segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A ARCA

OUTRA VEZ SOBRE O RESPONSÁVEL TÉCNICO – RT


Marcelo, leitor deste blog, nos fez uma interessante pergunta no curto espaço destinado a Perguntas & Respostas aí do blog, sobre qual seria o RT ideal para as empresas controladoras de pragas. Não querendo correr o risco de ser mal interpretado, já que o tema é controverso e como o espaço de 200 toques é muito pequeno para me fazer claro, abri este post para dar minha opinião, perguntado que fui.
O próprio tema em si já é polêmico, haja vista a frequência com que tenho tocado no assunto e a quantidade de manifestações que recebo a respeito. A redação dada à RDC 52, Resolução baixada pela Anvisa que atualmente regulamenta a atividade das empresas controladoras de pragas, no que diz respeito à (in)definição das categorias profissionais que poderiam ser RTs pelas empresas, não ajudou em nada a esclarecer o assunto. Segundo consta (sic), a Anvisa teria entendido que, por direito, somente os Conselhos Regionais das profissões é que podem definir se seus representados teriam os conhecimentos necessários para exercer a atividade laboral de um RT nas empresas controladoras. Ainda que eventualmente certa, penso que a Anvisa poderia ter ao menos definido alguns parâmetros para evitar que certos Conselhos regionais, qualquer Conselho regional, em ação corporativista, declarasse que sua categoria estaria capacitada, apenas para criar mais mercado de trabalho para seus representados. A meu ver, ensinamentos como Entomologia, Parasitologia, Bioquímica, Toxicologia e correlatos deveriam fazer parte do currículo de formação universitária da categoria. Só isso já seria suficiente para dar certos limites à questão, sem interferir na esfera discricionária dos Conselhos interessados. Com todo o respeito que certas categorias profissionais merecem, advogados, por exemplo, já não poderiam querer ser RT de empresas controladoras de pragas. Por extensão, administradores de empresa, contabilistas, tecnólogos, engenheiros civis, marqueteiros, jornalistas, publicitários e outros tantos mais, nem pensariam em ser. Essas profissões definitivamente não poderiam ser RTs nas controladoras, pois em seus currículos de formação, não recebem os conhecimentos mínimos de ciências biológicas para que possam exercer a função e as responsabilidades (muito sérias) de um RT.
Mas, voltando à pergunta do Marcelo, sobre qual seria o RT ideal, eu diria que a própria formação escolar já o define, sem que seja necessário explicitar esta ou aquela categoria profissional a ser privilegiada. A meu ver, todas as profissões da área das ciências biológicas já se categorisariam, em princípio, para ser um RT e as ideais seriam aquelas que dão ao profissional sólidos conhecimentos da biologia dos seres vivos, conhecimentos sobre o meio ambiente, conhecimentos sobre preservacionismo, sobre os seres que compõem a biocenose e seus papéis no contexto ambiental. E mais: conhecimentos sobre a bioquímica desses seres, sobre saúde pública e também sobre química em geral. A categoria profissional que somasse tais conhecimentos (e eventualmente outros que deixei de mencionar) seria a categoria ideal, como desejaria o Marcelo. Na prática, no entanto, sabemos que nenhuma das categorias profissionais habilitadas para ser um RT soma todos esses conhecimentos com a profundidade necessária. Algumas profissões enfatizam certos aspectos, outras apenas informam superficialmente, outras, às vezes, até deixam de ensinar alguns pontos apesar de importantes.
Portanto, amigo Marcelo, é minha opinião que não existe uma única categoria profissional que poderia ser apontada como ideal para ser um RT de uma empresa controladora de pragas. Talvez, um dia, esse profissional ideal venha ser formado ao nível de pós graduação, de maneira formal e oficial. Talvez, um dia, as autoridades responsáveis pelas normas que regem essa atividade laboral sejam mais explícitas e balisem claramente a questão em futuras Portarias e Normas.
Talvez, só talvez.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

FEIJÃO CRU: UM RATICIDA?



Provavelmente devido minha especialidade profissional, controle de pragas e vetores, tenho sido perguntado com freqüência crescente (e preocupante) sobre o “inofensivo“ uso de feijão cru como raticida. Fatos e boatos circulam com velocidade espantosa através da Internet e esse possível “novo” uso para o humilde feijão nosso de cada dia, me tem sido inquirido com freqüência. A pedido, publiquei no Pragas On Line há algum tempo atrás um texto sobre essa questão e como, de forma recorrente, sou perguntado, aproveito o blog para veicular novamente aquele texto autoexplicativo, OK?

Feijão cru tem efeito raticida? Poderia ser usado inofensivamente para eliminar roedores sem qualquer risco para humanos ou outros animais? É verdade ou mentira? Respondo:
De onde surgiu essa história?
R: Em 1994, portanto há 17 anos atrás, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas/RS, FAEM / Depto. de Ciência e Tecnologia Agroindustrial, liderado pelo Prof.Pedro Antunes, publicou um trabalho científico onde analisaram quatro cultivares de feijão similares entre si comumente encontrados no comércio brasileiro (Rico 23, Pirata 1, Rosinha G2 e Carioca). Os pesquisadores estudavam o valor nutricional desses cultivares e também os fatores antinutricionais como a antitripsina e a lectina (duas substâncias tóxicas existentes em todos os feijões). Nesse ensaio, ratos brancos de laboratório (albinos da espécie Rattus norvegicus) foram submetidos a uma dieta exclusiva desses cultivares de feijão cru e os pesquisadores apresentaram suas conclusões. No entanto, todos os ratos do estudo morreram, aliás, como seria de se esperar dada à presença daquelas substâncias tóxicas no feijão cru e que são neutralizadas durante o processo de cozimento, ao qual normalmente o feijão é submetido antes do consumo. Há alguns anos atrás, alguém leu esse trabalho e ao perceber que os ratos haviam morrido, imediatamente imaginou que o feijão poderia ser usado como um “raticida”. Pior que isso, esse alguém, sem nenhum conhecimento de causa, prontamente tachou esse “método” de seguro, ecológico e sem risco, pois raciocinou que se nós humanos e outros animais comemos feijão e nada nos acontece de mal enquanto os ratos comem e morrem, estaria aí uma solução simples e barata para o eterno problema das infestações de roedores. Eureka! O Prof.Pedro Antunes inquirido sobre essa versão apócrifa que circula na forma de post na Internet, mostrou-se horrorizado com o desvio dado à sua pesquisa, segundo nos conta o Médico Veterinário Ricardo Mathias que o entrevistou, pois a intenção dos pesquisadores era o de demonstrar o efeito nocivo do feijão cru que desaparecia quando o feijão era cozido.
Como os ratos morrem comendo feijão cru?
R: Os fatores antinutricionais existentes no feijão (também estão presentes em outras leguminosas como a soja), a antitripsina e a lectina, atuam de forma danosa em diferentes pontos do organismo, seja de um rato, seja de um cão, seja mesmo de um ser humano podendo levar à morte na dependência da quantidade ingerida. A antitripsina atua inibindo a formação de diversos enzimas que participam do processo de digestão nos mamíferos, incluindo a tripsina, as quais hidrolisam as proteínas que ingerimos transformando-as em aminoácidos, para que possam ser absorvidas pelo nosso organismo. Sua ação se dá ao nível do duodeno, a primeira porção de nosso intestino logo depois do estômago. A falta de tripsina provoca sérios problemas pancreáticos e mesmo pulmonares. Já a lectina, simplificando, é uma proteína que, quando presente em mamíferos monogástricos (portanto excluem-se os bovinos, os caprinos, os ovinos, etc), provoca aglutinação das hemácias (formando pequenos coágulos) e assim provocando entupimentos de vasos de menor calibre. Ora, os tais ratos do experimento foram submetidos a uma dieta exclusiva e à vontade, constituída por feijão cru, onde estão presentes em altas concentrações essas proteínas danosas (antitripsina e lectina) de curso mortal para mamíferos monogástricos (que têm um só estômago). Ou comiam ou morriam de fome. Decidiram comer. Só tinham que morrer mesmo!
E por que não sentimos nenhum problema quando comemos feijão?
R: Porque no processo de cozimento do feijão, essas proteínas danosas são destruídas podendo restar bem pouco, não em quantidades suficientes para nos causar problemas. Contudo, se ingeríssemos feijão cru, especialmente na forma de farinha, certamente sofreríamos o mesmo que se passou com os ratos do experimento.
De qualquer forma, posso usar feijão cru para matar ratos?
R: a rigor, poderia. Contudo haveria um primeiro grande problema a ser resolvido: convencer os ratos a comer feijão cru! Primeiro porque roedores não são muito afeitos a ingerir leguminosas (soja, grão de bico, feijão, etc) e segundo, porque eles detestam e têm muitas boas razões para isso! A Natureza os ensinou a evitar esse e outros grandes perigos. Por isso sobrevivem há tanto tempo. Outra questão importantíssima: o risco envolvido. É perigoso sim! Crianças poderiam por qualquer razão encontrar e ingerir esse feijão cru ou sua farinha! Cães e gatos igualmente não se deixam convencer a fazer do feijão cru um alimento, mas crianças...
Mas eu li na Internet...
R: Eu sei, eu também li! Contudo, lembre-se que a Internet não é a garantia da verdade, bem ao contrário. A quantidade de boatos, inverdades e erros de interpretação que circula pela Internet é assustadora. Essa de usar feijão cru para matar ratos é outra dessas enormes besteiras que por aí circula e que pessoas, e mesmo técnicos mais desavisados, saem repetindo e repetindo, como se verdade fosse. Sinal dos tempos!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

MOMENTO CULTURAL I: OS ROEDORES E A PESTE BUBÔNICA (parte III)


Continuando a contar esse breve momento que durou quase três séculos na história da humanidade. A peste (foram várias as epidemias e pandemias na Idade Média devastando o mundo conhecido de então) corria solta de cidade em cidade cobrando altíssimas taxas de mortalidade. A ignorância, o desconhecimento e o medo geravam comportamentos anteriormente inimagináveis. Nas ruas, os coveiros faziam o que podiam e, devido à teoria da inalação de “eflúvios malignos”, as pessoas procuravam se livrar o mais rápido possível dos cadáveres dos pestosos. Eram tirados rapidamente das casas e jogados em qualquer esquina; dos sobrados e casarões, eram até descidos por cordas e roldanas ficando suspensos no ar até que os coveiros dali os removiam com varas compridas dotadas de ganchos, indo parar em carroças já apinhadas de outros cadáveres. A carroça lúgubre seguia seu destino precedida por um coveiro que tocava um sininho; muitas vezes, ao ouvir o tal sininho se aproximando, as pessoas se desfaziam até de vítimas semimortas, já que iriam morrer mesmo!
Pois bem, essa situação desesperançada gerava outra, profundamente odiosa: a caça aos “culpados”. Em 1348 na Europa, os desgraçados leprosos foram incriminados pela propagação da peste porque teriam se unido carnalmente a pessoas sadias, imaginem! Foram caçados e queimados em praça pública em massa. Logo depois, como não poderia deixar de ser, foi a vez... dos judeus, como sempre! Na Peste Negra de 1348, já em uma atmosfera carregada de antissemitismo, os judeus foram acusados de espalhar a peste ao envenenar poços e mananciais. Em Estrasburgo, Colônia, Barcelona, Stuttgart e em muitas outras cidades, foram organizados “pogrom” (caça e morte de etnias) contra os judeus que eram levados às fogueiras por multidões iradas e descontroladas. Também teve as vez dos “estrangeiros” e novos pogrom aconteceram dirigidos contra as comunidades de estrangeiros residentes nas cidades. Daí, a moda pegou e qualquer diferença (inclusive de religião ou linhagem) já era suficiente para desencadear a ira do povo contra as minorias. Foram massacrados os escravos muçulmanos, os tártaros e outros grupos. A morte desses infelizes era sempre precedida por torturas inenarráveis (tenazes incandescentes, membros amputados, olhos perfurados, ossos longos quebrados, suplício por horas na roda, degola e depois queimados). Era 1630, nas calendas de agosto! Daniel Defoe descreve tais cenas com muito realismo em seu Diário da Peste. Marcel Camus foi brilhante nas narrativas de seu romance A Peste.
Seguiam os cadáveres se amontoando nas ruas e os sobreviventes, ante a certeza de uma morte dolorosa e sofrida, entregavam-se a comilanças, orgias, badernas e libertinagem. Era preciso aproveitar enquanto ainda se estava vivo. Não havia esperanças, não havia o amanhã, não havia salvação.
Mas, finalmente, a peste arrefeceu. Depois de um violento e derradeiro pico, aplaca totalmente. O que eles não sabiam é que a peste igualmente grassava dentro das populações dos ratos pretos (Rattus rattus), a espécie urbana da época, cobrando um alto preço em vidas desse roedores. Morriam igualmente aos milhares e com eles, depois de certo tempo, suas pulgas transmissoras. Dessa forma, a absurdamente grande população de ratos das cidades foi rareando e praticamente desapareceu. O ciclo da peste havia sido radicalmente cortado de forma natural. Após as terríveis epidemias dos séculos 17 e 18, a peste bubônica praticamente despareceu da Europa (mas não no Oriente). Outros acontecimentos certamente ajudaram no processo como a evolução arquitetônica das cidades quando os telhados de palha foram substituídos por telhas, dificultando sobremaneira a coexistência dos Rattus rattus nas residências. Em certas cidades, grandes incêndios devastadores geraram sua reconstrução que já era feita segundo moldes mais salubres com galerias de esgotos, por exemplo, como ocorreu em 1666 em Londres, quando a peste então desapareceu. Uma hipótese bastante defendida pelos estudiosos do assunto, relata que nesse momento surgiu na Europa os Rattus norvegicus, maiores, mais agressivos, dominantes e, na época, imunes às pulgas dos Rattus rattus. Como se sabe, as ratazanas não gostam nem um pouco de viver dentro das residências como os ratos pretos; portanto a convivência homem/rato ampliou os espaços físicos e as pulgas já não tinham a mesma facilidade anterior para sugar a espécie humana.
Contudo, nos Balcãs (Turquia) e em vários outros países, na Índia, Russia e na China, a peste começou a penetrar de forma avassaladora, mas os tempos já eram outros e a fatídica experiência europeia ajudou a evitar a grandeza do desastre. Em 1894, explodiu uma epidemia em Cantão e Hong Kong (China) e as instituições sanitárias da Europa para lá enviaram diversas equipes de médicos e cientistas para estudar a doença. Ao mesmo tempo, embora através de pesquisas independentes, dois bacteriologistas conseguiram finalmente isolar o famigerado bacilo pestoso: o suíço Alexandre Yersin e o japonês Shibasaburo Kitasato. Até hoje, discute-se qual deles teria sido o primeiro a ver ao microscópio a Yersinia pestis, ainda que no lado ocidental, o bacilo da peste seja chamado Bacilo de Yersin. Depois do advento dos antibióticos na década de 40 do século passado, a peste passou a ter cura radical. Qualquer tetraciclina da vida é capaz de aliminar o bacilo pestoso. Até quando? Será que esses bacilos não estão preparando uma linhagem de resistentes, como aconteceu com os estafilococos e gonococos que dão risada da velha penicilina? Sem falar nas cepas preparadas para servirem de armas biológicas militares, o que não é propriamente uma novidade. Por exemplo: em 1646 a República de Veneza tentou disseminar a peste entre as tropas turcas que ocupavam a Dalmácia, então uma colônia veneziana. Muito mais tarde, em 1940, quando o Japão ocupava militarmente uma parte da China, cientistas japoneses pertencentes à famigerada Unidade 731, comandada pelo General Shiro Ishii, lançaram de avião milhares de pulgas de ratos contaminadas sobre toda a província de Check Yang, disseminando um epidemia de peste bubônica entre a população civil chinesa. Hoje, os militares se desinteressaram da Y.pestis como arma biológica (porque o tratamento é fácil) e suas atenções estão voltadas para o antraz (carbúnculo), o bacilo da cólera (para contaminar mananciais de água), os vírus da Dengue (lançados de avião em penas de aves), o vírus variólico (que infectaria o mundo, já que a doença foi considerada extinta da face da Terra e a vacina, antes obrigatória, foi descontinuada) e o vírus Ebola.
É... que seres tão destruidores são esses que habitam o planetinha Terra, o terceiro a contar do Sol, uma estrela pequenininha de apenas 5ª. grandeza, em um ponto perdido da galáxia chamada Via Láctea, de pouca importância no Universo!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

MOMENTO CULTURAL I: OS ROEDORES E A PESTE BUBÔNICA (parte II)



Então, no post anterior onde eu tratava desse assunto, vimos um quadro dramático nas cidades onde a peste chegava e a epidemia se instalava e eu ia comentar sobre os “remédios” que eram usados naquela longinqua época para combater o mal. Por exemplo: usar um colar de saquinhos que deveriam conter pó de sapo e de salamandra misturados com arsênico (quer dizer, se o gajo percebesse que mesmo assim havia contraído a peste, sempre poderia tomar o conteúdo do saquinho, para abreviar o sofrimento!). Outra: sair de casa levando vasinhos ou esferas de madeira ocas contendo esponjas embebidas em vinagre; os pobres levavam uma maçã ou um limão (essa eu não consegui entender). Tinha também um tratamento que era dureza: beber a própria urina fermentada durante três ou quatro dias... eca! Para proteger-se a pessoa poderia inspirar forte e seguidamente o ar das latrinas. Tem uma outra muito boa: esfregar sobre as feridas (os bubões que arrebentavam) a cloaca de um galo jovem após arrancar-lhe as penas do rabo (má sorte dos galos, má sorte!). Como a peste deixava enfartado os bubões que surgiam na região da virilha, era recomendado esfregar bem a parte inferior dos testículos para aliviar a dor (até aí tudo bem) e depois perfurar a pele escrotal com uma agulha (ops!) e ainda introduzir no furo, um pequeno pedaço de barbante feito com a crina de um cavalo... branco! Cáspite!! Não poderia ser um cavalo qualquer?
Vai daí que, como a medicina com todos esses “remédios” falhava redondamente, aos pobre mortais somente restava buscar lenitivo na religião. Sim, a Igreja não poderia deixar passar essa ótima oportunidade de coaptar mais fiéis e bradava em todos os púlpitos que a doença era uma punição do Senhor, irado com os excessivos pecados dos homens e com a devassidão dos costumes. Dessa forma, nos dias de procissão e missas para São Roque e São Sebastião, os santos “protetores contra a peste”, uma multidão oceânica acorria entre preces e lamúrias arrependidas.
Alguma coisa importante, no entanto, era feita pelas autoridades de algumas cidades mais desenvolvidas: isolamento dos doentes e lacração de suas casas (embora em muitos lugares a família e serviçais eram lacrados juntos), o recolhimento dos cadáveres que iam para uma vala comum, começou-se a recolher o lixo e partiu-se para a eliminação de animais suspeitos de estarem disseminando a peste. Lamentavelmente, os principais culpados acabaram sendo os gatos novamente e não os ratos, porque os pobres felinos eram tidos como próximos ao demônio, uma herança cultural também influenciada pela Igreja em épocas anteriores (já comentei sobre isso, creio, em algum post lá atrás). Durante a peste de 1665, em Londres foram eliminados cerca de 200 mil gatos; resultado, a população de ratos cresceu de forma avassaladora e com ela, a peste. As cidades precisavam se defender de alguma forma especialmente do contágio vindo de fora; Veneza, em 1403, instituiu um símbolo que perdura, de certa forma, até os dias de hoje; todos os navios onde houvesse morte de marinheiros na travessia sob suspeita de peste, eram obrigados a ostentar uma bandeira amarela; o navio não poderia atracar no porto, os marinheiros eram transferidos para albergues onde cumpriam um período de quarentena e as mercadorias eram transferidas para armazens onde recebiam vapores e fumarolas durante alguns dias. Todavia, como as autoridades sempre relutavam em admitir a condição pestosa da cidade, essas medidas sempre chegavam atrasadas, quando a peste já havia invadido os muros. Resultava que os mortos se multiplicavam rapidamente.
Bem, se não havia remédio e nem prevenção, a solução era fugir da cidade, mas para onde? Os ricos ainda podiam se refugiar em suas mansões no campo, mas, e os cidadãos comuns e os pobres já em pânico? Fugiam para os bosques e campos mais afastados. Acontece que lá, os camponeses, fazendeiros e lavradores os enxotavam com medo de serem contaminados. Dessa forma, nas estradas, grupos de todos os tamanhos e verdadeiras multidões ficavam vagando sem destino, para lá e para cá, sem ter o que comer, até que o desespero e a fome os reconduzia à cidade de onde sairam e onde os esperavam, de braços abertos, a epidemia mortal e os ratos, milhares e milhares deles. Houve um momento tão dramático que os soldados saiam pelos portões, postavam-se em torno dos muros da cidade e impediam a saída de qualquer pessoa. Cidadãos comuns, artesãos, soldados, funcionários públicos, artífices, comerciantes, serviçais, professores, estudantes, donas de casa morriam às centenas todos os dias e os sobreviventes se viam diante do caos administrativo progressivo. Todas as estruturas sociais ruiam inexoravelmente. A criminalidade subia infinitamente, as prisões se esvaziaram e a polícia deixou de existir. Mendigos eram expulsos, casas ficavam completamente abandonadas. As igrejas fecharam suas portas e a classe eclesiástica encerrou-se em mosteiros onde nada e ninguém podia entrar. A família desmantelou-se e as próprias relações entre familiares, amigos e conhecidos e grupos sociais, deixavam de existir. As ruas ficavam desertas e ninguém se arriscava sair de casa a menos que fosse absolutamente necessário. Em Milão, por volta de 1630, o cidadão somente saia à rua armado de pistola e passava fogo em qualquer desconhecido que tentasse se aproximar. Tudo era trancado, tudo era proibido. Exceto aos ratos e suas pulgas mortais!
Na introdução do “Decameron” (por volta de 1351), seu autor, Giovanni Bocaccio, captura a incerteza e o medo que acompanharam a epidemia de peste que varreu a Europa entre 1347 e 1351. Dizia ele que os médicos não tinham a menor ideia do que fazer com os tumores (bubões) que devastavam o corpo das pessoas que se infectavam. Conta ele que as pessoas se voltavam umas contra as outras; pais abandonavam seus filhos, maridos às suas esposas. As ruas estavam repletas de cadáveres e os vivos não tinham tempo para se lamentar e só tinham um desejo: sobreviver a qualquer custo. Escritores medievais nos contam que os picos febris da doença deixavam as vítimas em delírio e com freqüência se via homens e mulheres vagando pelas ruas aos gritos e sem rumo. O pestoso vomitava incessantemente ou tossia sangue. Pus e sangue fluía das feridas abertas e a morte ocorria em alguns dias. Os cemitérios não tinham mais espaço para receber os mortos que eram deixados dias e dias nas ruas, onde serviam de alimentos a cães. Bebês e crianças novas choravam sem alento ao lado do cadáver de suas mães e ninguém os acudia com medo de também contrair a doença. Nessa dramática epidemia, só nessa, cerca de 25 milhões de pessoas pereceram, aproximadamente um terço da população europeia na época.
Deixo os leitores interessados no assunto com essa imagem lúgubre, cercada de cadáveres de homens, mulheres e crianças, quando os coveiros já não conseguiam dar conta do recado, mesmo porque até eles próprios começaram a morrer.
Em post próximo, sigo contando essa dramática história da peste na antiguidade, os ratos urbanos e suas fatídicas pulgas. É só aguardar um pouco.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

MOMENTO CULTURAL I: OS ROEDORES E A PESTE BUBÔNICA (parte I)


Atendendo a solertes pedidos, para contrabalançar os Momentos Cultura Inútil, vamos iniciar uma série de Momentos Culturais onde conversaremos sobre alguns fatos interessantes que direta ou indiretamente povoam o mundo das pragas e seus controladores. A leitura desses tópicos deve ser feito como passatempo, OK? O assunto escolhido hoje, é um de meus preferidos: os roedores e a peste bubônica.
A peste bubônica é uma doença de curso letal quando não tratada. É causada por uma bactéria pasteurela Yersinia pestis e transmitida pela pulga contaminada dos ratos. A peste na sua forma pneumônica, é transmitida de pessoa para pessoa através de gotículas de saliva (gotículas de Pfflügen) expelidas durante a tosse ou espirro do enfermo. A peste varreu o mundo antigo por diversas vezes em pandemias que chegaram a alterar o rumo da história, até o advento dos antibiótico na década de 40 do século passado. No Brasil, a peste ainda grassa de forma endêmica em algumas regiões do Norte e Nordeste. Embora seja originalmente uma doença de roedores, a infecção se transfere para o homem sob certas circunstâncias, quando a pulga infectada (Xenopsylla cheopis) não encontrando mais roedores para se alimentar (geralmente porque a colônia já morreu), pica o homem. Portanto, para que ocorra essa passagem para o homem, é preciso que haja promiscuidade entre roedores, pulgas e homens. Na Antiguidade, as cidades (assim como em muitas favelas dos dias de hoje que cercam as metrópoles, especialmente as do terceiro mundo) apresentavam uma situação perigosíssima. O lixo doméstico era simplesmente jogado nas ruas na maioria delas, sem que nada e ninguém os recolhesse. Dessa forma, servia de alimento para porcos que, certamente, disputavam com cães e roedores cada naco, cada pedaço de qualquer coisa que pudesse ser ingerida. Nessas cidades já invadidas por uma ou mais espécies de roedores sinantrópicos, praticamente todas as casas se encontravam infestadas em maior ou menor grau. A higiene pessoal era semelhante a aquela encontrada nas ruas. Não havia água corrente e a água limpa era escassa; portanto, banhos e lavagem de roupas era uma ocorrência excepcional, se tanto, uma vez ao ano! Por que você acha que os franceses inventaram os perfumes? As pessoas, mesmo em casa, dormiam em recintos coletivos sobre catres de palha. Festa para piolhos e pulgas o ano inteiro.
A peste chegava às cidades geralmente de navio, cargueiro ou militar, ou então vinha nas carroças das caravanas comerciais ou ainda com os soldados contaminados de volta à casa (naquela época, depois dos ratos, o que mais tinha eram guerras!). Diante dos primeiros casos locais de peste, a doença tinha sua presença negada. Alessandro Manzoni, escritor italiano (1785 – 1873) em seu romance histórico Os Noivos, contava que era proibido falar em peste e quem quebrasse essa regra de silêncio era exposto ao escárnio público e execrado. Compreensível até essa negação por parte das autoridades, temerosas do pânico da população (até manifestações de luto por uma morte devido à peste eram proibidas) e principalmente com medo que as relações comerciais com outras cidade fossem cortadas. Com efeito, para uma cidade, uma quarentena significava ruína dos negócios, dificuldades de abastecimento de víveres, desemprego, caos econômico e possivelmente baderna geral. Acreditava-se que a epidemia cobrava um tanto de vidas e depois refluiria. Portanto, era melhor calar. E esperar. Até os médicos que ousassem diagnosticar a peste em um paciente ou cadáver, deveriam rever seus diagnósticos sob ameaça das autoridades e corriam o risco de serem linchados pela multidão enfurecida. No entanto, com o progredir da epidemia, chegava um momento que não era mais possível esconder a verdade. Nas ruas, em todas as ruas, pilhas de cadáveres aguardavam recolhimento que quase não vinha. Era um verdadeiro campo de batalha. A quantidade de cães vadios vagando pelas ruas por terem perdido seus donos que os alimentavam e que passavam a se alimentar dos cadáveres, crescia assustadoramente. O que fazer, se nem as causas da doença eram conhecidas. Quem poderia imaginar que por trás desse enorme problema estavam os ratos! Esses animais, da mesma forma que as pulgas, sempre estiveram presentes nas cidades, nas moradias de qualquer cidadão ou autoridade. Não havia como ligar o rato à peste. Havia teorias astrológicas e outras superstições que explicavam a propagação da peste, mas a hipótese predominante era que a doença era transmitida por miasmas, um ar maligno envenenado que ninguém sabia definir exatamente o que era, mas que bastava ser respirado para que o indivíduo contraisse a peste. Por isso, a profilaxia era praticada através de fogueiras nas encruzilhadas de ruas visando purificar o ar. Também era popular o uso de lenços cobrindo o nariz. Um célebre médico francês da época, Dr. Parè, professor da Sorbonne, ensinava a seus alunos que “em épocas de peste, é preciso manter-se alegre, em restrita e boa companhia e, à vezes, ouvir cantores e instrumentos musicais ou entreter-se com agradável leitura”.A análise dos remédios recomendados pelos médicos para combater a doença merece um comentário à parte, mas isso vai ficar para um próximo post, porque este aqui já ficou longo demais. Os leitores que se interessarem por essa narrativa, aguardem alguns dias, OK?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

MOMENTO CULTURA INÚTIL V: PARASITISMO X SIMBIOSE



Sim, são conceitos opostos, mesmo em biologia. Simbiose é uma maneira erudita de dizer o simples “toma lá, dá cá”. A Natureza criou um processo de benefícios mútuos entre espécies, onde todos os participantes levam vantagens enquanto cedem favores a terceiros e são chamados de “simbiontes”; trata-se, portanto, de uma relação mutuamente vantajosa entre dois ou mais seres de espécies diferentes. Isso é simbiose, palavra que veio do grego “syn”, junto, mais “bios”, vida. Quando apenas uma das espécies envolvidas tira proveito dos restos do outro a quem não causa mal, trata-se de “comensalismo”. Enquanto isso, o parasitismo tem conotação oposta, ou seja, é uma associação de seres de diferentes espécies na qual um participante espolia o outro, retira dele os meios para subsistir, sem dar nada em troca. No parasitismo, um participante é o hospedeiro e o outro, o parasita.
Não é só na Natureza que esse fenômeno ocorre, infelizmente. Conheci ao longo da vida, uma porção de pessoas literalmente parasitas, mas também conheci pares de simbiontes que foram muito bem sucedidos. É a vida!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

SOBRE O (IMPORTANTE) PAPEL DO RESPONSÁVEL TÉCNICO (Parte III)


Então, estávamos comentando o papel do Responsável Técnico (RT) das empresas controladoras de pragas e já vimos que a ele cabe, por lei, a assinatura dos documentos técnicos da empresa e assumir a responsabilidade por todos os serviços que a empresa executa. Vimos também que a única alternativa que o RT tem para cumprir esta derradeira responsabilidade citada, é o treinamento das equipes operacionais de forma a minimizar a possibilidade de erro acidental. Por conseqüência, o RT terá que estudar e manter-se atualizado continuadamente e vimos também que isso não é nada fácil de ser feito, restando a leitura de revistas técnicas e participação em cursos mais avançados levados a efeito por esta ou aquela Associação de controladores de pragas.
Sim, e antes que eu esqueça, como o mercado ainda remunera mal o RT, este se vê forçado a assumir a responsabilidade por mais de uma empresa para sobreviver. Quantas ele pode assumir? Diz o bom senso que até três é admissível e o RT ainda conseguiria dar conta do recado. Conheço um coleguinha que responde em São Paulo, por nada menos que seis empresas! A vida desse cara deve ser uma correria, se é que ele assume realmente suas obrigações legais. Ou será que ele é apenas mais um “RT-canetinha” na praça?
Vamos dar outra olhada na lei? O que mais determina a RDC 52 para o RT? Ela diz que o RT é o responsável legal pela aquisição dos produtos saneantes desinfestantes (os biocidas) e equipamentos. Evidentemente que a lei não se refere ao ato da compra em si, para isso existe um setor de compras na empresa ou alguém que é o encarregado de efetuar as compras. A lei se refere à decisão de compra, à escolha deste ou daquele produto. Óra, na maioria das empresas, especialmente as de pequeno porte, quem decide é o dono e geralmente ele vai pelo menor preço, não dando nem bola para o que o RT está pedindo! Danado, isso! Quer dizer, em uma empresa onde é essa a prática, já se vê que o RT ali existe porque a lei determina que a empresa mantenha um RT sob contrato e nada mais! O que fazer? Bem, cada um sabe de seus problemas, mas ser um RT de uma empresa nesses termos é um risco desmesurado. Um passo em falso e é encrenca na certa. Essa relação RT/patrão vai ter que ser conduzida com muita habilidade e o RT tem que criar seu espaço, assumir sua identidade no contexto, ser respeitado e ouvido. Se a responsabilidade legal é do RT pela decisão da escolha dos produtos desinfestantes, é ele que na prática deve dizer qual desinfestante vai ser utilizado e qual não vai. Em outra peritagem de juiz em que fui chamado, a empresa havia feito uso de um pesticida agrícola no estabelecimento que a contratou ocasionando um severo acidente com duas pessoas. De nada adiantou o RT jurar de pé junto que jamais havia ordenado a compra daquele produto e que não sabia que vinha sendo utilizado. Empresa e RT condenados. O que vocês esperavam?
Para contrabalançar, conheço pessoalmente um punhado de ótimos RTs, profissionais preparados, informados e realmente responsáveis. Dá gosto observar a forma com que trabalham. E sabem uma coisa interessante? São exatamente eles que mais perguntam nos cursos e palestras. Será coincidência?
Não está na lei, mas a meu ver o RT é ainda responsável por uma porção de outras coisas em uma empresa controladora de pragas. A começar pela própria terminologia empregada pelos funcionários em geral, operadores ou administrativos. Por exemplo: nada mais de “dedetizadora” ou “dedetização”! Pelo amor de Deus, isso já foi, já era e cabe a nós, profissionais do ramo, mudarmos esses termos. Dedetização é uma palavra antiguinha originada na década de 40 assim que surgiu o DDT, um inseticida clorado que passou a ser utilizado na lavoura e também pelos controladores de pragas urbanos da época. O DDT acabou se mostrando demasiadamente tóxico e persistente no ambiente, razão pela qual seu grupo foi banido, mas o termo ficou. Portanto, empresa controladora de pragas e não “dedetizadora”; desinsetização ou desratização e não “dedetização”. Isso deve ser a primeira frase do RT em seus treinamentos na empresa. Conceitos como meio ambiente (ou seria somente meio?), toxicidade, riscos ambientais, proteção, pragas alvos, devem constar do vocabulário diário do RT para tornar esses termos mais comuns no linguajar dos funcionários da empresa, principalmente dos operadores e os que têm contato direto com os clientes. Organizar o depósito de biocidas dentro das boas normas operacionais e manter severo controle de estoque, também é obrigação do RT. Verificar e garantir as regras de segurança individual dos operadores faz parte da rotina do RT assumido.
Pensando bem, não é nada fácil ser um Responsável Técnico por empresa controladora de pragas! Mas, se você escolheu ser um deles, assuma e dê conta do recado. Boa sorte.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

EXTRA, EXTRA! LANÇADOS MAIS DOIS PRODUTOS DESINFESTANTES NO MERCADO BRASILEIRO!


Quase ao mesmo tempo, a Bayer e a Basf lançam mais dois produtos desinfestantes quase para as mesmas pragas alvos. Ambos seguem a mesma linha: a combinação já na fase industrial de dois diferentes ingredientes ativos (um piretróide mais um IDI – Inibidor do Desenvolvimento de Insetos), ou seja, o profissional controlador de pragas não precisa praticar uma eventual mistura no tanque. Confesso que ainda não tive contato prático com esses dois novos produtos, mas estou certo de poder fazê-lo proximamente; portanto, citá-los neste post não significa em absoluto uma indicação ou minha aprovação, mesmo porque, como já disse em post anterior, só indico aquilo que usei e aprovei na prática. Comento esses lançamentos no blog, para que a informação se dissemine mais rapidamente, caso o leitor ainda não tenha sabido.
A Bayer está lançando o TEMPRID SC, uma suspenção concentrada de betaciflutrina a 21%(conhecido piretróide) combinado com o imidacloprid a 10,5% (IDI - neonicotinóide), aproveitando o efeito imediato daquele sobre as formas jovens e adulta com o efeito inibidor a longo prazo do IDI sobre as formas jovens. Tem indicação contra: baratas, carrapatos, pulgas, moscas, aranhas, mosquitos, formigas, traças e percevejos de cama.
A BASF lança o TENOPA, suspensão concentrada combinando a alfacipermetrina (piretróide bem conhecido) com o flufenoxuron (novo IDI), da mesma forma que o produto acima citado, atuando contra as formas jovens e adulta dos insetos. Tem indicação de rótulo contra; baratas, mosquitos, moscas, pulgas, formigas, barbeiros, carrapatos, cascudinhos e escorpiões.
Sem querer polemizar novamente, mas já o fazendo, mais uma vez a Anvisa concede registro a um produto contra escorpiões, enquanto produz um manual que diz que não existe produto eficaz contra esse aracnídeo! Será que só eu noto essa obtusidade e sou um chato em apontar a incongruência? Vai ver que sou mesmo!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

E ASSIM CHEGAMOS ÀS 12.000 VISITAS!


Pois é! Meio sem querer querendo, como diria Chaves, aquele do beco do Senhor Madruga, Prof. Girafales, Chiquinha e não aquele outro Chavez, o bufão. Foram 12.000 visitas de colegas, profissionais controladores de pragas, que acessaram este blog por opção, por interesse, por diversão ou por qualquer outra razão. Fico muito contente, pois afinal, era exatamente esse nosso propósito: oferecer um pouco da experiência adquirida em mais de 40 anos de trabalho nesse campo, diga-se de passagem, nada fácil! Outra vez agradeço a todos os leitores que têm feito o sucesso deste blog em seus 13 meses de existência. Prometo que só volto a comemorar quando atingirmos a 15.000 visitas, OK? Assim não fico enchendo vocês demasiadamente.
Um forte abraço e até lá!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

SOBRE O (IMPORTANTE) PAPEL DO RESPONSÁVEL TÉCNICO (Parte II)


Bem, em post anterior começamos a discutir a questão do Responsável Técnico (RT) em sua função dentro de uma empresa controladora de pragas. Vimos que esse profissional foi se desenvolvendo ao acompanhar o ritmo de crescimento desse ramo de negócios, até adquirir os contornos e perfil que dele se espera no mercado atual.
Afinal, o que se espera de um RT? Que assine os documentos legais quando de sua competência? Sim, é sua obrigação, mas ao fazê-lo, o RT deve estar bem atento ao conteúdo do que está assinando. Na verdade, se ocorrer algum problema ou acidente em decorrência da execução de um serviço, é o RT que será citado especificamente como réu no Processo. O dono da empresa entra como co-réu, mas o RT vai ter que se explicar e muito perante o juiz. Atuei por diversas vezes como perito de juiz em processos legais onde certas empresas eram acusadas por seus contratantes, em virtude de algum dano que lhes havia sido causado pela execução de algum serviço de controle de pragas. Vou lhes contar um caso para que os RTs que nos lêem percebam a seriedade e a responsabilidade que estão assumindo. Em um caso, o precioso gato da madame, de uma raça rara, passou muito mal depois de uma desinsetização em uma residência e “bateu com as 10”, a despeito dos esforços do Veterinário que atendeu o finado. Aliás, o esforçado coleguinha (também sou Veterinário) aplicou tudo o que havia aprendido e sabia em casos de intoxicação por inseticidas; leu o tal certificado que havia sido emitido pela empresa, verificou qual o princípio ativo do biocida empregado e abalou-se em aplicar o antídoto indicado, mas o felino já nem miava mais de tão mal que estava. Do cadáver extraiu algumas vísceras e enviou para exames patológicos e laboratoriais, a pedido da madame entre chorosa e indignada. Não deu outra: intoxicação por agente químico externo, inseticida mesmo! Rolo formado, aberto um processo por perdas e danos contra a empresa controladora, discussões jurídicas, advogados se enfrentando e adivinhem quem estava na marca da cal? Claro... O RT! Ainda mais que o laudo laboratorial dava como agente causal um inseticida de outro grupo químico diferente daquele indicado no tal “certificado” emitido pela empresa e devidamente assinado... pelo RT! O perito nomeado pela empresa acusada, naturalmente, a defendia; o perito contratado pela acusadora apontava a empresa como culpada. Na confusão, o juiz acabou me convidando para atuar como seu perito e lá fui eu. Não importa a conclusão do meu laudo; importa é que o RT da empresa acabou sendo responsabilizado na sentença final e teve sua atuação profissional suspensa por seis meses. Ah... sim, a empresa escapou porque não havia como caracterizar inequivocamente causa e efeito. In dubio, pro reu (na dúvida, o réu tem razão), diz a lei.
Esse foi só um exemplo do tamanho da responsabilidade do RT.
A RDC 52 diz que esse RT deve se manter atualizado. Parece óbvio, mas isso pode não ser tão fácil como parece a princípio. Aonde e como os RTs vão se informar sobre as novidades e novas descobertas de seu ramo de atividade? Certamente em revistas especializadas... mas quase todas elas são publicadas no idioma inglês, uma ou outra em outros idiomas e nem todos os RTs dominam idiomas estrangeiros. Alguns talvez possam tentar o espanhol. Há em nosso país apenas uma única revista editada em português, a revista da ABCVP. Uma só! Melhor do que nada! É leitura obrigatória. Há alguns sites e blogs brasileiros especializados em pragas, entre eles, este que você está lendo. Podem ser de utilidade. Felizmente, algumas associações de empresas controladoras de pragas costumam oferecer uma agenda interessante de cursos para os profissionais em diferentes níveis, incluindo cursos para RTs. Cursos imperdíveis para os que querem (e necessitam) se atualizar.
A RDC 52 diz também que o RT é diretamente responsável pela execução dos serviços. Amigos RTs: uma palavrinha se me permitem. Vocês realmente têm ideia do que está escrito e determinado nessa lei? Que vocês, RTs, são as pessoas direta e inteiramente responsáveis por todos, eu disse todos, os serviços executados pela empresa controladora de pragas. Ô louco... todos? É sim, todos. É claro que você, o RT de uma empresa meio grandinha, não vai poder acompanhar pessoalmente todos os serviços que podem ser até vários no mesmo dia e horário. E daí? Daí que você só tem um jeito para resolver o enigma dessa esfinge: como ser onipresente? Enquanto o Espírito Santo não lhe contemplar com essa capacidade (até onde sei, apenas os 12 apóstolos de Cristo foram agraciados com esse singular dom), é melhor pensar rápido em uma alternativa. Passei boa parte de minha vida como RT e sei muito bem o tamanho dessa encrenca. Não vi, como ainda não vejo, outra saída: treinamento, treinamento e mais treinamento de suas equipes operacionais; supervisão, monitoramento, atenção, vigilância constante. É bem isso! Arregace as mangas e comece a treinar seus operacionais e chefes de equipe, não só para que eles saibam completamente o que estão fazendo e os riscos envolvidos, como também para que você, RT, possa ter uma noite de sono enquanto as equipes trabalham. Aliás, a RDC 52 (não por acaso) também responsabiliza o RT pelo treinamento técnico das equipes operacionais (vide primeira parte deste tema tratado em post anterior).
Não acabou não, meu! Tem mais e vamos continuar lhe azucrinando em post próximo. Hehehe...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

SOBRE O (IMPORTANTE) PAPEL DO RESPONSÁVEL TÉCNICO (Parte I)


Queria falar um pouco sobre o Responsável Técnico (RT) das empresas controladoras de pragas e seu (verdadeiro) contexto como profissional nessa área. A história é meio longa, embora tenha começado há não muito tempo atrás (três ou quatro décadas, se tanto). No princípio, as empresas não tinham a obrigação legal de ter um RT em seus quadros. Na prática, as primeiras empresas que começaram a explorar esse ramo de negócios, tinham uma estrutura administrativa e operacional bem simples; não raro era apenas um negócio de família onde o marido era o faz tudo e a esposa atendia ao telefone, anotava recados e talvez montasse a programação da semana, além de cuidar das finanças. Quando o filho do casal crescia e não dava para mais nada, era automaticamente nomeado o ajudante mor de Azurara e passava a ser o faz tudo Junior. Os tempos foram passando, as empresas controladoras crescendo e se departamentalizando; já não era mais possível sobrecarregar este ou aquele funcionário com várias responsabilidades e tarefas. Os proprietários das empresas controladoras, muitos dos quais achavam que sabiam tudo sobre o assunto operacional, começaram a perceber que não era bem assim. A sociedade estava se tornando mais exigente quanto a resultados e também quanto aos métodos empregados, principalmente se preocupando com os produtos químicos utilizados. Os proprietários começaram a ser questionados e nem sempre tinha as respostas técnicas exigidas por seus clientes. A saída era buscar um profissional que fosse mais preparado para as questões técnicas/operacionais da empresa. Surgia, naturalmente, a figura impoluta do Responsável Técnico no cenário. Ao mesmo tempo, interpretando a tendência dos consumidores dos serviços de controle de pragas, a Vigilância Sanitária como um todo (Federal, Estaduais e Municipais onde houvesse) em seu papel regulador, também evoluía e começou impor certas regras a esse jogo, ainda que não muito ordenadas e uniformes no princípio. Uma dessas primeiras regras era exigir que as empresas tivessem em seus quadros um profissional técnico que seria o responsável legal por decisões técnicas, pois o número de acidentes e problemas gerados pela aplicação intradomiciliar e mesmo comercial ou industrial de produtos químicos, crescia à medida que a sociedade aprendia a utilizar os serviços das empresas controladoras. Como a lei, até então) não especificava quais categorias profissionais podiam exercer o papel de RT, alguns Conselhos Regionais de determinadas categorias profissionais começaram a “exigir” que as empresas tivessem como RT em seus quadros, um profissional da categoria desses Conselhos, o que era intimidante, mas não legalmente cabível (há algum tempo atrás, a RDC 18 veio estabelecer quais as categorias profissionais poderiam atuar como RTs das empresas controladoras). Seja para atender as exigências legais, seja por sentir a necessidade, o fato é que as empresas mais organizadas e estruturadas da época começaram a buscar no mercado, profissionais que pudessem atuar como seus RTs o que, diga-se de passagem, nunca foi muito fácil de encontrar até hoje. Daí começou a fase do “RT canetinha” que era um profissional que se dizia habilitado e conhecedor do metiê e que deixava na empresa vários blocos de “atestados” em branco e devidamente assinados, comparecendo à empresa uma vez por mês apenas para receber seu rico dinheirinho. Nessa época, quando eu respondia como RT para uma empresa controladora acumulando com as funções de Gerente da área de controle, uma fiscal da Vigilância Sanitária Estadual SP que nos visitou, deixou uma intimação dando a mim o prazo de uma semana para comparecer pessoalmente aos escritórios da entidade e procurá-la. Compareci devidamente e após me apresentar, perguntei a razão da intimação. A fiscal me esclareceu que havia ocorrido recentemente um caso onde a VS descobriu que uma química que assinava como RT de nada menos de seis empresas controladoras de pragas, havia falecido há aproximadamente quatro anos antes e que, no entanto, seu fantasma continuava assinando documentos legais dessas empresas. Outros tempos, outras épocas essas dos “RTs canetinhas”!
Ah... isso ainda acontece? Puxa, que surpresa!
Pode ser que sim, mas esse comportamento de um RT está a quilômetros do verdadeiro papel de um Responsável Técnico por uma empresa controladora de pragas. Como igualmente está longe (e perdida) a empresa que o contrata.
Hoje, a atuação do RT está definida e normatizada através da Portaria da Anvisa RDC 52 atualmente em vigor (desde 22/10/2009) para todo o território brasileiro. Essa RDC (Resolução de Diretoria Colegiada da Anvisa/MS) define (Capítulo I, Seção III Definições, inciso X) que o técnico responsável deve ser um profissional de nível superior ou de nível médio profissionalizante, que tenha treinamento específico, que deve manter-se sempre atualizado, que seja devidamente habilitado por seu respectivo conselho regional e que passa a ser diretamente a pessoa responsável pela execução dos serviços, pelo treinamento dos operadores, pela aquisição de produtos saneantes desinfestantes e equipamentos. Deve ainda ser responsável pela orientação da forma correta de aplicação dos produtos no cumprimento das tarefas ligadas ao controle e será responsabilizado legalmente sobre possíveis danos que possam vir a ocorrer à saúde e ao ambiente. Sem entrar no mérito dessa simples definição (porque há vários pontos discutíveis e algo inconsistentes, mas isso já é outra discussão), o leitor já pode ir avaliando o tamanho da responsabilidade legal de um RT que assine por uma empresa controladora. RT de canetinha, amigo, já era!
A Seção II dessa RDC 52 estabelece parâmetros para a Responsabilidade Técnica e em apenas um artigo (o 8º.) com três parágrafos, diz que a empresa é obrigada a ter um RT, deve apresentar (quando solicitado pelas autoridades) o respectivo registro junto a seu conselho, não define quais as profissões categorizadas a atuarem como RTs de empresas controladoras e lava as mãos passando esse encargo a cada conselho regional que assim pense. Mas, exige ainda que a empresa seja registrada junto ao conselho correspondente à categoria profissional de seu RT. Apesar de ficar com cócegas na língua para comentar essas definições (algo indefinidas), quero me manter fora desse papo e me ater ao objetivo deste post que é o de comentar alguma coisa sobre o verdadeiro papel do RT dentro da empresa controladora de pragas. Vou ver até quando consigo resistir a essa tentação!
Continuo em próximo post, OK? E vou esfriar um pouco a cabeça...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

VÃO JOGAR RATICIDA DE HELICÓPTERO PARA CONTROLAR ROEDORES NAS ILHAS GALÁPAGOS


Li hoje em um site da Internet, uma notícia no mínimo preocupante: pesquisadores (sic) vinculados à Administração do Parque Nacional de Galápagos, aquele conjunto de ilhas que pertence ao Equador, situado a cerca de 1.000 km da costa equatoriana e que serviu de base de estudos para Charles Darwin (1809-1892) formular sua discutida teoria da evolução das espécies, decidiram executar uma grande desratização das ilhas, pesadamente infestadas por roedores invasores (oarquipélago nunca teve roedores autóctones - os que ali nascem - todos vieram de fora), jogando raticidas de helicóptero, com o objetivo de dar maior abrangência ao tratamento e abreviar o tempo de trabalho. Os tais roedores são o Rattus norvegicus e o Mus musculus que supostamente invadiram as ilhas, trazidos há séculos por barcos e navios que visitavam as Galápagos. Dizem eles que a população de ratazanas e camundongos está crescendo desmesuradamente nas ilhas porque ali não há inimigos naturais que os possam eliminar estabelecendo o equilíbrio necessário e esses roedores estão se alimentando também dos ovos de tartarugas e certas aves originárias das Galápagos, colocando tais espécies em risco. O plano prevê o uso de raticidas iscas (não foram dados maiores detalhes) os quais, supostamente, não despertam o interesse de espécies não alvos como tartarugas, leões marinhos e várias espécies de aves (sic). Por enquanto, eles testaram o método na menor das ilhas do arquipélago, a ilha Rábida, que tem menos de 800 m2 de superfície (tamanho de quatro campos de futebol). Nas próximas semanas os técnicos verificarão os resultados do teste e se aprovado, vão estendê-lo às outras ilhas do arquipélago. Gatos selvagens, porcos e cabras são alguns dos animais trazidos para as Galápagos que se tornaram verdadeiras pragas. Entre 2004 e 2009 o impressionante número de 100.000 cabras ali foram abatidas a tiro (de helicópteros e de atiradores a pé), já que essa espécie costuma tornar a paisagem um verdadeiro deserto em virtude de seus hábitos alimentares. Aliás, a Ilha de Fernando de Noronha sofre de um problema semelhante com cabras, que se tornaram selvagens depois de abandonadas pelos primeiros habitantes da ilha. Um dia desses conto para vocês alguns desequilíbrios provocados pelo homem lá em Fernando de Noronha, testemunhados pessoalmente.
Devem saber o que estão fazendo, mas, a princípio, acho uma enorme temeridade esse método de desratização em massa. É preciso um estudo de riscos muito acurado. Espero que tenha sido feito!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

LA GARANTIA, SOY YO! (Parte II)


Estávamos discutindo a questão da garantia dos serviços executados por empresas controladoras de pragas e vimos que a tal “garantia” não pode ser expressada sem clareza, se quisermos encantar nossos clientes. Vimos também que a garantia não deve ser expressada em termos de tempo, de prazo de validade, mas sim de acompanhamento e assistência técnica dos resultados obtidos. Dessa forma, a garantia pode se transformar em um excelente elemento da proposta que ajude a consolidar a venda. Vamos ver como podemos operar essa transformação.
A garantia que traz lucros:- antes de tudo, você tem que embutir em sua garantia benefícios que sejam fortes e consistentes. Duas regrinhas para fazer isso:
• Regra n° 1: JAMAIS GARANTA QUE O CLIENTE FICARÁ SATISFEITO. Parece obtuso, não parece? Vamos examinar essa afirmação e, enquanto isso, deixe que seus concorrentes o façam. Não se esqueça nem por um instante que satisfação é um estado de espírito, ou seja, é um conceito subjetivo que pode variar de pessoa para pessoa, conforme a cabeça e o julgamento de cada um. Quando você pensou em dar “satisfação” ao cliente, certamente pensou no seu conceito do que seja isso. Será que o cliente, ao tomar conhecimento de sua promessa, imaginou a mesma “satisfação” que você pensou ao oferecer? Qualquer coisa que ele tenha imaginado diferente daquilo que você pensou, vai deixá-lo insatisfeito, caso não se cumpra. Na verdade, o que se espera de sua empresa, que para tanto foi contratada, é que ela consiga garantir o controle dos insetos (ou qualquer outra praga) na casa de seu cliente (ou outro tipo de recinto). Se você perceber que tal resultado não será alcançado, explique e reexplique a seu cliente as razões antes de aceitar a execução dos serviços. Até hoje nunca encontrei uma situação que não pudesse ser resolvida se o contratante participar do processo de resolução do problema. Faça isso claramente e prometa assumir a responsabilidade dos resultados. Contudo, se tiver que refazer o serviço, refaça gratuitamente, sem dó nem piedade (de você mesmo!). Se mesmo assim você não conseguir controlar o problema, prometa devolver o dinheiro pago e vá mergulhar fundo na pesquisa das razões do seu insucesso. Isso sim é “garantia”!
• Regra n° 2: NÃO SE AFASTE DE SUA PRÓPRIA GARANTIA. Seu cliente vai continuar investindo em você enquanto não se sentir traído, enquanto ele puder confiar em você. O mais interessante nessa postura é que ela é, por si só, retroalimentativa: quanto melhor serviço você prestar, mais confiança seu cliente vai ter em sua empresa e você vai ter que prestar-lhe mais serviços e ainda melhores para garantir essa fidelização. É um perfeito ciclo virtuoso! Seus funcionários e operadores têm que saber dos riscos envolvidos na garantia dada e que um repasse tem um custo que não será coberto de nenhuma forma. Portanto, eles devem igualmente assumir de forma solidária a garantia que a empresa deu ao cliente. Portanto, dar garantias fortes, claras e consistentes tem dupla vantagem: de um lado, elas atrairão clientes os quais vão se sentir seguros ao contratar sua empresa e certos de que vão receber um serviço da mais alta qualidade (com a garantia de novos tratamentos sem ônus adicionais se necessários e ressarcimento se os objetivos combinados não forem atingidos) e, do outro lado, ao dar esse tipo de garantia, você vai se esforçar ao máximo para executar o melhor trabalho que pode, a fim de cumprir o que prometeu e evitar prejuízos financeiros.
Muito provavelmente alguns de nossos leitores estarão de cabelos em pé diante dessa forte garantia (talvez assustadora) que recomendamos. Pensamentos como -“eu não posso dar esse tipo de garantia; vou quebrar se fizer isso!” - podem estar lhes estar passando pela cabeça. Isso pode acontecer de fato, se você tiver dado a garantia a seu cliente de que ele não vai mais ver um só inseto de qualquer espécie rastejando pela casa depois do tratamento executado, o que na prática é pouco provável. Ou então o buraco vai surgir caso você tenha aceitado aquele cliente que acha que você vai acabar com o problema de pragas que ele tem, com apenas um tratamento isolado fantástico e absoluto (o que, aliás, foi você mesmo que prometeu).
A chave para essa situação é: esclarecimento, informação, clareza e transparência. Informe seu cliente, antes de prestar o serviço, exatamente o que ele pode e deve esperar. Isso só vai consolidar a imagem de sua empresa, nunca prejudicá-la. As pessoas gostam de ouvir verdades, ainda que possam não gostar muito de seu conteúdo (médicos sabem disso muito bem). Quando você informar seu cliente que um só tratamento não vai resolver o problema e esclarecer as razões esse fato (muitas de ordem biológica, outras de ordem ambiental), o cliente, ainda que não goste, entenderá, baixará o nível de suas expectativas e não irá se sentir traído quando uma baratinha resolver cruzar seu caminho um ou dois meses depois. Mesmo com sua promessa de devolução do dinheiro, o cliente não vai ficar achando que seu tratamento vai extinguir a existência de cada barata, cada formiga e cada rato da vizinhança inteira. Ele só precisa sentir firmeza de que você está fazendo o melhor que pode, dentro das circunstâncias, para resolver os problemas dele. Afinal, o cliente sempre está disposto a acreditar e só se frustra quando a promessa não é cumprida. Você vai logo perceber que a maioria das pessoas não está de tocaia, prontas para fazê-lo cumprir a garantia a qualquer custo, a repassar e repassar (embora existam pessoas que assim procedem por vício, pelo prazer de aborrecer e incomodar terceiros). Para estes, devolva rapidinho o dinheiro e deixe que eles vão causar problemas para seus concorrentes.
A concorrência:- você ainda está relutante e pensa que dar esse tipo de poder ao seu cliente através de uma garantia firme e consistente vai quebrar sua empresa? Então, pense nisso: você pode estar caminhando sem perceber para o precipício e logo pode estar fora do negócio caso não começar a fazê-lo. Vencerá, vai sair-se melhor no negócio, vai suplantar a concorrência a empresa controladora de pragas que der ao cliente o que ele deseja. Em breve, boa parte da clientela contratante vai estar gravitando em torno das empresas que dão esse tipo sólido de garantia (bem além do “satisfação garantida”). Ironicamente, a coisa que hoje você pensa que não pode se permitir fazer, vai se tornar exatamente a coisa que você não pode deixar de fazer! Na verdade, por incrível que hoje possa parecer, essa garantia firme, ao invés de trazer riscos demasiados à sua empresa, pode alavancar seus negócios, destacá-lo da concorrência e injetar novo ânimo à sua empresa. Talvez o amigo leitor possivelmente até já viva dentro dessa filosofia e apenas não tenha se sentido suficientemente seguro para colocá-la por escrito, isso é normal no princípio. Mas, assim que você começar a escrever essas garantias, imprimi-las e as entregar a seus clientes como um valor agregado a seus serviços, verá seus efeitos e perceberá as enormes vantagens que essa postura vai lhe trazer.
“La garantia, soy yo” é uma realidade de outro país, não a nossa!

MOMENTO CULTURA INUTIL IV: RECLAME


Esse era o nome que se dava no século passado á propaganda comercial. Hoje ainda se usa “anúncio”, mas quando uma empresa queria comunicar seu produto, mandava fazer um “reclame” e publicava em algum jornal ou revista, ou então ia ao ar por uma Rádio de boa audiência. A palavra veio do latim reclamare (dar um aviso público) e se tornou sinônimo de mensagem comercial, através do francês réclame, no século XIX. Quem tem mais de 60 anos certamente vai se lembrar (eu me lembro!) do reclame que quase todos os bondes que circulavam em São Paulo, Rio e Santos (que eu saiba) exibiam: “Veja ilustre passageiro / que belo tipo faceiro / que está sentado ao seu lado / mas, no entanto, acredite / quase morreu de bronquite / salvou-o o Rhum Creosotado”. Esses versos são de autoria de Manuel Bastos Tigre (1882-1957), pernambucano do Recife, que também foi o autor de um dos slogans mais antigos e conhecidos do Brasil, ainda em uso: “Se é Bayer, é bom”. Grande Bastos Tigre, aquele! O pessoal da Bayer deveria colocar um busto desse homem logo na entrada do prédio principal da empresa, ora se deveria!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

LA GARANTIA, SOY YO! (Parte I)


Dizia em bom “portunhol” um vendedor com um sorriso safado nos lábios, tentando passar um equipamento eletrônico em algum país vizinho, a um dos milhares de incautos turistas brasileiros que para ali vão exclusivamente para adquirir certos bens a preços notoriamente baixos. Assim era um comercial de TV que fez muito sucesso no Brasil, a uma década atrás. O objetivo do comercial era, com muito sucesso, sugerir claramente o risco que se corre ao adquirir um produto de baixa qualidade de origem duvidosa, só porque tinha um precinho convidativo. Essa inteligente propaganda (pena que não teve continuidade) explorou, com rara felicidade, a questão da garantia, seja para um produto, seja para um serviço. Esse comercial poderia ser aplicado a, literalmente, qualquer ramo de negócio. Somos bombardeados todos os dias por comerciais enganosos que nos cobrem de garantias de todos os tipos e para qualquer gosto. Ainda que a lei de defesa do consumidor tenha tornado séria essa questão, nada é mais desacreditado do que certas garantias. Dia desses, andando pela rua, esperava um semáforo dar passagem e, enquanto isso, me chamou a atenção um panfleto colado em um poste na altura de meus olhos. Dizia mais ou menos: “Pai Olaiê de Babaluê (sei lá o nome certo do pai de santo). Conquiste a quem você quer, amarração do amor, serviço garantido em duas semanas ou seu dinheiro devolvido”. - Caramba, pensei! Isso sim é que é garantia! Se eu não a conquistar em 14 dias, o Pai Babaluê devolve minha grana! - Mesmo sem precisão, fiquei com vontade de ir lá, só para ver se era verdade.
Mas, por que desconfiamos das garantias? Por que não sentimos firmeza? Muito provavelmente porque cada um de nós já passou por alguma experiência desagradável de precisar valer os direitos da garantia e...
Não pense que isso só acontece em outros ramos de negócios e não no ramo do controle de pragas. Ao contrário, ocorre e com grande freqüência começando por certos fabricantes de produtos e terminando em certas empresas controladoras. Existem bons e maus profissionais, aliás, em qualquer ramo de atividade humana. Com maior freqüência do que se poderia pensar, as relações com nossos clientes passam cada vez mais pela questão garantia. Estes se tornam progressivamente mais conscientes de seus direitos e ao contratar os serviços de uma empresa controladora de pragas, entre os itens fundamentais está a garantia dos serviços
SATISFAÇÃO GARANTIDA“- Não se preocupe, garantimos todos os nossos serviços”. Boa frase de efeito, mas o problema é que muitos dos concorrentes no mercado do controle de pragas usam essa mesma frase e, o que é pior, alguns deles usam somente a frase, nada de garantia real. Todo mundo escuta “Satisfação garantida”. É possível até que alguns de nossos leitores já tenham em algum momento pinçado uma frase dessas e a tenha empregado em algum folder ou folheto da empresa. Só há um problema: dar essa “garantia” faz com que sua empresa fique igualzinha a outras tantas empresas do mesmo ramo. Isso provavelmente levará o cliente a pensar que todas as empresas controladoras são mais ou menos a mesma coisa e, portanto, pode contratar qualquer uma que não vai fazer diferença mesmo. Vamos aclarar as coisas: se você quiser se destacar da concorrência nesse item, vai ter que dar uma garantia bem mais forte e sólida que eles. Há algum tempo atrás, boa parte dos profissionais controladores de pragas achava que dar uma garantia diferenciada era dar um prazo maior para a validade de seus serviços; era comum encontrarmos “garantias” de seis meses, até um ano! Um absurdo, se lembrarmos que os inseticidas de uso permitido dentro das edificações, mesmo os de efeito residual prolongado, não persistem no ambiente muito mais que oito a 12 semanas e, assim mesmo, em condições extremamente favoráveis, o que não acontece na maioria das vezes. Durante muito tempo, imaginava-se que competir era simplesmente esticar os prazos de garantia dos serviços. O foco da tal “garantia” estava inteiro no tempo de validade dos serviços e dentro desse prazo, se necessário, se necessário mesmo, a empresa voltava para executar um "repasse". Felizmente esse tempo já acabou e as empresas sérias e responsáveis não embarcam nessa canoa furada. Na verdade, essa conduta suicida foi uma das maiores responsáveis pelo descrédito que o ramo do controle urbano de pragas experimentou nestes últimos, digamos, 30 anos, até que o quadro começasse a ser revertido e a verdade e o conhecimento técnico finalmente prevalecessem.
Contudo, o que significa a tal “Satisfação Garantida” tão usada comercialmente? Será que ao dizer isso ao seu cliente você não estaria dizendo que ao invés dele ficar “encantado” com o serviço que você prestou, vai ficar apenas “satisfeito”? Será que esse cliente não estaria desejando ficar agradavelmente surpreso com sua presteza, sua capacidade de resolver o problema dele? Será que o cliente não estaria, na verdade, querendo ficar orgulhoso dele mesmo por ter feito a escolha certa ao lhe contratar? De ter gasto muito bem seu “rico dinheirinho”? De não ter feito (novamente) o papel de otário? No entanto, há quem ainda fique dizendo por aí: Satisfação Garantida. E se seu cliente não ficar realmente satisfeito, o que vai ser? Você volta e trata novamente a casa inteira sem qualquer custo adicional? O prédio de escritórios? A indústria ou o armazém? Ou vai “pular fofo” simplesmente alegando que ele (o cliente) fez alguma coisa que comprometeu o tratamento?
Em biologia, sabemos, não existem as palavras “sempre e nunca”. Existe o conceito de maiores probabilidades. Um controlador de pragas, em última análise, lida com seres vivos e não com porcas e parafusos. Seres vivos são capazes de criar e exibir respostas individuais e mesmo coletivas a determinadas pressões e condições , frequentemente nos surpreendendo. A dita “garantia” então, dada por uma empresa controladora de pragas menos atenta, não deveria nunca se referir ao prazo de tempo “livre de pragas” criado pela imaginação fértil de seus técnicos. A garantia a ser dada é a certeza que o cliente deve receber de que haverá monitoramento posterior dos resultados, de que será prontamente atendido caso o problema retorne dentro de um espaço de tempo adequado, de que receberá orientações de manejo ambiental para evitar o problema e coisas desse tipo. Nunca “garantia de seis meses, garantia de um ano, garantia de três meses, garantia de cinco anos, etc, etc”.
Se você pretende se destacar sua empresa nesse concorrido mercado do controle de pragas dando uma garantia para valer, então você precisa dizer claramente ao seu cliente o que fará se ele não ficar inteira e completamente satisfeito
Pense nisso (enquanto eu preparo a segunda parte desse fascinante tema).
Obs: este resumido post, fez parte de uma palestra sobre “Garantia” que dei recentemente em uma reunião de empresas controladoras. Tivemos muitos, muitos debates mesmo!

KOSSIL COM NOVA DIREÇÃO


Acho que grande parte dos profissionais controladores de pragas conhece a Kossil de São Paulo, uma tradicional distribuidora de produtos e equipamentos empregados nesse ramo de negócios. Nas últimas décadas, D.Irene e Issao sempre estiveram à testa dos negócios administrando habilmente a empresa, embora pouco aparecessem no balcão de negócios. Trouxeram a empresa de seu tradicional endereço próximo ao Mercado Central (Pq. D.Pedro) para o novo, à R.Dom Antonio de Melo 82, no bairro da Luz na Capital paulista. Pois, chegou a hora de gozarem um merecido descanso em suas aposentadorias. Boas pescarias aguardam Issao, bons quitutes esperam por D.Irene.
De agora em diante, a Kossil será dirigida por um trio também bastante conhecido dos controladores: Osvaldo Sawasato, Sérgio Notomi e Douglas Walter de Oliveira, pratas da casa, assumem os negócios da empresa com propostas avançadas de competitividade. Como afirma o trio: “não existem negócios que não possam ser fechados, existem negócios apenas ainda não finalizados”.
Aproveitem a vida, Issao e D.Irene! Boa sorte Osvaldo, Sérgio e Douglas!

domingo, 9 de janeiro de 2011

MOMENTO CULTURA INUTIL III: LISTA NEGRA


Eu sei quem elaborou a primeira Lista Negra que se tem notícia! Lista Negra, como se sabe, é uma lista de nomes de pessoas que deverão receber castigo, segundo o entendimento de quem a elabora. Tem listas e listas negras nesse mundo... como tem! Tem muita lista negra pessoal, aquela em que o listado receberá no mínimo o desprezo, se não lhe for destinado algo pior. Tem listas negras coletivas onde um órgão, uma instituição, uma entidade, uma empresa, uma associação, um grupo relaciona as pessoas não desejáveis. Mas, no ano de 1649, o rei Charles I da Inglaterra, por razões políticas, foi deposto, preso e condenado à morte por um colegiado composto de 58 juízes. Cerca de onze anos depois, seu filho Charles II recuperou o trono e daí... já viu! Ordenou que fossem relacionados os nomes dos tais juízes que haviam julgado seu pai, dando origem imediatamente à primeira lista negra oficial da história, embora eu suspeite que tenha havido milhares de listas negras anteriores na história de humanidade. Pois bem, o resultado foi que dessa lista, oito já haviam morrido e dos 50 restantes que ainda estava vivos, 13 foram executados, 25 foram condenados à prisão perpétua e acabaram seus dias nas torres de Londres e o resto escapuliu para outras paragens e passaram o restante de seus dias na clandestinidade. Quer dizer, vida de juiz não é fácil.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

CULTURA INUTIL II: PRAGA


Mais uma “pérola” da cultura inútil. Antes de tudo, vamos desfazer um mal entendido bem comum: os textos sobre pragas editados em língua inglesa podem trazer certa confusão quando traduzidos para o português, falado ou escrito. Em inglês, praga (o animal infestante) é “pest” e peste (a doença) é “plague”. Já vi um texto em um folheto traduzido diretamente do inglês por alguém menos avisado que dizia mais ou menos assim: “... e essas moscas são uma verdadeira peste que entra nas residências e que ninguém tem como impedir”. Só se for na casa dele, porque na minha, a peste não entrará!
Originalmente, por definição, praga é um acontecimento inesperado que atinge multidões despreparadas para enfrentar seus riscos e efeitos, incluindo o de vida. O termo vem do latim plaga que significa “golpe inesperado”. Como ninguém espera ser afetado por uma praga, quando um animal invasor chegava e invadia, passou a ser também chamado de praga. Em espanhol, o termo original foi mantido (praga é “plaga”), mas em português passou a ser praga. A belíssima cidade de Praga, na República Tcheca (considerada uma das 1.000 cidades para serem visitadas antes de morrer), nada tem a ver com praga, é só uma coincidência fonética na tradução do nome tcheco Pragiyotisa (Estrela do Leste) em que a palavra Prag significa “ocidental”.

sábado, 1 de janeiro de 2011

E AGORA... FELIZ 2011!

Tomara que seja um ano produtivo, um ano cheio de sucessos e bons negócios, um novo ano de coisas boas, de fatos que a gente venha a se lembrar no futuro sempre com alegria, um ano cheio de novos conhecimentos e de novos clientes todos satisfeitos. Tomara que tenhamos saúde para aproveitar tudo isso. Tomara que nossas vidas sejam cheias de amor, muito amor. Tomara possamos passar mais tempo com nossas famílias, nossos pais, nossos filhos, nossos irmãos, nossos netos, aqueles primos que raramente vemos, nossos tios e... nossos amigos.
Feliz novo ano a todos nossos leitores, com sinceridade!