro e publicamos um ensaio denominado “SOBRE DINOSSAUROS E ROEDORES”, fugindo um pouco ao lugar comum quando se fala sobre roedores. Aliás, esse número da revista é dedicado a esse tema. Em nosso ensaio, procuramos as origens evolutivas dos roedores desde os tempos ancestrais, dentro da linha darwiniana de pensamento (evolução das espécies). Aliás, já vou adiantando, esse ensaio é uma espécie de sumário de um capítulo do meu próximo livro sobre roedores, sendo ainda escrito, mas em fase final; penso que poderá ser publicado em 2011. Gostei de ter escrito esse ensaio; quem sabe o leitor deste blog possa também gostar de lê-lo. Para quem ainda não sabe, uma assinatura da revista pode ser adquirida a partir do próprio site da Associação: www.abcvp.com.br/revistas.html

MENSAGENS NO BOX


Para deixar sua pergunta em nosso "box" siga as instruções ao lado.
Tentarei responder todas as dúvidas no box ou em um "post" quando o assunto for pertinente e a resposta muito longa.
Se preferir, deixe comentários nos próprios posts.
Obrigado.




sexta-feira, 21 de maio de 2010

REVISÃO TÉCNICA: BARATAS III


Esta já é a terceira parte da revisão sumária que nos propusemos postar no Higiene Atual; portanto, quem não fez, sugiro ler antes as partes I e II.
Qual seria o nível tolerável de baratas em uma cozinha comercial, por exemplo? Nível zero, seria a resposta correta! A presença de baratas em uma cozinha de um restaurante, ou de uma indústria, é absolutamente inadmissível e não me venha com churumelas dizendo que é “impossível” erradicar as baratas de uma cozinha, que temos que aprender a conviver com elas e outros babados semelhantes. Conversa mole pra boi dormir! Tolerância zero é o objetivo de qualquer empresa controladora de pragas que se preze. Não estou dizendo que vai ser fácil, apenas digo que é possível sim, atingirmos níveis de controle absolutos de baratas em cozinhas comerciais e industriais. Temos armas e temos o conhecimento para tanto. As queixas dos profissionais que não alcançam esses níveis são as mais variadas, algumas até explicam, mas não justificam. É porque o proprietário não toma conhecimento do problema, é porque os azulejos estão quebrados, é porque eles lavam a cozinha todos os dias removendo os inseticidas aplicados, é porque os empregados da cozinha não preparam o ambiente previamente para que se possa tratar a cozinha corretamente, blá, blá, bla... Ora essa, uma empresa que se propõe assumir a responsabilidade de assinar o controle de pragas pelo estabelecimento, não pode curvar-se às adversidades e dificuldades, aliás bem típicas de nosso negócio, não é? Adaptação, criatividade e informação são as chaves para mudar um quadro adverso que esteja obstaculizando nosso trabalho.
Por que a barata alemanzinha é tão difícil de ser controlada na cozinha de um restaurante ou em uma lanchonete, por exemplo? Bem, lanchonetes, bares, padarias, rotisserias, restaurantes, cozinhas industriais e outros estabelecimentos assemelhados apresentam muitos aspectos em comum que facilitam sobremaneira a livre instalação e proliferação de baratas. Lembram-se do quadripé vital da biologia das baratas? Água – alimento – abrigo e acesso. Está tudo lá! Antes de qualquer outra discussão: quanto pior for a higiene do local, maior será a probabilidade de sobrevivência das baratas. A presença combinada de sujeira, restos alimentares, capas de gordura em maquinários e utensílios, altas temperaturas, umidade e completa falta de um programa de controle, são fatores que facilitam sobremaneira a intensa proliferação das baratas nesses locais. De seu quadripé biológico, qual o fator mais importante para as baratas em uma cozinha? Nas cozinhas comerciais e industriais, água e alimento são os fatores mais comuns e difíceis de serem equacionados, pelo próprio tipo de trabalho que ali é desempenhado, por mais limpo que seja esse ambiente. Um simples pedaço de pão esquecido atrás de uma geladeira já é suficiente para alimentar um séqüito de baratas durante um bom tempo e água, existe à vontade. Portanto, parece-nos que o pé de apoio mais frágil seria o abrigo, os esconderijos dessa população de baratas infestantes de uma cozinha. É por aí que devemos começar. Temos que demonstrar ao nosso contratante os problemas fundamentais representados pela existência de abrigos para baratas em uma cozinha e que se isso não for completamente corrigido, não conseguiremos entregar o que foi contratado. Eu sei que o proprietário ou o gerente tem mil outros problemas para resolver e talvez dê pouca atenção a nossos reclamos, mas temos que insistir nesse aspecto. Uma boa câmera fotográfica digital pode operar maravilhas na cabeça de nossos contratantes! Não esmoreça. Outra coisa, há que convencê-los que a limpeza úmida profunda, com água, sabão, escovões e mangueiras, deve ser executada antes que apliquemos os inseticidas, óbvio! Depois do nosso trabalho, só um pano úmido para remover respingos indesejáveis e nada mais, por um certo tempo.
Que métodos podemos utilizar para eliminar as infestações já existentes? Pulverização de calda inseticida ou iscas baraticidas? Essa é uma decisão de cada empresa, já que os dois métodos podem levar a bons níveis de controle. Mas, se queremos algo melhor, se queremos chegar ao nível zero de infestação, além das medidas corretivas do ambiente a que nos referimos, é preciso atacar o problema de forma mais rígida e abrangente. Quero sugerir o tratamento combinado empregando pulverização e iscas. Eu creio que os tratamentos iniciais de uma cozinha infestada devam ser executados pela pulverização de calda inseticida (à escolha do profissional), com freqüência mensal ou quinzenal inicialmente, pela técnica de tratamento localizado, onde o operador vai injetar a calda em todos os pontos onde possivelmente baratas se escondam. Nessa técnica, deve-se usar bico em leque ou em agulha. Leva mais tempo, porém o resultado final é bem melhor que outras técnicas. Uma vez debelado o grosso da infestação, no momento em que os focos principais já tenham sido extintos è os secundários reduzidos, podemos entrar com a aplicação de baraticidas gel (prefiro mais que pastas), aplicados em pontos os mais frequentados pelas baratas. A cada três meses, voltar a tratar por pulverização para eliminar focos insurgentes. Alguns aspectos muito importantes devem ser observados na adoção desse método:
· É vital a recuperação das estruturas danificadas ou que estejam dando abrigo a baratas. Isso é fundamental e deve ser negociado com seu contratante.
· Se o ambiente não for higienizado de forma correta, fotografe e exiba a seu contratante como prova. Seja impiedoso nessa cobrança!
· Orientar seu contratante para que não permita a entrada livre de embalagens de mercadorias e alimentos diretamente para a cozinha. Tudo deve entrar somente em caixas plásticas para as quais os alimentos e mercadorias tenham sido transpostos em uma área externa qualquer.
· Nunca use tratamento espacial (termonebulização ou atomização) em uma cozinha, sob risco de contaminar tudo que lá se encontre.
· Acerte uma freqüência operacional de acordo com o grau de infestação encontrado a cada instante. Isso é necessariamente mutante e dinâmico.
· Selecione os inseticidas e baraticidas a serem empregados, pela qualidade. Não abra mão disso! Os resultados compensarão (e muito) um eventual maior custo aparente da matéria prima.
Certamente há outros métodos e técnicas que eventualmente poderão conduzir a bons resultados, não discuto. O que relatei, é minha opinião pessoal, nada mais. Boa caçada e bons negócios!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

PHOMOLACTONA – NUNCA HAVIA OUVIDO FALAR!

Nossa leitora Ivone nos enviou uma pergunta sobre o eventual uso da phomolactona, como inseticida biológico. Eu nunca havia ouvido falar e, bem por isso, me interessei. Andei dando uma pesquisada geral no tema e perguntei a uma especialista; quase nada encontrei, mas assim mesmo quero compartilhar o que achei com nossos leitores.
Ao que depreendi, a phomolactona é um dos metabólitos produzidos por certos fungos encontrados dentro de colmeias de abelhas, potencialmente responsáveis por uma ação antifúngica contra fungos patogênicos, quer dizer uma substância produzida por um fungo que tem ação contra outros fungos que podem causar doenças nas abelhas. Dessa forma, a colméia ficaria livre desses fungos patogênicos. O que é a Natureza, não? Mas, não há quase nada disponível na literatura científica sobre a tal phomolactona 4,5 (S)-[1-(1(S)-hidroxibutil-2-enil)]dihidrofuran-2-ona, exceto o que já citei. Não sei de onde nossa amiga Ivone tirou essa informação e confesso minha ignorância nesse tema. Contudo, a menos que eu esteja profundamente desinformado, a phomolactona pode ter ação antifúngica somente, não causando qualquer problema aos insetos. Raciocinemos juntos: se a phomolactona fosse deletéria aos insetos, não seria produzida no interior de uma colméia, certamente! Mas, como nada sei sobre esse tema, melhor me calar do que falar bobagem.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

REVISÃO TÉCNICA: BARATAS - PARTE II

Retomando nossa sumária revisão do tema Baratas (para os leitores que estão acessando o blog pela primeira vez, a Parte I deste tema está logo aí abaixo; sugiro sua leitura antes de ler este post), das mais de 4.000 espécies distintas de baratas já descritas cientificamente (e provavelmente outro tanto jamais observadas), como dissemos anteriormente, apenas umas poucas se aproximaram do convívio com o homem nos núcleos e centros urbanos. No Brasil, não mais de três ou quatro espécies percorreram esse caminho, a começar pela notória barata alemanzinha (Blatella germanica), também chamada de francesinha ou mesmo paulistinha, devido à alternância de bandas escuras e claras longitudinais no seu pronoto (o escudo protetor da nuca, sob o qual a cabeça está fletida), lembrando as listras da bandeira francesa ou paulista, como queiram; também é chamada de germânica, obviamente devido ao seu nome científico. Na verdade são apenas duas faixas escuras sobre um fundo mais claro. As baratas alemanzinhas adultas não medem mais que 1,5cm de comprimento; cor marrom em diferentes tons, mas os machos são mais claros que as fêmeas e as ninfas são bem escuras; produzem proles o ano inteiro, o que é favorecido por ambientes úmidos e com temperatura ambiente acima de 21°C (ex; cozinhas); a fêmea carrega consigo a ooteca (estojo de ovos) durante todo o tempo de maturação das pequenas ninfas em seu primeiro estádio e só a deixa quando a ooteca está pronta para eclodir liberando em torno de 30 a 40 ninfas, podendo chegar a 48 ou 50. Cada fêmea pode produzir cerca de 4 a 5 ootecas ao longo de sua vida que dura em torno de 200 dias. Preste atenção nessa fantástica capacidade de reprodução e o leitor vai descobrir por que controlá-las não é tarefa fácil. Todas as baratas são insetos de desenvolvimento por metamorfose incompleta (ovo-ninfas-adulto) e, segundo Noland (1949), a barata alemanzinha pode ir de ovo à adulta em cerca de 36 dias (temperatura ambiente de 30°C); contudo, a média em condições normais (27°C com 40% de umidade relativa do ar), oscila em torno de 50 a 60 dias. A B.germanica não aprecia viver a céu aberto, mas sob certas circunstâncias pode ser encontrada no peridomicílio. Em 1982, o conhecido especialista Frishman, o americano que algumas vezes já esteve no Brasil encantando-nos com suas animadas palestras sobre baratas, relatou haver encontrado uma pesada infestação de baratas germânicas no interior de um grande e velho aparelho de rádio no vestíbulo de um dos andares de um hospital, onde não havia qualquer fonte de água em um raio de 18m; depois de muito investigar, descobriu, conversando com o pessoal do hospital, que as baratas aproveitavam a noite para matar a sede na urina produzida por pacientes que não podiam conter a micção! Grande Frishman esse, muito criativo... alem de ótimo palestrante!
As baratas alemanzinhas são, como as demais baratas, de hábitos noturnos e evitam grandes movimentos durante o dia; costumam esconder-se em grandes grupos em lugares sempre próximos à fonte de alimento e umidade, o que faz da cozinha seu habitat predileto. Seus alimentos preferenciais são fermentados e resíduos de bebidas que fermentem (leite e cerveja). Baratas adultas podem viver até um mês sem alimentos, desde que não falte água, mas morrem em duas semanas sem ela. Qualquer rachadura nas paredes, vãos entre azulejos mal rejuntados, azulejos quebrados, buracos, fendas, gretas em cozinhas residenciais, comerciais ou industriais, são pontos de eleição para seus abrigos.
A segunda espécie sinantrópica de importância em nosso país, é a barata americana (Periplaneta americana) também chamada de barata dos esgotos (já perceberam, não!), cujos fósseis mais antigos datam de 6 ou 7 milhões de anos atrás, encontrados em cavernas ao lado de utensílios domésticos ancestrais. Essas danadas têm o péssimo hábito de voar e o fazem muito bem e alto (podem entrar por janelas abertas em prédios de 10 ou 12 andares), daí ganhando também o nome de baratas voadoras. Quem já escutou uma barata americana em pleno vôo, não se esquece jamais, pois parece um minihelicóptero; além do que, ela quase sempre termina seu vôo nos cabelos ou nos braços de alguma pessoa! É ruim, hem! É a maior das espécies domésticas podendo atingir até 5cm de comprimento; os machos são um pouco menores. De cor marrom-pinhão, têm uma característica banda amarela circundando o escudo protetor da cabeça e têm quatro asas, duas pesadas de proteção e sob estas, duas bem mais finas para vôo. Ao contrário das alemanzinhas, logo que forma a ooteca (estojo de ovos), a barata americana a deixa em algum ponto protegido e colada à superfície através de uma substância pegajosa produzida pela mãe. Depois de aproximadamente 38 a 49 dias (dependendo das condições ambientais de temperatura e umidade) a ooteca eclode liberando de 6 a 16 ninfas (média de 9); a barata americana pode produzir cerca de 90 ootecas durante sua vida que pode chegar a 2,5 anos. Preferem habitar lugares quentes, úmidos e escuros (ex: rede de esgotos, porões, caixas de gordura, fossas, ralos e drenos, embaixo das pias e ao redor de canos de água, armários de cozinha, etc. Foi considerada o inseto mais rápido da Natureza. São fascinadas por líquidos fermentados (dica: pão com cerveja é uma isca irresistível!). Os escorpiões fizeram dessa barata, seu alimento preferencial nas cidades.
A terceira espécie sinantrópica mais prevalente em nosso país é a barata oriental (Blatta orientalis) que não consegue voar porque suas asas são muito curtas; nas fêmeas são tão curtas que o terço distal do abdômen fica exposto, o que nos permite identificar essa espécie facilmente. Das espécies domésticas, é mais vagarosa e menos cautelosa, expondo-se com freqüência. Vive em grandes grupos misturados entre adultas e ninfas e são muito encontradas em monturos de lixo e esgotos. Têm cor marrom bem escuro e medem cerca de 3cm de comprimento. A fêmea carrega sua ooteca por cerca de 30 horas para depois depositá-la em lugar quente e protegido, sempre próximo a uma fonte de água. No interior da ooteca, 16 ovos se desenvolvem por um período aproximado de 42 a 81 dias, dependendo das condições ambientais. A fêmea pode produzir cerca de 18 ootecas ao longo da vida que termina em torno dos seis meses. Essa espécie é a que causa mais repulsa porque seu contato corporal com a pele das pessoas é total (as fêmeas encostam seu corpo inteiro na superfície onde param) e seus movimentos são lentos. Quem já passou por essa experiência, não se esquece!
Há ainda mais uma espécie a citar, a Pycnoscellus surinamensis, a barata do Suriname, uma espécie não autóctone que está entrando em alguns pontos de nosso país. Alimenta-se principalmente de raízes (atenção aos vasos ornamentais no interior das residências!).
OK, agora podemos pensar em abordar a questão do controle das baratas domésticas. Só pensar, porque comentar fica para um próximo post! Não perca neste mesmo batblog!











quinta-feira, 13 de maio de 2010

REVISÃO TÉCNICA: BARATAS - PARTE I

A julgar pelo volume de solicitações que recebemos após a postagem da Revisão Técnica Pulgas, parece que a forma (e/ou o conteúdo) agradou a nossos leitores. Então, para que não se diga que não falei de flores, aqui vai outra revisão, agora sobre as baratas. É resumo, mas mesmo assim vamos ter que dividir em partes e ir postando aos poucos, porque o assunto é vasto, grande mesmo!
Sabem qual a idade das baratas em nosso planetinha? Apenas 350 milhões de anos. Os hominídeos mais antigos datam em torno de 13 milhões de anos, mais ou menos (sabemos disso pela datação dos fósseis já estudados); quer dizer, as baratas já estavam na Terra muito tempo antes do surgimento da espécie humana, tal como a conhecemos. Eu diria que estão bem mais evoluídas que nós! São mais de 4.000 espécies de baratas que já foram cientificamente descritas em todo o globo, embora apenas uma meia dúzia acabou se sinantropizando (vivendo em torno do homem) e nos causando muitos problemas. Até hoje os estudiosos discutem onde seria a origem das baratas, mas a voz corrente é que provavelmente se originaram em regiões tropicais onde predominam o calor e altos teores de umidade ambiental. Eles também concordam ao dizer que a época onde as baratas mais se disseminaram em toda a Terra, foi na época das grandes navegações e descobrimentos, quando as espécies asiáticas e européias passaram a ser transportadas pelas caravelas, naus, bergantins, chalupas e assemelhados. Onde houvesse uma carga em um porão, as baratas também se acomodavam folgadamente. Porões fétidos, sem circulação de ar, úmidos por natureza, com alimentos mal armazenados para a marujada que ali mesmo fazia suas refeições, pratos e utensílios mal lavados, restos e migalhas por toda parte, um verdadeiro paraíso para as baratas. Sem inimigos naturais a bordo, proliferavam livremente aos montões. Desembarcavam nos portos no interior das caixas mal rejuntadas da carga, desciam ativamente pelos cabos de amarração das embarcações e encontravam um novo mundo pronto para ser infestado. Em terra firme, um porto imundo na maioria das vezes, casas e galpões insalubres, taperas comprometidas e esburacadas, esgotos a céu aberto (geralmente uma vala contínua no centro dos arruamentos), lixo doméstico por toda parte e pouca ou nenhuma noção e comprometimento com a limpeza por parte dos cidadãos da época. Foi provavelmente a época de ouro na história das baratas! Como se sabe hoje, as baratas são caçadoras vorazes de percevejos, principalmente os sugadores de sangue que teimam em se esconder em nossos colchões (hoje, esses percevejos –bedbugs- estão assumindo papel cada vez mais preocupante especialmente em países de clima mais frio). Em seu interessante livro Viagem (1885), E.Foster nos conta que ele e todos os demais passageiros a bordo de um navio passaram noites terríveis sendo sugados por verdadeiras hordas desses percevejos (Cimex lectularis), até que aportaram na Ilha de Santa Helena (aquela mesma que serviu de prisão exílio para Napoleão). Ali, junto com uma determinada carga, subiu a bordo um grande número de baratas americanas (Periplaneta americana) que, pouco tempo depois, havia crescido enormemente em número. A partir disso, o número de percevejos foi declinando até desaparecerem. Em 1969, Mallis confirmou em estudos laboratoriais que as baratas americanas eram violentas predadoras de percevejos, atacando-os e devorando-os, o que explicou o fato relatado por Foster quase um século antes. Bem, a barata não é tão boazinha como pode parecer. Na verdade ela está envolvida diretamente na disseminação de inúmeras bactérias, fungos e vírus, alguns patogênicos (causam doenças) ao homem e aos animais, embora até hoje não se tenha descoberto nenhuma doença onde a barata atue como vetor biológico. Centenas de estudos já ligaram as baratas a certas doenças como conjuntivites, gastroenterites, infecções urinárias, toxinfecções alimentares, gangrenas gasosas, infecções de ferimentos, pneumonias, alergias, certas verminoses, micoses, hepatites, amebíases, giardíases e a poliomielite, porque dentro ou fora de seus corpos já foram encontrados os agentes causais dessas doenças. Chega ou querem mais?
São onívoras (comem qualquer tipo de alimento), mas preferem alimentos amiláceos como os cereais em todas as suas formas, alimentos adocicados ou açucarados e derivados do leite. Na sua dieta, figuram queijos, cerveja, couro (como o dos sapatos, roupas, cintos e móveis), cabelos, papel de parede, papéis em geral, selos postais, cola de caixas de papelão e qualquer matéria orgânica em decomposição (isso inclui cadáveres, naturalmente); gostam de frutas, especialmente as carnudas como as bananas, mangas, mamões, abacaxis e morangos. Todavia, não se contentam em nos roubar alimentos. Elas tem o péssimo hábito de anunciar sua chegada e passagem através de um odor execrável e nauseabundo, alem de deixar uma grande quantidade de fezes atrás de si. Esse odor repugnante para a maioria das pessoas, é resultante da combinação de seus excrementos com um fluido secretado por suas glândulas abdominais de cheiro, mais um outro fluido escuro regurgitado quando estão se alimentando. Quanta porcaria junta, não?
No mundo atual, as baratas acabaram encontrando novas maneiras de nos aborrecerem. Esses fluidos corporais a que nos referimos, atacam e oxidam rapidamente circuitos impressos, cabeças de leitura ótica e fios de diferentes aparelhos eletro-eletrônicos. Equipamentos de som e computadores são suas vítimas cotidianas.
Bem, o tamanho da encrenca já está mais ou menos delineado. Os leitores já tem bastante munição para explicar a seus clientes o perigo potencial das baratas. Podemos ver agora as espécies sinantrópicas predominantes em nosso país. Agora não, porque este post já está grande demais. Em alguns dias continuamos, certo? Não percam a Parte II.

sábado, 8 de maio de 2010

FIQUEI INJURIADO!

Estava fora de minha residência em São Paulo para onde voltei recentemente a fim de tratar de assuntos particulares. Chego no prédio onde resido e, afixado no porta avisos dentro do elevador, uma cópia de um certificado de controle de pragas emitido por uma certa empresa paulistana salta aos meus olhos. Havia sido executada uma operação de desratização nas áreas condominiais e o tal certificado, dentro das regras, fornecia alguns dados pertinentes. Li e fiquei injuriado, irritado mesmo!
O que eu li, mais uma vez me dava conta de como certas empresas controladoras estão despreparadas para executar adequadamente sua atividade laboral. Assinava o certificado um responsável técnico (nem vou lhes contar a que profissão pertence nosso coleguinha), mas não pude deixar de imaginar que esse profissional deveria ser chamado de “irresponsável técnico”.
Começando pela garantia dada pela empresa: seis meses! Vou repetir: seis meses! Claro, é uma garantia meramente comercial, sem nenhuma base técnica e os riscos envolvidos nessa garantia são de responsabilidade da empresa. Fui informado que a empresa executou apenas uma operação e não a repetiu como tecnicamente seria correto e indicado, embora tivesse se comprometido, de boca, a fazê-lo; disseram que voltariam em alguns dias “para ver como estavam as coisas”! Ainda que tenha executado o serviço empregando raticidas de dose única, certamente deveria voltar dentro de uma semana, talvez até uma terceira operação em mais sete dias, porque é certo que é impossível sabermos antecipadamente, quantos roedores estão infestando a área; e se alguns não conseguiram localizar e ingerir as iscas? Vão sobreviver ao tratamento único, certo? Bem, parece que a tal empresa ainda não sabe.
Olhei as informações dadas sobre os raticidas empregados. O que vi foi um amontoado de dados claramente destinados a leigos, pura “embromation”! Dizia que usaram três raticidas diferentes: isca (Klerat), bloco (Rodilon) e pó de contato (Racumin). Só que ao detalhar os produtos informaram que eram raticidas de três grupos químicos diferentes a saber: brodifacoum – classificado como cumarina; outro brodifacoum – agora classificado como benzotiopiranona e cumatetralil – classificado como hidroxicumarina. É ou não é “embromation”? Caramba, os três pertencem ao mesmo grupo químico: 4-hidroxicumarinas e ponto final! Acho que a empresa queria impressionar exibindo uma diversidade de “grupos químicos” para mostrar tecnologia, conhecimento científico ou qualquer outra presunção parecida. Sim, o certificado apontava como antídotos a vitamina K para dois deles e a vitamina K1 para o outro. Dá para comentar?
Foi pena que eu não estivesse antecipadamente presente, pois essa propostinha não passaria. Jamais! Tanta empresa boa, confiável, de bom nível técnico em São Paulo e meu condomínio foi escolher justamente uma que deixou muito a desejar. Azar meu, condômino, que paguei por esse “serviço”!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

SOBRE A RELAÇÃO DONOS DA CASA X EMPRESA CONTROLADORA DE PRAGAS – Parte III

Seguindo o raciocínio desse tema, resta-nos examinar o que pode acontecer na relação donos da casa e a empresa que ali executou o serviço de desinfestação. Vamos começar discutindo a participação e o envolvimento dos proprietários na obtenção dos desejados resultados de completo controle de pragas no domicílio. Para isso, sabemos, não basta que uma empresa venha borrifar biocidas na residência e estará tudo resolvido. Não é assim! Esse ambiente deverá ser modificado se pretendemos que permaneça refratário à instalação e sobrevivência de certas pragas. Medidas de correção do ambiente e outras de prevenção estarão a cargo dos donos da casa e não do profissional controlador de pragas que ali está apenas para eliminar as pragas já existentes naquele dado ambiente. Medidas como a melhoria geral das condições de asseio e higiene da residência, detalhes do armazenamento de alimentos e a manutenção adequada das instalações são medidas tipicamente a cargo dos proprietários e/ou ocupantes. Contudo, é obrigação do bom e preparado profissional controlador de pragas apontar a seus contratantes, o que está errado, o que está facilitando a entrada e sobrevivência das pragas dentro da residência, o que deve ser feito para evitá-las e principalmente o que pode ocorrer caso essas medidas não sejam adotadas. Por exemplo, se o proprietário não reparar uma ou outra goteira no telhado ou não remover obstáculos nas calhas condutoras de águas pluviais, poderemos ter umedecimento do madeirame de sustentação desses telhados, o que pode atrair a instalação dos chamados cupins de alvenaria (ou de madeira molhada); se os tapetes da casa não forem regularmente aspirados e o cão não for tratado, as pulgas continuarão presentes, independentemente do serviço antipulgas de uma empresa especializada. Muitos desses deveres dos donos da casa podem não ser tão óbvios e evidentes e a empresa controladora pode estabelecer relações permanentes com esses donos ao prover tais informações. Tais informações podem constar de algum folheto explicativo produzido pela empresa e entregue ao usuário da casa no momento da execução do serviço. Esses folhetos se prestam também a deixar claro que o controle de pragas não é uma questão apenas de aplicar algum produto milagroso. Na verdade, quanto mais o proprietário acreditar em curas milagrosas, mais aumenta a probabilidade de que venha a se decepcionar e assim comprometer a imagem que ele possa ter da empresa que realizou a desinfestação da residência. Falsas expectativas são a principal causa de chamados de queixas. Alguns clientes se queixam porque não foram avisados do odor dos inseticidas utilizados, outros se queixam porque sua casa ficou cheia de baratas mortas depois do serviço (de alguma forma eles achavam que os insetos iriam simplesmente desaparecer); outros ainda se queixam porque pulgas surgiram semanas após o tratamento. Todas essas coisas não gerariam queixas, caso os proprietários tivessem sido previamente esclarecidos pela empresa. Ao lado dessas necessárias informações, há uma lista de ações que devem preceder o tratamento da residência, tais como: esvaziar e limpar armários de cozinha, dos banheiros e de roupas de cama; remover alimentos e utensílios de cozinha colocando-os sobre mesas e cobri-los com lençol ou plástico, caso a técnica adotada no tratamento vá ser por pulverização, cobrir e vedar aquários, remover do ambiente os animais de estimação e assim por diante (um dia a gente detalha essa etapa). No pós tratamento é muito importante um chamado telefônico cerca de dois ou três dias depois, para saber como foram as coisas, se tudo correu bem, se apareceram pragas mortas e em que pontos da casa, etc. Essa pesquisa de satisfação pode dar à empresa uma série de informações muito úteis para novas abordagens nesse mesmo cliente e mesmo em outros clientes. O resto, os contatos posteriores e as formas de fazê-lo, fica por conta de cada empresa e seu nível de profissionalismo. É isso!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

SOBRE A RELAÇÃO DONOS DA CASA X EMPRESA CONTROLADORA – Parte II

Estávamos examinando as relações que se estabelecem entre os donos de uma residência e a empresa controladora de pragas chamada para resolver algum problema nessa casa. Dizíamos que essa relação pode ser observada em três momentos diferentes: antes, durante e depois. Já vimos a importância do pré atendimento e mais, a vistoria prévia, oportuna para coletar os dados essenciais à boa execução do tratamento. E durante o serviço na residência? O que pode ocorrer entre contratantes e contratados?
Nesse momento, há vários pontos importantes que merecem nosso reparo, pois o objetivo final da empresa controladora de pragas é obter bons resultados, ganhar assim a confiança dos contratantes e fidelizá-los de forma que a empresa receba um futuro chamado seu e talvez outros decorrentes dessa fidelização. Antes de mais nada, vamos já definir QUEM é a empresa controladora de pragas ? Essa figura virtual é representada por todas as pessoas que ali trabalham, da faxineira ao proprietário, especialmente aqueles que têm contato direto com o público, com a clientela. São esses funcionários a verdadeira “cara” da empresa. Portanto, o técnico que foi vistoriar a residência e os operadores da equipe que vai executar o serviço, são todos a “cara” da empresa. Assim sendo, é preciso prestar enorme atenção à “cara” que vamos exibir, certo? Uma equipe (chefe e operadores) bem apresentada (limpamente uniformizados, de barba feita,) certamente causará uma boa impressão inicial, especialmente descendo de um carro limpo e com boa aparência. Adequadamente treinados, evitarão palavrórios desnecessários e principalmente expressões de baixo calão. O chefe da equipe falará pelos operadores e dará todas as explicações solicitadas pelo cliente. O trabalho deverá causar o menor impacto possível ao ambiente e deve ser executado de forma tão limpa como possível. A equipe não deve fumar durante o trabalho, até por razões de segurança dos operadores. O chefe da equipe deverá dar as informações pertinentes ao serviço antes que ele comece a ser executado; o cliente gostará de ser devidamente esclarecido e informado sobre o que vai acontecer em sua casa. Como também vai gostar de saber os procedimentos que deve tomar após a execução do trabalho. Como conseguir que tudo isso venha a ocorrer? Uma só resposta: treinamento! Treinamento técnico e treinamento comportamental. Isso é tão importante quanto a obtenção dos resultados desejados. Acredite!
Mas, temos ainda que comentar o pós serviço, ou vocês achavam que tinha acabado? Assim que der, finalizo esse nosso passeio, OK?

terça-feira, 27 de abril de 2010

SOBRE A RELAÇÃO DONOS DA CASA X EMPRESA CONTROLADORA

Quando uma empresa controladora de pragas vai executar seu trabalho em uma residência, estabelece-se uma relação entre os donos da casa e a empresa, que pode ir de excelente à desastrosa, Pode gerar satisfação plena com o trabalho e os resultados alcançados, levando o cliente até a recomendar os serviços da empresa a seus amigos em seu círculo social e até estendê-los à empresa onde o cliente trabalha. Mas, também pode gerar incômodo, antipatia e insatisfação, o que geralmente leva a inevitáveis repasses, bem como os comentários negativos sobre a empresa dentro do círculo social dos donos da casa. Um ou outro resultado (e as graduações entre eles) vai depender, e muito, do comportamento da empresa antes, durante e depois da execução do serviço. O tempo do “Se não tem tu, vai tu mesmo” já passou e vai longe. Hoje, a concorrência no ramo do controle de pragas é acirrada e o cidadão que pretende usar esse serviço tem uma gama absolutamente ilimitada de opções para fazer sua escolha. Não me refiro à concorrência do “Zé Bombinha”, porque isso é uma praga dentro da praga! Este é, e será, inevitável por mais que sejam criadas regras e leis para coibi-los. Refiro-me à concorrência entre empresas controladoras estruturadas e capazes de dar ao cliente o que ele necessita. Há sempre muitas empresas desse nível, todas desejando ampliar o leque de seus clientes e fidelizá-los. Por isso, nunca será demais prestarmos muita atenção à relação que se estabelece com os donos de uma residência que chamou nossa empresa para efetuar um trabalho de controlar alguma praga que os estejam incomodando ou causando problemas maiores. O tema é vasto e o espaço de um blog é pequeno demais para que possamos explorá-lo adequadamente. Quem sabe um dia a gente escreve um GTO – Guia Técnico Operacional – para abordar somente essas relações comerciais entre cliente e empresa controladora, nos moldes dos GTOs anteriores. Enquanto isso não acontece, vamos dar um rápido passeio sobre o assunto, OK? Eu dizia que a relação empresa x cliente tem três fases distintas: antes, durante e depois da execução do serviço, as três igualmente importantes.
1) O Antes: tudo começa por um telefonema do cliente buscando a empresa. Atenção, o drama já está se desenrolando no palco desde o primeiro “Alô” da atendente na empresa. Falou -“Alô”- já falou errado! Não pode! Ninguém tem tempo a perder hoje em dia! Um simples e inocente “alô” já pode causar uma impressão errada da empresa na cabeça do cliente em potencial, pode já irritá-lo ou ele pode pensar que está falando com uma empresinha familiar onde a dona da casa tem mais essa missão, a de atender ao telefone e anotar recados para passar ao marido. Se na empresa atenderem com um alô, inicia-se um palavrório sem nenhum sentido: “-Alô”; “-De onde falam?”; “-É da Dedetizadora Zás-Trás”; “-Vocês atendem residências?”; “- Quem está falando?” blá, blá, blá... Quer dizer, um atendimento nada profissional e que pode ser desastroso, pois o possível cliente, já pondo os inevitáveis rótulos prévios, pode simplesmente encerrar rapidamente o contato iniciado. É preciso treinar os atendentes antes de tudo, para que dêem um atendimento telefônico profissional e correto desde a primeira palavra: o nome da empresa, um cumprimento, o nome do atendente e a pergunta sobre como pode ajudar o cliente. Pois bem, depois do atendimento inicial vem o encaminhamento do assunto e isso vai depender muito da estrutura montada para o atendimento em cada empresa. Perguntas detalhadas podem ajudar bastante a orientar a visita técnica que deve se seguir em data e horário devidamente marcado com o cliente. Falando nisso, em uma palestra que dei recentemente sobre esse tema, dois ou três proprietários de empresas controladoras manifestaram sua estranheza, alegando que seria impraticável uma visita técnica prévia ao serviço em uma residência, dado aos custos que isso acarretaria, diminuindo a margem de lucro. Antes que eu respondesse, na mesma plateia outros dois ou três empresários se manifestaram contrapondo-se, argumentando que era preferível aumentar o custo e garantir mais um cliente possivelmente fidelizado por ter sido bem atendido desde o princípio, do que arriscar perdê-lo ao passar uma impressão de descaso, aparecendo na residência já pronto para executar o serviço. Deixei a discussão que se estabeleceu rolar solta, para depois abordar os prós e contras de cada posicionamento.
Voltando ao tema “antes do serviço”, preciso comentar a enorme importância que tem o atendimento com data e hora marcada! Eu sei perfeitamente, que é difícil cumprir rigorosamente um horário que foi marcado, porque a equipe pode se atrasar em um serviço anterior, o que acontece com enorme freqüência. Mas, já existe um aparelhinho chamado “telefone celular” e outro chamado “rádio” pelos quais a equipe devidamente treinada deve comunicar à empresa a impossibilidade de cumprir o horário pré estabelecido, a fim de que o cliente possa ser devidamente notificado do atraso e para que lhe seja dada a opção de reagendar o serviço. Isso sim, é profissionalismo! Vejam, o cliente nem foi atendido e possivelmente já esteja satisfeito com o atendimento recebido até então.
Caramba! Isso já está ficando longo novamente! Retomo o tema neste ponto em alguns dias, OK?

sábado, 24 de abril de 2010

REVISÃO TÉCNICA: PULGAS – PARTE III (e última, acreditem!)

E vamos nós! Deram uma lida nas Partes I e II dessa revisão? Então, podemos ir em frente. Já vimos algumas das fantásticas capacidades e habilidades desenvolvidas pelas pulgas domésticas... por que? Há pulgas não domésticas? Claro! Há centenas de diferentes espécies de pulgas que não são propriamente domésticas (de dentro das residências), como por exemplo, a Tunga penetrans, popularmente conhecida como “bicho do pé” que é uma pulga geralmente de suínos e cães e que é um sério problema de saúde pública afetando severamente os seres humanos onde ocorre.
Posso continuar?
Bom, eu ia começar a falar sobre controle, mas lembrei-me que não custa comentar que 95% das pulgas existentes em uma residência encontram-se no ambiente e apenas 5% estão sobre o animal hospedeiro. Mas, é claro que existem muito mais ovos, larvas e pupas do que pulgas adultas na casa. Na verdade essa distribuição é mais ou menos assim: 5% pulgas adultas que estão no animal e, no ambiente, estão 50% de representados pelos ovos, 35% de larvas (em três estádios) e 10% na forma de pupas. Quer dizer, já deu para sentir que temos que atacar as infestações pulgas tanto no ambiente, quanto nos animais hospedeiros, certo? Primeiro vamos falar do controle sobre os animais. Não, não espero que o profissional controlador de pragas seja obrigado a abrir um departamento de “banho e tosa” na empresa para resolver essa parte do problema de seus clientes. Mas, vamos examinar essa parte porque o bom profissional, tecnicamente preparado, tem que informar seu cliente de tudo isso e alertá-lo que, se as pulgas adultas já infestantes do animal não forem completamente eliminadas, o problema da infestação na casa não será resolvido! Simples.
Como livrar o animal hospedeiro de suas incômodas e espoliantes pulgas? A primeira coisa que geralmente ocorre é um bom banho antipulga em uma loja especializada ou a aplicação de inseticidas sobre o animal, a opção é do proprietário. Contudo, aproveitando que sou veterinário, vou dar minha opinião: banhos antipulgas só em casas especializadas mesmo, capazes de eliminar 100% das pulgas que se encontravam sobre o animal naquele momento, mas nada de empregar algum inseticida durante o banho; muito arriscado. Por outro lado, a aplicação de algum inseticida tópico diretamente sobre o animal, é procedimento de risco pois, algumas raças tanto de cães, como de gatos, podem ser muito sensíveis a determinados ingredientes ativos de certos produtos e podem desenvolver reações alérgicas de diferentes graus. Confio em produtos à base de fipronil, mas não em todas as marcas existentes no mercado. Felizmente, o controle de pulgas sobre o animal evoluiu bastante nos últimos tempos e já existem certos produtos que na forma de comprimidos ou gotas, tem extraordinário efeito sobre as pulgas que estão sobre o animal. Caem mortas em 15 ou 20 minutos depois, pois o ingrediente ativo permanece por um certo tempo (relativamente curto) misturado ao sangue do animal, não o prejudicando, e sendo altamente letal para as pulgas quando ingerirem o sangue de seu hospedeiro, o que fazem com muita freqüência durante o dia. Para um tratamento duradouro, e a longo prazo, há outros compostos administrados igualmente sob a forma de comprimidos que, de forma sui generis, deixam as pulgas fêmeas completamente estéreis (deixam de gerar ovos férteis) e assim, a população de pulgas vai declinando ao longo do tempo até se extinguir totalmente. É um controle que demanda um certo tempo. De qualquer sorte, cabe ao profissional controlador de pragas orientar seu cliente para que busque a orientação especializada de um veterinário para conduzir esse programa, pois as dosagens dependem do peso do animal e de outros fatores como estado de saúde, idade, raça, etc.
OK, mas o que fazer para controlar as pulgas (as formas jovens) no ambiente da residência infestada? Que métodos pode o profissional controlador de pragas lançar mão para resolver o problema? Vamos por tópicos para facilitar a compreensão:
· Não se esqueça: o controle das pulgas que estão sobre o animal hospedeiro e as que estão no ambiente, deve necessariamente ser executado ao mesmo tempo, no mesmo dia, OK?
· Começar usando... um bom aspirador de pó! É isso mesmo! Deixe de lado seus inseticidas e equipamentos de aplicação e maneje um aspirador de pó, e dos bons. Não serve esses pequenos aspiradores bem intencionados mas de pouca potência. Tem que ser um profissional (ou semiprofissional) capaz de aspirar para valer a poeira e os ciscos de todos esses pontos onde se acumulam numa casa. Claro, é lá que estarão cerca de 95% das formas de pulgas infestantes da residência. Olhe, tenho um amigo dono de uma empresa controladora que, tendo adquirido um aspirador de pó possante, começava o trabalho por uma respeitável aspirada geral no ambiente antes de aplicar qualquer coisa; fez nome no controle de pulgas! E ganhou (ganha) um bom dinheiro com isso. Tornou-se a empresa mais chamada para resolver o assunto, atuando fortemente em condomínios de luxo, onde várias outras empresas haviam fracassado. Outra dica: antes de começar a aspirar, coloque dentro do saco coletor do aspirador, um envelope de algum inseticida em forma de pó; dessa forma, você vai aspirando e as larvas, pupas e pulgas adultas recém eclodidas e colhidas, já vão sendo eliminadas. Você vai me agradecer por essa dica quando abrir o saco coletor no momento de remover seu conteúdo.
· Peça à dona da casa que, imediatamente, coloque os panos e trapos que constituem a cama do cachorro ou gato, em fervura por 10 minutos. Todas as pulgas ali existentes serão eliminadas sem riscos intoxicativos posteriores para o animal hospedeiro.
· Prepare uma calda inseticida com seus produtos de preferência nas concentrações de rótulo e aplique pulverizando, por cobertura, os pisos. Não deixe faixas sem aplicação; treine seus operadores a aplicar por “overlapping” nessa técnica (a faixa seguinte superpõe um pouquinho a faixa anterior).
· Pulverize 100% dos pisos (atenção especial nos pontos onde os animais costumam ficar mais tempo) e também os primeiros 30cm das paredes na junção com piso. Atenção para os rodapés. Aplique também nos primeiros 30cm das cortinas junto ao chão e nos babados das poltronas e sofás, se houverem.
· Para esse trabalho, eu gosto bastante das formulações microencapsuladas, as quais concedem largo efeito residual. Cuidado na escolha de seu produto: há certos microencapsulados de baixa tecnologia que permitem o rompimento das microcápsulas já durante a manipulação preparatória (caracterizado por um forte odor inseticida quando abrimos o frasco). Só essa dica já fez valer todo o texto, não é?
Feito isso, amigo, é só correr para o abraço! Boa caçada e bons negócios!

terça-feira, 20 de abril de 2010

COMO SE CHAMA A BARATA?

Neste país da resposta pronta, imediatamente alguém diria: - “Não as chamamos... elas vêm por conta própria”. Piadas à parte, apenas como curiosidade, relacionamos os nomes locais que as baratas recebem em diferentes países. Vejam só:
- em português: barata
- em espanhol: cucaracha
- em inglês: cockroach (ou simplesmente roach)
- em francês: caffard
- em japonês: gokiguri (ou aburamushi)
- em chinês: catchá
- em italiano: scarafaccio
- em holandês: kakkerlak
- em alemão: schabe (ou kakerlake)
- em russo: tarakani
Aceitamos contribuições, caso você saiba o nome da barata em outra língua, além dessas aí citadas, OK?