quinta-feira, 9 de setembro de 2010

SOBRE OS PERCEVEJOS DE CAMA (BEDBUGS)


Ilha de Manhattan, Cidade de Nova Iorque nos Estados Unidos, imediações do Central Park (a região mais cara da cidade), um Hotel 5 estrelas (verdadeiro luxo com diárias começando em USD 450), 25º andar, suíte 2514, Mr. Kimberley e sua esposa, depois de um ótimo jantar com amigos locais no Iroquois regado a Beaujolais safra 2006 (uma excelente safra na França), aninham-se nos finos lençóis de uma cama king size (6 travesseiros de plumas de ganso). Final perfeito para um dia perfeito. Conversam trivialmente sobre os acontecimentos do dia e o sono rapidamente chega. Mas, nem bem começavam a dormir e um pinicão nas costas de Mr.Kimberley meio que o acorda; outro pinicão no braço desta vez e mais outro na barriga da perna o acordam completamente. A Sra. Kimberley também acorda, pois sentira uma pinicada na barriga. Luz acesa, procuram ver se havia algum bicho naquela cama que pudesse estar atacando o casal, pulgas talvez, para espanto dos dois. E, horrorizados, observam... meia dúzia de uns insetos pequenos correndo entre os lençóis tentando fugir da luz. O indignado Mr. Kimberley pelo telefone chama a Recepção e despeja seu irritado protesto. Claro, o Hotel fez um acordo para evitar que fosse processado e que a notícia pudesse ser veiculada pela imprensa.
Ficção científica? Historinha romanceada para despertar a atenção de nossos leitores? Nada disso... pura realidade! De repente, a cidade de Nova Iorque declarou-se infestada por percevejos de cama (que eles chamam de bedbugs). Com o advento do DDT na década de 40, os percevejos haviam sido eliminados como pragas nos centros urbanos, mas em 1995 eles começaram a reaparecer nas cidades (a primeira a acusar o problema havia sido Londres). Os hotéis entraram em polvorosa, os residentes buscaram socorro, houve até quem achasse que era um ataque biológico do Bin Laden! As empresas controladoras de pragas subitamente tornaram-se a bola da vez, como se diz por aí. Nunca tiveram tantos chamados de urgência, nunca fizeram tantos negócios, nunca tiveram tanta importância como então. Há dados que permitem afirmar-se que, hoje, aproximadamente de 25% dos hotéis americanos apresentam-se, ou já apresentaram-se, infestados por percevejo. Tenho recebido com maior freqüência e-mails pedindo informações sobre essa nova praga. Quer dizer, o ressurgimento dos percevejos de cama é um fato, talvez, mundial!
Nova praga? Nem tanto! O Cimex lectularius, percevejo de cama, já é um velho conhecido nosso e no interior, onde ainda muito se usa colchões estofados com crina de cavalo ou com palha, esses insetos adoram se esconder para aguardar o cair da noite, hora de sua refeição preferida: sangue humano. Então, nos modernos colchões de molas, ou de espuma, eles não se alojam? Pois sim! Estão lá para azucrinar a noite dos incautos que ali deitarem. Vamos dar uma olhada mais de perto nesses percevejos bem adaptados a viver nos centros urbanos.
Os percevejos comuns (Cimex lectularius) são insetos hematófagos estritos, quer dizer, ou se alimentam de sangue ou se alimentam de sangue, de preferência humano, embora possam sugar animais de sangue quente. São atraídos até suas vítimas pelo gás carbônico exalado durante a expiração, depois pelo calor e certamente por alguns odores. O percevejo perfura a pele da vítima com um aparelho bucal composto de dois tubos: por um, ele injeta sua saliva que contem uma substância anticoagulante e outra que é anestésica; pelo outro tubo sugam o sangue (que evolução, não! Darwin foi um gênio). Depois de sugar por uns 5 minutos, buscam um esconderijo para digerir o alimento sem ser incomodado (voltam para dentro do colchão ou buscam algum orifício, rachadura ou oco na estrutura da cama). Embora o percevejo possa sobreviver um ano sem se alimentar, em condições normais ele se alimenta a cada cinco ou dez dias. Em 2009 foram publicados relatos científicos do surgimento de linhagens de percevejos já resistentes a certos inseticidas. Aprendi na infância que quando a gente esmagava um percevejo, ele liberava um cheiro muito ruim e desagradável; por isso a turma deixava em paz um percevejo quando encontrado. Hoje eu sei que o percevejo criou uma forma de defesa contra seus predadores, exalando dois feromônios fétidos, o 2-octenal e o 2-hexenal. Os percevejos se desenvolvem por metamorfose incompleta (ovo - seis estágios ninfais – adulto). Combatê-los com organofosforados e mesmo com os proscritos organoclorados não vai adiantar nada porque eles se tornaram resistentes a esses inseticidas. Algumas populações de percevejos especialmente no hemisfério norte, já exibiram sinais de resistência até contra alguns piretróides (como a deltametrina). Testes recentes com essas populações resistentes demonstraram, felizmente, que o hidroprene os elimina, como também o carbamato propoxur (disponível no mercado brasileiro). Até hoje não foi possível provar que o percevejo atue como transmissor de qualquer zoonose à espécie humana; dessa forma, eles são responsabilizados apenas por dermatites, reações cutâneas alérgicas e outras reações locais; em casos raros de pesado ataque de percevejos, sem serem combatidos, alguns problemas sistêmicos podem surgir.
Olha o percevejo aí, gente!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

AGORA JÁ SÃO 5.000 VISITANTES!


Para ser exato, 5.030 visitantes até minutos atrás! Fico contente, parte de meus objetivos quando criei o blog do Higiene Atual está sendo atingido: divulgar assuntos técnicos para profissionais controladores de pragas, os desinfestadores. Não só isso, é claro, discutir, lembrar e abordar diferentes temas, comentar, responder (quando sei), polemizar se necessário. Foi para isso que em novembro último o Higiene Atual voltou ao ar, desta vez pela Internet. Aos poucos a seção de perguntas e comentários curtos vai também sendo usada por nossos leitores (veja aí na coluna da esquerda); dali surgiram idéias boas para figurar nos posts. Enfim, vamos construindo junto a pauta do Higiene Atual a cada momento. E vamos aceitar sugestões dos leitores; sugiram, se quiserem e, quem sabe, transformamos em mais uma postagem de interesse de nossa comunidade profissional.
Pessoal, obrigado mais uma vez por ter transformado este blog em um sucesso incrível! Grazie, prego. Vielle danke. Domo arigatô. Muchas gracias. Merci beaucoup. Thank you. Muito obrigado!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

OUTRA VEZ, SOBRE O LIVRO VIRTUAL BOAS PRÁTICAS (E-book)


A pedidos, volto a comentar sobre o E-book (livro virtual) BOAS PRÁTICAS OPERACIONAIS PARA EMPRESAS CONTROLADORAS DE PRAGAS de nossa autoria. Vocês sabem, a tendência mundial é a de evitar o livro impresso em papel e substituí-lo por livro virtual (Internet); daqui a pouco, mais alguns anos, e todo mundo terá uma biblioteca virtual em seu computador, do tamanho que quiser, com os títulos que quiser e com a facilidade ao alcance de um click. Na Internet já é possível encontrar muitíssimos livros virtuais à venda e mesmo muitas obras que podem ser baixadas gratuitamente, como certos clássicos da literatura mundial. Eu mesmo já comecei a montar minha biblioteca técnica particular. Caramba... como a vida ficou mais fácil! Quando comecei a me especializar, há 40 anos atrás, vocês não podem calcular a trabalheira que era conseguir literatura para estudar; era tudo pelo Correio com semanas e semanas de espera entre uma carta e outra. O telex veio ajudar e mais à frente o fax revolucionou as comunicações. Mas, era dureza! Hoje, basta um rápido acesso a algum site de busca e pronto, estou dentro de uma biblioteca pesquisando o que busco. O tal livro virtual (E-book) tem enormes vantagens e fiquei fã, além de ser ecologicamente correto, pois não usa papel. A Natureza agradece.
Então, há alguns anos atrás publiquei meu segundo GTO (Guia Técnico Operacional) que abordava as boas práticas operacionais, as quais deveriam ser adotadas por empresas controladoras de pragas. A intenção era de auxiliar as empresas já estabelecidas, e as que viessem a se estabelecer, a se enquadrarem dentro de certas regras para o correto desempenho de suas atividades e evitar aborrecimentos com a fiscalização das Vigilâncias Sanitárias estaduais ou municipais. O livro foi muito bem aceito pela comunidade dos controladores de pragas em nosso país e, para minha surpresa e satisfação, esgotou-se rapidamente em menos de seis meses. Assim ficou durante anos, pois a impressão gráfica foi ficando cada vez mais cara e atingindo preços proibitivos, especialmente para quem não tem uma Editora para suportar os custos, como é o meu caso. Até que surgiu, e rapidamente ganhou espaço, a alternativa do livro virtual, simples, limpo e barato, que acabou me convencendo.
Há uns seis meses atrás, através do site do Pragas On Line (www.pragas.com.br), voltamos a disponibilizar aquele GTO. O leitor interessado nesse E-book deve acessar o referido site e ali vai encontrar uma seção de vendas de livros e DVDs técnicos; entre eles está o GTO Boas Práticas, ainda o único livro virtual da coleção. Obviamente, sou suspeito para comentar o conteúdo do livro, mas tenho recebido de meus leitores muitas referências elogiosas, de forma que acho que as informações ali contidas devem estar sendo de utilidade para os colegas controladores de pragas.
Um abraço.

UM POUQUINHO SOBRE OS CAMUNDONGOS (Mus musculus)


Acho que já comentei aqui mesmo neste blog que estou finalizando mais um GTO – Guia Técnico Operacional – desta feita sobre roedores e seu controle. Projeto antigo, venho coletando informações e dando forma ao livro já há alguns anos, uma vez que quero que esse Guia seja bem abrangente e de fácil leitura. Antes que me perguntem quando vai ficar pronto, já vou dizendo que ainda falta escrever alguma coisa, mas eu diria que cerca de 80% já está escrito. Como já fiz anteriormente (Sobre Dinossauros e Roedores, artigo publicado em recente edição da revista da ABCVP), pincei um pedaço do GTO que estou escrevendo e transcrevi, adaptando para o blog do Higiene Atual, a fim de que nossos leitores sintam o gostinho, uma provinha somente.
Nosso conhecido camundongo (Mus musculus) tem sua vida inteira em um período curto de 9 a 12 meses, razão pela qual atinge a maturidade sexual bem cedo, cerca de 6 a 10 semanas após seu nascimento. A prenhês também é bem curta, cerca de 19 a 21 dias e as proles geralmente se situam entre 5 e 6 filhotes. A fêmea entra em cio entre 5 e 10 vezes em sua vida e o canibalismo dos filhotes é raro, geralmente ocorrendo quando a fêmea está em trabalho de parto e algum distúrbio o interrompe . Então, os camundongos têm que aproveitar a vida, porque essa sim é uma vida curta! E aproveitam: são onívoros (comem de tudo), andam por toda parte subindo e descendo com facilidade, os machos dominantes formam seu próprio harém e banem os filhos machos de seu território quando eles atingem a maturidade sexual, alojam-se em pequenos espaços fazendo ninhos cuidadosamente forrados de materiais macios e pelos da própria mãe, só se expõem à noite a fim de evitar os riscos dos passeios diurnos, têm olhos globosos especializados em perceber movimentos mesmo na escuridão (olha o gato aí, gente!). Tendo comida, até que levam uma boa vida. Se não fosse seu ponto fraco: a curiosidade. Ah, a maldita curiosidade que já causou tantas mortes entre os camundongos! Sentem uma atração fatal por qualquer objeto novo que tenha surgido em seu território (3 m de raio e 3m para cima). É algo novo? Lá vão eles investigar, cheirar, olhar bem, tocar e... TLEC! A ratoeira liquida essa farra. Seus primos maiores como a ratazana e o rato preto são desconfiados e não se arriscam com objetos novos e com isso vão sobrevivendo. Apesar de enorme quantidade de modelos diferentes de ratoeiras e armadilhas que existe no comércio, a boa e velha ratoeira tipo “quebra-costas”, parece ainda ser das mais eficazes no combate a camundongos. Dessas, as mais modernas até dispensam o uso de iscas (que a gente vê nos desenhos animados especialmente), pois possuem uma plataforma que aciona o mecanismo de disparo sob o peso do camundongo que ali sobe para investigar o objeto. Para combatê-los, quando a infestação ainda é leve, uma campanha usando ratoeiras (várias ao mesmo tempo) pode ser capaz de controlar o problema, mas se a infestação tornou-se pesada antes da intervenção, é bom pensar no uso de rodenticidas. E daí, surge um problema: muitos cadáveres vão acabar escondidos das vistas e em poucos dias um terrível mau odor vai tomar conta do ambiente. Pior a emenda que o soneto! Algumas empresas controladoras fazem uso das armadilhas colantes que, facilmente localizáveis, contornam parcialmente esse problema. De qualquer forma, não é tão fácil assim combater camundongos como pode parecer a uma primeira vista. Primeiro, porque se você viu um na área, nunca pense que ele está sozinho (ou sozinha); geralmente há uma numerosa família escondida só esperando a noite cair para cair na farra. Eles roem, e como roem! Atacam especialmente os cereais em grão que não estejam em recipientes muito bem fechados, não desprezam doces e bolos, deleitam-se com tortas, pães e quitutes. Sentem de longe o cheiro apetitoso de um raticida, especialmente de boa qualidade, para sorte nossa. Para aumentarmos a eficácia das iscas raticidas que estamos empregando, devemos dividir o conteúdo de um sachet em três ou quatro montículos separados por, digamos, um palmo de distância. Lembre-se que os camundongos são mordiscadores, isto é, apenas mordiscam um alimento e já saem em busca de outro abandonando o pitéu anterior. Com esse artifício de repartir a isca raticida, o camundongo vai ingerir um pouquinho no primeiro montículo, um pouquinho no segundo e assim por diante; quando ele tiver satisfeito... um abraço, um camundongo a menos na casa. Aceitam muito bem os raticidas em blocos, principalmente aqueles que têm menos parafina. Os pontos de passagem e visita dos camundongos em um ambiente são facilmente localizáveis pela presença de suas fezes em quantidade.
Outro dia falo um pouco mais, está bem?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A DIFERENÇA ENTRE CIÊNCIA E “ACHOLOGIA”


Com certa freqüência recebo perguntas de nossos leitores via Internet, e mesmo pessoalmente em palestras que, de alguma forma, têm a ver com mitos ou fatos, crenças e crendices ou verdades. Tento sempre explicar começando sobre a diferença entre o que é um conhecimento científico e uma suposição ou mito. Sobrou agora um pouco de tempo para comentar através do blog esse tema.
Ciência, em seu significado mais amplo, refere-se a qualquer conhecimento obtido por meios verificáveis, ou seja, que podem ser reproduzidos e que cheguem ao mesmo resultado. Em outras palavras, conhecimentos baseados em empiricismo (tentativa e erro), experimentação (fruto da pesquisa) ou naturalismo metodológico (estudo de causas naturais, simplificando). Por exemplo, um fato observado por pessoas comuns no comportamento de uma determinada espécie de roedor, depois de estudado cientificamente e comprovado, passa a fazer parte da ciência, do conhecimento científico; enquanto isso não acontecer, esse fato é apenas um conhecimento empírico, talvez um mito. Quer dizer, uma observação não confiável. As pessoas, e até certos técnicos menos preparados, confundem muito essas duas coisas e passam a repetir uma determinada crença como sendo uma verdade. Na boca de um leigo, é até aceitável, já que o leigo, como o próprio nome diz, não tem obrigação nenhuma de conhecer o fato cientificamente. Mas, na boca de um técnico, um mito repetido o condena no mínimo ao Purgatório (conforme o mito, direto para o Inferno! Sem apelação!).
Os cientistas sustentam que a investigação científica está baseada na chamada metodologia científica, um processo muito rigoroso para o correto desenvolvimento e avaliação de explicações naturais de certos fenômenos baseados em observações empíricas confiáveis, e não em argumentos retóricos populares ou mesmo de autoridades. Em outras palavras e simplificando: para se chegar a um fato científico, ainda que originado em observações empíricas, é preciso estudá-lo através de métodos científicos muito bem estabelecidos. Não é “à galega”, usando o jargão popular, que vamos chegar à verdade.
O resto... é puro “achismo”!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

AS BARATAS PODEM SOBREVIVER A UMA GUERRA NUCLEAR?


Achei interessante para reproduzir no blog. Saiu no site www.terra.com.br um dia desses.
Elas apareceram no planeta há cerca de 300 milhões de anos - há muito mais tempo que o ser humano. Não importa quantos venenos, chineladas e vassouradas elas levem, sempre voltam a aparecer. Não bastasse tudo isso, muitas pessoas acreditam que o único ser que conseguiria sobreviver a uma guerra nuclear seria a barata. Mas isso é realmente verdade? As informações são do site Life's Little Mysteries.
A ideia parece plausível, já que a barata é um inseto numeroso e resistente - algumas espécies aguentam até um mês sem comer. Além disso, ela tem outras características que indicam que a barata poderia ainda existir depois que o último ser humano desaparecesse, como, por exemplo, a capacidade de se reproduzir rapidamente e em grandes números. Além de tudo isso, as baratas têm uma tolerância à radiação maior do que outros animais, ainda mais se comparadas ao ser humano. Elas também têm uma grande capacidade de adaptação, sempre desenvolvendo tolerância e resistência a certos inseticidas. Essas características ajudariam o inseto a sobreviver ao longo período de contaminação que segue uma explosão nuclear. Contudo, como qualquer outro ser vivo, se as baratas estiverem próximas à explosão, vão acabar tostadas.
O programa Mythbusters (Caçadores de Mitos), do Discovery Channel (TV a cabo), já fez essa pergunta anteriormente. No experimento da TV, o time de especialistas utilizou três grupos de insetos - baratas, besouros e moscas das frutas. O experimento indicou que, apesar de sobreviverem a doses de radiação 10 vezes maiores que as suportadas pelo ser humano, as baratas não aguentaram tanta radiação como a mosca da fruta. A equipe afirmou, ao final do programa, que a afirmação de que as baratas são os seres mais aptos a sobreviver a uma guerra nuclear era... apenas um mito!
Segundo o site, apesar do experimento, existem cerca de 4 mil diferentes espécies de baratas, além de uma população de alguns bilhões de insetos. É possível que algumas baratas possam sobreviver a um holocausto nuclear, dependendo da intensidade da radiação. Além disso, as que sobreviverem, rapidamente estarão cheias de companheiras (basta um casal). Mas isso, não testemunharemos!

(colaboração: David Benedetti)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

MEDIDAS NÃO QUÍMICAS EM HOTÉIS


Recebi um e-mail de um colega que, tendo lido o post sobre medidas não químicas em residências, nos pergunta sobre quais seriam essas medidas aplicadas a hotéis, resorts e assemelhados, que deveriam figurar em algum impresso da empresa controladora. O tema é complexo e vasto, mas tentarei resumir um grupo dessas medidas não químicas que seriam sinergistas na obtenção de bons resultados no controle de pragas, aplicáveis indistintamente em hotéis e congêneres. Embora hotéis geralmente estejam situados em um só prédio, há hotéis horizontais que ocupam diferentes prédios, o que acontece nos resorts com freqüência. Sugiro informar ao cliente as seguintes medidas não químicas a cargo do contratante:
• Manter em perfeito funcionamento as portas de fechamento automáticas onde houver.
• Providenciar molas nas demais portas para que estejam sempre fechadas.
• Colocar tela anti-insetos nas janelas (sempre que possível) especialmente nas áreas de serviço. Não esquecer os dutos e aberturas de ventilação de porões e sótãos.
• Desmatar eventuais plantas, especialmente pragas, junto às paredes externas dos prédios e podar árvores próximas que possam estar tocando as instalações.
• Manter os gramados sempre aparados.
• Usar conchas quebradas, pedrisco ou pedregulhos para recobrir a terra de vasos ornamentais ou canteiros que se localizem junto ou próximos das paredes. Evitar recobri-los com qualquer material orgânico.
• Manter calhas, drenos e condutores de água pluvial limpos.
• Assegurar-se que os drenos dos aparelhos de ar condicionado estejam bem colocados e não produzam vazamentos.
• Minimizar as luzes externas à noite ou instalar lâmpadas de vapor de sódio (ou amarelas) que, minimamente, são menos atrativas para insetos noturnos.
• Eliminar ninhos de pombos e de outros pássaros, vedando os pontos de acesso.
• Manter as lixeiras sempre fechadas e higienizá-las diariamente.
• Instalar numerosos coletores de lixo externos e esvaziá-los frequentemente.
• Dispor funcionários de limpeza para que recolham dejetos dispostos pelos hóspedes dentro e fora das instalações.
• Remover o conteúdo e lavar as caixas de gordura com certa freqüência.
• Vedar rachaduras e fendas em torno de canos hidráulicos, das bancadas e paredes dos recintos onde alimentos sejam manipulados.
• Consertar todo e qualquer vazamento de água nas cozinhas, nos banheiros e qualquer outro recinto.
• Melhorar constantemente as condições de limpeza e higiene das cozinhas.
• Remover o mais rapidamente possível as bandejas de room-service dos quartos e das piscinas.
• Aspirar com freqüência as bordas de tapetes e carpetes fixos de qualquer dependência do hotel onde estiverem.
Essas medidas estarão a cargo da administração do hotel, mas cabe à empresa controladora de pragas contratada, indicá-las priorizando para que as providências possam e devam ser tomadas.
Claro, essa lista é apenas minha sugestão e pode ser acrescida de muitos outros itens que o leitor julgar sejam importantes.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

MEDIDAS NÃO QUÍMICAS EM UMA RESIDÊNCIA


Outro dia postei uma matéria sobre os esclarecimentos que deveriam ser oferecidos ao cliente contratante para não só evitar queixas infundadas, como para reforçar a imagem da empresa junto a esse cliente. Entre outras coisas citei que o cliente precisa ser esclarecido sobre as medidas não químicas que devem ser praticadas na residência pelo próprio contratante, para que o resultado da desinfestação seja melhor e mais adequado. Um colega perguntou-me por e-mail quais seriam essas medidas não químicas e aproveito o blog para responder.
Cada caso é um caso, eu sei, mas existem certas medidas que se aplicam a qualquer residência, tais como:
• Esvaziar e limpar todos os armários da cozinha antes que o tratamento seja iniciado. Utensílios podem ser colocados sobre a mesa da cozinha e cobertos com um lençol ou plástico. Ou podem ser levados para outro recinto e igualmente cobertos.
• Esvaziar e limpar os armários de banheiro e outros que possam conter remédios, bem como cestos de roupa suja.
• Verificar os vasilhames que contenham farináceos e grãos de cereais ou leguminosas. Se estiverem já infestados por gorgulhos (carunchos), jogar o conteúdo fora e lavá-los.
• Colocar todas as garrafas já abertas de líquidos e vasilhames que contenham alimentos no interior de geladeiras ou do forno (desligado, claro!).
• Evitar a presença de crianças e animais de estimação durante a aplicação e até que a calda seque (aproximadamente de duas a quatro horas após o término do tratamento).
• Cobrir os aquários e seus equipamentos com lençol plástico, procurando vedar com fita colante. Só volte a ligar a bomba de ar e filtro depois que a calda aplicada no ambiente secar.
• Desfazer-se do lixo.
• Aspirar todos os tapetes e carpete (especialmente nas bordas) e remova o conteúdo do saco coletor, principalmente se a infestação for de pulgas.
• Remover sapatos e brinquedos que estejam nos pisos da casa.
• Afastar qualquer objeto que esteja junto às paredes de garagens e depósitos.
• Providenciar um bom banho antipulgas de seu animal de estimação no mesmo dia do tratamento.
Eis aí algumas sugestões das medidas não químicas que o contratante deve providenciar antes que o tratamento na residência comece na data marcada. Se esqueci alguma coisa, adicione à lista.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

INFORMANDO SEU CLIENTE

Grande parte das medidas não químicas para o controle de insetos em uma residência, devem ser adotadas pelos próprios clientes, incluindo o manejo adequado do lixo doméstico, a limpeza e higiene geral da casa, a armazenagem correta e apropriada dos alimentos, a manutenção das instalações especialmente hidráulicas e outras. Contudo, cabe ao profissional controlador de pragas contratado informar seu contratante sobre as medidas cabíveis que devem ser adotadas ou corrigidas para que o controle seja atingido e, principalmente, os riscos existentes caso essas medidas não sejam adotadas. Por exemplo, em casas onde haja cães ou gatos, é preciso aspirar o pó dos pisos e forrações com bastante freqüência se o objetivo é controlar pulgas. Muitos desses deveres da dona da casa podem não ser tão óbvios e a informação fornecida pelo profissional pode estabelecer uma relação muito favorável entre a empresa contratada e o contratante. Algumas vezes essas informações podem ser transmitidas através de folhetos impressos contendo o nome da empresa controladora, o que vai reforçar seu nome junto ao cliente. Além do que, deixa claro que o grau de controle só será atingido pela adoção de medidas não químicas juntamente com os biocidas utilizados pela empresa. A idéia de que o controle será obtido somente pela aplicação de algum produto milagroso tem que ser prontamente desmontada.
Falsas expectativas são uma das principais razões das chamadas para repasse. Alguns contratantes queixam-se porque não foram avisados sobre possíveis odores dos biocidas empregados. Muitos se mostram surpresos e queixam-se porque sua residência ficou cheia de insetos mortos após a aplicação dos inseticidas; de alguma forma eles simplesmente esperavam que os insetos infestantes desaparecessem após o tratamento! Outros se queixam porque as formigas continuavam a ser vistas andando após o tratamento por alguns dias. Todas essas queixas e outras mais poderiam ser evitadas se a empresa se desse ao trabalho de esclarecer devidamente o contratante e ele teria melhores condições de realmente avaliar se o fato observado justifica fazer uma queixa à empresa controladora que executou o serviço.
Portanto, sugiro sempre que a empresa esclareça devidamente seu cliente antes de executar os serviços contratados. E para que não fique uma eventual discussão disse/não disse, sugiro que a comunicação seja feita por escrito em impresso apropriado da empresa. Que dele conste as medidas não químicas que devem ser adotadas pelo contratante em sua residência além de certas informações peculiares ao pós serviço. Vale à pena!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

SOBRE A RESPONSABILIDADE TÉCNICA, DE ACORDO COM A LEI


Quais categorias profissionais podem ser Responsáveis Técnicos (RT) por empresas controladoras de pragas em nosso país? No princípio, há duas ou três décadas atrás, não havia regras estabelecidas e certos Conselhos Regionais, notadamente os mais ativos como os CRs de Química e os de Engenharia Agronômica, agiam como se a atividade profissional do Responsável Técnico por empresa controladora de pragas fosse exclusiva de seus representados, ainda que os textos das disposições legais vigentes na época absolutamente assim não o dissessem. Lembro-me que nessa época (há uns 20 ou 25 anos atrás) a empresa controladora em que eu trabalhava, sustentou por quase uma década uma discussão legal com o Conselho Regional de Química/SP que tentava atuá-la, exigindo que o Responsável Técnico pertencesse à categoria dos Químicos. Intimações e penalidades, tentativas de aplicar multas, vociferações e ameaças dos fiscais desse CR não intimidaram Tito e Pedro, os proprietários, que levaram a discussão aos Tribunais, onde jamais foi dada razão ao CRQ. Na legislação reguladora das atividades do Químico simplesmente não havia (como não há) um só parágrafo que lhe concedesse inequivocamente a exclusividade dessa responsabilidade técnica. Alegava o CRQ que os inseticidas de uso profissional eram utilizados somente após sua diluição (com água ou solvente) e que somente os profissionais químicos poderiam executar esse processo, mais que simples e corriqueiro, diga-se de passagem. Ora, até uma dona de casa pratica diluições com água em suas residências diariamente, ao fazer uso de certos produtos de limpeza ou congêneres; ninguém utiliza uma água sanitária na concentração em que é vendida, ou um amaciante de roupas! Portanto, a tese não vingou e a empresa em que eu trabalhava jamais foi enquadrada legalmente nesse aspecto.
O tempo passou, essa atividade do controlador de pragas começou a crescer e evoluir e regras legais começaram a ser estabelecidas. A norma legal que finalmente regulamentou a questão do Responsável Técnico por empresa controladora de pragas, passou a admitir seis diferentes categorias profissionais: engenheiro florestal, engenheiro agrônomo, veterinário, químico, farmacêutico e biólogo. Esse era o entendimento até a promulgação no ano passado da RDC 52, aquela, que simplesmente passou a responsabilidade de definir quais as categorias profissionais que podem ser RT por empresas controladoras de pragas, a qualquer Conselho Regional de qualquer categoria profissional, bastando que os respectivos Conselhos assim o atestem! Pois é! Uma no cravo, mas outra na ferradura! Em outras palavras e com todo respeito, se o Conselho Regional de Assistência Social atestar que essa categoria profissional pode se responsabilizar por uma empresa controladora de pragas, será! Ou se a Ordem dos Advogados o fizer, também poderão ser! Exageros meus à parte, é isso mesmo! Agora, qualquer (eu disse qualquer) categoria profissional pode se tornar RT desde que consiga uma declaração de seu Conselho Regional ou Federal afirmando que aquela categoria tem conhecimentos suficientes para responder pelo uso de biocidas em áreas urbanas. Já viram, não! E tudo porque os tais tecnocratas a que me referi em outro post, não tiveram (ou não quiseram ter) a lucidez e o bom senso suficientes para perceber que nem tudo que reluz é ouro! Bem que nessas discussões das associações representativas dos profissionais controladores de pragas com a Anvisa/MS, o grupo tentou discutir esse item da RDC 52, mas (fui informado) que a comissão governamental fechou questão nesse item e não quis ouvir argumentos. Como eles já haviam voltado atrás reformulando o Artigo 9º. da RDC 52 (vide post anterior, RDC 20), talvez achassem que voltar atrás em um item já era demais! Que pena! A RDC 20 apenas reconsiderou o Art.9º. e nada mais. Assim, a redação da RDC 52 sobre a Responsabilidade Técnica, não foi modificada. Perderam eles (e perdemos nós) uma excelente oportunidade de definir com clareza esse controvertido tema e demonstrar a evolução que a sociedade moderna exige. Mas, como eu acabo de dizer, citando Darwin em um outro post anterior que publicamos, obscurantistas existiram, existem e existirão em qualquer época! E tenho dito.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

NEM EU ACREDITO! 4.000 ACESSOS A ESTE BLOG!

Pois é! Estou pasmo, estou honrado, estou agradecido. Sem nenhuma pretensão, o blog do Higiene Atual passou da marca dos 4.000 clicks e sendo um blog essencialmente técnico, creio que posso assumir que foram cerca de 4.000 profissionais controladores de pragas, desinfestadores como preferem alguns. A bem da verdade, descontem umas 150 vezes que fui eu quem acessou (para colocar novos posts, para comentar e responder a perguntas, para colocar alguma ilustração em certos posts), mas o resto foi acesso de colegas que se interessam pelos assuntos postados. O blog do Higiene Atual começou bem simples e pretendo mantê-lo assim. Tenho que citar que recebi bastante ajuda de colegas de profissão ou simplesmente de amigos que nos seguem. Alguns deles: David Benedetti (um publicitário de mão cheia que nos ajuda desde a primeira hora), Romildo (do PragasOnLine), Lucy Figueiredo (cujas críticas e sugestões são importantes e sempre bem acolhidas), Oswaldo Sawasato (que corrige meu japonês ruim), Rita e Lucia (da Sistema, que me mantêm desperto sempre me prometendo uma leitura mais freqüente do blog), Clóvis Yassuda (com suas oportunas sugestões) e outros tantos que me ajudam a construir o sucesso do blog.
Como, além de outras atividades paralelas, mantenho atividades profissionais como consultor técnico e viajo muito, nem sempre consigo postar novas matérias com a freqüência que desejaria e por isso peço escusas a meus leitores. Os que me seguem já perceberam que o Higiene Atual não tem pauta única e nem estreita. Procuro postar os mais variados assuntos, desde revisões técnicas até opiniões pessoais, com a intenção de evitar a monotonia de temas. 4.000 acessos me dizem que estou certo!
A grande verdade é que o ramo do controle de pragas tem uma quantidade infindável de assuntos e interesses. Ainda bem!
Mais uma vez, obrigado.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

PROFISSIONAIS, ATENÇÃO! EM VIGOR A NOVA RDC 20


Desde o dia 12 de maio último entrou em vigor a RDC 20 dando nova redação ao disposto no Art. 9º, da Resolução da Diretoria Colegiada – RDC 52 de 22/10/2009 que dispõe sobre o funcionamento de empresas especializadas na prestação de serviço de controle de vetores e pragas urbanas e dá outras providências. Essa RDC 52, e sua alteração pela RDC 20, são muito importantes para o ramo profissional das empresas controladoras de pragas, porque regulamentam essa atividade em todo o território nacional. Tem, portanto, efeito de lei e assim, deve ser seguida, sem contestação.
A RDC 20 altera a redação dada ao Artigo 9º. Da Seção III Das instalações do Capítulo II Dos Requisitos para Funcionamento da RDC 52 (de 22/10/2009), que ficou assim:
"Art. 9º As instalações da empresa especializada são de uso exclusivo, sendo vedada a instalação do estabelecimento operacional em prédio ou edificação de uso coletivo, seja comercial ou residencial, atendendo às legislações relativas à saúde, segurança, ao ambiente e ao uso e ocupação do solo urbano."
Desde a promulgação da RDC 52, a FEPRAG (a federação das associações estaduais de empresas controladoras de pragas) e diversas associações regionais, tentavam discutir com a Anvisa do Ministério da Saúde, alguns pontos polêmicos que saíram na versão final daquela Resolução. O que se pretendia rever principalmente era o item 9 da RDC 52, o qual proibia, de forma inadequada, a instalação de uma empresa controladora de pragas em áreas adjacentes a residências, serviços de alimentação, hospitais, escolas e creches, desta forma “tornando inviável a atividade de mais de 95% das empresas existentes”, nos dizeres da Feprag (veja posts anteriores deste blog sobre o assunto). A recém promulgada RDC 20 corrigiu esse erro.
Pois bem, como acontecem essas coisas? Já que as resoluções normativas ficam por 60 dias abertas à discussão pública após terem suas préminutas publicadas no Diário Oficial da União, como é que a norma sai publicada com erros ou imperfeições? Pois sai! Todo mundo opina, mas quem decide é o órgão governamental competente, através de uma dada comissão de servidores públicos supostamente especializados no ramo. Nem tanto e nem sempre! Esses técnicos, não têm, e nem poderiam ter, a visão do empresário, a visão do mercado, a visão do conjunto. Na verdade, pautam suas decisões estritamente dentro da visão governamental, supostamente visando a proteção dos interesses da sociedade civil. Ora, sabemos, por vezes a tecnocracia vence resultando em textos legais um tanto divorciados da realidade. Foi exatamente o que aconteceu com a RDC 52, felizmente alterada pela RDC 20 que a corrigiu parcialmente.
Esse foi o final feliz da mobilização civil de um grupo de empresários através de suas associações representativas de classe. Então a Resolução RDC 52 com a alteração introduzida pela RDC 20 ficou perfeita? Não, ainda não. Há alguns outros pontos que estão mantidos e que são bastante discutíveis. Um deles é a delicada questão da Responsabilidade Técnica por empresas controladoras de pragas cuja redação vigente não ficou muito clara. Mas isso já é outro assunto que falaremos oportunamente.

terça-feira, 29 de junho de 2010

CHARLES DARWIN, O MAIOR DENTRE TODOS OS NATURALISTAS


Ainda nesse incipiente esforço que estou fazendo para resgatar a memória de alguns pesquisadores importantes para a ciência naturalista, não poderia deixar de falar dessa figura única. Charles Robert Darwin, nascido em Shrewsbury, Inglaterra, no dia 12 de fevereiro de 1809, por coincidência no mesmo dia do nascimento de Abraham Lincoln, o memorável presidente americano, iria se tornar o maior e mais combatido naturalista de todos os tempos, por ter formulado a teoria da evolução e seleção natural das espécies. Como muitos cientistas antes dele, Darwin acreditava que toda a vida na Terra havia evoluído (desenvolvido gradualmente) por milhões de anos a partir de alguns poucos ancestrais comuns. Sem ter muitas provas que pudessem atestar suas teorias, em 1836 Darwin embarcou no pequeno navio H.M.S.Beagle, como amigo e cavalheiro de companhia do capitão Fitzroy, também jovem. Esse navio estava em uma expedição científica em volta do mundo e Darwin colhia amostras de animais e plantas em diferentes partes do mundo para estudá-las posteriormente. Um conjunto de pequenas ilhas chamadas Galápagos mostrou-se de exponencial importância nos estudos de Darwin, pois era um arquipélago inabitado, totalmente isolado no meio do Oceano Pacífico, e que continha riquíssimas e variadas fauna e flora.
De volta a Londres, Darwin estudou profundamente seus apontamentos e os espécimes recolhidos, acabando por formular os fundamentos de sua teoria:
• A evolução, de fato, ocorria.
• As mudanças evolucionárias eram lentas e graduais, requerendo milhares ou milhões de anos para se estabelecerem.
• O mecanismo primário da evolução era um processo denominado seleção natural (só os mais fortes e adaptados ao meio sobreviviam)
• As milhões de espécies existentes hoje surgiram de uma única forma de vida através de um processo de ramificação denominado “especiação”.
Darwin então, em 1859, escreveu seu livro bomba para a época: “A origem das Espécies” (o título completo, em inglês, era “Sobre a origem das espécies através de seleção natural ou A preservação e favorecimento das raças na luta pela vida”). Darwin continuou publicando outros livros sobre o tema até sua morte em 1882.
Estava estabelecida a grande discussão dos últimos 120 anos que perdura viva até nossos dias! De um lado os cientistas e pessoas que estudaram História Natural (os chamados “darwinianos”, entre os quais humildemente me incluo). De outro lado, os religiosos apegados a conceitos fundamentais bíblicos e adeptos da genealogia a partir Adão e Eva. Discutem veementemente até hoje, gerando inúmeros episódios sérios e, às vezes, grotescos. Não se apercebem que não são idéias antagônicas, mas paralelas, ambas reafirmando inequivocamente o toque do dedo divino.
Darwin manteve-se sempre alheio a tais discussões filosóficas, mergulhado em seus estudos e sua filha Henrietta, negou publicamente que seu pai tivesse renegado suas teorias no leito de morte, como chegou a ser propalado por uma seita evangélica.
Sir Charles Robert Darwin, o maior naturalista de todos os tempos, em reconhecimento à importância de seu trabalho, teve funeral de Estado e foi enterrado na Abadia de Westminster, Londres, ao lado de Isaac Newton (nesse século, apenas cinco civis não pertencentes à família real inglesa, tiveram tal honra).
Darwin... que cabeça tinha essa figura!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

ARANHAS – PARTE II


Na primeira parte deste post falamos um pouco sobre as aranhas e as espécies brasileira mais perigosas. Vamos comentar agora sobre controle, que é que todos querem saber. Tenho boas e más notícias, mais más que boas! A má: controlar aranhas é bem complicado. A boa: mas dá para controlar!
Por que controlo baratas e outros insetos rasteiros com facilidade e não consigo bons resultados com as aranhas? Uma pergunta simples de resposta complexa. Em primeiro lugar, porque a maioria dos insetos rasteiros, quando parados, encosta boa parte de seu corpo sobre a superfície onde se encontra e, se essa superfície tiver sido tratada, o inseto vai ser afetado. Com as aranhas, isso não acontece. As aranhas não encostam o abdome no chão, nem as pesadas tarântulas. Elas se apóiam em suas pernas que terminam em ponteagudos tarsos, como se fossem pontas de alfinete. Quer dizer, a área que toca a superfície tratada é mínima e assim, a aranha não será afetada pelos produtos aplicados. Não é que as aranhas seja imunes ou resistentes aos biocidas empregados; o problema é que esses biocidas não são colhidos pelo corpo das aranhas em quantidade suficiente para afetá-las. Cappice? Se o operador pulverizar um biocida diretamente sobre uma aranha, provavelmente vai eliminá-la.
Vamos examinar outro ângulo da questão: o que come uma aranha? Inseto vivo. Ora, se conseguirmos eliminar a maioria dos insetos infestantes de uma certa área problema, já vamos interferir severamente na vida das aranhas ali existentes, tirando-lhes o alimento preferencial. Muito possivelmente, muitas delas vão buscar outros ambientes mais favoráveis.
Sim, mas a maior parte das aranhas caseiras se alimentam de insetos voadores capturados em suas teias! Correto, mas as aranhas que tecem teias de espera, permanecem nessas teias aguardando suas presas e se assim é, conseguiremos eliminá-las pulverizando diretamente a teia (e a aranha) com algum biocida!
E as aranhas de jardim (entre elas algumas bem perigosas) que se alojam em pequenos buracos na terra protegidos pela vegetação? Tratemos o jardim, pois! Podemos aplicar algum produto de formulação WP ou PM (pó molhável) apropriado para áreas abertas e que não seja fitotóxico (não afete plantas). Devemos pulverizar a calda (veja rótulo) tratando uniformemente toda a vegetação rasteira do jardim e aguardar alguns dias. As aranhas que ali vivem sairão de suas tocas para caçar durante a noite e vão tocar com seus corpos a vegetação assim tratada. O resultado acaba sendo sua eliminação pelo efeito do biocida empregado.
Outra coisa: aquelas minúsculas aranhas freqüentemente encontradas no interior das residências, geralmente escondidas atrás de móveis ou armários, conhecidas como “papa-moscas”, não têm nenhum risco significativo. Desaparecem quando a casa é desinfestada. E aquelas de corpo bem pequeno e pernas longuíssimas que fazem suas teias nos cantos e quinas junto ao teto, tampouco representam problema. Assustam, amedrontam um ou outro, mas são pacíficas e não atacam nem pessoas e nem animais (exceto suas presas representadas por moscas, pernilongos, mariposas e outros alados).
Os biocidas microencapsulados que produzem resultados tão bons no combate a escorpiões, pelos motivos expostos acima, não são tão efetivos contra aranhas.
Aí está uma panorâmica rápida e resumida do assunto aranhas. Espero ter ajudado de alguma forma.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

JOHN BERKENHOUT, O ESQUECIDO


Foi outro naturalista importante e eclético em sua época, também médico e militar. Dedicou boa parte de sua vida a descrever cientificamente muitas espécies animais, entre elas o Rattus norvegicus que a partir de então ganhou a paternidade de sua descrição: Rattus norvegicus (Berkenhout). Comentei em post anterior que depois do nome científico de ser vivo (animal ou planta) vai entre parênteses o nome do pesquisador que primeiro o descreveu; colocar esse nome não é obrigatório. Na época que Berkenhout descreveu a ratazana (1769), só havia 350 animais descritos. E bastou isso para deixar escrito para sempre seu nome nas citações científicas. Frequentemente erram, colocando o nome de Lineu após o nome Rattus norvegicus. Escreveu diversos importantes livros de história natural.
Não há muito na biografia conhecida de Berkenhout. É sabido que ele nasceu em Yorkshire, Inglaterra, em 1726 e morreu em 1791 e ainda jovem serviu primeiro no exército prussiano (poderoso na época) e depois no exército inglês. Em seguida estudou medicina e já começava suas atividades paralelas como naturalista. Durante a revolução da independência norteamericana, John Berkenhout Junior serviu como agente britânico. Será que foi por isso que se tornou um tanto esquecido na História?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

UM POUCO SOBRE ARANHAS

Tenho sido, com certa freqüência, perguntado sobre o tema aranhas em seus mais diferentes aspectos. Quais os riscos, que espécies são perigosas, como controlar, etc. Então, achei que seria interessante fazermos uma revisão superficial sobre esse tema, dividindo em duas partes, OK?
As estatísticas dizem que 50% das mulheres e 10% dos homens sofrem de aracnofobia (medo de aranhas). Pois é! Pode ser uma resposta instintiva ao risco de ser ferroado, herdado de nossos antepassados. Quem são elas, as aranhas? Já foram cientificamente identificadas mais de 40.000 espécies diferentes de aranhas em todo o mundo. São artrópodes peçonhentos (produzem e têm ferrões injetores de veneno), quatro pares de pernas, os segmentos do corpo (cabeça, tórax e abdome) fundidos em dois: cefalotórax e abdome, geralmente quatro pares de olhos, não possuem antenas e são produtoras de seda (glândulas localizadas no interior do abdome). Os fósseis de aracnídeos mais encontrados e estudados, datam do período Devoniano, ou seja, cerca de 386 milhões de anos atrás! Contudo, existe um exemplar de aracnídeo (Palaeotarbus jerami) que data do periodo Siluriano, com 420 milhões de anos e que já possuía uma forma bastante parecida com a forma das aranhas atuais! Vejam como as aranhas são evoluídas.
Praticamente todas as espécies de aranhas são carnívoras e caçadoras (algumas poucas são herbívoras), se alimentando geralmente de insetos, mas as de maior porte como as caranguejeiras, podem capturar filhotes recém nascidos de roedores e aves; não se alimentam de cadáveres. Na verdade, as aranhas só podem se alimentar de alimentos pastosos ou liquefeitos; algumas injetam na vítima enzimas que predigerem os órgãos internos e depois sugam esse conteúdo; outras rompem o tegumento da vítima e ingerem a hemolinfa (o que seria o sangue do inseto).
De uma maneira geral as aranhas vivem isoladas e só se agrupam nas épocas do acasalamento; em muitas espécies esse é um ato terminal, com a fêmea devorando o macho após o coito! Algumas espécies demonstram comportamento social formando colônias, o que é bastante útil quando se trata da defesa da prole. Algumas espécies tecem teias dos mais diferentes modelos, outras produzem tufos de seda apenas para forrar seu ninho. As fêmeas, segundo sua espécie, pode produzir de 1.000 a 2.000 ovos que geralmente ficam protegidos dentro de uma bolsa de seda até o momento da eclosão, quando saem as primeiras ninfas já dotadas de ferrão e glândulas de veneno.
Determinadas espécies são potencialmente perigosas devido à potência de seu veneno. Apenas alguns venenos de aranhas já foram estudados em detalhes. Esses venenos já estudados mostraram uma estrutura molecular complexa e contêm enzimas (e outras proteínas) que causam, no ser humano ferroado, diferentes sintomas e com diversos graus de severidade. Podemos citar dentre as aranhas mais perigosas em nosso país: a armadeira, a marrom, a viúva negra e as caranguejeiras.
Phoneutria (várias espécies): chamada de aranha armadeira, aranha saltadeira, aranha da bananeira. As armadeiras são de hábitos noturnos e não constroem teias, fazendo seu ninho em pequenas escavações e buracos na terra. Locais mais freqüentados: cantos escuros e isolados, escondidas em galhos secos caídos ao solo, pilhas de taboas de madeira, folhagens, em cachos de bananas, restos de materiais de construção. São bastante sensíveis à variação de temperaturas e, quando isto ocorre, buscam refúgio em ambientes mais quentes como, por exemplo, o interior das casas onde, com freqüência, se escondem dentro de sapatos. Quando ameaçadas, tornam-se agressivas e levantam e esticam verticalmente as patas anteriores preparando-se para dar o bote e ferroar. Os sintomas na pessoa picada se caracterizam por dor intensa no local da picada, náuseas, salivação abundante, suores frios e tremores no corpo todo. É preciso tratar com soroterapia em unidade hospitalar especializada.
Loxoceles (oito espécies no Brasil): conhecida como aranha marrom, com cerca de 5cm de tamanho incluindo as pernas, representa um dos maiores problemas de saúde pública no sul do país. Não é uma aranha agressiva (imagine se fosse!), mas seu veneno é muito potente e tem um efeito necrosante (produz deformações) na musculatura do ponto da picada. Eu vi pessoalmente uma menina que havia sido picada na coxa há algumas semanas por uma aranha marrom; coisa feia! Faltava um grande pedaço que havia necrosado e teve que ser extirpado cirurgicamente. No momento da picada, a dor parece à da queimadura de cigarro, o local começa a inchar e algumas horas depois o tecido em volta começa a necrosar. Pode produzir sintomas gerais como náuseas, febre, mal estar e urina de cor achocolatada. O tratamento exige soro antiloxoceles.
Latrodectus (três espécies no Brasil): chamada de viúva negra, essa pequena aranha (até 1 cm de circunferência), costuma habitar o solo em teias bem simples, principalmente onde haja vegetação rasteira, muito comum no litoral. De corpo escuro quase negro, tem uma característica marca vermelha em forma de ampulheta em seu ventre. Não dá para errar. Seu veneno não é muito potente e provoca sintomas moderados, como sudorese, mal estar, agitação e contrações musculares involuntárias.
Lycosa (várias espécies): são as conhecidas e temidas tarântulas (ou caranguejeiras) que, ao contrário do que se pensa, têm um veneno pouco potente. Figurante indispensável nos filmes de terror, a tarântula pode atingir grandes dimensões chegando a um palmo ou mais de diâmetro incluindo as pernas com muitos pelos. A maior aranha do mundo é uma tarântula que ocorre na região amazônica da Venezuela e do Brasil; é a Theraphosa blondi que chega a pesar 150g e ocupa uma área de 30cm de diâmetro incluindo as patas. É um bicharoco de meter medo. Quem quiser conhecê-la, ao vivo e a cores, basta visitar o Instituto Butantan de São Paulo. Lá tem cada uma! A bicha vive sozinha em buracos que escava na terra, forrados com sua seda. Algumas espécies constroem uma armadilha tipo alçapão capaz de capturar insetos que nela pisem (na armadilha, não na aranha, meu!). Alimentam-se de insetos, mas têm clara preferência por pequenos lagartos, filhotes de roedores e de pássaros. As tarântulas, defendem-se girando a traseira de seu corpo para o inimigo e com as pernas traseiras, executam rápidos movimentos de raspagem do terço final das costas, atirando seus pelos contra o animal ou a pessoa que a ameaça; esse pelos são urticantes e alergênicos. Se não conseguir espantar a ameaça, então prepara-se para defender-se com os ferrões, levantando suas patas dianteiras na vertical e preparando um bote, que é curto, diga-se de passagem. Nesse momento, ela dobra de tamanho! Lá mesmo no Butantan, quando ainda era estudante, fui observar mais de perto uma tarântula das cabeludas, devidamente encerrada dentro de um frasco de vidro grosso, o que me pôs mais à vontade. Essa aranha tinha nada menos que 8 olhos, dois dos quais bem grandes e eu podia jurar que ela também me observava, olhos no olho! Girei meu corpo um pouco à esquerda e ela voltou a cabeça para aquele lado; na dúvida, girei para o outro lado e a danada também girou o corpo, continuando a me encarar de frente. Dei a volta no frasco e ela também me acompanhou dando um giro completo. Quer dizer, tive a sensação que ela estava me avaliando como uma refeição em potencial! Tá bom, confesso, eu estou naqueles 10% dos homens que têm aracnofobia. Isso me fez lembrar uma cena do filme “Aracnofobia” (nome muito sugestivo) que fez um certo sucesso há uns 10 anos atrás. Havia um personagem, um Zé Bombinha americano (lá nos Estados Unidos também tem disso, ora se tem!) que levava duas pistolas em coldres na cinta, ligadas a dois pequenos tanques portados às suas costas e ele saia atirando nas aranhas, possivelmente um ácido porque as aranhas atingidas explodiam! Uma pândega, vale à pena ver buscar esse filme (quem ainda encontrar nas videotecas, um comércio em extinção). Pois é, esse coleguinha quando conhecia alguém, logo disparava a pergunta: “- Rato, cobra ou aranha?” A pessoa não entendia e ele explicava: “- Você tem medo do que?” Não é que o carinha tinha razão! Anos mais tarde, trabalhei com um técnico de laboratório na Seção de Vigilância Sanitária da Prefeitura de São Caetano do Sul; bom cara, competente e trabalhador, oriundo do Instituto Biológico, apelidado de Barba por motivos óbvios. Lá pelas tantas, horrorizado, descobri que ele mantinha escondida numa de suas gavetas, uma enorme tarântula como bichinho de estimação e que ela era alimentada com filhotes de camundongos albinos que eram criados no nosso biotério para serem usados no diagnóstico biológico da Raiva. Aproveitando minha condição de chefe, dei um ultimato: ou ele levava a monstrenga embora ou eu mandaria desinfestar o local. Um dia, ainda me informaram que as tarântulas têm vida longa, mais de 10 ou 15 anos! Quer dizer, a tarântula de estimação do Barba deve estar viva até hoje! Gorda, bem tratada! No Livro Guinness de recordes há o registro de uma tarântula que viveu 49 anos! Tô fora! A verdade é que há muita gente que cria as dóceis tarântulas como bichinho de estimação (já vi à venda em PetShops). Mas, tem cada uma!
De novo isso já ficou longo demais. Continuo outro dia.


terça-feira, 8 de junho de 2010

CARLOS LINEU, O PAI DA CLASSIFICAÇÃO SISTEMÁTICA


Prometi, vou cumprir. Vamos conhecer um pouco sobre CAROLUS LINNAEUS (Carl von Linné, em sueco, depois que recebeu o título nobiliárquico; Carl Linnaeus em inglês ou Carlos Lineu em português), talvez o maior cientista da áreas de ciências naturais de todos os tempos. Nascido em 23/5/1707 na cidade de Räshult na Suécia, faleceu a 10/1/1778 em Uppsala também na Suécia. Durante seus 71 anos de vida, a maior parte dedicada aos estudos e à produção de extensa obra, Lineu notabilizou-se pela criação da nomenclatura binomial dos seres vivos, a base da classificação sistemática atual, a que me referi no post anterior a este, o sistema que permitiu dar nomes científicos aos seres vivos. Em sua época, muitos cientistas tinham múltiplas habilidades e se dedicavam a várias áreas ao mesmo tempo. Da Vinci é um ótimo exemplo dessa multicapacidade inventiva. Lineu foi outro. Foi literato, poeta, naturalista, médico e botânico de sucesso; escreveu mais de setenta livros e 300 artigos científicos. De caráter irriquieto, Lineu dedicou muitos anos a viagens de estudo, primeiro pelos países eslavos e depois pela Europa. Ia estudando os vegetais e dando forma à sua obra máxima “Systema Naturae”, onde ele propôs a nomenclatura universalmente aceita e adotada de dois nomes (em latim) para definir o ser vivo (animal ou vegetal). Assim, uma planta que anteriormente se chamava “physalis amno ramosissime ramis angulosis glabris foliis dentoserratis” passou a se chamar simplesmente Physalis angulata (gênero e espécie). Grande Lineu, esse! Mas, como ele era inquieto, lá pelas tantas estudou e resolveu simplesmente inverter a escala termométrica Celsius (criada por Anders Celsius) que passou então a ter o zero como ponto de fusão do gelo e o 100°C como ponto de ebulição da água, redesenhando o termômetro. Cada vez que vocês olharem para um termômetro para saber a temperatura, agradeçam a Lineu por ter facilitado nossa vida! Grande Lineu, grande mesmo!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

NOME CIENTÍFICO: O QUE É ISSO?

Todos os seres vivos (animais ou plantas) têm dois tipos de nome: um, é o nome comum, popular, que todos conhecem, podendo variar de região para região dentro de um mesmo país. O outro, é o nome científico que nem todos sabem (pessoas comuns e até mesmo profissionais controladores de pragas) que é criado por estudiosos especializados que usam os conhecimentos da chamada Classificação Sistemática. Os nomes comuns são aqueles que escutamos e falamos corriqueiramente como barata, rato, escorpião, muriçoca, etc. Complica um pouco quando o mesmo animal (ou planta) é conhecido por mais de um nome comum; por exemplo: a ratazana que também é conhecida como rato de esgoto, rato pardo, rato cinzento, gabiru ou guabiru. Quem sabe dizer que animal é o “rato de botica”? Essa pergunta não vale para os maranhenses porque é de lá que vem esse curioso nome para o solerte camundongo, ou catita para os nordestinos. Pois é exatamente para evitar essa confusão é que existe o nome científico que tem caráter universal, sem regionalismos ou pátrias. Esse nome deve necessariamente ser do conhecimento dos profissionais controladores de pragas.
O nome científico é um nome composto por duas palavras (excepcionalmente três) e é sempre escrito em latim, pois assim determina a convenção internacional, ex: Rattus rattus. Deve ser escrito sempre sublinhado, mas modernamente se aceita que seja escrito em letras itálicas. A primeira inicial é grafada em letra maiúscula e a segunda inicial em letra minúscula. Você pode pensar no nome científico como se fosse o nome e o sobrenome do animal (ou planta). O primeiro nome é o gênero ao qual o individuo pertence, ou seja um grande grupo de seres meio aparentados que tenham muitos traços em comum, mas sejam diferentes entre si. Por exemplo, o gênero Rattus. O segundo nome é o da espécie, o qual define exatamente o indivíduo, não permitindo confusões. Ex: Blatella germanica. Às vezes pode surgir um terceiro nome que definiria a variedade, mas há hoje uma forte tendência entre os estudiosos de eliminar esse terceiro nome, considerando que se trata apenas de linhagens do mesmo animal. Por exemplo, o rato preto era chamado de Rattus rattus alexandrinus, mas passou apenas a Rattus rattus por que o alexandrinus (aliás, caracterizado por uma pelagem bi ou tricolor), foi considerado não mais uma subespécie, e sim apenas uma variedade do mesmo animal, considerando que as diferentes chamadas subespécies são análogas e geneticamente compatíveis. A bactéria causadora da peste bubônica, já foi nomeada e renomeada sucessivas vezes; até alguns anos atrás recebia o nome científico de Yersinia pseudotuberculosis variedade pestis. No entanto, seu nome atual ficou apenas Yersinia pestis.
Pode surgir em alguns escritos, um terceiro nome grafado entre parênteses, logo depois do nome científico. Ex: Rattus rattus (Lineu). Não se complique, isso é apenas o nome do pesquisador que, pela primeira vez, descreveu cientificamente o animal (ou planta); no caso exemplificado, foi o célebre Linneus que registrou a primeira descrição científica do nosso conhecido rato de telhado. Por falar nisso, um dia desses escrevo alguma coisa sobre esse tal de Lineu, só para vocês verem o trabalho desse pesquisador. Fantástico!
Pronto, agora vocês já sabem o que é e para que serve o tal nome científico dos animais (se é que ainda não sabiam, lógico!). Por exemplo, se um colega japonês se referir ao “yanenezumi” você pode não saber que ele esteja falando da nossa popular ratazana, mas se ele falar em Rattus norvegicus (não sei bem como soaria falado por um oriental), certamente você pelo menos entenderá o assunto! O nome científico tem lugar e hora para ser utilizado; não vá sair por aí dizendo para dona da casa que ela está infestada por Blatella germanica na cozinha e Periplaneta americana nos ralos e esgotos. A pobre senhora pode achar que está sendo invadida por E.Ts e não pelas conhecidas baratas alemanzinhas e americanas!

terça-feira, 1 de junho de 2010

TRIMILÉSIMO VISITANTE! HURRA!

Todos aqui da Redação do blog do Higiene Atual estamos comemorando a visita de número 3.000 - redatores, ilustradores, corretores, pautistas, jornalistas, linotipistas, estagiários, gráficos, conselho editorial, aspones, assemelhados, todos enfim comemoram efusivamente. Já bebemos juntos uma caixa inteira de champagne Veuve Glicot rosé! Tô brincando, lógico. Na redação deste blog, tem eu e mais eu carregando o piano. Ah, sem esquecer o David que também se diverte ilustrando certas matérias... quando ele acorda de bom humor. Ele ressuscitou a velha dupla David & Golias que publicava tiras cômicas no Higiene Atual quando era impresso.
3.033 visitantes até minutos atrás é uma marca nada desprezível para um blog altamente especializado em controle de pragas como é este aqui. Sabe por que? Porque são mais de 3.000 clicks de profissionais controladores de pragas que já nos visitaram desde novembro último quando o blog foi lançado. É ou não é para se orgulhar? Quer dizer, tirando as de minha mãe e minhas filhas que nos querem prestigiar ainda que os temas sejam áridos para elas, o resto é visita de gente interessada, além de especializada. E vamos em frente, porque atrás vem gente!
A nossos leitores, um solene e sincero muito obrigado, do Davi e do Golias!

UM MUNDO SEM DEFENSIVOS...

...seria, no mínimo, um mundo diferente daquele em que vivemos. De acordo com o Dr. Norman Boulaug, um dos cientistas já laureados com o prêmio Nobel, o banimento dos defensivos químicos no atual estágio do desenvolvimento humano, levaria inevitavelmente a uma dramática alta dos custos dos alimentos e uma queda fatal na sua produção. Recrudesceriam as doenças transmitidas por insetos e roedores com acontecimentos imprevisíveis e pondo em risco toda a espécie humana.
Os alimentos que consumimos hoje apresentam-se sem vermes, larvas e ovos, não devido à tecnologia em sua manufatura prévenda ao consumidor, mas sim devido às medidas de controle de pragas empregadas na lavoura, na pecuária, nas fazendas, nas granjas produtoras, nos silos e armazéns de estocagem, nas fábricas processadoras e nos estabelecimentos comerciais onde são vendidos ou consumidos. Em países mais desenvolvidos, como resultado de modernos programas de controle de pragas, as perdas de alimentos situam-se em torno de 10% do produzido, comparados aos 30, 40 e 50% de certos países terceiromundistas. É o triste ciclo negativo da produção alimentar!
Doenças transmitidas por insetos como a malária, o dengue, as encefalites, a peste bubônica, a febre tifóide, o calazar, para citar apenas algumas, estão hoje sob relativo controle no nosso e em outros países de ocorrência endêmica, muito em função de enormes esforços governamentais, da empresa privada e dos próprios cidadãos, fazendo uso de bases químicas transformadas em inseticidas tanto de uso profissional, como de uso doméstico, tentando recuperar o meio ambiente deteriorado e desequilibrado pela ação do próprio homem.
As discussões de fundo ecológico, tão em moda nos dias de hoje, freqüentemente são levadas ao radicalismo preservacionista, tão prejudicial quanto a febre desenvolvimentista a qualquer preço. Nessas discussões, não raro, os biocidas são colocados como vilões a serem denunciados, execrados e banidos. Sem eles, no entanto, as moscas seriam tantas que literalmente nos impediriam de abrirmos a boca, os pernilongos sugariam nosso sangue até a última gota e tornariam nossa vida insuportável disseminando zoonoses em níveis epidêmicos com conseqüências imprevisíveis, as baratas comeriam nossos alimentos deixando-nos à míngua e os roedores devorariam o que sobrasse. É claro que esse quadro pintado com cores intencionalmente fortes dificilmente ocorreria na prática, pois o bom senso nos diz que ainda não podemos abolir o uso de produtos químicos sem causarmos um enorme problema à própria humanidade. Mas, serve de incentivo à busca de soluções alternativas e mais avançadas para que possamos equacionar tal problema através de abordagens menos deletérias ao meio ambiente. Os sinais aí estão demonstrando que estamos no caminho certo; o surgimento já em fase comercial de defensivos biorracionais (controle biológico e bioquímico), alguns altamente específicos contras seus alvos, indica o caminho. Quanto tempo mais? 15 anos, 30? Mas, vai acontecer, tenho a certeza.