sábado, 15 de outubro de 2011
UM POUCO SOBRE A FORMIGA SAÚVA (Atta capiguara)
Nossa amiga e leitora Ivone nos indaga sobre o controle da formiga saúva (Atta capiguara) e seu controle em âmbito urbano. Vamos, então, passar uma rápida vista sobre esse tema.
A saúva é uma séria praga tipicamente rural que traz grandes dores de cabeça ao agricultor, pois sua ação pode ser literalmente devastadora. Ainda que seja rural, a formiga saúva está presente também no meio urbano infestando jardins tanto públicos, quanto particulares, gramíneas, viveiros de mudas, áreas de reflorestamento, etc. Atacam quase todas as culturas, cortando folhas e brotos tenros, com extrema habilidade e rapidez. Sob o nome de formiga saúva, abriga-se um expressivo número de diferentes espécies de formigas, especialmente do gênero Atta (mais de 200 espécies), também conhecidas como formigas cortadeiras. Insetos tipicamente sociais, seus formigueiros são formados por várias câmaras, cada qual com um tipo de finalidade específica. A sociedade das saúvas é composta por várias castas. As saúvas cortam pedaços de folhas que carregam aos seus ninhos a fim de semear e cultivar fungos que constituem seu alimento exclusivo. Aliás, existem apenas duas espécies que plantam e colhem seu alimento: o homem e a formiga cortadeira. Recebem incontáveis nomes regionais em nosso país, além de saúva: formiga cabeçuda, carregadeira, manhuara, maniuara, picadeira, roçadeira, caiapó, lavradeira, etc. As folhas e outras partes de plantas são levadas ao formigueiro para servirem de substrato para o cultivo do fungo mutualista do qual as formigas se alimentam (Leucoagaris gongylophorus, este é o nome mais aceito atualmente). A saúva rainha é conhecida com o nome de içá (ou tanajura) e os machos são os bitus (ou sabitus); em certos dias claros do começo da estação chuvosa, a geração de saúvas criada para serem reis e rainhas, já alados, inicia sua revoada (conhecida como siriris ou aleluias) para a formação dos pares. As rainhas levam em suas bocas, uma bolota do fungo essencial colhida no formigueiro natal, são fecundadas e de volta ao solo busca um ponto apropriado para instalar um novo formigueiro; regurgitam a bolota de fungo e irriga-o com sua matéria fecal. Para nossa sorte, cerca de 100% das içás não chegam a formar sauveiros maduros. Durante o vôo são presas de pardais, andorinhas e sabiás; no sauveiro novo, são atacadas por tatus e outros predadores. Tanajuras fazem parte do cardápio alimentar dos índios brasileiros (fritas em salmouras e misturadas com farofas), de sertanejos e tropeiros. Mas, se você for ao mercado público de São José em Recife/PE, por exemplo, poderá adquirir a peso, içás já secos e prontos para ir à panela.
Justificando seu nome de cortadeiras, as saúvas podem, literalmente, desfolhar uma árvore inteira no espaço de apenas uma noite. As folhas cortadas e forrando o chão ao redor da árvore atacada, são então, durante o dia, picadas e transportadas para o formigueiro por milhares e milhares de carregadeiras incansáveis em filas indianas intermináveis, ladeadas por soldados ameaçadores que, com sua grande cabeça e poderosas mandíbulas em forma de pinças, garantem a segurança das carregadeiras, ao tempo que incentivam as mais morosas a acelerarem o passo. Certa vez, em uma granja avícola que cultivava um eucaliptal (lá, o eucalipto é picado em forma de maravalha, para servir de cama para os frangos e matrizes), observei logo pela manhã, um pé de eucalipto inteiramente nu, com todas suas folhas no solo formando um grande monturo em torno do tronco; ali, intensa atividade das saúvas encarregadas de picar as folhas em tamanhos menores e as carregadeiras indo em direção ao formigueiro levando cada qual um pedaço de folha. Às vezes esse pedaço era tão grande e pesado que eram necessárias duas ou mais formigas para carregá-lo. Voltando do formigueiro pela mesma trilha, outra interminável fila de carregadeiras de mãos abanando (ou seria mandíbulas vazias?). Acompanhei essa trilha operosa até o formigueiro que se situava a cerca de 500 ou 700 m de distância até ver as formigas desaparecerem no solo através de um orifício (o chamado “olho ou olheiro” do sauveiro) situado em um monturo de terra endurecida. Lembrei-me daquelas inesquecíveis imagens da Serra Pelada na década de 60, onde milhares de homens, enlameados até o pescoço, carregavam em fila indiana ungidos por cabrestos invisíveis, sacas de terra dentro de enormes crateras sob os olhos atentos do Major Curió, em busca de ouro.
Mas, voltando ao tema, a questão é como controlar as saúvas. Há décadas o Brasil (e outros países que sofrem do mesmo mal) tenta combater a saúva devido aos danos enormes às lavouras. Um método muito difundido é a aração do sauveiro, com resultados quase sempre medíocres, pois as saúvas refazem seus formigueiros com certa rapidez. Nunca presenciei, mas há outro método simples usado na zona rural: ligar com uma mangueira o cano de descarga de um trator, conectar essa mangueira ao olheiro do formigueiro, regular o motor para mistura rica e preencher a rede de túneis como CO (monóxido de Carbono); supostamente os túneis serão preenchidos pelo gás que é letal e eliminaria todas as formigas ali existentes naquele momento, incluindo a rainha. Outro método é a inundação das panelas subterrâneas com muita água, frequentemente com adição de algum inseticida pó molhável (o objetivo final é o de eliminar a rainha, sem o que não há a menor chance de sucesso). Foi o método que preconizei naquele caso citado acima usando um piretróide pó molhável na concentração de calda de 0,025% (nesse método, é preciso atenção ao biocida a ser empregado, tem que ser PM, para que evitemos contaminar em demasia o solo). Para preencher os subterrâneos de um só cupinzeiro, foram necessários nada menos que 1.300 litros de calda introduzida a partir de um tanque puxado a trator e dotado de bomba de pressão; é preciso calcular também o custo benefício. Eu poderia ter empregado um termonebulizador, mas naquela propriedade não havia nenhum disponível naquele momento. Na zona rural já existe um produto (chamado de “fumacê”) a base de cipermetrina, um fumígeno que, ao que apregoa seu fabricante, produz 100% de eliminação do sauveiro; há notícias que uma versão domissanitária estaria em vias de registro na Anvisa. Hoje, a tendência é o uso de iscas que, atraindo as saúvas passantes, são colhidas e transportadas até o sauveiro; os principais ingredientes ativos dessas iscas são sulfluramida e fluazuron. Ao que parece, não se deve tocar essas iscas diretamente com as mãos, pois as formigas deixariam de colhê-las. E nem colocá-las nas trilhas, mas ao lado delas. Sim, a maioria dessas iscas é constituída de bagaço de laranja.
Marcadores:
Atta capiguara,
formiga saúva
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
FINALMENTE UM ROTEIRO PARA O POP DAS EMPRESAS CONTROLADORAS
Custou, mas conseguimos. Tenho sido bombardeado para escrever um post sobre o tal do POP – Procedimento Operacional Padronizado – um documento formal exigido pela RDC 52, a Portaria que rege as atividades das empresas controladoras de pragas em nosso país (até segunda ordem). Fui pesquisar esse tema e achei que deveria solicitar o auxílio de uma especialista, a bióloga Lucy Ramos Figueiredo, Diretora Técnica da ABCVP, que tem larga experiência no assunto. Depois de muito insistir, ela conseguiu encaixar entre seus 4.812,5 afazeres, um tempo para escrever um post exclusivo para o Higiene Atual, pelo que agradecemos em nome de nossos leitores e deste Editor. Aí vai, portanto, um ótimo post sobre o POP.
DIZEM QUE O PAPA É pop ... MAS O QUE É UM POP???
O papa é pop. Assim dizia uma letra de música, referindo-se a um papa popular. Daí, ouvimos algumas pessoas perguntando o que é um POP. Outro assunto! POP, pop, muita confusão, muita informação... Então, vamos esclarecer?
POP é uma abreviação para Procedimento Operacional Padronizado.
PROCEDIMENTO- modo de fazer, técnica
OPERACIONAL- que contribui para a obtenção de um resultado pretendido, método
PADRONIZADO- resultado com tendência à uniformização
O POP é um documento exigido pela RDC 52, por meio do qual as empresas de controle de pragas sinantrópicas devem apresentar os procedimentos realizados para realização dos serviços prestados. É necessário lembrar que o serviço não envolve tão somente a parte executiva. Assim, temos um vasto conjunto de POP’s que compõem um Manual de Boas Práticas, o qual descreve os diferentes procedimentos adotados pela empresa e que se relacionam, direta ou indiretamente, com a execução propriamente dita. Os POP’s englobam “o modo de fazer” para vários temas: controle por praga, controle por técnica de aplicação, gerenciamento de risco, uso de armadilha para monitoramento por praga, segurança de trabalho, perfil das instalações, guarda e descarte de embalagens vazias, transporte de produtos químicos e por aí em diante, ou seja, todo e qualquer procedimento executado por uma empresa prestadora de serviços de controle de pragas deve ser documentado em forma de uma instrução técnica, detalhada passo a passo, visando dar suporte a todo e qualquer executor da tarefa a seguir “o mesmo caminho”. O POP deve ser claro, objetivo, assertivo, ter instruções sequenciais, sem deixar de conter a instrução completa. A grosso modo, o POP é uma receita de bolo a ser adotada para que não haja desvio significativo nos procedimentos, evitando não conformidades. O POP, como ferramenta de segurança, deve garantir a não ocorrência de variações indesejáveis no resultado final, podendo gerar riscos. Tendo como comparativo a referida receita de bolo, esta tem como objetivo dar a base de procedimento para que um bolo tenha sempre o mesmo resultado, seja elaborado por A, B ou C. Assim como na feitura do bolo, ocorrerão desvios aceitáveis por conta de uma eficiência maior ou menor (por conta de um forno, no caso do bolo) ou por conta de um equipamento mais novo ou mais antigo, no caso de uma pulverização. Ainda que estes desvios devam ser minimizados por medidas mitigadoras, podem efetivamente ocorrer, mas dentro de níveis toleráveis. Assim, um POP tem como meta a padronização de cada procedimento, sendo um material de conteúdo a ser utilizado para o treinamento de equipes técnico-operacionais ou gerenciais.
A elaboração de um POP, em forma de uma instrução de consulta e treinamento, é de responsabilidade dos RTs - Responsáveis Técnicos. A confecção de POP’s é trabalhosa e o RT precisa disponibilizar uma carga horária diária específica para a produção e finalização da tarefa. Um POP deve ser atualizado, minimamente, a cada ano, mas o ideal seria atualizar sempre que um procedimento for alterado, incluído ou excluído, por força da evolução dos conhecimentos. O POP representa o backup escrito das ações da empresa. É um processo dinâmico, que exige o envolvimento e o conhecimento da empresa por quem o elabora. Reforçando, o RT é a pessoa legalmente responsável pela feitura, atualização, verificação e monitoramento aplicação dos POP’s. Em caso de contratação de um consultor externo para confecção de POP’s, este deve estar informado sobre os procedimentos da empresa, acompanhando execuções, visitando instalações, enfim, conhecendo a rotina detalhada para ser fiel aos procedimentos adotados pela mesma ( “passeio ambiental”, segundo Lucia Isabel Araújo ). O POP, como ferramenta de treinamento, é um documento-guia que tem como alvo a passagem de informação, a rigor, da mesma informação para toda a equipe. Um POP não pode ser copiado, como alguns supõem, pois são criados mediante uma realidade executiva de cada prestadora de serviço de controle de pragas sinantrópicas. Os processos de certificação e auditorias têm como exigência a apresentação destes documentos, associando o que está escrito com a prática. O POP, como ferramenta de rastreabilidade, deve ser checado pela fiscalização para ver se o que está no papel é o que realmente ocorre na empresa.
Segundo as RDC 275 e a RDC 216:
Os POP’s referentes ao Manejo Integrado de Pragas devem contemplar as medidas preventivas e corretivas destinadas a impedir a atração, o abrigo, o acesso e a proliferação de vetores e pragas urbanas. No caso de adoção de controle químico, o estabelecimento deve apresentar Comprovante de Execução de Serviço fornecido pela empresa especializada contratada, contendo as informações estabelecidas em legislação sanitária/ambiental específica.
Então? Esperamos ter contribuído e ter tornado o tema POP um pouco mais pop, quer dizer, um pouco mais popular e acessível a todos aqueles que desejam, acertadamente, elaborar estes documentos de grande valia para as empresas.
Faça seu POP como uma receita muito especial, que será suporte e referência para os funcionários de sua empresa. Cada empresa tem sua política, suas técnicas e seus procedimentos. Retrate estas características de forma simples e fiel. Padronização significa QUALIDADE, mas com atendimento aos desejos dos clientes. A racionalização de tarefas aumenta a eficiência operacional, ou seja, tem um potencial de impacto nos lucros. Anexar FISPQ, Fichas de emergência, Fichas técnicas, Manuais de equipamentos e outros que auxiliem na operação e gestão agrega valor aos POP’s. Referências bibliográficas são parte integrante dos POP’s.
Escrever POP é buscar a qualidade através da capacitação. E qualidade não é um estado, é um processo.
Autora: Lucy Ramos Figueiredo
Marcadores:
empresa controladora,
legislação,
POP,
procedimento operacional padronizado
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
26 DE SETEMBRO: DIA DO PROFISSIONAL CONTROLADOR DE PRAGAS
Pela segunda vez neste blog, comemoro o dia do profissional controlador de pragas. Fiz um belo almoço comemorativo (mini paella valenciana) e abri uma garrafa de meu vinho italiano preferido atualmente (Malvazia Nera, safra 2008). Enquanto isso, outra vez rememorei passagens interessantes de minha vida profissional, incluindo um hilário encontro de um de meus operadores (sim, eu tive uma empresa controladora há tempos atrás) com um solerte esqueleto armado em pé, aguardando uma palestra médica que iria acontecer na manhã seguinte. Era um congresso médico em um dos hotéis atendidos por minha empresa e, tarde da noite, meus três operadores que estavam executando o tratamento, decidiram se dividir para cobrir todas as áreas. Um para cada andar e coube ao Geraldinho (aquele mineirinho que era especialista em inventar novos vocábulos da língua portuguesa, tais como "desimpossível") tratar as salas de conferências todas já preparadas e prontas para receber os palestrantes. Em uma sala, sobre a mesa, uma réplica de um coração em ponto grande; Geraldinho entrou na sala, olhou a peça e me chamou perguntando o que era aquilo. Expliquei, ele ficou admirado e comentou que ao ver a peça, pensou que deveria ser o coração de uma avestruz, pois notara a semelhança com coração de galinha que ele saboreava nos churrascos da vida. Achei inteligente e decidi acompanhá-lo nas demais salas, pois certamente haveria outras surpresas e situações, era só uma questão de tempo. Contando com isso, chamei os outros dois operadores e formamos um grupo de espectadores acompanhantes, enquanto Geraldinho seguia em frente abrindo e entrando em novas salas. Na sala seguinte, sobre a mesa, uma grande réplica plástica de um olho humano com todas as estruturas expostas. Geraldinho ficou espantado e, enquanto trabalhava, não tirou o olho do olho, especialmente depois que um dos colegas disse brincando que esse olho movia-se acompanhando o movimento da pessoa que passasse em frente (um efeito ilusório que frequentemente parece existir em quadros pintados, quando o pintor coloca os olhos mirando bem em frente). Pelo sim e pelo não, Geraldinho terminou rapidinho o tratamento daquela sala e saiu pressuroso. Sala seguinte, Geraldinho, deixado por nós propositalmente à frente do grupo, abriu a porta e acendeu a luz. Bem à sua frente, coisa de um ou dois metros, surge um esqueleto humano (de plástico) preso a um suporte e em posição ereta, com o crânio coincidentemente voltado para a porta. O susto que Geraldinho tomou foi tamanho, que o pulverizador que ele levava ao lado do corpo escorregou e caiu, enquanto ele literalmente pulava para uma distância que ele julgou segura, sob nossas gargalhadas. Pálido, ele nunca havia visto um esqueleto ao vivo e a cores, olhos esbugalhados, murmurava alguma coisa que nunca saberemos o que era. E quem disse que algum de nós conseguiu fazer com que ele retomasse o trabalho naquela sala? Nervoso, dizia que ali ele não entraria mais, pois ele não conseguia sequer imaginar o que iria ter na sala seguinte! Cena muito engraçada! Parabéns, Geraldinho e colegas, pelo seu dia de hoje, estejam onde estiverem!
Marcadores:
dia do controlador
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
A RATAZANA É FIEL À SUA VIZINHANÇA (Rattus norvegicus)
Um estudo publicado na revista Molecular Ecology e citado pelo Science Daily de 27/5/2009, nos conta que, embora as ratazanas (Rattus norvegicus) pareçam que andam sem destino pelas ruas, esgotos e terrenos baldios, na verdade elas são fiéis às suas vizinhanças onde passam a maior parte de suas vidas. Esse estudo foi feito na cidade de Baltimore compreendendo 11 áreas residenciais de onde foram capturadas 300 ratazanas as quais foram estudadas geneticamente para observar possíveis graus de parentesco entre elas. Vale dizer que a cidade de Baltimore nos últimos 50 anos tem conduzido caros programas de controle da população murina, mas o número de ratos aparentemente continua o mesmo, sem grandes mudanças. Os pesquisadores da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg capturaram os espécimes para o estudo, nos dois lados do largo rio (Jones Falls) que corta a cidade em dois e em cada lado separaram duas comunidades de ratos de 11 quarteirões infestados cada; cada uma dessas áreas Cada comunidade foi então dividida em territórios equivalente a uma rua de área. Em cada território os ratos residentes foram examinados quanto a seu código genético para estudar possíveis parentescos. Os pesquisadores descobriram que essas ratazanas tipicamente permaneciam sempre próximas a seus territórios, raramente se aventurando fora de seu quarteirão, embora observassem que em caso de necessidade, algumas delas podiam percorrer quatro ou cinco quilômetros de distância para repovoar áreas abandonadas. Os estudos sugeriram que ratazanas embora raramente emigrem, os esforços de combate podem fracassar devido a essa tendência a repovoar áreas vazias, razão pela qual os pesquisadores recomendam maior abrangência geográfica das campanhas de controle dos roedores.
Marcadores:
ratazana
terça-feira, 20 de setembro de 2011
ÓRA ESSA! BARATAS PREFEREM DOBRAR À DIREITA!
Tem cada coisa sendo descoberta todos os dias! Um grupo de pesquisadores (todos muito sérios) da Universidade do Texas decidiu estudar a lateralização do cérebro de... baratas de esgoto (Periplaneta americana). Queriam saber se as baratas têm predominância de lado em seus cérebros, como os humanos. A lateralização é bastante estudada em vertebrados, mas poucos estudos existem em insetos. Os pesquisadores decidiram estudar o comportamento das baratas americanas em seu processo de decidir para que lado ir quando lhes é dada a opção de escolha. As baratas eram colocadas em um tubo de vidro em forma de Y e tinham que decidir para que lado ir, esquerda ou direita. Nas extremidades do tubo era colocado baunilha e etanol ao acaso, para atrair as baratas e as posições dessas substâncias eram constantemente trocadas de posição. Em seguida, uma das antenas das baratas (de forma alternada) era parcialmente amputada para verificar se isso influiria na decisão de caminhar para a esquerda ou para a direita (como sabemos, as antenas das baratas são responsáveis pelos sentidos do olfato e do tato). Uma simples análise estatística do ensaio mostrou que o etanol e a baunilha não interferiram significativamente na escolha de para qual lado a barata caminharia. O dano a uma das antenas de fato influiu na decisão da barata, mas quando ambas as antenas eram parcial e igualmente amputadas, houve uma clara tendência de optar por dobrar à direita. A conclusão que os pesquisadores chegaram é que a barata P. americana têm uma dominância à direita quando se trata de olfato e tato.
E o que é que isso nos ajuda, aos controladores de pragas. Sei lá, mas fico imaginando que se dispusermos iscas ou armadilhas colantes sempre no lado direito das quinas, quem sabe não aumenta nossa margem de sucesso em combater baratas de esgoto?
(post baseado e adaptado da revista Journal of Insect Behavior – Vol 24, Número 3, 175-185)
Marcadores:
Baratas,
lateralização,
Periplaneta americana
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
SOBRE OS PIOLHOS DE GALINHAS (Dermanyssus gallinae)
Recebo de um amigo e leitor, uma consulta sobre o piolho de galinhas (Dermanyssus gallinae) em ambiente urbano. Relata que deparou com um caso de alta infestação em galinhas criadas no quintal de uma residência e que estariam já invadindo até a casa do proprietário, criando uma situação bem séria. Então, vamos aproveitar a oportunidade para darmos um passeio (como sempre faço) sobre esse tema.
Piolho de galinhas, ácaro das galinhas, ácaro vermelho, piolhinho, bicho de galinha, carrapato de galinha e outros nomes populares e regionais deste país continente. Na avicultura industrial, torna-se uma temível praga que afeta fortemente a aves de postura, principalmente, porque espoliam a ave, sugam-lhe o sangue podendo levar à anemia, causam enorme stress com conseqüente queda na produção de ovos. De fato, no sistema de criação em gaiolas, a galinha poedeira mal consegue virar-se para poder remover com o bico os ácaros que se alojam em sua cloaca; há granjas que usam o sistema de colocar até duas poedeiras por gaiola, prática que impossibilita qualquer movimento que a ave possa executar para remover os ácaros de sua cloaca. Eu, particularmente, embora entenda a busca pela produtividade, abomino essa prática. Mas voltemos ao tema.
Duas espécies de ácaros se confundem sob o nome de ácaro vermelho das galinhas: o Demanyssus gallinae (prevalente) e o Ornythonissus bursa (menos frequente). Como ambos têm ciclos biológicos e ações daninhas muito parecidos, vamos nos ater ao mais comum que é o D.gallinae. O ácaro vermelho (assim chamado porque ao se alimentar fica ingurgitado com o sangue da pobre galinha) é um ectoparasita de galinhas e de outras aves (pombos, pardais, etc). Costumam passar o dia escondido em fendas e gretas das instalações onde as aves estão alojadas (onde cruzam e põem seus ovos) e à noite, buscam-nas para se alimentar. Em condições ideais, seu ciclo biológico pode se completar em apenas sete dias (adulto, ovo, larva, ninfas e adulto novamente). Embora precisem de uma ave para completar seu ciclo, os ácaros vermelhos podem infestar mamíferos incluindo os humanos, causando dermatites e lesões de pele. Além da espoliação, os ácaros vermelhos podem transmitir doenças às aves como a salmonelose e a espiroquetose aviária. O dermanissus pode sobreviver em um galpão vazio de aves, por até 10 meses.
O combate aos ácaros vermelhos passa pelo tratamento das aves, mas principalmente pela desinfestação das instalações. Claro que ideal seria tratar as instalações quando estivessem vazias, sem a presença das aves. Na avicultura industrial esse período se chama “vazio”, mas em uma criação doméstica, as galinhas estão sempre presentes, de forma que ao planejarmos o combate, temos que tratar as aves e as instalações ao mesmo tempo. Antes de tudo, é preciso ter em mente que as infestações por ácaros vermelhos são muito persistentes e um tratamento isolado dificilmente resolverá o problemas, tendo que ser repetido algumas vezes com intervalos relativamente curtos (máximo de um mês); todavia, não deve ser muito curto (mínimo de uma semana), pois as aves podem se intoxicar.
Se não estivermos lidando com cepas já resistentes a certos acaricidas, até que o tratamento é relativamente simples, uma vez que os ácaros são sensíveis à maioria dos biocidas. Bons piretróides, carbamatos (como o propoxur) e até organofosforados rápidos (como o DDVP), em dosagens leves, podem ser utilizados quando pulverizados ou polvilhados brevemente nas aves. Quando o número de galinhas é relativamente pequeno, pode-se executar o tratamento uma a uma, colocando o acaricida diretamente na cloaca por gotejamento ou polvilhamento (se o produto for um pó seco). Mas, como os ácaros concentram-se nas instalações e não nas aves, é ali que devemos priorizar a aplicação dos acaricidas. Frestas, reentrâncias, gretas, desvãos, além das próprias gaiolas (ou galinheiros) devem ser pulverizadas (ou polvilhadas) rigorosamente, incluindo as estruturas mais próximas que possam estar servindo de esconderijo diurno aos ácaros. Experimentei com muito sucesso um produto microencapsulado, certa vez, que sequer influiu na postura do plantel. Não esqueçamos que ninhos de aves silvestres nas proximidades do galinheiro, pinteiro ou galpão, devem ser removidos e evitados.
Marcadores:
ácaro vermelho das galinhas,
Dermanyssus gallinae
domingo, 4 de setembro de 2011
OUTRA VEZ FALANDO SOBRE PERCEVEJOS DE CAMA (BED BUGS)
A julgar pelos insistentes pedidos de informação que recebo sobre os percevejos de cama (Cimex lectularius), mundialmente conhecidos como Bed Bugs, esse problema deve estar acontecendo com grande freqüência e de forma preocupante, especialmente para os controladores profissionais de pragas a quem, em última análise, espera-se que saiba o que fazer. Vamos dar uma volta nesse tema evitando detalhes da biologia já abordados em post anterior.
Por volta dos anos 50, 60s e 70s, os percevejos atacavam rijo e eram considerados uma das principais pragas principalmente de hotéis, hospedaria, pensões e assemelhados em muitos países e regiões do globo. Já na década de 50 começou um intenso uso de DDT (seguido do uso sucedâneo do malation) para combater esses percevejos e os resultados foram ótimos. Esses compostos não só eliminavam as infestações, como davam um efeito residual que perdurava por muitos anos. O DDT, um inseticida clorado considerado o “pai” de todos os inseticidas modernos, foi apontado, na época, o “inseticida perfeito” para controlar os percevejos de cama. Porém, exatamente essa “qualidade” do DDT é que foi sua ruína, tal o volume de intoxicações agudas e crônicas que causava em pessoas que entravam em contato direto com esse poderoso inseticida, até que ele acabou sendo banido para uso urbano e finalmente também na lavoura. Além do que, o intenso uso do DDT de 1945 a 1955 no combate aos percevejos de cama, acabou por disparar o surgimento de percevejos resistentes, por sorte, sensíveis ao malation. Seja como for, essa praga praticamente desapareceu, ou era isso que se pensava. Nos últimos anos, contudo, os cimicídeos (nome que engloba todas as espécies de percevejos) retornaram e com força total. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 30% dos hotéis e assemelhados encontram-se infestados por percevejos de cama, causando grandes prejuízos econômicos à rede hoteleira e riscos aos usuários. Um conhecido meu hospedou-se recentemente em um hotel quatro estrelas próximo ao centro de Nova York e lá ficou apenas por uma noite, tendo até sido trocado de quarto porque foi picado por vários percevejos. Essa praga também já chegou ao Brasil (eu particularmente suspeito que nunca tivesse ido embora) e está se disseminando com rapidez.
Como ocorre essa dispersão? Como um percevejo pode ir de um local a outro com facilidade? Na maioria das vezes, de forma passiva, sendo levados de um local a outro no interior de móveis, bagagens, caixas, roupas, etc. Eventualmente podem ser transportados por morcegos, pássaros e até roedores, seus hospedeiros naturais. De qualquer forma, fazem de hotéis e assemelhados, abrigos, complexos de apartamentos, dormitórios e congêneres seus habitats urbanos. Os percevejos têm clara preferência a se alojar próximo de suas fontes de alimento, ou seja, onde existam seres humanos, um suprimento precioso de sangue. Mas, se um incauto percevejo se meter a picar uma pessoa desperta, vai ser pronta e rapidamente esmagado com um solerte tapa da quase vítima. De forma que os espertos percevejos esperam que a pessoa durma para só então buscar sua próxima refeição. Picam à noite, quando estamos dormindo, os bandidinhos. Se a vítima tiver sono pesado, azar! Essa é a razão pela qual os percevejos se alojam preferencialmente nas dobras de colchões ou mesmo no seu interior, entrando por rasgos que possam ter. Alojam-se também na fendas e gretas das estruturas das camas ou dentro delas em camas tubulares de metal. Abrigam-se atrás de painéis e outras estruturas do quarto, embaixo de tapetes e outros locais onde possam se esconder durante o dia.
E daí? Como faço para combatê-los? Bem, não posso usar mais nenhum daqueles poderosos inseticidas clorados ou mesmo fosforados devido aos agora conhecidos riscos de intoxicação das pessoas que possam fazer uso das instalações tratadas. O combate aos percevejos hoje em dia envolve muitos fatores ambientais, tanto quanto o uso de algum biocida, se quisermos zerar a infestação em um dado local. O profissional controlador tem que ser metódico e detalhista, enquanto que o contratante tem que entender a extensão do problema, ser cooperativo e ter paciência até que os resultados finais apareçam. Quase nenhuma infestação será erradicada com apenas um tratamento isolado; essa meta poderá ser atingida, mas vai requerer uma série de tratamentos intervalados, além de mudanças ambientais (Manejo Integrado de Pragas - MIP lembram-se?)
Um guia passo a passo do controle de percevejos da cama (bedbugs) poderia ser, a grosso modo, assim delineado:
• Rigorosa inspeção das instalações infestadas incluindo áreas adjacentes de possível infestação. Ex: todos os quartos do mesmo andar onde se situa um quarto infestado em um hotel. Talvez até de andares próximos.
• Cuidadosa localização dos pontos onde os percevejos possam estar se abrigando.
• Detalhado planejamento do “modus operandi” no combate a ser executado. Lembre-se que um hotel, por exemplo, dependendo da época do ano, não pode manter muitos quartos interditados por longos períodos de tempo.
• Apresentar e discutir o planejamento com o contratante, procurando sempre explicar as razões biológicas que serviram de base para seu plano. Obter sua cooperação a qualquer custo.
• Implementar as ações de combate, de correção ambiental e de prevenção (estou novamente falando de MIP, certo?).
• Estabelecer um programa de monitoramento periódico para surpreender novas infestações ainda quando iniciais.
E como proceder para o tratamento com biocidas (eliminação das infestações já existentes)? Pelo menos por enquanto, há poucas notícias no mundo inteiro sobre o surgimento de linhagens de percevejos resistentes a certos grupos químicos dos biocidas, o que é um ponto a nosso favor. Como posso tratar?
• O ideal é o expurgo dos colchões, boxes e mobiliário infestados, fazendo uso do gases apropriados, como o brometo de metila. Não recomendo esse método para o profissional que não o domina, por ser de alto risco. Trata-se do emprego de um gás letal se inalado por seres humanos e, portanto, só com conhecimento de causa e medidas adequadas e apropriadas de segurança. Vai requerer uma câmara de expurgo ou uma envelopagem da pilha de colchões rigorosamente vedada com lençol plástico e exposição ao gás por 72 horas. Nada resiste a esse tipo de tratamento, mas, repito, é um procedimento técnico de grande risco e não vai ser nesse blog que o profissional controlador vai encontrar a metodologia operacional do expurgo.
• Não sendo ou não podendo expurgar, podemos pensar no uso de vapor de água para eliminar os adultos, as larvas e os ovos dos percevejos. Aplicar vapor com um desses equipamentos portáteis pode ser uma alternativa ecológica e eficaz, pois a temperatura do vapor atinge 100˚C que é letal para as diferentes formas do percevejo.
• Entre as medidas não químicas que poderão ajudar a erradicar infestações, podemos citar o uso apropriado de aspiradores de pó, a selagem dos colchões em sacos plásticos resistentes, o fechamento de gretas, pequenos desvãos e outros possíveis esconderijos dos percevejos.
• O emprego de biocidas deve ser fortemente considerado ao lado de medidas alternativas não químicas. Embora os percevejos de cama sejam sensíveis à maioria dos inseticidas, no mercado brasileiro não há muitos produtos que tenham no rótulo a indicação de uso contra essa praga. Em princípio porque as indústrias produtoras desses biocidas não estavam muito atentas para esse nicho de mercado e não se dedicaram a testar seus produtos contra os cimicídeos; consequentemente, não têm essa indicação nos rótulos. Dessa maneira, os profissionais controladores de pragas devem ser muito criteriosos na escolha dos biocidas que vão utilizar.
• A meu ver, formulações em pó, pós molháveis e microencapsuladas seriam as mais indicadas para o controle químico dos percevejos de cama, desde que correta e adequadamente aplicadas, sem expor os seres humanos a maiores riscos. Lembrem-se que uma pessoa vai passar pelo menos oito horas deitada em um colchão a cada noite.
O assunto é vasto e poderíamos abordar ainda muitos aspectos do tema, mas isto aqui é apenas um post. Quem sabe nossos leitores mais atentos possam ter tirado alguma informação útil desta nota. Quem sabe!
Por volta dos anos 50, 60s e 70s, os percevejos atacavam rijo e eram considerados uma das principais pragas principalmente de hotéis, hospedaria, pensões e assemelhados em muitos países e regiões do globo. Já na década de 50 começou um intenso uso de DDT (seguido do uso sucedâneo do malation) para combater esses percevejos e os resultados foram ótimos. Esses compostos não só eliminavam as infestações, como davam um efeito residual que perdurava por muitos anos. O DDT, um inseticida clorado considerado o “pai” de todos os inseticidas modernos, foi apontado, na época, o “inseticida perfeito” para controlar os percevejos de cama. Porém, exatamente essa “qualidade” do DDT é que foi sua ruína, tal o volume de intoxicações agudas e crônicas que causava em pessoas que entravam em contato direto com esse poderoso inseticida, até que ele acabou sendo banido para uso urbano e finalmente também na lavoura. Além do que, o intenso uso do DDT de 1945 a 1955 no combate aos percevejos de cama, acabou por disparar o surgimento de percevejos resistentes, por sorte, sensíveis ao malation. Seja como for, essa praga praticamente desapareceu, ou era isso que se pensava. Nos últimos anos, contudo, os cimicídeos (nome que engloba todas as espécies de percevejos) retornaram e com força total. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 30% dos hotéis e assemelhados encontram-se infestados por percevejos de cama, causando grandes prejuízos econômicos à rede hoteleira e riscos aos usuários. Um conhecido meu hospedou-se recentemente em um hotel quatro estrelas próximo ao centro de Nova York e lá ficou apenas por uma noite, tendo até sido trocado de quarto porque foi picado por vários percevejos. Essa praga também já chegou ao Brasil (eu particularmente suspeito que nunca tivesse ido embora) e está se disseminando com rapidez.
Como ocorre essa dispersão? Como um percevejo pode ir de um local a outro com facilidade? Na maioria das vezes, de forma passiva, sendo levados de um local a outro no interior de móveis, bagagens, caixas, roupas, etc. Eventualmente podem ser transportados por morcegos, pássaros e até roedores, seus hospedeiros naturais. De qualquer forma, fazem de hotéis e assemelhados, abrigos, complexos de apartamentos, dormitórios e congêneres seus habitats urbanos. Os percevejos têm clara preferência a se alojar próximo de suas fontes de alimento, ou seja, onde existam seres humanos, um suprimento precioso de sangue. Mas, se um incauto percevejo se meter a picar uma pessoa desperta, vai ser pronta e rapidamente esmagado com um solerte tapa da quase vítima. De forma que os espertos percevejos esperam que a pessoa durma para só então buscar sua próxima refeição. Picam à noite, quando estamos dormindo, os bandidinhos. Se a vítima tiver sono pesado, azar! Essa é a razão pela qual os percevejos se alojam preferencialmente nas dobras de colchões ou mesmo no seu interior, entrando por rasgos que possam ter. Alojam-se também na fendas e gretas das estruturas das camas ou dentro delas em camas tubulares de metal. Abrigam-se atrás de painéis e outras estruturas do quarto, embaixo de tapetes e outros locais onde possam se esconder durante o dia.
E daí? Como faço para combatê-los? Bem, não posso usar mais nenhum daqueles poderosos inseticidas clorados ou mesmo fosforados devido aos agora conhecidos riscos de intoxicação das pessoas que possam fazer uso das instalações tratadas. O combate aos percevejos hoje em dia envolve muitos fatores ambientais, tanto quanto o uso de algum biocida, se quisermos zerar a infestação em um dado local. O profissional controlador tem que ser metódico e detalhista, enquanto que o contratante tem que entender a extensão do problema, ser cooperativo e ter paciência até que os resultados finais apareçam. Quase nenhuma infestação será erradicada com apenas um tratamento isolado; essa meta poderá ser atingida, mas vai requerer uma série de tratamentos intervalados, além de mudanças ambientais (Manejo Integrado de Pragas - MIP lembram-se?)
Um guia passo a passo do controle de percevejos da cama (bedbugs) poderia ser, a grosso modo, assim delineado:
• Rigorosa inspeção das instalações infestadas incluindo áreas adjacentes de possível infestação. Ex: todos os quartos do mesmo andar onde se situa um quarto infestado em um hotel. Talvez até de andares próximos.
• Cuidadosa localização dos pontos onde os percevejos possam estar se abrigando.
• Detalhado planejamento do “modus operandi” no combate a ser executado. Lembre-se que um hotel, por exemplo, dependendo da época do ano, não pode manter muitos quartos interditados por longos períodos de tempo.
• Apresentar e discutir o planejamento com o contratante, procurando sempre explicar as razões biológicas que serviram de base para seu plano. Obter sua cooperação a qualquer custo.
• Implementar as ações de combate, de correção ambiental e de prevenção (estou novamente falando de MIP, certo?).
• Estabelecer um programa de monitoramento periódico para surpreender novas infestações ainda quando iniciais.
E como proceder para o tratamento com biocidas (eliminação das infestações já existentes)? Pelo menos por enquanto, há poucas notícias no mundo inteiro sobre o surgimento de linhagens de percevejos resistentes a certos grupos químicos dos biocidas, o que é um ponto a nosso favor. Como posso tratar?
• O ideal é o expurgo dos colchões, boxes e mobiliário infestados, fazendo uso do gases apropriados, como o brometo de metila. Não recomendo esse método para o profissional que não o domina, por ser de alto risco. Trata-se do emprego de um gás letal se inalado por seres humanos e, portanto, só com conhecimento de causa e medidas adequadas e apropriadas de segurança. Vai requerer uma câmara de expurgo ou uma envelopagem da pilha de colchões rigorosamente vedada com lençol plástico e exposição ao gás por 72 horas. Nada resiste a esse tipo de tratamento, mas, repito, é um procedimento técnico de grande risco e não vai ser nesse blog que o profissional controlador vai encontrar a metodologia operacional do expurgo.
• Não sendo ou não podendo expurgar, podemos pensar no uso de vapor de água para eliminar os adultos, as larvas e os ovos dos percevejos. Aplicar vapor com um desses equipamentos portáteis pode ser uma alternativa ecológica e eficaz, pois a temperatura do vapor atinge 100˚C que é letal para as diferentes formas do percevejo.
• Entre as medidas não químicas que poderão ajudar a erradicar infestações, podemos citar o uso apropriado de aspiradores de pó, a selagem dos colchões em sacos plásticos resistentes, o fechamento de gretas, pequenos desvãos e outros possíveis esconderijos dos percevejos.
• O emprego de biocidas deve ser fortemente considerado ao lado de medidas alternativas não químicas. Embora os percevejos de cama sejam sensíveis à maioria dos inseticidas, no mercado brasileiro não há muitos produtos que tenham no rótulo a indicação de uso contra essa praga. Em princípio porque as indústrias produtoras desses biocidas não estavam muito atentas para esse nicho de mercado e não se dedicaram a testar seus produtos contra os cimicídeos; consequentemente, não têm essa indicação nos rótulos. Dessa maneira, os profissionais controladores de pragas devem ser muito criteriosos na escolha dos biocidas que vão utilizar.
• A meu ver, formulações em pó, pós molháveis e microencapsuladas seriam as mais indicadas para o controle químico dos percevejos de cama, desde que correta e adequadamente aplicadas, sem expor os seres humanos a maiores riscos. Lembrem-se que uma pessoa vai passar pelo menos oito horas deitada em um colchão a cada noite.
O assunto é vasto e poderíamos abordar ainda muitos aspectos do tema, mas isto aqui é apenas um post. Quem sabe nossos leitores mais atentos possam ter tirado alguma informação útil desta nota. Quem sabe!
Marcadores:
bedbug,
Cimex lectularius,
percevejo de cama
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
CHEGAMOS ÀS 30.000 VISITAS! É MOLE?
Caramba! E não é que já recebemos 30.000 visitantes no blog do Higiene Atual! Eu disse que só voltaria ao assunto quando chegássemos a essa marca, pois aqui estamos. A essa comemoração, quase não testemunho (esconjuro!) e por isso tem um sabor especial. Nosso contador “dedo duro”, aquele programinha que nos conta on line de onde estão acessando e em que momento isso ocorre (vide na coluna à esquerda), nos informa que o blog recebe visitantes dos mais diferentes Estados brasileiros e também do exterior; tudo muito às claras e com transparência para que ninguém duvide. Nosso programinha de mensagens curtas (interativo) continua recebendo manifestações e sugestões de temas de nossos leitores (coluna igualmente à esquerda da tela principal). Enfim, nosso blog continua atendendo aos objetivos para os quais foi criado: um canal aberto com profissionais controladores de pragas e interessados em temas similares. Que bom!
Grato a todos que nos têm visitado. Volto a comemorar só quando chegarmos a 40.000 visitas, OK?
Grato a todos que nos têm visitado. Volto a comemorar só quando chegarmos a 40.000 visitas, OK?
Marcadores:
visitas
domingo, 28 de agosto de 2011
QUANDO SE TRATA DE COMER, OS RATOS SEGUEM SEU OLFATO
Adoro o cheiro inebriante de um cafezinho sendo preparado, até mais que seu gosto. Será que se eu não sentisse cheiros os gostos seriam iguais ao que sinto hoje? Até que ponto o gosto depende do olfato? Essas perguntas estão sendo feitas pelo pesquisador Don Katz, um professor de psicologia e neurociência, e sua equipe, ao investigar um curioso comportamento de ratos. Segundo o professor Katz, os ratos escolhem o que preferem comer (quando há mais de uma opção) a partir do odor exalado pelo hálito de outros ratos. Isso é verdade mesmo quando os ratos são confrontados com gostos muito amargos como o cacau in natura, um alimento que usualmente não lhes interessa. Como os ratos são animais sociais, o experimento está sendo conduzido em condições de laboratório, mas os pesquisadores assumem que o mesmo comportamento ocorra em vida livre.
O experimento consiste em uma sessão chamada de “treinamento” e outra chamada de “teste”. Na primeira parte, um rato é colocado na presença de outro rato que acabara de comer certo alimento; o primeiro rato era então colocado frente a diferentes alimentos e ele sempre ia comer o que havia cheirado no hálito do segundo rato. Mas se após exposto ao hálito do que havia comido o alimento, o rato “cheirador” tinha seu senso de olfatar suprimido (através de uma pequena incisão no córtex cerebral isolando o centro primário do olfato), ele buscava qualquer alimento indistintamente. Todavia, quando o centro desativado era o do gosto, o rato seguia buscando aquele alimento que anteriormente havia sentido no hálito do rato que havia se alimentado.
O prof. Katz afirma que esses estudos ajudarão a compreender melhor a inter relação entre olfato e paladar no ser humano, já que uma série de intercorrências afetam o sentido do olfato em pessoas.
Enquanto isso, nós, os controladores de pragas, aprendemos um pouquinho mais sobre a neurofisiologia dos roedores, não é?
Marcadores:
olfato dos roedores
terça-feira, 23 de agosto de 2011
VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DA BARATA SURINAMENSE (Pycnocelus surinamensis)?
Há alguns anos atrás, ainda no tempo em que o Higiene Atual era um periódico impresso (do qual fui o Editor) editado e distribuído por um laboratório produtor de biocidas onde trabalhei por muitos anos, a bióloga Lucy Ramos Figueiredo (atual Diretora Técnica da ABCVP), alertava sobre a entrada no Brasil de uma então nova espécie de barata, a Pycnocelus surinamensis, a barata surinamense. De lá para cá, ainda que nenhum estudo específico tenha sido efetuado em nosso país, escuta-se muitos relatos de profissionais controladores de pragas de diferentes regiões do país descrevendo, com dúvidas, a ocorrência de uma certa barata infestando caracteristicamente alguns clientes. Então vamos fazer um rápido resumo dessa barata, até para que os leitores possam identificá-la e combatê-la corretamente.
A barata surinamense é uma comedora de plantas e raízes que escava o solo para se esconder ou se mistura ao lixo na superfície. É capaz de atacar diferentes tipos de plantas no jardim e nos vasos ornamentais, entrando dessa forma no interior de residências e outros estabelecimentos. Embora não seja uma barata que possa ser considerada estritamente uma praga, a barata surinamense representa um incômodo nas dependências onde haja plantas ornamentais. Por não ser muito comum, frequentemente é confundida com a barata de esgoto (P.americana) ou mesmo com a barata oriental (B.orientalis). Essa espécie é de tamanho moderado (18 a 25 mm de comprimento), com asas que se estendem além do corpo; seu pronoto (a parte anterior do corpo) é escuro e as asas têm um tom ligeiramente esverdeado. Suas ootecas são guardadas pelas fêmeas dentro do corpo até o momento da eclosão (ela produz até três ootecas com aproximadamente 26 ovos em cada uma); as ninfas alcançam a maturidade em mais ou menos 140 dias e depois de adultas, vivem cerca de 307 dias.
Não se sabe muito ainda sobre a biologia da barata surinamense, mas há coisas interessantes a observar. Uma delas: até hoje nunca foi descoberto um macho nessa espécie, o que sugere fortemente que ela seja partenogenética, isto é, a fêmea reproduz-se sozinha, como ocorre nos escorpiões amarelos (Tytius serrulatus). Têm hábitos noturnos e dão extensos passeios antes de voltar a seus abrigos para passar o dia. Sabem quem a descreveu cientificamente? Carlos Lineu, aquele! Danado!
Felizmente são sensíveis a qualquer tipo de inseticida empregado usualmente contra baratas. Vasos com plantas ornamentais devem ser adequadamente tratados e lixo solto deve ser removido nos ambientes infestados pela barata surinamense.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
OLHA SÓ: ANTIBIÓTICO NO COMBATE A CUPINS!
Há muitos cientistas pesquisando novos compostos e abordagens para o controle de pragas no mundo inteiro. Só isso já nos dá uma ideia de quão importante esse tema se tornou, mobilizando milhões de dólares por ano. Algumas dessas pesquisas não levam a lugar nenhum e nem chegam a ser divulgadas. Outras, todavia, parecem ser promissoras e ganham certo destaque na mídia e nos círculos técnicos.
A revista científica ScienceDaily, edição de 19 de julho último, trouxe uma nota muito interessante citando um trabalho veiculado pelo jornal Applied and Environmental Microbiology, edição também de julho/2011, 77 (13), de autoria dos pesquisadores R. B. Rosengaus, C. N. Zecher, K. F. Schultheis, R. M. Brucker e S. R. Bordenstein, cientistas da Universidade Northeastern de Boston, Massachussets.
Como sabemos, a flora bacteriana do trato digestivo dos cupins é absolutamente necessária tanto para processar a digestão da celulose, quanto para sua reprodução.
Aliás, essa flora dos cupins é sempre citada como o caso mais clássico de simbiose da Natureza (onde os dois seres tiram proveito mútuo). Pois bem, um grupo de cientistas pensou em estudar o que aconteceria se essa flora bacteriana fosse eliminada. Queriam saber se dando algum antibiótico aos cupins, algum que fosse eficaz na eliminação das bactérias existentes no trato digestivo dos cupins, o que ocorreria com esses cupins. Parece uma ideia interessante, não parece? Sugere que certas novas tecnologias possam advir dessa pesquisa para controlarmos insetos sociais como os cupins.
A Dra. Rebecca Rosengaus, porta voz do grupo, conta que a um grupo experimental de cupins (reis e rainhas), foi dado o antibiótico rifampina, enquanto a outro grupo, atuando como grupo testemunha, foi dado apenas madeira e água. O tratamento com o antibiótico reduziu em caráter permanente a diversidade das bactérias microbiontes do trato digestivo dos cupins. Embora a taxa de mortalidade nesse grupo fosse mais alta que no grupo testemunha, os pesquisadores não acham que isso se deu devido subnutrição ou mesmo desnutrição. O que observaram é que nos indivíduos sobreviventes, ocorreu queda na oviposição, o que resultou em retardo no crescimento da colônia e também redução do estado de saúde dessa colônia. “Esses resultados apontam para o potencial uso de antibióticos no controle de cupins e talvez outros insetos pragas, ao invés do emprego de compostos químicos agressivos ao ambiente”, diz a Dra Rosengaus. Ela ainda especula que a rifampina reduziu a fertilidade e a longevidade dos cupins tratados, ao desequilibrar a balança ideal das diferentes espécies de bactérias do trato digestivo que atuam na digestão da celulose, mas também na reprodução dos cupins. Ela ainda especula sobre o ainda desconhecido verdadeiro papel da flora digestiva de outra espécie social: os seres humanos!
Está aí, portanto, uma nova vertente de estudos e quem sabe, um dia, não venhamos a aplicar... antibiótico para controlar cupins!
Marcadores:
antibióticos,
controle de cupins,
cupins
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
QUEM É O PROFISSIONAL CONTROLADOR DE PRAGAS?
Certa vez, há muito tempo atrás, estou falando possivelmente cerca de 13 ou 15 milhões de anos atrás, um milhão a mais ou um milhão a menos, um grupo de humanóides, nossos antepassados primitivos, encontrou um temível tigre de dentes de sabre preso dentro de um buraco onde havia caído e donde não conseguia sair. O grupo exultava, pois ali estava um bocado de alimento disponível, bastando abater o poderoso animal. Lá no meio desse grupo, um tátara-tátara-arqui-avô nosso, não viu só isso. Ele viu uma maneira de capturar outro tigre ou outro animal que pudesse se transformar em alimento para o grupo. Tentando, errando, corrigindo, novamente tentando e ele finalmente conseguiu montar uma armadilha razoavelmente bem sucedida. Virou celebridade instantânea na tribo! Teria sido ele o precursor dos atuais profissionais controladores de pragas? Gosto de pensar que sim.
Vamos dar um extraordinário salto na história. Já é a primeira metade do século passado, o século XX. A civilização havia avançado incrivelmente, os conhecimentos, o saber, as cidades já haviam se organizado, as classes sociais se estratificaram, a evolução sócio/econômica/cultural havia progredido de maneira notável. As descobertas científicas aconteciam quase que diariamente e os jornais e revistas se encarregavam de divulgar os novos acontecimentos. Já havia o conceito de pragas mais ou menos estabelecido há alguns séculos. No campo, eram os animais (insetos ou mamíferos, em princípio) que atacavam as lavouras produtoras de alimentos e os depósitos de armazenagem após sua colheita. Nas cidades, eram todos os “bichos” que adentravam às nossas casas, armazéns, depósitos, estabelecimentos e indústrias e nos causavam toda sorte de problemas. O que não existia era um combate razoavelmente bem sucedido. Nessa altura, desde o século anterior, a sociedade começou a desejar que existisse um profissional capaz de aliviar a pressão das pragas em todos os sentidos. Obviamente não demorou muito para que surgisse um tipo de profissional que se dedicasse a esse nicho de mercado. Tendo adquirido alguns conhecimentos técnicos nos ainda poucos escritos da época e armado de artefatos, ervas e certos pós minerais ou orgânicos, lá ia nosso precursor se propondo a controlar pragas infestantes em diferentes tipos de locais. Tarefa ingrata, pois os resultados nunca eram satisfatórios. Na verdade, nosso amigo era em certas comunas, considerado um cidadão de segunda classe, posto que para exercer seu trabalho, tinha que se meter em esgotos, porões e outros locais onde a maioria das pessoas passava longe e torcia o nariz. E ele fazia o que podia usando as armas que dispunha; os inseticidas eram à base de infusões de tabaco, extratos de rotenona, certos compostos minerais como o tálio, o arsênico, o ácido bórico e outros compostos de risco e resultados duvidosos. Às vezes dava certo, às vezes não.
Já por volta de 40 a indústria química buscava compostos orgânicos sintéticos que fossem capazes de eliminar pragas da lavoura, uma vez que a demanda por alimentos havia crescido enormemente e grande parte das colheitas eram destruídas por determinadas pragas infestantes. Finalmente, em 1938, foi descoberto o famoso DDT que, na verdade, havia sido sintetizado 10 anos antes na Suíça, mas que ficara esquecido em alguma gaveta. Esse novo composto abria uma nova e incrível era no combate e controle das pragas na lavoura e, por extensão, nas cidades. Finalmente tornou-se possível praticar um controle efetivo e consistente. Na esteira do sucesso do DDT vieram outros inseticidas organoclorados como o BHC, o eldrin e o dieldrin. O profissional controlador de pragas ganhou um novo alento e, afinal, um status social alavancado pelo desejo crescente da sociedade em se livrar de certas pragas com as quais era obrigada a conviver até então. Naturalmente a lavoura agradeceu, a saúde pública agradeceu e o cidadão comum agradeceu. Vieram depois os organofosforados menos agressivos ao ambiente, os carbamatos, e os piretróides e os IDIs, sem esquecer os warfarínicos tão efetivos e eficazes no combate aos roedores. Ao mesmo tempo, os conhecimentos sobre os mais diferentes aspectos da biologia, bioquímica e o contexto das pragas nas biocenoses e ambientes, evoluíam de forma galopante.
E assim chegamos a nossos dias atuais. O profissional controlador de pragas passou a ter um papel exclusivo dentro do contexto social. O que temos hoje em todo o mundo? Empresas de todos os portes e tamanhos militando nessa especialidade profissional com grande sucesso comercial, algumas delas com base familiar e outras como negócio comercial, formando uma verdadeira indústria potencialmente geradora de milhões de dólares e dando empregos a um incontável número de profissionais de diferentes tipos. Quem é afinal, o profissional controlador de pragas? É apenas o operador que coloca um equipamento às costas e sai aplicando certos compostos químicos para onde é chamado? Negativo! É também o atendente telefônico que passa oito horas por dia recebendo os chamados e lidando com a clientela e é seu colega que organiza os chamados e prepara os roteiros das equipes. É o chefe da equipe de campo que a acompanha preparando tudo para que o tratamento possa surtir resultados. É o Responsável Técnico sempre preocupado com as operações e buscando novos conhecimentos. É a secretária e demais componentes da equipe administrativa da empresa. É o atarefado comprador, o contador e o almoxarife. É o porteiro e a faxineira. E é também o gerente e até o próprio dono da empresa. Todos são profissionais controladores de pragas. Juntos, lutam diariamente para manter seus negócios, mas ao mesmo tempo propiciando uma melhor qualidade de vida para sua clientela ao criar ambientes de moradia ou de trabalho livres de pragas ou com seus níveis sob controle. Preservam a saúde do ser humano, melhoram o bem estar das pessoas.
E olhem, se precisarem adentrar a uma rede de esgotos ou algum porão escuro, o fazem sem medo, pois o conhecimento técnico e especializado que adquiriram, os protegem!
Marcadores:
controlador de pragas
quinta-feira, 30 de junho de 2011
O CHEIRO DO PERIGO
Os mecanismos dos comportamentos instintivos são misteriosos, como era até agora a simples reação de perceber e evadir-se de predadores que os camundongos apresentam, inclusive percebendo outras espécies perigosas que ele nunca havia encontrado anteriormente. David Ferrero e Stephen Liberles, ambos neurocientistas da Escola Médica de Harvard, descobriram um composto único encontrado em altas concentrações na urina de carnívoros, o qual dispara uma reação instintiva de repelência em camundongos e ratos fazendo com que eles protejam-se em fuga; os pesquisadores publicaram um interessante trabalho nos anais da Academia Nacional de Ciência (online) de junho 2011. Essa pesquisa havia começado em 2006 quando Liberles trabalhava com neurônios receptores de odores e identificou a que odor o TAAR4 respondia. Os camundongos têm cerca de 1.200 tipos diferentes de neurônios receptores de odores e 14 tipos de TAARs, razão pela qual seu olfato é tão apurado. Só para que avaliemos, a espécie humana tem cerca de 350 tipos de neurônios que identificam odores e aproximadamente cinco TAARS. Enquanto isso, no mesmo laboratório, David Ferrero, um estudante graduado, pesquisava que compostos naturais eram detectados pelos TAARs e descobriu que um deles era capaz de detectar o odor de diversos carnívoros(o TAAR4). A dupla juntou suas pesquisas e parece que eles haviam descoberto um “kairomônio”, um composto químico que funcionava como feromônio, exceto que era percebido por diferentes espécies ao invés de apenas entre membros de uma mesma espécie. Esse kairomônio é bastante volátil e assim, ratos e camundongos podiam senti-lo a grande distância, o que os colocava em alerta e disparava o mecanismo de fuga dependendo de sua intensidade. Para os roedores isso é “cheiro de perigo”. Ferrero identificou o composto contido na urina de predadores (2-feniletilamina) produzido pelo metabolismo dessas espécies, o qual dispara o mecanismo de fuga nos roedores. Em seguida ele estudou a urina de 38 espécies de mamíferos e descobriu que havia altos teores do 2-feniletilamina em 18 a 19 espécies, todos carnívoros; enquanto que a urina de mamíferos não predadores (como o coelho, a girafa e macacos) não continha esse composto. Os roedores testados para esse composto manifestavam alto poder de repelência aas urinas dos predadores e quando esse composto era retirado dessas urinas, os roedores deixavam de responder com fuga. Nós os humanos, não temos o gene que produz os neurônios TAAR4 e portanto, nada percebemos ao sentirmos o odor de carnívoros, mas temos o TAAR5 que registra reação de forte repugnância a certos odores.
A importância dessas pesquisas é grande e variada. Pode ser um começo para que desenvolvamos produtos capazes de realmente afugentar roedores de certa área. O tempo dirá.
Este post foi baseado e adaptado de revista online Science Daily de 28/06/2011
A importância dessas pesquisas é grande e variada. Pode ser um começo para que desenvolvamos produtos capazes de realmente afugentar roedores de certa área. O tempo dirá.Este post foi baseado e adaptado de revista online Science Daily de 28/06/2011
Marcadores:
feromônios,
TAARs
terça-feira, 28 de junho de 2011
TRATAMENTO DO RIO PINHEIROS CONTRA O MOSQUITO CULEX
Uma das responsabilidades do CCZ/SP – Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo - é o monitoramento e controle dos criadouros de mosquitos em certos pontos do Rio Pinheiros, um rio poluído que atravessa parcialmente a cidade de São Paulo e deságua no também poluído Rio Tietê. Próximo a esse deságue o Rio Pinheiros executa uma curva que torna suas águas naturalmente mais lentas; essa condição somada a outras bem peculiares, faz com que ali se mantenham criadouros permanentes de mosquitos, notadamente o Culex quinquefasciatus, causando sérios transtornos aos moradores da região. Há anos o combate químico vem sendo executado pelo CCZ com resultados variáveis. Neste ano os técnicos do CCZ planejaram experimentar uma nova técnica de combate: aspersão aérea de Bacillus sphoericus em formulação granulada sobre os conhecidos focos naquele Rio (vide post anterior sobre esse assunto). Questões técnicas ligadas à permissão do vôo do helicóptero que aplicaria o produto retardaram a operação, mas ela acabou, finalmente, acontecendo. O biólogo Carlos Madeira que lidera a equipe responsável por esse ensaio, nos conta que inicialmente estava previsto o tratamento de uma área de 11,4 ha, mas por razões de segurança do vôo (a referida área fica relativamente próxima ao aeroporto de Congonhas, é rota de pouso de aviões e há pontes cruzando o rio com trânsito intenso de autos), a área teste foi diminuída para 8,6 há. Para garantir a segurança dos veículos passantes nas pontes, um trecho delimitado em 100 m antes de depois de cada ponte não foi tratado. Pontos de monitoramento foram previamente escolhidos, para leituras antes e depois do tratamento. C onta-nos Carlos Madeira que no dia 17/6 testes de calibração do equipamento aplicador apontaram a dosagem de 40 kg/ha, com lançamento de 18,1 kg por minuto, enquanto o helicóptero voava a 30 m do solo a uma velocidade de 80 km/h. Com esses parâmetros, foram aplicados na área teste aproximadamente 400 kg do B.S. granulado.
Pode ser que o leitor menos avisado ache que esse tratamento seja algo simples e que já é de conhecimento e uso corriqueiro em outros países, pois às vezes essa prática é até divulgada em noticiários televisivos. Pois não é não! Todo um planejamento técnico minucioso precede à aplicação propriamente dita e as variáveis envolvidas são por demais complexas para que o teste tenha valor científico. Afinal, o que se pretende nesse tratamento em massa, é uma avaliação final sobre os resultados obtidos, servindo de base para a decisão de adotar ou não o método da aspersão aérea em um centro urbano densamente povoado como a metrópole São Paulo. Quem trabalha em um órgão público de controle de zoonoses e de certas pragas transmissoras, entende o valor que o ensaio tem. Esperamos que a equipe responsável nos informe sobre os resultados obtidos assim que possível, para que possamos divulgar aos leitores deste blog.
A foto acima mostra a área do ensaio demarcada e em vermelho, os pontos não aplicados. Parabéns pelo excelente trabalho moçada!
Pode ser que o leitor menos avisado ache que esse tratamento seja algo simples e que já é de conhecimento e uso corriqueiro em outros países, pois às vezes essa prática é até divulgada em noticiários televisivos. Pois não é não! Todo um planejamento técnico minucioso precede à aplicação propriamente dita e as variáveis envolvidas são por demais complexas para que o teste tenha valor científico. Afinal, o que se pretende nesse tratamento em massa, é uma avaliação final sobre os resultados obtidos, servindo de base para a decisão de adotar ou não o método da aspersão aérea em um centro urbano densamente povoado como a metrópole São Paulo. Quem trabalha em um órgão público de controle de zoonoses e de certas pragas transmissoras, entende o valor que o ensaio tem. Esperamos que a equipe responsável nos informe sobre os resultados obtidos assim que possível, para que possamos divulgar aos leitores deste blog.
A foto acima mostra a área do ensaio demarcada e em vermelho, os pontos não aplicados. Parabéns pelo excelente trabalho moçada!
Marcadores:
controle de mosquitos,
Culex quinquefasciatus,
tratamento aéreo
sábado, 18 de junho de 2011
PRINCIPAIS DÚVIDAS NA APLICAÇÃO DE FORMULAÇÕES INSETICIDAS
Raramente encontraremos inseticidas na sua formulação técnica, ou seja, o ingrediente ativo (i.a.) puro, na concentração de 100%. O que temos à disposição no mercado são formulações em diferentes concentrações do i.a. mais alguns outros componentes químicos que desenham a formulação final, variando de fabricante para fabricante. Esses outros componentes da fórmula podem ser diluentes, solventes, emulsificantes, estabilizantes, etc. As formulações mais comuns podem ser: concentrados emulsionáveis (CE), pós secos (DP), pós molháveis (WP), microencapsulados (CS), aerossóis e algumas outras. (Os inseticidas secos podem ser iscas, grânulos, géis e pós).
A escolha da formulação a ser utilizada pode ser tão importante quanto à própria escolha do i.a. Por isso, antes de sairmos comprando diferentes formulações, o profissional deve ter um conhecimento prévio da área alvo onde vai empregar os biocidas, razão pela qual a inspeção prévia torna-se mais que necessária. Considere, antes de tudo, as questões abaixo:
1. As formulações podem ser aplicadas em áreas sensíveis de forma segura?
Áreas sensíveis incluem certas áreas de alimentos nos estabelecimentos alimentícios, áreas hospitalares, salas de aula, certas áreas dos zoológicos, etc. São áreas onde as precauções especiais devem ser consideradas antes de aplicar qualquer produto. Preste atenção aos rótulos dos produtos para verificar se eles têm liberação para o tipo de área em que se pretende aplicá-los. Produtos de longo efeito residual, nessas áreas devem ser restritos a aplicação localizada em gretas, fendas, rachaduras e desvãos. Selecione formulações de baixo odor e baixa tensão de vapor. Em áreas sensíveis, géis e iscas são ótimas opções.
2. A formulação escolhida pode afetar plantas (fitotóxicas)?
A fitotoxicidade pode ocorrer com mais freqüência quando se empregam formulações líquidas CE que contenham solventes. Dê preferência a pós molháveis, suspensões e microencapsulados. Evite tratar plantas durante as horas mais quentes do dia e as expostas diretamente à luz solar. Se houver dúvidas quanto à formulação escolhida, faça um préteste no dia anterior tratando apenas uma pequena porção da planta; aguarde 24 horas e avalie os efeitos. Se essa porção tratada exibir diferenças com relação ao resto da planta, não empregue essa formulação, escolha outra.
3. A formulação escolhida é eficiente e eficaz contra os insetos alvos?
Leia o rótulo! A indicação contra esta ou aquela espécie alvo tem que estar indicada no rótulo do produto. Se a espécie alvo for um inseto rasteiro, aplique nos pontos de passagem desses insetos e principalmente em pontos de possível esconderijo. Talvez a opção por formulações sólidas possa ser mais apropriada (isca ou gel).
4. As formulações têm igual efeito em qualquer tipo de superfície a ser tratada?
Definitivamente não! Superfícies porosas, por exemplo, absorvem boa parte da calda aplicada, reduzindo substancialmente o efeito final do produto (concreto, paredes caiadas, superfícies de madeira crua, gesso, etc). Nessas superfícies é preferível optar por formulações como os pós solúveis, os pós molháveis, as suspensões concentradas e os microencapsulados. Exemplos de superfícies semi porosas: látex, madeira envernizada, vinil e fórmica. Exemplos de superfícies não porosas: metálicas, vidro, cerâmica.
5. Como certos fatores ambientais (temperatura, umidade e luz) podem afetar as formulações?
Alguns fatores ambientais começam a agir sobre as formulações inseticidas assim que aplicadas, podendo reduzir significativamente a meia vida do produto escolhido. As altas temperaturas ambientais comprovadamente reduzem a eficácia dos inseticidas, principalmente dos organofosforados. A umidade também pode reduzir a meia vida e o efeito de certas formulações, dependendo do tipo de superfície onde foram aplicadas. Geralmente inseticidas de alta tensão de vapor volatilizam (ou seja, evaporam das superfícies tratadas) mais rapidamente do que os i.a. com baixa tensão de vapor. A perda do efeito residual pela volatilização é maior nas superfícies não porosas. A informação sobre a tensão de vapor de cada i.a. pode ser obtida na folha de informação que todo produto tem, a MSDS (Material Safety Data Sheet), que pode ser fornecida pelo respectivo fabricante. Observe, todavia, que a tensão de vapor de um i.a. pode ser alterada segundo a formulação do produto; por exemplo, a microencapsulação protege o i.a. tornando-o praticamente não volátil. Outros fatores ambientais podem também atuar sobre o produto aplicado como, por exemplo, os raios ultravioletas da luz solar (fotodecomposição). Correntes de ar pode igualmente afetar o biocida aplicado volatilizando-o mais rapidamente. Todos esses fatores podem ser minimizados se adotarmos a técnica de pulverização direta em frestas, gretas, rachaduras e desvãos.
6. As formulações se misturam facilmente com outros inseticidas na calda a ser pulverizada?
Diferentemente dos produtos para pronto uso (ex: iscas, pós, grânulos, aerossóis e géis), os profissionais fazem bastante uso de misturas de tanque. Algumas formulações são mais fáceis de manejar que outras. Formulações líquidas como os CE, os SC e os CS são geralmente preferidas às formulações secas, como os pós molháveis WP, embora os pós embalados em saquinhos solúveis já tenham resolvido essa questão. Em caso de dúvida, sempre teste a mistura escolhida no laboratório da empresa antes de usá-la a campo.
7. A calda pode deixar resíduos aparentes?
Pode sim, especialmente se estivermos empregando formulações em pó. Em ambientes fechados é preferível optar por formulações líquidas como os CE, SC ou CS. Outra coisa: verifique antes de aplicar se a parede já não está coberta por poeira; se estiver, certamente haverá manchas escorridas quando você pulverizar sua calda. Olho vivo!
segunda-feira, 13 de junho de 2011
ARMADILHINHAS SALVADORAS CONTRA MOSQUITOS – NÃO FAÇA!
Recebi por Internet mais um desses prolíferos e-mails contendo passo a passo as instruções para fazer em casa mesmo uma estupefaciente armadilha para acabar com o mosquito da dengue. Resolvi consultar quem entende antes de sair veiculando no blog, o qual, modéstia à parte (e com muito orgulho), parece ser formador de opinião. Vejam só a “receita”:200 ml de água quente,50 g de açúcar mascavo,
1 g de levedura (fermento biológico para pães, encontrado em qualquer supermercado ) e
1 garrafa plástica de 2 litros
Como fazer:
1. Corte uma garrafa de plástico (tipo PET) ao meio. Guardar a parte do gargalo:
2. Misture o açúcar mascavo com água quente. Deixe esfriar. Depois de frio despeje na metade de baixo da garrafa.
3. Acrescentar a Levedura . Não há necessidade de misturar. Ela criará dióxido de carbono.
4. Colocar a parte do funil, virada para baixo, dentro da outra metade da garrafa.
5. Enrolar a garrafa com algo preto, menos a parte de cima, e colocar em algum canto de sua casa.
6. Em duas semanas você vai ver a quantidade de pernilongos e mosquitos que morreram dentro da garrafa.
Uma graça, não é? Então fui perguntar diretamente ao Prof. Carlos Fernando Andrade Depto. BioAnimal - IB / LEPAC – Paraty – UNICAMP que havia publicado uma interessante matéria na Revista da ABCVP (edição de n˚. 25 de maio de 2010) sob o título de “Estratégias estrambólicas, inócuas ou inseguras para o controle do vetor da dengue” em coautoria com Isaias Cabrini. Nessa matéria os autores analisam esse incrível mundo de “gadgets” (parafernálias, em bom português) que surgem todo dia veiculados principalmente pela internet e que quase todos acabam acreditando como se verdade fosse. Vou transcrever exatamente o que disse a respeito o Prof. Carlos:
ATENÇÃO PESSOAL, ISSO NÃO É SENSACIONAL!
É FÁCIL DE FAZER, MAS NÃO TEM GRANDE UTILIDADE EM QUALQUER SITUAÇÃO: RESIDÊNCIAS, ESCRITÓRIOS, COMÉRCIO, INDÚSTRIAS ETC.
NÃO REPASSEM O MÁXIMO QUE PUDEREM.
NÃO VAMOS TER MAIS SOSSEGO E NEM SEQUER COOPERAR PARA A ERRADICAÇÃO DOS MOSQUITOS DA DENGUE E OUTROS.
SE QUISER FAZER, TUDO BEM, E ESTIMULEM SEUS VIZINHOS A FAZEREM ESSA ARMADILHA A OPÇÃO É SUA... MAS DEPOIS ME CONTA, DE CADA 10 QUE VOCÊ ESTIMULOU, QUANTOS FIZERAM?.
É BOBAGEM R E P A S S AR, E NÃO VAI MULTIPLICAR O COMBATE.
E NÃO SERVE PARA QUALQUER PERNILONGO, NEM MESMO O DA DENGUE, MOSQUITOS e INSETOS VOADORES:
Mais claro que isso é impossível, não acham?
1 g de levedura (fermento biológico para pães, encontrado em qualquer supermercado ) e
1 garrafa plástica de 2 litros
Como fazer:
1. Corte uma garrafa de plástico (tipo PET) ao meio. Guardar a parte do gargalo:
2. Misture o açúcar mascavo com água quente. Deixe esfriar. Depois de frio despeje na metade de baixo da garrafa.
3. Acrescentar a Levedura . Não há necessidade de misturar. Ela criará dióxido de carbono.
4. Colocar a parte do funil, virada para baixo, dentro da outra metade da garrafa.
5. Enrolar a garrafa com algo preto, menos a parte de cima, e colocar em algum canto de sua casa.
6. Em duas semanas você vai ver a quantidade de pernilongos e mosquitos que morreram dentro da garrafa.
Uma graça, não é? Então fui perguntar diretamente ao Prof. Carlos Fernando Andrade Depto. BioAnimal - IB / LEPAC – Paraty – UNICAMP que havia publicado uma interessante matéria na Revista da ABCVP (edição de n˚. 25 de maio de 2010) sob o título de “Estratégias estrambólicas, inócuas ou inseguras para o controle do vetor da dengue” em coautoria com Isaias Cabrini. Nessa matéria os autores analisam esse incrível mundo de “gadgets” (parafernálias, em bom português) que surgem todo dia veiculados principalmente pela internet e que quase todos acabam acreditando como se verdade fosse. Vou transcrever exatamente o que disse a respeito o Prof. Carlos:
ATENÇÃO PESSOAL, ISSO NÃO É SENSACIONAL!
É FÁCIL DE FAZER, MAS NÃO TEM GRANDE UTILIDADE EM QUALQUER SITUAÇÃO: RESIDÊNCIAS, ESCRITÓRIOS, COMÉRCIO, INDÚSTRIAS ETC.
NÃO REPASSEM O MÁXIMO QUE PUDEREM.
NÃO VAMOS TER MAIS SOSSEGO E NEM SEQUER COOPERAR PARA A ERRADICAÇÃO DOS MOSQUITOS DA DENGUE E OUTROS.
SE QUISER FAZER, TUDO BEM, E ESTIMULEM SEUS VIZINHOS A FAZEREM ESSA ARMADILHA A OPÇÃO É SUA... MAS DEPOIS ME CONTA, DE CADA 10 QUE VOCÊ ESTIMULOU, QUANTOS FIZERAM?.
É BOBAGEM R E P A S S AR, E NÃO VAI MULTIPLICAR O COMBATE.
E NÃO SERVE PARA QUALQUER PERNILONGO, NEM MESMO O DA DENGUE, MOSQUITOS e INSETOS VOADORES:
Mais claro que isso é impossível, não acham?
quarta-feira, 8 de junho de 2011
O IMPACTO AMBIENTAL DE UMA SIMPLES LÂMPADA DE RUA
Um dia desses, estava eu calmamente sentado na varanda de minha casa no final do dia, começo da noite, lendo gostosamente um bom livro sobre Mitologia greco-romana (tema que sempre me interessou). Gosto muito desse momento que divide o dia da noite, porque as cores se intensificam e a Natureza nunca me negou um espetáculo diferente todos os dias. Era início de outono com os dias ainda bem quentes e noites tépidas. Minha auxiliar (a quem dou um valor inestimável) interrompeu minha leitura com um gostoso cafezinho feito na hora, de presença denunciada pelo aroma provocador. Depositei o livro sobre a mesinha ao lado e, devagar, comecei a saborear o delicioso cafezinho enquanto minha mente vagava livremente entre o labirinto de Dédalo, as tintas fortes do por do sol (vocês já repararam que o por do sol no outono e inverno fica particularmente colorido?) e a luz do poste que fica bem em frente à minha casa, onde centenas de pequenas mariposas já iniciavam seu bailado mortal. Percebo, quase sem querer, que dezenas e dezenas dessas mariposinhas jê haviam caído ao chão, moribundas, enquanto outras tantas, como se não apercebendo do risco, voavam e círculos em torno do bulbo de sódio da lâmpada no poste. Minha cabeça passou a se concentrar nesse pequeno átomo que compunha o momento e me levantei para ver mais de perto o fenômeno. Não que eu nunca tivesse visto essas cenas, ao contrário, mas naquele dia e naquele instante comecei a conjecturar sobre as razões e os por quês desse fenômeno e suas consequências. Colhi com as mãos um ou dois exemplares dessa mariposinhas, dois que me pareceram robustos e fortes. Ambos estavam exaustos, mal conseguindo fibrilar suas asas. Imaginei quantos descendentes deixariam de ser gerados por aquele simples par de mariposas, simplesmente porque cederam a seus impulsos naturais e esvoaçaram por algum tempo em torno da falsa luz de um poste. No chão, ao redor do poste, havia pelo menos cem mariposas e outros insetos voadores de todos os tamanhos e espécies, mortos ou moribundos. Um pensamento leva a outro que leva a outro e decidi fazer uma pequena pesquisa sobre esse tema.
Descobri que dois terços da proteína animal consumida no mundo provêm dos insetos, de forma direta ou indireta. Estes formam a base da cadeia alimentar, da pirâmide predador-presa. Não pude deixar de imaginar que se por alguma razão essa base é erodida, toda a pirâmide tende a esboroar-se. Depois de alguns anos de janela, cheguei à conclusão que ser preservacionista não se trata de sair por aí abraçando árvores. Trata-se muito mais de atitude, de percepção do entorno, da valorização consciente da biocenose que compõe um dado ambiente que devem ser preservados, deixando um legado para nossos filhos e netos. Sem nenhuma pretensão de ser um especialista, comecei a imaginar qual seria o impacto de uma simples lâmpada elétrica teria sobre a fauna noturna de insetos e outros seres. Percebo de imediato que se por um lado essa lâmpada quebrando a escuridão da minha rua vai atrair centenas de insetos voadores e condená-los à morte prematura, por outro lado vai favorecer grandemente a um conjunto de predadores que vão se aproveitar do estado de desorientação e cansaço daquelas presas incautas; rãs e sapos sabem perfeitamente que se aproximando de um poste com lâmpada elétrica, é garantia de uma suculenta refeição sem maiores esforços. Nesse breve intervalo entre dia e noite, pequenos pássaros de rápido vôo caçam mariposas e outros insetos voadores atraídos pela luz, assim como fazem morcegos insetívoros. Certas formigas também se banqueteiam com cadáveres dos insetos voadores abatidos.
Na verdade, essas mariposas e outros insetos noturnos, trazem impresso em seu DNA a atração pela luz da lua quando vão parear-se e nada as confundem mais que uma lâmpada elétrica acesa. Atraídas pelas luzes, volteiam em torno em estado quase hipnótico e acabam se chocando com o vidro da lâmpada queimando seu corpo e ficando desabilitadas para o vôo, ou então acabam esgotando suas forças e caem ao solo tornado-se presas fáceis para animais de outras espécies. Na minha tosca pesquisa fui informado que os alemães já publicaram diversos trabalhos sobre esse tema, todos recheados de quadros estatísticos e análises gráficas.
Outro fim de tarde, voltei à minha leitura na varanda, mas sempre de olho na lâmpada do poste.
Marcadores:
impacto ambiental
quinta-feira, 26 de maio de 2011
CARRAPATOS, PODEM SE TORNAR PROBLEMA

Recebi de leitores do blog, algumas solicitações de que postássemos uma matéria sobre carrapatos. Curiosamente nenhum solicitante especificou que carrapato tinham interesse, mas, assumindo que todos eles sejam controladores de pragas urbanas, acabamos por enfocar o carrapato dos cães por ser possivelmente o alvo desejado.
Como sempre faço, uma rápida revisão do tema antes de entrarmos no assunto central, OK? Definindo: o carrapato é um artrópode (quatro pares de patas) da ordem dos ácaros e podem ser classificados nas famílias dos Ixodídeos ou Argasídeos. São ectoparasitas hematófagos (alimentam-se de sangue), podendo ser responsabilizados na transmissão de inúmeras doenças ao homem (zoonoses) e a animais. Vivem no chão entre folhas do capim, touceiras ou sob cavacos de madeira, sempre esperando que por ali passe algum animal ou um ser humano.
Resumindo a história dessa carrapataiada toda, sabemos que os argasídeos (muitos gêneros e espécies) não ficam muito tempo no corpo do hospedeiro, permanecendo a maior parte do tempo no ambiente, escondidos e só procurando seu hospedeiro para se alimentar (de sangue, naturalmente), geralmente quando estão dormindo. Esses carrapatos podem permanecer longos períodos de tempo sem se alimentar (até mais de um ano, caso não encontrem uma fonte de alimento). Os carrapatos ixodídeos, ao contrário, passam a maior parte do tempo sobre o corpo de seus hospedeiros, onde se fixam e sugam seu sangue o tempo todo.
No Brasil, existem quatro espécies de carrapatos mais comuns:
• Amblyomma cajennense e Amblyomma aureolatum: ambos são chamados de carrapato dos cavalos ou micuim (quando ainda é larva) ou carrapato estrela (depois de adulto) que frequentemente podem parasitar o homem, bem como outros mamíferos domésticos ou selvagens e até aves. No pasto, de março a julho (nosso outono) os micuins podem ser encontrados aos milhões. Cães que frequentam terrenos baldios, parques urbanos ou outras áreas onde equídeos (cavalos ou muares) permaneçam, podem ser infestados
• Boophilus microplus: o carrapato dos bois, principal responsável pela transmissão da tristeza bovina ou babesiose. Quando infestam um bovino, sem tratamento adequado, podem sugar o sangue desse animal até causar profunda anemia e podendo causar sua morte.
• Argas miniatus: popularmente chamado de carrapato das galinhas, podem transmitir uma doença severa aos galináceos, denominada de bouba aviária (uma doença infecciosa semelhante à sífilis).
• Rhipicephalus sanguineus: o carrapato vermelho do cão que infesta cães e gatos, preferencialmente nos coxins palmares e plantares e também atrás das orelhas. Quando parasitam um desses animais, sobem pelas paredes, alojam-se em vãos e rachaduras, espalham-se pelo canil e pela casa, se o animal a ela tiver acesso. Vieram da África nos tempos da colonização de nosso país e adaptaram-se muito bem. Não é tão difícil controlá-los.
Esse é o carrapato que mais interessa ao controlador profissional de pragas, pois é muito encontrado em residências onde haja cães (eventualmente gatos). Nas fases ainda jovens, esse carrapato se abriga nas frestas, desvãos, gretas e buracos nas paredes do canil ou nas cercanias do ponto onde os cães dormem. As formas adultas vão ao animal para se alimentar e voltam para o ambiente. Tradução: para controlar esses carrapatos é preciso tratar ao mesmo tempo o cão e o ambiente, certo?
Agora que está perfeitamente compreendido que o tratamento deve ser aplicado tanto no ambiente quanto no animal AO MESMO TEMPO, vamos por partes:
• No animal: banhos carrapaticidas; se a infestação for muito grande, a cada 15 dias até resolver o problema. Animais de pelo longo, uma boa tosa no início do verão, ajuda a evitar o problema. Oriente o proprietário do animal a buscar junto ao seu Veterinário, a indicação de algum produto carrapaticida de longa duração para aplicar no animal.
• No ambiente: tratar o ambiente no mesmo dia marcado para o banho carrapaticida do animal e repetir depois de 15 e 30 dias. É isso mesmo que vc leu: tem que repetir o tratamento para também eliminar as larvas e ovos que estavam protegidos durante a primeira aplicação. Não é tão complicado assim, bastando pulverizar um bom piretróide, de preferência microencapsulado. Aplique em todos os cantos, junções, frestas, rejuntes, gretas, buracos e desvãos do canil (e/ou dos pontos freqüentados pelo animal), bem como cobrindo toda a superfície das paredes circundantes (por overlapping). Por experiência própria, recomendo o uso de vassoura de fogo (maçarico modificado com vara e bico de aplicação) ANTES da aplicação do produto escolhido. A alternativa que funciona igualmente bem é aplicar vapor de água a 200˚C usando uma desses equipamentos de limpeza a vapor; neste caso, aplicar o vapor, esperar secar (não leva muito tempo) e só depois aplicar o carrapaticida. O animal só pode voltar ao ambiente tratado, depois que ele estiver completamente seco.
Marcadores:
carrapatos,
controle de carrapatos
segunda-feira, 16 de maio de 2011
POMBOS: CONTROLE SÓ DENTRO DO ESTABELECIDO PELA IN 141 DO IBAMA

Considero-me medianamente informado sobre legislação, especialmente a que se refere aos assuntos relacionados com as pragas e seu controle. Tenho prazer em ler acuradamente toda Portaria, Instrução Normativa ou qualquer outro instrumento que baixe normas sobre o tema a que me referi. Com isso, vou me mantendo informado, crio minha opinião (nem sempre compartida pela maioria dos colegas, mas às vezes fazendo coro com a opinião predominante) e, de vez em quando, a emito pessoal e publicamente seja em palestras, seja através deste blog. Nosso amigo leitor Leandro, há alguns dias atrás, solicitou minha opinião sobre a questão dos pombos, especialmente à luz da Instrução Normativa n˚ 141 de 19/12/2006 emitida pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) que tem efeito de lei (e, portanto, deve ser cumprida), que regulamenta o controle e o manejo ambiental da fauna sinantrópica nociva.
Não pretendo analisar neste post o tema “controle de pombos”, isso vai ficar para outra oportunidade, mas vamos procurar atender ao leitor Leandro em sua solicitação de esclarecimentos da lei e a outros leitores que possam ter as mesmas dúvidas. Para melhor compreensão deste texto, sugiro fortemente que o leitor interessado leia antecipadamente a íntegra oficial da IN 141 a qual, para maior facilidade, pode ser acessada clicando em: http://www.pragas.com.br/legislacao/bancodedados/in_141.php
Já que estamos sendo lidos em outros países lusofônicos, a eles não custa esclarecer que este post destina-se apenas aos leitores brasileiros, já que se trata de uma lei limitada ao Brasil.
Logo no Art. 2º. da IN 141 encontramos uma série de definições para efeito da lei, tais como: controle de fauna, espécies domésticas, fauna exótica invasora, fauna sinantrópica, fauna sinantrópica nociva e manejo ambiental. Cada uma dessas definições por si só já situa as chamadas pragas e define até onde podemos ir no interesse do controle, incluindo os pombos. Se começarmos a enquadrar os pombos nessas definições (e para entender as disposições legais da IN temos que fazê-lo), vamos facilmente perceber que essas aves em ambiente urbano podem ser enquadradas nas definições de “fauna exótica invasora” e de “fauna sinantrópica nociva”. Sim o pombo (Columba lívia) não é um animal da fauna autóctone brasileira; trata-se de uma espécie européia que foi trazida para nosso país ainda nos tempos da colonização. Por outro lado, não só se urbanizou de forma muito bem adaptada, como passou a causar sérios transtornos ao sujar com suas fezes o meio onde habitam. Defecam profusamente sobre imóveis, parques, monumentos e outros equipamentos ao seu alcance. Com frequência, defecam mesmo sobre pessoas que inadvertidamente possam estar passando ou permanecendo abaixo de algum ponto onde os pombos possam estar pousados. Além disso, os pombos são os principais responsáveis pela disseminação da histoplasmose, uma doença pulmonar de curso extremamente sério para o ser humano. Portanto, não há dúvidas que o pombo pode, desde já, ser enquadrado nos incisos III e V como citei acima.
O parágrafo 1º. do Artigo 4º. dispõe que, observadas a legislação e demais regulamentações, para órgãos de governo da Saúde, da Agricultura e do Meio Ambiente, certas espécies animais podem ser passíveis de controle, sem a necessidade de autorização por parte do Ibama. Veja bem, órgãos governamentais, não empresas privadas! No inciso “c” lê-se: - animais domésticos ou de produção, bem como quando estes se encontrem em situação de abandono ou alçados (ex: Columba livia – o pombo (o grifo é nosso), Canis familiaris (cães), Felis catus (gatos) e roedores sinantrópicos comensais (ex: Rattus rattus – rato preto, Rattus norvegicus – ratazana e Mus musculus – camundongo).
Mais adiante, a IN 141 em seu Art. 5º. define os limites de ação para pessoas físicas e jurídicas (nesse caso, subentende-se as empresas controladoras de pragas) que estejam interessas no manejo ambiental ou controle da fauna sinantrópica nociva: estas devem solicitar autorização junto ao órgão ambiental competente nos respectivos Estados. Contudo, em seguida, a IN 141 logo no parágrafo 1º. desse mesmo Art. 5º. esclarece que, observada a legislação e demais regulamentações vigentes, pessoas físicas ou jurídicas devidamente habilitadas podem exercer atividades de controle sobre espécies sinantrópicas nocivas (isso inclui os pombos, lembra-se?), SEM A NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO POR PARTE DO IBAMA, observada a legislação vigente especialmente no que se refere a maus tratos, translocação e utilização de produtos químicos. No Art. 6º. a IN esclarece que os venenos e outros compostos químicos utilizados no manejo ambiental e controle da fauna devem ter registro específico junto aos órgãos competentes (no caso, registro dos produtos na Anvisa do Ministério da Saúde).
A IN 141 termina informando que há penalidades legais a serem impostas às pessoas físicas ou jurídicas que agirem em desacordo com o disposto nessa regulamentação.
Toda e qualquer lei admite interpretações (por isso mesmo existem advogados); posso estar certo ou posso estar errado, mas minha leitura dessa Instrução Normativa 141 é em resumo:
a) Sim, empresas controladoras de pragas devidamente registradas nos órgãos competentes podem executar serviços de controle de pombos, seja por manejo ambiental, seja por captura e transposição, seja por métodos químicos, sem a necessidade de ter que solicitar licenças especiais ao Ibama.
b) Os métodos selecionados pela empresa para executar tal serviço não podem caracterizar maus tratos aos animais alvos.
Portanto, amigo Leandro e demais leitores interessados, para mim esse é o resumo da ópera. E outra coisa, Leandro, não faço a mínima idéia se o Estado pretende intervir nesse assunto através de campanhas de controle ou qualquer outra coisa. Não tenho essa informação.
Não pretendo analisar neste post o tema “controle de pombos”, isso vai ficar para outra oportunidade, mas vamos procurar atender ao leitor Leandro em sua solicitação de esclarecimentos da lei e a outros leitores que possam ter as mesmas dúvidas. Para melhor compreensão deste texto, sugiro fortemente que o leitor interessado leia antecipadamente a íntegra oficial da IN 141 a qual, para maior facilidade, pode ser acessada clicando em: http://www.pragas.com.br/legislacao/bancodedados/in_141.php
Já que estamos sendo lidos em outros países lusofônicos, a eles não custa esclarecer que este post destina-se apenas aos leitores brasileiros, já que se trata de uma lei limitada ao Brasil.
Logo no Art. 2º. da IN 141 encontramos uma série de definições para efeito da lei, tais como: controle de fauna, espécies domésticas, fauna exótica invasora, fauna sinantrópica, fauna sinantrópica nociva e manejo ambiental. Cada uma dessas definições por si só já situa as chamadas pragas e define até onde podemos ir no interesse do controle, incluindo os pombos. Se começarmos a enquadrar os pombos nessas definições (e para entender as disposições legais da IN temos que fazê-lo), vamos facilmente perceber que essas aves em ambiente urbano podem ser enquadradas nas definições de “fauna exótica invasora” e de “fauna sinantrópica nociva”. Sim o pombo (Columba lívia) não é um animal da fauna autóctone brasileira; trata-se de uma espécie européia que foi trazida para nosso país ainda nos tempos da colonização. Por outro lado, não só se urbanizou de forma muito bem adaptada, como passou a causar sérios transtornos ao sujar com suas fezes o meio onde habitam. Defecam profusamente sobre imóveis, parques, monumentos e outros equipamentos ao seu alcance. Com frequência, defecam mesmo sobre pessoas que inadvertidamente possam estar passando ou permanecendo abaixo de algum ponto onde os pombos possam estar pousados. Além disso, os pombos são os principais responsáveis pela disseminação da histoplasmose, uma doença pulmonar de curso extremamente sério para o ser humano. Portanto, não há dúvidas que o pombo pode, desde já, ser enquadrado nos incisos III e V como citei acima.
O parágrafo 1º. do Artigo 4º. dispõe que, observadas a legislação e demais regulamentações, para órgãos de governo da Saúde, da Agricultura e do Meio Ambiente, certas espécies animais podem ser passíveis de controle, sem a necessidade de autorização por parte do Ibama. Veja bem, órgãos governamentais, não empresas privadas! No inciso “c” lê-se: - animais domésticos ou de produção, bem como quando estes se encontrem em situação de abandono ou alçados (ex: Columba livia – o pombo (o grifo é nosso), Canis familiaris (cães), Felis catus (gatos) e roedores sinantrópicos comensais (ex: Rattus rattus – rato preto, Rattus norvegicus – ratazana e Mus musculus – camundongo).
Mais adiante, a IN 141 em seu Art. 5º. define os limites de ação para pessoas físicas e jurídicas (nesse caso, subentende-se as empresas controladoras de pragas) que estejam interessas no manejo ambiental ou controle da fauna sinantrópica nociva: estas devem solicitar autorização junto ao órgão ambiental competente nos respectivos Estados. Contudo, em seguida, a IN 141 logo no parágrafo 1º. desse mesmo Art. 5º. esclarece que, observada a legislação e demais regulamentações vigentes, pessoas físicas ou jurídicas devidamente habilitadas podem exercer atividades de controle sobre espécies sinantrópicas nocivas (isso inclui os pombos, lembra-se?), SEM A NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO POR PARTE DO IBAMA, observada a legislação vigente especialmente no que se refere a maus tratos, translocação e utilização de produtos químicos. No Art. 6º. a IN esclarece que os venenos e outros compostos químicos utilizados no manejo ambiental e controle da fauna devem ter registro específico junto aos órgãos competentes (no caso, registro dos produtos na Anvisa do Ministério da Saúde).
A IN 141 termina informando que há penalidades legais a serem impostas às pessoas físicas ou jurídicas que agirem em desacordo com o disposto nessa regulamentação.
Toda e qualquer lei admite interpretações (por isso mesmo existem advogados); posso estar certo ou posso estar errado, mas minha leitura dessa Instrução Normativa 141 é em resumo:
a) Sim, empresas controladoras de pragas devidamente registradas nos órgãos competentes podem executar serviços de controle de pombos, seja por manejo ambiental, seja por captura e transposição, seja por métodos químicos, sem a necessidade de ter que solicitar licenças especiais ao Ibama.
b) Os métodos selecionados pela empresa para executar tal serviço não podem caracterizar maus tratos aos animais alvos.
Portanto, amigo Leandro e demais leitores interessados, para mim esse é o resumo da ópera. E outra coisa, Leandro, não faço a mínima idéia se o Estado pretende intervir nesse assunto através de campanhas de controle ou qualquer outra coisa. Não tenho essa informação.
Marcadores:
controle de pombos,
legislação,
pombos
sexta-feira, 13 de maio de 2011
ATENÇÃO, ATENÇÃO: O HIGIENE ATUAL INFORMA. SÃO 20.000 VISITAS!

Este blog nasceu em novembro de 2009; nesse mesmo mês conseguiríamos lotar uma Kombi de visitantes! Comemoramos. Mais uns meses e já estávamos lotando um micro ônibus e depois um daqueles ônibus grandões de dois andares que a gente cruza nas estradas. Comemoramos. Passou um pouco e lotamos de visitantes um enorme Boeing ou um Airbus desses grandões que cruzam continentes levando um bando de excitados turistas a passeio. Comemoramos. Um nadinha depois, lotamos um navio transatlântico, dois, três... Claro que comemoramos e muito. E agora, nossos visitantes lotariam um estádio de futebol de tamanho razoável; não chega a um Morumbi ou um Maracanã, mas certamente um estádio como o do Bragantino, por exemplo! Só temos é que comemorar e nos orgulharmos muito desse feito. Afinal, 20.000 (já passando um pouco) visitantes, não são para qualquer blog técnico. Outro dia li que uma determinada dupla sertaneja abriu um blog e em pouquíssimo tempo já teria recebido perto de cem mil visitantes. Vocês pensam que ficamos deprimidos por causa disso? “De modus in rebus” como diriam os advogados, de jeito nenhum! Não cantamos, não dançamos, não interpretamos e nem pertencemos ao showbizz tupiniquim, apenas postamos assuntos que possam interessar a profissionais controladores de pragas. Quer dizer, entre o blog dos tais sertanejos e o nosso, vai uma certa diferença de interesses (e de leitores) e entre os dois, eu fico com o Higiene Atual, ora essa!
Nosso blog dá mão de obra, acreditem. Claro que o retorno é imediato e palpável, medido através do número de visitas diárias que recebemos. Nossos apoiadores também estão satisfeitos, por certo. O pessoal da redação, como eu costumo brincar, está exultante. Bem a propósito, na foto que ilustra este post vocês estão vendo todo os componentes do staff de produção do blog, tirante alguns amigos e amigas, colaboradores que nos ajudam com sugestões de matérias a serem abordadas. Na foto estão à esquerda os diagramadores, diretores de arte, sequencistas, pós produtores, e artefinalistas. Á direita figuram o editor, redatores, diretores de pauta, revisores, onbudsman, produtores e controladores de qualidade. É a dupla David&Golias que já está junta desde os tempos em que nascia o Higiene Atual em sua versão impressa, na década de 80.
Como novidade, passamos a publicar na coluna da esquerda da tela, um seguidor de acessos que nos informa “on line” de onde estão chegando os visitantes (país, cidade, data e horário) do blog. Qualquer leitor pode acompanhar. Para surpresa nossa, temos recebido muitas visitas de outros países, alguns até bem estranhos. Quer dizer, tem muita gente neste mundo que lê português! Ou seriam os brasucas e lusitanos espalhados pelo mundo? Outra coisa, sabem qual post tem sido líder absoluto de busca no blog? Acreditem, o famoso Carlos Lineu! Como tem gente interessada nessa figura!
Está bem, agora já chega de comemorações. Prometo voltar só quando atingirmos 30.000 visitas, certo? Dá um tempo, meu!
Marcadores:
visitas
Assinar:
Postagens (Atom)
















