terça-feira, 30 de novembro de 2010

ALÔ, ALÔ… VISITANTE NÚMERO 9.000

Seja muito bem vindo ao nosso blog! Sinta-se em casa, pois ele foi feito para ser isso mesmo. Temos uma grande lista de posts já publicados para que você possa passar algum tempo conosco pesquisando, lendo, buscando e, gostaríamos, apreciando. Esses posts são praticamente todos de interesse seu, amigo controlador de pragas urbanas e abordam os mais diferentes itens, campos, assuntos e temas. Há posts exclusivamente técnicos, outros são de interesse geral, há assuntos ligados à legislação de nosso ramo, há muita coisa sobre relação com os clientes e por aí vai. Se quiser, coloque um comentário sob o post que lhe interessou e, se desejar, há uma coluna na esquerda sobre Perguntas & Respostas, ambas curtas. A todos os leitores que têm prestigiado o blog do Higiene Atual, obrigado... 9.000 vezes!

CONTROLANDO INSETOS EM CONDOMÍNIOS: BOM NEGÓCIO OU UMA GRANDE DOR DE CABEÇA? – PARTE II


No post anterior que tratamos desse tema, vimos os sucessivos dilemas em que o síndico de um condomínio pode se meter quando efetua uma escolha nada adequada no processo de seleção da empresa controladora de pragas que vai executar o tratamento de seu prédio. Bem, naquele exemplo a escolha foi errada, mas suponhamos agora que o síndico fez uma escolha correta, contratou uma empresa qualificada. Esta, consciente de suas responsabilidades e adequadamente gerenciada, deve cumprir diversas etapas para que o resultado seja o melhor possível. Vamos examinar essas etapas:
Informando o Síndico:- hora de conversar sobre Manejo Integrado. Ele tem que entender que os resultados vão depender em larga escala das ações corretivas e preventivas que deverão ser tomadas sob responsabilidade do condomínio (apontadas pela empresa), enquanto que a empresa contratada responderá diretamente pela eliminação das infestações já existentes. Dê-lhe os fatos. Ele precisa saber que um simples tratamento nas unidades afetadas não será capaz de resolver o problema. Por outro lado, os moradores do prédio precisam saber que a administração do condomínio está apoiando a adoção do Manejo Integrado, pois é de se admitir que poucas pessoas, leigas, já ouviram falar dessa abordagem; dessa forma, o síndico passa a ser o elo entre a empresa contratada e o condomínio. Caso a administração do condomínio não deseje se envolver nesse processo, tenha cuidado! Significa que ela está querendo resultados fáceis e imediatos ou acha que o dinheiro pode comprar qualquer coisa, o que não é rigorosamente a verdade. Informe o síndico sobre cada praga apontada pelos condôminos queixosos, como elas se espalham e como podem obter água, alimento, abrigo e acesso entre os apartamentos. Explique a parcela de responsailidade que os próprios condôminos têm no estabelecimento das infestações. Faça tudo isso, se possível, por escrito, até para que o síndico possa ter em mãos um documento técnico que suporte as despesas que o condomínio terá com o tratamento, para que o síndico tenha onde se apoiar para convencer a comunidade sobre a necessidade de um manejo mais global do assunto e dará a força que ele precisa para fazer cumprir certas demandas que a administração imporá, a fim de que melhores resultados do tratamento antipragas sejam obtidos.
Inspeção:- é preciso proceder a uma completa inspeção do prédio, incluindo os apartamentos, montando um croquis geral que mostre onde as pragas já foram observadas, o que vai ser extremamente útil quando do tratamento. Nenhum programa poderá ser bem sucedido sem esse levantamento prévio. Assinale especialmente os locais infestados e as condições que estão facilitando a instalação das pragas já existentes.
Fazer um arquivo:- para cada apartamento e área comum, deve-se montar uma ficha de informações que servirá unicamente para o planejamento de futuras ações. Atenção: essa ficha não deverá tornar-se do conhecimento da administração do condomínio, pois alguns condôminos podem se sentir constrangidos ou mesmo prejudicados com o vazamento de certas informações colhidas pela empresa controladora durante a inspeção. Dados úteis para constar dessas fichas: que tipos de pragas já foram detectadas, em que extensão, o grau de asseio e higiene de cada ambiente, o grau de desordem, as condições de umidade, a presença de animais de estimação, etc. Em resumo, as informações que você precisa para poder tomar algumas decisões e fazer recomendações posteriores.
Pragas:- Não procure somente por baratas. Lembre-se que o Manejo Integrado é capaz de resolver qualquer tipo de infestação de outras pragas também: cupins, roedores, moscas, formigas, aranhas e o que mais vier. Relatar a presença de outras pragas não alvos, pode aumentar a credibilidade da empresa junto à administração e induzir confiança nos condôminos quanto ao seu trabalho. Isso facilitará o andamento dos serviços e as possibilidades de participação pessoal dos condôminos no processo.
Serviços de manutenção do condomínio:- todos os problemas do prédio que exijam manutenção e que possam estar contribuindo para a infestação de pragas, devem ser apontados para a administração a fim de que ela possa providenciar os reparos necessários. Por exemplo: canos de água ou esgoto que vazam ou gotejem, bordas das caixas de gordura desajustadas, fissuras na estrutura suficientemente largas para servir de abrigos a insetos e aranhas, etc. Qualquer conserto ou modificação que a administração do prédio fizer, vai ajudar no sucesso do tratamento, tais como; rejuntar azulejos e pisos, vedar os buracos nas paredes em torno dos canos, melhorar o sistema de coleta e armazenamento do lixo de forma que ele fique o menor tempo possível dentro do perímetro do condomínio, etc. Uma medida simples, mas muito eficaz no conjunto de ações que conduzirá ao sucesso, é pintar os quartos de despejo e depósitos de branco; isso vai evidenciar quando sua limpeza não estiver sendo bem feita e sujeira, é tudo o que as baratas adoram!
Tem mais, mas vamos dar um tempo e volto a falar no assunto, OK?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

CONTROLANDO INSETOS EM CONDOMÍNIOS. BOM NEGÓCIO OU UMA GRANDE DOR DE CABEÇA? – PARTE I


As melhores empresas controladoras de pragas urbanas existentes no mercado (mundial, diga-se de passagem) entenderam, se convenceram e passaram a praticar com sucesso o chamado Manejo Integrado de Pragas (a soma de ações corretivas, preventivas e de eliminação das infestações já existentes). Cerca de 70 anos depois que surgiu o DDT, o avô de todos os inseticidas modernos, não foi só a química que evoluiu com a descoberta de novos compostos cada vez mais eficazes contra as pragas e cada vez mais tentando evitar danos ao ambiente e a seres não alvos. As abordagens e a metodologia de trabalho também avançaram e muito! Pelos conceitos básicos do Manejo Integrado, as empresas controladoras de pragas passaram a não só aplicar biocidas capazes de eliminar as infestações já existentes, como também a fazer certas recomendações ao contratante para que recupere certos pontos de suas instalações que estejam facilitando a invasão e a permanência das pragas na área alvo. Desse conjunto de ações, resultados cada vez mais bem sucedidos têm sido alcançados e, às vezes, até surpreendentes.
Um bom exemplo do que estamos falando é o controle de insetos em condomínios, onde somente a aplicação de biocidas não é capaz de produzir controle e, por vezes, é capaz de gerar sérios problemas aos condôminos. Nos prédios de moradias, o Manejo Integrado é mais que necessário. Um condomínio é composto de diversas moradias independentes separadas apenas por paredes, mas que têm, até não percebidas, ligações entre si que atuam como fatores complicadores no caso de certas pragas. Cupins de alvenaria (Coptotermes havilandi), por exemplo, simplesmente não respeitam os limites físicos de um apartamento e invadem sucessivamente diferentes unidades do condomínio sem dó, nem piedade. Baratas também o fazem, especialmente a abjeta barata de esgoto (Periplaneta americana) que pode transitar livremente pelas linhas de esgoto do prédio, escolhendo ao seu critério quais unidades vai invadir. Formigas doceiras surgem do nada e podem construir formigueiros enormes em vãos do prédio, movendo-se através dos conduítes de fios elétricos. Eis uma situação muito comum: cupins e/ou baratas aparecendo em diferentes apartamentos do condomínio, geralmente circunvizinhos e mais ou menos na mesma época, tornando-se, assim, um problema coletivo. Capítulo I – As múltiplas ocorrências:- após certo número crescente de queixas de condôminos, finalmente o Síndico se convence de que é um problema do prédio e não apenas restrito às unidades afetadas, decidindo, então, buscar uma solução chamando uma empresa especializada. Aí começa outro capítulo dessa história. Capítulo II - A negociação:- o síndico tem que localizar pelo menos três empresas controladoras de pragas para obter três orçamentos e decidir por um deles. Pelo menos essa é a regra mais comum para contratar serviços ou efetuar compras para o condomínio. Pode ser que uma dessas empresas já tenha prestado serviços a aquele síndico em outro prédio e ele tenha gostado do resultado, pode ser que o síndico tenha um amigo que tenha uma empresa ou algum parente ou mesmo algum conhecido, amigo do amigo, parente do parente, etc. As possibilidades são muitas! Mas, caso a escolha não se enquadre em nenhuma das alternativas anteriores, ele sai garimpando as empresas em alguma fonte possível de informação: indicação de outro síndico, páginas amarelas, revistinha do bairro, sites na Internet e outras fontes menos votadas. Suponhamos que ele selecione e chame as três empresas que lhe pareceram mais adequadas. Vai recebê-las, relatar o problema e ordenar ao zelador que acompanhe os técnicos das empresas para uma vistoria da situação. Ah, sim! Sempre haverá alguma empresa que vai dizer que “não precisa fazer vistoria”, que ela conhece muito bem os problemas relatados, que tem vasta experiência no assunto e blá, blá, blá. Seja como for, o síndico recebe a três propostas e as examina, mesmo sem entender “bolhufas” do assunto. Entre elas certamente haverá uma que será “verborréica”, cheia de detalhes perfunctórios, abundante em informações desnecessárias e redundantes, mas preenchendo muitas folhas de papel, entremeadas de termos técnicos, só para impressionar a plateia. O que vai interessar, primeiramente, é o preço cotado para os serviços; só depois é que ele vai ler os detalhes. O síndico então conversa com alguns membros do conselho fiscal do condomínio, elimina uma das três propostas (jamais saberemos a razão!) e chama as duas empresas restantes para “negociar”. Por negociar, entenda baixar o preço. Ponto! Nesse momento vai entrar o poder de persuassão do representante da empresa incumbido de atender a convocação do síndico, seus conhecimentos técnicos e o grau de poder que lhe foi concedido para negociar. E vocês pensam que não existe síndico “boleiro”? Só existe! Ele estará interessado apenas em quanto vai levar “de comissão” na contratação. O resto não interessa. Quem disse que a vida do controlador de pragas é fácil!
Se a empresa escolhida apenas pelo critério menor preço for daquelas que ainda acredita que somente uma aplicação de algum inseticida vai resolver o problema, o condomínio estará literalmente “ferrado”, como se diz por aí. Logo o Síndico vai perceber que o tratamento executado não deu o resultado esperado, só acalmou um pouco o problema, mas as queixas voltaram a acontecer pouco tempo depois. Nesse caso, começa o Capítulo III – O repasse. Já meio irritado porque sua escolha não foi acertada e alguns condôminos estão já estão criticando as decisões (sempre erradas, segundo eles), o síndico chama a empresa para fazer um repasse do tratamento. Digamos que a empresa controladora resolva atender à reclamação e venha fazer “um repasse”. Óra, se não resolveu no primeiro tratamento, não vai resolver no segundo, nem no terceiro e assim por diante. Não adianta! A questão está na falta de conhecimento técnico, na falta da vistoria prévia, na má avaliação do problema, no erro de orçamento e na composição de custos, no desinteresse da empresa em manter o cliente, enfim, pode ser que se trate apenas de uma autodenominada empresa controladora de pragas que apenas quer explorar as oportunidades do mercado ou que pratica não mais do que um “marketing de emboscada”! O síndico vai se cansar de discutir com a empresa a necessidade de resolver o problema, vai receber mil e uma explicações e desculpas esfarrapadas e não vai dar em nada. A menos que resolva entrar com alguma ação legal ou acionar a delegacia de defesa do consumidor. Sou perito de juiz e tenho atuado em incontáveis causas desse tipo opondo síndicos e donos de empresas controladoras de pragas, sempre com muita confusão, muita discussão, muitos excessos de ambas as partes, muitos subterfúgios de advogados espertinhos até a peritagem final. No meio disso tudo, o dono da empresa perguntando “- Onde foi que eu errei?” e o síndico arcando com o ônus de uma escolha errônea, induzido ou não.
Bem e daí? Daí, vamos continuar a falar sobre esse assunto em próximo post, porque já estou me alongando excessivamente neste. Não perca!

domingo, 21 de novembro de 2010

UNIFORMES CONTAMINADOS: O QUE FAZER?


Após um duro dia de trabalho, o operador (controlador de pragas), aquele profissional que passou várias horas trabalhando com um pulverizador à tiracolo, ainda tem mais uma questão a resolver: sua roupa de trabalho, a qual provavelmente estará contaminada com os inseticidas que utilizou durante a execução de seu serviço. Reutilizá-la no dia seguinte é impensável, pois exporá o operador a uma intoxicação via dermal de proporções impossíveis de serem previstas. Como descontaminá-la? Há alguma diferença entre os detergentes a serem empregados? Deve-se lavar a roupa respingada com inseticidas em água fria ou quente? Pode-se usar máquina de lavar roupa ou lavá-la à mão? Na verdade, o operador deve ser treinado quanto a essa questão da contaminação de seu uniforme, tentando minimizar essa ocorrência utilizando pulverizadores adequados e com boa manutenção, sem vazamentos, além de manejar corretamente o equipamento. Além disso, o operador deve trabalhar fazendo uso dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) tais como luvas de borracha, máscara nasal com filtro de carvão ativado (dentro da validade), boné de tecido impermeável ou capacete rígido, óculos industriais, guardapó de mangas longas, talvez um avental emborrachado (corretíssimo). Está bem... quase nenhum operador segue essas regras de segurança, nem quando a empresa os obriga a tanto! Resultado: uniformes contaminados todo dia.
Está cientificamente provado que a maioria das intoxicações por inseticidas ocorre não por inalação ou via oral, como muitos imaginam. Ocorre pela pele (via transcutânea) que absorve rapidamente partículas dos inseticidas, especialmente se a exposição for prolongada. Para um cidadão comum que não está em contato direto permanente com inseticidas domésticos, esse risco de intoxicação é mínimo, quase nulo. No entanto, o operador no exercício de seu trabalho, corre riscos bem mais consideráveis e, portanto, deve se preocupar com sua integridade física. A indústria busca constantemente biocidas cada vez de menor risco à exposição, mas ainda assim a contaminação das roupas de trabalho deve ser um item de preocupação constante para os profissionais operadores no controle de pragas.
Os uniformes dos operacionais devem ser trocados todos os dias após o trabalho e lavados, o que por si só já facilita a descontaminação. As roupas ou uniformes respingadas por inseticidas não devem ser misturadas com roupas comuns. As pesquisas demonstram que os resíduos dos inseticidas transferem-se das roupas contaminadas para outras roupas, quando lavadas juntas. Os uniformes usados devem sofrer uma prelavagem que ajudará a remoção das partículas de inseticidas absorvidas pelo tecido. Essa prelavagem pode ser feita da seguinte forma: colocar as peças contaminadas de molho em um recipiente a ser utilizado somente para esse fim, adicionar detergente ou sabão em pó e deixar por duas horas ou mais. Ou submeter as roupas à prelavagem em máquina de lavar roupa, que deverá conter somente os uniformes contaminados. A prelavagem é particularmente eficaz para desalojar as partículas entranhadas nos tecidos quando se usa inseticidas pós molháveis. Após a prelavagem, deve-se submeter as roupas a enxágues sucessivos em máquina de lavar ou manualmente de preferência em água quente, a qual dilata a trama dos tecidos facilitando a remoção dos inseticidas. Na lavagem dos uniformes pode-se usar qualquer tipo de detergentes ou saponáceos, domésticos ou industriais, carbonatados ou fosfatados, etc. Contudo, pesquisas demonstraram que os detergentes do tipo pesado, isto é, próprios para lavagens profundas, são melhores para remover inseticdas dos tecidos, especialmente se forem concentrados emulsionáveis, que é a formulação mais comum entre os inseticidas de uso profissional. Os concentrados emulsionáveis são formulações oleosas e os detergentes e sabões industriais possuem grande eficácia na remoção desses resíduos. Aditivos de lavanderia, como branqueadores (alvejantes) e especialmente produtos amoniacais, não ajudam na remoção de inseticidas. Todavia, se usá-los, jamais misture um alvejante com amoníaco, pois eles reagem entre si formando um perigoso gás: o cloro. A máquina onde as roupas de trabalho foram lavadas, deve sofrer um enxágüe extra sem nada dentro, fazendo uso de um bom detergente. Não enxugar os uniformes recém lavados em centrífuga, mas sim expô-los ao sol direto, pois a luz solar desativa (por fotólise) algumas partículas que porventura tenham neles restado. Felizmente uma boa porcentagem das empresas controladoras de pragas não só se encarrega da lavagem e descontaminação dos uniformes de seus operadores, trocando-os diariamente, como também fornece três ou quatro mudas completas para cada operador em exercício. Mas, querem saber? Há ainda uma boa parte delas que simplesmente manda que o operador lave seus uniformes em casa! É... é a nossa realidade!
Quando lavar as roupas respingadas por inseticidas, lembre-se:
• Não as misture com roupas comuns.
• Pratique a prelavagem manual ou à máquina de lavar roupas.
• Se por máquina, ajuste-a para lavar a quente (60°C), nível de água alto, ciclo normal (12 minutos).
• Use dois enxágues no mínimo.
• Use uniforme limpo e descontaminado todos os dias.
• Jamais reutilize uniforme usado sem lavá-lo.
• Seque os uniformes descontaminados de preferência ao sol direto.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ATAQUE DOS RATOS (RATS)


Adoro garimpar nas baciadas de ofertas de DVDs em supermercados! Dezenas e dezenas de DVDs a precinhos camaradas porque já estão fora de catálogo ou encalhados ou ultrapassados ou porque a tiragem foi excessiva. A maioria é porcaria, mas de vez em quando é possível caçar algum clássico, um Cult ou um daqueles filmes que povoaram minha infância e juventude. Nessas baciadas já encontrei preciosidades como alguns filmes de Stan Laurel & Oliver Hardy (os famosos O Gordo & O Magro), uma coleção completa do Flash Gordon (pouca gente vai saber do que estou falando), Os sete samurais (com o notável Toshiro Mifune), As férias de Monsieur Hulot (uma comédia em P&B impagável do fantástico mímico Jaques Tati) e algumas outras preciosidades que hoje compõem minha filmoteca muito particular, cinéfilo que sou assumidamente.
Estava eu garimpando, há dois dias, numa baciada nova e eis que me deparo com um DVD denominado “O ataque dos ratos” (Rats no original) a módicos R$ 8,60. Praticamente pulou na minha mão como se fosse movido por estranha energia. Comprei no ato, lógico, e na mesma noite fui assisti-lo. Trata-se de uma interessante produção alemã de 2003 em tela cheia e com boa definição de imagem. Embora com atores completamente desconhecidos, não chega a ser “trash” como eu imaginava. O enredo conta uma fantástica invasão de ratos (R.norvegicus) na cidade de Frankfurt onde uma série de eventos, incluindo a suspensão do programa municipal de controle de roedores por cortes no orçamento, conduz a uma super proliferação desses roedores nos esgotos da cidade e que, por falta de alimento, resolvem tomar a cidade de assalto. Para complicar, transmitem eles um vírus desconhecido de curso mortal para os humanos, através de sua saliva. Tem um mocinho (um bombeiro municipal), uma mocinha (que é médica) e a filha da mocinha que é mordida por um rato contaminado. Há vários coadjuvantes, entre eles outro bombeiro que é um expert em controle de roedores, o qual vai informando detalhes da biologia dos roedores à medida que a trama se desenvolve. Quaquilhões(*) de ratos pululam nos esgotos da cidade e em certos próprios municipais desocupados, agrupando-se para formar um exército invasor. Muito criativo o método criado pelo especialista para capturar um roedor a fim de nele prender um transponder localizador (GPS). O computador, na pós produção, criou milhões de ratos em cenas no mínimo curiosas.
Passei uma hora assistindo ao tal Ataque dos Ratos, comendo pipoca e tomando guaraná, fazendo comentários para mim mesmo, já que lá em casa sou o único que gosta desse tipo de tema!
Sim, final feliz e Frankfurt salvou-se mais uma vez.

Obs: (*) um quaquilhão era o tamanho da fortuna do Tio Patinhas, imensurável portanto! Revista em quadrinhos também é cultura.

domingo, 14 de novembro de 2010

AGORA JÁ SÃO 8.000 VISITANTES! É MOLE!!!!


De repente, 8.000 visitantes neste nosso blog! Como foi rápida a passagem de sete para as oito mil visitas! Menos de um mês. Não posso deixar de comemorar, coisa que faço a cada mil visitas a mais. Tenho também que registrar aumento das consultas na seção de Perguntas&Respostas rápidas, embora algumas perguntas não possam ser ali respondidas devido à extensão e abrangência das respostas. Quando posso, escrevo um post a respeito... quando posso. Não quero deixar de mencionar o aumento dos comentários sobre este ou aquele post; aliás, após cada post há uma chamada para que os leitores que quiserem comentar a matéria, ali o façam. Até hoje publiquei TODOS os comentários que foram enviados pelos leitores. Por alguma razão, às vezes recebo um comentário no meu endereço de e-mail e não no espaço do blog, razão pela qual deixo de publicar.
Mas, hoje estou “andando nas nuvens” em céu de brigadeiro! Feliz com a octiesmilésima visita (acho que pouca gente conhecia essa estranha palavra, não é?). Vou morrer sem saber falar corretamente essa incrível língua portuguesa!

DESCULPEM A DEMORA!


Estava trabalhando e não sobrou nem um tempinho para postar mais assuntos no blog nestes últimos dias. Estava prestando uma consultoria (em tempo praticamente integral) para uma empresa controladora de pragas que pegou um belo contrato fora de São Paulo e realmente não sobrava tempo para preparar um post. Mas, agora, depois das visitas a campo e dezenas de reuniões técnicas, posso pensar em algo interessante, relatórios à parte que tenho que redigir e entregar. Foi um desafio bem interessante e o pessoal dessa empresa se mostrou muito envolvido no processo de preparação do plano de trabalho.
Voltei!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

NOVO APOIADOR DO BLOG DO HIGIENE ATUAL

Recebemos, com grande prazer, mais um apoiador deste blog, a SERVER QUÍMICA LTDA, sediada em Marília/SP, um fabricante nacional bem sucedido de bons produtos desinfestantes. Tive a oportunidade de trabalhar lado a lado com o atual proprietário e Químico responsável da Server, Albertino Silva, que então respondia pela fabricação dos produtos distribuídos pela Novartis Saúde Animal, incluindo inseticidas e raticidas. Depois de tornar-se Diretor geral da NAH – Novartis Animal Health – Albertino desligou-se e foi trilhar seus próprios caminhos através da Server. Ali, implantou o que de melhor sabia fazer: reestruturar a empresa para produzir bicidas com alto teor de qualidade (para a própria Server e para terceiros). Ainda lutando com os problemas naturais do mercado, especialmente de distribuição, a Server participa com biocidas de reconhecida qualidade e vem conquistando de forma crescente um grande número de consumidores entre os profissionais controladores de pragas. Fico duplamente feliz por ter a Server como apoiador do blog. Primeiro porque conheço a maioria de seus biocidas e confio que produzirão os resultados desejados pelos profissionais que os utilizam. Aliás, desde que saí da indústria produtora em 2006, decidi que somente recomendaria aos colegas controladores, biocidas que eu pessoalmente tivesse testado e aprovado e assim tenho feito; portanto, se deixo de citar este ou aquele produto, pode ser porque ainda não os testei. E segundo, porque assim estreitamos os laços com a empresa que nos apoiou na publicação de nosso derradeiro Guia Técnico Operacional (O Manejo de Pragas em Estabelecimentos Alimentícios). Os leitores que se interessarem pela linha de biocidas da Server Química, basta clicar sobre o banner da empresa exposto na coluna de Parceiros no blog onde há um link automático que remete ao site dessa indústria produtora.
Bem vinda, Server Química.

sábado, 30 de outubro de 2010

E SEGUE A DISCUSSÃO SOBRE A RESPONSABILIDADE TÉCNICA SEGUNDO A RDC 52 – PARTE III


Vamos em frente nessa discussão. Em meu derradeiro post sobre esse tema, questionei, como questiono, o texto da RDC 52 (em vigor) que autorizou profissionais de nível médio a ocuparem o cargo de RTs por empresas controladoras de pragas sem explicitar ou definir quais seriam essas profissões, apenas dizendo que deveriam ser “devidamente habilitados” (meu comentário: o que significa isso?). Óra, onde está, neste Brasil cor de anil, a escola (reconhecida pelo MEC) que especializaria formalmente um profissional de nível médio nessa atividade de RT tão específica? Isso simplesmente não existe! Até esta data, não existe! Como pode uma resolução governamental, oficial e com valor de lei sobre o território nacional, exigir algo que “NÃO EXISTE”! Pitangas!
Vamos voltar a dar uma olhada no teor da RDC 52 que obriga a empresa especializada a ter um RT (louvável) e define o profissional que pode exercer essa função. Prepare-se porque aí vem mais encrenca! Diz a RDC 52:

Seção II : Da responsabilidade técnica
Art. 8º A empresa especializada deve ter um responsável técnico devidamente habilitado para o exercício das funções relativas às atividades pertinentes ao controle de vetores e pragas urbanas, devendo apresentar o registro deste profissional junto ao respectivo conselho.
§1° Considera-se habilitado para a atividade de responsabilidade técnica, o profissional que possua comprovação oficial da competência para exercer tal função, emitida pelo seu conselho profissional.

Portanto, com todas as letras, a RDC 52 está dizendo que o profissional deve possuir “comprovação oficial de competência emitida pelo seu conselho profissional”. Quer dizer, é o Conselho de cada profissão que doravante vai dizer se seus representados são categorizados para exercer as funções do RT. Está aí a base de um grande “imbróglio”, pois ninguém agora sabe quais são as profissões que supostamente podem assumir tais responsabilidades. Por conseqüência, qualquer profissão, de nível superior ou de nível médio, que tenha uma carta de habilitação profissional, ou equivalente, emitida pelo respectivo conselho profissional, poderá, ao rigor da lei, ser um RT.
Pela Constituição brasileira, é de se observar que nenhuma legislação estadual ou municipal pode se sobrepor a uma lei de âmbito federal. Essas legislações menores podem complementar a lei federal, exigir mais do que ela, mas não pode contraditá-la ou a ela se contrapor. De maneira nenhuma. Portanto, se o conselho profissional de uma dada categoria atestar que seus representados, em sua formação profissional, possuem os conhecimentos necessários e suficientes para exercer as funções de Responsável Técnico por empresas controladoras de pragas, nenhum órgão fiscalizador estadual ou municipal, por mais privilegiado que seja, pode dizer em contrário. Pura e simples assim! A menos, observem, que nesse Estado ou Município exista expressamente disposições legais explicitando condições impeditivas. Mesmo assim, como a RDC 52 é de âmbito federal, a questão admite discussão em juízo. Penso eu, que a tese é até bastante defensável para qualquer categoria profissional. Um bom advogado saberia dizer.
Por outro lado, as associações de classe dos profissionais controladores de pragas deveriam começar a se mobilizar para fazer luz sobre esse controvertido tema. Aliás, como já o fizeram com sucesso, resultando na RDC 20 que alterou a RDC 52 no que diz respeito à vizinhança da sede das empresas. Algumas associações (a do Rio de Janeiro, sempre muito atuante, é um bom exemplo) até já começaram a se mobilizar tentando algumas alternativas como cursos de certificação, saída já barrada por certos conselhos profissionais sob alegação que a própria formação já certifica suas categorias. Outra alternativa, seria criar junto a alguma Universidade, cursos a nível de pós graduação, mas a RDC 52 abriu a RT também para profissionais de nível médio, os quais não tem acesso a cursos de pós. Quer dizer, também não serve. Cursos de desenvolvimento e aperfeiçoamento para possíveis RTs podem ser interessantes, mas certamente não resolverão o problema.
A questão central continua sendo a completa falta de definição no texto da RDC 52 que, supostamente, deveria ter legislado de forma objetiva o exercício laboral do profissional controlador de pragas e das empresas que compõem o sistema.
Coisas do meu Brasil!
Por que simplificar, se podemos complicar?
Bom, moçada, essa é apenas minha opinião pessoal sobre tudo isso. Prego no deserto, eu sei.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

MAIS SOBRE A RDC 52 QUE LEGISLOU SOBRE A RESPONSABILIDADE TÉCNICA


Em post anterior, discutimos a delicada (e complexa) questão dos RTs – Responsáveis Técnicos – por empresas controladoras de pragas. Em resumo, embora reconhecendo a intenção provável dos tecnocratas da Anvisa no sentido de “esclarecer” o tema, observei, ao contrário, que a RDC 52 veio tornar mais complexa a questão ao “abrir” a RT para virtualmente qualquer categoria profissional, bastando que seu respectivo Conselho Regional assim o declare! Se não, vejamos:
Inicialmente, observemos a definição exata que a RDC 52 deu ao termo Responsável Técnico em seu inciso X: - responsável técnico: profissional de nível superior ou de nível médio profissionalizante, com treinamento específico na área em que assumir a responsabilidade técnica, mantendo-se sempre atualizado, devidamente habilitado pelo respectivo conselho profissional, que é responsável diretamente: pela execução dos serviços; treinamento dos operadores; aquisição de produtos saneantes desinfestantes e equipamentos; orientação da forma correta de aplicação dos produtos no cumprimento das tarefas inerentes ao controle de vetores e pragas urbanas; e por possíveis danos que possam vir a ocorrer à saúde e ao ambiente;
Vamos examinar um pouco essa definição. Observem: a RDC 52 passou a admitir que o RT possa também ser de nível médio profissionalizante, enquanto anteriormente a lei só admitia profissional de nível superior. Como e por que essa mudança? Eu pessoalmente, questiono. A verdade é que as profissões que têm em seu currículo de formação os conhecimentos técnicos necessários aos respectivos profissionais a condição de poderem responder pela responsabilidade técnica de empresas controladoras de pragas, não são muitas. Que conhecimento seriam esses? Para começar, conhecimentos mais profundos sobre parasitologia (incluindo artrópodes e mamíferos considerados pragas), conhecimentos sobre toxicologia e sobre bioquímica; de quebra, conhecimentos sobre a biocenose e as relações entre os seres vivos que a compõem. Há outros conhecimentos necessários, mas vamos citar apenas aqueles. Quer dizer, já não são muitas as profissões que somam tais conhecimentos de forma abalizada e significativa. A RDC 52 não só deixou de definir quais seriam as profissões que somariam tais conhecimentos, como rebaixou o nível desses conhecimentos para a formação de técnicos de nível médio profissionalizantes! Óra, um curso de nível médio é o que o nome está dizendo: um curso de nível médio! Com todo o respeito que tais profissionais merecem, eles cursam dos 15 aos 18 anos de idade em média, seu curso profissionalizante. Pela RDC 52, já poderiam ser responsáveis pelas empresas controladoras de pragas que, sabidamente, são empresas cuja atividade laboral é de alto risco! Que lidam com produtos químicos de grande periculosidade, se utilizados em condições equivocadas. A pergunta é: será que um técnico de nível médio profissionalizante estaria realmente capacitado a enfrentar o dia a dia de uma empresa desinfestadora? E se um acidente ocorresse, teria ele condição de analisar o erro cometido e reverter o problema? E, por último, a RDC 52 igualmente não definiu quais as profissões de nível médio que estariam credenciadas para que seus respectivos profissionais possam ser RTs por empresa controladoras.
Não li em lugar nenhum ou ouvi as razões que levaram a comissão da Anvisa que criou a RDC 52, a reconhecer profissões de nível superior e profissões de nível médio como capazes de atuarem como RTs. Não entendi até hoje por que abrir esse credenciamento a qualquer (observem, eu disse qualquer) profissão, se devidamente autorizadas por seus respectivos conselhos regionais. Mas, já estamos nos estendendo demais para um único post (é que o assunto é realmente apaixonante!).
Mais adiante, retomamos, OK?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

7.000 VISITAS AO BLOG DO HIGIENE ATUAL. MAIS UMA FESTA!


Que beleza! Nada menos que 7.000 visitantes já acessaram o Higiene Atual. Por que comemoro a cada mil visitas?
Porque foi para isso que criamos este blog, foi para que tivéssemos um blog inteiramente voltado para o profissional controlador de pragas onde temas de interesse dessa classe pudessem ser expostos e discutidos. Para que discutíssemos temas corriqueiros e temas mais complexos ou polêmicos. Para que temas mais esquecidos, embora não menos importantes, pudessem ser lembrados e trazidos à tona. Enfim, apnas um fórum técnico para que o profissional desinfestador tivesse um blog de seu interesse.
7.000 visitantes me dizem que este blog veio em boa hora. Quase um ano depois de sua criação, o blog do Higiene Atual segue firme em sua trajetória, rumo ao décimo milésimo visitante. Aguarde só!
Muito obrigado.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A COMPLEXA QUESTÃO DA RESPONSABILIDADE TÉCNICA (PELA RDC 52)


Complicado! Não era, mas conseguiram complicar e muito. Esse assunto da Responsabilidade Técnica por empresas controladoras de pragas já deu muito “pano pra manga” como se diz por aí e ainda vai dar muito mais, vocês vão ver!
No começo (eu falo de 30 a 40 anos atrás), não havia regras claras para definir quais seriam as categorias profissionais dos Responsáveis Técnicos (RT) pelas empresas controladoras de pragas, as quais, aliás, ainda não eram tão numerosas assim em nosso país. O Conselho Regional de Química saiu na frente e começou a exigir que essas empresas tivessem um químico como seu RT, alegando que só o químico saberia manipular os inseticidas concentrados de uso profissional, diluindo-os em água ou solventes (sic); o CRQ saiu intimando e intimidando a torto e a direito, chegando mesmo a aplicar multas pecuniárias às empresas recalcitrantes. Essa disposição não constava de nenhuma portaria, lei ou regra oficial da época e era resultante apenas da interpretação daquele CRQ que, obviamente, tentava legislar em causa própria. Em seguida, o CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia – percebendo que também poderia disputar uma fatia desse bolo, igualmente começou a pressionar as empresas controladoras exigindo que o RT fosse um engenheiro agrônomo. Mas, não demorou muito para que as empresas controladoras de pragas percebessem que tais obrigações inexistiam e algumas outras categorias profissionais começaram a ocupar esse nicho laboral, como os biólogos e veterinários. Uma resolução oficial (RDC 18) veio, pela primeira vez, fazer luz no tema, nominando formalmente seis categorias profissionais como RT pelas empresas controladoras de pragas: engenheiros agrônomos e florestais, farmacêuticos, químicos, biólogos e veterinários. Entendiam os técnicos do Ministério da Saúde da época que, na formação acadêmica dessas categorias profissionais, eram ministrados conhecimentos tais que capacitariam o pleno exercício da responsabilidade técnica pelas atividades executadas por empresas controladoras de pragas. Não quero, e nem vou, discutir os méritos e deméritos dessa “compreensão” um tanto singular e cheirando a corporativismo. O fato é que, finalmente, havia regras para esse jogo, bastaria cumpri-las, certas ou erradas. Uma coisa ficou bastante clara, no entanto: a empresa controladora de pragas teria obrigatoriamente que ter um RT e que deveria registrar-se (ela, a empresa) no respectivo conselho regional ao qual pertenceria seu RT, naturalmente recolhendo certas taxas anuais a esse conselho. Belo butim, não? Então... era isso o tempo todo! Os conselhos regionais brigavam era por esse rico dinheirinho, afinal. Sem maiores comentários!
Seja lá como for, o fato é que surge mais uma vez, nova regra para o mesmo assunto. A 22/10/2009 foi baixada a Resolução RDC 52 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) do Ministério da Saúde, que dispõe sobre as atividades ligadas ao controle urbano de pragas e dá outras providências. Aqui mesmo neste blog já critiquei, e volto a fazê-lo, sobre certas disposições e impropriedades contidas nessa resolução, novamente fruto da cabeça de alguns tecnocratas do serviço público, destituídos, por força de seu mister, de conhecimentos mais profundos sobre o exercício privado da atividade laboral do controle de pragas. O resultado só poderia ser uma salada mista de coisas certas e coisas erradas com coisas dúbias, gerando confusão e perplexidade onde não acontecia. Sem tirar o mérito da RDC 52 que pretendia colocar regras na atividade das empresas controladoras de pragas, hoje muito numerosas no Brasil e sujeitas a diferentes legislações estaduais e até municipais, essa legislação de âmbito federal (e portanto se superpondo às leis e regras locais) tem várias abordagens e disposições bastante adequadas e ajudam bastante a nortear a atividade laboral do controle de pragas urbanas em nosso país. Minha crítica, fruto de minha opinião pessoal, se assesta sobre determinados itens da RDC 52 que não vieram ajudar positivamente a por a casa em ordem. Alguns desses itens vieram apenas confundir a cabeça do profissional controlador e até há itens que literalmente não podem ser cumpridos, como é o caso da tal “licença ambiental”, mas isso já é uma outra história que fica para uma outra vez. Aliás, e felizmente, um pouco de luz se fez e os tecnocratas reconheceram que não foram claros em um dos itens e corrigiram o erro baixando a 12/05/2010 a RDC 20 que veio alterar um único item da RDC 52.
Em próximo post, continuarei a dissecar esse tema, OK?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

PRESTENÇÃO MOÇADA: UM BAITA EVENTO ESTÁ CHEGANDO EM OURO PRETO/MG

A conhecida colega Ana Eugênia C.Campos, presidenta do evento, nos lembra que está se aproximando a 7ª ICUP - Conferência Internacional sobre Pragas Urbanas - que será realizada de 07 a 10 de agosto do ano que vem, em Ouro Preto/MG. Só no segundo semestre de 2011! Então por que a pressa?
Não é! A razão da pressa é que quem pretende apresentar algum trabalho técnico/científico nesse certame, vai ter que se apressar mesmo, pois o prazo para remessa do trabalho (que será examinado por uma comissão) encerra-se no próximo dia 02 de novembro. Os detalhes poderão ser lidos no site: www.icup2011.com
Essa conferência pretende reunir profissionais controladores de pragas de vários países e essa oportunidade é, a rigor, a primeira vez que os profissionais brasileiros terão acesso direto a colegas e pesquisadores estrangeiros, o que por si só já representa um ganho de conhecimentos notável e extremamente útil no exercício da profissão. Por outro lado, nossos colegas do exterior devem estar bastante curiosos quanto a nossos métodos e avanços técnicos.
Quem for, verá!

CONTROLANDO MOSCAS NAS INSTALAÇÕES – PARTE III








Nesta terceira parte do tema, podemos conversar um pouco sobre a eliminação profissional das moscas. Moscas (larvas e adultas) não são muito complicadas para eliminarmos, ainda que existam muitas linhagens que apresentam resistência a determinados grupos de inseticidas. Por falar nisso, vocês sabiam que as moscas estão entre os insetos que mais rapidamente desenvolvem resistência? Isso se deve à velocidade com que as sucessivas gerações surgem. Mas, de uma maneira geral, moscas adultas e larvas, como eu dizia, sucumbem rapidamente à aplicação de mosquicidas (caso não se trate de linhagens já resistentes). Além de alguns organofosforados e piretróides de última geração (Ex: azametifós, lambdacialotrina, bifentrina, etc) que, se aspergidos diretamente sobre as moscas (adultas ou larvas), podem ser eficientes, eis que finalmente surgiram os IDIs (Inibidores do Desenvolvimento de Insetos) e os IGRs (Inibidores do Crescimento de Insetos) e a maré mudou, para o nosso lado! Hoje, combatemos as formas jovens da mosca doméstica pulverizando um desses biocidas biorracionais no criadouro e somente as larvas das moscas são afetadas; seus inimigos naturais, não. Fantástico! Mais que isso, em granjas avícolas, por exemplo, há um desses compostos (ciromazina) que é misturado à ração das aves e o larvicida sai junto com as fezes das aves; quando a larva da mosca ingere essas fezes tratadas, não consegue mais se desenvolver e é eliminada.
A outra abordagem é o combate às moscas adultas. Mas, onde aplicar os mosquicidas que possam eliminá-las, já que estão espalhadas em toda parte? Então, temos que atraí-las de alguma forma para que se concentrem e possam ser eliminadas de forma significativa, a ponto de baixar sua população. Por sorte, há disponível no Brasil tanto bons mosquicidas iscas, à base de azametifós potencializado pela adição de um feromônio de atração sexual das moscas - Z9 tricosene, como de modernos neonicotinóides (thiametoxan e imidacloprid)que fazem um belo trabalho no controle de moscas adultas. Em forma de grânulos (maiores para iscas e menores para diluição em água), são fortemente atrativos para as moscas adultas. A formulação SG (Soluble Granules - grânulos solúveis)dissolvida em água e aplicados a pincel (ou pulverizados) sobre superfícies planas onde as moscas usualmente pousam, atraem (contêm açúcar) induzindo-as a lamber a calda, eliminando-as rapidamente. Molhando um barbante nessa calda e estendendo-o em uma área infestada por moscas, vai atrair e eliminar uma porção enorme delas.
Por falar nisso, há não muito tempo atrás, foi descoberto (depois de muitos estudos, naturalmente) que faixas vermelhas e amarelas pintadas alternada e diagonalmente sobre uma superfície plana, exercem uma forte atração em moscas adultas que para ali voam e se concentram. Daí, basta aplicar thiametoxan ou imidacloprid nessa superfície e vamos obter um grande e rápido efeito mosquicida. Aos painéis assim preparados, demos, há alguns anos atrás, o nome de “painéis papa-moscas” que foram amplamente testados em diferentes situações e mais que aprovados (granjas de aves e de suínos, haras, usinas de álcool e açúcar e lixões a céu aberto). Para que o leitor tenha uma melhor idéia do que estou falando, anexei uma foto de um desses painéis. Aliás, qualquer superfície plana ou cilíndrica, horizontal ou vertical, de qualquer tamanho, pintada dessa forma, vai funcionar como painel papa-mosca. Os painéis papa-moscas não estão disponíveis no mercado; portanto, quem quiser fazer uso desses excelentes artefatos para atrair moscas e eliminá-las, terá que produzí-los. Qualquer tamanho servirá (quanto maior, mais distante atuará como ponto de atração visual para as moscas). Estudos demonstraram que o maior poder de atração se verifica quando o painel é pintado em faixas diagonais (mais do que faixas horizontais ou verticais). O material desses painéis pode ser madeira compensada, taboas, PVC, lona, canos e conduítes de PVC, etc; evite usar placas metálicas porque ao sol se aquecem demasiado e as moscas evitam ali pousar. Simplesmente pintar paredes como painel papa-mosca, também funciona muito bem! Devem ser pendurados ou fixados na altura do vôo das moscas (normalmente entre 01 e 1,90m. Devem estar apoiados a paredes ou armações para evitar que balancem (as moscas não pousarão). Painéis de grandes dimensões (ex: uma placa inteira de compensado – 1,20 x 2,80m) devem receber orifícios esparsos para evitar que ventos mais fortes os derrubem.
É ver para crer!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O CARACOL GIGANTE COMO TRANSMISSOR DE VERMES NO BRASIL


O amigo Carlos Madeira, biólogo do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo, minha ex casa onde trabalhei por um longo período de tempo e que me deixou fantásticas memórias, me enviou um trabalho científico publicado há pouco na Revista de Patologia Tropical (edição de julho/agosto deste ano), de autoria de Ana Paula Martins de Oliveira, da FIOCRUZ, e outros pesquisadores, que estudaram o papel do caracol gigante (Achatina fulica) no Estado de Goiás, como hospedeiro intermediário de certos helmintos, tornando-se assim, potencialmente perigosos para a espécie humana. Os autores isolaram de exemplares colhidos em diferentes regiões e municípios daquele Estado (Caldas Novas, Morrinhos e Bela Vista de Goiás), larvas de helmintos como Aerolustrongylus obstrusus, Rahbiditis sp, Strongyluris sp e de outros metastrongilídeos e fazem um alerta sobre o perigo potencial dos caracóis gigantes que, ao que parece, adaptaram-se muito bem a diferentes regiões de nosso país, transformando-se em mais uma praga para que nos preocupemos.

sábado, 16 de outubro de 2010

CONTROLANDO MOSCAS NAS INSTALAÇÕES – PARTE II


Em post anterior, começamos a falar sobre a mosca comum (Musca domestica) e seu controle, iniciando por comentar sobre o interessante controle não químico. Hoje, quero comentar algo sobre o controle químico (uso de mosquicidas) e especialmente sobre o controle biorracional (emprego de inibidores).
Então, começaremos pelo começo: a mosca (seja qual for a espécie) cresce pelo processo que chamamos de “metamorfose completa”, ou seja, ovo – larvas – pupa e adulto. As chamadas formas jovens (ovo, larvas e pupa) permanecem no substrato original onde os ovos foram colocados; a forma adulta, alada, espalha-se e pode ser encontrada onde houver alimento disponível. E de que a mosca doméstica se alimenta? A grosso modo, de qualquer coisa, embora tenha certas preferências.
Dito isso, vamos lembrar que o combate às moscas pode ser dividido em duas abordagens: o combate às formas jovens e o combate às moscas adultas. Nada a ver uma coisa com a outra, embora uma e outra possam conduzir a uma situação de controle. Melhores resultados: use as duas coisas, quando possível.
As formas jovens são combatidas nos próprios criadouros: matéria orgânica em decomposição onde haja liberação de amônia, como acontece com fezes (de aves, de suínos, de bovinos e equinos ou mesmo humanas) e lixo. A mosca fêmea adulta, depois de copular com um macho da espécie, matura seus ovos e no momento certo, os deposita em algum ponto mais úmido (pastoso) do substrato do criadouro. Em torno de 8 horas depois, os ovos já eclodem e liberam a primeira forma larval (há mais duas em sucessão, enquanto crescem e se desenvolvem). Para isso as larvas alimentam-se vorazmente da matéria orgânica do próprio substrato e vão transformando esse substrato em uma sopa grossa (ingerem sólido e defecam líquido), onde vão alojar-se e evitam inimigos naturais seus como certas aves, insetos e outros artrópodes predadores, muito comuns principalmente na zona rural. Poucos dias depois (3,5 dias em média), a larva III sai do substrato, procura um ponto seco do solo e transforma-se em pupa (uma espécie de barril fechado); nessa fase, não se alimenta mais. Outros dias mais (3 a 5dias), a pupa se abre liberando uma mosca adulta completamente formada e já com asas. Entre 16 e 30 horas após a saída dessa mosca adulta de seu pupário, ela estará pronta para acasalar e dar início a novo ciclo.
Portanto, é nesse substrato, nesse criadouro, que devemos combater as formas jovens quando ainda estão concentradas. Mais fácil do que combatê-las depois de adultas. Até não muito tempo atrás, coisa de uma ou duas décadas, o que se fazia era pulverizar inseticidas superficialmente nesse substrato. Matava as larvas e tudo o mais, incluindo os preciosos besouros (Carcinops troglodites) tão comuns na zona rural, que se alimentam de ovos de moscas (estamos falando de controle biológico, moçada), as espalângias (Spalangia spp), uma vespinha que destrói as pupas e um diminuto ácaro (Macrocheles muscadomesticae), ávido comedor de ovos de mosca (20 por dia). Resultado: nada de controle! Larvas mortas, inimigos naturais mortos, moscas adultas ovipondo, rápido crescimento populacional e nada para controlá-las. Não ia dar certo, como de fato não deu. A infestação decrescia, mas não resolvia. Estudos prosseguiram, o conhecimento avançou e o homem chegou finalmente à conclusão de que os inimigos naturais das moscas domésticas são indispensáveis no controle, coisa que a Natureza já havia percebido há milhões de anos atrás! Importantíssimos e devem ser preservados a qualquer custo se pretendermos efetivamente controlar as infestações das moscas comuns. Contudo, a evolução da civilização criou novas e notórias oportunidades para as moscas que passaram a se reproduzir em números absolutamente incontáveis. No campo, as granjas de criação intensiva de animais de produção econômica (suínos, aves, coelhos, gado confinado, etc) colocou-os em galpões aos milhares. A presença de ração proteinada somada à grande produção de fezes não adequadamente manejadas, deu às moscas tudo o que elas queriam. Nas cidades, o descaso do certos cidadãos com as questões elementares de higiene e asseio e mesmo a falta do conceito de cidadania, o manejo incorreto do lixo doméstico, comercial e industrial proveu às moscas, o alimento e o criadouro de que necessitavam. O desastre estava delineado: conforme o local, infestações muito pesadas de moscas domésticas (para não falar de outras espécies) são frequentemente encontradas e as medidas caseiras são incapazes de controlá-las eficazmente. Resta o controle profissional.
Cabe às empresas controladoras de pragas, a tarefa de indicar a seus contratantes, as medidas cabíveis preventivas e corretivas na área capazes de ajudar (e muito) para evitar os problemas causados pelas moscas infestantes. Cabe também, decidir qual, ou quais, as técnicas e os métodos químicos que empregarão nesse combate. Mas, aí reside o problema. Muitas empresas, e profissionais controladores de pragas, ainda acreditam que controlar moscas é como controlar baratas, por exemplo. Saem aspergindo inseticidas pelas paredes, pelos cantos, pelas frestas, etc. Sim, certo número de moscas mortas aparecerá, mas isso longe está do nível de controle. Aplicando um inseticida de contato em uma parede, por exemplo, nossa chance de abater uma mosca dependerá do acaso; só a eliminaremos se ela vier pousar na superfície tratada e ali permanecer por certo período de tempo (o suficiente para que moléculas do produto aplicado possam penetrar no corpo da mosca). Para um controle profissional, é pouco. A dica do combate eficaz às moscas adultas está na sua concentração. Temos que atraí-las e concentrá-las para que as possamos eliminar. Para nossa sorte, já existem biocidas que fazem exatamente isso: são formulações capazes de atrair e abater as moscas.
Mas isso será abordado na próximo bat-post, aqui mesmo neste bat-blog! Não perca!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CONTROLANDO MOSCAS NAS INSTALAÇÕES – PARTE I


Como prometi aí da coluna de Perguntas&Respostas para os leitores Edson Correia e Rodrigo Leal, vamos comentar alguma coisa sobre o controle de moscas domésticas. O assunto é realmente vasto porque, se existe um inseto muito estudado, ao lado das baratas, é a mosca comum (Musca domestica). Sempre gostei desse tema e no laboratório produtor de biocidas em que trabalhei por 23 anos, me envolvi tecnicamente no estudo das moscas e dos produtos destinados ao seu controle. Aliás, como fiz com escorpiões e roedores, dois outros temas muito interessantes para mim. Sob o patrocínio daquele laboratório, tive até a oportunidade de escrever e publicar três manuais sobre essas pragas e que tiveram ótima aceitação na época. Eu disse que o assunto moscas é vasto e seria impossível em um blog discutir todos os aspectos do tema, razão pela qual vou apenas partir das perguntas que o Edson e o Rodrigo fizeram e comentar alguma coisa pertinente.
Combate químico ou combate mecânico? Os dois! Armadilhas mecânicas ou elétricas, redes, cortinas de vento, globos pega moscas, armadilhas colantes, todos têm seu lugar no combate a moscas. São dispositivos que se corretamente utilizados, podem fazer grande diferença para diminuir o número de moscas adultas infestantes no interior de uma instalação. Vamos ver alguns pontos desfavoráveis em cada uma delas, só como exercício. Aquelas armadilhas luminosas que fritam sumariamente as moscas, muito comuns em padarias da esquina, açougues do bairro, botecos e restaurantes, e mesmo em indústrias alimentícias, apresentam o inconveniente de literalmente explodir os insetos que tocam na grade eletrificada e partes de seus corpos caem aleatoriamente ao derredor; muito cuidado, portanto, aonde dispor tais aparatos. Por outro lado, nem sempre a tal da lâmpada ultravioleta, anunciada por alguns fabricantes como fator de atração para as moscas, são atrativas, pois podem ser simples lâmpadas pintadas de cor azul-violeta e não atraem porcaria nenhuma, puro engodo; só alguma mosquinha ainda jovem e sem experiência cai nessa! Melhor é empregar a armadilha colante que é bem parecida com a anterior, só que não eletrocuta nada e ninguém. Há uma série diversificada de fitas e fios colantes pega moscas que podem ser úteis, mas obrigatoriamente devem ser colocados expostos às moscas, mas à vista humana também, na maioria das vezes. Nem sempre um cordão repleto de moscas grudadas impressiona bem! As telas de nylon ou metálicas são formidáveis para impedir a entrada de moscas em portas e janelas, mas rompem-se com freqüência especialmente junto às estruturas de sustentação; essas rupturas podem passar despercebidas. Não pelas moscas. As cortinas de vento dispostas sobre o vão das portas são muito eficientes para impedir a passagem de moscas e outros voadores. Contudo precisam ser constantemente inspecionadas e reguladas para que nenhum ponto da passagem não esteja coberto pelo vento produzido pelo aparelho, pois será exatamente por ali que o desfile das moscas vai passar. Os notórios globos semirrepletos de moscas mortas e maceradas que atraem pelo forte odor de feromônios exalados dos cadáveres, têm o (grave) inconveniente de produzir um odor incrivelmente nauseabundo, fétido, horroroso que deve ser irresistível para as moscas. Afinal, tem gosto para tudo. Não podem por isso ser empregados em instalações (nem perto). Há ainda os “painéis papamoscas”, estes sim de grande eficácia, mas que vamos abordar no post seqüencial deste.
E tem o combate químico. Falo disso em um próximo post, porque este aqui já está virando uma epístola.

domingo, 10 de outubro de 2010

DESCOBERTO O FEROMÔNIO DE ATRAÇÃO SEXUAL DE BARATAS


A notícia não é nova, foi publicada na revista científica Science edição de fevereiro de 2005, mas não ganhou repercussão maior. Aqui no Brasil, nem uma palavra, ao menos que eu tenha sabido, ouvido ou lido. A verdade é que um grupo de cientistas norte americanos do Departamento de Entomologia da Estação de Experimentos Agrícolas da Universidade de Cornell no Estado de New York, estudando o mecanismo de atração sexual em baratas alemanzinhas (Blattella germanica), conseguiram isolar o feromônio responsável. Nojima, Schal, Webster, Santangelo e Roelofs, os autores, não só isolaram o feromônio natural, como conseguiram comprovar seu efeito através de um composto sintético que o reproduzia. O feromônio natural foi identificado como sendo uma quinona, o gentisil isovalerato. Na verdade, esse feromônio já havia sido descoberto em 1993, mas a instabilidade térmica desse composto natural, impedia sua plena caracterização no laboratório. Agora, através de uma nova e avançada técnica de detecção eletroantenográfica (eu, particularmente, não tenho a menor idéia do que seja isso!) foi possível isolar e caracterizar quimicamente o feromônio, ao qual denominaram “blatelaquinona”. Tendo sido caracterizada a molécula natural, foi relativamente fácil produzir um análogo sintético, o qual foi levado a biotestes em laboratório e teve sua eficácia atrativa finalmente comprovada em armadilhas. Esses resultados abrem uma nova porta no combate às baratas alemanzinhas, pois iscas e armadilhas poderão ter seu efeito potencializado significativamente.
Vamos ver quanto tempo ainda levará para que tenhamos esse composto disponível no mercado. E quando chegará ao Brasil!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

SOBRE O CERTIFICADO DE CONTROLE DE PRAGAS


Respondendo a Luís C.Monteiro, nosso leitor que postou na coluna de Perguntas&Respostas uma questão sobre o Certificado oficial de Controle de Pragas que as empresas devem obrigatoriamente entregar a seus clientes Pessoa Jurídica. Houve um tempo em que empresa controladora nenhuma pensava em preparar e deixar com seu cliente esse certificado. Depois, algumas começaram a fazê-lo, porém mais como uma peça de merchandise para divulgar a empresa; tratava-se de um simples certificado impresso em papel colante que não continha nenhuma informação maior exceto pela data da execução do serviço que era sempre preenchida à caneta e informava um certo “prazo” de validade dos serviços. Incrivelmente essa validade era bem elástica e frequentemente alcançava seis meses ou até um ano! Trazia em letras garrafais o nome da empresa controladora, telefones de contato e eventualmente seu endereço. Não continha sequer o nome do estabelecimento onde o trabalho havia sido feito. Esse “certificado” era sempre colado na parede em local bem visível e quando a fiscalização da Vigilância Sanitária chegava, o colante era apontado com orgulho pelo comerciante. Por mais incrível que pareça, a VS aceitava esse “certificado” e dava fé! Outros tempos, amigos, outros tempos!
Daí, como a VS engolia essa balela, começou uma fase (terrível) onde certas empresas controladoras passaram a simplesmente “vender” o tal certificado, ou seja, o serviço não era executado, mas o certificado era emitido e colado na parede. Era um bom arranjo para ambos: contratante e contratado. O Seu Manoel não teria o aborrecimento de ter que desarrumar a padaria toda para que fosse tratada e rearrumar depois. O coleguinha não gastaria um mililitro de produto e nem perderia seu tempo. Bastava preencher um “certificado” e ganhar um rico dinheirinho. Tudo bem simples e bem lusobrasileiro. Lembro-me de um colega que abriu uma empresa dedetizadora depois que saiu da indústria onde trabalhávamos e que fez a mala vendendo dessa forma os tais certificados. Contou-me ele um dia, quando seu negócio estava no auge e perguntei qual a razão de tamanho e tão rápido sucesso comercial, que pela manhã não ia trabalhar, ficava lavando e polindo seu automóvel, uma de suas paixões; à tarde saia já com um roteiro de visitas pré-estabelecido e apenas ia deixando os certificados nos clientes recolhendo o tutu correspondente. Espertamente, ele dava apenas dois meses de “garantia”. Nunca mais soube dele!
O tempo passou, a VS foi ficando esperta e certas regras da atividade laboral do controle de pragas começaram a ser baixadas. Como dizia aquele japonês da piada: “- Quem corocô, corocô... quem non corocô, non coroca mais!”. Hoje o babado é bem outro. Nesse momento em que teclo, a regra oficial e de caráter nacional relativa a certificados de controle de pragas, está estatuída na RDC 52 da Anvisa, do artigo 20 ao 22. Lá está muito bem explicitado tudo o que um certificado deve conter. É só seguir.
Se o leitor ainda não a conhece, sugiro acessar os seguintes sites que contêm a inteira minuta do certificado: www.brasilsus.com.br/legislacoes/rdc/101001-52 ou www.pragas.com.br Dica: a VS quando vai fiscalizar um estabelecimento alimentício, quer ver não só o certificado de controle de pragas (e eles lêem tudo), como também a respectiva Nota Fiscal relativa aos serviços descritos no certificado. Tão pensando o que? Que a VS ainda pode ser enrolada? Vai nessa, vai...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ARMADILHAS MODELO GAIOLA CONTRA ROEDORES


Atendendo nosso amigo leitor Marcelo que nos pergunta aí na coluna de Perguntas e Respostas sobre as armadilhas modelo gaiola na captura de roedores, optei por preparar este post, já que o tema exige considerações que o espaço ali disponível não permitiria. No que diz respeito à armadilhas para combater roedores, podemos dividi-las em dois grupos: as cruentas (que causam a morte do roedor capturado) e as incruentas (que capturam o animal vivo). As armadilhas do modelo gaiola a que o leitor se refere, são incruentas. A mais conhecida mundialmente foi desenvolvida em algum momento pela empresas norte americanas Tomahawk Live Traps e Havahart, mas que foi copiada mundo afora inclusive por alguns fabricantes nacionais, razão pela qual pode ser encontrada em nosso mercado. Trata-se de uma caixa retangular de arame que tem uma porta com mola em uma das extremidades, a qual fica aberta, presa por uma haste interna conectada a um gancho próximo à extremidade oposta, onde uma isca será presa. O roedor, atraído pela isca, ó forçado a adentrar na armadilha e puxa a isca; isso aciona o mecanismo de disparo da armadilha, a porta de entrada (que ficou atrás do roedor) é rapidamente fechada pela ação da mola e o roedor não tem por onde sair. Essa armadilha é bastante eficiente e exibe um razoável número de capturas quando utilizada em uma área infestada. Contudo, é preciso fazer dois reparos. O primeiro é que por melhor colocadas e iscadas as armadilhas, não espere brilhantes resultados, pois os roedores aprendem rapidamente a evitá-las. Dessa forma, não confie que as armadilhas vão resolver sozinhas o problema de uma infestação de roedores. Para minimizar esse problema, aumente o número de armadilhas armadas na área alvo, trabalhe em regime de “blitz” (guerra rápida) dispondo o maior número possível durante pouco tempo (talvez umas três noites), remova imediatamente as armadilhas que capturaram roedores a cada noite, embora isso seja discutível lave-as rigorosamente (água e sabão), esfregue-as e passe uma vassoura de fogo (uma boa alternativa é aplicar WD40 em toda a armadilha). Isso eliminará qualquer feromônio de alerta que possa ter sido produzido pelo roedor capturado. Essa seria minha recomendação baseada em experiência pessoal, mas há autores que não recomendam esse cuidado.
Por incrível que pareça, não existem trabalhos científicos que tivessem estudado as diferentes armadilhas e seus resultados a campo. Todo mundo fala, mas ninguém prova. Há algumas citações a respeito aqui ou ali, mas pesquisa específica mesmo, quase nada. A maioria dos autores especializados que aborda esse tema, fala muito por experiência própria, como é meu caso. Aprendi bastante ao empregar o método do controle físico dos roedores e procuro, sempre que posso, relatar minhas experiências e resultados. As armadilhas tipo gaiola são excelentes para capturar um certo número de roedores infestantes, especialmente as ratazanas (Rattus norvegicus) para fins de estudo ou mesmo para simples identificação da espécie do roedor infestante. No efetivo controle de uma infestação, só o emprego dessas armadilhas (ou de qualquer outra) deve produzir resultados mais ou menos fracos, especialmente se a infestação for pesada. A melhor opção é associar o combate químico (raticidas) e medidas de antirratização. Eu diria que no uso de armadilhas tipo gaiola, tenha em mente alguns pontos principais:
• Camundongos (Mus musculus) são animais normalmente curiosos acerca de qualquer objeto novo que surja em seu território (neofilia) e, portanto, são bem mais fáceis de serem capturados através de armadilhas e ratoeiras. Todavia não adianta empregar as gaiolas maiores destinadas à captura de ratazanas; há que se empregar as de pequeno porte, específicas para camundongos.
• Ratazanas (Rattus norvegicus) e ratos pretos (R.rattus), ao contrário, são animais extremamente desconfiados de objetos novos e, portanto, são mais difíceis de serem capturados em artefatos.
• As preferências alimentares de cada colônia de roedores infestantes podem variar enormemente. Isso quer dizer que, de alguma forma, a isca empregada na armadilha possa não ser apetitosa para aquele grupo de roedores em particular.
• É de vital importância não só o número de armadilhas colocadas, como sua disposição na área. Procure dispô-las sempre próximo às trilhas de passagem dos roedores infestantes (fezes e manchas de gordura denunciam sua localização). Caso não consigamos localizar essas trilhas, um bom artifício é espalhar talco comum pelos possíveis pontos de passagem dos roedores e verificar as trilhas na manhã seguinte.
Em resumo, as armadilhas do tipo gaiola são bastante eficientes, mas não muito eficazes no controle de roedores.