segunda-feira, 23 de agosto de 2010

MEDIDAS NÃO QUÍMICAS EM HOTÉIS


Recebi um e-mail de um colega que, tendo lido o post sobre medidas não químicas em residências, nos pergunta sobre quais seriam essas medidas aplicadas a hotéis, resorts e assemelhados, que deveriam figurar em algum impresso da empresa controladora. O tema é complexo e vasto, mas tentarei resumir um grupo dessas medidas não químicas que seriam sinergistas na obtenção de bons resultados no controle de pragas, aplicáveis indistintamente em hotéis e congêneres. Embora hotéis geralmente estejam situados em um só prédio, há hotéis horizontais que ocupam diferentes prédios, o que acontece nos resorts com freqüência. Sugiro informar ao cliente as seguintes medidas não químicas a cargo do contratante:
• Manter em perfeito funcionamento as portas de fechamento automáticas onde houver.
• Providenciar molas nas demais portas para que estejam sempre fechadas.
• Colocar tela anti-insetos nas janelas (sempre que possível) especialmente nas áreas de serviço. Não esquecer os dutos e aberturas de ventilação de porões e sótãos.
• Desmatar eventuais plantas, especialmente pragas, junto às paredes externas dos prédios e podar árvores próximas que possam estar tocando as instalações.
• Manter os gramados sempre aparados.
• Usar conchas quebradas, pedrisco ou pedregulhos para recobrir a terra de vasos ornamentais ou canteiros que se localizem junto ou próximos das paredes. Evitar recobri-los com qualquer material orgânico.
• Manter calhas, drenos e condutores de água pluvial limpos.
• Assegurar-se que os drenos dos aparelhos de ar condicionado estejam bem colocados e não produzam vazamentos.
• Minimizar as luzes externas à noite ou instalar lâmpadas de vapor de sódio (ou amarelas) que, minimamente, são menos atrativas para insetos noturnos.
• Eliminar ninhos de pombos e de outros pássaros, vedando os pontos de acesso.
• Manter as lixeiras sempre fechadas e higienizá-las diariamente.
• Instalar numerosos coletores de lixo externos e esvaziá-los frequentemente.
• Dispor funcionários de limpeza para que recolham dejetos dispostos pelos hóspedes dentro e fora das instalações.
• Remover o conteúdo e lavar as caixas de gordura com certa freqüência.
• Vedar rachaduras e fendas em torno de canos hidráulicos, das bancadas e paredes dos recintos onde alimentos sejam manipulados.
• Consertar todo e qualquer vazamento de água nas cozinhas, nos banheiros e qualquer outro recinto.
• Melhorar constantemente as condições de limpeza e higiene das cozinhas.
• Remover o mais rapidamente possível as bandejas de room-service dos quartos e das piscinas.
• Aspirar com freqüência as bordas de tapetes e carpetes fixos de qualquer dependência do hotel onde estiverem.
Essas medidas estarão a cargo da administração do hotel, mas cabe à empresa controladora de pragas contratada, indicá-las priorizando para que as providências possam e devam ser tomadas.
Claro, essa lista é apenas minha sugestão e pode ser acrescida de muitos outros itens que o leitor julgar sejam importantes.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

MEDIDAS NÃO QUÍMICAS EM UMA RESIDÊNCIA


Outro dia postei uma matéria sobre os esclarecimentos que deveriam ser oferecidos ao cliente contratante para não só evitar queixas infundadas, como para reforçar a imagem da empresa junto a esse cliente. Entre outras coisas citei que o cliente precisa ser esclarecido sobre as medidas não químicas que devem ser praticadas na residência pelo próprio contratante, para que o resultado da desinfestação seja melhor e mais adequado. Um colega perguntou-me por e-mail quais seriam essas medidas não químicas e aproveito o blog para responder.
Cada caso é um caso, eu sei, mas existem certas medidas que se aplicam a qualquer residência, tais como:
• Esvaziar e limpar todos os armários da cozinha antes que o tratamento seja iniciado. Utensílios podem ser colocados sobre a mesa da cozinha e cobertos com um lençol ou plástico. Ou podem ser levados para outro recinto e igualmente cobertos.
• Esvaziar e limpar os armários de banheiro e outros que possam conter remédios, bem como cestos de roupa suja.
• Verificar os vasilhames que contenham farináceos e grãos de cereais ou leguminosas. Se estiverem já infestados por gorgulhos (carunchos), jogar o conteúdo fora e lavá-los.
• Colocar todas as garrafas já abertas de líquidos e vasilhames que contenham alimentos no interior de geladeiras ou do forno (desligado, claro!).
• Evitar a presença de crianças e animais de estimação durante a aplicação e até que a calda seque (aproximadamente de duas a quatro horas após o término do tratamento).
• Cobrir os aquários e seus equipamentos com lençol plástico, procurando vedar com fita colante. Só volte a ligar a bomba de ar e filtro depois que a calda aplicada no ambiente secar.
• Desfazer-se do lixo.
• Aspirar todos os tapetes e carpete (especialmente nas bordas) e remova o conteúdo do saco coletor, principalmente se a infestação for de pulgas.
• Remover sapatos e brinquedos que estejam nos pisos da casa.
• Afastar qualquer objeto que esteja junto às paredes de garagens e depósitos.
• Providenciar um bom banho antipulgas de seu animal de estimação no mesmo dia do tratamento.
Eis aí algumas sugestões das medidas não químicas que o contratante deve providenciar antes que o tratamento na residência comece na data marcada. Se esqueci alguma coisa, adicione à lista.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

INFORMANDO SEU CLIENTE

Grande parte das medidas não químicas para o controle de insetos em uma residência, devem ser adotadas pelos próprios clientes, incluindo o manejo adequado do lixo doméstico, a limpeza e higiene geral da casa, a armazenagem correta e apropriada dos alimentos, a manutenção das instalações especialmente hidráulicas e outras. Contudo, cabe ao profissional controlador de pragas contratado informar seu contratante sobre as medidas cabíveis que devem ser adotadas ou corrigidas para que o controle seja atingido e, principalmente, os riscos existentes caso essas medidas não sejam adotadas. Por exemplo, em casas onde haja cães ou gatos, é preciso aspirar o pó dos pisos e forrações com bastante freqüência se o objetivo é controlar pulgas. Muitos desses deveres da dona da casa podem não ser tão óbvios e a informação fornecida pelo profissional pode estabelecer uma relação muito favorável entre a empresa contratada e o contratante. Algumas vezes essas informações podem ser transmitidas através de folhetos impressos contendo o nome da empresa controladora, o que vai reforçar seu nome junto ao cliente. Além do que, deixa claro que o grau de controle só será atingido pela adoção de medidas não químicas juntamente com os biocidas utilizados pela empresa. A idéia de que o controle será obtido somente pela aplicação de algum produto milagroso tem que ser prontamente desmontada.
Falsas expectativas são uma das principais razões das chamadas para repasse. Alguns contratantes queixam-se porque não foram avisados sobre possíveis odores dos biocidas empregados. Muitos se mostram surpresos e queixam-se porque sua residência ficou cheia de insetos mortos após a aplicação dos inseticidas; de alguma forma eles simplesmente esperavam que os insetos infestantes desaparecessem após o tratamento! Outros se queixam porque as formigas continuavam a ser vistas andando após o tratamento por alguns dias. Todas essas queixas e outras mais poderiam ser evitadas se a empresa se desse ao trabalho de esclarecer devidamente o contratante e ele teria melhores condições de realmente avaliar se o fato observado justifica fazer uma queixa à empresa controladora que executou o serviço.
Portanto, sugiro sempre que a empresa esclareça devidamente seu cliente antes de executar os serviços contratados. E para que não fique uma eventual discussão disse/não disse, sugiro que a comunicação seja feita por escrito em impresso apropriado da empresa. Que dele conste as medidas não químicas que devem ser adotadas pelo contratante em sua residência além de certas informações peculiares ao pós serviço. Vale à pena!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

SOBRE A RESPONSABILIDADE TÉCNICA, DE ACORDO COM A LEI


Quais categorias profissionais podem ser Responsáveis Técnicos (RT) por empresas controladoras de pragas em nosso país? No princípio, há duas ou três décadas atrás, não havia regras estabelecidas e certos Conselhos Regionais, notadamente os mais ativos como os CRs de Química e os de Engenharia Agronômica, agiam como se a atividade profissional do Responsável Técnico por empresa controladora de pragas fosse exclusiva de seus representados, ainda que os textos das disposições legais vigentes na época absolutamente assim não o dissessem. Lembro-me que nessa época (há uns 20 ou 25 anos atrás) a empresa controladora em que eu trabalhava, sustentou por quase uma década uma discussão legal com o Conselho Regional de Química/SP que tentava atuá-la, exigindo que o Responsável Técnico pertencesse à categoria dos Químicos. Intimações e penalidades, tentativas de aplicar multas, vociferações e ameaças dos fiscais desse CR não intimidaram Tito e Pedro, os proprietários, que levaram a discussão aos Tribunais, onde jamais foi dada razão ao CRQ. Na legislação reguladora das atividades do Químico simplesmente não havia (como não há) um só parágrafo que lhe concedesse inequivocamente a exclusividade dessa responsabilidade técnica. Alegava o CRQ que os inseticidas de uso profissional eram utilizados somente após sua diluição (com água ou solvente) e que somente os profissionais químicos poderiam executar esse processo, mais que simples e corriqueiro, diga-se de passagem. Ora, até uma dona de casa pratica diluições com água em suas residências diariamente, ao fazer uso de certos produtos de limpeza ou congêneres; ninguém utiliza uma água sanitária na concentração em que é vendida, ou um amaciante de roupas! Portanto, a tese não vingou e a empresa em que eu trabalhava jamais foi enquadrada legalmente nesse aspecto.
O tempo passou, essa atividade do controlador de pragas começou a crescer e evoluir e regras legais começaram a ser estabelecidas. A norma legal que finalmente regulamentou a questão do Responsável Técnico por empresa controladora de pragas, passou a admitir seis diferentes categorias profissionais: engenheiro florestal, engenheiro agrônomo, veterinário, químico, farmacêutico e biólogo. Esse era o entendimento até a promulgação no ano passado da RDC 52, aquela, que simplesmente passou a responsabilidade de definir quais as categorias profissionais que podem ser RT por empresas controladoras de pragas, a qualquer Conselho Regional de qualquer categoria profissional, bastando que os respectivos Conselhos assim o atestem! Pois é! Uma no cravo, mas outra na ferradura! Em outras palavras e com todo respeito, se o Conselho Regional de Assistência Social atestar que essa categoria profissional pode se responsabilizar por uma empresa controladora de pragas, será! Ou se a Ordem dos Advogados o fizer, também poderão ser! Exageros meus à parte, é isso mesmo! Agora, qualquer (eu disse qualquer) categoria profissional pode se tornar RT desde que consiga uma declaração de seu Conselho Regional ou Federal afirmando que aquela categoria tem conhecimentos suficientes para responder pelo uso de biocidas em áreas urbanas. Já viram, não! E tudo porque os tais tecnocratas a que me referi em outro post, não tiveram (ou não quiseram ter) a lucidez e o bom senso suficientes para perceber que nem tudo que reluz é ouro! Bem que nessas discussões das associações representativas dos profissionais controladores de pragas com a Anvisa/MS, o grupo tentou discutir esse item da RDC 52, mas (fui informado) que a comissão governamental fechou questão nesse item e não quis ouvir argumentos. Como eles já haviam voltado atrás reformulando o Artigo 9º. da RDC 52 (vide post anterior, RDC 20), talvez achassem que voltar atrás em um item já era demais! Que pena! A RDC 20 apenas reconsiderou o Art.9º. e nada mais. Assim, a redação da RDC 52 sobre a Responsabilidade Técnica, não foi modificada. Perderam eles (e perdemos nós) uma excelente oportunidade de definir com clareza esse controvertido tema e demonstrar a evolução que a sociedade moderna exige. Mas, como eu acabo de dizer, citando Darwin em um outro post anterior que publicamos, obscurantistas existiram, existem e existirão em qualquer época! E tenho dito.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

NEM EU ACREDITO! 4.000 ACESSOS A ESTE BLOG!

Pois é! Estou pasmo, estou honrado, estou agradecido. Sem nenhuma pretensão, o blog do Higiene Atual passou da marca dos 4.000 clicks e sendo um blog essencialmente técnico, creio que posso assumir que foram cerca de 4.000 profissionais controladores de pragas, desinfestadores como preferem alguns. A bem da verdade, descontem umas 150 vezes que fui eu quem acessou (para colocar novos posts, para comentar e responder a perguntas, para colocar alguma ilustração em certos posts), mas o resto foi acesso de colegas que se interessam pelos assuntos postados. O blog do Higiene Atual começou bem simples e pretendo mantê-lo assim. Tenho que citar que recebi bastante ajuda de colegas de profissão ou simplesmente de amigos que nos seguem. Alguns deles: David Benedetti (um publicitário de mão cheia que nos ajuda desde a primeira hora), Romildo (do PragasOnLine), Lucy Figueiredo (cujas críticas e sugestões são importantes e sempre bem acolhidas), Oswaldo Sawasato (que corrige meu japonês ruim), Rita e Lucia (da Sistema, que me mantêm desperto sempre me prometendo uma leitura mais freqüente do blog), Clóvis Yassuda (com suas oportunas sugestões) e outros tantos que me ajudam a construir o sucesso do blog.
Como, além de outras atividades paralelas, mantenho atividades profissionais como consultor técnico e viajo muito, nem sempre consigo postar novas matérias com a freqüência que desejaria e por isso peço escusas a meus leitores. Os que me seguem já perceberam que o Higiene Atual não tem pauta única e nem estreita. Procuro postar os mais variados assuntos, desde revisões técnicas até opiniões pessoais, com a intenção de evitar a monotonia de temas. 4.000 acessos me dizem que estou certo!
A grande verdade é que o ramo do controle de pragas tem uma quantidade infindável de assuntos e interesses. Ainda bem!
Mais uma vez, obrigado.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

PROFISSIONAIS, ATENÇÃO! EM VIGOR A NOVA RDC 20


Desde o dia 12 de maio último entrou em vigor a RDC 20 dando nova redação ao disposto no Art. 9º, da Resolução da Diretoria Colegiada – RDC 52 de 22/10/2009 que dispõe sobre o funcionamento de empresas especializadas na prestação de serviço de controle de vetores e pragas urbanas e dá outras providências. Essa RDC 52, e sua alteração pela RDC 20, são muito importantes para o ramo profissional das empresas controladoras de pragas, porque regulamentam essa atividade em todo o território nacional. Tem, portanto, efeito de lei e assim, deve ser seguida, sem contestação.
A RDC 20 altera a redação dada ao Artigo 9º. Da Seção III Das instalações do Capítulo II Dos Requisitos para Funcionamento da RDC 52 (de 22/10/2009), que ficou assim:
"Art. 9º As instalações da empresa especializada são de uso exclusivo, sendo vedada a instalação do estabelecimento operacional em prédio ou edificação de uso coletivo, seja comercial ou residencial, atendendo às legislações relativas à saúde, segurança, ao ambiente e ao uso e ocupação do solo urbano."
Desde a promulgação da RDC 52, a FEPRAG (a federação das associações estaduais de empresas controladoras de pragas) e diversas associações regionais, tentavam discutir com a Anvisa do Ministério da Saúde, alguns pontos polêmicos que saíram na versão final daquela Resolução. O que se pretendia rever principalmente era o item 9 da RDC 52, o qual proibia, de forma inadequada, a instalação de uma empresa controladora de pragas em áreas adjacentes a residências, serviços de alimentação, hospitais, escolas e creches, desta forma “tornando inviável a atividade de mais de 95% das empresas existentes”, nos dizeres da Feprag (veja posts anteriores deste blog sobre o assunto). A recém promulgada RDC 20 corrigiu esse erro.
Pois bem, como acontecem essas coisas? Já que as resoluções normativas ficam por 60 dias abertas à discussão pública após terem suas préminutas publicadas no Diário Oficial da União, como é que a norma sai publicada com erros ou imperfeições? Pois sai! Todo mundo opina, mas quem decide é o órgão governamental competente, através de uma dada comissão de servidores públicos supostamente especializados no ramo. Nem tanto e nem sempre! Esses técnicos, não têm, e nem poderiam ter, a visão do empresário, a visão do mercado, a visão do conjunto. Na verdade, pautam suas decisões estritamente dentro da visão governamental, supostamente visando a proteção dos interesses da sociedade civil. Ora, sabemos, por vezes a tecnocracia vence resultando em textos legais um tanto divorciados da realidade. Foi exatamente o que aconteceu com a RDC 52, felizmente alterada pela RDC 20 que a corrigiu parcialmente.
Esse foi o final feliz da mobilização civil de um grupo de empresários através de suas associações representativas de classe. Então a Resolução RDC 52 com a alteração introduzida pela RDC 20 ficou perfeita? Não, ainda não. Há alguns outros pontos que estão mantidos e que são bastante discutíveis. Um deles é a delicada questão da Responsabilidade Técnica por empresas controladoras de pragas cuja redação vigente não ficou muito clara. Mas isso já é outro assunto que falaremos oportunamente.

terça-feira, 29 de junho de 2010

CHARLES DARWIN, O MAIOR DENTRE TODOS OS NATURALISTAS


Ainda nesse incipiente esforço que estou fazendo para resgatar a memória de alguns pesquisadores importantes para a ciência naturalista, não poderia deixar de falar dessa figura única. Charles Robert Darwin, nascido em Shrewsbury, Inglaterra, no dia 12 de fevereiro de 1809, por coincidência no mesmo dia do nascimento de Abraham Lincoln, o memorável presidente americano, iria se tornar o maior e mais combatido naturalista de todos os tempos, por ter formulado a teoria da evolução e seleção natural das espécies. Como muitos cientistas antes dele, Darwin acreditava que toda a vida na Terra havia evoluído (desenvolvido gradualmente) por milhões de anos a partir de alguns poucos ancestrais comuns. Sem ter muitas provas que pudessem atestar suas teorias, em 1836 Darwin embarcou no pequeno navio H.M.S.Beagle, como amigo e cavalheiro de companhia do capitão Fitzroy, também jovem. Esse navio estava em uma expedição científica em volta do mundo e Darwin colhia amostras de animais e plantas em diferentes partes do mundo para estudá-las posteriormente. Um conjunto de pequenas ilhas chamadas Galápagos mostrou-se de exponencial importância nos estudos de Darwin, pois era um arquipélago inabitado, totalmente isolado no meio do Oceano Pacífico, e que continha riquíssimas e variadas fauna e flora.
De volta a Londres, Darwin estudou profundamente seus apontamentos e os espécimes recolhidos, acabando por formular os fundamentos de sua teoria:
• A evolução, de fato, ocorria.
• As mudanças evolucionárias eram lentas e graduais, requerendo milhares ou milhões de anos para se estabelecerem.
• O mecanismo primário da evolução era um processo denominado seleção natural (só os mais fortes e adaptados ao meio sobreviviam)
• As milhões de espécies existentes hoje surgiram de uma única forma de vida através de um processo de ramificação denominado “especiação”.
Darwin então, em 1859, escreveu seu livro bomba para a época: “A origem das Espécies” (o título completo, em inglês, era “Sobre a origem das espécies através de seleção natural ou A preservação e favorecimento das raças na luta pela vida”). Darwin continuou publicando outros livros sobre o tema até sua morte em 1882.
Estava estabelecida a grande discussão dos últimos 120 anos que perdura viva até nossos dias! De um lado os cientistas e pessoas que estudaram História Natural (os chamados “darwinianos”, entre os quais humildemente me incluo). De outro lado, os religiosos apegados a conceitos fundamentais bíblicos e adeptos da genealogia a partir Adão e Eva. Discutem veementemente até hoje, gerando inúmeros episódios sérios e, às vezes, grotescos. Não se apercebem que não são idéias antagônicas, mas paralelas, ambas reafirmando inequivocamente o toque do dedo divino.
Darwin manteve-se sempre alheio a tais discussões filosóficas, mergulhado em seus estudos e sua filha Henrietta, negou publicamente que seu pai tivesse renegado suas teorias no leito de morte, como chegou a ser propalado por uma seita evangélica.
Sir Charles Robert Darwin, o maior naturalista de todos os tempos, em reconhecimento à importância de seu trabalho, teve funeral de Estado e foi enterrado na Abadia de Westminster, Londres, ao lado de Isaac Newton (nesse século, apenas cinco civis não pertencentes à família real inglesa, tiveram tal honra).
Darwin... que cabeça tinha essa figura!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

ARANHAS – PARTE II


Na primeira parte deste post falamos um pouco sobre as aranhas e as espécies brasileira mais perigosas. Vamos comentar agora sobre controle, que é que todos querem saber. Tenho boas e más notícias, mais más que boas! A má: controlar aranhas é bem complicado. A boa: mas dá para controlar!
Por que controlo baratas e outros insetos rasteiros com facilidade e não consigo bons resultados com as aranhas? Uma pergunta simples de resposta complexa. Em primeiro lugar, porque a maioria dos insetos rasteiros, quando parados, encosta boa parte de seu corpo sobre a superfície onde se encontra e, se essa superfície tiver sido tratada, o inseto vai ser afetado. Com as aranhas, isso não acontece. As aranhas não encostam o abdome no chão, nem as pesadas tarântulas. Elas se apóiam em suas pernas que terminam em ponteagudos tarsos, como se fossem pontas de alfinete. Quer dizer, a área que toca a superfície tratada é mínima e assim, a aranha não será afetada pelos produtos aplicados. Não é que as aranhas seja imunes ou resistentes aos biocidas empregados; o problema é que esses biocidas não são colhidos pelo corpo das aranhas em quantidade suficiente para afetá-las. Cappice? Se o operador pulverizar um biocida diretamente sobre uma aranha, provavelmente vai eliminá-la.
Vamos examinar outro ângulo da questão: o que come uma aranha? Inseto vivo. Ora, se conseguirmos eliminar a maioria dos insetos infestantes de uma certa área problema, já vamos interferir severamente na vida das aranhas ali existentes, tirando-lhes o alimento preferencial. Muito possivelmente, muitas delas vão buscar outros ambientes mais favoráveis.
Sim, mas a maior parte das aranhas caseiras se alimentam de insetos voadores capturados em suas teias! Correto, mas as aranhas que tecem teias de espera, permanecem nessas teias aguardando suas presas e se assim é, conseguiremos eliminá-las pulverizando diretamente a teia (e a aranha) com algum biocida!
E as aranhas de jardim (entre elas algumas bem perigosas) que se alojam em pequenos buracos na terra protegidos pela vegetação? Tratemos o jardim, pois! Podemos aplicar algum produto de formulação WP ou PM (pó molhável) apropriado para áreas abertas e que não seja fitotóxico (não afete plantas). Devemos pulverizar a calda (veja rótulo) tratando uniformemente toda a vegetação rasteira do jardim e aguardar alguns dias. As aranhas que ali vivem sairão de suas tocas para caçar durante a noite e vão tocar com seus corpos a vegetação assim tratada. O resultado acaba sendo sua eliminação pelo efeito do biocida empregado.
Outra coisa: aquelas minúsculas aranhas freqüentemente encontradas no interior das residências, geralmente escondidas atrás de móveis ou armários, conhecidas como “papa-moscas”, não têm nenhum risco significativo. Desaparecem quando a casa é desinfestada. E aquelas de corpo bem pequeno e pernas longuíssimas que fazem suas teias nos cantos e quinas junto ao teto, tampouco representam problema. Assustam, amedrontam um ou outro, mas são pacíficas e não atacam nem pessoas e nem animais (exceto suas presas representadas por moscas, pernilongos, mariposas e outros alados).
Os biocidas microencapsulados que produzem resultados tão bons no combate a escorpiões, pelos motivos expostos acima, não são tão efetivos contra aranhas.
Aí está uma panorâmica rápida e resumida do assunto aranhas. Espero ter ajudado de alguma forma.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

JOHN BERKENHOUT, O ESQUECIDO


Foi outro naturalista importante e eclético em sua época, também médico e militar. Dedicou boa parte de sua vida a descrever cientificamente muitas espécies animais, entre elas o Rattus norvegicus que a partir de então ganhou a paternidade de sua descrição: Rattus norvegicus (Berkenhout). Comentei em post anterior que depois do nome científico de ser vivo (animal ou planta) vai entre parênteses o nome do pesquisador que primeiro o descreveu; colocar esse nome não é obrigatório. Na época que Berkenhout descreveu a ratazana (1769), só havia 350 animais descritos. E bastou isso para deixar escrito para sempre seu nome nas citações científicas. Frequentemente erram, colocando o nome de Lineu após o nome Rattus norvegicus. Escreveu diversos importantes livros de história natural.
Não há muito na biografia conhecida de Berkenhout. É sabido que ele nasceu em Yorkshire, Inglaterra, em 1726 e morreu em 1791 e ainda jovem serviu primeiro no exército prussiano (poderoso na época) e depois no exército inglês. Em seguida estudou medicina e já começava suas atividades paralelas como naturalista. Durante a revolução da independência norteamericana, John Berkenhout Junior serviu como agente britânico. Será que foi por isso que se tornou um tanto esquecido na História?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

UM POUCO SOBRE ARANHAS

Tenho sido, com certa freqüência, perguntado sobre o tema aranhas em seus mais diferentes aspectos. Quais os riscos, que espécies são perigosas, como controlar, etc. Então, achei que seria interessante fazermos uma revisão superficial sobre esse tema, dividindo em duas partes, OK?
As estatísticas dizem que 50% das mulheres e 10% dos homens sofrem de aracnofobia (medo de aranhas). Pois é! Pode ser uma resposta instintiva ao risco de ser ferroado, herdado de nossos antepassados. Quem são elas, as aranhas? Já foram cientificamente identificadas mais de 40.000 espécies diferentes de aranhas em todo o mundo. São artrópodes peçonhentos (produzem e têm ferrões injetores de veneno), quatro pares de pernas, os segmentos do corpo (cabeça, tórax e abdome) fundidos em dois: cefalotórax e abdome, geralmente quatro pares de olhos, não possuem antenas e são produtoras de seda (glândulas localizadas no interior do abdome). Os fósseis de aracnídeos mais encontrados e estudados, datam do período Devoniano, ou seja, cerca de 386 milhões de anos atrás! Contudo, existe um exemplar de aracnídeo (Palaeotarbus jerami) que data do periodo Siluriano, com 420 milhões de anos e que já possuía uma forma bastante parecida com a forma das aranhas atuais! Vejam como as aranhas são evoluídas.
Praticamente todas as espécies de aranhas são carnívoras e caçadoras (algumas poucas são herbívoras), se alimentando geralmente de insetos, mas as de maior porte como as caranguejeiras, podem capturar filhotes recém nascidos de roedores e aves; não se alimentam de cadáveres. Na verdade, as aranhas só podem se alimentar de alimentos pastosos ou liquefeitos; algumas injetam na vítima enzimas que predigerem os órgãos internos e depois sugam esse conteúdo; outras rompem o tegumento da vítima e ingerem a hemolinfa (o que seria o sangue do inseto).
De uma maneira geral as aranhas vivem isoladas e só se agrupam nas épocas do acasalamento; em muitas espécies esse é um ato terminal, com a fêmea devorando o macho após o coito! Algumas espécies demonstram comportamento social formando colônias, o que é bastante útil quando se trata da defesa da prole. Algumas espécies tecem teias dos mais diferentes modelos, outras produzem tufos de seda apenas para forrar seu ninho. As fêmeas, segundo sua espécie, pode produzir de 1.000 a 2.000 ovos que geralmente ficam protegidos dentro de uma bolsa de seda até o momento da eclosão, quando saem as primeiras ninfas já dotadas de ferrão e glândulas de veneno.
Determinadas espécies são potencialmente perigosas devido à potência de seu veneno. Apenas alguns venenos de aranhas já foram estudados em detalhes. Esses venenos já estudados mostraram uma estrutura molecular complexa e contêm enzimas (e outras proteínas) que causam, no ser humano ferroado, diferentes sintomas e com diversos graus de severidade. Podemos citar dentre as aranhas mais perigosas em nosso país: a armadeira, a marrom, a viúva negra e as caranguejeiras.
Phoneutria (várias espécies): chamada de aranha armadeira, aranha saltadeira, aranha da bananeira. As armadeiras são de hábitos noturnos e não constroem teias, fazendo seu ninho em pequenas escavações e buracos na terra. Locais mais freqüentados: cantos escuros e isolados, escondidas em galhos secos caídos ao solo, pilhas de taboas de madeira, folhagens, em cachos de bananas, restos de materiais de construção. São bastante sensíveis à variação de temperaturas e, quando isto ocorre, buscam refúgio em ambientes mais quentes como, por exemplo, o interior das casas onde, com freqüência, se escondem dentro de sapatos. Quando ameaçadas, tornam-se agressivas e levantam e esticam verticalmente as patas anteriores preparando-se para dar o bote e ferroar. Os sintomas na pessoa picada se caracterizam por dor intensa no local da picada, náuseas, salivação abundante, suores frios e tremores no corpo todo. É preciso tratar com soroterapia em unidade hospitalar especializada.
Loxoceles (oito espécies no Brasil): conhecida como aranha marrom, com cerca de 5cm de tamanho incluindo as pernas, representa um dos maiores problemas de saúde pública no sul do país. Não é uma aranha agressiva (imagine se fosse!), mas seu veneno é muito potente e tem um efeito necrosante (produz deformações) na musculatura do ponto da picada. Eu vi pessoalmente uma menina que havia sido picada na coxa há algumas semanas por uma aranha marrom; coisa feia! Faltava um grande pedaço que havia necrosado e teve que ser extirpado cirurgicamente. No momento da picada, a dor parece à da queimadura de cigarro, o local começa a inchar e algumas horas depois o tecido em volta começa a necrosar. Pode produzir sintomas gerais como náuseas, febre, mal estar e urina de cor achocolatada. O tratamento exige soro antiloxoceles.
Latrodectus (três espécies no Brasil): chamada de viúva negra, essa pequena aranha (até 1 cm de circunferência), costuma habitar o solo em teias bem simples, principalmente onde haja vegetação rasteira, muito comum no litoral. De corpo escuro quase negro, tem uma característica marca vermelha em forma de ampulheta em seu ventre. Não dá para errar. Seu veneno não é muito potente e provoca sintomas moderados, como sudorese, mal estar, agitação e contrações musculares involuntárias.
Lycosa (várias espécies): são as conhecidas e temidas tarântulas (ou caranguejeiras) que, ao contrário do que se pensa, têm um veneno pouco potente. Figurante indispensável nos filmes de terror, a tarântula pode atingir grandes dimensões chegando a um palmo ou mais de diâmetro incluindo as pernas com muitos pelos. A maior aranha do mundo é uma tarântula que ocorre na região amazônica da Venezuela e do Brasil; é a Theraphosa blondi que chega a pesar 150g e ocupa uma área de 30cm de diâmetro incluindo as patas. É um bicharoco de meter medo. Quem quiser conhecê-la, ao vivo e a cores, basta visitar o Instituto Butantan de São Paulo. Lá tem cada uma! A bicha vive sozinha em buracos que escava na terra, forrados com sua seda. Algumas espécies constroem uma armadilha tipo alçapão capaz de capturar insetos que nela pisem (na armadilha, não na aranha, meu!). Alimentam-se de insetos, mas têm clara preferência por pequenos lagartos, filhotes de roedores e de pássaros. As tarântulas, defendem-se girando a traseira de seu corpo para o inimigo e com as pernas traseiras, executam rápidos movimentos de raspagem do terço final das costas, atirando seus pelos contra o animal ou a pessoa que a ameaça; esse pelos são urticantes e alergênicos. Se não conseguir espantar a ameaça, então prepara-se para defender-se com os ferrões, levantando suas patas dianteiras na vertical e preparando um bote, que é curto, diga-se de passagem. Nesse momento, ela dobra de tamanho! Lá mesmo no Butantan, quando ainda era estudante, fui observar mais de perto uma tarântula das cabeludas, devidamente encerrada dentro de um frasco de vidro grosso, o que me pôs mais à vontade. Essa aranha tinha nada menos que 8 olhos, dois dos quais bem grandes e eu podia jurar que ela também me observava, olhos no olho! Girei meu corpo um pouco à esquerda e ela voltou a cabeça para aquele lado; na dúvida, girei para o outro lado e a danada também girou o corpo, continuando a me encarar de frente. Dei a volta no frasco e ela também me acompanhou dando um giro completo. Quer dizer, tive a sensação que ela estava me avaliando como uma refeição em potencial! Tá bom, confesso, eu estou naqueles 10% dos homens que têm aracnofobia. Isso me fez lembrar uma cena do filme “Aracnofobia” (nome muito sugestivo) que fez um certo sucesso há uns 10 anos atrás. Havia um personagem, um Zé Bombinha americano (lá nos Estados Unidos também tem disso, ora se tem!) que levava duas pistolas em coldres na cinta, ligadas a dois pequenos tanques portados às suas costas e ele saia atirando nas aranhas, possivelmente um ácido porque as aranhas atingidas explodiam! Uma pândega, vale à pena ver buscar esse filme (quem ainda encontrar nas videotecas, um comércio em extinção). Pois é, esse coleguinha quando conhecia alguém, logo disparava a pergunta: “- Rato, cobra ou aranha?” A pessoa não entendia e ele explicava: “- Você tem medo do que?” Não é que o carinha tinha razão! Anos mais tarde, trabalhei com um técnico de laboratório na Seção de Vigilância Sanitária da Prefeitura de São Caetano do Sul; bom cara, competente e trabalhador, oriundo do Instituto Biológico, apelidado de Barba por motivos óbvios. Lá pelas tantas, horrorizado, descobri que ele mantinha escondida numa de suas gavetas, uma enorme tarântula como bichinho de estimação e que ela era alimentada com filhotes de camundongos albinos que eram criados no nosso biotério para serem usados no diagnóstico biológico da Raiva. Aproveitando minha condição de chefe, dei um ultimato: ou ele levava a monstrenga embora ou eu mandaria desinfestar o local. Um dia, ainda me informaram que as tarântulas têm vida longa, mais de 10 ou 15 anos! Quer dizer, a tarântula de estimação do Barba deve estar viva até hoje! Gorda, bem tratada! No Livro Guinness de recordes há o registro de uma tarântula que viveu 49 anos! Tô fora! A verdade é que há muita gente que cria as dóceis tarântulas como bichinho de estimação (já vi à venda em PetShops). Mas, tem cada uma!
De novo isso já ficou longo demais. Continuo outro dia.


terça-feira, 8 de junho de 2010

CARLOS LINEU, O PAI DA CLASSIFICAÇÃO SISTEMÁTICA


Prometi, vou cumprir. Vamos conhecer um pouco sobre CAROLUS LINNAEUS (Carl von Linné, em sueco, depois que recebeu o título nobiliárquico; Carl Linnaeus em inglês ou Carlos Lineu em português), talvez o maior cientista da áreas de ciências naturais de todos os tempos. Nascido em 23/5/1707 na cidade de Räshult na Suécia, faleceu a 10/1/1778 em Uppsala também na Suécia. Durante seus 71 anos de vida, a maior parte dedicada aos estudos e à produção de extensa obra, Lineu notabilizou-se pela criação da nomenclatura binomial dos seres vivos, a base da classificação sistemática atual, a que me referi no post anterior a este, o sistema que permitiu dar nomes científicos aos seres vivos. Em sua época, muitos cientistas tinham múltiplas habilidades e se dedicavam a várias áreas ao mesmo tempo. Da Vinci é um ótimo exemplo dessa multicapacidade inventiva. Lineu foi outro. Foi literato, poeta, naturalista, médico e botânico de sucesso; escreveu mais de setenta livros e 300 artigos científicos. De caráter irriquieto, Lineu dedicou muitos anos a viagens de estudo, primeiro pelos países eslavos e depois pela Europa. Ia estudando os vegetais e dando forma à sua obra máxima “Systema Naturae”, onde ele propôs a nomenclatura universalmente aceita e adotada de dois nomes (em latim) para definir o ser vivo (animal ou vegetal). Assim, uma planta que anteriormente se chamava “physalis amno ramosissime ramis angulosis glabris foliis dentoserratis” passou a se chamar simplesmente Physalis angulata (gênero e espécie). Grande Lineu, esse! Mas, como ele era inquieto, lá pelas tantas estudou e resolveu simplesmente inverter a escala termométrica Celsius (criada por Anders Celsius) que passou então a ter o zero como ponto de fusão do gelo e o 100°C como ponto de ebulição da água, redesenhando o termômetro. Cada vez que vocês olharem para um termômetro para saber a temperatura, agradeçam a Lineu por ter facilitado nossa vida! Grande Lineu, grande mesmo!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

NOME CIENTÍFICO: O QUE É ISSO?

Todos os seres vivos (animais ou plantas) têm dois tipos de nome: um, é o nome comum, popular, que todos conhecem, podendo variar de região para região dentro de um mesmo país. O outro, é o nome científico que nem todos sabem (pessoas comuns e até mesmo profissionais controladores de pragas) que é criado por estudiosos especializados que usam os conhecimentos da chamada Classificação Sistemática. Os nomes comuns são aqueles que escutamos e falamos corriqueiramente como barata, rato, escorpião, muriçoca, etc. Complica um pouco quando o mesmo animal (ou planta) é conhecido por mais de um nome comum; por exemplo: a ratazana que também é conhecida como rato de esgoto, rato pardo, rato cinzento, gabiru ou guabiru. Quem sabe dizer que animal é o “rato de botica”? Essa pergunta não vale para os maranhenses porque é de lá que vem esse curioso nome para o solerte camundongo, ou catita para os nordestinos. Pois é exatamente para evitar essa confusão é que existe o nome científico que tem caráter universal, sem regionalismos ou pátrias. Esse nome deve necessariamente ser do conhecimento dos profissionais controladores de pragas.
O nome científico é um nome composto por duas palavras (excepcionalmente três) e é sempre escrito em latim, pois assim determina a convenção internacional, ex: Rattus rattus. Deve ser escrito sempre sublinhado, mas modernamente se aceita que seja escrito em letras itálicas. A primeira inicial é grafada em letra maiúscula e a segunda inicial em letra minúscula. Você pode pensar no nome científico como se fosse o nome e o sobrenome do animal (ou planta). O primeiro nome é o gênero ao qual o individuo pertence, ou seja um grande grupo de seres meio aparentados que tenham muitos traços em comum, mas sejam diferentes entre si. Por exemplo, o gênero Rattus. O segundo nome é o da espécie, o qual define exatamente o indivíduo, não permitindo confusões. Ex: Blatella germanica. Às vezes pode surgir um terceiro nome que definiria a variedade, mas há hoje uma forte tendência entre os estudiosos de eliminar esse terceiro nome, considerando que se trata apenas de linhagens do mesmo animal. Por exemplo, o rato preto era chamado de Rattus rattus alexandrinus, mas passou apenas a Rattus rattus por que o alexandrinus (aliás, caracterizado por uma pelagem bi ou tricolor), foi considerado não mais uma subespécie, e sim apenas uma variedade do mesmo animal, considerando que as diferentes chamadas subespécies são análogas e geneticamente compatíveis. A bactéria causadora da peste bubônica, já foi nomeada e renomeada sucessivas vezes; até alguns anos atrás recebia o nome científico de Yersinia pseudotuberculosis variedade pestis. No entanto, seu nome atual ficou apenas Yersinia pestis.
Pode surgir em alguns escritos, um terceiro nome grafado entre parênteses, logo depois do nome científico. Ex: Rattus rattus (Lineu). Não se complique, isso é apenas o nome do pesquisador que, pela primeira vez, descreveu cientificamente o animal (ou planta); no caso exemplificado, foi o célebre Linneus que registrou a primeira descrição científica do nosso conhecido rato de telhado. Por falar nisso, um dia desses escrevo alguma coisa sobre esse tal de Lineu, só para vocês verem o trabalho desse pesquisador. Fantástico!
Pronto, agora vocês já sabem o que é e para que serve o tal nome científico dos animais (se é que ainda não sabiam, lógico!). Por exemplo, se um colega japonês se referir ao “yanenezumi” você pode não saber que ele esteja falando da nossa popular ratazana, mas se ele falar em Rattus norvegicus (não sei bem como soaria falado por um oriental), certamente você pelo menos entenderá o assunto! O nome científico tem lugar e hora para ser utilizado; não vá sair por aí dizendo para dona da casa que ela está infestada por Blatella germanica na cozinha e Periplaneta americana nos ralos e esgotos. A pobre senhora pode achar que está sendo invadida por E.Ts e não pelas conhecidas baratas alemanzinhas e americanas!

terça-feira, 1 de junho de 2010

TRIMILÉSIMO VISITANTE! HURRA!

Todos aqui da Redação do blog do Higiene Atual estamos comemorando a visita de número 3.000 - redatores, ilustradores, corretores, pautistas, jornalistas, linotipistas, estagiários, gráficos, conselho editorial, aspones, assemelhados, todos enfim comemoram efusivamente. Já bebemos juntos uma caixa inteira de champagne Veuve Glicot rosé! Tô brincando, lógico. Na redação deste blog, tem eu e mais eu carregando o piano. Ah, sem esquecer o David que também se diverte ilustrando certas matérias... quando ele acorda de bom humor. Ele ressuscitou a velha dupla David & Golias que publicava tiras cômicas no Higiene Atual quando era impresso.
3.033 visitantes até minutos atrás é uma marca nada desprezível para um blog altamente especializado em controle de pragas como é este aqui. Sabe por que? Porque são mais de 3.000 clicks de profissionais controladores de pragas que já nos visitaram desde novembro último quando o blog foi lançado. É ou não é para se orgulhar? Quer dizer, tirando as de minha mãe e minhas filhas que nos querem prestigiar ainda que os temas sejam áridos para elas, o resto é visita de gente interessada, além de especializada. E vamos em frente, porque atrás vem gente!
A nossos leitores, um solene e sincero muito obrigado, do Davi e do Golias!

UM MUNDO SEM DEFENSIVOS...

...seria, no mínimo, um mundo diferente daquele em que vivemos. De acordo com o Dr. Norman Boulaug, um dos cientistas já laureados com o prêmio Nobel, o banimento dos defensivos químicos no atual estágio do desenvolvimento humano, levaria inevitavelmente a uma dramática alta dos custos dos alimentos e uma queda fatal na sua produção. Recrudesceriam as doenças transmitidas por insetos e roedores com acontecimentos imprevisíveis e pondo em risco toda a espécie humana.
Os alimentos que consumimos hoje apresentam-se sem vermes, larvas e ovos, não devido à tecnologia em sua manufatura prévenda ao consumidor, mas sim devido às medidas de controle de pragas empregadas na lavoura, na pecuária, nas fazendas, nas granjas produtoras, nos silos e armazéns de estocagem, nas fábricas processadoras e nos estabelecimentos comerciais onde são vendidos ou consumidos. Em países mais desenvolvidos, como resultado de modernos programas de controle de pragas, as perdas de alimentos situam-se em torno de 10% do produzido, comparados aos 30, 40 e 50% de certos países terceiromundistas. É o triste ciclo negativo da produção alimentar!
Doenças transmitidas por insetos como a malária, o dengue, as encefalites, a peste bubônica, a febre tifóide, o calazar, para citar apenas algumas, estão hoje sob relativo controle no nosso e em outros países de ocorrência endêmica, muito em função de enormes esforços governamentais, da empresa privada e dos próprios cidadãos, fazendo uso de bases químicas transformadas em inseticidas tanto de uso profissional, como de uso doméstico, tentando recuperar o meio ambiente deteriorado e desequilibrado pela ação do próprio homem.
As discussões de fundo ecológico, tão em moda nos dias de hoje, freqüentemente são levadas ao radicalismo preservacionista, tão prejudicial quanto a febre desenvolvimentista a qualquer preço. Nessas discussões, não raro, os biocidas são colocados como vilões a serem denunciados, execrados e banidos. Sem eles, no entanto, as moscas seriam tantas que literalmente nos impediriam de abrirmos a boca, os pernilongos sugariam nosso sangue até a última gota e tornariam nossa vida insuportável disseminando zoonoses em níveis epidêmicos com conseqüências imprevisíveis, as baratas comeriam nossos alimentos deixando-nos à míngua e os roedores devorariam o que sobrasse. É claro que esse quadro pintado com cores intencionalmente fortes dificilmente ocorreria na prática, pois o bom senso nos diz que ainda não podemos abolir o uso de produtos químicos sem causarmos um enorme problema à própria humanidade. Mas, serve de incentivo à busca de soluções alternativas e mais avançadas para que possamos equacionar tal problema através de abordagens menos deletérias ao meio ambiente. Os sinais aí estão demonstrando que estamos no caminho certo; o surgimento já em fase comercial de defensivos biorracionais (controle biológico e bioquímico), alguns altamente específicos contras seus alvos, indica o caminho. Quanto tempo mais? 15 anos, 30? Mas, vai acontecer, tenho a certeza.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

21 RECOMENDAÇÕES AO OPERADOR PARA FAZER A EMPRESA PERDER UM CLIENTE



1. O operador (se possível todos os operadores de uma equipe) deve apresentar-se ao cliente com os sapatos muito velhos e desgastados ou tênis sujos.
2. Se seus sapatos estiverem com as solas sujas, não se preocupe em limpá-las antes de entrar na casa do cliente.
3. Use um uniforme manchado ou vá com uma camisa desabotoada no peito.
4. Não se barbeie por um ou dois dias.
5. Atrase-se no compromisso marcado e não telefone avisando que vai se atrasar.
6. Não se desculpe por ter atrasado.
7. Tente chegar justamente no horário de refeição da família.
8. Deixe seu veículo destrancado, principalmente se houver crianças por perto.
9. Bloqueie com seu veículo a garagem do cliente.
10. Caminhe diretamente sobre a grama do jardim para chegar à porta do cliente.
11. Toque de maneira repetida a campainha, demoradamente.
12. Chegue à porta com um cigarro dependurado nos lábios.
13. Não cumprimente o cliente, apenas grunha.
14. Vá executar o serviço com um pulverizador todo amassado, enferrujado ou sujo.
15. Pareça aborrecido quando estiver trabalhando.
16. Não percorra previamente a área a ser trabalhada junto com o cliente, apenas comece a executar o serviço.
17. Não explique nada ao cliente sobre o que está fazendo e porquê; nada fale sobre as precauções que devem ser tomadas.
18. Encha seu pulverizador na banheira do cliente e saia respingando tudo e também deixe o bico babando o tempo todo.
19. Descanse seu pulverizador bem no meio da sala sobre o carpete ou, de preferência, sobre um tapete de valor.
20. Não se dirija ao cliente pelo nome e aja como se não soubesse como ele se chama. Use chamativos como: minha querida, meu caro, minha amiga ou qualquer outro epiteto íntimo.
21. E, finalmente, se você tiver que falar, comente como é desagradável seu trabalho, como seu patrão é miserável, como você ganha pouco, etc. Ah! Não se esqueça de usar alguns palavrões aqui ou ali no meio da fala. Especialmente se houver mulheres presentes!

(Esse artigo foi publicado no periódico impresso Higiene Atual em abril de 1993)

terça-feira, 25 de maio de 2010

REVISTA DA ABCVP 24


Saiu a edição no. 24 da revista da ABCVP – Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas, uma revista especializada voltada para temas de interesse dos profissionais controladores de pragas. Nesse número, abriram um espaço para este blogueiro e publicamos um ensaio denominado “SOBRE DINOSSAUROS E ROEDORES”, fugindo um pouco ao lugar comum quando se fala sobre roedores. Aliás, esse número da revista é dedicado a esse tema. Em nosso ensaio, procuramos as origens evolutivas dos roedores desde os tempos ancestrais, dentro da linha darwiniana de pensamento (evolução das espécies). Aliás, já vou adiantando, esse ensaio é uma espécie de sumário de um capítulo do meu próximo livro sobre roedores, sendo ainda escrito, mas em fase final; penso que poderá ser publicado em 2011. Gostei de ter escrito esse ensaio; quem sabe o leitor deste blog possa também gostar de lê-lo. Para quem ainda não sabe, uma assinatura da revista pode ser adquirida a partir do próprio site da Associação: www.abcvp.com.br/revistas.html

MENSAGENS NO BOX


Para deixar sua pergunta em nosso "box" siga as instruções ao lado.
Tentarei responder todas as dúvidas no box ou em um "post" quando o assunto for pertinente e a resposta muito longa.
Se preferir, deixe comentários nos próprios posts.
Obrigado.




sexta-feira, 21 de maio de 2010

REVISÃO TÉCNICA: BARATAS III


Esta já é a terceira parte da revisão sumária que nos propusemos postar no Higiene Atual; portanto, quem não fez, sugiro ler antes as partes I e II.
Qual seria o nível tolerável de baratas em uma cozinha comercial, por exemplo? Nível zero, seria a resposta correta! A presença de baratas em uma cozinha de um restaurante, ou de uma indústria, é absolutamente inadmissível e não me venha com churumelas dizendo que é “impossível” erradicar as baratas de uma cozinha, que temos que aprender a conviver com elas e outros babados semelhantes. Conversa mole pra boi dormir! Tolerância zero é o objetivo de qualquer empresa controladora de pragas que se preze. Não estou dizendo que vai ser fácil, apenas digo que é possível sim, atingirmos níveis de controle absolutos de baratas em cozinhas comerciais e industriais. Temos armas e temos o conhecimento para tanto. As queixas dos profissionais que não alcançam esses níveis são as mais variadas, algumas até explicam, mas não justificam. É porque o proprietário não toma conhecimento do problema, é porque os azulejos estão quebrados, é porque eles lavam a cozinha todos os dias removendo os inseticidas aplicados, é porque os empregados da cozinha não preparam o ambiente previamente para que se possa tratar a cozinha corretamente, blá, blá, bla... Ora essa, uma empresa que se propõe assumir a responsabilidade de assinar o controle de pragas pelo estabelecimento, não pode curvar-se às adversidades e dificuldades, aliás bem típicas de nosso negócio, não é? Adaptação, criatividade e informação são as chaves para mudar um quadro adverso que esteja obstaculizando nosso trabalho.
Por que a barata alemanzinha é tão difícil de ser controlada na cozinha de um restaurante ou em uma lanchonete, por exemplo? Bem, lanchonetes, bares, padarias, rotisserias, restaurantes, cozinhas industriais e outros estabelecimentos assemelhados apresentam muitos aspectos em comum que facilitam sobremaneira a livre instalação e proliferação de baratas. Lembram-se do quadripé vital da biologia das baratas? Água – alimento – abrigo e acesso. Está tudo lá! Antes de qualquer outra discussão: quanto pior for a higiene do local, maior será a probabilidade de sobrevivência das baratas. A presença combinada de sujeira, restos alimentares, capas de gordura em maquinários e utensílios, altas temperaturas, umidade e completa falta de um programa de controle, são fatores que facilitam sobremaneira a intensa proliferação das baratas nesses locais. De seu quadripé biológico, qual o fator mais importante para as baratas em uma cozinha? Nas cozinhas comerciais e industriais, água e alimento são os fatores mais comuns e difíceis de serem equacionados, pelo próprio tipo de trabalho que ali é desempenhado, por mais limpo que seja esse ambiente. Um simples pedaço de pão esquecido atrás de uma geladeira já é suficiente para alimentar um séqüito de baratas durante um bom tempo e água, existe à vontade. Portanto, parece-nos que o pé de apoio mais frágil seria o abrigo, os esconderijos dessa população de baratas infestantes de uma cozinha. É por aí que devemos começar. Temos que demonstrar ao nosso contratante os problemas fundamentais representados pela existência de abrigos para baratas em uma cozinha e que se isso não for completamente corrigido, não conseguiremos entregar o que foi contratado. Eu sei que o proprietário ou o gerente tem mil outros problemas para resolver e talvez dê pouca atenção a nossos reclamos, mas temos que insistir nesse aspecto. Uma boa câmera fotográfica digital pode operar maravilhas na cabeça de nossos contratantes! Não esmoreça. Outra coisa, há que convencê-los que a limpeza úmida profunda, com água, sabão, escovões e mangueiras, deve ser executada antes que apliquemos os inseticidas, óbvio! Depois do nosso trabalho, só um pano úmido para remover respingos indesejáveis e nada mais, por um certo tempo.
Que métodos podemos utilizar para eliminar as infestações já existentes? Pulverização de calda inseticida ou iscas baraticidas? Essa é uma decisão de cada empresa, já que os dois métodos podem levar a bons níveis de controle. Mas, se queremos algo melhor, se queremos chegar ao nível zero de infestação, além das medidas corretivas do ambiente a que nos referimos, é preciso atacar o problema de forma mais rígida e abrangente. Quero sugerir o tratamento combinado empregando pulverização e iscas. Eu creio que os tratamentos iniciais de uma cozinha infestada devam ser executados pela pulverização de calda inseticida (à escolha do profissional), com freqüência mensal ou quinzenal inicialmente, pela técnica de tratamento localizado, onde o operador vai injetar a calda em todos os pontos onde possivelmente baratas se escondam. Nessa técnica, deve-se usar bico em leque ou em agulha. Leva mais tempo, porém o resultado final é bem melhor que outras técnicas. Uma vez debelado o grosso da infestação, no momento em que os focos principais já tenham sido extintos è os secundários reduzidos, podemos entrar com a aplicação de baraticidas gel (prefiro mais que pastas), aplicados em pontos os mais frequentados pelas baratas. A cada três meses, voltar a tratar por pulverização para eliminar focos insurgentes. Alguns aspectos muito importantes devem ser observados na adoção desse método:
· É vital a recuperação das estruturas danificadas ou que estejam dando abrigo a baratas. Isso é fundamental e deve ser negociado com seu contratante.
· Se o ambiente não for higienizado de forma correta, fotografe e exiba a seu contratante como prova. Seja impiedoso nessa cobrança!
· Orientar seu contratante para que não permita a entrada livre de embalagens de mercadorias e alimentos diretamente para a cozinha. Tudo deve entrar somente em caixas plásticas para as quais os alimentos e mercadorias tenham sido transpostos em uma área externa qualquer.
· Nunca use tratamento espacial (termonebulização ou atomização) em uma cozinha, sob risco de contaminar tudo que lá se encontre.
· Acerte uma freqüência operacional de acordo com o grau de infestação encontrado a cada instante. Isso é necessariamente mutante e dinâmico.
· Selecione os inseticidas e baraticidas a serem empregados, pela qualidade. Não abra mão disso! Os resultados compensarão (e muito) um eventual maior custo aparente da matéria prima.
Certamente há outros métodos e técnicas que eventualmente poderão conduzir a bons resultados, não discuto. O que relatei, é minha opinião pessoal, nada mais. Boa caçada e bons negócios!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

PHOMOLACTONA – NUNCA HAVIA OUVIDO FALAR!

Nossa leitora Ivone nos enviou uma pergunta sobre o eventual uso da phomolactona, como inseticida biológico. Eu nunca havia ouvido falar e, bem por isso, me interessei. Andei dando uma pesquisada geral no tema e perguntei a uma especialista; quase nada encontrei, mas assim mesmo quero compartilhar o que achei com nossos leitores.
Ao que depreendi, a phomolactona é um dos metabólitos produzidos por certos fungos encontrados dentro de colmeias de abelhas, potencialmente responsáveis por uma ação antifúngica contra fungos patogênicos, quer dizer uma substância produzida por um fungo que tem ação contra outros fungos que podem causar doenças nas abelhas. Dessa forma, a colméia ficaria livre desses fungos patogênicos. O que é a Natureza, não? Mas, não há quase nada disponível na literatura científica sobre a tal phomolactona 4,5 (S)-[1-(1(S)-hidroxibutil-2-enil)]dihidrofuran-2-ona, exceto o que já citei. Não sei de onde nossa amiga Ivone tirou essa informação e confesso minha ignorância nesse tema. Contudo, a menos que eu esteja profundamente desinformado, a phomolactona pode ter ação antifúngica somente, não causando qualquer problema aos insetos. Raciocinemos juntos: se a phomolactona fosse deletéria aos insetos, não seria produzida no interior de uma colméia, certamente! Mas, como nada sei sobre esse tema, melhor me calar do que falar bobagem.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

REVISÃO TÉCNICA: BARATAS - PARTE II

Retomando nossa sumária revisão do tema Baratas (para os leitores que estão acessando o blog pela primeira vez, a Parte I deste tema está logo aí abaixo; sugiro sua leitura antes de ler este post), das mais de 4.000 espécies distintas de baratas já descritas cientificamente (e provavelmente outro tanto jamais observadas), como dissemos anteriormente, apenas umas poucas se aproximaram do convívio com o homem nos núcleos e centros urbanos. No Brasil, não mais de três ou quatro espécies percorreram esse caminho, a começar pela notória barata alemanzinha (Blatella germanica), também chamada de francesinha ou mesmo paulistinha, devido à alternância de bandas escuras e claras longitudinais no seu pronoto (o escudo protetor da nuca, sob o qual a cabeça está fletida), lembrando as listras da bandeira francesa ou paulista, como queiram; também é chamada de germânica, obviamente devido ao seu nome científico. Na verdade são apenas duas faixas escuras sobre um fundo mais claro. As baratas alemanzinhas adultas não medem mais que 1,5cm de comprimento; cor marrom em diferentes tons, mas os machos são mais claros que as fêmeas e as ninfas são bem escuras; produzem proles o ano inteiro, o que é favorecido por ambientes úmidos e com temperatura ambiente acima de 21°C (ex; cozinhas); a fêmea carrega consigo a ooteca (estojo de ovos) durante todo o tempo de maturação das pequenas ninfas em seu primeiro estádio e só a deixa quando a ooteca está pronta para eclodir liberando em torno de 30 a 40 ninfas, podendo chegar a 48 ou 50. Cada fêmea pode produzir cerca de 4 a 5 ootecas ao longo de sua vida que dura em torno de 200 dias. Preste atenção nessa fantástica capacidade de reprodução e o leitor vai descobrir por que controlá-las não é tarefa fácil. Todas as baratas são insetos de desenvolvimento por metamorfose incompleta (ovo-ninfas-adulto) e, segundo Noland (1949), a barata alemanzinha pode ir de ovo à adulta em cerca de 36 dias (temperatura ambiente de 30°C); contudo, a média em condições normais (27°C com 40% de umidade relativa do ar), oscila em torno de 50 a 60 dias. A B.germanica não aprecia viver a céu aberto, mas sob certas circunstâncias pode ser encontrada no peridomicílio. Em 1982, o conhecido especialista Frishman, o americano que algumas vezes já esteve no Brasil encantando-nos com suas animadas palestras sobre baratas, relatou haver encontrado uma pesada infestação de baratas germânicas no interior de um grande e velho aparelho de rádio no vestíbulo de um dos andares de um hospital, onde não havia qualquer fonte de água em um raio de 18m; depois de muito investigar, descobriu, conversando com o pessoal do hospital, que as baratas aproveitavam a noite para matar a sede na urina produzida por pacientes que não podiam conter a micção! Grande Frishman esse, muito criativo... alem de ótimo palestrante!
As baratas alemanzinhas são, como as demais baratas, de hábitos noturnos e evitam grandes movimentos durante o dia; costumam esconder-se em grandes grupos em lugares sempre próximos à fonte de alimento e umidade, o que faz da cozinha seu habitat predileto. Seus alimentos preferenciais são fermentados e resíduos de bebidas que fermentem (leite e cerveja). Baratas adultas podem viver até um mês sem alimentos, desde que não falte água, mas morrem em duas semanas sem ela. Qualquer rachadura nas paredes, vãos entre azulejos mal rejuntados, azulejos quebrados, buracos, fendas, gretas em cozinhas residenciais, comerciais ou industriais, são pontos de eleição para seus abrigos.
A segunda espécie sinantrópica de importância em nosso país, é a barata americana (Periplaneta americana) também chamada de barata dos esgotos (já perceberam, não!), cujos fósseis mais antigos datam de 6 ou 7 milhões de anos atrás, encontrados em cavernas ao lado de utensílios domésticos ancestrais. Essas danadas têm o péssimo hábito de voar e o fazem muito bem e alto (podem entrar por janelas abertas em prédios de 10 ou 12 andares), daí ganhando também o nome de baratas voadoras. Quem já escutou uma barata americana em pleno vôo, não se esquece jamais, pois parece um minihelicóptero; além do que, ela quase sempre termina seu vôo nos cabelos ou nos braços de alguma pessoa! É ruim, hem! É a maior das espécies domésticas podendo atingir até 5cm de comprimento; os machos são um pouco menores. De cor marrom-pinhão, têm uma característica banda amarela circundando o escudo protetor da cabeça e têm quatro asas, duas pesadas de proteção e sob estas, duas bem mais finas para vôo. Ao contrário das alemanzinhas, logo que forma a ooteca (estojo de ovos), a barata americana a deixa em algum ponto protegido e colada à superfície através de uma substância pegajosa produzida pela mãe. Depois de aproximadamente 38 a 49 dias (dependendo das condições ambientais de temperatura e umidade) a ooteca eclode liberando de 6 a 16 ninfas (média de 9); a barata americana pode produzir cerca de 90 ootecas durante sua vida que pode chegar a 2,5 anos. Preferem habitar lugares quentes, úmidos e escuros (ex: rede de esgotos, porões, caixas de gordura, fossas, ralos e drenos, embaixo das pias e ao redor de canos de água, armários de cozinha, etc. Foi considerada o inseto mais rápido da Natureza. São fascinadas por líquidos fermentados (dica: pão com cerveja é uma isca irresistível!). Os escorpiões fizeram dessa barata, seu alimento preferencial nas cidades.
A terceira espécie sinantrópica mais prevalente em nosso país é a barata oriental (Blatta orientalis) que não consegue voar porque suas asas são muito curtas; nas fêmeas são tão curtas que o terço distal do abdômen fica exposto, o que nos permite identificar essa espécie facilmente. Das espécies domésticas, é mais vagarosa e menos cautelosa, expondo-se com freqüência. Vive em grandes grupos misturados entre adultas e ninfas e são muito encontradas em monturos de lixo e esgotos. Têm cor marrom bem escuro e medem cerca de 3cm de comprimento. A fêmea carrega sua ooteca por cerca de 30 horas para depois depositá-la em lugar quente e protegido, sempre próximo a uma fonte de água. No interior da ooteca, 16 ovos se desenvolvem por um período aproximado de 42 a 81 dias, dependendo das condições ambientais. A fêmea pode produzir cerca de 18 ootecas ao longo da vida que termina em torno dos seis meses. Essa espécie é a que causa mais repulsa porque seu contato corporal com a pele das pessoas é total (as fêmeas encostam seu corpo inteiro na superfície onde param) e seus movimentos são lentos. Quem já passou por essa experiência, não se esquece!
Há ainda mais uma espécie a citar, a Pycnoscellus surinamensis, a barata do Suriname, uma espécie não autóctone que está entrando em alguns pontos de nosso país. Alimenta-se principalmente de raízes (atenção aos vasos ornamentais no interior das residências!).
OK, agora podemos pensar em abordar a questão do controle das baratas domésticas. Só pensar, porque comentar fica para um próximo post! Não perca neste mesmo batblog!