Caramba! E não é que já recebemos 30.000 visitantes no blog do Higiene Atual! Eu disse que só voltaria ao assunto quando chegássemos a essa marca, pois aqui estamos. A essa comemoração, quase não testemunho (esconjuro!) e por isso tem um sabor especial. Nosso contador “dedo duro”, aquele programinha que nos conta on line de onde estão acessando e em que momento isso ocorre (vide na coluna à esquerda), nos informa que o blog recebe visitantes dos mais diferentes Estados brasileiros e também do exterior; tudo muito às claras e com transparência para que ninguém duvide. Nosso programinha de mensagens curtas (interativo) continua recebendo manifestações e sugestões de temas de nossos leitores (coluna igualmente à esquerda da tela principal). Enfim, nosso blog continua atendendo aos objetivos para os quais foi criado: um canal aberto com profissionais controladores de pragas e interessados em temas similares. Que bom!
Grato a todos que nos têm visitado. Volto a comemorar só quando chegarmos a 40.000 visitas, OK?
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
domingo, 28 de agosto de 2011
QUANDO SE TRATA DE COMER, OS RATOS SEGUEM SEU OLFATO
Adoro o cheiro inebriante de um cafezinho sendo preparado, até mais que seu gosto. Será que se eu não sentisse cheiros os gostos seriam iguais ao que sinto hoje? Até que ponto o gosto depende do olfato? Essas perguntas estão sendo feitas pelo pesquisador Don Katz, um professor de psicologia e neurociência, e sua equipe, ao investigar um curioso comportamento de ratos. Segundo o professor Katz, os ratos escolhem o que preferem comer (quando há mais de uma opção) a partir do odor exalado pelo hálito de outros ratos. Isso é verdade mesmo quando os ratos são confrontados com gostos muito amargos como o cacau in natura, um alimento que usualmente não lhes interessa. Como os ratos são animais sociais, o experimento está sendo conduzido em condições de laboratório, mas os pesquisadores assumem que o mesmo comportamento ocorra em vida livre.
O experimento consiste em uma sessão chamada de “treinamento” e outra chamada de “teste”. Na primeira parte, um rato é colocado na presença de outro rato que acabara de comer certo alimento; o primeiro rato era então colocado frente a diferentes alimentos e ele sempre ia comer o que havia cheirado no hálito do segundo rato. Mas se após exposto ao hálito do que havia comido o alimento, o rato “cheirador” tinha seu senso de olfatar suprimido (através de uma pequena incisão no córtex cerebral isolando o centro primário do olfato), ele buscava qualquer alimento indistintamente. Todavia, quando o centro desativado era o do gosto, o rato seguia buscando aquele alimento que anteriormente havia sentido no hálito do rato que havia se alimentado.
O prof. Katz afirma que esses estudos ajudarão a compreender melhor a inter relação entre olfato e paladar no ser humano, já que uma série de intercorrências afetam o sentido do olfato em pessoas.
Enquanto isso, nós, os controladores de pragas, aprendemos um pouquinho mais sobre a neurofisiologia dos roedores, não é?
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olfato dos roedores
terça-feira, 23 de agosto de 2011
VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DA BARATA SURINAMENSE (Pycnocelus surinamensis)?
Há alguns anos atrás, ainda no tempo em que o Higiene Atual era um periódico impresso (do qual fui o Editor) editado e distribuído por um laboratório produtor de biocidas onde trabalhei por muitos anos, a bióloga Lucy Ramos Figueiredo (atual Diretora Técnica da ABCVP), alertava sobre a entrada no Brasil de uma então nova espécie de barata, a Pycnocelus surinamensis, a barata surinamense. De lá para cá, ainda que nenhum estudo específico tenha sido efetuado em nosso país, escuta-se muitos relatos de profissionais controladores de pragas de diferentes regiões do país descrevendo, com dúvidas, a ocorrência de uma certa barata infestando caracteristicamente alguns clientes. Então vamos fazer um rápido resumo dessa barata, até para que os leitores possam identificá-la e combatê-la corretamente.
A barata surinamense é uma comedora de plantas e raízes que escava o solo para se esconder ou se mistura ao lixo na superfície. É capaz de atacar diferentes tipos de plantas no jardim e nos vasos ornamentais, entrando dessa forma no interior de residências e outros estabelecimentos. Embora não seja uma barata que possa ser considerada estritamente uma praga, a barata surinamense representa um incômodo nas dependências onde haja plantas ornamentais. Por não ser muito comum, frequentemente é confundida com a barata de esgoto (P.americana) ou mesmo com a barata oriental (B.orientalis). Essa espécie é de tamanho moderado (18 a 25 mm de comprimento), com asas que se estendem além do corpo; seu pronoto (a parte anterior do corpo) é escuro e as asas têm um tom ligeiramente esverdeado. Suas ootecas são guardadas pelas fêmeas dentro do corpo até o momento da eclosão (ela produz até três ootecas com aproximadamente 26 ovos em cada uma); as ninfas alcançam a maturidade em mais ou menos 140 dias e depois de adultas, vivem cerca de 307 dias.
Não se sabe muito ainda sobre a biologia da barata surinamense, mas há coisas interessantes a observar. Uma delas: até hoje nunca foi descoberto um macho nessa espécie, o que sugere fortemente que ela seja partenogenética, isto é, a fêmea reproduz-se sozinha, como ocorre nos escorpiões amarelos (Tytius serrulatus). Têm hábitos noturnos e dão extensos passeios antes de voltar a seus abrigos para passar o dia. Sabem quem a descreveu cientificamente? Carlos Lineu, aquele! Danado!
Felizmente são sensíveis a qualquer tipo de inseticida empregado usualmente contra baratas. Vasos com plantas ornamentais devem ser adequadamente tratados e lixo solto deve ser removido nos ambientes infestados pela barata surinamense.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
OLHA SÓ: ANTIBIÓTICO NO COMBATE A CUPINS!
Há muitos cientistas pesquisando novos compostos e abordagens para o controle de pragas no mundo inteiro. Só isso já nos dá uma ideia de quão importante esse tema se tornou, mobilizando milhões de dólares por ano. Algumas dessas pesquisas não levam a lugar nenhum e nem chegam a ser divulgadas. Outras, todavia, parecem ser promissoras e ganham certo destaque na mídia e nos círculos técnicos.
A revista científica ScienceDaily, edição de 19 de julho último, trouxe uma nota muito interessante citando um trabalho veiculado pelo jornal Applied and Environmental Microbiology, edição também de julho/2011, 77 (13), de autoria dos pesquisadores R. B. Rosengaus, C. N. Zecher, K. F. Schultheis, R. M. Brucker e S. R. Bordenstein, cientistas da Universidade Northeastern de Boston, Massachussets.
Como sabemos, a flora bacteriana do trato digestivo dos cupins é absolutamente necessária tanto para processar a digestão da celulose, quanto para sua reprodução.
Aliás, essa flora dos cupins é sempre citada como o caso mais clássico de simbiose da Natureza (onde os dois seres tiram proveito mútuo). Pois bem, um grupo de cientistas pensou em estudar o que aconteceria se essa flora bacteriana fosse eliminada. Queriam saber se dando algum antibiótico aos cupins, algum que fosse eficaz na eliminação das bactérias existentes no trato digestivo dos cupins, o que ocorreria com esses cupins. Parece uma ideia interessante, não parece? Sugere que certas novas tecnologias possam advir dessa pesquisa para controlarmos insetos sociais como os cupins.
A Dra. Rebecca Rosengaus, porta voz do grupo, conta que a um grupo experimental de cupins (reis e rainhas), foi dado o antibiótico rifampina, enquanto a outro grupo, atuando como grupo testemunha, foi dado apenas madeira e água. O tratamento com o antibiótico reduziu em caráter permanente a diversidade das bactérias microbiontes do trato digestivo dos cupins. Embora a taxa de mortalidade nesse grupo fosse mais alta que no grupo testemunha, os pesquisadores não acham que isso se deu devido subnutrição ou mesmo desnutrição. O que observaram é que nos indivíduos sobreviventes, ocorreu queda na oviposição, o que resultou em retardo no crescimento da colônia e também redução do estado de saúde dessa colônia. “Esses resultados apontam para o potencial uso de antibióticos no controle de cupins e talvez outros insetos pragas, ao invés do emprego de compostos químicos agressivos ao ambiente”, diz a Dra Rosengaus. Ela ainda especula que a rifampina reduziu a fertilidade e a longevidade dos cupins tratados, ao desequilibrar a balança ideal das diferentes espécies de bactérias do trato digestivo que atuam na digestão da celulose, mas também na reprodução dos cupins. Ela ainda especula sobre o ainda desconhecido verdadeiro papel da flora digestiva de outra espécie social: os seres humanos!
Está aí, portanto, uma nova vertente de estudos e quem sabe, um dia, não venhamos a aplicar... antibiótico para controlar cupins!
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011
QUEM É O PROFISSIONAL CONTROLADOR DE PRAGAS?
Certa vez, há muito tempo atrás, estou falando possivelmente cerca de 13 ou 15 milhões de anos atrás, um milhão a mais ou um milhão a menos, um grupo de humanóides, nossos antepassados primitivos, encontrou um temível tigre de dentes de sabre preso dentro de um buraco onde havia caído e donde não conseguia sair. O grupo exultava, pois ali estava um bocado de alimento disponível, bastando abater o poderoso animal. Lá no meio desse grupo, um tátara-tátara-arqui-avô nosso, não viu só isso. Ele viu uma maneira de capturar outro tigre ou outro animal que pudesse se transformar em alimento para o grupo. Tentando, errando, corrigindo, novamente tentando e ele finalmente conseguiu montar uma armadilha razoavelmente bem sucedida. Virou celebridade instantânea na tribo! Teria sido ele o precursor dos atuais profissionais controladores de pragas? Gosto de pensar que sim.
Vamos dar um extraordinário salto na história. Já é a primeira metade do século passado, o século XX. A civilização havia avançado incrivelmente, os conhecimentos, o saber, as cidades já haviam se organizado, as classes sociais se estratificaram, a evolução sócio/econômica/cultural havia progredido de maneira notável. As descobertas científicas aconteciam quase que diariamente e os jornais e revistas se encarregavam de divulgar os novos acontecimentos. Já havia o conceito de pragas mais ou menos estabelecido há alguns séculos. No campo, eram os animais (insetos ou mamíferos, em princípio) que atacavam as lavouras produtoras de alimentos e os depósitos de armazenagem após sua colheita. Nas cidades, eram todos os “bichos” que adentravam às nossas casas, armazéns, depósitos, estabelecimentos e indústrias e nos causavam toda sorte de problemas. O que não existia era um combate razoavelmente bem sucedido. Nessa altura, desde o século anterior, a sociedade começou a desejar que existisse um profissional capaz de aliviar a pressão das pragas em todos os sentidos. Obviamente não demorou muito para que surgisse um tipo de profissional que se dedicasse a esse nicho de mercado. Tendo adquirido alguns conhecimentos técnicos nos ainda poucos escritos da época e armado de artefatos, ervas e certos pós minerais ou orgânicos, lá ia nosso precursor se propondo a controlar pragas infestantes em diferentes tipos de locais. Tarefa ingrata, pois os resultados nunca eram satisfatórios. Na verdade, nosso amigo era em certas comunas, considerado um cidadão de segunda classe, posto que para exercer seu trabalho, tinha que se meter em esgotos, porões e outros locais onde a maioria das pessoas passava longe e torcia o nariz. E ele fazia o que podia usando as armas que dispunha; os inseticidas eram à base de infusões de tabaco, extratos de rotenona, certos compostos minerais como o tálio, o arsênico, o ácido bórico e outros compostos de risco e resultados duvidosos. Às vezes dava certo, às vezes não.
Já por volta de 40 a indústria química buscava compostos orgânicos sintéticos que fossem capazes de eliminar pragas da lavoura, uma vez que a demanda por alimentos havia crescido enormemente e grande parte das colheitas eram destruídas por determinadas pragas infestantes. Finalmente, em 1938, foi descoberto o famoso DDT que, na verdade, havia sido sintetizado 10 anos antes na Suíça, mas que ficara esquecido em alguma gaveta. Esse novo composto abria uma nova e incrível era no combate e controle das pragas na lavoura e, por extensão, nas cidades. Finalmente tornou-se possível praticar um controle efetivo e consistente. Na esteira do sucesso do DDT vieram outros inseticidas organoclorados como o BHC, o eldrin e o dieldrin. O profissional controlador de pragas ganhou um novo alento e, afinal, um status social alavancado pelo desejo crescente da sociedade em se livrar de certas pragas com as quais era obrigada a conviver até então. Naturalmente a lavoura agradeceu, a saúde pública agradeceu e o cidadão comum agradeceu. Vieram depois os organofosforados menos agressivos ao ambiente, os carbamatos, e os piretróides e os IDIs, sem esquecer os warfarínicos tão efetivos e eficazes no combate aos roedores. Ao mesmo tempo, os conhecimentos sobre os mais diferentes aspectos da biologia, bioquímica e o contexto das pragas nas biocenoses e ambientes, evoluíam de forma galopante.
E assim chegamos a nossos dias atuais. O profissional controlador de pragas passou a ter um papel exclusivo dentro do contexto social. O que temos hoje em todo o mundo? Empresas de todos os portes e tamanhos militando nessa especialidade profissional com grande sucesso comercial, algumas delas com base familiar e outras como negócio comercial, formando uma verdadeira indústria potencialmente geradora de milhões de dólares e dando empregos a um incontável número de profissionais de diferentes tipos. Quem é afinal, o profissional controlador de pragas? É apenas o operador que coloca um equipamento às costas e sai aplicando certos compostos químicos para onde é chamado? Negativo! É também o atendente telefônico que passa oito horas por dia recebendo os chamados e lidando com a clientela e é seu colega que organiza os chamados e prepara os roteiros das equipes. É o chefe da equipe de campo que a acompanha preparando tudo para que o tratamento possa surtir resultados. É o Responsável Técnico sempre preocupado com as operações e buscando novos conhecimentos. É a secretária e demais componentes da equipe administrativa da empresa. É o atarefado comprador, o contador e o almoxarife. É o porteiro e a faxineira. E é também o gerente e até o próprio dono da empresa. Todos são profissionais controladores de pragas. Juntos, lutam diariamente para manter seus negócios, mas ao mesmo tempo propiciando uma melhor qualidade de vida para sua clientela ao criar ambientes de moradia ou de trabalho livres de pragas ou com seus níveis sob controle. Preservam a saúde do ser humano, melhoram o bem estar das pessoas.
E olhem, se precisarem adentrar a uma rede de esgotos ou algum porão escuro, o fazem sem medo, pois o conhecimento técnico e especializado que adquiriram, os protegem!
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quinta-feira, 30 de junho de 2011
O CHEIRO DO PERIGO
Os mecanismos dos comportamentos instintivos são misteriosos, como era até agora a simples reação de perceber e evadir-se de predadores que os camundongos apresentam, inclusive percebendo outras espécies perigosas que ele nunca havia encontrado anteriormente. David Ferrero e Stephen Liberles, ambos neurocientistas da Escola Médica de Harvard, descobriram um composto único encontrado em altas concentrações na urina de carnívoros, o qual dispara uma reação instintiva de repelência em camundongos e ratos fazendo com que eles protejam-se em fuga; os pesquisadores publicaram um interessante trabalho nos anais da Academia Nacional de Ciência (online) de junho 2011. Essa pesquisa havia começado em 2006 quando Liberles trabalhava com neurônios receptores de odores e identificou a que odor o TAAR4 respondia. Os camundongos têm cerca de 1.200 tipos diferentes de neurônios receptores de odores e 14 tipos de TAARs, razão pela qual seu olfato é tão apurado. Só para que avaliemos, a espécie humana tem cerca de 350 tipos de neurônios que identificam odores e aproximadamente cinco TAARS. Enquanto isso, no mesmo laboratório, David Ferrero, um estudante graduado, pesquisava que compostos naturais eram detectados pelos TAARs e descobriu que um deles era capaz de detectar o odor de diversos carnívoros(o TAAR4). A dupla juntou suas pesquisas e parece que eles haviam descoberto um “kairomônio”, um composto químico que funcionava como feromônio, exceto que era percebido por diferentes espécies ao invés de apenas entre membros de uma mesma espécie. Esse kairomônio é bastante volátil e assim, ratos e camundongos podiam senti-lo a grande distância, o que os colocava em alerta e disparava o mecanismo de fuga dependendo de sua intensidade. Para os roedores isso é “cheiro de perigo”. Ferrero identificou o composto contido na urina de predadores (2-feniletilamina) produzido pelo metabolismo dessas espécies, o qual dispara o mecanismo de fuga nos roedores. Em seguida ele estudou a urina de 38 espécies de mamíferos e descobriu que havia altos teores do 2-feniletilamina em 18 a 19 espécies, todos carnívoros; enquanto que a urina de mamíferos não predadores (como o coelho, a girafa e macacos) não continha esse composto. Os roedores testados para esse composto manifestavam alto poder de repelência aas urinas dos predadores e quando esse composto era retirado dessas urinas, os roedores deixavam de responder com fuga. Nós os humanos, não temos o gene que produz os neurônios TAAR4 e portanto, nada percebemos ao sentirmos o odor de carnívoros, mas temos o TAAR5 que registra reação de forte repugnância a certos odores.
A importância dessas pesquisas é grande e variada. Pode ser um começo para que desenvolvamos produtos capazes de realmente afugentar roedores de certa área. O tempo dirá.
Este post foi baseado e adaptado de revista online Science Daily de 28/06/2011
A importância dessas pesquisas é grande e variada. Pode ser um começo para que desenvolvamos produtos capazes de realmente afugentar roedores de certa área. O tempo dirá.Este post foi baseado e adaptado de revista online Science Daily de 28/06/2011
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terça-feira, 28 de junho de 2011
TRATAMENTO DO RIO PINHEIROS CONTRA O MOSQUITO CULEX
Uma das responsabilidades do CCZ/SP – Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo - é o monitoramento e controle dos criadouros de mosquitos em certos pontos do Rio Pinheiros, um rio poluído que atravessa parcialmente a cidade de São Paulo e deságua no também poluído Rio Tietê. Próximo a esse deságue o Rio Pinheiros executa uma curva que torna suas águas naturalmente mais lentas; essa condição somada a outras bem peculiares, faz com que ali se mantenham criadouros permanentes de mosquitos, notadamente o Culex quinquefasciatus, causando sérios transtornos aos moradores da região. Há anos o combate químico vem sendo executado pelo CCZ com resultados variáveis. Neste ano os técnicos do CCZ planejaram experimentar uma nova técnica de combate: aspersão aérea de Bacillus sphoericus em formulação granulada sobre os conhecidos focos naquele Rio (vide post anterior sobre esse assunto). Questões técnicas ligadas à permissão do vôo do helicóptero que aplicaria o produto retardaram a operação, mas ela acabou, finalmente, acontecendo. O biólogo Carlos Madeira que lidera a equipe responsável por esse ensaio, nos conta que inicialmente estava previsto o tratamento de uma área de 11,4 ha, mas por razões de segurança do vôo (a referida área fica relativamente próxima ao aeroporto de Congonhas, é rota de pouso de aviões e há pontes cruzando o rio com trânsito intenso de autos), a área teste foi diminuída para 8,6 há. Para garantir a segurança dos veículos passantes nas pontes, um trecho delimitado em 100 m antes de depois de cada ponte não foi tratado. Pontos de monitoramento foram previamente escolhidos, para leituras antes e depois do tratamento. C onta-nos Carlos Madeira que no dia 17/6 testes de calibração do equipamento aplicador apontaram a dosagem de 40 kg/ha, com lançamento de 18,1 kg por minuto, enquanto o helicóptero voava a 30 m do solo a uma velocidade de 80 km/h. Com esses parâmetros, foram aplicados na área teste aproximadamente 400 kg do B.S. granulado.
Pode ser que o leitor menos avisado ache que esse tratamento seja algo simples e que já é de conhecimento e uso corriqueiro em outros países, pois às vezes essa prática é até divulgada em noticiários televisivos. Pois não é não! Todo um planejamento técnico minucioso precede à aplicação propriamente dita e as variáveis envolvidas são por demais complexas para que o teste tenha valor científico. Afinal, o que se pretende nesse tratamento em massa, é uma avaliação final sobre os resultados obtidos, servindo de base para a decisão de adotar ou não o método da aspersão aérea em um centro urbano densamente povoado como a metrópole São Paulo. Quem trabalha em um órgão público de controle de zoonoses e de certas pragas transmissoras, entende o valor que o ensaio tem. Esperamos que a equipe responsável nos informe sobre os resultados obtidos assim que possível, para que possamos divulgar aos leitores deste blog.
A foto acima mostra a área do ensaio demarcada e em vermelho, os pontos não aplicados. Parabéns pelo excelente trabalho moçada!
Pode ser que o leitor menos avisado ache que esse tratamento seja algo simples e que já é de conhecimento e uso corriqueiro em outros países, pois às vezes essa prática é até divulgada em noticiários televisivos. Pois não é não! Todo um planejamento técnico minucioso precede à aplicação propriamente dita e as variáveis envolvidas são por demais complexas para que o teste tenha valor científico. Afinal, o que se pretende nesse tratamento em massa, é uma avaliação final sobre os resultados obtidos, servindo de base para a decisão de adotar ou não o método da aspersão aérea em um centro urbano densamente povoado como a metrópole São Paulo. Quem trabalha em um órgão público de controle de zoonoses e de certas pragas transmissoras, entende o valor que o ensaio tem. Esperamos que a equipe responsável nos informe sobre os resultados obtidos assim que possível, para que possamos divulgar aos leitores deste blog.
A foto acima mostra a área do ensaio demarcada e em vermelho, os pontos não aplicados. Parabéns pelo excelente trabalho moçada!
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sábado, 18 de junho de 2011
PRINCIPAIS DÚVIDAS NA APLICAÇÃO DE FORMULAÇÕES INSETICIDAS
Raramente encontraremos inseticidas na sua formulação técnica, ou seja, o ingrediente ativo (i.a.) puro, na concentração de 100%. O que temos à disposição no mercado são formulações em diferentes concentrações do i.a. mais alguns outros componentes químicos que desenham a formulação final, variando de fabricante para fabricante. Esses outros componentes da fórmula podem ser diluentes, solventes, emulsificantes, estabilizantes, etc. As formulações mais comuns podem ser: concentrados emulsionáveis (CE), pós secos (DP), pós molháveis (WP), microencapsulados (CS), aerossóis e algumas outras. (Os inseticidas secos podem ser iscas, grânulos, géis e pós).
A escolha da formulação a ser utilizada pode ser tão importante quanto à própria escolha do i.a. Por isso, antes de sairmos comprando diferentes formulações, o profissional deve ter um conhecimento prévio da área alvo onde vai empregar os biocidas, razão pela qual a inspeção prévia torna-se mais que necessária. Considere, antes de tudo, as questões abaixo:
1. As formulações podem ser aplicadas em áreas sensíveis de forma segura?
Áreas sensíveis incluem certas áreas de alimentos nos estabelecimentos alimentícios, áreas hospitalares, salas de aula, certas áreas dos zoológicos, etc. São áreas onde as precauções especiais devem ser consideradas antes de aplicar qualquer produto. Preste atenção aos rótulos dos produtos para verificar se eles têm liberação para o tipo de área em que se pretende aplicá-los. Produtos de longo efeito residual, nessas áreas devem ser restritos a aplicação localizada em gretas, fendas, rachaduras e desvãos. Selecione formulações de baixo odor e baixa tensão de vapor. Em áreas sensíveis, géis e iscas são ótimas opções.
2. A formulação escolhida pode afetar plantas (fitotóxicas)?
A fitotoxicidade pode ocorrer com mais freqüência quando se empregam formulações líquidas CE que contenham solventes. Dê preferência a pós molháveis, suspensões e microencapsulados. Evite tratar plantas durante as horas mais quentes do dia e as expostas diretamente à luz solar. Se houver dúvidas quanto à formulação escolhida, faça um préteste no dia anterior tratando apenas uma pequena porção da planta; aguarde 24 horas e avalie os efeitos. Se essa porção tratada exibir diferenças com relação ao resto da planta, não empregue essa formulação, escolha outra.
3. A formulação escolhida é eficiente e eficaz contra os insetos alvos?
Leia o rótulo! A indicação contra esta ou aquela espécie alvo tem que estar indicada no rótulo do produto. Se a espécie alvo for um inseto rasteiro, aplique nos pontos de passagem desses insetos e principalmente em pontos de possível esconderijo. Talvez a opção por formulações sólidas possa ser mais apropriada (isca ou gel).
4. As formulações têm igual efeito em qualquer tipo de superfície a ser tratada?
Definitivamente não! Superfícies porosas, por exemplo, absorvem boa parte da calda aplicada, reduzindo substancialmente o efeito final do produto (concreto, paredes caiadas, superfícies de madeira crua, gesso, etc). Nessas superfícies é preferível optar por formulações como os pós solúveis, os pós molháveis, as suspensões concentradas e os microencapsulados. Exemplos de superfícies semi porosas: látex, madeira envernizada, vinil e fórmica. Exemplos de superfícies não porosas: metálicas, vidro, cerâmica.
5. Como certos fatores ambientais (temperatura, umidade e luz) podem afetar as formulações?
Alguns fatores ambientais começam a agir sobre as formulações inseticidas assim que aplicadas, podendo reduzir significativamente a meia vida do produto escolhido. As altas temperaturas ambientais comprovadamente reduzem a eficácia dos inseticidas, principalmente dos organofosforados. A umidade também pode reduzir a meia vida e o efeito de certas formulações, dependendo do tipo de superfície onde foram aplicadas. Geralmente inseticidas de alta tensão de vapor volatilizam (ou seja, evaporam das superfícies tratadas) mais rapidamente do que os i.a. com baixa tensão de vapor. A perda do efeito residual pela volatilização é maior nas superfícies não porosas. A informação sobre a tensão de vapor de cada i.a. pode ser obtida na folha de informação que todo produto tem, a MSDS (Material Safety Data Sheet), que pode ser fornecida pelo respectivo fabricante. Observe, todavia, que a tensão de vapor de um i.a. pode ser alterada segundo a formulação do produto; por exemplo, a microencapsulação protege o i.a. tornando-o praticamente não volátil. Outros fatores ambientais podem também atuar sobre o produto aplicado como, por exemplo, os raios ultravioletas da luz solar (fotodecomposição). Correntes de ar pode igualmente afetar o biocida aplicado volatilizando-o mais rapidamente. Todos esses fatores podem ser minimizados se adotarmos a técnica de pulverização direta em frestas, gretas, rachaduras e desvãos.
6. As formulações se misturam facilmente com outros inseticidas na calda a ser pulverizada?
Diferentemente dos produtos para pronto uso (ex: iscas, pós, grânulos, aerossóis e géis), os profissionais fazem bastante uso de misturas de tanque. Algumas formulações são mais fáceis de manejar que outras. Formulações líquidas como os CE, os SC e os CS são geralmente preferidas às formulações secas, como os pós molháveis WP, embora os pós embalados em saquinhos solúveis já tenham resolvido essa questão. Em caso de dúvida, sempre teste a mistura escolhida no laboratório da empresa antes de usá-la a campo.
7. A calda pode deixar resíduos aparentes?
Pode sim, especialmente se estivermos empregando formulações em pó. Em ambientes fechados é preferível optar por formulações líquidas como os CE, SC ou CS. Outra coisa: verifique antes de aplicar se a parede já não está coberta por poeira; se estiver, certamente haverá manchas escorridas quando você pulverizar sua calda. Olho vivo!
segunda-feira, 13 de junho de 2011
ARMADILHINHAS SALVADORAS CONTRA MOSQUITOS – NÃO FAÇA!
Recebi por Internet mais um desses prolíferos e-mails contendo passo a passo as instruções para fazer em casa mesmo uma estupefaciente armadilha para acabar com o mosquito da dengue. Resolvi consultar quem entende antes de sair veiculando no blog, o qual, modéstia à parte (e com muito orgulho), parece ser formador de opinião. Vejam só a “receita”:200 ml de água quente,50 g de açúcar mascavo,
1 g de levedura (fermento biológico para pães, encontrado em qualquer supermercado ) e
1 garrafa plástica de 2 litros
Como fazer:
1. Corte uma garrafa de plástico (tipo PET) ao meio. Guardar a parte do gargalo:
2. Misture o açúcar mascavo com água quente. Deixe esfriar. Depois de frio despeje na metade de baixo da garrafa.
3. Acrescentar a Levedura . Não há necessidade de misturar. Ela criará dióxido de carbono.
4. Colocar a parte do funil, virada para baixo, dentro da outra metade da garrafa.
5. Enrolar a garrafa com algo preto, menos a parte de cima, e colocar em algum canto de sua casa.
6. Em duas semanas você vai ver a quantidade de pernilongos e mosquitos que morreram dentro da garrafa.
Uma graça, não é? Então fui perguntar diretamente ao Prof. Carlos Fernando Andrade Depto. BioAnimal - IB / LEPAC – Paraty – UNICAMP que havia publicado uma interessante matéria na Revista da ABCVP (edição de n˚. 25 de maio de 2010) sob o título de “Estratégias estrambólicas, inócuas ou inseguras para o controle do vetor da dengue” em coautoria com Isaias Cabrini. Nessa matéria os autores analisam esse incrível mundo de “gadgets” (parafernálias, em bom português) que surgem todo dia veiculados principalmente pela internet e que quase todos acabam acreditando como se verdade fosse. Vou transcrever exatamente o que disse a respeito o Prof. Carlos:
ATENÇÃO PESSOAL, ISSO NÃO É SENSACIONAL!
É FÁCIL DE FAZER, MAS NÃO TEM GRANDE UTILIDADE EM QUALQUER SITUAÇÃO: RESIDÊNCIAS, ESCRITÓRIOS, COMÉRCIO, INDÚSTRIAS ETC.
NÃO REPASSEM O MÁXIMO QUE PUDEREM.
NÃO VAMOS TER MAIS SOSSEGO E NEM SEQUER COOPERAR PARA A ERRADICAÇÃO DOS MOSQUITOS DA DENGUE E OUTROS.
SE QUISER FAZER, TUDO BEM, E ESTIMULEM SEUS VIZINHOS A FAZEREM ESSA ARMADILHA A OPÇÃO É SUA... MAS DEPOIS ME CONTA, DE CADA 10 QUE VOCÊ ESTIMULOU, QUANTOS FIZERAM?.
É BOBAGEM R E P A S S AR, E NÃO VAI MULTIPLICAR O COMBATE.
E NÃO SERVE PARA QUALQUER PERNILONGO, NEM MESMO O DA DENGUE, MOSQUITOS e INSETOS VOADORES:
Mais claro que isso é impossível, não acham?
1 g de levedura (fermento biológico para pães, encontrado em qualquer supermercado ) e
1 garrafa plástica de 2 litros
Como fazer:
1. Corte uma garrafa de plástico (tipo PET) ao meio. Guardar a parte do gargalo:
2. Misture o açúcar mascavo com água quente. Deixe esfriar. Depois de frio despeje na metade de baixo da garrafa.
3. Acrescentar a Levedura . Não há necessidade de misturar. Ela criará dióxido de carbono.
4. Colocar a parte do funil, virada para baixo, dentro da outra metade da garrafa.
5. Enrolar a garrafa com algo preto, menos a parte de cima, e colocar em algum canto de sua casa.
6. Em duas semanas você vai ver a quantidade de pernilongos e mosquitos que morreram dentro da garrafa.
Uma graça, não é? Então fui perguntar diretamente ao Prof. Carlos Fernando Andrade Depto. BioAnimal - IB / LEPAC – Paraty – UNICAMP que havia publicado uma interessante matéria na Revista da ABCVP (edição de n˚. 25 de maio de 2010) sob o título de “Estratégias estrambólicas, inócuas ou inseguras para o controle do vetor da dengue” em coautoria com Isaias Cabrini. Nessa matéria os autores analisam esse incrível mundo de “gadgets” (parafernálias, em bom português) que surgem todo dia veiculados principalmente pela internet e que quase todos acabam acreditando como se verdade fosse. Vou transcrever exatamente o que disse a respeito o Prof. Carlos:
ATENÇÃO PESSOAL, ISSO NÃO É SENSACIONAL!
É FÁCIL DE FAZER, MAS NÃO TEM GRANDE UTILIDADE EM QUALQUER SITUAÇÃO: RESIDÊNCIAS, ESCRITÓRIOS, COMÉRCIO, INDÚSTRIAS ETC.
NÃO REPASSEM O MÁXIMO QUE PUDEREM.
NÃO VAMOS TER MAIS SOSSEGO E NEM SEQUER COOPERAR PARA A ERRADICAÇÃO DOS MOSQUITOS DA DENGUE E OUTROS.
SE QUISER FAZER, TUDO BEM, E ESTIMULEM SEUS VIZINHOS A FAZEREM ESSA ARMADILHA A OPÇÃO É SUA... MAS DEPOIS ME CONTA, DE CADA 10 QUE VOCÊ ESTIMULOU, QUANTOS FIZERAM?.
É BOBAGEM R E P A S S AR, E NÃO VAI MULTIPLICAR O COMBATE.
E NÃO SERVE PARA QUALQUER PERNILONGO, NEM MESMO O DA DENGUE, MOSQUITOS e INSETOS VOADORES:
Mais claro que isso é impossível, não acham?
quarta-feira, 8 de junho de 2011
O IMPACTO AMBIENTAL DE UMA SIMPLES LÂMPADA DE RUA
Um dia desses, estava eu calmamente sentado na varanda de minha casa no final do dia, começo da noite, lendo gostosamente um bom livro sobre Mitologia greco-romana (tema que sempre me interessou). Gosto muito desse momento que divide o dia da noite, porque as cores se intensificam e a Natureza nunca me negou um espetáculo diferente todos os dias. Era início de outono com os dias ainda bem quentes e noites tépidas. Minha auxiliar (a quem dou um valor inestimável) interrompeu minha leitura com um gostoso cafezinho feito na hora, de presença denunciada pelo aroma provocador. Depositei o livro sobre a mesinha ao lado e, devagar, comecei a saborear o delicioso cafezinho enquanto minha mente vagava livremente entre o labirinto de Dédalo, as tintas fortes do por do sol (vocês já repararam que o por do sol no outono e inverno fica particularmente colorido?) e a luz do poste que fica bem em frente à minha casa, onde centenas de pequenas mariposas já iniciavam seu bailado mortal. Percebo, quase sem querer, que dezenas e dezenas dessas mariposinhas jê haviam caído ao chão, moribundas, enquanto outras tantas, como se não apercebendo do risco, voavam e círculos em torno do bulbo de sódio da lâmpada no poste. Minha cabeça passou a se concentrar nesse pequeno átomo que compunha o momento e me levantei para ver mais de perto o fenômeno. Não que eu nunca tivesse visto essas cenas, ao contrário, mas naquele dia e naquele instante comecei a conjecturar sobre as razões e os por quês desse fenômeno e suas consequências. Colhi com as mãos um ou dois exemplares dessa mariposinhas, dois que me pareceram robustos e fortes. Ambos estavam exaustos, mal conseguindo fibrilar suas asas. Imaginei quantos descendentes deixariam de ser gerados por aquele simples par de mariposas, simplesmente porque cederam a seus impulsos naturais e esvoaçaram por algum tempo em torno da falsa luz de um poste. No chão, ao redor do poste, havia pelo menos cem mariposas e outros insetos voadores de todos os tamanhos e espécies, mortos ou moribundos. Um pensamento leva a outro que leva a outro e decidi fazer uma pequena pesquisa sobre esse tema.
Descobri que dois terços da proteína animal consumida no mundo provêm dos insetos, de forma direta ou indireta. Estes formam a base da cadeia alimentar, da pirâmide predador-presa. Não pude deixar de imaginar que se por alguma razão essa base é erodida, toda a pirâmide tende a esboroar-se. Depois de alguns anos de janela, cheguei à conclusão que ser preservacionista não se trata de sair por aí abraçando árvores. Trata-se muito mais de atitude, de percepção do entorno, da valorização consciente da biocenose que compõe um dado ambiente que devem ser preservados, deixando um legado para nossos filhos e netos. Sem nenhuma pretensão de ser um especialista, comecei a imaginar qual seria o impacto de uma simples lâmpada elétrica teria sobre a fauna noturna de insetos e outros seres. Percebo de imediato que se por um lado essa lâmpada quebrando a escuridão da minha rua vai atrair centenas de insetos voadores e condená-los à morte prematura, por outro lado vai favorecer grandemente a um conjunto de predadores que vão se aproveitar do estado de desorientação e cansaço daquelas presas incautas; rãs e sapos sabem perfeitamente que se aproximando de um poste com lâmpada elétrica, é garantia de uma suculenta refeição sem maiores esforços. Nesse breve intervalo entre dia e noite, pequenos pássaros de rápido vôo caçam mariposas e outros insetos voadores atraídos pela luz, assim como fazem morcegos insetívoros. Certas formigas também se banqueteiam com cadáveres dos insetos voadores abatidos.
Na verdade, essas mariposas e outros insetos noturnos, trazem impresso em seu DNA a atração pela luz da lua quando vão parear-se e nada as confundem mais que uma lâmpada elétrica acesa. Atraídas pelas luzes, volteiam em torno em estado quase hipnótico e acabam se chocando com o vidro da lâmpada queimando seu corpo e ficando desabilitadas para o vôo, ou então acabam esgotando suas forças e caem ao solo tornado-se presas fáceis para animais de outras espécies. Na minha tosca pesquisa fui informado que os alemães já publicaram diversos trabalhos sobre esse tema, todos recheados de quadros estatísticos e análises gráficas.
Outro fim de tarde, voltei à minha leitura na varanda, mas sempre de olho na lâmpada do poste.
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quinta-feira, 26 de maio de 2011
CARRAPATOS, PODEM SE TORNAR PROBLEMA

Recebi de leitores do blog, algumas solicitações de que postássemos uma matéria sobre carrapatos. Curiosamente nenhum solicitante especificou que carrapato tinham interesse, mas, assumindo que todos eles sejam controladores de pragas urbanas, acabamos por enfocar o carrapato dos cães por ser possivelmente o alvo desejado.
Como sempre faço, uma rápida revisão do tema antes de entrarmos no assunto central, OK? Definindo: o carrapato é um artrópode (quatro pares de patas) da ordem dos ácaros e podem ser classificados nas famílias dos Ixodídeos ou Argasídeos. São ectoparasitas hematófagos (alimentam-se de sangue), podendo ser responsabilizados na transmissão de inúmeras doenças ao homem (zoonoses) e a animais. Vivem no chão entre folhas do capim, touceiras ou sob cavacos de madeira, sempre esperando que por ali passe algum animal ou um ser humano.
Resumindo a história dessa carrapataiada toda, sabemos que os argasídeos (muitos gêneros e espécies) não ficam muito tempo no corpo do hospedeiro, permanecendo a maior parte do tempo no ambiente, escondidos e só procurando seu hospedeiro para se alimentar (de sangue, naturalmente), geralmente quando estão dormindo. Esses carrapatos podem permanecer longos períodos de tempo sem se alimentar (até mais de um ano, caso não encontrem uma fonte de alimento). Os carrapatos ixodídeos, ao contrário, passam a maior parte do tempo sobre o corpo de seus hospedeiros, onde se fixam e sugam seu sangue o tempo todo.
No Brasil, existem quatro espécies de carrapatos mais comuns:
• Amblyomma cajennense e Amblyomma aureolatum: ambos são chamados de carrapato dos cavalos ou micuim (quando ainda é larva) ou carrapato estrela (depois de adulto) que frequentemente podem parasitar o homem, bem como outros mamíferos domésticos ou selvagens e até aves. No pasto, de março a julho (nosso outono) os micuins podem ser encontrados aos milhões. Cães que frequentam terrenos baldios, parques urbanos ou outras áreas onde equídeos (cavalos ou muares) permaneçam, podem ser infestados
• Boophilus microplus: o carrapato dos bois, principal responsável pela transmissão da tristeza bovina ou babesiose. Quando infestam um bovino, sem tratamento adequado, podem sugar o sangue desse animal até causar profunda anemia e podendo causar sua morte.
• Argas miniatus: popularmente chamado de carrapato das galinhas, podem transmitir uma doença severa aos galináceos, denominada de bouba aviária (uma doença infecciosa semelhante à sífilis).
• Rhipicephalus sanguineus: o carrapato vermelho do cão que infesta cães e gatos, preferencialmente nos coxins palmares e plantares e também atrás das orelhas. Quando parasitam um desses animais, sobem pelas paredes, alojam-se em vãos e rachaduras, espalham-se pelo canil e pela casa, se o animal a ela tiver acesso. Vieram da África nos tempos da colonização de nosso país e adaptaram-se muito bem. Não é tão difícil controlá-los.
Esse é o carrapato que mais interessa ao controlador profissional de pragas, pois é muito encontrado em residências onde haja cães (eventualmente gatos). Nas fases ainda jovens, esse carrapato se abriga nas frestas, desvãos, gretas e buracos nas paredes do canil ou nas cercanias do ponto onde os cães dormem. As formas adultas vão ao animal para se alimentar e voltam para o ambiente. Tradução: para controlar esses carrapatos é preciso tratar ao mesmo tempo o cão e o ambiente, certo?
Agora que está perfeitamente compreendido que o tratamento deve ser aplicado tanto no ambiente quanto no animal AO MESMO TEMPO, vamos por partes:
• No animal: banhos carrapaticidas; se a infestação for muito grande, a cada 15 dias até resolver o problema. Animais de pelo longo, uma boa tosa no início do verão, ajuda a evitar o problema. Oriente o proprietário do animal a buscar junto ao seu Veterinário, a indicação de algum produto carrapaticida de longa duração para aplicar no animal.
• No ambiente: tratar o ambiente no mesmo dia marcado para o banho carrapaticida do animal e repetir depois de 15 e 30 dias. É isso mesmo que vc leu: tem que repetir o tratamento para também eliminar as larvas e ovos que estavam protegidos durante a primeira aplicação. Não é tão complicado assim, bastando pulverizar um bom piretróide, de preferência microencapsulado. Aplique em todos os cantos, junções, frestas, rejuntes, gretas, buracos e desvãos do canil (e/ou dos pontos freqüentados pelo animal), bem como cobrindo toda a superfície das paredes circundantes (por overlapping). Por experiência própria, recomendo o uso de vassoura de fogo (maçarico modificado com vara e bico de aplicação) ANTES da aplicação do produto escolhido. A alternativa que funciona igualmente bem é aplicar vapor de água a 200˚C usando uma desses equipamentos de limpeza a vapor; neste caso, aplicar o vapor, esperar secar (não leva muito tempo) e só depois aplicar o carrapaticida. O animal só pode voltar ao ambiente tratado, depois que ele estiver completamente seco.
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
POMBOS: CONTROLE SÓ DENTRO DO ESTABELECIDO PELA IN 141 DO IBAMA

Considero-me medianamente informado sobre legislação, especialmente a que se refere aos assuntos relacionados com as pragas e seu controle. Tenho prazer em ler acuradamente toda Portaria, Instrução Normativa ou qualquer outro instrumento que baixe normas sobre o tema a que me referi. Com isso, vou me mantendo informado, crio minha opinião (nem sempre compartida pela maioria dos colegas, mas às vezes fazendo coro com a opinião predominante) e, de vez em quando, a emito pessoal e publicamente seja em palestras, seja através deste blog. Nosso amigo leitor Leandro, há alguns dias atrás, solicitou minha opinião sobre a questão dos pombos, especialmente à luz da Instrução Normativa n˚ 141 de 19/12/2006 emitida pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) que tem efeito de lei (e, portanto, deve ser cumprida), que regulamenta o controle e o manejo ambiental da fauna sinantrópica nociva.
Não pretendo analisar neste post o tema “controle de pombos”, isso vai ficar para outra oportunidade, mas vamos procurar atender ao leitor Leandro em sua solicitação de esclarecimentos da lei e a outros leitores que possam ter as mesmas dúvidas. Para melhor compreensão deste texto, sugiro fortemente que o leitor interessado leia antecipadamente a íntegra oficial da IN 141 a qual, para maior facilidade, pode ser acessada clicando em: http://www.pragas.com.br/legislacao/bancodedados/in_141.php
Já que estamos sendo lidos em outros países lusofônicos, a eles não custa esclarecer que este post destina-se apenas aos leitores brasileiros, já que se trata de uma lei limitada ao Brasil.
Logo no Art. 2º. da IN 141 encontramos uma série de definições para efeito da lei, tais como: controle de fauna, espécies domésticas, fauna exótica invasora, fauna sinantrópica, fauna sinantrópica nociva e manejo ambiental. Cada uma dessas definições por si só já situa as chamadas pragas e define até onde podemos ir no interesse do controle, incluindo os pombos. Se começarmos a enquadrar os pombos nessas definições (e para entender as disposições legais da IN temos que fazê-lo), vamos facilmente perceber que essas aves em ambiente urbano podem ser enquadradas nas definições de “fauna exótica invasora” e de “fauna sinantrópica nociva”. Sim o pombo (Columba lívia) não é um animal da fauna autóctone brasileira; trata-se de uma espécie européia que foi trazida para nosso país ainda nos tempos da colonização. Por outro lado, não só se urbanizou de forma muito bem adaptada, como passou a causar sérios transtornos ao sujar com suas fezes o meio onde habitam. Defecam profusamente sobre imóveis, parques, monumentos e outros equipamentos ao seu alcance. Com frequência, defecam mesmo sobre pessoas que inadvertidamente possam estar passando ou permanecendo abaixo de algum ponto onde os pombos possam estar pousados. Além disso, os pombos são os principais responsáveis pela disseminação da histoplasmose, uma doença pulmonar de curso extremamente sério para o ser humano. Portanto, não há dúvidas que o pombo pode, desde já, ser enquadrado nos incisos III e V como citei acima.
O parágrafo 1º. do Artigo 4º. dispõe que, observadas a legislação e demais regulamentações, para órgãos de governo da Saúde, da Agricultura e do Meio Ambiente, certas espécies animais podem ser passíveis de controle, sem a necessidade de autorização por parte do Ibama. Veja bem, órgãos governamentais, não empresas privadas! No inciso “c” lê-se: - animais domésticos ou de produção, bem como quando estes se encontrem em situação de abandono ou alçados (ex: Columba livia – o pombo (o grifo é nosso), Canis familiaris (cães), Felis catus (gatos) e roedores sinantrópicos comensais (ex: Rattus rattus – rato preto, Rattus norvegicus – ratazana e Mus musculus – camundongo).
Mais adiante, a IN 141 em seu Art. 5º. define os limites de ação para pessoas físicas e jurídicas (nesse caso, subentende-se as empresas controladoras de pragas) que estejam interessas no manejo ambiental ou controle da fauna sinantrópica nociva: estas devem solicitar autorização junto ao órgão ambiental competente nos respectivos Estados. Contudo, em seguida, a IN 141 logo no parágrafo 1º. desse mesmo Art. 5º. esclarece que, observada a legislação e demais regulamentações vigentes, pessoas físicas ou jurídicas devidamente habilitadas podem exercer atividades de controle sobre espécies sinantrópicas nocivas (isso inclui os pombos, lembra-se?), SEM A NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO POR PARTE DO IBAMA, observada a legislação vigente especialmente no que se refere a maus tratos, translocação e utilização de produtos químicos. No Art. 6º. a IN esclarece que os venenos e outros compostos químicos utilizados no manejo ambiental e controle da fauna devem ter registro específico junto aos órgãos competentes (no caso, registro dos produtos na Anvisa do Ministério da Saúde).
A IN 141 termina informando que há penalidades legais a serem impostas às pessoas físicas ou jurídicas que agirem em desacordo com o disposto nessa regulamentação.
Toda e qualquer lei admite interpretações (por isso mesmo existem advogados); posso estar certo ou posso estar errado, mas minha leitura dessa Instrução Normativa 141 é em resumo:
a) Sim, empresas controladoras de pragas devidamente registradas nos órgãos competentes podem executar serviços de controle de pombos, seja por manejo ambiental, seja por captura e transposição, seja por métodos químicos, sem a necessidade de ter que solicitar licenças especiais ao Ibama.
b) Os métodos selecionados pela empresa para executar tal serviço não podem caracterizar maus tratos aos animais alvos.
Portanto, amigo Leandro e demais leitores interessados, para mim esse é o resumo da ópera. E outra coisa, Leandro, não faço a mínima idéia se o Estado pretende intervir nesse assunto através de campanhas de controle ou qualquer outra coisa. Não tenho essa informação.
Não pretendo analisar neste post o tema “controle de pombos”, isso vai ficar para outra oportunidade, mas vamos procurar atender ao leitor Leandro em sua solicitação de esclarecimentos da lei e a outros leitores que possam ter as mesmas dúvidas. Para melhor compreensão deste texto, sugiro fortemente que o leitor interessado leia antecipadamente a íntegra oficial da IN 141 a qual, para maior facilidade, pode ser acessada clicando em: http://www.pragas.com.br/legislacao/bancodedados/in_141.php
Já que estamos sendo lidos em outros países lusofônicos, a eles não custa esclarecer que este post destina-se apenas aos leitores brasileiros, já que se trata de uma lei limitada ao Brasil.
Logo no Art. 2º. da IN 141 encontramos uma série de definições para efeito da lei, tais como: controle de fauna, espécies domésticas, fauna exótica invasora, fauna sinantrópica, fauna sinantrópica nociva e manejo ambiental. Cada uma dessas definições por si só já situa as chamadas pragas e define até onde podemos ir no interesse do controle, incluindo os pombos. Se começarmos a enquadrar os pombos nessas definições (e para entender as disposições legais da IN temos que fazê-lo), vamos facilmente perceber que essas aves em ambiente urbano podem ser enquadradas nas definições de “fauna exótica invasora” e de “fauna sinantrópica nociva”. Sim o pombo (Columba lívia) não é um animal da fauna autóctone brasileira; trata-se de uma espécie européia que foi trazida para nosso país ainda nos tempos da colonização. Por outro lado, não só se urbanizou de forma muito bem adaptada, como passou a causar sérios transtornos ao sujar com suas fezes o meio onde habitam. Defecam profusamente sobre imóveis, parques, monumentos e outros equipamentos ao seu alcance. Com frequência, defecam mesmo sobre pessoas que inadvertidamente possam estar passando ou permanecendo abaixo de algum ponto onde os pombos possam estar pousados. Além disso, os pombos são os principais responsáveis pela disseminação da histoplasmose, uma doença pulmonar de curso extremamente sério para o ser humano. Portanto, não há dúvidas que o pombo pode, desde já, ser enquadrado nos incisos III e V como citei acima.
O parágrafo 1º. do Artigo 4º. dispõe que, observadas a legislação e demais regulamentações, para órgãos de governo da Saúde, da Agricultura e do Meio Ambiente, certas espécies animais podem ser passíveis de controle, sem a necessidade de autorização por parte do Ibama. Veja bem, órgãos governamentais, não empresas privadas! No inciso “c” lê-se: - animais domésticos ou de produção, bem como quando estes se encontrem em situação de abandono ou alçados (ex: Columba livia – o pombo (o grifo é nosso), Canis familiaris (cães), Felis catus (gatos) e roedores sinantrópicos comensais (ex: Rattus rattus – rato preto, Rattus norvegicus – ratazana e Mus musculus – camundongo).
Mais adiante, a IN 141 em seu Art. 5º. define os limites de ação para pessoas físicas e jurídicas (nesse caso, subentende-se as empresas controladoras de pragas) que estejam interessas no manejo ambiental ou controle da fauna sinantrópica nociva: estas devem solicitar autorização junto ao órgão ambiental competente nos respectivos Estados. Contudo, em seguida, a IN 141 logo no parágrafo 1º. desse mesmo Art. 5º. esclarece que, observada a legislação e demais regulamentações vigentes, pessoas físicas ou jurídicas devidamente habilitadas podem exercer atividades de controle sobre espécies sinantrópicas nocivas (isso inclui os pombos, lembra-se?), SEM A NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO POR PARTE DO IBAMA, observada a legislação vigente especialmente no que se refere a maus tratos, translocação e utilização de produtos químicos. No Art. 6º. a IN esclarece que os venenos e outros compostos químicos utilizados no manejo ambiental e controle da fauna devem ter registro específico junto aos órgãos competentes (no caso, registro dos produtos na Anvisa do Ministério da Saúde).
A IN 141 termina informando que há penalidades legais a serem impostas às pessoas físicas ou jurídicas que agirem em desacordo com o disposto nessa regulamentação.
Toda e qualquer lei admite interpretações (por isso mesmo existem advogados); posso estar certo ou posso estar errado, mas minha leitura dessa Instrução Normativa 141 é em resumo:
a) Sim, empresas controladoras de pragas devidamente registradas nos órgãos competentes podem executar serviços de controle de pombos, seja por manejo ambiental, seja por captura e transposição, seja por métodos químicos, sem a necessidade de ter que solicitar licenças especiais ao Ibama.
b) Os métodos selecionados pela empresa para executar tal serviço não podem caracterizar maus tratos aos animais alvos.
Portanto, amigo Leandro e demais leitores interessados, para mim esse é o resumo da ópera. E outra coisa, Leandro, não faço a mínima idéia se o Estado pretende intervir nesse assunto através de campanhas de controle ou qualquer outra coisa. Não tenho essa informação.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
ATENÇÃO, ATENÇÃO: O HIGIENE ATUAL INFORMA. SÃO 20.000 VISITAS!

Este blog nasceu em novembro de 2009; nesse mesmo mês conseguiríamos lotar uma Kombi de visitantes! Comemoramos. Mais uns meses e já estávamos lotando um micro ônibus e depois um daqueles ônibus grandões de dois andares que a gente cruza nas estradas. Comemoramos. Passou um pouco e lotamos de visitantes um enorme Boeing ou um Airbus desses grandões que cruzam continentes levando um bando de excitados turistas a passeio. Comemoramos. Um nadinha depois, lotamos um navio transatlântico, dois, três... Claro que comemoramos e muito. E agora, nossos visitantes lotariam um estádio de futebol de tamanho razoável; não chega a um Morumbi ou um Maracanã, mas certamente um estádio como o do Bragantino, por exemplo! Só temos é que comemorar e nos orgulharmos muito desse feito. Afinal, 20.000 (já passando um pouco) visitantes, não são para qualquer blog técnico. Outro dia li que uma determinada dupla sertaneja abriu um blog e em pouquíssimo tempo já teria recebido perto de cem mil visitantes. Vocês pensam que ficamos deprimidos por causa disso? “De modus in rebus” como diriam os advogados, de jeito nenhum! Não cantamos, não dançamos, não interpretamos e nem pertencemos ao showbizz tupiniquim, apenas postamos assuntos que possam interessar a profissionais controladores de pragas. Quer dizer, entre o blog dos tais sertanejos e o nosso, vai uma certa diferença de interesses (e de leitores) e entre os dois, eu fico com o Higiene Atual, ora essa!
Nosso blog dá mão de obra, acreditem. Claro que o retorno é imediato e palpável, medido através do número de visitas diárias que recebemos. Nossos apoiadores também estão satisfeitos, por certo. O pessoal da redação, como eu costumo brincar, está exultante. Bem a propósito, na foto que ilustra este post vocês estão vendo todo os componentes do staff de produção do blog, tirante alguns amigos e amigas, colaboradores que nos ajudam com sugestões de matérias a serem abordadas. Na foto estão à esquerda os diagramadores, diretores de arte, sequencistas, pós produtores, e artefinalistas. Á direita figuram o editor, redatores, diretores de pauta, revisores, onbudsman, produtores e controladores de qualidade. É a dupla David&Golias que já está junta desde os tempos em que nascia o Higiene Atual em sua versão impressa, na década de 80.
Como novidade, passamos a publicar na coluna da esquerda da tela, um seguidor de acessos que nos informa “on line” de onde estão chegando os visitantes (país, cidade, data e horário) do blog. Qualquer leitor pode acompanhar. Para surpresa nossa, temos recebido muitas visitas de outros países, alguns até bem estranhos. Quer dizer, tem muita gente neste mundo que lê português! Ou seriam os brasucas e lusitanos espalhados pelo mundo? Outra coisa, sabem qual post tem sido líder absoluto de busca no blog? Acreditem, o famoso Carlos Lineu! Como tem gente interessada nessa figura!
Está bem, agora já chega de comemorações. Prometo voltar só quando atingirmos 30.000 visitas, certo? Dá um tempo, meu!
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terça-feira, 3 de maio de 2011
ASPERSÃO AÉREA DE BACILOS CONTRA O CULEX EM SÃO PAULO/SP


Exatamente dentro de quatro dias (em 07/05/2011) estará em teste no canal do Rio Pinheiros, um rio problemático que atravessa parte da cidade de São Paulo desaguando no Rio Tietê, a técnica de aplicação por helicóptero com uso de Sling Bucket empregando o Bacillus sphoericus granulado para controle larvário de mosquitos Culex quinquefasciatus. Como é sabido, especialmente pelos paulistanos, o Rio Pinheiros é, talvez, o maior foco criatório de mosquitos Culex devido sua carga poluidora altíssima e sua sinuosidade em determinados pontos onde a água praticamente fica estagnada. O teste está a cargo da Gerência Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura local, conforme nos informa o biólogo Carlos Alberto Madeira, assíduo colaborador deste blog, que nos fez a gentileza de enviar a ficha técnica do teste com esse equipamento. Olha só:
Altura de vôo do helicóptero durante a aplicação:30 metros.
Velocidade do helicóptero durante o tratamento: 30 Km/h
ESTAÇÃO RETIRO USINA DA TRAIÇÃO
9,72 km - (faixa de aplicação: 3 m)
*USINA TRAIÇÃO PONTE TRANSAMERICA
7,61 km - (faixa de aplicação: 3 m)
*RIO PINHEIROS CANAL GUARAPIRANGA
1,61 km - (faixa de aplicação: 3 m)
TOTAL: 38 km (aplicação nas duas margens)
38 km = 38.000 m
38.000 x 3 m(faixa de aplicação) = 114.000 m2
114.000/10.000 = 11,4 ha
1 ha = 10.000 m2
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SOBRE O EMPREGO DE ULTRASSOM NO COMBATE AOS ROEDORES

Vamos dar um rápido passeio, bem superficial, naturalmente, sobre o tema ULTRASSOM no combate a roedores, sugerido por nossa leitora Alice, a quem desde já agradeço pela sugestão e pela oportunidade. Começando pela definição do que seja freqüência sônica e freqüência ultrassônica, ambas baseadas na sensibilidade auditiva do ser humano (audibilidade): somos capazes de ouvir sons entre 20 Hertz e 20 KiloHertz. Abaixo disso seria infrassom e acima seria ultrassom. Aparelhos que produzem sons cuja saída seja predominantemente acima de 20 kHz são, portanto considerados “ultrassônicos”. Isto posto, senta que lá vem história.
Na década de 60 começaram a surgir no mercado especializado norte americano, uns aparelhos capazes de produzir uma freqüência sonora muito alta que era perfeitamente audível aos roedores, mas que não era escutada pelos seres humanos. Na verdade, esses dispositivos ultrassônicos apenas seguiram uma linha muito antiga de experimentos iniciada empiricamente pelos agricultores chineses que já tinham sérios problemas com roedores atacando a agricultura e os depósitos de cereais. Eram dispositivos mecânicos que, supostamente, deveriam repelir através de sons e movimentos ou vibrações, os roedores infestantes de um dado local; funcionavam com mecanismos movidos à água ou vento. Donaldson, Lehrnann e Busnel em 1963 publicaram um interessante trabalho avaliando e comparando esses métodos antigos e já citavam que as respostas envolviam fatores de estresse fisiológico (intensidade do estímulo, duração, etc) como também sobre a resposta audiogênica dos roedores comensais. Nos últimos 30 anos, uma grande variedade de aparelhos de ultrassom, eletromagnéticos, vibratórios e de barreira elétrica têm sido estudados e introduzidos no comércio; para esses aparelhos ainda não existe regras legais que definam parâmetros a serem cumpridos pelos fabricantes, de forma que qualquer um pode colocar seu produto no mercado e anunciá-lo da forma que desejarem contra qualquer tipo de praga. Que felicidade! Pelo menos no nosso país, enquanto não existirem parâmetros legais. Nos Estados Unidos onde já existem parâmetros definidos pela EPA (Environmental Protection Agency), alguns aparelhos de ultrassom demonstram eficácia apenas marginal (30 a 50% de redução de movimentação) e rápida acomodação dos roedores (3 a 7 dias).
A bem da verdade é preciso dizer que bem pouca coisa tem sido publicada sobre o uso de aparelhos ultrassônicos que quase nenhuma atenção tem recebido de eventuais pesquisadores. Em vinte anos surgiram em revistas científicas não mais de dois ou três trabalhos. Mesmo assim, vamos tentar aclarar certos pontos e aspectos dessa discussão. Os aparelhos que produzem e emitem ultrassons usados contra roedores baseiam-se no conhecimento científico de que esses mamíferos são capazes tanto de emitir, quanto de ouvir, sons de alta freqüência muito alta, acima da faixa de audição do ser humano. Cães e gatos também conseguem ouvir ultrassons, mas não os emitem. A razão disso é que roedores usam ultrassons para se comunicarem entre si, enquanto cães e gatos, atávicos inimigos de ratos e assemelhados, desenvolveram a capacidade de ouvir o ultrassons que suas presas naturais emitiam e assim poderiam melhor localizá-los. Sempre a mãe Natureza agindo. Darwin entendeu isso perfeitamente e nos explicou.
Os aparelhos ultrassônicos, teoricamente, agiriam como protetores contra roedores para uso especialmente em depósitos de alimentos evitando assim que fosse consumido ou contaminado por ratos e camundongos. O uso de estímulos ultrassônicos para repelir ou controlar roedores apóia-se em parte no fenômeno conhecido como resposta audiogênica aguda que envolve sinais fisiológicos de estresse exibidos por ratos quando estimulados por determinados sons e ultrassons originados, por exemplo, pelo simples balançar de uma penca de chaves (quanta coisa interessante e útil já foi descoberta por acaso, bastando haver um observador atento por perto!). Esse mesmo fenômeno foi observado, além de ratos, em camundongos, coelhos, galinhas, cães e cabras. Centenas de trabalhos foram publicados sobre esse fenômeno audiogênico em ratos no laboratório que é caracterizado em sucessivas fases: um período latente com a reação de um salto inicial seguido de movimentos rápidos do rato em torno de sua gaiola, rápidas corridas sem direção, convulsões tônicas e clônicas seguidas por completa recuperação ou morte. Estímulos cerebrais repetidos através desses ultrassons podem levar a hemorragias cerebrais fatais. Certas linhagens de camundongos são extremamente sensíveis a esses fenômenos, enquanto nos ratos a resposta e variável segundo a idade. Marsh, em 1962 (um dos raros trabalhos científicos sobre o tema), observou resultados negativos com um gerador de 15 a 16 kilohertz (kHz) produzindo sons até 100 decibéis (dB). Outro pesquisador, Sproke em 1967, não conseguiu repelência consistente usando um gerador sônico/ultrassônico entre 1,8 e 48 kHz produzindo de 60 a 140 dB. Interessante, um pesquisador chamado Sprock em 1967 apresentou uma variante: ele gravou os gritos sônicos e ultrassônicos de um rato capturado e morto por um gambá e usou a gravação para repelir outros ratos de um local infestado e concluiu que esse método foi bem mais eficaz que os aparelhos ultrassônicos; o método, contudo, não foi transformado em aparelho comercial, porque os gritos do rato capturado eram inaceitáveis para os seres humanos. Mas vamos voltar ao assunto.
Roedores são insensíveis a sons audíveis de baixa freqüência (menos de um kHz), seres humanos também. À medida que a freqüência sobe e entra na faixa do ultrassom, os humanos deixam de registrar o som produzido enquanto os roedores continuam a ouvi-los. Para que os roedores acusem os sintomas que descrevemos acima e sejam, portanto afetados, é preciso que as freqüências emitidas pelos aparelhos sejam bem mais altas (acima de 140 dB). Mas, e aí reside o perigo, nesse mesmo ambiente, uma pessoa não estaria ouvindo o ultrassom, embora seu cérebro esteja “registrando” o som agressivo e tentando se defender de alguma forma. Em minha opinião, OS APARELHOS ULTRASSÔNICOS NÃO DEVERIAM SER UTILIZADOS EM AMBIENTES ONDE PESSOAS PERMANEÇAM POR LONGOS PERÍODOS DE TEMPO (há vários trabalhos científicos sobre o tema demonstrando os efeitos sobre os seres humanos de acordo com o tempo de exposição ao ultrassom). Com o tempo, distúrbios locomotores e até perda da audição podem acometer o infeliz exposto a essa sonzeira toda... inaudível! Em depósitos de grãos e mesmo de alimentos, ainda vá lá, mas em ambientes onde haja seres humanos, o risco, quer me parecer, seja demasiado. Será que algum fabricante de aparelhos de ultrassom coloca esse (importante) aviso em seus produtos? Nunca li nenhum em canto algum, escrito em bom português.
Assim como os sons audíveis (abaixo de 20 kHz), os ultrassons perdem intensidade à medida que nos afastamos da fonte (há uma equação matemática que explica isso, mas vamos deixar essa explicação para outro momento). A maioria dos aparelhos ultrassônicos já estudados produzem ultrassons na faixa de 70 a 140 dB medidos a 30 cm de sua saída; a 4 metros de distância a intensidade do ultrassom já cai para um quarto da intensidade de saída. Quer dizer, o alcance efetivo de um aparelho ultrassônico pode ocorrer nos primeiros 4 m de raio, certo?
Além disso, temos outro problema. O ultrassom tem a desvantagem de ter sua energia inicial rapidamente absorvida por qualquer estrutura ou material macio (ex: tecidos, materiais isolantes), qualquer obstáculo em seu caminho (ex: papel, papelões, mobiliário), como também não contorna ângulos (segue sempre em frente desde o ponto de sua emissão), permitindo assim que os roedores infestantes rapidamente aprendam a evitar os pontos diretamente batidos pelo ultrassom.
E tem outra coisa danada contra os aparelhos ultrassônicos: a tal Mãe Natureza deu a capacidade aos roedores de adaptarem-se às condições mais adversas. Darwin, aquele, acrescentaria: “para garantir a perpetuação da espécie”. E, dessa forma, os roedores infestantes de um dado local onde se coloque um aparelho desses, acabam rapidamente se acostumando à nova adversidade em suas vidas e retomam em pouco tempo suas atividades normais de comer, beber, disputar e gerar descendentes. Tudo o que nós não queremos! Trabalhos técnicos demonstram que o ultrassom pode impactar uma colônia infestante em até 50% apenas por um mês. Depois disso, não há garantias.
Resumo da ópera: em minha opinião (que foi devidamente solicitada) os aparelhos ultrassônicos são impotentes (para não dizer inúteis) no sentido de controlar roedores. Ponto. Mesmo porque, para esses aparelhos... “-La garantia soy yo!”
É isso amiga Alice e demais leitores interessados.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
ACORDA ANVISA, ACORDA! TEM GENTE CONTROLANDO ESCORPIÕES!


Leio no recente manual da Anvisa sobre controle de escorpiões, mais ou menos o seguinte: até a presente data não há combate químico eficaz contra os escorpiões. Em seguida, pego o rótulo de um biocida recentemente lançado no mercado brasileiro registrado devidamente na própria Anvisa e leio: indicações de uso – escorpiões (e outros aracnídeos). Então, concluo que existem duas Anvisas? Uma que afirma por escrito e postula que os escorpiões não devem ser combatidos por produtos químicos e sim apenas por medidas preventivas. A outra Anvisa recebe a documentação de uma indústria que pretende registrar um produto seu contra escorpiões, examina a papelada, avalia os estudos que comprovam sua eficácia contra as pragas alvos pretendidas (tudo é exigido pelas severas Portarias que a própria Anvisa impõe) e, se tudo estiver de acordo, concede o registro solicitado e o biocida entra no mercado. Fui informado que estou errado, na verdade só existe uma Anvisa! Então se há só uma, é a mesma, devo concluir que... “há algo de podre no Reino da Dinamarca”. Alheios aos problemas internos da instituição federal que rege, em nível nacional, o exercício da atividade de combate e controle de pragas urbanas, seja das empresas privadas, seja das instituições públicas, técnicos e profissionais do ramo têm todo dia um problema a resolver e não podem ficar aguardando que faça bom tempo em Brasília e o panorama seja mudado. Escorpião é sim um sério problema de saúde pública em muitas regiões deste imenso país e que tanto precisa ser alvo de combate por parte de órgãos sanitários, como gera muitos chamados por empresas particulares de controle de pragas, movimentando a economia. Ninguém tem tempo para “esperar” que a solução caia dos céus (de Brasília). Cada envolvido, seja uma empresa, seja um órgão público, experimenta por sua conta uma solução que possa resolver o problema. Tem sido assim também em São Paulo/Capital, onde o CCZ-Centro de Controle de Zoonoses já montou, e está em funcionamento com toda força (vide fotos anexas), uma atividade específica de controle de escorpiões para ser usada quando e onde necessária, segundo nos conta o biólogo Carlos Madeira, um dos líderes desse projeto. Em São Paulo, o grande problema são as infestações de escorpiões Tityus serrulatus em tubulações de rede de esgoto e águas pluviais, onde a equipe, através do uso de equipamento UBV pesado (modificado), aplica um biocida piretróide microencapsulado com grandes resultados nas ações de controle. Repasso, para o conhecimento dos leitores interessados, a ficha técnica completa descritiva do equipamento:
Aparelho gerador de aerossol motorizado, para montagem sobre veículo (caminhonete ou carreta), dotado de dispositivo especial para tratamento de redes de esgoto e galerias subterrâneas.
• Motor a gasolina 4 tempos, 2 cilindros em V, com potência máxima de 18 HP, dotado de partida elétrica, bomba e filtro de óleo, alternador e controles manuais de velocidade e afogador.
• COMPRESSOR: Rotativo, diretamente acoplado ao motor.
• BOMBA DE INSETICIDA: De deslocamento positivo, tipo FMI, com vazão máxima de 1200 ml/min, dotada de dispositivos anti-cavitação, montada em painel de proteção hermético.
• TANQUES: Em polietileno, com capacidades de 70 litros (inseticida), 20 litros (gasolina) e 5 litros (lavagem).
• SISTEMA DE APLICAÇÃO: Mangote com comprimento de 6 m, dotado de mangueira flexível, bocal nebulizador e haste de aplicação para posicionar o sistema no interior de bocas de inspeção de redes de esgoto e de galerias subterrâneas.
• TAMANHO DAS PARTÍCULAS: Estimado em 150 a 300 µm.
• ALCANCE DO JATO: 20 m (aproximado).
• ACESSÓRIOS: Bateria tipo automotiva 12 V / 42 Ah, controle remoto para acionamento da bomba de inseticida a partir da haste de aplicação pelo operador, manômetro para verificação da pressão de ar.
DOSAGEM DE PRODUTO EM USO NO EQUIPAMENTO UBV:
Dados utilizados para cálculo:
• Vazão Equipamento: 750ml/minuto;
• Capacidade Tanque: 50 lts;
• Área coberta pelo tanque: 11ha;
• Área da caixa a ser tratada: 1,021m².
Resultados:
• Vazão Equipamento/m²: 4,55ml
• Quantidade de D10/m²: 0,38ml
• Quantidade de D10/tanque (50 lts): 4,18lts
• Quantidade de D10/lt: 83,52ml;
• Área coberta com 01 lt de calda: 219,78m
Maiores e melhores detalhes, tente diretamente contatar o Carlos Alberto Madeira Marques Filho lá no CCZ da Prefeitura de São Paulo.
Enquanto isso, lá em Brasília...
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sexta-feira, 15 de abril de 2011
RATOS TRANSMITEM OUTRA ZOONOSE ATRAVÉS DE SUAS PULGAS

Com nome que homenageia ao cientista brasileiro Henrique da Rocha Lima, um dos fundadores do Instituto Oswaldo Cruz – RJ, a bactéria Bartonella rochalimae volta a preocupar a humanidade, pois provoca graves distúrbios cardíacos em seres humanos (endocardite) e também em animais mamíferos (gatos e cães), supostamente transmitida por certas pulgas dos ratos. Essa zoonose não é propriamente uma novidade. Na Primeira Guerra Mundial (1914/1918) essa bactéria infectou milhares de soldados confinados a suas trincheiras lamacentas onde pululavam ratos gordos com um séquito de pulgas. Os romances e doumentários da época nos diziam que o pavor de ser comido vivo por ratos era tão grande, que os soldados designavam um que deveria ficar acordado somente para espantar os ratos. Recente pesquisas da Universidade Chung Hsing, de Taiwan, lideradas pelo infectologista Chao-Chin Chang que vem estudando a Bartonella (mais de 20 espécies já descobertas), afirma que essa bactéria pode se tornar um problema ainda neste século. Nos Estados Unidos, no Chile e no Peru, têm ocorrido diversos casos de bartonelose.
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
VAMOS FALAR DE MORCEGOS

O leitor Egberto sugeriu um post sobre morcegos aí na coluna de Perguntas&Respostas, citando encontrar certa dificuldade de encontrar textos que fales sobre o controle desses animais. Bem, vamos tentar ajudá-lo. Contudo vamos fazê-lo do meu jeito: aproveito para fazer um sumário do tema até chegar ao controle.
Até a presente data já foram descritas nada menos que 1.116 diferentes espécies de morcegos em todo o mundo, número esse que já expressa o sucesso biológico desses mamíferos desde seu surgimento há milhões de anos atrás. Na classificação Sistemática, os morcegos pertencem à ordem Chiroptera e são os únicos mamíferos que voam. Ainda na Sistemática, estão divididos em duas subordens: Microchiroptera (os morcegos pequenos, usuais) e Megachiroptera (também chamadas de raposas voadoras). Apresentam uma grande capacidade de adaptação a diferentes ambientes e climas; conforme a espécie, alimentam-se de frutas, insetos, sementes, pólen, peixes, artrópodes (principalmente insetos e aracnídeos), pequenos vertebrados (rãs, lagartos, etc) e sangue. Estes últimos são os morcegos hematófagos, ou vampiros, só existem na América Latina (do México à Argentina) e são apenas três espécies (Desmodus rotundus, Diphylla ecaudata e Diaemus yongii); contudo essas espécies hematófagas acabaram por representar a Ordem toda infundindo medo e receio na humanidade (vejam o sucesso aterrorizante que faz o Drácula (de Brain Stocker). Contribuindo decisivamente para o equilíbrio dos ecossistemas como polinizadores, dispersores de sementes e predadores de insetos, os morcegos são considerados animais úteis e nessa condição não podem e nem devem ser considerados pragas exceto pelos hematófagos, um dos principais responsáveis pela manutenção e disseminação do vírus rábico na zona rural. Os morcegos são notabilizados ainda pelo seu extraordinário sistema de ecolocalização, o tal do biossonar ou orientação pelo eco (que inspirou a criação do radar, do sonar marítimo e dos aparelhos de ultrassom) que é por eles utilizado para orientar-se na mais completa escuridão (como nas cavernas), para buscar alimentos (o que fazem durante a noite) e para comunicar-se com outros morcegos (importante para o reconhecimento entre mães e filhotes).
Deixe-me estender um pouco mais sobre a ecolocalização, que sempre me fascinou no mundo animal. É um verdadeiro sexto sentido e funciona mais ou menos assim: o morcego é capaz de emitir, pelas narinas ou pela boca, ultrassons (freqüência acima de 20 KHz) que não são audíveis pelos seres humanos. Aliás, muitas espécies de roedores também o fazem. Essas ondas ultrassônicas atingem obstáculos próximos do ambiente e voltam na forma de ecos com freqüência ainda mais alta, pois ao voltar, o eco mais a velocidade do morcego são somadas (efeito Doppler/Fiseau, para quem se lembra das aulas de Física dos tempos do Colégio). Os ecos são ouvidos pelo morcego (já perceberam que todos os morcegos têm orelhas grandes?) e pasmem: com base no tempo que os ecos demoraram para voltar e nas direções de onde vieram, os morcegos sentem se há obstáculos no caminho, bem como as distâncias em que se encontram, suas formas e velocidades relativas de deslocamento. Por isso as espécies insetívoras conseguem capturar insetos em pleno vôo. A Natureza é absolutamente fantástica, não é? O biossonar não é prerrogativa unicamente dos morcegos e também o encontramos em outros animais como nos golfinhos, andorinhões e baleias. Pois é, mas os morcegos vampiros possuem um sétimo sentido (caramba, e nós só temos cinco!). Trata-se da “termopercepção” capacidade pela qual os morcegos hematófagos localizam suas presas (geralmente eqüinos e bovinos); percebem o calor emitido pelo corpo de suas vítimas.
Os morcegos têm poucos inimigos naturais principalmente porque poucos deles descem ao chão (quando doentes, acidentes quando estão aprendendo a voar, em tempo ruim com muito vento). Corujas, falcões, gatos, cobras, certos sapos e lacraias que habitam cavernas, gambás, cuícas e algumas espécies da tribo Vampirinii que são carnívoras e se alimentam de morcegos menores. No entanto, os piores inimigos naturais dos morcegos são certas pulgas, carrapatos e as moscas-de-morcegos (sugadoras das famílias Streblidae e Nycteribiidae), porque nas membranas interdigitais, os vasos sanguíneos correm superficialmente e podem ser perfurados facilmente.
E no Brasil?
Por aqui existem pelo menos 167 espécies diferentes distribuídas em nove famílias e 64 gêneros. Cerca de 50% dos morcegos brasileiros se alimentam de plantas (frugívoros, polinívoros) sendo estritamente dependente delas ou não. O resto é de morcegos insetívoros, piscívoros, carnívoros e, em pequena escala, os hematófagos. Quer dizer então que os morcegos, excetuando-se os vampiros, são inocentes criaturas apesar de seu aspecto nada agradável? É verdade! Apesar de que já foram encontrados morcegos não vampiros infectados com o vírus da raiva, essa não é a história natural dessa doença. Então, não é à toa que no Brasil, os morcegos são protegidos por lei (Lei do Ibama de proteção da fauna brasileira) sendo considerado crime inafiançável a perseguição, captura, eliminação e encarceramento desses animais (instituições de pesquisa solicitam ao Ibama licenças especiais para capturar alguns exemplares quando necessário).
Por outro lado, quando morcegos decidem instalar-se no forro de alguma residência ou no desvão de algum prédio (afinal, esses locais não passam de cavernas para eles), passam a causar incômodos e provocar a aversão de seres humanos. Daí, a empresa controladora de pragas é chamada para “eliminar” tais morcegos. O que fazer? Matá-los? De jeito nenhum! Lembrem-se: os morcegos são espécies protegidas por lei (excetuam-se as espécies hematófagas). A empresa deverá então aplicar um método alternativo que apenas os removam daquele ponto onde estejam se abrigando (e causando incômodo). E é só isso, moçada, nem pensem em outra coisa!
A gente pode tentar uma reza brava para ver se eles vão embora ou, se não der certo, aplicar algum método alternativo que não coloque os morcegos em risco. Começando:
1) Localize e vede os pontos de entrada e saída. Quem sabe eles não encontrem outro ponto paqra entrar.
2) Pendure trouxinhas de filó contendo cinco ou seis bolinhas de naftalina em diversos pontos do teto onde os morcegos costumam se dependurar. Esses pontos poderão ser localizados pelo amontoado de fezes no piso. Aaaah... se vocês se lembram, fezes de morcegos são semipastosas e esbranquiçadas. Ao que parece, os morcegos não gostam do odor da naftalina e se retiram daquele ambiente.
3) Coloque pedaços de enxofre sobre retalhos de lata em diversos pontos do forro e ateie fogo; fumarolas com cheiro de ovo podre vão ser geradas e vão impregnar as estruturas do telhado, fazendo com que os morcegos se afastem (e as pessoas também, caso haja comunicação entre o forro e as dependências da casa).
4) Ao invés de enxofre, queime pedaços de pneu velho. Dá no mesmo. Esse não deu muito certo quando experimentei.
5) Outra que me ensinaram: pulverizar o teto com formalina (formol a 40%). Os morcegos quase morreram sufocados... eu também!
6) Uma vez li que pendurando garrafas de vidro nas estruturas do telhado com a boca aberta para baixo, iria espantar os morcegos, porque o vento passando pela boca da garrafa produziria uma freqüência ultrassônica que confundiria seu biossonar e eles iriam se retirar discretamente. Achei meio duvidoso e fui testar em duas casas infestadas. Na primeira, deram risada das minhas garrafinhas invertidas. Na segunda... não é que funcionou de forma bem razoável! Tentando entender, percebi que na primeira casa não havia espaço suficiente entre teto e telhado para que o vento circulasse livremente; na segunda casa, o vento passava livremente e suponho que o tal ultrassom, o qual obviamente eu não escutava, foi produzido. Tem cada uma!
7) Uma outra que experimentei com sucesso razoável: pendurei em todo o forro aquelas pedrinhas circulares (paradiclorobenzeno) utilizadas como desodorizante de vasos sanitários. Para nós, um cheirinho agradável; para os morcegos, um negócio mal cheiroso. Vão embora.
8) E agora, o melhor método que experimentei: o miniexpurgo. Se minha memória não falha, esse método me foi ensinado pelo amigo prof. Wilson Uieda da UNESP (se não foi ele, peço desculpas à fonte da informação). É o seguinte: prepare-se adquirindo várias latinhas dessas onde se coleta fezes para fazer exame e que são encontradas em qualquer farmácia. Atenção, tem que ser de lata; de plástico não serve. Dentro de cada uma coloque 14g de permanganato de potássio. Coloque-as dentro de uma bolsa tipo embornal que é mais fácil para levar a tiracolo. Adquira igual número de vidrinhos pequenos com rolha de borracha, daquele tipo que se utiliza para embalar antibiótico injetável. Coloque dentro de cada um 7 ml de formalina (solução aquosa de formol a 40%) e guarde-os dentro do mesmo embornal. Tudo pronto, suba ao forro e distribua as latinhas contendo o permanganato à razão aproximada de uma para cada metro e meio quadrado, já sem tampinha. Depois disso, caminhe (geralmente quase se arraste) em direção à latinha mais distante do ponto de saída do forro (por onde você entrou). Nela despeje o conteúdo de um vidrinho (formalina) e venha rapidamente fazendo o mesmo em todas as latinhas. Saia do forro e tampe o alçapão. Em cada latinha, em um ou dois minutos, vai ocorrer uma reação química exotérmica que libera calor e forma uma espessa fumarola de cheiro não muito agradável. Essas fumarolas quentes sobem e deixam as estruturas do telhado impregnadas, exatamente onde os morcegos se alojam. O odor dessas fumarolas impregnadas deve ser horroroso para os morcegos e deve irritar as sensíveis mucosas nasais e orais, de forma que eles quando voltarem a aquele abrigo, fazem meia volta e, muito a contragosto, imagino, vão buscar outra freguesia. Observei pessoalmente que eles ficam pelo menos quatro ou seis meses para começar a tentar voltar.
9) E se o problema for com morcegos hematófagos? O método clássico e estender uma rede bem fina no teto, chamada de “véu de noiva” encontrada em casas especializadas que vendem redes e outros materiais esportivos. Essa rede é tão fina que o biossonar dos morcegos não consegue detectá-la e os morcegos acabam se enredando. Com as mãos protegidas por luvas de raspa temos que remover os morcegos capturados e passar nas costas de cada um, com o auxílio de uma espátula, um pouco de pasta vampiricida anticoagulante e em seguida libertar o morcego assim tratado. Eles são gregários e retornam às suas colônias onde os demais membros executam a limpeza mútua removendo e ingerindo a pasta aplicada que acaba fazendo efeito em poucos dias, eliminando-os. Isso pode parecer fácil de executar, mas requer um pouco de prática. Essa é a técnica que o pessoal das instituições públicas rurais que lidam com a Raiva, adota com sucesso. Quer um conselho? Se o problema for com vampiros, procure antes essas instituições como os Institutos Biológicos ou os escritórios da Embrapa e informe-se melhor, OK?
Bem, amigo Egberto e demais interessados, já dei um punhado de sugestões para que o profissional controlador de pragas possa atender a solicitação de seu cliente, atormentado por morcegos. Divirtam-se!
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segunda-feira, 4 de abril de 2011
SOBRE AS TRAÇAS



Atendendo indicação do nosso leitor Flávio Souza vamos conversar um pouco sobre as chamadas traças. Começaremos por esclarecer um ponto que muitos colegas até se confundem: chamamos de traças, um grupo de insetos que pertencem a duas Ordens diferentes: Thysanura e Lepidoptera, que têm características e ciclos biológicos diferentes.
A “traça dos livros” (silverfish, em inglês) é um inseto que pertence à Ordem Thysanura, sendo a mais comum, a Lepisma saccharina. É um dos insetos mais antigos conhecidos pela ciência e, em seus primórdios, possivelmente tenha convivido com dinossauros. Essa traça nunca adquire asas ao longo da vida, suas pernas são adaptadas para correr sendo então, um inseto rasteiro. É onívora alimenta-se de uma grande variedade de alimentos como celulose (papel e papelão), farinhas, roupas e tecidos orgânicos (ex: algodão, lã natural); preferem vegetais que contenham amido, razão pela qual ataca livros mais antigos (devido à cola usada para a encadernação, à base de amido) e papel de parede (pela mesma razão). Tem antenas longas, boca do tipo mastigador, dois ou três filamentos caudais e mede cerca de 01 cm de comprimento com o corpo semelhante a um peixe prateado (justificando seu nome popular em países de lingua inglesa: silverfish); aliás, move-se também de forma parecida ao movimentos dos peixes. As fêmeas depositam cerca de cem ovos em gretas, fendas e rachaduras e levam, em condições úmidas, cerca de 30 dias para eclodir liberando ninfas bastante parecidas aos adultos (ametabolia), idade que atingem em aproximadamente três meses. Diferentemente dos demais insetos, a traça dos livros continua fazendo mudas (ecdises) ao longo de toda a vida, mesmo depois de adulta! E é capaz de regenerar órgãos e apêndices perdidos acidentalmente como, por exemplo, pernas. Em condições favoráveis podem viver até quatro anos em vida livre. De hábito noturno, vive preferencialmente em ambientes escuros e úmidos. É muito ágil e esconde-se rapidamente em frestas de móveis, armários, rodapés e caixas, sendo este último, o principal veículo de dispersão da praga, levada junto a livros e utensílios domésticos em mudanças. Em museus, bibliotecas, tecelagens, supermercados, hotéis e em muitos outros estabelecimentos comerciais, as traças devem ser monitoradas com rigor, para evitar infestações severas e danos significativos. Não está envolvida na transmissão de nenhuma doença ao homem e aos animais.
Já as "traças das roupas", pertencem à Ordem Lepidoptera (onde estão as mariposas e as borboletas), da qual o Gênero Tinea (com várias espécies) é o mais importante. Ao contrário das traças dos livros, as traças das roupas se desenvolvem pela metamorfose completa (ovo – larva – pupa – adulto). Na fase de pupa, tecem um casulo prateado achatado e elíptico preso por uma das pontas a qualquer ponto da parede, do teto ou no interior de armários e gavetas, por isso sendo facilmente identificáveis. Até certo ponto do desenvolvimento dessa pupa, ela move-se em busca de alimentos levando seu casulo consigo; na derradeira fase dessa etapa do desenvolvimento, estaciona, não mais se alimenta e prepara a traça adulta (uma mariposa) que vai emergir. Contudo, também ao contrário de muitos outros insetos de metamorfose completa, nessa fase de pupa as larvas da traça das roupas continuam se alimentando e muito! Comem roupas (de fibras naturais), tecidos não sintéticos, roupas de lã, tapetes, cortinas, estofados, etc. Aliás, a traça das roupas só se alimenta nessa fase de larva (crisálida), não mais o fazendo na fase adulta (muitas espécies de traças na forma adulta, sequer têm aparelho bucal desenvolvido). A pequena mariposa, que é a traça das roupas na fase adulta, caminha mais que voa, rapidamente procura o sexo oposto para acasalar e morre; as fêmeas têm mais alguns dias de vida para maturar seus ovos e pô-los em local seguro e seco. Vida média entre 10 e 18 meses.
O terceiro tipo de traça pertence também à Ordem Lepidoptera e é chamada de "traça de produtos armazenados", pois é encontrada em grãos de cereais (arroz, milho, trigo) e em diversos outros produtos armazenados como farinhas, cereais matinais, biscoitos, chocolates, cogumelos secos, etc. Segue um ciclo biológico semelhante à traça das roupas e a traça adulta também é uma pequena mariposa. Essas traças são consideradas pragas importantes porque, ao atacar alimentos, contamina-os com suas fezes, fragmentos de seu corpo e fios de seda característicos. Os principais gêneros são Plodia, Cadra e Ephestia. Ciclo completo entre algumas semanas e poucos meses, na dependência das condições ambientais.
E o combate?
Sempre é melhor prevenir que remediar, mas quando o problema já está instalado, entra em cena o profissional controlador de pragas, o qual deve levar em conta alguns aspectos da biologia das traças e aplicá-los a seu favor, no sentido de controlar essa praga. Considere então que, de uma forma ou outra, as traças, sejam das roupas, sejam de produtos armazenados, sejam dos livros, todas elas passam por uma fase onde andam pelas paredes e tetos, bem como rastejam no interior de guarda-roupas, armários ou gavetas. Pode ser esse o ponto frágil das traças! Se andam, basta que eu coloque algum biocida adequado nos principais pontos de passagem das traças e possivelmente consiga eliminá-las. Claro, há várias considerações a fazer e cuidados a tomar, mas pode ser a regra básica para seu controle. Pratiquei muitas vezes, com sucesso, o controle de traças, principalmente em hotéis, quando tive minha empresa controladora. Depois de tentar vários biocida e formulações diferentes sem grandes resultados, parei um pouco para raciocinar e me dei conta que já existia no mercado brasileiro na época, duas formulações microencapsuladas (ambas bastante eficazes). As características físico-químicas dessa formulação as tornam bastante adequadas para usar contra traças (e qualquer outro inseto rasteiro, naturalmente); foi preciso somente definir onde, como e quando usar tal formulação e os resultados desejados foram atingidos, rapidinho!
Mas, o bom profissional controlador de pragas deve acrescentar valor a seus serviços fornecendo ao seu cliente, depois de executar o tratamento, algumas indicações para evitar a reinfestação. Vou citar algumas:
• Para traças de roupas, manter estantes, armários, guarda-roupas, gavetas e gabinetes sempre limpos e arejados. Pode-se colocar grãos de pimenta do reino esparsos para atuar como repelente às traças
• Para traças dos livros e das roupas, evita o acúmulo de papéis velhos, caixas de papelão, jornais, livros e revistas especialmente em locais escuros e úmidos.
• Naftalina e cânfora, as traças odeiam e nem chegam perto!
• Roupas já atacadas: coloque dentro de um saco plástico e deixe que elas passem alguns dias dentro do freezer. Ovos, larvas e mesmo adultos morrerão entanguidos de frio.
• Alimentos e embalagens já atacadas, jogar fora, o que fazer?
• Para seu clientes mais ecológicos: ramos de louro, de salsa, tomilho, hortelã e alfazema botam as traças para correr. Matar, não matam, mas fazem com que elas procurem outra freguesia.
• Antes de guardar os cobertores no fim do inverno, lave-os e adicione uma xícara de naftalina no enxágüe. Até o inverno seguinte o cheirinho da naftalina terá se esvaído. Eu prefiro cânfora que cheira melhor. Melhor ainda, guarde-os entremeados com saquinhos de filó contendo um pouco de menta e alecrim. O cheiro da naftalina, ou da cânfora, desaparecerá com o tempo e fica o odor das ervas aromáticas
Esse é o resumo desse tema. Espero ter satisfeito ao amigo Flávio Souza que o sugeriu e a outros leitores que tenham esse assunto para resolver em algum cliente.
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quarta-feira, 30 de março de 2011
SOBRE OS TANQUES DE DESATIVAÇÃO DE INSETICIDAS

Quando se fala de meio ambiente, a atividade de controle de pragas é um exercício profissional que está constantemente em foco, uma vez que se trata de um trabalho executado mediante o emprego de substâncias químicas aplicadas sobre o ambiente. Não é somente isso, sabemos, mas o uso de inseticidas assusta as pessoas, cada vez mais preocupados com sua integridade física pessoal e de seus familiares e com a preservação do meio ambiente. Vivemos em uma sociedade cada vez mais quimiofóbica (medo de substâncias químicas), ainda que sejamos, até hoje, extremamente dependentes de compostos químicos de toda sorte.
O profissional controlador de pragas é legal e inteiramente responsável pelo ato do emprego de biocidas, razão pela qual tem a obrigação e o dever de saber (e muito) o que está fazendo, conhecer (mais que as pessoas comuns) dados sobre os instrumentos que usa (equipamentos e produtos químicos), conhecer e seguir rigorosamente as instruções contidas nos rótulos e esclarecer aos usuários de seus serviços, todos os aspectos de segurança ligados ao trabalho que está executando.
Essa preocupação deve se estender ao meio ambiente. Nesse particular, há uma grande quantidade de itens e temas que poderiam ser discutidos, mas, neste post, vamos comentar sobre o que deve ser feito com relação aos restos e resíduos de inseticidas que restou nos equipamentos utilizados. Vamos falar dos tanques de desativação. Tudo o que teve contato com os inseticidas utilizados deve ser lavado ao final da jornada. E esta água resultante da lavagem, ralo abaixo direto para a rede pública de esgoto? Nem pensar! Isso só causaria aumento da carga poluidora dos esgotos que, de um jeito ou outro, vai sempre acabar no mar! É aí que entra o sistema de tanques de desativação, uma interessante alternativa para diminuir substancialmente a carga de inseticidas que temos que nos desfazer diariamente. Propusemos essa alternativa pela primeira vez em 1989 quando publicamos um manual sobre o controle de insetos urbanos, promovido por uma indústria produtora de insumos para a qual trabalhávamos na época.
Por esse sistema, qualquer água de lavagem dos equipamentos, embalagens e/ou utensílios que estiveram em contato com inseticidas, será recolhida em um primeiro tanque aberto colocado em plano acima de um segundo tanque idêntico. Observe o desenho acima para melhor compreender a proposta. O tanque aberto recebe diretamente de um tanque de lavar destinado exclusivamente à essa função ou ali despejado de equipamentos ou utensílios, os restos dos inseticidas empregados no trabalho. Sendo um tanque aberto, essa água de lavagem ficará diretamente exposta aos raios solares e os inseticidas presentes sofrerão progressiva desativação por “fotólise” (rompimento das moléculas por ação da luz) e por “hidrólise” (quebra das moléculas pela ação da água). Aceleramos essa decomposição adicionando a esse primeiro tanque um pouco de soda cáustica que vai alcalinizar o conteúdo, rompendo as moléculas por álcalineutralização (inseticidas permanecem íntegros somente em meio ácido). Em outras palavras, os restos dos inseticidas presentes nesse primeiro tanque sofrerão a ação dos três processos de destruição. Essa calda residual deve permanecer nesse primeiro tanque por no mínimo sete dias (quanto mais tempo, melhor). Passado esse lapso de tempo, a calda será passada para o segundo tanque por gravidade, já que este se encontra baixo do nível do primeiro. Ali deve permanecer por outro período mínimo de sete dias, onde a desativação vai continuar. Decorridos esse tempo, o conteúdo desse segundo tanque poderá ser descartado na rede de esgoto pois, muito provavelmente, já não há mais nenhuma carga inseticida ativa presente.
Quais as dimensões que devem ter esses tanques? Depende do volume da calda poluidora a ser desativada. Há empresas que duas pequenas caixas d´água já resolvem a questão e há empresas que vão precisar de recipientes bem maiores.
Alguns comentários finais sobre esse sistema de desativação:
• Para efetiva comprovação desse método, seria necessário que praticássemos sucessivas análises laboratoriais para a verificação dos níveis de inseticidas ainda íntegros na calda. Essas análises são bastante custosas e provavelmente deveriam ser praticadas diariamente até a liberação final da calda na rede de esgoto. Como eu não pertencia a nenhum laboratório capacitado a executar tal análise ou instituição científica de pesquisas e, como eu não tive suporte financeiro para arcar com os custos, não consegui comprovar cientificamente a eficácia do sistema. Foi pena! Quem sabe alguém o faça.
• Contudo, algumas empresas controladoras de pragas em busca de solução para o problema, instalaram o sistema. Alguns serviços públicos também o fizeram.
Afinal, é apenas uma proposta bastante razoável.
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