segunda-feira, 17 de junho de 2013
LEMBRANDO DO HANTAVÍRUS
Bati os olhos em uma notícia veiculada no site do Food Safety and Pest Management Solutions e achei que valeria à pena abordar o meio esquecido tema do hantavírus, uma das zoonoses transmitidas por certas espécies de roedores (no Brasil principalmente pelo “pixuna”, um roedor que se alimenta especialmente das sementes do capim braquiária). Diz a notícia que em junho do ano passado, a senhora Cathy Carrillo, juntamente com seu marido e filho frequentaram um acampamento no Parque Nacional Yosemite da California – EUA, o Yosemite´s Curry Village, um conjunto de bases de tendas de camping a serem armadas nas imediações da Glacier Point e do monte Half Dome; há igualmente tendas pré fabricadas disponíveis para alugar. Três semanas depois, a Sra.Carrillo mostrou sintomas semelhantes a um resfriado e acabou sendo hospitalizada por várias semanas em condições críticas.
“- Os médicos do hospital disseram que meu caso foi um milagre, pois eles não sabiam se eu iria sobreviver”, ela disse em entrevista ao ABC News. Aconteceu que a Sra. Carrillo foi uma das 10 vítimas de um surto de hantavirose que ocorreu nesse Parque Nacional Yosemite no último verão, três das quais foram a óbito, vítimas dessa doença viral mortal. O jornal Dailly Mail relata que um ano após ter contraído a doença, a Sra. Carrillo ainda é incapaz de respirar normalmente e tem problemas de comunicação. Ela agora deu entrada a um Processo Judicial contra a empresa administradora do Parque pelos danos físicos sofridos com a doença, no valor superior a três milhões de dólares. Seu advogado alega que a Administradora tratou do risco com negligência, posto que sabia da existência de casos anteriores de hantavirose (supostamente as vítimas contraíram a hantavirose ao entrar em contato com fezes, urina ou saliva de roedores dentro das cabines de banho e WC do acampamento. Prevista para o dia 23 de julho próximo, haverá uma audiência na corte distrital de Fresno. Dona Carrillo deve estar ansiosa e a empresa administradora do acampamento, tremendo nas bases. É... os roedores nem imaginam o tamanho da encrenca em que se meteram. Aguardemos mais notícias.
A Administração do Camping alega já ter tomado uma série de medidas para evitar a repetição dos fatos, tais como: destruição das cabines e bases de tendas onde o surto ocorreu e construção de novas instalações com várias modificações preventivas contra a infestação de roedores, base do piso mais alta para permitir inspeções sob ela, escada vazada para impedir que pequenos roedores ali façam seus ninhos, telagem de orifícios por onde passam cabos de eletricidade e canos de água, adoção de um programa permanente de controle de roedores, etc
Nota: a hantavirose é causada por um grupo de vírus transmitidos pela urina, fezes ou materiais dos ninhos de certas espécies roedoras silvestres. A infecção humana é relativamente rara e os sintomas surgem em media de uma a cinco semanas após a exposição. Os sintomas iniciais incluem febre, dores musculares severas e fadiga com sérias dificuldades respiratórias. Algumas vítimas sofrem dores de cabeça, tonturas, calafrios, náuseas, vômitos, diarreia e dores de estômago.
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Roedores
sábado, 8 de junho de 2013
O MANEJO DE PRAGAS EM ESTABELECIMENTOS ALIMENTÍCIOS
Na armazenagem após a colheita ou depois do abate, na industrialização, no comércio distribuidor atacadista e varejista, nos estabelecimentos de manipulação e consumo e nas residências do consumidor, os alimentos representam um polo permanente de atração para um incontável exército de diferentes pragas que apenas buscam sua sobrevivência, nada mais que isso. O problema é que esse exército e nós, os seres humanos, buscam os mesmos alimentos e então entre elas, as pragas, e nós, não há acordo sobre certas questões. Esse formidável exército é composto pelas mais diferentes espécies animais (e até vegetais, se considerarmos fungos e liquens) que insistem há milênios em compartir de nossa mesa, assaltar nossas despensas e até roubar nossas migalhas. Aparelhada com a capacidade de inteligência e criatividade, a espécie humana estuda, aprende e planeja novas técnicas, novos instrumentos de combate, novas estratégias para controlar as pragas. Estas, respondem com adaptações às adversidades que lhes são impostas e até lançam mão de mutações genéticas que as tornam resistentes aos ataques. Essa luta é antiga, bem antiga!
Entre uns e outros, situa-se o pobre do profissional controlador de pragas limitado por leis, regulamentos e regras nem sempre adequadamente fundamentadas e a notável capacidade adaptativa de insetos, roedores e outras pragas às quais deve controlar. Ah, sim, não podemos nos esquecer das entidades, ONGs e outros grupos pretensamente ambientalistas. Nada é fácil!
Muitas são as oportunidades que as pragas têm obter seu sustento (quer dizer, parte do nosso!) desde que o alimento foi colhido, ou abatido, até chegar à nossa mesa. A guerra entre nós e elas começa logo depois, na primeira armazenagem (silos, armazéns, depósitos, câmaras frias ou frigorificadas, etc). E já começa a atividade do profissional controlador de pragas que, para obter resultados consistentes, deve cumprir certas etapas como: inspeção das áreas e suas instalações de armazenagem, identificação das pragas infestantes e aplicação de técnicas de manejo integrado (bom nível de limpeza e asseio, medidas que excluam as pragas, medidas não químicas, controle químico, monitoramento, estabelecimento de um programa e de responsabilidades, avaliação periódica dos procedimentos, produção de relatórios e muita comunicação com o contratante).
Grande parte dos alimentos não é destinada ao consumo “in natura”, mas deve passar por um processo industrial antes de ser consumido. Nessa etapa as pragas atacam rijo! Roedores comensais dos três tipos, baratas pequenas e grandes, moscas de boas famílias milenares, formigas furtivas e incansáveis e outras pragas menos votadas como aranhas, mariposas, besouros, mosquitos, cupins, morcegos e até pombos sujões, sem falar em animais invasores ocasionais. É um prato cheio! Um agravante: na indústria, as regras e leis são exigentes e, consequentemente, o contratante também o é. Uma perna de barata ou uma asa de mosca dentro de uma lata de leite condensado pode gerar um problemão para a indústria produtora e uma inesquecível encrenca para a empresa desinfestadora contratada! Por isso, o profissional controlador de pragas tem que atentar para alguns pontos fundamentais antes de aceitar a responsabilidade em uma indústria alimentícia, tais como: identificar todos os fatores que estão favorecendo a entrada das pragas nas instalações (isso inclui verificar as rotas dos insumos e do lixo, sistemas de drenagem e descargas de águas servidas, as docas, os depósitos de alimentos e não alimentos, emissão de calores e pontos de luzes, as aberturas como portas e janelas, etc). Estafante, mas necessário. Depois vêm os fatores que estão facilitando a permanência e sobrevivência das pragas nessa indústria (limpeza, instalações de funcionários, presença de rachaduras, gretas, reentrâncias, danos estruturais, etc). A lista é longa, pois então vêm os fatores que ajudam as pragas a se distribuir dentro da indústria e some-se os fatores que dificultam o controle das pragas infestantes e por aí vai.
Muito bem, mas os alimentos saem da indústria e vêm para o comércio distribuidor (atacadistas e varejistas) onde nova armazenagem ocorre e com ela, outra grande oportunidade para as pragas, as mesma diga-se de passagem! Do ponto de vista delas existe alguma diferença entre um enorme hipermercado e uma vendinha de bairro? Não, é só uma questão de tamanho. Mas, para o profissional controlador de pragas o trabalho de controlá-las difere substancialmente quanto ao planejamento, a logística e a metodologia. Nessa etapa do percurso dos alimentos, outros fatores intervêm para dificultar o trabalho de controle das pragas onde o asseio e limpeza desempenham papel preponderante. O manejo dado às mercadorias é vital, lembrando que existe uma enorme área de acesso restrito ao público comprador, onde os alimentos são estocados e manejados de diferentes formas antes de irem para as gôndolas expositoras.
Poderíamos ficar aqui falando ainda sobre o que acontece com os alimentos depois que a dona de casa os compra, ou sobre o intenso trabalho de planejamento que o profissional controlador de pragas tem que se dedicar para aceitar a responsabilidade de controlar as pragas em qualquer das etapas que os alimentos devem cumprir antes de serem consumidos, mas vamos fechar o assunto lembrando que essa profissão exige necessariamente permanente reciclagem de conhecimentos, atualização e muita dedicação. Ou é isso, ou recomendo uma mudança de vida: experimente o ramo de pipoqueiro na frente de estádio de futebol. Talvez seja mais fácil!
Entre uns e outros, situa-se o pobre do profissional controlador de pragas limitado por leis, regulamentos e regras nem sempre adequadamente fundamentadas e a notável capacidade adaptativa de insetos, roedores e outras pragas às quais deve controlar. Ah, sim, não podemos nos esquecer das entidades, ONGs e outros grupos pretensamente ambientalistas. Nada é fácil!
Muitas são as oportunidades que as pragas têm obter seu sustento (quer dizer, parte do nosso!) desde que o alimento foi colhido, ou abatido, até chegar à nossa mesa. A guerra entre nós e elas começa logo depois, na primeira armazenagem (silos, armazéns, depósitos, câmaras frias ou frigorificadas, etc). E já começa a atividade do profissional controlador de pragas que, para obter resultados consistentes, deve cumprir certas etapas como: inspeção das áreas e suas instalações de armazenagem, identificação das pragas infestantes e aplicação de técnicas de manejo integrado (bom nível de limpeza e asseio, medidas que excluam as pragas, medidas não químicas, controle químico, monitoramento, estabelecimento de um programa e de responsabilidades, avaliação periódica dos procedimentos, produção de relatórios e muita comunicação com o contratante).
Grande parte dos alimentos não é destinada ao consumo “in natura”, mas deve passar por um processo industrial antes de ser consumido. Nessa etapa as pragas atacam rijo! Roedores comensais dos três tipos, baratas pequenas e grandes, moscas de boas famílias milenares, formigas furtivas e incansáveis e outras pragas menos votadas como aranhas, mariposas, besouros, mosquitos, cupins, morcegos e até pombos sujões, sem falar em animais invasores ocasionais. É um prato cheio! Um agravante: na indústria, as regras e leis são exigentes e, consequentemente, o contratante também o é. Uma perna de barata ou uma asa de mosca dentro de uma lata de leite condensado pode gerar um problemão para a indústria produtora e uma inesquecível encrenca para a empresa desinfestadora contratada! Por isso, o profissional controlador de pragas tem que atentar para alguns pontos fundamentais antes de aceitar a responsabilidade em uma indústria alimentícia, tais como: identificar todos os fatores que estão favorecendo a entrada das pragas nas instalações (isso inclui verificar as rotas dos insumos e do lixo, sistemas de drenagem e descargas de águas servidas, as docas, os depósitos de alimentos e não alimentos, emissão de calores e pontos de luzes, as aberturas como portas e janelas, etc). Estafante, mas necessário. Depois vêm os fatores que estão facilitando a permanência e sobrevivência das pragas nessa indústria (limpeza, instalações de funcionários, presença de rachaduras, gretas, reentrâncias, danos estruturais, etc). A lista é longa, pois então vêm os fatores que ajudam as pragas a se distribuir dentro da indústria e some-se os fatores que dificultam o controle das pragas infestantes e por aí vai.
Muito bem, mas os alimentos saem da indústria e vêm para o comércio distribuidor (atacadistas e varejistas) onde nova armazenagem ocorre e com ela, outra grande oportunidade para as pragas, as mesma diga-se de passagem! Do ponto de vista delas existe alguma diferença entre um enorme hipermercado e uma vendinha de bairro? Não, é só uma questão de tamanho. Mas, para o profissional controlador de pragas o trabalho de controlá-las difere substancialmente quanto ao planejamento, a logística e a metodologia. Nessa etapa do percurso dos alimentos, outros fatores intervêm para dificultar o trabalho de controle das pragas onde o asseio e limpeza desempenham papel preponderante. O manejo dado às mercadorias é vital, lembrando que existe uma enorme área de acesso restrito ao público comprador, onde os alimentos são estocados e manejados de diferentes formas antes de irem para as gôndolas expositoras.
Poderíamos ficar aqui falando ainda sobre o que acontece com os alimentos depois que a dona de casa os compra, ou sobre o intenso trabalho de planejamento que o profissional controlador de pragas tem que se dedicar para aceitar a responsabilidade de controlar as pragas em qualquer das etapas que os alimentos devem cumprir antes de serem consumidos, mas vamos fechar o assunto lembrando que essa profissão exige necessariamente permanente reciclagem de conhecimentos, atualização e muita dedicação. Ou é isso, ou recomendo uma mudança de vida: experimente o ramo de pipoqueiro na frente de estádio de futebol. Talvez seja mais fácil!
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quinta-feira, 6 de junho de 2013
FINALMENTE NO BRASIL, CURSOS SOBRE CONTROLE DE PRAGAS À DISTÂNCIA
Custou, mas eis que chegaram ao nosso país (e para os países lusofônicos), os cursos técnicos sobre controle de pragas, uma lacuna a ser preenchida. No mundo todo, a tendência educativa são os cursos virtuais onde os interessados podem aprender através da Internet, tomando as aulas à medida de suas disponibilidades de tempo e conveniência. Essa moderna forma de aprendizado propagou-se com notória velocidade e hoje, até cursos de formação universitária e pós graduação estão disponíveis em quase todas as línguas, incluindo o português. Faltavam no Brasil, no entanto, cursos técnicos especializados no controle de pragas. Eu disse faltavam, porque agora já temos mais essa ferramenta disponível na Web para tender este nosso país de dimensões continentais. O site Pragas On Line está disponibilizando os quatro primeiros cursos virtuais de ensino à distância que, certamente, vão facilitar bastante o crescimento técnico dos profissionais do setor. São eles: Curso livre de formação de Operadores de Controle de Pragas (com este blogueiro), Curso de Controle de Borrachudos, Curso de gerenciamento de ratos em unidades armazenadoras (ambos com o Dr. Ricardo S. Matias) e Curso de roedores – biologia e controle (com Dr. Antonio Queiroz). Como funcionam esses cursos? O interessado acessa o site (www.cursospragas.com.br), escolhe o curso que mais lhe agrada, preenche um formulário de inscrição, efetua o pagamento conforme indicado e o curso escolhido lhe será liberado para início quando quiser. Os cursos mais extensos são divididos em módulos, de forma que o cursante poderá tomar as aulas quando quiser, podendo interromper e retomá-las quando possível. Nos cursos há sempre um ou mais testes do conhecimento adquirido para que o próprio cursante avalie seu crescimento. Portanto, não perca essa alternativa de dar um “up grade” em seus conhecimentos. Acesse www.cursospragas.com.br
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
RESISTÊNCIA, RETORNO A ESSE TEMA
“- Por então, que mesmo após o tratamento que vocês fizeram na minha casa, as pulgas voltaram?
“- Deve ser um problema de resistência, dona. As pulgas não morrem mais com os inseticidas que aplicamos. Vamos refazer o tratamento, usando coisa bem mais forte!”
Esse diálogo imaginário (mas, muito comum na realidade) mostra que boa parte de nossos profissionais controladores de pragas está bem desinformada sobre o fenômeno biológico da resistência ou mostra um enorme desconhecimento desse assunto. Como recentemente ouvi em uma empresa comercial que visitei que, a razão do fracasso no tratamento executado por uma desinsetizadora tinha sido a “resistência”, resolvi voltar a falar um pouco desse tema, tentando esclarecer e talvez tirar dúvidas. Resistência, em biologia, é o desenvolvimento, em uma determinada linhagem de pragas (insetos, roedores, artrópodes, etc), da capacidade de suportar doses de agentes tóxicos que seriam normalmente letais para a maioria dos indivíduos numa população da mesma espécie. Resistência é um fenômeno com base genética e é hereditário (é transmitida de geração para geração), o que a torna diferente de tolerância que é um fenômeno individual e que não se transmite de pai para filho. A tolerância aparece sempre na presença de um determinado biocida, enquanto a resistência surge espontaneamente mesmo sem a presença do biocida contra o qual o animal demonstra ser resistente. Fala-se em resistência múltipla quando uma linhagem de insetos (ou outras pragas) é capaz de resistir a vários e diferentes compostos, às vezes de grupos químicos diferentes e com modos de ação também diferentes. Fala-se em resistência cruzada quando ocorre seu surgimento em uma população induzida por um determinado biocida, mas que deflagra a resistência também a outros biocidas de outros grupos. Neste caso, o que se sabe é que o elo comum é um mesmo sítio de atuação dos biocidas envolvidos. Por exemplo: resistência cruzada entre piretróides e organoclorados onde ambos agem nos canalículos de sódio presentes nas membranas celulares dos neurônios (as células responsáveis pela transmissão dos estímulos nervosos); ou entre organofosforados e carbamatos, pois ambos agem na inibição da colinesterase, o enzima essencial para a transmissão do estímulo nervoso de um neurônio para outro. Interessante notar que pode existir a chamada resistência comportamental: uma população aprende a evitar os pontos e áreas onde o biocida foi aplicado e assim vai levando a vida espertamente. As pragas podem se tornar realmente resistentes através de diferentes mecanismos. Tipicamente em roedores (mas não só neles) através de modificações celulares hepáticas e tissulares, o individuo consegue continuar a fabricar a vitamina K1 mesmo na presença dos anticoagulantes (ingredientes ativos dos raticidas hidroxicumarínicos ou indadiônicos) e assim, não é eliminado pelas doses usuais empregadas. Outro mecanismo é uma maior produção de enzimas degradativas, como oxidases, esterases, hidrolases e transferase que eliminam mais rapidamente certos agentes tóxicos que penetraram nos indivíduos. Às vezes, esses enzimas nem sempre são produzidos em maior quantidade, mas podem se tornar mais eficientes devido a pequenas modificações estruturais nas células do indivíduo. De qualquer sorte, a base da resistência é sempre genética; lá nos gens do indivíduo ocorre uma mudança ou o surgimento do gen da resistência. Vocês pensam que é fácil surgir resistência em uma determinada linhagem de uma praga? Não é, não! Uma enorme cadeia de eventos biológicos em sucessão precisa acontecer para que a verdadeira resistência se instale. Portanto, não fique pronunciando o santo nome da resistência em vão, porque, além de demonstrar pouca familiaridade com os fenômenos biológicos (especialmente se você estiver dialogando com algum individuo que tenha formação biológica), provavelmente você vai para o inferno ou, no mínimo para o purgatório, tamanho o pecado cometido!
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domingo, 5 de maio de 2013
A VEZ DAS LACRAIAS (ESCOLOPENDRAS)
Há alguns meses atrás, Lourenço, um profissional controlador de pragas do Rio de Janeiro, nos escreveu anexando uma foto e perguntando se o animal em questão era uma lacraia ou simplesmente um gôngolo (ou piolho de cobra, vide post já publicado). No caso, era mesmo uma lacraia. Desde então estou para escrever um post sobre esses artrópodes peçonhentos e agora chegou a vez deles. Para começar, as lacraias (também chamadas de escolopendras) são animais peçonhentos, ou seja, fabricam um veneno e têm equipamento para injetá-lo, ao contrário dos sapos que produzem veneno, mas não possuem equipamento para injetá-lo, sendo, portanto, apenas animais venenosos). Assim sendo, onde encontradas, as lacraias podem se tornar uma ameaça a pessoas e animais, ainda que sua peçonha não seja lá muito potente. As lacraias têm um corpo anelado e alongado (15 a 17 cm em média de comprimento quando adultas, mas há espécies que podem ter até 23 cm) com 21 segmentos, cada qual com uma placa quitinizada dorsal e outra ventral; dos dois lados a quitina (que forma o exoesqueleto do animal) é bem menos espessa onde se encaixa um par de pernas por segmento, terminadas por tarsos muito ponteagudos destinados à locomoção. Mas, o vigésimo primeiro par de pernas é mais longo e dotado de espinhos e servem para agarrar a presa (as lacraias são caçadoras e se alimentam de outros artrópodes como aranhas, de lagartixas, de pequenos pássaros e até mesmo camundongos). Mas, as lacraias desenvolveram um verdadeiro arsenal de armas para capturar e matar suas presas, além desse último par de pernas. Em cada perna, no fim do segundo tarso (um antes do tarso terminal) existe uma garra terminal em mais duas garrinhas bem pequenas; cerdas sensoriais enervadas dão às lacraias a capacidade de pressentir a proximidade de uma presa que é então firmemente agarrada, num giro vigoroso e de impressionante rapidez; dobra ela o corpo e injeta sua peçonha mortal através de dois dardos possantes e volumosos situados dos dois lados da cabeça. Muitas espécies de escolopendras podem ser encontradas no Brasil, Chile, Colômbia, Venezuela, México e outros países da América Central. Em nosso país, são muito comuns na região amazônica, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; são menos frequentes no sul e sudeste. A maior de todas as lacraias é a Scolopendra gigantea que pode ter até 26 cm de comprimento. As lacraias são animais estritamente noturnos e evitam a luz do dia; vivem em galerias pluviais, canalizações subterrâneas, em áreas verdes onde haja troncos em decomposição onde avidamente procuram larvas de besouros e de outros artrópodes. Vivem solitárias, como sói ser a regra dos animais de rapinagem, caçadores. Ferozes, caçam suas presas vivas, imobilizam-nas com as últimas pernas e os 20 pares de garras e as matam perfurando sua carne com as pinças em forma de foice, injetando seu veneno. Têm vida longa e existe separação de sexos; as fêmeas ou botam ovos ou algumas espécies são ovovivíparas. Com tudo isso, entretanto, o veneno das lacraias não é potente o suficiente para causar danos ao ser humano, nem mesmo à crianças de pouca idade. Razão pela qual não existe um soro antilacraia já desenvolvido. Em áreas onde as lacraias podem causar impacto e/ou incômodo às pessoas, o combate pode ser feito através da pulverização de algum biocida pó molhável ou pó solúvel nos possíveis pontos de esconderijo das escolopendras, geralmente ao ar livre nos jardins e matas adjacentes; eventualmente as lacraias podem se alojar nos porões de residências, garagens e depósitos de pouca ou nenhuma luz natural.
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quinta-feira, 25 de abril de 2013
DE VOLTA DAS FÉRIAS E COM CULTURA INÚTIL
Pois é, baterias carregadas, férias bem aproveitadas e pronto para alguns posts nesse nosso gostoso blog. Vamos começar devagar, aquecendo os motores com mais um pouco de cultura inútil antes de retomarmos os assuntos técnicos. Caiu em minhas mãos, ou em minha tela, um punhado de informações envolvendo animais, as quais não têm a menor utilidade prática, assim preenchendo todos os requisitos da cultura inútil (especialmente com meus comentários pessoais em itálico após cada informação). Aí vão:
• Um crocodilo não pode por sua língua para fora. (por isso não podem lamber os beiços depois de um belo repasto)
• É fisicamente impossível aos porcos olharem para o céu. (por isso não existe constelação chamada “do porco”; tem da ursa, do leão, do escorpião, do touro etc, mas do porco não tem não. De que adiantaria homenageá-los!)
• Um caracol pode dormir (hibernar) por até três anos. (que monotonia! A vida deles já é lenta mesmo sem hibernar!)
• Todos os ursos polares são canhotos. (essa é boa! Quem será o desocupado mental que descobriu isso?)
• As borboletas e as moscas sentem o gosto pelas patas. (não é exatamente uma novidade para quem é do ramo)
• Usar fones de ouvido por apenas uma hora, daqueles de introduzir no canal auditivo, aumenta o número de bactérias nesse canal em 700 vezes. (êta ouvidinho sujo!)
• Os elefantes são os únicos animais que não podem pular. (hahaha... disseram os gafanhotos)
• A formiga, quando intoxicada, cai sempre para seu lado direito. (essa deve também ter vindo daquele cara que observou os ursos polares!)
• Nos últimos 4.000 anos nenhum novo animal foi domesticado. (alguém poderia tentar alguma coisa com os tatus por exemplo, ou com as ostras, quem sabe com os bichos preguiça!)
• Em média, as pessoas têm mais medo de aranhas do que da morte! (se as aranhas soubessem disso...!)
E chega de tanta bobagem.
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segunda-feira, 18 de março de 2013
RÁPIDO INTERVALO E JÁ VOLTAMOS
Ansiosamente esperadas (por mim, é claro!), chegaram minhas férias. Nem celular vou levar! Férias retardadas por dois anos e que agora serão bem aproveitadas. Nas próximas três semanas, estarei recarregando baterias e faremos um pequeno intervalo nos posts deste blog. Calma! Depois voltaremos com tudo. Um abraço.
sexta-feira, 15 de março de 2013
SOBRE AS ARANHAS – PARTE IV
As caranguejeiras também merecem que a gente fale um pouco sobre elas. Diferentemente dos quatro gêneros anteriores, as chamadas aranhas caranguejeiras têm vários gêneros e numerosas espécies (só no Brasil já foram catalogadas mais de 400 espécies diferentes), mas geralmente são aranhas grandes e peludas, razão pela qual causam muito medo na espécie humana. Contudo, são tão mansas que com frequência encontramos pessoas que as domesticaram a ponto de tornarem-se “pets” (bichos de estimação). Vivem uma enormidade (há exemplares que, em cativeiro onde a vida é fácil, chegam a ter 15 anos de idade) e é fácil alimentar-se, pois aceitam camundongos albinos, desses de laboratório (jovens ou mesmo adultos), filhotes de passarinhos ainda sem penas, gafanhotos, baratas, pequenas rãs ou mesmo pedaços de carne bovina diretamente dos açougues (mas, aí, temos que colocar o naco bem debaixo de suas quelíceras para que elas aceitem), lagartixas, aranhas menores, escorpiões. Com toda essa facilidade, podem jejuar até 13 meses, desde que tenha água com fartura. Aliás, em cativeiro, tomam banho mergulhando em um pote com água, diariamente. Algumas caranguejeiras são relativamente pequenas, mas algumas espécies são enormes como as gigantescas Grammostolas do Sul do Brasil ou as temidas Aviculárias da região amazônica (muito exploradas em filmes de terror, porque são assustadoras, mas muito mansas); estas podem pesar até 50g e sua pernas atingem de 16 a 20 cm de extensão, quer dizer, é uma baita aranha! Seus ferrões negros são poderosos (1 cm de comprimento e 3 cm de largura). Entretanto, não há até hoje registro médico de alguma pessoa que tivesse sido morta pelo veneno de uma caranguejeira. O veneno não provoca dor e os animais caçados por elas morrem em letargia por parada respiratória. Por essa razão, não se fabrica soro anti caranguejeiras. Não tecem teias organizadas e como seus ninhos geralmente se situam no chão, cavam buracos e forram com um tapete bem tecido onde apoiam confortavelmente seu corpo. As caranguejeiras são noturnas (ou crepusculares); passam a maior parte da vida, isoladas; são intrépidas caçadoras, a maioria tem oito olhos e as fêmeas é que deveriam ser chamadas de “viúvas negras” (embora não sejam tão negras assim), posto que matam o macho depois da cópula. Nas residências e outras construções, buscam abrigo sob entulhos, gramados irregulares, acúmulos de materiais de construção, folhas mortas, pequenos arbustos, etc. Assim completamos nosso rápidos passeio sobre as aranhas mais perigosas em nosso país e agora precisamos comentar sobre a metodologia de combatê-las. Dentro do conceito do MIP (Manejo Integrado de Pragas), o melhor combate passa pelas ações corretivas e as preventivas, antes de pensarmos em eliminá-las. Localizar e destruir as teias impede que as aranhas em geral proliferem sem freio. Buscar, identificar as presas (insetos e artrópodes, etc) que as estão alimentando e eliminá-las, já cria dificuldades para que as aranhas se instalem confortavelmente. OK, mas porque é tão difícil controlarmos aranhas domésticas em geral? A razão é bem simples: a maioria das aranhas tem o corpo muito leve e, portanto, elas não precisam apoiá-lo no solo ou qualquer outra superfície para descansar; dessa forma, as aranhas caminham sobre as patas que terminam em “unhas” (a ponta de seus tarsos). Consequentemente, uma porção muito diminuta de seu corpo toca o solo ou mesmo suas teias. Óra, o que fazemos é aplicar biocidas nas paredes ou outras superfícies por onde as aranhas foram vistas, achando que vamos afetá-las tanto quanto os insetos rasteiros. Ledo engano! Caminhando na pontinha de suas patas, as aranhas praticamente não se expõem aos biocidas aplicados e, portanto, não serão afetadas. Fazem exceção as caranguejeiras que em algum momento acabam apoiando seu corpo em alguma superfície tratada. A solução está em utilizarmos algum biocida microencapsulado. Caminhando sobre uma superfície assim tratada, mesmo que apoiando apenas a pontas dos seus oito tarsos, a aranha vai colher um número suficiente de microcápsulas, suficiente para intoxicá-la e pouco tempo. Problema resolvido. A tecnologia dos biocidas evoluiu tanto que ousaríamos dizer que não há situação que não possa ser equacionada e competentemente resolvida, bastando entender as características de cada situação. Para isso, a palavra chave continua sendo: INFORMAÇÃO! Afinal, saber nunca ocupou espaço!
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segunda-feira, 11 de março de 2013
INVASÃO MORTAL
Aqui mesmo neste blog já confessei que sou o rei das baciadas de supermercados onde campeio DVDs interessantes para minha cinemateca. Uns são épicos, outros são trash (adoro), outros mais são cult e há ainda certas pérolas raras geralmente envolvendo pragas. Estes últimos são absolutamente fantásticos! Já encontrei alguns DVDs hilariantes, observando como profissional controlador de pragas. Esta semana, garimpando em uma baciada a R$ 6,99 pulou para meu colo um DVD imperdível intitulado Invasão Mortal (título original: They Hatch) onde acontece uma terrível invasão de... baratas carnívoras! É uma produção americana feita em 2000 (92 min) com muitos efeitos computorizados (claro!). Mocinho e mocinha (muito bonita) desconhecidos, mas com a participação de John Savage (Deer Hunter) e do notório Dean Stockwell (o Wilson que era o amigão do House da série de TV), em chamada de maior estrela do filme, embora morra antes do fim. Daí, enredo bem previsível com o aparecimento de baratas mutantes que se tornaram carnívoras, comendo tudo que é bicho (incluindo a espécie humana) em seu caminho. Foram mortas ao final com explosão e fogo. Última cena (mais que óbvia): uma dessas baratonas encarapitada sobre um toco boiando nas águas do rio Hudson, com Nova Iorque ao fundo, sugerindo uma possível continuação do filme caso fizesse sucesso. Não fez!
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
SOBRE AS ARANHAS – PARTE III
Ficou faltando falarmos um pouco sobre as perigosas aranhas viúvas negras e as temidas aranhas marrons. As viúvas negras são as do gênero Latrodectus spp (“ladrão escondido”, em bom latim) conhecidíssimas no mundo todo; cita-se o espantoso número de 10.000 vítimas por ano no mundo inteiro com algumas dezenas de mortes. Quem já viu uma viúva negra (refiro-me à aranha, ora pois pois!) não esquece, porque ela tem pernas fininhas, um corpo arredondado de cor negra e uma característica mancha vermelha em forma de ampulheta situada no ventre. Medem cerca de 8 a 1,5 cm de corpo e outro tanto de pernas; portanto são relativamente pequenas. Movimentam-se lentamente e são tímidas, sempre abrigadas sob uma folha ou algum detrito vegetal; têm notada preferência para habitar as regiões litorâneas, especialmente na vegetação da orla das praias. Constroem teias irregulares sob as plantas das praias ou qualquer outro local escuro, onde não sopre o vento. Os machos são bem menores que as fêmeas e se alimentam de restos de insetos capturados pelas teias construídas pelas fêmeas. A viúva negra recebeu esse nome, porque logo após o coito, as pontas dos “êmbolos”, os apêndices (2) sexuais dos machos, quebram-se e eles morrem ficando seu cadáver preso à teia, razão pela qual se pensava que eram as fêmeas que os matavam. Injustiçadas! O veneno das Latrodectus é potente e afeta tanto o sistema nervoso periférico (dor), como o central, fazendo efeito sobre a musculatura lisa que reveste alguns importantes órgãos internos (ex: coração). No local da picada quase não há alterações, mas quando o veneno começa a se espalhar pelo corpo, a vítima chega a gritar de dor; calafrios, tremores, cãibras principalmente nas pernas, pés e dedos do pé que se encurvam. Palpitações cardíacas, suores frios, retenção de urina, alucinações mentais, fadiga e outras encrencas mais dependendo do peso da vítima e da quantidade de veneno injetado. O soro antilatrodectus reverte esse quadro quando secundado por terapêutica de suporte (medicamentos contra a dor, tônicos cardíacos, calmantes, etc). É muita encrenca para uma aranha tão pequena! Encrenca? Encrenca é o que causa nossa próxima aranha: a aranha marrom! Nome científico: Loxosceles spp. Em certas regiões do Paraná, por exemplo, é o problema número 1 em saúde pública. Seis olhos brilhantes como pérolas, corpo de cor cinza esverdeada (lembrando uma azeitona) e pernas, hábitos estritamente noturnos, vida sedentária em sua teia, corpo entre 8 e 15 mm apenas e pernas longas (até 23 mm) e dotadas de um veneno potentíssimo. São encontradas sempre em lugares escuros, buracos, fendas, nos entulhos e materiais de construção, sob cascas de árvores e folhas mortas, nas adegas, garagens, alpendres, quartos de despejo, etc. Constroem uma teiazinha irregular onde ficam imóveis, são pacíficas, não picam e parecem não prejudicar ninguém até que sejam tocadas inadvertidamente. Nesse instante, essa aranha anteriormente mansa reage rapidamente, ferroando a vítima, quando inocula uma pequena quantidade de seu veneno; a partir daí, o mal está feito. Sua toxina é necrosante (provoca gangrena em torno do ponto da picada) e boa parte da pele, musculatura e outros tecidos locais entram em necrose, resultando a perda de todo esse conjunto, às vezes deformando seriamente a vítima. Tô fora! Já não gosto de aranha mesmo, o que dizer dessa aí! Antes que vocês perguntem, vamos sim falar das caranguejeiras e depois do combate às aranhas. Aguarde nosso post a respeito e que será o derradeiro sobre esse tema, prometo. Não perca!
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
SOBRE AS ARANHAS – PARTE II
Eu dizia que sendo as aranhas tão úteis ao eliminarem insetos e outros artrópodes que podem devastar nossas lavouras, por que tanta gente sente grande aversão e mesmo medo ao se depararem com uma aranha? A resposta está nos tempos longínquos, nos primórdios da civilização quando cohabitávamos, os humanoides e certas aranhas, nas cavernas onde buscávamos abrigo das intempéries. Lá, aprendemos a evitá-las, pois a dor, o sofrimento e até mesmo a morte podia ocorrer com uma simples picada. Isso ficou gravado de forma atávica em nossos cérebros e nossa tendência natural é evitarmos o contato ou mesmo a simples presença de aranhas em nossos lares (leia “cavernas”). Esse temor não é sem razão, pois existem, em nosso país, algumas espécies perigosas, tais como: as aranhas marrons, as viúvas negras, as armadeiras e as tarântulas. Vamos falar um pouquinho de cada grupo. A “aranha armadeira” (Phoneutria spp) é a aranha mais perigosa do mundo! O povo deu esse nome porque quando ameaçada, costuma armar-se para o bote, isto é, colocando-se rapidamente em pé, encolhe os dois últimos pares de pernas como dois feixes de mola enrolados, eleva seu corpo quase em posição vertical, ergue ameaçadoramente o par dianteiro de pernas e distende suas presas de veneno. Prepara-se e segue os movimentos do inimigo. Se um incauto ou distraído chegar a cerca de 20 ou 30 cm de distância, ela salta rapidamente e crava na vítima seus “punhais” veneníferos. A aranha armadeira vive solitária, não faz teia, é irrascível e feroz, não tolerando nem a presença de outra aranha de sua própria espécie. Em certas épocas do ano adentram às residências passando geralmente por baixo da porta e com frequência escondem-se dentro dos sapatos. Seu corpo mede cerca de três e suas pernas cinco centímetros; tem pelos cinzentos curtos e oito olhos dispostos na frente do que popularmente chamamos de cabeça (cefalotórax), por isso têm excelente visão inclusive à noite. Caçam geralmente ao final do dia e à noite e buscam grilos e gafanhotos, vagalumes e besouros, baratas e outras aranhas menores. Em busca de presas, invadem jardins, lavanderias, garagens. Durante o dia, buscam esconder-se sob móveis, atrás de cortinas, nos armários de roupas que não estejam fechados e, principalmente, dentro de sapatos. A dor de sua picada é extremamente forte, se instala em minutos e perdura por horas a fio. Pulso rápido, suores principalmente na nuca, dificuldades respiratórias, vertigem, queda das pálpebras, dificuldades na visão e, em casos gravíssimos, morte por sufocação. Com o próprio veneno dessas aranhas, perigosa, mas habilmente retirado em laboratório, cavalos são injetados e seu soro sanguíneo conterá anticorpos anti aranha armadeira que tantas vidas têm salvado. Quero ainda falar um pouco sobre as temidas tarântulas, as Lycosas. Vocês já ouviram palavras como atarantado (estonteado, aturdido) ou o verbo atarantar (estontear, confundir, perturbar)? Ou quem sabe a palavra tarantela (um ritmo de dança popular napolitana)? Pois todas essas palavras remetem às aranhas tarântulas que infestavam sem controle desde os tempos dos romanos a cidade de Trento, ou Tarento, no sul da Itália. Os acidentes com humanos eram tantos que já na Idade Média reconhecia-se uma doença chamada de tarantismo ou tarantulismo. Intensa agitação nervosa, perda momentânea do controle de movimentos voluntários, violentas crises dolorosas, convulsões, risos histéricos e choros em altos brados, eram alguns dos sintomas manifestados pelas pessoas picadas por tarântulas. Muitos acidentados dançavam freneticamente até ficarem banhados de suor e caírem de cansaço. No dia seguinte estavam sãos e não se lembravam de nada que haviam feito. Quando então muitas pessoas eram picadas ao mesmo tempo, uma verdadeira multidão dançava freneticamente, gritava e suava. Ao som de um violino e tamborim, com ritmo em compasso de seis por oito, nascia assim a tarantela! Uma vez falei que eu adoro cultura inútil! E como esses ataques coletivos de tarantismo ocorriam em determinadas épocas de ano (época da maior procriação das tarântulas, hoje se sabe), principalmente em torno do dia de São Guido, as procissões seguiam a “dança de São Guido”, coletiva e divertida, dois passos para a frente e um para trás. De minha infância lembro-me os comentários dos mais velhos diante de alguma criança energizada que não parava de se movimentar: “- Está com a dança de São Guido”. Cientificamente, as tarântulas foram denominadas Lycosas e só no Brasil já foram identificadas cerca de 120 espécies. Corpo com um pouco menos de três centímetros e pernas de quatro, pelos de cor cinzenta, mas com listras brancas no dorso; covardes, evitam o confronto e procuram fugir quando descobertas. Não fazem teias e vivem em pequenos buracos no solo onde tenha proteção de vegetais (como a grama dos jardins). Nas residências procuram a proximidade de piscinas; as fêmeas carregam uma bola de ovos presa à extremidade de seu corpo. Para o tratamento da picada das tarântulas, usa-se o soro antilicósico produzido pelo Instituto Vital Brasil.
Falta ainda falar das viúvas negras e das temíveis aranhas marrons, o que faremos na terceira parte deste palpitante post!
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
ESTAMOS DE LUTO, COM TODO O BRASIL
Não consigo segurar minha revolta! Tenho filhas que gostam de divertir-se em festas e baladas como essa onde mais de duzentos jovens foram assassinados e fico literalmente sem ar só de imaginar uma delas envolvida num espantoso e absurdo incêndio criminoso como esse de Santa Maria/RS. Por que criminoso? Porque uma bandinha mequetrefe quiz usar fogos de artifício que eles viam nos mega shows norteamericanos, e decidiram acender alguns sinalizadores tupiniquins EM UM RECINTO FECHADO! Porque não comunicaram a ninguém, não pediram autorização ao Corpo de Bombeiros e nunca pensaram nos riscos envolvidos. Porque a direção da casa não tomou conhecimento se isso seria ou não adequado e/ou permitido. Porque a casa não tinha Alvará de Funcionamento em dia, estando atrasado mais de 6 meses, SEM QUE FOSSEM FISCALIZADOS. Porque os extintores de incêndio estavam vencidos. Porque algumas portas de emergência estavam trancadas. Porque a casa, desrespeitando as disposições obrigatórias por lei, não tinha brigada de incêndio. Porque os advogados dos proprietários da maldita boate já adiantaram sua tese de defesa: FOI UMA FATALIDADE! Lembram-se do fatídico naufrágio (por superlotação)do tal Bateau Mouche na Baia da Guanabara há cerca de uma década atrás na noite de Reveillon, onde dezenas de mortes ocorreram? Alguém foi responsabilizado? Alguém foi punido? Que país é este? ESTE É O PAÍS DA IMPUNIDADE! O exemplo vem de cima, mas isso já é outra história.
sábado, 26 de janeiro de 2013
SOBRE AS ARANHAS – PARTE I
Preparando uma aula sobre aranhas e escorpiões, reli alguns trabalhos sobre os aracnídeos, especialmente um livro publicado em 1972, de autoria de Wolfgang Bücherl, hoje já falecido, emérito pesquisador do Instituto Butantan e que dedicou sua vida a estudar animais peçonhentos, tais como cobras (serpentes), aranhas, escorpiões, escolopendras (lacraias), abelhas, vespas e outros mais. Afinal, tem gosto para tudo!
Nossa memória não retém tudo o que ouvimos ou lemos (ainda bem!) e foi um grande prazer reler parte dos estudos científicos, sua documentação e conclusões a que aquele estudioso chegou e nos ensinou. Por exemplo, ele cita fósseis de aranhas que datam de mais de quatrocentos milhões de anos, lá no período Siluriano de nosso planeta e que durante a formação do período Carbonífero, começou a diversificação em espécies. De lá para cá as aranhas tiveram muito tempo para evoluir, havendo hoje pesquisadores que calculam o número atual de espécies em cerca de 50.000. Muitas dessas espécies são tão férteis que chegam a produzir algo entre mil e dois mil ovos por ano, dos quais nascem praticamente todos os filhotes. Quer dizer, se todos vingassem, o que está longe de acontecer, teríamos em poucos anos uma camada de aranhas de algumas dezenas de metros de espessura, o suficiente para sepultar literalmente toda a Terra! O freio biológico que impede tal fato é a seleção natural onde só os mais aptos sobrevivem e, naturalmente, um pouco de sorte os seleciona. As aranhas vivem em toda parte, sobre a vegetação e abaixo dela, dentro de fendas e gretas, em túneis, buracos e ocos de árvores, no campo, nas florestas e, naturalmente, nas cidades ou qualquer conglomerado humano. A maioria das aranhas são completamente inofensivas, mas algumas espécies são bastante venenosas e picam. A imensa maioria delas passa a vida completamente despercebida, ainda que todas sejam carnívoras; preferem caçar suas presas de uma forma ou de outra. Caçam, matam e as ingerem sugando-lhes os fluidos vitais. As aranhas arbóreas e as domésticas alimentam-se de insetos em geral como moscas e outros voadores, baratas, percevejos, grilos ou qualquer um que caia em suas teias de captura ou armadilhas. As aranhas de maior porte, como as caranguejeiras, caçam filhotes de lagartixas ou de pássaros, minhocas, e até camundongos recém nascidos. Podem comer seu próprio peso em alimento de uma só vez, mas são capazes de ficar até um ano sem se alimentar ou mesmo um pouco mais. Para caçar sua presa, há dois métodos bem diferentes: o primeiro consiste em detectar a presença da caça, aproximar-se (ou atraí-la) dar o um bote e cravar suas pinças veneníferas injetando a peçonha e assim matá-la. As aranhas que usam tal método confiam em sua visão, o bote é muito rápido, não constroem teias, são errantes e costumam andar sozinhas. Nesse grupo estão as caranguejeiras, as tarântulas, as fonêutrias (perdoem-me o aportuguesamento do termo), todas potencialmente perigosas para o ser humano, e o imenso grupo das salticidas, ou papamoscas que costumam caçar pelas janelas de nossas casas e nos são completamente inofensivas. O segundo método de caça é o da construção de uma teia sedosa e colante para capturar insetos alados mais desavisados que passem por ali. As teias têm uma série infindável de formas, algumas são verdadeiras obras de engenharia e precisão. A fábrica de fios está instalada dentro de seu abdome, geralmente com um par de glândulas excretoras situado na porção anterior do abdome. Na verdade, um fio dessa seda é constituído de centenas de fios individuais, é cerca de 80 vezes mais resistente do que um fio de aço da mesma espessura e é capaz de ceder cerca de 20% de seu comprimento antes de romper-se. Lembrem-se que ela viveram milhões de anos aperfeiçoando-se! Tudo isso para capturar insetos. Se considerarmos que existem trilhões de aranhas sobre a Terra e que todas são carnívoras, veremos que diariamente elas destroem bilhões e bilhões de insetos nocivos às nossas plantações e colheitas. Alguns aracnólogos (estudiosos das aranhas) dizem que “sem a colaboração delas, o homem morreria de forme!” Então, por que a maioria das pessoas tem profunda aversão e medo (como eu, confesso) das aranhas? A resposta a essa palpitante pergunta será respondida em nosso próximo post. Não perca!
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
COMEÇAMOS BEM 2013: 82.000 VISITAS!
Saúde boa, novos contratos no plano profissional, em família tudo vai muito bem, amigos conservados, pseudoamigos descartados, novas e boas perspectivas em todos os sentidos e... nada menos que 82.000 visitas em nosso blog! É isso mesmo! Voltamos a todo vapor e caminhando. Agradecer, outra vez? Claro que sim! Este blog só dispara porque são os leitores que o frequentam que fazem movê-lo, sempre com dinamismo, qualidade e de forma bem leve, sem grandes erudições (tal e qual foi concebido). Por isso, obrigado amigos leitores.
VAMOS FALAR UM POUCO SOBRE AS FORMIGAS DOCEIRAS
Depois e uma curta, mas merecidas, férias, voltamos a batucar as sofridas teclas do meu PC atacando outra vez o tema das formigas doceiras, atendendo à solicitação de nosso leitor Edvaldo do Paraná. Já falei sobre isso em tempos atrás (veja aí na coluna da esquerda onde há uma lista de temas já abordados), mas posso resumir a história. Começando pelo começo, formigas são insetos. Como eu sei disso? Porque têm três pares de pernas, ora essa! Pertencem à numerosa família Formicidae e só no Brasil já foram registradas aproximadamente 2.000 espécies diferentes de formigas, das quais pelo menos duas dúzias delas consideradas como pragas; todavia, não mais de seis são chamadas em seu conjunto de formigas doceiras (ou domésticas) porque invadem nossas moradias, sem nenhuma cerimônia. Dizem por aí que as formigas doceiras podem ser consideradas a praga do século: quem ainda não teve, vai ter uma infestação de formigas em sua cozinha principalmente. Os fósseis mais antigos de formigas datam de cerca de 100 milhões de anos, quer dizer, se nossos antepassados simiescos estão na Terra há pouco mais de 13 milhões de anos, as formigas aqui já estavam há muito mais tempo que a gente. Um fato já comprovado é que desde os tempos primórdios da espécie humana, as formigas já moravam em nossas cavernas e já espoliavam nossos alimentos. Com todo esse tempo de existência, as formigas tiveram tempo de sobra para se organizarem em sociedade e hoje são conhecidos como animais sociais; sua estrutura social é muito organizada e sabemos que cada formigueiro tem sua rainha (a única formiga que é fértil, produz e põe ovos). Na verdade, o formigueiro todo vive em função dessa rainha; tudo o que as formigas fazem é cuidar e proteger a rainha, recolher seus ovos e tratar de seu desenvolvimento até que produzam novas formigas adultas. Dentro de sua estrutura social, as formigas diferenciam-se em “castas”, ou seja, em classes sociais distintas, cada qual voltada para um tipo de trabalho: operárias (a maioria), soldados, aguadeiras, amas da rainha, lavradoras, etc. Muito interessante essa organização. Sendo um inseto que se desenvolve por metamorfose completa (ovo, larva, pupa e adulta), há muito trabalho dentro do formigueiro para que tudo aconteça como tem que ser. Nas espécies mais avançadas, encontramos diferentes “panelas” dentro do formigueiro, destinadas a diferentes propósitos: há a panela onde as obreiras trazem e armazenam partículas de alimentos (de qualquer tipo ou só de vegetais), onde outras obreiras tratam de semear e cuidar de certos fungos, os quais vão ser o verdadeiro alimento das formigas; há panelas de lixo (restos inservíveis, formigas mortas, etc); há panelas (sempre próxima às entradas do formigueiro) onde os soldados permanecem alertas e prontos para defender o formigueiro); há uma panela que é a câmara real, onde a rainha é mantida e cuidada (aliás, a rainha não consegue se mover sozinha tamanha a dimensão de seu abdome) e assim por diante. Contudo em certas espécies, entre elas algumas das doceiras, a estrutura social e do próprio formigueiro pode ser bem mais simples e pode estar alojado atrás de um batente de porta ou janela, atrás de algum azulejo quebrado um mal rejuntado, em fendas e gretas, dentro de tomadas eléricas e conduítes, atrás de rodapés e, com frequência, dentro de eletrodomésticos ou aparelhos eletrônicos, etc. Essas formigas doceiras a que nos referimos são, na maioria, residentes na própria cozinha que infestam e são bastante conhecidas por seus nomes populares como: a conhecida formiga louca (Paratrichina longicornis) que recebe esse nome porque nunca para (exceto quando encontra uma partícula de alimento), andando de um lado para outro, feito louca; a pequeníssima formiga fantasma (Tapinoma melanocephalum) que a gente mal enxerga; a formiga lavapés (Solenopsis spp); a formiga acrobática (Crematogaster spp); a formiga faraó (Monomorium pharaonis); a formiga carpinteira (Camponotus spp); a formiga argentina (Lenepithema humile) que chegou ao Brasil mais recentemente que as outras, e mais duas ou três espécies mais. Todas essas espécies são “residentes”, ou seja, moram dentro de nossas casas, de nossas instalações; uma ou outra pode ter seu formigueiro do lado de fora da casa. Nas residências, as formigas doceiras são incômodas porque atacam qualquer partícula alimentar que encontrem. E são milhares formando carreiros na escuridão da noite indo e voltando de seus ninhos ou formigueiros. Não se pode deixar nada exposto sobre a pia, sobre os balcões e mesmo dentro dos armários porque elas localizam o alimentam e vão se banquetear. Para combatê-las é preciso descobrir onde se localizam seus ninhos, onde vamos aplicar o biocida escolhido. Se colocarmos um pouquinho de açúcar em algum ponto sabidamente frequentado pelas formigas e apagarmos a luz da cozinha, depois de quinze minutos a meia hora poderemos observar as formigas em torno do açúcar e uma fila indiana até o ponto de entrada de seus ninhos. Ali podemos aplicar o formicida escolhido: gel, pasta, pó ou pulverizado. Já testei com ótimos resultados, um ou outro gel específico para formigas e achei que os melhores têm fipronil como ingrediente ativo, mas minha sugestão é a aplicação de algum inseticida microencapsulado, pois é tiro certo e definitivo!
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
FELIZ NATAL E UM GRANDE ANO NOVO
É hora de encerrarmos o período chamado de 2012 e abrirmos mais um ciclo, o de 2013. É hora de pararmos um pouquinho para um respiro, um pequeno intervalo recuperador, para recarregarmos baterias e olhar com firmeza o que o próximo ano nos reserva. Tirante os eventuais problemas de saúde que podem surpreender a qualquer um e sobre os quais nem sempre estamos preparados, o resto pode e deve ser vivido muito positivamente. Novas pessoas certamente entrarão em nossas vidas, antigas amizades podem ser reforçadas, novos desafios estão aí para que possamos vencê-los... é o círculo da vida! Desejamos a todos nossos leitores, a quem agradecemos muito pela preferência, um feliz momento de festas, de alegrias e de participação junto às suas famílias. Possa 2013 ser apenas um degrau, se não for o último, para atingir seus objetivos. E vamos em frente que atrás vem gente!
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
A EVOLUÇÃO DO CONTROLE DE PRAGAS URBANAS
Ontem estive em Santos/SP, no 39o. Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, onde fui profeir uma despretenciosa palestra sobre a evolução do controle de pragas urbanas. Eis aqui a síntese do que falamos. "Desde os primórdios da civilização, homens e pragas não se entendem. A princípio por uma razão simples: a disputa pelo alimento, que era comum e raro. Só depois é que vieram outras razões como o incômodo e mesmo a transmissão de zoonoses, de acidentes com peçonhentos, etc. De lá para cá, essa luta contínua e diuturna jamais cessou, apenas se modificou de parte a parte. O homem, escorado em seu raciocínio, sua inteligência, sua capacidade inventiva e criatividade, armou-se com notórios produtos químicos e inovadores equipamentos. As pragas, escoradas em seu potencial genético, enfrentaram essa ameaça armadas apenas com espertas adaptações, com tolerância crescente e resistência com base genética. O advento dos modernos biocidas orgânicos que substituíram os antigos naturais e minerais, trouxe grande alento para a humanidade e marcou o ponto de virada na nossa luta até então inglória contra as pragas. O DDT, o avô desses biocidas modernos, permitiu não só defender a lavoura, como combater e debelar grandes problemas de saúde pública. Esse biocida, e seu séquito de outros inseticidas organoclorados, mudaram o panorama até que outros biocidas não tão agressivos ao meio ambiente os substituíram. A descoberta dos rodenticidas hidroxicumarínicos desempenhou o mesmo papel crucial na luta contra os roedores sinantrópicos que tanto mal haviam causado à humanidade com a transmissão da peste bubônica. Até os anos recentes, o foco dessa luta estava nas pragas em si; combatia-se o roedor, o mosquito, o escorpião, a mosca, a pulga, etc. Verdade seja dita, sem retumbantes sucessos, ainda que a vitória pendesse para o nosso lado. Depois de muito recurso gasto, de intenso desperdício de tempo e dinheiro, chegamos à conclusão de que havia alguma coisa errada e que deveria existir uma nova alternativa de controle que a um só tempo fosse mais eficaz e que não fosse tão agressivo ao meio ambiente e à biocenose que nele vive. Dessa forma, surgiu o MIP (Manejo Integrado de Pragas) inicialmente aplicado à lavoura e hoje já estendido aos centros urbanos, onde a visão passou a ser o todo, ou seja, a praga considerada dentro do seu contexto ambiental. Ao mesmo tempo, equipamentos e principalmente os biocidas, experimentaram notório desenvolvimento e começam a ser mais específicos e seletivos, preservando espécies não alvos. Hoje, pode-se afirmar que não há situação que não possa ser resolvida com as armas e especialmente com o conhecimento que temos sobre as pragas e seu controle. O que virá depois?"
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
PROPOSTAS "INDECOROSAS"
Em minha atuação profissional atual como consultor em controle de pragas, coisa que tem me absorvido de forma crescente, tenho tido a oportunidade de examinar inúmeras propostas técnico-comerciais de empresas controladoras de pragas para meus clientes. Tenho visto de tudo! De propostas bem elaboradas a verdadeiras excrescências e, por isso, resolvi comentar um pouco esse assunto. Concordo que o nível geral dessas propostas melhorou muito, considerando, por exemplo, os últimos 30 anos. Naquele tempo, o importante era “encher linguiça”. Quanto maior o volume da proposta, mais impressionava o cliente em potencial. Eram páginas e páginas de... nada! Dos meus guardados, pincei uma proposta daquele tempo de uma empresa (bem pequena na época) e transcrevo um pequeno trecho: -“... e, como sabemos, a barata tem uma capacidade impressionante de sobrevivência, resistindo inclusive a uma explosão nuclear. Destarte (essa palavra estava em moda na época), não adianta eliminar somente as baratas adultas; é preciso também eliminar as larvas (opa!) e os ovos”. E o texto seguia em frente com alguns tropeços ocasionais. Só nessa parte das baratas, tinha uma página e meia de blá blá blá... Depois vinha roedores, vinha moscas, vinha mosquitos e assim por diante. Do outro lado desse barbante enrolado estava o cliente, possivelmente um executivo, pois a tal proposta era dirigida a uma indústria. Embasbacado, impressionado ou já aborrecido com aquele palavrório todo? Afinal, ele só queria saber quanto iria pagar pelo serviço! Pois bem, o mundo mudou, as pessoas mudaram. Hoje, esse mesmo executivo iria no máximo pulas da folha de rosto para a última, onde deveria estar o preço, desprezando completamente o existente entre elas. Sabem por que? Por absoluta falta de tempo! Hoje, a moeda de troca chama-se tempo. Os abusivos discursos de algum participante de uma reunião empresarial, só entendiam os demais e se o chefe for esperto, corta logo o babado e exige que se vá direto ao ponto. Propostas extensas, às vezes nem são lidas e se minimamente lidas, desprezadas. Portanto, propostas técnico-comerciais como as que compilamos em nosso ramo profissional, devem ser concisas, precisas e se aterem somente aos pontos essenciais ou vitais para a compreensão dos objetivos. De acordo? Mas, entretanto, continuo a ler propostas de algumas empresas controladoras de pragas com imensos palavrórios desnecessários, às vezes até repetitivos. Não corram o risco de terem suas propostas não lidas ou mão consideradas. Sejam objetivos e discutam somente o que interessa. Ninguém mais julga o cabedal técnico da empresa pelo conteúdo da proposta. Esse aspecto é muito mais relevante na entrevista pessoal que ocorrerá entre o executivo contratante e o representante da empresa a ser contratada. Pensem nisso!
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
EXTRA, EXTRA: FINALMENTE O "CHUMBINHO" FOI BANIDO!
Hoje (05/11/2010) a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou a proibição de produção, comercialização e uso de qualquer agrotóxico à base de aldicarb, um defensivo agrícola fabricado pela Bayer com o nome comercial de Temik que, embora destinado contra ácaros e nematódeos exclusivamente em culturas de batata, café, citros e cana de açúcar, vinha tendo desvio de uso e empregado ilegalmente como raticida há muitos anos. Vendido em qualquer esquina e feiras livres nos centros urbanos em pequenos frascos daqueles que se usa em certos antibióticos injetáveis, a um preço muito barato, o agrotóxico tornou-se popularmente conhecido com o nome de “chumbinho” e passou a ser responsável por quase 60% dos 8.000 casos de intoxicação humana que ocorrem no Brasil quase todos os anos. A Bayer anunciou que encerrou as importações do ingrediente ativo aldicarb, sua industrialização e comercialização, comprometendo-se ainda a efetuar o recolhimento de qualquer sobra do produto em posse de agricultores. O criminoso comércio do tal chumbinho, geralmente a pessoas desavisadas e de baixa renda, provocou incontáveis acidentes intoxicativos em humanos e animais, muitos dos quais foram a óbito. Há também incontáveis registros de tentativas e assassinatos cometidos com esse produto. Vamos ver qual será a reação da bandidagem, talvez contrabandeando o produto de algum país vizinho cuja legislação não seja tão rígida. Quem viver, verá!
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
SOBRE AS ARMADILHAS LUMINOSAS PARA MOSCAS
A maioria das moscas (mais de 110.000 espécies de moscas já catalogadas em todo o mundo) demonstra atração pela luz, o que significa que basicamente são insetos diurnos. As moscas domésticas (Musca domestica), por exemplo, respondem positivamente a determinados comprimentos de onda do espectro da luz. É só observar as janelas com vidros fechados que você verá algumas moscas tentando “atravessar” o vidro para sair da instalação. Pois bem, essa atração natural pode muito bem ser aproveitada nos programas de controle de moscas. As armadilhas luminosas de captura de moscas (e outros insetos voadores) foram inventadas e desenhadas exatamente para capturar esses insetos voadores dentro de instalações, onde são muito eficazes se corretamente empregadas. Além da captura propriamente dita, essas armadilhas servem também para que o profissional identifique as espécies de insetos voadores que foram capturados e tirar conclusões sobre de onde as infestações estão se originando, auxiliando o plano de combate. Muitas empresas controladoras de pragas ainda não perceberam os benefícios das armadilhas luminosas e falham em aproveitar a utilidade desses equipamentos na completa satisfação de seu cliente que deseja uma abordagem mais ampla no manejo das pragas dentro de suas instalações. Mais no fundo, muitas empresas controladoras deixam de oferecer serviços de controle de moscas, esquecendo-se que todo estabelecimento alimentício (produção, armazenamento, preparo ou consumo) frequentemente experimenta o problema de infestações de moscas, em maior ou menor grau. As armadilhas luminosas não devem ser consideradas a resposta a todos os problemas com insetos voadores. Muitos desses insetos não são atraídos pelo espectro de cor emitido pela lâmpada utilizada na armadilha. Insetos voadores noturnos, por outro lado, são bastante atraídos pela armadilha e são capturados com facilidade. Insetos voadores diurnos demonstram atração periódica pela armadilha dotada de lâmpada ultravioleta. A mosca comum (M.domestica), por exemplo, pode voar durante horas dentro do recinto, até que sua atenção seja atraída pela lâmpada ultravioleta da armadilha; armadilhas luminosas bem dispostas no recinto podem ter sua eficiência bastante aumentada. As armadilhas luminosas devem fazer parte de um programa de controle de moscas, onde diversas ações de combate realizadas no exterior da instalação comporão a primeira linha de combate. Existem numerosos tipos e tamanhos de armadilhas luminosas disponíveis no mercado e quase todas dispõem de uma ou mais lâmpadas ultravioleta. Muito se tem discutido sobre qual lâmpada a armadilha deve empregar, mas o consenso é de que a luz ultravioleta (também chamada de luz negra) seja a mais indicada. As primeiras armadilhas luminosas eram do tipo eletrocutadora: havia uma grade eletrificada que instantaneamente eletrocutava os insetos que a tocassem. Muito eficazes, porém apresentavam um problema: com frequência o inseto ao tocar a grade, explodia (devido a rigidez de seu exoesqueleto), além de produzir um som característico, e várias partes do seu corpo se espalhavam ao redor do ponto onde a armadilha estava instalada, razão pela qual em boa parte dos estabelecimentos alimentícios, esse tipo de armadilha passou a ser contraindicada (imagine essa armadilha numa sala de restaurante, por exemplo). Mesmo porque, a Vigilância Sanitária não permite o uso desse tipo em determinados estabelecimentos. Todavia, em armazéns e outros recintos amplos, esse tipo de armadilha pode perfeitamente ser utilizada. Sua variante é a armadilha colante, a qual não eletrocuta o inseto, mas gruda-o ao tocar um painel colante disposto junto à luz atrativa. Esse tipo apresenta o inconveniente da necessidade de trocar com certa frequência o painel colante, por razões estéticas principalmente. Dessas, a armadilha própria para ser colocada em cantos, demonstra melhores resultados, porque podem ser vistas pela mosca de qualquer pondo do recinto. Muito do sucesso do emprego de armadilhas luminosas reside na maneira correta e adequada de dispô-las em um determinado ambiente. Algumas dicas podem ser citadas com a finalidade de aumentar a captura:
• As moscas comuns são mais ativas na faixa compreendida até 1,80m do solo; obviamente as armadilhas devem ser montadas dentro dessa faixa, mas se por razões estéticas isso não for possível, monte-as no extrato superior, onde a vista humana não seja capaz de ver a placa colante com insetos capturados. Muitas pessoas não gostam de ver essa cena.
• A colocação de uma armadilha junto do coletor de lixo pode ser bastante eficaz.
• Evite colocar a armadilha em pontos que podem ser vistos do exterior da instalação, pois a lâmpada poderá atrair voadores que estava somente de passagem.
• A armadilha deve ser instalada, sempre que possível, o mais longe de outra fonte luminosa para evitar a competição em atratividade. Evite proximidade de janelas ou focos de luz.
• Não coloque a armadilha a menos de quatro o cinco metros da entrada ou saída de um recinto. Os voadores que entrarem, vão fazê-lo em alta velocidade e nem terão tempo de perceberem a luz que os atrairia.
• Não instale a armadilha próximo a fontes de calor ou em áreas onde a corrente de vento seja particularmente forte.
Hoje, muitas empresas controladoras de pragas já instalam, elas mesmas, armadilhas luminosas nos recintos de seus clientes. Algumas empresas cobram pelas armadilhas, outras, espertamente, oferecem esse serviço com um diferencial e assim cativam o cliente. A qual grupo você pertence? Ou ainda nunca se interessou por esse assunto?
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