segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

ESTAMOS DE LUTO, COM TODO O BRASIL

Não consigo segurar minha revolta! Tenho filhas que gostam de divertir-se em festas e baladas como essa onde mais de duzentos jovens foram assassinados e fico literalmente sem ar só de imaginar uma delas envolvida num espantoso e absurdo incêndio criminoso como esse de Santa Maria/RS. Por que criminoso? Porque uma bandinha mequetrefe quiz usar fogos de artifício que eles viam nos mega shows norteamericanos, e decidiram acender alguns sinalizadores tupiniquins EM UM RECINTO FECHADO! Porque não comunicaram a ninguém, não pediram autorização ao Corpo de Bombeiros e nunca pensaram nos riscos envolvidos. Porque a direção da casa não tomou conhecimento se isso seria ou não adequado e/ou permitido. Porque a casa não tinha Alvará de Funcionamento em dia, estando atrasado mais de 6 meses, SEM QUE FOSSEM FISCALIZADOS. Porque os extintores de incêndio estavam vencidos. Porque algumas portas de emergência estavam trancadas. Porque a casa, desrespeitando as disposições obrigatórias por lei, não tinha brigada de incêndio. Porque os advogados dos proprietários da maldita boate já adiantaram sua tese de defesa: FOI UMA FATALIDADE! Lembram-se do fatídico naufrágio (por superlotação)do tal Bateau Mouche na Baia da Guanabara há cerca de uma década atrás na noite de Reveillon, onde dezenas de mortes ocorreram? Alguém foi responsabilizado? Alguém foi punido? Que país é este? ESTE É O PAÍS DA IMPUNIDADE! O exemplo vem de cima, mas isso já é outra história.

sábado, 26 de janeiro de 2013

SOBRE AS ARANHAS – PARTE I

Preparando uma aula sobre aranhas e escorpiões, reli alguns trabalhos sobre os aracnídeos, especialmente um livro publicado em 1972, de autoria de Wolfgang Bücherl, hoje já falecido, emérito pesquisador do Instituto Butantan e que dedicou sua vida a estudar animais peçonhentos, tais como cobras (serpentes), aranhas, escorpiões, escolopendras (lacraias), abelhas, vespas e outros mais. Afinal, tem gosto para tudo! Nossa memória não retém tudo o que ouvimos ou lemos (ainda bem!) e foi um grande prazer reler parte dos estudos científicos, sua documentação e conclusões a que aquele estudioso chegou e nos ensinou. Por exemplo, ele cita fósseis de aranhas que datam de mais de quatrocentos milhões de anos, lá no período Siluriano de nosso planeta e que durante a formação do período Carbonífero, começou a diversificação em espécies. De lá para cá as aranhas tiveram muito tempo para evoluir, havendo hoje pesquisadores que calculam o número atual de espécies em cerca de 50.000. Muitas dessas espécies são tão férteis que chegam a produzir algo entre mil e dois mil ovos por ano, dos quais nascem praticamente todos os filhotes. Quer dizer, se todos vingassem, o que está longe de acontecer, teríamos em poucos anos uma camada de aranhas de algumas dezenas de metros de espessura, o suficiente para sepultar literalmente toda a Terra! O freio biológico que impede tal fato é a seleção natural onde só os mais aptos sobrevivem e, naturalmente, um pouco de sorte os seleciona. As aranhas vivem em toda parte, sobre a vegetação e abaixo dela, dentro de fendas e gretas, em túneis, buracos e ocos de árvores, no campo, nas florestas e, naturalmente, nas cidades ou qualquer conglomerado humano. A maioria das aranhas são completamente inofensivas, mas algumas espécies são bastante venenosas e picam. A imensa maioria delas passa a vida completamente despercebida, ainda que todas sejam carnívoras; preferem caçar suas presas de uma forma ou de outra. Caçam, matam e as ingerem sugando-lhes os fluidos vitais. As aranhas arbóreas e as domésticas alimentam-se de insetos em geral como moscas e outros voadores, baratas, percevejos, grilos ou qualquer um que caia em suas teias de captura ou armadilhas. As aranhas de maior porte, como as caranguejeiras, caçam filhotes de lagartixas ou de pássaros, minhocas, e até camundongos recém nascidos. Podem comer seu próprio peso em alimento de uma só vez, mas são capazes de ficar até um ano sem se alimentar ou mesmo um pouco mais. Para caçar sua presa, há dois métodos bem diferentes: o primeiro consiste em detectar a presença da caça, aproximar-se (ou atraí-la) dar o um bote e cravar suas pinças veneníferas injetando a peçonha e assim matá-la. As aranhas que usam tal método confiam em sua visão, o bote é muito rápido, não constroem teias, são errantes e costumam andar sozinhas. Nesse grupo estão as caranguejeiras, as tarântulas, as fonêutrias (perdoem-me o aportuguesamento do termo), todas potencialmente perigosas para o ser humano, e o imenso grupo das salticidas, ou papamoscas que costumam caçar pelas janelas de nossas casas e nos são completamente inofensivas. O segundo método de caça é o da construção de uma teia sedosa e colante para capturar insetos alados mais desavisados que passem por ali. As teias têm uma série infindável de formas, algumas são verdadeiras obras de engenharia e precisão. A fábrica de fios está instalada dentro de seu abdome, geralmente com um par de glândulas excretoras situado na porção anterior do abdome. Na verdade, um fio dessa seda é constituído de centenas de fios individuais, é cerca de 80 vezes mais resistente do que um fio de aço da mesma espessura e é capaz de ceder cerca de 20% de seu comprimento antes de romper-se. Lembrem-se que ela viveram milhões de anos aperfeiçoando-se! Tudo isso para capturar insetos. Se considerarmos que existem trilhões de aranhas sobre a Terra e que todas são carnívoras, veremos que diariamente elas destroem bilhões e bilhões de insetos nocivos às nossas plantações e colheitas. Alguns aracnólogos (estudiosos das aranhas) dizem que “sem a colaboração delas, o homem morreria de forme!” Então, por que a maioria das pessoas tem profunda aversão e medo (como eu, confesso) das aranhas? A resposta a essa palpitante pergunta será respondida em nosso próximo post. Não perca!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

COMEÇAMOS BEM 2013: 82.000 VISITAS!

Saúde boa, novos contratos no plano profissional, em família tudo vai muito bem, amigos conservados, pseudoamigos descartados, novas e boas perspectivas em todos os sentidos e... nada menos que 82.000 visitas em nosso blog! É isso mesmo! Voltamos a todo vapor e caminhando. Agradecer, outra vez? Claro que sim! Este blog só dispara porque são os leitores que o frequentam que fazem movê-lo, sempre com dinamismo, qualidade e de forma bem leve, sem grandes erudições (tal e qual foi concebido). Por isso, obrigado amigos leitores.

VAMOS FALAR UM POUCO SOBRE AS FORMIGAS DOCEIRAS

Depois e uma curta, mas merecidas, férias, voltamos a batucar as sofridas teclas do meu PC atacando outra vez o tema das formigas doceiras, atendendo à solicitação de nosso leitor Edvaldo do Paraná. Já falei sobre isso em tempos atrás (veja aí na coluna da esquerda onde há uma lista de temas já abordados), mas posso resumir a história. Começando pelo começo, formigas são insetos. Como eu sei disso? Porque têm três pares de pernas, ora essa! Pertencem à numerosa família Formicidae e só no Brasil já foram registradas aproximadamente 2.000 espécies diferentes de formigas, das quais pelo menos duas dúzias delas consideradas como pragas; todavia, não mais de seis são chamadas em seu conjunto de formigas doceiras (ou domésticas) porque invadem nossas moradias, sem nenhuma cerimônia. Dizem por aí que as formigas doceiras podem ser consideradas a praga do século: quem ainda não teve, vai ter uma infestação de formigas em sua cozinha principalmente. Os fósseis mais antigos de formigas datam de cerca de 100 milhões de anos, quer dizer, se nossos antepassados simiescos estão na Terra há pouco mais de 13 milhões de anos, as formigas aqui já estavam há muito mais tempo que a gente. Um fato já comprovado é que desde os tempos primórdios da espécie humana, as formigas já moravam em nossas cavernas e já espoliavam nossos alimentos. Com todo esse tempo de existência, as formigas tiveram tempo de sobra para se organizarem em sociedade e hoje são conhecidos como animais sociais; sua estrutura social é muito organizada e sabemos que cada formigueiro tem sua rainha (a única formiga que é fértil, produz e põe ovos). Na verdade, o formigueiro todo vive em função dessa rainha; tudo o que as formigas fazem é cuidar e proteger a rainha, recolher seus ovos e tratar de seu desenvolvimento até que produzam novas formigas adultas. Dentro de sua estrutura social, as formigas diferenciam-se em “castas”, ou seja, em classes sociais distintas, cada qual voltada para um tipo de trabalho: operárias (a maioria), soldados, aguadeiras, amas da rainha, lavradoras, etc. Muito interessante essa organização. Sendo um inseto que se desenvolve por metamorfose completa (ovo, larva, pupa e adulta), há muito trabalho dentro do formigueiro para que tudo aconteça como tem que ser. Nas espécies mais avançadas, encontramos diferentes “panelas” dentro do formigueiro, destinadas a diferentes propósitos: há a panela onde as obreiras trazem e armazenam partículas de alimentos (de qualquer tipo ou só de vegetais), onde outras obreiras tratam de semear e cuidar de certos fungos, os quais vão ser o verdadeiro alimento das formigas; há panelas de lixo (restos inservíveis, formigas mortas, etc); há panelas (sempre próxima às entradas do formigueiro) onde os soldados permanecem alertas e prontos para defender o formigueiro); há uma panela que é a câmara real, onde a rainha é mantida e cuidada (aliás, a rainha não consegue se mover sozinha tamanha a dimensão de seu abdome) e assim por diante. Contudo em certas espécies, entre elas algumas das doceiras, a estrutura social e do próprio formigueiro pode ser bem mais simples e pode estar alojado atrás de um batente de porta ou janela, atrás de algum azulejo quebrado um mal rejuntado, em fendas e gretas, dentro de tomadas eléricas e conduítes, atrás de rodapés e, com frequência, dentro de eletrodomésticos ou aparelhos eletrônicos, etc. Essas formigas doceiras a que nos referimos são, na maioria, residentes na própria cozinha que infestam e são bastante conhecidas por seus nomes populares como: a conhecida formiga louca (Paratrichina longicornis) que recebe esse nome porque nunca para (exceto quando encontra uma partícula de alimento), andando de um lado para outro, feito louca; a pequeníssima formiga fantasma (Tapinoma melanocephalum) que a gente mal enxerga; a formiga lavapés (Solenopsis spp); a formiga acrobática (Crematogaster spp); a formiga faraó (Monomorium pharaonis); a formiga carpinteira (Camponotus spp); a formiga argentina (Lenepithema humile) que chegou ao Brasil mais recentemente que as outras, e mais duas ou três espécies mais. Todas essas espécies são “residentes”, ou seja, moram dentro de nossas casas, de nossas instalações; uma ou outra pode ter seu formigueiro do lado de fora da casa. Nas residências, as formigas doceiras são incômodas porque atacam qualquer partícula alimentar que encontrem. E são milhares formando carreiros na escuridão da noite indo e voltando de seus ninhos ou formigueiros. Não se pode deixar nada exposto sobre a pia, sobre os balcões e mesmo dentro dos armários porque elas localizam o alimentam e vão se banquetear. Para combatê-las é preciso descobrir onde se localizam seus ninhos, onde vamos aplicar o biocida escolhido. Se colocarmos um pouquinho de açúcar em algum ponto sabidamente frequentado pelas formigas e apagarmos a luz da cozinha, depois de quinze minutos a meia hora poderemos observar as formigas em torno do açúcar e uma fila indiana até o ponto de entrada de seus ninhos. Ali podemos aplicar o formicida escolhido: gel, pasta, pó ou pulverizado. Já testei com ótimos resultados, um ou outro gel específico para formigas e achei que os melhores têm fipronil como ingrediente ativo, mas minha sugestão é a aplicação de algum inseticida microencapsulado, pois é tiro certo e definitivo!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

FELIZ NATAL E UM GRANDE ANO NOVO

É hora de encerrarmos o período chamado de 2012 e abrirmos mais um ciclo, o de 2013. É hora de pararmos um pouquinho para um respiro, um pequeno intervalo recuperador, para recarregarmos baterias e olhar com firmeza o que o próximo ano nos reserva. Tirante os eventuais problemas de saúde que podem surpreender a qualquer um e sobre os quais nem sempre estamos preparados, o resto pode e deve ser vivido muito positivamente. Novas pessoas certamente entrarão em nossas vidas, antigas amizades podem ser reforçadas, novos desafios estão aí para que possamos vencê-los... é o círculo da vida! Desejamos a todos nossos leitores, a quem agradecemos muito pela preferência, um feliz momento de festas, de alegrias e de participação junto às suas famílias. Possa 2013 ser apenas um degrau, se não for o último, para atingir seus objetivos. E vamos em frente que atrás vem gente!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A EVOLUÇÃO DO CONTROLE DE PRAGAS URBANAS

Ontem estive em Santos/SP, no 39o. Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, onde fui profeir uma despretenciosa palestra sobre a evolução do controle de pragas urbanas. Eis aqui a síntese do que falamos. "Desde os primórdios da civilização, homens e pragas não se entendem. A princípio por uma razão simples: a disputa pelo alimento, que era comum e raro. Só depois é que vieram outras razões como o incômodo e mesmo a transmissão de zoonoses, de acidentes com peçonhentos, etc. De lá para cá, essa luta contínua e diuturna jamais cessou, apenas se modificou de parte a parte. O homem, escorado em seu raciocínio, sua inteligência, sua capacidade inventiva e criatividade, armou-se com notórios produtos químicos e inovadores equipamentos. As pragas, escoradas em seu potencial genético, enfrentaram essa ameaça armadas apenas com espertas adaptações, com tolerância crescente e resistência com base genética. O advento dos modernos biocidas orgânicos que substituíram os antigos naturais e minerais, trouxe grande alento para a humanidade e marcou o ponto de virada na nossa luta até então inglória contra as pragas. O DDT, o avô desses biocidas modernos, permitiu não só defender a lavoura, como combater e debelar grandes problemas de saúde pública. Esse biocida, e seu séquito de outros inseticidas organoclorados, mudaram o panorama até que outros biocidas não tão agressivos ao meio ambiente os substituíram. A descoberta dos rodenticidas hidroxicumarínicos desempenhou o mesmo papel crucial na luta contra os roedores sinantrópicos que tanto mal haviam causado à humanidade com a transmissão da peste bubônica. Até os anos recentes, o foco dessa luta estava nas pragas em si; combatia-se o roedor, o mosquito, o escorpião, a mosca, a pulga, etc. Verdade seja dita, sem retumbantes sucessos, ainda que a vitória pendesse para o nosso lado. Depois de muito recurso gasto, de intenso desperdício de tempo e dinheiro, chegamos à conclusão de que havia alguma coisa errada e que deveria existir uma nova alternativa de controle que a um só tempo fosse mais eficaz e que não fosse tão agressivo ao meio ambiente e à biocenose que nele vive. Dessa forma, surgiu o MIP (Manejo Integrado de Pragas) inicialmente aplicado à lavoura e hoje já estendido aos centros urbanos, onde a visão passou a ser o todo, ou seja, a praga considerada dentro do seu contexto ambiental. Ao mesmo tempo, equipamentos e principalmente os biocidas, experimentaram notório desenvolvimento e começam a ser mais específicos e seletivos, preservando espécies não alvos. Hoje, pode-se afirmar que não há situação que não possa ser resolvida com as armas e especialmente com o conhecimento que temos sobre as pragas e seu controle. O que virá depois?"

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

PROPOSTAS "INDECOROSAS"

Em minha atuação profissional atual como consultor em controle de pragas, coisa que tem me absorvido de forma crescente, tenho tido a oportunidade de examinar inúmeras propostas técnico-comerciais de empresas controladoras de pragas para meus clientes. Tenho visto de tudo! De propostas bem elaboradas a verdadeiras excrescências e, por isso, resolvi comentar um pouco esse assunto. Concordo que o nível geral dessas propostas melhorou muito, considerando, por exemplo, os últimos 30 anos. Naquele tempo, o importante era “encher linguiça”. Quanto maior o volume da proposta, mais impressionava o cliente em potencial. Eram páginas e páginas de... nada! Dos meus guardados, pincei uma proposta daquele tempo de uma empresa (bem pequena na época) e transcrevo um pequeno trecho: -“... e, como sabemos, a barata tem uma capacidade impressionante de sobrevivência, resistindo inclusive a uma explosão nuclear. Destarte (essa palavra estava em moda na época), não adianta eliminar somente as baratas adultas; é preciso também eliminar as larvas (opa!) e os ovos”. E o texto seguia em frente com alguns tropeços ocasionais. Só nessa parte das baratas, tinha uma página e meia de blá blá blá... Depois vinha roedores, vinha moscas, vinha mosquitos e assim por diante. Do outro lado desse barbante enrolado estava o cliente, possivelmente um executivo, pois a tal proposta era dirigida a uma indústria. Embasbacado, impressionado ou já aborrecido com aquele palavrório todo? Afinal, ele só queria saber quanto iria pagar pelo serviço! Pois bem, o mundo mudou, as pessoas mudaram. Hoje, esse mesmo executivo iria no máximo pulas da folha de rosto para a última, onde deveria estar o preço, desprezando completamente o existente entre elas. Sabem por que? Por absoluta falta de tempo! Hoje, a moeda de troca chama-se tempo. Os abusivos discursos de algum participante de uma reunião empresarial, só entendiam os demais e se o chefe for esperto, corta logo o babado e exige que se vá direto ao ponto. Propostas extensas, às vezes nem são lidas e se minimamente lidas, desprezadas. Portanto, propostas técnico-comerciais como as que compilamos em nosso ramo profissional, devem ser concisas, precisas e se aterem somente aos pontos essenciais ou vitais para a compreensão dos objetivos. De acordo? Mas, entretanto, continuo a ler propostas de algumas empresas controladoras de pragas com imensos palavrórios desnecessários, às vezes até repetitivos. Não corram o risco de terem suas propostas não lidas ou mão consideradas. Sejam objetivos e discutam somente o que interessa. Ninguém mais julga o cabedal técnico da empresa pelo conteúdo da proposta. Esse aspecto é muito mais relevante na entrevista pessoal que ocorrerá entre o executivo contratante e o representante da empresa a ser contratada. Pensem nisso!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

EXTRA, EXTRA: FINALMENTE O "CHUMBINHO" FOI BANIDO!

Hoje (05/11/2010) a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou a proibição de produção, comercialização e uso de qualquer agrotóxico à base de aldicarb, um defensivo agrícola fabricado pela Bayer com o nome comercial de Temik que, embora destinado contra ácaros e nematódeos exclusivamente em culturas de batata, café, citros e cana de açúcar, vinha tendo desvio de uso e empregado ilegalmente como raticida há muitos anos. Vendido em qualquer esquina e feiras livres nos centros urbanos em pequenos frascos daqueles que se usa em certos antibióticos injetáveis, a um preço muito barato, o agrotóxico tornou-se popularmente conhecido com o nome de “chumbinho” e passou a ser responsável por quase 60% dos 8.000 casos de intoxicação humana que ocorrem no Brasil quase todos os anos. A Bayer anunciou que encerrou as importações do ingrediente ativo aldicarb, sua industrialização e comercialização, comprometendo-se ainda a efetuar o recolhimento de qualquer sobra do produto em posse de agricultores. O criminoso comércio do tal chumbinho, geralmente a pessoas desavisadas e de baixa renda, provocou incontáveis acidentes intoxicativos em humanos e animais, muitos dos quais foram a óbito. Há também incontáveis registros de tentativas e assassinatos cometidos com esse produto. Vamos ver qual será a reação da bandidagem, talvez contrabandeando o produto de algum país vizinho cuja legislação não seja tão rígida. Quem viver, verá!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SOBRE AS ARMADILHAS LUMINOSAS PARA MOSCAS

A maioria das moscas (mais de 110.000 espécies de moscas já catalogadas em todo o mundo) demonstra atração pela luz, o que significa que basicamente são insetos diurnos. As moscas domésticas (Musca domestica), por exemplo, respondem positivamente a determinados comprimentos de onda do espectro da luz. É só observar as janelas com vidros fechados que você verá algumas moscas tentando “atravessar” o vidro para sair da instalação. Pois bem, essa atração natural pode muito bem ser aproveitada nos programas de controle de moscas. As armadilhas luminosas de captura de moscas (e outros insetos voadores) foram inventadas e desenhadas exatamente para capturar esses insetos voadores dentro de instalações, onde são muito eficazes se corretamente empregadas. Além da captura propriamente dita, essas armadilhas servem também para que o profissional identifique as espécies de insetos voadores que foram capturados e tirar conclusões sobre de onde as infestações estão se originando, auxiliando o plano de combate. Muitas empresas controladoras de pragas ainda não perceberam os benefícios das armadilhas luminosas e falham em aproveitar a utilidade desses equipamentos na completa satisfação de seu cliente que deseja uma abordagem mais ampla no manejo das pragas dentro de suas instalações. Mais no fundo, muitas empresas controladoras deixam de oferecer serviços de controle de moscas, esquecendo-se que todo estabelecimento alimentício (produção, armazenamento, preparo ou consumo) frequentemente experimenta o problema de infestações de moscas, em maior ou menor grau. As armadilhas luminosas não devem ser consideradas a resposta a todos os problemas com insetos voadores. Muitos desses insetos não são atraídos pelo espectro de cor emitido pela lâmpada utilizada na armadilha. Insetos voadores noturnos, por outro lado, são bastante atraídos pela armadilha e são capturados com facilidade. Insetos voadores diurnos demonstram atração periódica pela armadilha dotada de lâmpada ultravioleta. A mosca comum (M.domestica), por exemplo, pode voar durante horas dentro do recinto, até que sua atenção seja atraída pela lâmpada ultravioleta da armadilha; armadilhas luminosas bem dispostas no recinto podem ter sua eficiência bastante aumentada. As armadilhas luminosas devem fazer parte de um programa de controle de moscas, onde diversas ações de combate realizadas no exterior da instalação comporão a primeira linha de combate. Existem numerosos tipos e tamanhos de armadilhas luminosas disponíveis no mercado e quase todas dispõem de uma ou mais lâmpadas ultravioleta. Muito se tem discutido sobre qual lâmpada a armadilha deve empregar, mas o consenso é de que a luz ultravioleta (também chamada de luz negra) seja a mais indicada. As primeiras armadilhas luminosas eram do tipo eletrocutadora: havia uma grade eletrificada que instantaneamente eletrocutava os insetos que a tocassem. Muito eficazes, porém apresentavam um problema: com frequência o inseto ao tocar a grade, explodia (devido a rigidez de seu exoesqueleto), além de produzir um som característico, e várias partes do seu corpo se espalhavam ao redor do ponto onde a armadilha estava instalada, razão pela qual em boa parte dos estabelecimentos alimentícios, esse tipo de armadilha passou a ser contraindicada (imagine essa armadilha numa sala de restaurante, por exemplo). Mesmo porque, a Vigilância Sanitária não permite o uso desse tipo em determinados estabelecimentos. Todavia, em armazéns e outros recintos amplos, esse tipo de armadilha pode perfeitamente ser utilizada. Sua variante é a armadilha colante, a qual não eletrocuta o inseto, mas gruda-o ao tocar um painel colante disposto junto à luz atrativa. Esse tipo apresenta o inconveniente da necessidade de trocar com certa frequência o painel colante, por razões estéticas principalmente. Dessas, a armadilha própria para ser colocada em cantos, demonstra melhores resultados, porque podem ser vistas pela mosca de qualquer pondo do recinto. Muito do sucesso do emprego de armadilhas luminosas reside na maneira correta e adequada de dispô-las em um determinado ambiente. Algumas dicas podem ser citadas com a finalidade de aumentar a captura: • As moscas comuns são mais ativas na faixa compreendida até 1,80m do solo; obviamente as armadilhas devem ser montadas dentro dessa faixa, mas se por razões estéticas isso não for possível, monte-as no extrato superior, onde a vista humana não seja capaz de ver a placa colante com insetos capturados. Muitas pessoas não gostam de ver essa cena. • A colocação de uma armadilha junto do coletor de lixo pode ser bastante eficaz. • Evite colocar a armadilha em pontos que podem ser vistos do exterior da instalação, pois a lâmpada poderá atrair voadores que estava somente de passagem. • A armadilha deve ser instalada, sempre que possível, o mais longe de outra fonte luminosa para evitar a competição em atratividade. Evite proximidade de janelas ou focos de luz. • Não coloque a armadilha a menos de quatro o cinco metros da entrada ou saída de um recinto. Os voadores que entrarem, vão fazê-lo em alta velocidade e nem terão tempo de perceberem a luz que os atrairia. • Não instale a armadilha próximo a fontes de calor ou em áreas onde a corrente de vento seja particularmente forte. Hoje, muitas empresas controladoras de pragas já instalam, elas mesmas, armadilhas luminosas nos recintos de seus clientes. Algumas empresas cobram pelas armadilhas, outras, espertamente, oferecem esse serviço com um diferencial e assim cativam o cliente. A qual grupo você pertence? Ou ainda nunca se interessou por esse assunto?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

PASSAMOS DAS 70.000 VISITAS!

Surpresa em cima de surpresa! Já passamos das 70.000 visitas neste blog! Lembram-se da Kombi que lotamos de visitantes na primeira semana de vida do blog do Higiene Atual? Pois agora precisaríamos de umas 10.000 Kombis para acomodar todos nossos visitantes! Ou três navios transatlânticos. Ou dois Maracanãs. Ou um enorme coração para acomodar todos os leitores que nos prestigiam, do Brasil e do exterior. Não custa repetir nosso muito obrigado a todos vocês. Vamos continuar a levar-lhes temas técnicos com linguagem simples, sem nenhuma pretensão de erudição ou falar difícil. Gosto de contar um “causo” aqui ou ali, pinçados de minha vida profissional. Quero comentar, sempre que for possível, algum estudo de caso, uma situação interessante que mereça um post. Afinal, este blog foi criado exclusivamente para comentar assuntos que, a nosso ver, possam interessar ao profissional controlador de pragas. As 70.000 visitas nos levaram à liderança absoluta entre os blogs técnicos que abordam pragas e seu controle e o Google já nos posiciona em absoluto primeiro lugar nas buscas por esses temas. Vamos em frente, porque atrás vem gente! Assinado: o Editor.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

ESTUDO DE CASO 2: OS RATOS DA PARÓQUIA

Este é o segundo estudo de caso arquivado no baú das memórias, donde buscarei algo de vez em quando, no sentido de ilustrar situações bem sucedidas em minha vida profissional. Hoje vamos comentar um interessante e intrigante caso de um hotel com infestação de três espécies de roedores. Tratava-se de um hotel de construção bem antiga, localizado no chamado centro velho da cidade de São Paulo. Nossa empresa foi contratada para resolver os (muitos) problemas de pragas que o tal hotel experimentava e desejava solucionar, eu diria necessitava! Algumas empresas controladoras de pragas por ali já haviam passado, mas sem maiores sucessos e, como já por essa ocasião nossa empresa havia granjeado sólida reputação na rede hoteleira, acabamos sendo contratados por aquele hotel. Falando só do problema roedores, encontramos infestação das três espécies sinantrópicas: havia camundongos (M.musculus) em determinados pontos, ratazanas (R.norvegicus) indo e vindo nas proximidades da cozinha central onde o lixo orgânico aguardava remoção (sempre feita de madrugada) e ratos pretos incursionando dentro da própria cozinha. Nos dois primeiros casos não foi difícil entendê-los e eliminá-los. Todavia, no caso dos ratos pretos (R.rattus), havia uma situação um pouco complicada, pois embora tivéssemos localizado as rotas que os traziam à cozinha e o tratamento sempre produzia carcaças, eles continuavam surgindo. Quebramos a cabeça para entender de onde estavam permanentemente vindo, até que finalmente o esperto operador que eu sempre enviava forro adentro para remover carcaças, dispor raticidas e tentar descobrir de onde vinham, saiu do alçapão e nos relatou que havia observado a presença de fezes junto à parede que separava o hotel de seu vizinho. Supondo que o problema original não estivesse então nas instalações do hotel, mas nas do vizinho, ocorreu-me conversar (e se possível inspecionar) as instalações desse vizinho e assim fiz. Sucede que o tal vizinho, com paredes geminadas com o hotel, era nada mais, nada menos, que... uma antiga e vetusta igreja! E lá fui eu conversar com o pároco sobre o problema dos ratos. Enquanto ele decidia se eu deveria rezar 10 ou 15 terços para resolver o problema, eu fui mais esperto e pedi a ele que resolvesse a infestação da igreja onde esses ratos, possivelmente já excomungados, estavam competentemente protegidos e de onde saiam para buscar alimento na cozinha do hotel ao lado, já que as hóstias, depois de grandes perdas, foram trancadas a sete chaves. O alegre padreco, no entanto, alegou constrangido, que a paróquia era pobre e não dispunha de dinheiro para solucionar esse problema. Fiquei no mato sem cachorro! Se a infestação da igreja não fosse suprimida, meu problema no hotel igualmente não seria resolvido. Vou resumir essa ópera: reuniões com a gerência do hotel, com a presença do padreco e sem ele e finalmente a luz se fez: o hotel arcaria com os custos da desratização da igreja o que aconteceu e, finalmente, pudemos resolver a situação. Naturalmente o hotel foi lembrado nas missas e deve ter sido abençoado, pois ainda hoje lá está, operante e lucrativo!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

BACTÉRIA WOBACHIA IMPEDE A TRANSMISSÃO DA DENGUE PELO Aedes aegypti

Na edição de abril de 2010, o jornal científico PLOS, seção Patógenos, trazia um artigo científico de autoria de um grupo de pesquisadores do Depto. de Entomologia e Programas Genéticos da Universidade Estadual de Michigan, localizada em East Lansing/Mch (Guowu Bian, Yao Xu, Peng Lu, Yan Xie e Zhiyong Xi), dando conta dos resultados de seus estudos, comprovando que a bactéria endossimbiótica Wolbachia é capaz de induzir resistência em mosquitos Aedes aegypti contra o vírus da dengue. Essa promissora descoberta criou uma nova abordagem no controle da Dengue e vem sendo alvo de intensos estudos desde então em vários centros de estudos científicos em todo o mundo, particularmente nos países onde essa doença incide; no Brasil, o Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, tem dado seguimento a tais estudos. Diferentes estratégias genéticas para reduzir ou bloquear a transmissão patogênica por mosquitos, têm sido propostas como alternativa de combate aos vetores e consequente redução da incidência de zoonoses. Há tempos a bactéria endossimbiótica Wolbachia foi promovida à condição de veículo potencial para introduzir gens resistentes a doenças nos mosquitos, assim tornando-os refratários aos patógenos humanos que transmitem. Os resultados do estudo desse grupo de cientistas demonstraram que a Wolbachia inibe a replicação viral no principal vetor da Dengue, o mosquito Aedes aegypti. Após 14 dias da infecção de mosquitos Aedes com a Wolbachia, cerca de 37,5% deles foram incapazes de transmitir o vírus da Dengue. Dessa maneira, uma nova perspectiva, uma nova abordagem se abre para o controle dessa zoonose, tão logo conheçamos as maneiras de infectar os mosquitos transmissores com a bactéria. Boas novas!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

UMA MORTE E SETE CONTROLADORES DE PRAGAS PRESOS

Notícia veiculada em 13/09/2012 por um jornal da longínqua Bangladesh (e viva a Internet!) nos dá conta que sete controladores de pragas foram presos pela polícia da cidade de Sharjah, acusados de terem provocado a morte da menina Habiba de seis anos de idade e de nacionalidade egípcia; seu irmão, também menor de idade, foi igualmente intoxicado e ainda se encontra em estado crítico internado em uma UTI hospitalar. A morte foi provocada pela inalação do gás fosfeto de alumínio (também conhecido como fosfina) que foi empregado no apartamento vizinho para eliminar roedores e insetos quando seus ocupantes estavam viajando e deixaram o serviço encomendado. O gás teria entrado no apartamento vizinho, onde as crianças se encontravam, através do duto de ventilação do prédio. Dois operadores foram implicados diretamente no acidente e outros cinco foram igualmente detidos porque a empresa onde trabalhavam, não era legalizada. O Coronel Dr.Abdul Kadir Al Amiri, chefe do Laboratório da Polícia Forense local, disse que todos os testes laboratoriais e da necropsia foram conclusivos e provaram que a morte da menina se deveu à inalação de fosfeto de alumínio, um gás letal conhecido desde a segunda guerra mundial e que já foi utilizado em vários países com a finalidade de controlar pragas, até seu banimento progressivo devido ao risco que representa. A inalação desse gás provoca uma intoxicação aguda onde a morte geralmente ocorre por falência cardíaca (enfraquecimento rápido e progressivo do miocárdio). Com base no relatório médico exarado pelo hospital onde as crianças foram internadas, a polícia local imediatamente iniciou uma investigação buscando possíveis causas tóxicas e assim que adentrou ao apartamento da família egípcia, a equipe de investigadores notou um forte odor exalando do apartamento oposto ao das crianças, ocupado por uma família de asiáticos e que naquele momento encontrava-se de férias fora do país. Ao abrir e entrar nesse apartamento, a equipe encontrou 26 tabletes de fosfeto de alumínio em diferentes pontos evidenciando que a família havia encomendado o serviço durante sua ausência. A polícia investigou e rapidamente chegou a dois operadores responsáveis pela execução do serviço. Os dois foram detidos e verificou-se que a dita “empresa” não era legalizada. Na residência onde os operadores moravam, a polícia encontrou um verdadeiro laboratório onde produtos eram mesclados, latas de fosfeto de alumínio (igualmente proibido em Bangladesh) e grande quantidade de folhetos de propaganda dos serviços e que eles deixavam nas portas de residências. A polícia deteve ainda outras cinco pessoas que ali também moravam e que participavam da arapuca. Alarmada, a polícia através de agendas e anotações da quadrilha, entrou em contato com possíveis clientes alertando-os para o risco. Temos sempre alertado nossos leitores sobre os riscos envolvidos em nossa profissão, que é naturalmente de risco. Qualquer passo em falso ou descaso pode acarretar acidentes eventualmente irreversíveis. Usar gás dentro de residência... tenha dó!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

ESTUDO DE CASO 1: MOSCAS SARCÓFAGAS EM UM SUPERMERCADO

Nas minhas apresentações em palestras, com frequência tenho sido instado a falar sobre diferentes casos interessantes que ocorreram em minha vida profissional. Recentemente, um dos leitores deste blog pediu-me a mesma coisa e eu julguei que seria interessante aqui relatar certos casos e situações que encontrei por aí nesses mais de 40 anos perambulando como controlador de pragas. Portanto, aqui vai o primeiro estudo de caso que, sem nenhum critério, fui buscar no baú das memórias profissionais. Entre as mais de 110.000 diferentes espécies de moscas já catalogadas e estudadas em todo o mundo, uma que nos centros urbanos causa repulsa, é a mosca sarcofagídea que põem seus ovos em cadáveres (animais ou humanos). A simples presença de uma ou mais moscas sarcófagas voando em um recinto fechado, significa que ali estará alguma carcaça em putrefação. Não é muito difícil identificar essa mosca a olho nu: ela é maior e mais pesada que a mosca doméstica e tem uma espécie de xadrez desenhado na parte de cima de seu abdômen. Eu mesmo já as utilizei algumas vezes moscas sarcófagas com o objetivo de localizar cadáveres de roedores que não estavam à vista: capturava, com um puçá de filó, uma ou mais moscas sarcófagas, dispondo a céu aberto uma carcaça de rato e tocaiando essa “isca”. Em questão de minutos apareciam essas moscas pousando sobre a carcaça e eu rapidamente as capturava; verdade seja dita, quase nunca na primeira tentativa. Transferia duas ou três moscas para uma caixinha de fósforos (vazia, naturalmente) e as levava para o recinto onde o odor nauseabundo denunciava a presença de algum cadáver de rato, embora ninguém houvesse conseguido localizar para que fosse removido. Aliás, o cliente me havia solicitado que resolvesse essa situação, de certa forma causada pela minha equipe que havia sido muito bem sucedida, diga-se de passagem, ao eliminar os roedores ali infestantes. Nesse recinto, com janelas fechadas, eu soltava as moscas sarcófagas e as observamos voando por todo o recinto por alguns poucos minutos e convergindo, todas elas, para um mesmo ponto. Dito e feito, ali se encontrava escondido das vistas, o cadáver do rato, o qual era rapidamente removido para o gáudio de todos os envolvidos (incluindo o finado rato que finalmente teria um descanso eterno em paz!). Mas, voltando ao caso que eu queria relatar, uma vez um supermercado cliente nosso nos chamou porque estavam aparecendo muitas moscas sarcófagas na área externa junto a um depósito. A própria aglomeração dessas moscas já nos indicou o ponto onde deveríamos procurar alguma carcaça de animal (o conhecimento faz uma enorme diferença! O que era para o cliente um problema, foi facilmente solucionado pelo simples fato de que conhecíamos um pouco sobre a biologia e o comportamento das moscas sarcofagídeas). No caso, era um cadáver de um pardal em adiantado estado de putrefação, eivado de larvas de moscas sarcófagas, que estava escondido atrás de um anteparo localizado no beiral do depósito. Como sempre tenho dito: saber não ocupa espaço!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

NOVAS ROTULAÇÕES PARA OS RATICIDAS NOS ESTADOS UNIDOS

Americano é um povo sério, isso não se pode negar. Quando então o assunto é inseticidas e raticidas de uso urbano, nem se fala! São regras e mais regras que balizam o uso desses produtos, timtim por timtim! A quatro anos atrás, a EPA (a agência governamental americana que regulamenta os assuntos ambientais) baixou uma norma que regulamentava a redução dos riscos ambientais envolvidos no uso de raticidas (RRMD – Rodenticide Risk Mitigation Decision), que estabelecia algumas importantes alterações na rotulagem desses produtos. Desde então, naturalmente, as indústrias produtoras vinham providenciando novos rótulos para cumprir a lei. O prazo a elas dado pelo governo e no ano passado (a 04/6/11), expirou. Mas, em março deste ano, a norma de rotulagem das embalagens de raticidas mudou novamente, pois a agência governamental ouviu as ponderações das indústrias produtoras e também de associações de classe representativas das empresas controladoras de pragas e algumas disposições foram alteradas. A mais importante delas é a que expande a distância máxima que um raticida pode ser disposto no terreno a partir de uma edificação infestada. Anteriormente essa distância máxima era de 50 pés (aproximadamente 165m) e agora dobrou, passando a 100 pés (cerca de 330m). Os controladores profissionais de pragas ponderaram que às vezes, os roedores infestantes de uma edificação vinham de distâncias superiores a 50 pés e que, pela lei, não podiam ser combatidos em seus locais de origem. Outra coisa que fizeram foi a troca do termo “edificação”, para “estrutura construída” que é mais abrangente. A mesma norma permite ainda o uso de raticidas em distâncias superiores a 100 pés, se aplicação for no interior de tocas e túneis. No Brasil, ainda não chegamos a esses detalhamentos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

COMPORTAMENTO E HÁBITOS SOCIAIS DO CAMUNDONGO (Mus musculus)

E, agora,os camundongos. Vocês sabiam que quando se trata da defesa do território ou das fêmeas de um grupo, os camundongos machos podem se tornar extremamente agressivos e envolvendo-se em lutas que podem ir até a morte de um dos contendores? Na maioria das espécies animais, as lutas terminam quando um dos contendores se dá por vencido e bate em retirada; pois entre os camundongos, a luta só termina quando um macho se sobrepõe ao outro e o mata ou o perdedor se submete completamente ao vencedor. Que coisa, tão pequenininho e tão bravo! Quando há fêmeas presentes, o grupo familiar se desenvolverá com um macho dominante, auxiliado ou não por uma ou mais fêmeas adultas quando há necessidade de defender o território. As fêmeas não se locomovem em busca de outros territórios; isso cabe aos machos quando atingem a idade adulta de quatro meses. É comum encontrarmos duas ou mais fêmeas compartindo o mesmo ninho, cada qual com sua prole em aleitamento. Cada grupo familiar estabelece um território de aproximadamente 3,5m de raio e é tridimensional (para os lados e para cima). Com um território tão limitado, é comum encontrarmos vários grupos familiares dentro de um mesmo depósito de alimentos, por exemplo. Contudo, quando as colônias se estabelecem a céu aberto (sempre próximas às fontes de alimentos, como por exemplo em granjas avícolas ou suinícolas), não ocorre essa definição precisa de territórios e as trilhas são utilizadas por todos como se fossem de um único grupo. Como os ratos, os camumdongos machos adultos marcam os limites de seus territórios com sua urina particularmente concentrada misturada com secreções de sua glande prepucial. A urina do macho também deflagra o cio nas fêmeas do grupo e é capaz de atrair outras fêmeas de outros grupos. Outro comportamento individual do camundongo é seu hábito de apenas mordiscar uma porção de alimento encontrada em seu território e em seguida sair em busca de outra porção, mesmo que se comesse da primeira porção encontrada, iria se satisfazer plenamente. Esse comportamento parece estar ligado ao sistema nervoso dessa espécie: sendo presa fácil para gatos e também para eventuais ratazanas e ratos pretos que cruzem seu caminho, os camundongos não podem se dar ao luxo de ficar exposto por muito tempo, nem para se alimentar. Portanto, comem um pouquinho aqui, outro pouquinho ali e vão levando a vida. Não poderia deixar de comentar que os camundongos (Mus musculus) são animais dotados de intensa curiosidade (neofilia) por objetos novos que surjam em seu território, daí advindo o relativo sucesso no combate através de ratoeiras, armadilhas e outros artefatos. Para sorte nossa!

sábado, 25 de agosto de 2012

ESTRUTURA SOCIAL E COMPORTAMENTOS SOCIAIS DOS RATOS PRETOS (R.rattus)

Bem, já que falei da estrutura e comportamento social da ratazana (R. norvegicus), sinto-me obrigado a comentar qualquer coisa sobre o rato preto (Rattus rattus), também conhecido como rato de telhado, rato de forro, rato de navio e por aí afora. Depois eu também comentarei sobre o camundongo (Mus musculus), não se amofinem! O comportamento social do rato preto não é tão bem estudado como o da ratazana e mesmo do camundongo, mas sabe-se que essa espécie não é tão gregária (tendência a reunir-se em grupos) quanto as ratazanas e evita contatos corporais quando estão se alimentando. Os grupos familiares são bem menores e os ninhos geralmente contêm não mais que uma mãe com sua ninhada. O número de trilhas é bem maior do que o das ratazanas e os territórios são muito mais tridimensionais do que os da ratazana. Ratos estranhos ao grupo são fortemente atacados e nenhum deles é bem recebido nas colônias estabilizadas, principalmente porque em sendo a colônia de menores tamanhos, os intrusos são facilmente reconhecidos. Em contraste com o que ocorre com as ratazanas, nos ratos pretos parece não existir um sistema hierárquico, mas os comportamentos agressivos são os mesmos para essas diferentes espécies. Depois comentarei sobre os camundongos, tá?

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ESTRUTURA SOCIAL E COMPORTAMENTOS SOCIAIS DA RATAZANA (R.norvegicus) – Parte II

Eu dizia em post anterior que graças aos estudos de uma série de pesquisadores há algumas décadas atrás (esqueci-me de incluir Barnett entre eles), hoje sabemos muito sobre a biologia, os mecanismos sociais e a estrutura social dos roedores sinantrópicos, especialmente do Rattus norvegicus, a ratazana. Por exemplo: o significado social dos sons emitidos pelas ratazanas ainda não foi bastante estudado. Sabe-se que os sonidos emitidos pela prole em aleitamento quando sente frio, quando deixada fora do ninho ou com fome, desperta na mãe determinados comportamentos de atenção. Mas os guinchos de adultos quando atacados e mesmo de fêmeas defendendo sua prole, não provoca nenhuma reação nos demais. Aliás, são sintomas de agressividade e prontidão para a luta o craquejar dos dentes, os pelos eriçados principalmente nas costas, as pernas estendidas, a espinha arqueada e o flanco exposto ao adversário. É briga na certa! Outro comportamento materno: ela expulsa do ninho os derradeiros remanescentes da prole entre 60 e 85 dias de idade, esteja ela prenhe ou não; as mães em aleitamento tendem a ser particularmente agressivas com os filhotes com mais de 46 dias de idade. Pressupõe-se que o reconhecimento de outros membros da mesma colônia se dê em bases olfativas. Fêmeas no cio procuram atrair machos esfregando as laterais do corpo e a região anal em obstáculos e também no solo; somente depois de começar a ter essa atitude é que a fêmea permitirá o acasalamento. Aliás, fêmeas no cio podem ser perseguidas incansavelmente por diversos machos, até impedindo que ela se alimente ou beba água. O macho dominante de uma família defende o grupo de fêmeas da aproximação de outros machos, mesmo quando as fêmeas não estão no cio. Enfim, há uma enorme variedade de conhecimentos sobre os mais diferentes aspectos da biologia e dos comportamentos sociais do R.norvegicus, assim como há do Rattus rattus e do Mus musculus. Qualquer hora dessas, eu comento um pouco sobre isso, OK?

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ESTRUTURA SOCIAL E COMPORTAMENTOS SOCIAIS DA RATAZANA (R.norvegicus)

Muito do que hoje sabemos sobre a biologia dos roedores sinantrópicos, devemos a pesquisadores como Steiniger, Calhoun e Mogens Lund, sem nos esquecermos de alguns outros nomes, todos que devotaram muito tempo de suas vidas pesquisando e observando as espécies murinas urbanas comensais e publicaram artigos científicos muito interessantes sobre os resultados de suas pesquisas, há décadas atrás. Afirmam eles que há enormes diferenças entre observar ratos e camundongos em pequenas jaulas laboratoriais, observá-los em ambientes fechados e controlados e observá-los em vida livre, ou quase isso. Afirmam também que o comportamento desses roedores estudados pode variar bastante segundo uma série de variáveis incluindo a extensão do habitat em que foram observados. Todavia, através de técnicas científicas, é possível chegar-se a conclusões bastante corretas. Por exemplo, se introduzirmos em um ambiente confinado onde uma colônia de R.norvegicus vai levando a vida de forma equilibrada e pacífica, imediatamente a colônia inteira reage à presença desses novos personagens. Mesmo que haja espaço suficiente e abundância de alimento, a reação da colônia vai ser agressiva contra o invasor. Esses estudos comportamentais são feitos em certos ambientes confinados, de amplas dimensões contendo elementos (objetos) que simulem um ambiente de vida livre e onde os espécimes presentes se sintam à vontade organizando-se tal e qual uma colônia selvagem o faria. Observações noturnas são feitas sob luzes vermelhas, porque os ratos não conseguem detectar essa luz e agem como se estivessem em plena escuridão. Sem ser percebido, o pesquisador que os observa visualmente pode presenciar, em silêncio absoluto e de posições privilegiadas, o comportamento da colônia e de indivíduos. Por exemplo, foi assim que se descobriu que uma fêmea de ratazana no cio copula com vários machos ou que um rato invasor do território será atacado até a morte por quase todos os membros da colônia ali residente. Sabemos hoje que as ratazanas são gregárias (vivem juntas) repartindo ninhos e áreas de alimentação, não obstante demonstrem comportamentos de competitividade e conflitos que contribuem para o equilíbrio da colônia e regulagem da densidade populacional. As ratazanas são territoriais e cada família defende seu pedaço; o grupo geralmente é constituído por um macho dominante e algumas fêmeas com suas proles. Há uma hierarquia entre os grupos familiares, ficando os grupos inferiores com as piores partes do território donde obter alimento, por exemplo, é mais complicado sem invadir o território do grupo alheio. Fêmeas prenhes podem repartir o mesmo ninho até a parição, quando a fêmea reloca sua ninhada para outro ninho ao qual passa defender mesmo de outros espécimes de sua própria colônia. Em condições naturais, o macho dominante protege as fêmeas que tenham por ele sido emprenhadas, evitando que sejam incomodadas por outros machos em busca de cópula. Na verdade, o território de um macho dominante não é uma área, mas sim somente trilhas que são frequentemente marcadas e remarcadas com sua urina e secreções de suas glândulas prepuciais. Contudo, não há indicação de que essa marcação seja capaz de repelir estranhos e, ao que parece, serve mais para orientação noturna. Outra coisa que sabemos: a defesa do território diminui surpreendentemente à medida que a população aumenta e assim, em colônias pequenas, a defesa do território é muito mais feroz que nas grandes colônias. Pensa-se que esse fenômeno nas colônias muito numerosas seja devido às dificuldades do reconhecimento de algum invasor. Também nessas grandes colônias (ex: no interior de uma rede de esgotos) observa-se certo movimento migratório constante com ratos deixando a colônia e outros entrando. Ratos jovens, por volta de 30 dias de idade, deixam o ninho individualmente e entram em contato com outros membros da colônia ao longo das trilhas e passagens; são geralmente ignorados até por volta dos 85 a 115 dias de idade quando se tornam sexualmente maduros, podendo se tornar alvos dos machos dominantes se estes não forem evitados nas trilhas; eles têm que aprender a não provocar agressões dos adultos. A posição social de um rato subordinado pode ser percebida por um dominante a distâncias de 3 a 7 metros durante o cair da noite e mesmo em noite aberta e para evitar um confronto de alto risco, o subordinado busca refúgio ou muda seu rumo bem antes que o dominante o perceba. Algumas vezes, o subordinado até muda seu horário de buscar alimento somente para evitar tais confrontos (por exemplo, passa a alimentar-se durante o dia). Esses indivíduos de baixa posição social caracterizam-se por baixas taxas de crescimento, baixo peso corporal mesmo quando adultos e notória tendência a reentrar em armadilhas; frequentemente acumulam alimentos em seus ninhos e aproximam-se de outros ratos de forma hesitante. A graduação social de um grupo pode ser estimada pelo número de fêmeas (altos números, mais alta a graduação), pela localização próxima das tocas às fontes de alimento, pelo sucesso reprodutivo das fêmeas e pelo número de ferimentos obtidos em disputas com outros grupos. O assunto é vasto e interessante para quem gosta de conhecer os detalhes da biologia dos roedores (eu sou um destes). Em próximo post, vou lhes contar mais coisas que já sabemos sobre os R.norvegicus, só porque alguns cientistas resolveram deixar para a posteridade os resultados de seus estudos. Obrigado a eles por isso.

domingo, 5 de agosto de 2012

SOBRE O CONTROLE BACTERIANO DOS ROEDORES

Atendendo o leitor Ariovaldo de Campinas/SP, faço uma rápida revisão sobre o emprego de bactérias para controlar roedores. O assunto não é exatamente novo e trata-se do uso de bactérias patogênicas do tipo salmonela no combate a roedores sinantrópicos, assunto observado e pesquisado por Kitasato no Japão, no final do século XIX (1800 e tanto). De forma recorrente, de vez em quando alguém pensa que descobriu a roda e se entusiasma com essa abordagem, o biocontrole dos roedores. Sintetizando, inicialmente pensava-se que a salmonela pudesse ser interessante se empregada em alguma isca apetecível aos roedores; a salmonela, como se sabe, causa profusas diarreias que podem levar ao roedor que ingeriu a isca contaminada à morte. O fato é que essa abordagem é anterior ao advento dos anticoagulantes e chegou a ser amplamente utilizada na Europa na primeira metade do século XX com certos resultados, particularmente na antiga União Soviética. Quando surgiram em cena os raticidas warfarínicos (anticoagulantes), o emprego das salmonelas rapidamente caiu em desuso na maioria dos países ocidentais. Por razões políticas, já que os warfarínicos foram descobertos nos Estados Unidos, a União soviética relutou em usar esses novos compostos e continuou privilegiando o uso das salmonelas, chegando a desenvolver cepas supostamente “atenuadas” tentando assim evitar o alto risco para os humanos e outras espécies animais não alvos. No final do século XX, a agora Rússia passou a associar salmonela com warfarina (não sei bem por que!). Naturalmente, Cuba igualmente abominava o uso de warfarínicos, seguindo a orientação política da URSS e um produto cubano tentou, sem sucesso felizmente, há coisa de 10 ou 15 anos atrás, obter registro de um raticida à base de salmonela, registro esse que foi acertadamente negado pela Anvisa/MS. Nessa tentativa chegaram a fazer alguns ensaios em Niterói/RJ em acordo com a Prefeitura local. O fato é que o emprego de cepas patogênicas de salmonelas é de alto risco e não há garantias que não possam escapar ao controle e afetar seres humanos (como outros mamíferos, sensíveis às salmonelas), o que foi comprovado por inúmeros relatos científicos na literatura. Dessa forma, a Organização Mundial da Saúde passou a desrecomendar essa metodologia e em diversos países ocidentais seu uso foi proibido. No Brasil não existe raticida à base de salmonela permitido. A descoberta de algum organismo patógeno específico para roedores não é impossível, como aconteceu com o myxoma vírus empregado na Austrália para o controle massivo de coelhos e lebres. Só que essa pesquisa vai levar muito tempo e vai custar verdadeiras fortunas para chegar a algum resultado. A menos que acidentalmente...